Beatriz da Conceição , nasceu no Milharado, concelho de Mafra a 14 de Dezembro de 1907 e faleceu em Lisboa, a 15 de Abril de 1996. Adoptou o pseudónimo de Beatriz Costa, logo que se estreou-se aos quinze anos, como corista, na revista Chá e Torradas (1923) no Éden Teatro, em Lisboa. No ano seguinte, em 1924, estreia-se no Teatro Maria Vitória (Parque Mayer) com a revista “Ré-Vés”. Posteriormente, ingressa na companhia do Teatro Avenida estreando-se, no mesmo ano, no Rio de Janeiro onde é felicitada pela imprensa e pelos espectadores, nomeadamente nas revistas Fado Corrido e Tiro ao Alvo. De regresso a Lisboa (1925) ocupa um lugar de destaque ao lado de Nascimento Fernandes em Ditosa Pátria, no Teatro da Trindade. Em Agosto do mesmo ano a Companhia do Trindade segue para o Porto apresentando-se no Sá da Bandeira e Beatriz faz a sua primeira ida como artista à cidade invicta Em Outubro de 1925 integra uma Companhia de operetas sedeada no Teatro São Luiz. De regresso à revista, passa pelos teatros Éden e Maria Vitória nas revistas “Fox Trot”, Malmequer, Olarila , Revista de Lisboa e Sete e meio. Em 1927, traduzindo uma moda cinéfila, aparece pela primeira vez de franja e estreia-se no cinema em papéis episódicos de filmes de Rino Lupo - O Diabo em Lisboa - e, ainda no mesmo ano, havia dançado um tango em Fátima Milagrosa (do mesmo realizador) ao lado de Manoel de Oliveira. Passou pelo Teatro Apolo, transferindo-se depois com a Companhia de Eva Stachino para o Trindade. Aí se fez Pó de Maio , onde conheceu o maior êxito da popularidade com o celebrado número D. Chica e Sr. Pires ao lado de Álvaro Pereira. Volta ao Brasil em 1929, com a Companhia de Eva Stachino, no Rio de Janeiro, foi recebida sobre as mais efusivas manifestações e relembrada a sua revelação como actriz nos grandes órgãos de imprensa da América do Sul. De volta ao continente, e ainda neste ano, Beatriz Costa aparece no documentário Memória de uma Actriz (com base nos artigos que já escrevia para O Século a contar episódios pícaros da sua carreira). Em 1930 participa no filme Lisboa, Crónica Anedótica, de Leitão de Barros. Em Dezembro de 1930, durante a visita de Ressano Garcia, gerente da Paramount em Lisboa, recebe um convite de Blumenthal e San Martin para um contrato muito vantajoso para o papel da protagonista de A Minha Noite de Núpcias (da versão original Her Wedding Night de Frank Tuttle e que na versão portuguesa foi dirigida por Alberto Cavalcanti), o terceiro fonofilme em português, a realizar-se em França. Recebendo sempre provas de apreço desde o pessoal dos estúdios à mais considerada vedeta destaca das suas colegas estrangeiras Olga Tsehekova e Camila Horn. Deixa a Companhia e é contratada por Corina Freire para participar nos êxitos de revistas como A Bola, Pato Marreco, O Mexilhão ou Pirilau. Numa ida a Espanha, a convite da Casa da Imprensa de Badajoz para uma festa no Teatro Lopez Ayola, obteve estrondoso êxito ao representar Burrié, sendo homenageada juntamente com os outros artistas portugueses que a acompanhavam (Amarante e Nascimento Fernandes). Em 1933 a sua imagem imortalizava-se n' A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo, ao lado de António Silva e Vasco Santana, assim como em 1936, ao participar na revista Arre Burro. Em 1937 Beatriz ganha ao lado de Vasco Santana os votos de preferência dos cinéfilos portugueses e são eleitos "príncipes do cinema português", protagonizando em 1939 A Aldeia da Roupa Branca, de Chianca de Garcia, aquele que seria o seu último filme.
Ainda em 1939, Beatriz Costa aceitou novo convite para se deslocar ao Brasil para uma temporada que se prolongou por 10 anos (de 1939 a 1949) tal feito deveu-se à sua grande popularidade, e que ela chamou "os melhores anos da sua vida". Quase sempre actuou no Casino de Urca, no Rio, desde os tempos da peça Tiro-Liro-Liro, até ao final da década, altura do seu único casamento em 1947, com Edmundo Gregorian (poeta, escritor, escultor), de quem se divorciou dois anos depois. Em 1949, regressa aos palcos de Lisboa para uma revista no Teatro Avenida, cujo título diz tudo sobre o mito que continuava a ser: Ela aí está!. E, aos 41 anos, repetiu os êxitos de há 20 anos atrás. Ainda apareceu em Lisboa em revistas de sucesso como Com Jeito Vai, mas em 1960 despediu-se dos palcos em Está Bonita a Brincadeira. É a partir da década de 60 que começa a viajar por todo o mundo, assistindo a festivais de teatro, de Ocidente a Oriente. Conheceu personalidades como Salvador Dali, Pablo Picasso, Sophia Loren, Greta Garbo, Edith Piaf ou o Rei Hassan II de Marrocos. Depois da Revolução dos Cravos - quando já vivia no Hotel Tivoli, onde viveu até morrer - começou a publicar livros sobre a sua espantosa vida (já anteriormente a "publicara" em vários capítulos nas Páginas das Minhas Memórias nos anos 30), aconselhada e incentivada por Tomás Ribeiro Colaço. Ela que aprendera a ler aos 13 anos de idade e sozinha, seguindo a sua ambição de saber, começou a sua alfabetização à mesa d' A Brasileira, rodeada por figuras como Almada Negreiros, Gualdino Gomes, Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio, entre outros. Após o seu reaparecimento num espectáculo da Casa da Imprensa que decorreu no Coliseu dos Recreios foi sistematicamente solicitada pelos órgãos de comunicação social e espantou-se com as óptimas reacções do público leitor em relação a essa outra faceta da sua vida - escrever. Em 1977 é editado pela Emi-Valentim de Carvalho um álbum que compila vários dos seus sucessos musicais e que em 1996 seria reeditado com o título Grande Marcha de Lisboa na Colecção Caravela da mesma editora. Apesar das muitas propostas para regressar aos palcos (por Vasco Morgado) preferiu ficar longe deles por considerar o teatro de revista muito diferente do que era, por "estar decadente". Muitos foram também os convites para programas de televisão (por Joaquim Letria) e, de facto, viria a participar como membro de júri no concurso Prata da Casa (RTP) apresentado por Fialho Gouveia e que visava lançar jovens no mundo do espectáculo. Um grupo de jovens chegaria mesmo a propor a sua candidatura simbólica nas eleições presidenciais de 1985 como meio de comemorar O Ano Internacional da Juventude do ano seguinte.
© Vítor Duarte Marceneiro
FILMOGRAFIA
A Aldeia da Roupa Branca, de Chianca de Garcia (1939);
O Trevo de Quatro Folhas, de Chianca de Garcia (1936);
A Canção de Lisboa, de José Cotinelli Telmo (1933)
Minha Noite de Núpcias, de E. W. Emo (1931)
Lisboa, de J. Leitão de Barros (1930)
Fátima Milagrosa, de Rino Lupo (1928);
O Diabo em Lisboa, de Rino Lupo (1926).
LIVROS
Quando se retirou da vida artística decidiu escrever livros biográficos «Sem Papas na Língua», 1975 e «Quando os Vascos eram Santanas», 1977. Figura acarinhada e querida em todo o país, viveu no Hotel Tivoli, em Lisboa, até ao fim dos seus dias. Divertida e risonha, manteve sempre o seu ar irreverente e um humor saudável. Mafra homenageou-a dando o seu nome ao Teatro Municipal Beatriz Costa. Os filmes em que é vedeta são constantemente exibidos na RTP Memória com enorme sucesso de audiências.
Beatriz COSTA, "Sem Papas na Língua" ,
Beatriz COSTA, "Quando os Vascos eram Santanas… e não só" ,
Beatriz COSTA, "Mulher Sem Fronteiras" ,
Beatriz COSTA, "Nos Cornos da Vida"
Beatriz COSTA, "Eles e Eu"
Beatriz COSTA, Obra inacabada
O MITO DA FRANJA
"Sou uma cara de boneca de loiça num corpo de boneca de trapos."
"Sou uma criatura estruturalmente alegre, desempoeirada, sensível ao bem que me façam e indiferente ao mal que me queiram."
"Vim do povo e, artisticamente, ao doce contacto dele tenho vivido. Se de todas as classes me afluíram estímulos e aplausos, os daquela de que sou filha são os que mais me consolam, fortificam e envaidecem."
"Sou uma mulher que lutou e conhece o pão que os oportunistas amassam. O que vale é que sou de boa cepa e fui amamentada a pão de milho e tive a água limpa do rio da minha avó."
Beatriz Costa canta
ARRE BURRO
Letra de: Alberto Barbosa e José Galhardo
Música de: Vasco Santanea e Amadeu do Vale
O Poeta Rogério Martins Simões
Caricatura de Real Bordalo
Rua Augusta - Auguarela de Mestre Real Bordalo
Jorge Costa, é natural de Palmela.
Desde muito jovem que se sentiu atraído pelo Fado e especialmente pela sonoridade da guitarra.
Aos 15 anos, porque seu pai não tinha possibilidades financeiras de lhe comprar uma guitarra para começar a aprender, encheu-se de brio e com muita habilidade construiu ele próprio o instrumento com que se iniciou.
Começou a cantar e a tocar em público, aos 22 anos, sempre como amador, uma vez que a sua profissão é a de estofador.
Esta sua paixão pelo Fado leva-o a formar uma tertúlia fadista numa sua propriedade, em Fernão Ferro, a que deu o nome de “Pateo Marialva”, desde há cerca de trinta anos, que reúne às quartas-feiras, amigos e convidados, numa “almoçarada” que se prolonga pela tarde fora, regada com muito Fado, e não só…
Por esta tertúlia através dos anos já passaram muito fadistas, quer amadores, quer profissionais.
Transmitiu aos seus filhos o gosto pelo Fado, tendo um filho, o Sandro Costa, que é já guitarrista profissional, trabalha em casas de Fado e acompanha com frequência em espectáculos, a Cidália Moreira.
Tem ainda um outro filho, o Miguel Angelo Costa, que tal como ele é estofador, mas que também toca, e muito bem, viola acompanhando Fado.
Tive o prazer de ser seu convidado, e fiquei “estupefacto” com o seu retiro… que se considerar-mos o Café Luso a “Catedral do Fado”, este seu cantinho é bem uma “Capelinha do Fado”…
Fui presenteado com uma medalha, como recordação, e tive também o grato prazer de saber que é grande admirador de meu pai.
Ah! Fadista.
Nota: Volto a publicar esta página em homenagem a este bom amigo, que soube hoje está doente, desejos as suas melhoras e espero abraçá-lo brevemente.
De jerónimo.guerreiro a 24 de Janeiro de 2012 às 21:52 Caro amigo, peço-lhe desculpa pelo tempo tomado, mas, esta é a oportunidade que tenho de conctatar indiretamente o nosso amigo Jorge Costa, quero deixar um abraço e desejo profundo de rápido restabelecimento, para nos encontrar-mos todos às quartas-feiras no pateo Marialva, como aconteceu até à pouco tempo. Aos filhos Sandro e Miguel Costa deixo o meu abraço solidárioNasceu em Lisboa em 1942.
Como verdadeira "alfacinha", não resistiu aos encantos do fado, emblema de uma vida cheia de "vidas", apanágio de quem ama o seu dia a dia, hora, minuto e cada segundo de um percurso que ela sempre quis apaixonado, ao abraçar cada um dos seus objectivos, como se fosse o primeiro.
Com uma alma do tamanho do mundo, Maria Armanda. extravasa o sentimento que habita na "cidade branca". levando-o nas asas da sua voz "lusitana". até às mais longínquas paragens. conseguindo a unanimidade de quem, verdadeiramente ama a vida.
Pode ser ouvida, regularmente, no ambiente tradicional do fado, em Lisboa; cantou em quase toda a Europa; Brasil. Venezuela, Canadá são lugares familiares ao seu talento; os principais programas de TV não prescindem da sua forte presença, canta grandes poetas e músicos portugueses, e a sua afirmação continua a ser uma constante, procurando o sucesso, pela sua maneira de ser e de viver, em cada disco que grava, em cada presença no palco.
Actualmente faz parte de um grupo com outros fadistas intitulado “Entre Vozes”.
Texto: Editora Strauss
Maria Armanda canta:
RIO TEJO DE LISBOA
Letra e Música de: Mário Moniz Pereira
Rua das praias do mar
Aonde os barcos de perto
Vinham de longe a chorar
Rio Tejo, Tejo Rio
Pátria, gaivota parada
Via chegar e dizias
Nada, nada
Afogaste gerações
Nas ondas dos falsos mitos
A brilhar no sol da noite
Os nossos gritos
Mas teu nada Rio Tejo
E foi às praias do mundo
Mostrar a nossa alegria
Rio Tejo de Lisboa
Sete Colinas de ventura
Marinheiro que regressas
Liberto no pensamento
Podes mandar mil recados
Rio que já foste mudo
Porque estamos a chegar
A tudo, tudo
Que os preços dos mil silêncios
Abriram grades no ar
Para podermos dizer
Rio Tejo, Tejo mar
Ilustrado com pinturas do Mestre Real Bordalo
Descrição por ordem: Cais do Sodré ao entardecer
Célia Pedro, nasceu na cidade de Itajaí no Brasil, Estado de Santa Catarina, a 9 de Fevereiro de 1955.
Itajaí fica no sul do Brasil e foi colonizada essencialmente por portugueses oriundos dos Açores, tendo actualmente também uma forte influência de habitantes de origem alemã.
Em Itajaí são muito enaltecidas em festas, em convénios, as tradições portuguesas, em particular o folclore e costumes açorianos, mas o Fado também é muito apreciado.
Itajaí é uma cidade muito acolhedora. Como português mal cheguei senti-me muito acarinhado.
Célia Pedro tem nas suas origens antepassados alemães pela parte do avô paterno, e portugueses da parte da avò materna. A comunidade portuguesa é mais antiga, uma vez que os alemães começaram a emigrar a partir dos anos trinta do século XX, para fugir aos horrores da guerra, e do nazismo.
Seus pais já nascidos e criados em Itajaí, sentiram-se sempre muito mais ligados às tradições lusitanas.
Célia teve seis irmãos e desde muito pequena que era considerada o “canarinho da casa”, pois passava o tempo a cantar.
Na escola sempre se integrava em todos os eventos com predominância de canto. Tinha 14 anos, a escola organizou um Festival/Concurso, em que os alunos para concorrerem tinham de apresentar um poema e música inédita de sua autoria. Célia Pedro concorreu e ficou em primeiro lugar.
Acabou os seu estudos, e concorreu para funcionária dos correios, onde foi admitida, e onde se manteve até à sua recente aposentação. Durante todos este anos sempre se manteve ligada à música, sempre que podia estava cantarolando, passando a ser conhecida pelos colegas e os utentes dos correios como “A Mulher que Canta”, como ainda hoje assim é lembrada.
Célia começou a cantar mais assiduamente e a ser solicitada com mais frequência a partir de 1996, altura em que passou por uma fase muito difícil da sua vida, é nesta fase que descobre, e afirma : — que achou, um bálsamo para as suas mágoas, pois ouviu casualmente a melodia da guitarra portuguesa, afirma convictamente, que é partir daí, que através daquela melodia e nos poemas de Fado, que ganhou uma força anímica, que a ajudou a ultrapassar os contratempos. O Fado, tranquilizava-lhe a alma, tendo começado avidamente a interessar-se por tudo o que falasse de Fado… e para meu deleite afirma-me:
— Sabes Vítor? O Fado para mim é “UM ESTADO DE ALMA”, e logo me diz os seguintes versos:
O Fado é noite, desperta dos confins do sofrimento
Também é vida, liberta para dançar comigo ao vento
Sua lágrima é sem tino, sonha as ruas da cidade
Sempre ao lado do destino é regado na saudade
Vivendo numa comunidade em que a presença de Portugal tem muita expressão, começa a aprender letras e músicas de Fados, a adquirir todos os discos que encontra, apaixonando-se por Amália, e mais algumas figuras do mundo fadista, e é com muito orgulho que igualmente me comunica, que quando descobriu o blogue “Lisboa no Guiness”, nunca mais deixou de o visitar e… não escrevo mais, pois esta página é sobre ela.
Começa a idealizar gravar um disco só de Fados, e o sonho concretiza-se, com o apoio do departamento de cultura da Prefeitura de Itajaí.
Simultaneamente com o lançamento do cd, é mais uma vez contratada para actuar na grande festa anual de Itajaí, apelidada de “Marejada”, evento que é considerado a maior festa portuguesa e do pescado do Brasil, atraindo milhares de visitantes de outros estados, assim como dos países vizinhos. Esta festa é anual e acontece no mês de Outubro, dura cerca de dez a quinze dias.
Ainda hesitou, o que julgou ser uma ”loucura” gravar um Cd, mas avança e nesse ano, decide fazer o que julgava ser outra “loucura”, na sua actuação na “Marejada” cantar só Fado, mas teve um êxito redundante.
Visite o sitio de Itajaí - http://www.visiteitajai.com.br/
A Prefeitura de Itajaí já considera Célia Pedro um elemento indispensável no panorama cultural nas festas e eventos da cidade, tal é a sua popularidade junto dos seus contemporâneos, assim como os turistas que Itajaí.
Com o Fado, mais se aproxima da comunidade portuguesa, e devora toda a informação que obtém sobre Portugal e os Açores, o que a leva a aderir e a dinamizar uma associação a que deram a designação de: Associação Luso Açoriana Itajaí – A.L.A.I., e que como se pode verificar nas fotos nesta página, a sede é na sua própria casa.
A sua paixão pela cultura lusitana, com o seu entusiasmo, consegue ter um programa semanal, na TV Regional de Itajaí, “PROGRAMA LUSITANO” onde tive a honra de ser seu convidado, em que os temas são sobre Portugal e a nossa cultura.
Aqui vos apresento um video-clip que retirei de uma gravação em DVD, passando por cima da dialéctica, que é a sua pronuncia natural, ninguém poderá negar que esta mulher… é fadista de alma e coração.
Vítor Marceneiro
Célia Pedro
canta: Canção do Mar
Letra de Frederico de Brito
Música de Ferrer Trindade
Piano e teclados: Cristiano Mendonça
Guitarra portuguesa: Alcides dos Anjos
Viola de acompanhamento: Ruy A. Silva
Cavaquinho: Celso Morais Borges
Apoio à produção: Perfeitura de Itajaí e Fundação Cultural de Itajaí
Cantadeira, nasceu na Fuzeta, no Algarve, e morreu em Leça do Bailio, na década dos anos 1950.Ainda criança foi viver para Setúbal, onde trabalhou como operária conserveira.
Estreou-se em récitas de teatro amador naquela cidade com apenas 14 anos e aos 19 começou a cantar o Fado numa revista de amadores levada à cena no Salão Recreio do Povo de Setúbal. Numa outra revista interpretou a personagem do marítimo António Gouga, numa imitação em que era obrigada a cantar sete vezes seguidas.
Interessada em seguir uma carreira artística e sentindo que em Setúbal tal seria difícil, instalou-se em Lisboa onde Raul Gil a levou ao Pátio do Carrasco, onde cantou pela primeira vez na capital. Pouco tempo depois tornou-se uma cantadeira muito requisitada.
Actuou em todos os retiros dos arredores de Lisboa, em esperas de toiros, no Campo Pequeno, em festas de caridade e em teatros e cinemas de todo o país. Cantou no Retiro da Severa, Solar da Alegria e nos cafés Luso e Mondego.
Fez uma digressão pelo Brasil e pela Argentina organizada por Maria do Carmo Alta e em que também participaram Joaquim Pimentel, Filipe Pinto, Armandinho e Martinho d' Assunção.
Colaborou na homenagem a Ângela Pinto, no Retiro da Severa em 1938, e integrou o elenco da festa de homenagem ao poeta João da Mata, realizada em 1931, no Salão Jansen.
Interpretou peças e operetas como Adeus, Artur!, Coração de Alfama, A Severa e O Chico do Intendente.
O seu poeta preferido era Adriano dos Reis, autor de quase todo o seu repertório.
© Vítor Duarte Marceneiro
Maria Pereira é uma minhota que nasceu para as bandas de Viana do Castelo, mas cedo se enamorou da cantiga de Lisboa, que é o fado.
Assim que lhe foi possível ruma a Lisboa para cantar. O público ouviu, gostou e aplaudiu-a entusiasticamente, e assim apareceu uma nova cantadeira de Fados.
O Ribatejo está aqui ao pé. As esperas de toiros, o gado, as lezírias, os campinos e as suas fainas fazem vibrar a sua sensibilidade. Tal paixão manifesta-se nas letras que canta sobre o Ribatejo, tendo sido a artista que mais fados dedicou aquela região.
Maria Pereira em todo o Portugal e nas antigas colónias.
Como, em Lourenço Marques havia muitos turistas sul-africanos, que falam a língua inglesa, Maria Pereira mandou traduzir as letras do seu vasto repertório, para que os mesmo percebessem os temas cantados.
Teve um contrato em exclusivo com a ROBBIALLAC, para umas dezenas de espectáculos, dedicados aos funcionários e aos clientes da marca, tendo até gravado um disco para a referida marca de tintas:
Por Deus pintada
A cor é vida
….
Pinta, pinta, pinta com a tinta Robbiallac
Que é a tinta que mais pinta, que mais dura
Quem não pinta com a tinta Robbiallac
Pinta, pinta para borrar sempre a pintura
….
Maria Pereira era conhecida pelas suas actuações prolongadas. Em cada espectáculo nunca cantava menos de 30 ou 40 números, houve um, que se pensa foi o seu record, pois cantou cerca de 70 números seguidos.
(Ao tempo, costumava-se dizer quando alguém cantava mais de que 3 a 4 Fados: — É pá, estás armado em Maria Pereira?)
Mais tarde abriu o Restaurante Típico Painel do Fado, onde cantava e tinha outros artistas contratados.
BAIRRO ALTO
Letra de Silva Bastos
Para veres que fui sincera
A tudo que prometi
Vem à Travessa da Espera
Que eu estou à espera de ti.
Na hora em que o Sol desmaia
Desejando ser mais tua
Hás-de ver-me de atalaia
Rezando o nome da Rua.
O Destino era o mais forte
Na luta em que fui vencida;
Estava na Rua do Norte
O norte da minha vida.
Antes de tanta desdita
Era tão linda e formosa
Como a Rosa mais bonita
De toda a Rua da Rosa.
Mas se há Ruas verdadeiras
E horas de fome e fartura
Na Rua das Salgadeiras
Provei o sal da amargura.
E hoje que tudo passou
Já não me resta mais nada
Sou a cinza que ficou
Da Travessa da Queimada
ARTUR RIBEIRO
Artur Ribeiro, Max e Alfredo Marceneiro
Artur Ribeiro nasceu no Porto em 1923, mas cedo vem para Lisboa e aqui fica radicado, sendo para mim o poeta que fez um dos poemas mais lindos sobre Lisboa, Lisboa , A Grande Marcha de Lisboa 1965 – Só Lisboa, Lisboa à meia-noite, Cachopa do Minho, A Rosinha dos Limões, A Fonte das Sete Bicas, Sete Saias, Nem às Paredes Confesso, Pauliteiros do Douro, Eu nasci Amanhã, O Meu Coração Parou, Adeus Mouraria, Lisboa à meia-noite, Fiz Leilão de Mim, Anda o fado Noutras Bocas, è Urgente que Venhas, Vielas de Alfama, etc. A sua parceria com Fernando Farinha e mais tarde com Max teve o condão de nos deliciar, e foi raro o artista que não tenha cantado Fados da sua autoria.
Conheci o Artur Ribeiro, convivi com ele desde muito jovem, meu pai e meu avô eram seus grandes amigos, era uma pessoa bastante afável e uma clarividência intelectual notável, aprendi muita coisa em escutá-lo, ficou-me a honra de ter gravado um poema seu que escreveu de propósito para mim, a que deu o título “Ser Mais Um Entre Tantos” ao receber o poema logo me apercebi que tinha a ver comigo, constatei que aquele grande Senhor durante aqueles anos em que falava com este rapazinho de então, me levava a sério, e já homem escreve-me num Fado tudo aquilo que sentia por mim e pela minha maneira de ser.
Artur Ribeiro deixou de escrever poemas para nós em 1988.
O meu projecto “Lisboa A Cidade mais cantada do mundo” tem como poema eleito, a Canção de Lisboa de sua autoria.
Fiz a apresentação de projecto à CML e espero vir a ter colaboração de toda a comunidade fadista para que seja feita a devida homenagem a este grande poeta que tanto amou Lisboa, para que lhe seja atribuída a titulo póstumo a Medalha da Cidade e uma rua da edilidade.
Anda o Fado Noutras Bocas
Beatriz da Conceição canta Canção de Lisboa de Artur Ribeiro
Artista versátil, José Inácio, cantava Fado e tocava também guitarra, podia ter sido, se quisesse, um bom executante deste instrumento, mas foi a viola que sempre o interessou mais e é como violista que atingiu o lugar que ocupou entre os melhores da sua geração.
Era funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, mas nunca deixou de actuar assiduamente nas casas típicas: Retiro dos Marialvas, Café Salvaterra , Patrício, Lobos do Mar, Tradição e Pampilho (Calçada de Carriche); no Retiro da Bairrada (Benfica), na Parreirinha do Rato e na Nau Catrineta, esteve várias vezes na Viela, no Solar da Hermínia e na Tipóia, passou também pelo Ritz Club, pelo Cristal e pelo Olímpia.
Em 1979 acompanhou Cidália Moreira numa digressão à Alemanha, em que aquela artista obteve um dos seus maiores êxitos cantando num castelo romântico perto de Hamburgo, na festa internacional de uma empresa vinícola alemã.
Durante alguns anos actuou em Cascais, tocando em casas como o Galito, Arreda, Tabuinhas e Kopus Bar.
Ao longo da sua vida de instrumentista emparceirou com os mais diversos guitarristas. Gravou discos a acompanhar vozes e a executar guitarradas, tendo sido um dos violistas preferidos de José Nunes, que muito o apreciava. Dotado como compositor, são da sua autoria os fados Maria Sozinha, A Malva Rosa e Velha Capa (letras de Linhares Barbosa), Moda Fadista (letra de Luís Simão), Foi Hoje (letra de Raul Dias), Adeus, Tentação! (letra de Jorge Rosa), Fado Augusta (quadras), Fado Rina (quintilhas), Fado Galeno (sextilhas) e Fado Dinora (decassílabos), etc. Compôs também, entre outras, as seguintes variações: Dança Portuguesa, Retalhos Clássicos, Dança Gitana, Oração, Rapsódia Portuguesa (arranjo com números seus intercalados) e Marcha Militar.
Conhecidíssimo no meio fadista, onde é estimado pelo seu temperamento bonacheirão, José Inácio é também figura familiar do Bairro Alto, que habita desde criança e que, popular como ele o é, faz parte da sua própria existência.
José Inácio estará sempre ligado á minha experiência de cantar o Fado, embora já o tenha explicado aqui, mas permitam que repita o que se passou:
… Corria o ano de 1966, tinha cerca de 21 anos, fiz uma pausa nos bailaricos e outros «poisos» e comecei a frequentar o fado amador, que praticamente desconhecia, pois, até essa altura, costumava acompanhar o meu avô e o meu pai às casas tradicionais.
Certo dia, uns amigos convidaram-me para uma noite de fados no Galito, que ficava no Estoril. Lá fui e, como é lógico entre os frequentadores habituais, ao saberem de quem eu era filho e neto, logo pensaram que havia mais um para cantar.
… Ora eu não cantava. Para ser sincero, com muita pena minha, achava que não conseguia e, para «meter água», era melhor estar calado. Isto porque tinha a noção da responsabilidade de ser filho e neto de quem era.
Mas a rapaziada estava sempre a apertar comigo (este gajo é filho de fadistas e não canta?), alguns até aventavam a hipótese de que eu não cantava porque tinha a mania de que era bom de mais para cantar ali! Mal sabiam eles a pena que eu tinha de sentir que não era capaz.
Certa noite, por insistência do Zé Inácio, grande executante de viola, mas que, na altura, fazia o acompanhamento à guitarra, acompanhado à viola pelo «Pirolito da Ericeira», começaram a dedilhar a Marcha do Marceneiro, o Zé Inácio começou a desafiar-me, era no princípio da noite, não havia ainda muitos clientes, timidamente comecei a entoar o poema Amor é Água Que Corre (eu nem calculava que, afinal, sabia o poema todo). Parece que não saiu muito mal, recordo que o tom em que cantei foi Fá (hoje canto em So/); no final, o Zé Inácio disse-me:
— Como vês, é preciso não ter medo, perder a vergonha e, a partir de agora, ir praticando.
Tomei-lhe o gosto e, durante algum tempo, só cantava este fado. Foi ainda com a ajuda do Zé Inácio que comecei a ensaiar e a cantar outros poemas, mas cantava sempre letras e músicas do repertório do meu avô.
© Vítor Duarte Marceneiro
JÚLIO PROENÇA (de facto Júlio da Fonseca), cantador de voz quente e sentimental, nasceu em Lisboa, na Rua do Capelão, n.º 20 (perto da casa onde morou a Severa), em pleno coração da Mouraria, e ali aprendeu a cantar com a mãe, mais tarde mudou-se para o Bairro Alto (Rua das Gáveas).
Em 1917, pela mão do cantador António Lado, começou a cantar como amador em festas de beneficência, nos retiros, em esperas de touros, em cinemas, nos teatros ApoIo, Trindade, Avenida, Maria Vitória e no Salão Artístico de Fados. E em 1927 tomou parte, ainda como amador, numa digressão por várias localidades do País - a primeira que se realizou no género - com Joaquim Campos, Alberto Costa, Raul Ceia e Maria do Carmo, os guitarristas Armandinho e Herculano Rodrigues e o violista Abel Negrão.
Júlio Proença tornou-se cantador profissional em 1929, ano em que no Coliseu dos Recreios participou na opereta Mouraria. Actuou também nos teatros Joaquim de Almeida, Eden-Teatro, S. Luís, Capitólio e Variedades, nos clubes Monumental, Ritz, Olímpia e Maxim's, no Retiro da Severa, no Solar da Alegria (que reabriu sob a sua direcção e a de Deonilde Gouveia em Março de 1931) e nos Cafés Ginásio, Mondego e Luso.
Com um estilo sentimental e boa dicção, Júlio Proença cantou versos dos poetas Augusto Sousa, Fernando Teles, Júlio Guimarães, Henrique Rego, Frederico de Brito e João Linhares Barbosa, e distinguiu-se como autor de música de fados, entre eles o Fado Proença, Fado Camélias e Fado Moral. Das suas interpretações gravadas em disco, citam-se: Como Nasceu o Fado, Três Beijos, Olhos Fatais, Mentindo Sempre, Meu Sonho, Minha Terra, Meu Sentir, Saudade, etc.
Em 1946 foi homenageado numa festa realizada na Sala Júlia Mendes no Parque Mayer.
Parte para Moçambique onde veio a falecer em 1970
© Vítor Duarte Marceneiro
Natural da Marinha Grande, começou a cantar aos 16 anos pela mão do maestro Resende Dias aos microfones dos Emissores Reunidos do Norte, vindo a profissionalizar-se pouco tempo depois na Emissora Nacional.
Começa a experimentar o fado ainda nos começos da década de 1970, grava entre outros, "A tantos do tal" (Artur Ribeiro/Fernando Farinha/Fado Alexandrino) acompanhada pelo conjunto de guitarras de Jorge Fontes.
Esteve contratada na Toca de Carlos Ramos.
Com uma carreira de assinaláveis êxitos na canção, como "Partir, voltar" ou "Eles foram tão longe". Representa Portugal em vários festivais internacionais, salientando-se duas vitórias consecutivas no Festival Hispano-Português do Douro e o Prémio da Crítica nas Olimpíadas da Canção, em Atenas, para além de destacadas participações em festivais no México, Roménia e Polónia.
"Tarde triste no Campo Pequeno" foi o “pasodoble” que fez saltar o nome de Lenita para a ribalta
Em 1983 gravou aquele que se tornará num dos seus temas emblemáticos: "Preciso de espaço" (Vasco de Lima Couto/Verónica), nesta década vai-se dedicando cada vez mais ao fado que torna sua carreira por opção e dedicação.
Entre outros álbuns de fado editou "Fado-Lenita Gentil" (Movieplay), "Maria la portuguesa" e "Fado para dois" com Natalino de Jesus, ambos com a etiqueta Ovação.
Além das várias digressões ao estrangeiro, Lenita Gentil canta habitualmente nas Arcadas do Faia, ao Bairro Alto, em Lisboa.
Ao longo da sua carreira foi já distinguida com o Óscar da Imprensa e o Prémio Prestígio da Imprensa.
Em 2006 recebe o “Troféu Amália Rodrigues” – Melhor Álbum de Fado – "OUTRO LADO DO FADO', editado pela Ovação em 2005, pela sua interpretação quer em alguns temas já conhecidos, como "Fria Claridade" que canta na melodia do Fado Mouraria, ou "Maldição" (David Mourão-Ferreira / Alfredo Marceneiro), quer em inéditos como "As penas que me deixaste"(Rogério de Oliveira / Otério José Lopes). O acompanhamento esteva a cargo de Fernando Silva na guitarra portuguesa, Jaime Santos na viola e Joel Pina na viola baixo.
Nota: Quando da gravação do tema Preciso de Espaço, produzi e realizei um Tele-Disco para a RTP da Lenita Gentil - Vítor Marceneiro
Lenita Gentil canta: Preciso de Espaço
Poeta e actor, nasceu no Porto em 1923 e morreu em Lisboa em 1980.
A 27 de Março de 1947 estreou-se no palco pela mão de Alves da Cunha, e apresentou-se, em quase todos os teatros do país.
Em 1951 foi convidado para integrar a companhia de Amélia Rey Colaço- Robles Monteiro, no elenco de La Nina Boba, de Lope de Vega.
Em 1952 regressa ao Porto para ingressar no Teatro Experimental do Porto, onde se manteve durante oito anos.
Representou mais de quarenta peças de grandes autores, entre elas: Morte de Um Caixeiro-viajante, de Arthur Miller, As Guerras de Alecrim e Manjerona, de António José da Silva, Ratos e Homens, de John Steinbeck e O Rinoceronte, de Ionesco, Todos eram Meus Filhos, de Arthur Miller, etc.
Em 1967, no Teatro Estúdio de Lisboa, fez Bocage, Alma Sem Mundo, de Luzia Maria Martins, A Nossa Cidade, de Thornton Wilde, A Louca de Chaillot, de Giraudoux, A Noite de Verão e Anatomia de Uma História de Amor, de Luzia Maria Martins.
Foi para José Manuel Osório que escreveu uma das suas primeiras letras para Fado: Meu Amor Sem Direcção.
Em 1960 em Lisboa desempenha a figura de D. Afonso IV na peça Castro, de António Ferreira. Fez algumas digressões à África do Sul, Angola e Moçambique.
Escreveu poemas para serem cantados por, Amália, Carlos do Carmo, Max, Lenita Gentil, Vasco Rafael e outros.
Alguns dos seus poemas: Andorinha; Meu Nome Sabe-me a Areia (músicas de Alfredo Marceneiro); Disse-te Adeus e Morri (música de José António Sabrosa); Que Povo é Este, que Povo? (música do Fado das Horas); Fado da Madrugada (música do Fado Tamanquinhas); Preciso de Espaço (música de Verónica)
Após o 25 de Abril trabalhou na Cornucópia, que abandonou pouco tempo depois para fixar residência em Paris, onde esteve alguns meses. Volta a Lisboa para actuar no Encoberto, de Natália Correia e mais tarde no Maria Matos.
Foi autor dos seguintes livros: Arrebol (1943), Romance (1947), Recado Invisível (1950), Os Olhos e o Silêncio (1952), O Silêncio Quebrado (1959), Bom Dia Meu Amor... (1975).
PRECISO DE ESPAÇO
Letra: Vasco Lima Couto
Música: Verónica
Refrão
Ter palavras certas
No Sol do caminho
E beber a rir
O doirado vinho
Misturar a vida
Misturar o vento
E nas madrugadas
Quando o povo abraço
Para estar contigo
Preciso de espaço
Refrão
Fado
Parto hoje dia 3 de Janeiro para o Brasil onde irei falar de Fado, de há muito, que foi constatado que no Brasil, este é o blogue mais visitado, quer por brasileiros, quer por portugueses ali residentes.
Houve já várias teses sobre Fado na Universidade de São Paulo, como aliás já aconteceu aqui em Portugal, baseadas neste meu trabalho.
Não faço para já divulgação do que vou fazer... não vá o polvo estender os tentáculos.
Vou para Florianópolis e fico em casa dum querido amigo, filho da Ericeira e grande apaixonado pelo Fado é o João Manuel Franco conhecido pelo "TANEVOA", que vive em Bombas - Bobinhas - Santa Cantarina. Irei confraternizar com o nosso compatriota, professor universitário e Consul de Portugal, Dr. João Lupi, o Perfeito da Perfeitura de Bombinhas, a artista Célia Pedro da Televisão em Navegante, e creio muitos mais amigos que me serão apresentados pelo meu amigo "Tanevoa"
NOTÍCIAS:
Artigo inserido na Revista do Millennium BCP de Novembro/Dezembro de 2012
O Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes) é uma edição publicada anualmente, que contém uma coleção de recordes e superlativos reconhecidos internacionalmente, tanto em termos de performances humanas como de extremos da natureza. Em 2003, o livro chegou a 100 milhões de cópias vendidas, desde a sua primeira edição em 1955, sendo o décimo livro mais vendido da história, o de 2009 é o quinquagésimo-quinto.
Edições mais recentes têm-se centrado no registro dos feitos humanos concorrentes. Concursos vão desde recordes óbvios, como levantamento de peso aos mais incomuns, como jogar um ovo à mais longa distância ou o maior número de cachorros quentes que podem ser consumidos em dez minutos. Além de registros sobre concursos, que contêm fatos tais como o tumor mais pesado, a planta mais venenosa, o menor rio Roe River, o mais antigo teatro em funcionamento Guiding Light, a mais antiga livraria em funcionamento Livraria Bertrand do Chiado, Lisboa, o mais bem sucedido vendedor do mundo Joe Girard, o mais bem sucedido reality show, o grupo musical Girls Aloud. Muitos registros referem-se também à mais jovem pessoa que alcançou uma coisa, como a pessoa mais jovem a visitar todas as nações do mundo, sendo Maurizio Giuliano.
Cada edição contém uma seleção de grande conjunto de registros nos dados do Guinness, bem como os critérios de escolha que tenham mudado ao longo dos anos.
O afastamento de Norris McWhirter de sua consultora de papel em 1995 e a subsequente decisão dada por Diageo plc (public limited company: um tipo de sociedade anônima na Grã-Bretanha) de vender a marca Guinness World Records ajudaram a transformar o Guinness em um livro altamente ilustrado e um produto colorido.
Estas mudanças não fizeram nenhum dano ao seu sucesso comercial: o Guinness Book of Records é o livro mais vendido do mundo com direitos autorais, assim que ganhar uma entrada dentro de suas próprias páginas. Um certo número de livros e séries de televisão também foram produzidos. A marca Guinness World Records é agora propriedade da HIT Entertainment.
O Guinness World Records não registra a categoria de "pessoa com mais recordes", por esta mudar com muita frequência.
Em 2005, o Guinness designou a data 9 de Novembro como "Dia Internacional Guinness World Records" para incentivar a quebra de recordes mundiais, que foi descrito como "um sucesso fenomenal". A versão 2006 foi baptizada "maior evento internacional do mundo", com uma estimativa de 100 000 pessoas em mais de 10 países participantes. A promoção arrecadou 2244 recordes novos crescendo assim 173% relativamente ao ano anterior.
Em 2006, Michael Jackson visitou o escritório do Guinness World Records em Londres para arrecadar 7 Recordes Oficiais Certificados relacionados com a sua bem sucedida carreira como vocalista e compositor de músicas.
Em 9 de Janeiro de 2007, o Guinness anunciou que estava trabalhando com AskMeNow para oferecer acesso móvel para o Guinness World Records na base de dados. A empresa tem vindo a colaborar com o Reino Unido, com base em Texperts já há vários anos e ambas as empresas oferecem acesso exclusivo ao seu banco de dados.
in: Wikipédia
Fui convidado pela jornalista da Antena 1, Raquel Morão Lopes, que se deslocou a minha casa no Cadaval com uma equipa de emissão para me entrevistar em directo, para noticiário das 9 Horas, das 10 Horas e para o programa Antena Aberta
Autorizou-me que fizesse um pequeno filme da sua entrevista para a Antena Aberta.
Fui também solicitado por diversos órgãos de informação, quer de revistas, jornais, rádio e televisão, para dar entrevistas.
Senti-me deveras orgulhoso, pois verifiquei que estas solicitações, que para além de ser neto de quem sou, tinha muito a ver com o meu trabalho, que de há quatro anos para cá é um elemento de consulta credível sobre o Fado e seus intervenientes, quer em Portugal quer no estrangeiro.
Videoclip da entrevista para o programa ANTENA ABERTA
Vídeo com imagens fixas e com o som da entrevista para o Noticiário das 9 - Antena 1
Vídeo com imagens fixas e com o som da entrevista para o Noticiário das 10 - Antena 1
Foto da capa do disco Vítor Duarte (Marceneiro) 1972 com 26 anos
Gravei este Fado, no meu segundo EP em 1972, para a etiqueta Estúdio. Os versos tiveram que ser reduzidos por imposição das rádios e das editoras e eu gravei com a música da Marcha de Alfredo Marceneiro… confesso que é muita responsabilidade cantar a música original do Fado Cravo.
Foi gravado nos anos 30 por Alfredo Marceneiro, nos antigos discos de massa. Nunca o voltou a gravar , e assim infelizmente não há hoje uma versão com qualidade, que possamos ouvir interpretado por ele.
Fado do Cravo tem letra de Fernando Teles, e foi este poema que deu inspiração a Alfredo Marceneiro, para fazer a música a que deu o nome da própria letra, como era costume na época.
O Fado Cravo, é um dos mais importantes, do role dos "Fados Clássicos", pois é das músicas que mais tem inspirado poetas a fazer versos especificamente na sua melodia.
O Fado Cravo também é conhecido por Fado da Viela, em consequência do poema que o Dr. Guilherme Pereira da Rosa fez para o reportório de Alfredo Marceneiro, e que ele interpretou como ninguém.
" FADO DO CRAVO"
Letra de Fernando Teles
Música: Fado Cravo de Alfredo Marceneiro
Foi em noite de luar
Na noite de São João
Que eu te vi, óh! minha amada
No baile foste meu par
E dei-te o meu coração
Foste minha namorada
Andámos na roda os dois
E saltamos á fogueira
Meu peito era uma brasa
Findou o baile e depois
Foste minha companheira
Levei-te p´ra minha casa
Nessa madrugada santa
Por meu mal me deste um cravo
No lado esquerdo o guardei
Minha paixão era tanta
Fui do teu capricho escravo
Eterno amor te jurei
Foram dias decorrendo
Semanas, um ano feito
De amor eu tinha a fragrância
Mas o cravo murchecendo
Revelava que o teu peito
Não tinha a mesma constância
Numa noite, ao conhecer
Mentira no teu amor
De raiva desfiz o cravo
Não mais quis por ti sofrer
Deitei fora a murcha flor
Deixei de ser teu escravo

Faleceu no passado dia 22 de Outubro em Setúbal, com 74 anos, este grande amigo e grande músico, só ontem através duma mensagem que me deixaram no youtube, soube da efeméride.
Lastimo que alguns amigos comuns, que com ele conviveram e que bem conheciam a nossa amizade, que tiveram conhecimento na data, não tivessem sequer tido a atenção de me informar, assim só hoje estou aqui prestar-lhe esta singela homenagem.
Rui Serodio, cursou Piano e Composição, Órgão, Interpretação de Música Antiga e História da Música no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, tendo sido discípulo de Abreu e Motta, Varella Cid, Croner de Vasconcelos, Armando Fernandes, Santiago Kastner, Artur Santos, Armando Santiago, Maria Augusta Barbosa e Gertrud Mersyowsky, entre outros. Por impossibilidade de seguir a carreira de concertista dedicou-se à Música Portuguesa, ao mesmo tempo que aprofundou os seus conhecimentos de Harmonia Moderna. É-lhe concedido o Prémio Eduardo Libório de História da Música em 1961. Definiu um estilo muito próprio e um clima sonoro de características acentuadamente nacionais, especialmente na execução de Fado, ao piano.
Seguem-se três video-clips que lhes fiz usando imagens e estava combinado ir fazer-lhe um actuando ao vivo.
Fado Cravo
Rua do Capelão
Streets of Sintra
Autoria de Rui Serodio