Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

FERNANDO ASSIS PACHECO - Poeta, Escritor e Jornalista

 

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, nasceu em Coimbra no dia 1 de Fevereiro de 1937 e faleceu em Lisboa a 30 de Novembro de 1995. Notabilizou-se como jornalista, crítico , tradutor e escritor . Filho de pai médico e de mãe doméstica , licenciou-se em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, tendo vivido nesta cidade até que foi chamado para o serviço militar em 1961 Desde muito jovem se interessou pelas artes e letras, foi actor de teatro (TEUC e CITAC) e redactor da revista Vértice, o que lhe permitiu privar de perto com o poeta neo-realista Joaquim Namorado e com poetas da sua geração, como Manuel Alegre e José Carlos de Vasconcelos. Publicou a primeira obra em Coimbra, com o patrocínio paterno, “Cuidar dos Vivos” , livro estreia, com poemas de protesto político e cívico, com afloramento dos temas da morte e do amor. Em apêndice, dois poemas sobre a guerra em Angola, que terão sido dos primeiros publicados sobre este conflito. O tema da guerra em África voltaria a impor-se em Câu Kiên: Um Resumo (1972), ainda que sob "camuflagem vietnamita", livro que em 1976 conheceria a sua versão definitiva: Katalabanza, Kilolo e Volta. Memória do Contencioso (1980) reúne "folhetos" publicados entre 1972 e 1980, e Variações em Sousa (1987) constitui um regresso aos temas da infância e da adolescência, com Coimbra como cenário, e refinando uma veia jocosa e satírica já visível nos poemas inaugurais. A novela Walt (1978) comprova-o exuberantemente. Era notável em Assis Pacheco a sua larga cultura galega (origens do avô), sobejamente explanada em alguns dos seus textos jornalísticos e no seu livro Trabalhos e Paixões de Benito Prada. Em 1991 publica a “A Musa Irregular” em que reuniu toda a sua produção poética. Nunca conheceu outra profissão que não fosse o jornalismo: deixou a sua marca de grande repórter no Diário de Lisboa, no jornal A República, no JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, no Musicalíssimo e no Se7e, onde foi director-adjunto. Foi também redactor e chefe de Redacção de O Jornal, semanário onde durante dez anos exerceu crítica literária, tendo sido também colaborador da RTP. Entre os seus poemas destaco dois, Última Tesão e Nini dos meus Quinze Anos, este último musicado e cantado por Paulo de Carvalho. Fui um dia apresentado a Fernando Assis Pacheco, por um amigo jornalista que lhe informou quem era o meu avô, confidenciou-me que para ele havia dois tipos de Fado: — O outro e o de Marceneiro. Penso que nunca escreveu nenhum Fado, mas podia ter escrito, tinha “Alma” para tal. Escreveu um poema bem popular que já referi “Nini dos meus Quinze Anos”, mas que nas suas biografias, nem sequer é referido… Porque será? Se calhar até escreveu alguns Fados… Quem sabe se também foram ignorados!

ÚLTIMO TESÃO

De: Fernando Assis Pacheco

Alombo contigo há uma porção de anos
e vou-te dizer és um chato
não tens ponta de paciência
para a vida nem para ti próprio

já te ouvi discursos a mandar vir
já te carreguei às costas
bêbedo como um Baco de aldeia
mijando as ceroulas
és um adolescente retardado
faltou-te sempre a quadra do bom senso

vez por outra um livrinho
de versos vez por outra nada
qualquer um do teu tempo
está bastante melhor do que tu
deputado administrador de empresa
ministro da maioria
puta (alguns chegaram a isso)

só tu meu inocente brincas com a neta
açulas o cão pedindo
à família que te ature
o tipo um dia destes morde-te
que é para aprenderes

mas aqui entre amigos
vou-te dizer também
uma coisa importante não cedas
à tentação de mudar
fica nesta pele que é tua

como é que tu escrevias
merdalhem-se uns aos outros
o país mete dó
guarda o último tesão
para mandares
meia dúzia de canalhas à tábua


PAULO DE CARVALHO

De: Fernando Assis Pacheco
Canta: Nini do Meus Quinze Anos


Nini dos Meus Quinze Anos

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só p´ra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda sempre assim
Nini dançava só p´ra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só p´ra mim

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Viva Lisboa: Grande Jornalista e não só.
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

ANA ROSMANHINHO

Nasceu em Lisboa na freguesia de São Sebastião da Pedreira.

Começou a apreciar o Fado, desde muito jovem,  incentivada por sua mãe, que embora não cantasse, era uma grande admiradora do Fado.

Ana Rosmaninho era uma  linda "miúda" como o meu avô lhe chamava, tinha também uma voz muito bonita e melodiosa.

Como profissional começou a cantar aos 17 anos na Viela.

Cantou seguidamente no Faia, onde passa a conviver mais de perto com meu avô, que por ela tinha um carinho muito especial, e foi por sua decisão que Ana Rosmaninho canta com ele, no programa de televisão "Marceneiro é só Fado", gravado pela RTP em 1967.

Foi convidada várias vezes para actuar no Casino Estoril e gravou um disco.

Sua mãe chegou a ter um pequeno restaurante no Bairro Alto, onde chegou a haver grandes fadistisses .

Convivi muito com ela, quer no Faia quer no Arreda em Cascais, fui seu amigo e grande admirador.

Infelizmente, Ana Rosmaninho, deixou-nos prematuramente, vítima de uma doença fatal, tinha pouco mais de 30 anos de idade, teria decerto tido uma grande carreira no Fado.

Meu avô,  tinha por ela um carinho muito especial, e foi por sua decisão que Ana Rosmaninho canta com ele, no programa de televisão "Marceneiro é só Fado", gravado pela RTP em 1967. Foi uma demonstração da sua admiração pelas novas gerações do Fado, com  Fado na alma obviamente... 

 

Ana Rosmaninho canta

 Bairro Alto

de Frederico de Brito e Carlos Rocha

 

 

                                                       

 

Quando acabei de publicar esta página, recebi uma mensagem do meu querido amigo Fernando Batista,  grande amante do Fado, nasceu e vive no  Porto, é o decerto o maior coleccionador de discos de vinil de Fado, em Portugal,  e que me tanto me tem ajudado.

 

AMIGO VICTOR DUARTE : EM PRIMEIRO LUGAR DEIXE FELICITÁ-LO PELO TRABALHO QUE TEM FEITO EM PROL DO FADO E DOS FADISTAS . PENA QUE ALGUMAS PESSOAS QUE O PODIAM SECUNDAR NESSE SEU OBJECTIVO ( DE PÔR LISBOA NO GUINESS ) NÃO O FAÇAM . A ISTO CHAMO ( QUE ME PERDOEM ) EGOISMO . NASCIDO , CRIADO E RESIDENTE NA CIDADE DO PORTO ( RAMALDE , FREGUESIA DE ONDE É NATURAL O GRANDE MESTRE DA GUITARRA PORTUGUESA , JOSÉ FONTES ROCHA ) NÃO ME POUPAREI A ESFORÇOS PARA QUE CONSIGA ATINGIR A META A QUE SE PROPÔS . PERMITA-ME PARA TERMINAR , FAZER UMA CORRECÇÃO QUE SE RELACIONA COM A FADISTA ANA ROSMANINHO . AO CONTRÁRIO DO QUE O MEU AMIGO AFIRMA , A REFERIDA FADISTA GRAVOU PELO MENOS ( 2 ) DISCOS . AMBOS DA ALVORADA . ( 1 ) EM 1975 E ( 1 ) OUTRO EM 1977 ( DO QUAL ENVIO A RESPECTIVA CAPA . CERTO DE QUE VAI LEVAR A BOM PORTO ESSA SUA TAREFA ME DESPEÇO ENVIANDO SAUDAÇÕES FADISTAS .  ( FADOPORTO )

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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

IO APPOLLONI - Portuguesa-Italiana

A minha amiga Io Apollonni vai estar presente num evento levado a efeito no dia de São Martinho a 11 de Novembro de 2016 pela AssociaçCaravela Ouro 20162.jpgão Cultural de Fado "O Patriarca do Fado" Alfredo Marceneiro (ver cartaz)

 

 

 

ENTREVISTA A IO APPOLLONI

Poemas na Minha Vida' em digressão por Lisboa

Dia 17 de Novembro Sociedade de Instrução Guilherme Consul

Avª. D. Carlos I, 61 - 1º - 1200-647 Lisboa

Dia 25 de Novembro Centro Cultural de Carnide

21.30 Horas ENTRADA LIVRE

Rua do Rio Cávado, 3A - Bairro Padre Cruz

Nota: Entradas livres

"Dentro de mim tenho duas pátrias, duas culturas...  

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Se há mulheres que marcaram uma época no teatro português, Io Appolloni foi, indiscutivelmente, uma delas. A atriz italiana que Portugal conquistou nos idos da década de 60 do século passado está agora de regresso aos palcos de Lisboa com o recital Poemas na Minha Vida. E se este espetáculo era o principal tema da entrevista, depressa uma vida tão rica se intrometeu no alinhamento. Até porque Dario Fo morrera dias antes deste encontro…

Como é que soube da morte de Dario Fo?

Estava a ensaiar em Almada [Io terá uma participação especial no novo espetáculo da Companhia de Teatro de Almada, Noite da Liberdade, de Ödön von Horváth] e dão-me a notícia como se me estivessem a convidar para um café. Fiquei destroçada, porque convivi com ele e com a Franca [Rame], dormi em casa deles… Admirava muito a Franca, uma mulher fabulosa. Creio que ele foi esse grande autor porque tinha a seu lado uma mulher como ela.  

Refiro Dario Fo porque, provavelmente, o que muitos desconhecem é que foi a Io que o deu a conhecer aos portugueses…

Em 1975, com O Funeral do Patrão. Pouco antes, tinha estado com o meu companheiro, o Eduardo Geada, em Roma e em Milão, e comprei

grande parte da obra publicada do Dario. Quando voltámos, decidimos encenar esse texto e, imagina só, o sucesso que por esses dias a peça teve… também, com um título daqueles! [risos] O espetáculo foi filmado e transmitido pela RTP. Mais tarde, em Gubbio, na minha província natal que é Perugia, vou ao encontro dele e conto-lhe a nossa experiência em Portugal com O Funeral do Patrão. É assim que consigo Casal Aberto, peça que o Dario e a Franca ainda não haviam feito, e que eu vou estrear em Portugal em 1984. Foi tamanho o sucesso que corremos o país e ainda fizemos uma digressão por vários teatros de Lisboa.

Falemos agora do espetáculo Poemas na Minha Vida, que estreou em 2009, e que agora fará uma pequena digressão em Lisboa. Como é que o projeto nasceu?

A determinada altura da minha vida dediquei-me muito à poesia, aliás, a poesia acompanha-me desde os sete anos, altura em que comecei a decorar e a dizer poemas. A dado momento, descubro um poema de Jorge de Sena intitulado Carta a Meus Filhos Sobre Os Fuzilamentos de Goya e foi como se rebentasse uma bomba dentro de mim. Se eu me questionava como é que só aos 60 anos é que havia descoberto tal poema, venho a perceber que, de entre os meus amigos e colegas, ninguém o conhecia. Foi assim que surgiu a ideia deste espetáculo, e ao Jorge de Sena juntei o António Gedeão, o Eugénio de Andrade, o Pessoa…

 E também os seus conterrâneos italianos…

Claro. E nos seus dialetos originais, com um carinho muito especial para o umbro que me derrete por dentro [risos]. Escolhi assim poemas em umbro do Ezio Velecchi, um poeta camponês que podemos estabelecer alguma comparação com o António Aleixo. Como vivi 12 anos em Roma, e aprendi o dialeto local, não podia deixar de ter um poeta romano…

Ou seja, a Io pretende esboçar uma espécie de autobiografia através das palavras dos poetas que escolheu? 

Todos os poemas que estão no espetáculo têm a ver comigo. Ou não fosse eu, Io Appolloni, italiana e portuguesa. É que eu tenho duas pátrias, duas culturas dentro de mim. E sinto-me mais rica do que qualquer outra pessoa por isso mesmo. Os meus primeiros 18 anos de vida foram passados e vividos em Itália; mas estou em Portugal há 51 anos, tenho três filhos portugueses… e, oficialmente, sou portuguesa desde 1975.

Recuando no tempo, como é que uma jovem italiana formada em representação pelo Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma vem parar ao Portugal sombrio do Estado Novo?

Chego aqui em 1965, mas não vim por vir. Por isso é preciso voltar atrás, a 1963, quando acabo o curso e sou convidada a ir ao Festival de Cinema de Veneza, onde tenho a grata alegria de filmar com Pier Paolo Pasolini [Comizi d’Amore estreou em 1964]. Simultaneamente, um

produtor espanhol contrata-me para fazer um filme em Espanha. Lembro que ainda fiz uma peça de teatro em Roma e depois sigo para Espanha. As filmagens eram para durar 20 dias e arrastam-se por três meses, o que foi fascinante para uma miúda de 18 anos que se fartou de ganhar dinheiro e viver uma vida de sonho em hotel de cinco estrelas, longe do pai, da mãe, do irmão [risos]… A minha passagem por Espanha ainda foi mais valorizada porque estudei canto e flamenco…

E trabalhou com Juan Antonio Bardem, um grande nome do cinema espanhol que, para situar as atuais gerações, é tio do Javier Bardem…

É verdade. Mas, o momento determinante para vir parar a Portugal foi ter sido feita uma reportagem fotográfica comigo, em Madrid, que saiu na revista Plateia. À época, eu tinha um agente e o Eduardo Damas [autor e compositor do teatro de revista] contacta-o no sentido de se fazer uma revista em Lisboa. Como uma das minhas ambições era fazer teatro em Madrid, achei que poderia ser positivo para a minha carreira ganhar experiência em Lisboa. E, em 1965, cá estou eu, uma “brasa”, uma mulher linda a dar cor a essa cidade a preto e branco como era Lisboa nessa época [risos].

O que a fez ficar por cá?

A revista teve muito sucesso e eu arrasei, sobretudo devido a um número com o Camilo [de Oliveira] onde eu ficava em bikini com um brilhante no umbigo. A plateia vinha abaixo [risos]. Mas, o que me fez ficar foi, em primeiro, uma paixão arrebatadora pelo Camilo, mas também pelas pessoas, pela sua afabilidade e… pela gastronomia. Sem me ter apercebido disso, já cá tinha raízes, e a partir do momento em que fiquei grávida do meu primeiro filho, em 1968, decidi que estava em Portugal para ficar.

Mas chegou a regressar a Madrid …

Sim, sim. Eu conto isso na minha autobiografia. Depois do sucesso que tive em Lisboa, o meu agente propôs-me uma revista em Madrid. Na altura, já estava com o Camilo e decidi fugir, de comboio… E ele foi atrás de mim! Ainda estreei a revista mas, curiosamente, durante esse curto período emagreci cinco quilos.

Pensa que podia ter feito uma carreira completamente diferente se tem resistido a essa saudade de Portugal e, também, ao amor?

A minha vida sentimental teve sempre um enorme peso e atribuo isso à educação religiosa que recebi da minha mãe, muito ligada à família e aos afetos. A época também era muito diferente e, no fundo, a minha carreira nunca foi mais importante do que ser mãe.

No início da década de 1970 estreia O Vison Voador, um espetáculo que marca indelevelmente uma época, sobretudo, graças a si… 

E à minha sensualidade muito natural. Não vou ser modesta, mas eu era, de facto, uma mulher muito sensual, e nessa peça despia-me em cena, mas de um modo muito bonito e subtil. Esse espetáculo fez mais de mil representações e marcou profundamente as pessoas, tanto que, ainda hoje, muita gente se lembra.

Não houve problemas com a censura?

Não, porque naquela época a censura em Portugal era mais política do que de costumes (em Espanha, por exemplo, era bastante diferente). Aliás, recordo um problema com a censura em 1972 quando, numa revista fizemos uma piada sobre o Sá Carneiro [à época, deputado da Assembleia Nacional]. Aí, eles não tiveram contemplações e cortaram.

Mas, apesar de tudo, a Io não aparecia integralmente nua em O Vison Voador.

Só faço nu integral, em 1978, na peça feminista Guilherme e Marinela [de Viveka Melander], estreada no Cinema Satélite [o estúdio do já desaparecido Cinema/Teatro Monumental]. Foi extraordinário o sucesso que a peça teve, sobretudo, devido à minha astúcia. Passo a explicar: eu decidi chamar a atenção por aparecer nua, mas depois apresentava um espetáculo feminista ou, mais do que feminista, um espetáculo anti-machista por excelência. No Porto, tínhamos programado três representações e acabámos por fazer 60. Chegámos a gravar para a televisão, mas não a deixaram ir para o ar.

Nesses tempos a Io era já uma mulher e uma atriz de causas…

Ainda antes do 25 de Abril, depois de me separar do Camilo tive um longo relacionamento com o Eduardo Geada, à época jornalista, um intelectual que me abriu horizontes, sobretudo para as questões políticas. Como sempre fui uma mulher extremamente curiosa, assimilei tudo com uma velocidade tremenda e, quando se dá a Revolução, lá estou eu a integrar as Campanhas de Dinamização Cultural e a fazer parte, pela mão do Rogério Paulo, do Partido Comunista Português.

É uma época em que corre o país fazendo um teatro muito politizado, não é?

Sim, sim. Foram centenas de espetáculos muito militantes, sobretudo sobre a causa da mulher. Foi um período tão, tão lindo, porque todos tínhamos a vontade de ser úteis para transformar a sociedade. E o dinheiro não nos interessava nada. 

Nos anos de 1990, deixamos de a ver no teatro e passamos a associá-la a um doce típico italiano, o tiramisu. O que é que aconteceu?

A última peça de sucesso que fiz foi Socorro, sou uma mulher de sucesso, uma comédia musical onde cantava, dançava, enfim… fazia tudo! Depois, vieram os anos do fim dos subsídios pontuais e estive uns dois anos sem trabalhar. Mas, um artista não consegue parar e, se por um lado desenvolvi um sentimento de amor/ódio à profissão, a minha atitude criativa lança-me na doçaria. No início dos anos 90, decido dar a conhecer o meu tiramisu e, como tinha uma cozinha grande, começo a fazê-lo para uma série de restaurantes. A dada altura vou a um programa do Herman José, o Parabéns, e faço o tiramisu em direto. O impacto foi tal que nunca mais parei, e fartei-me de ganhar dinheiro. Costumo dizer que aquilo que tenho hoje devo ao tiramisu, não ao teatro.

A doçaria substituiu o teatro?

De certo modo, sim. Apesar de me fazer falta o teatro, percebi que, ao me dedicar à culinária e mais especificamente à doçaria, estava a servir o público e a transmitir emoções. Isso apazigou-me… Depois, houve mais do que o tiramisu, e até um doce de manjericão eu criei… [risos]

Quanto tempo esteve sem pisar o palco?

Cerca de 20 anos. Só voltei em 2009, precisamente com os Poemas na Minha Vida.

Vê muito teatro?

Sim, vou muito ao teatro. E quando é mau, vou lá e insulto…

Como um dever?

Não é um dever. É uma necessidade física e psíquica. Ainda há uns dias vi uma peça com uma grande amiga e, no final, fui lá dizer-lhe: “como é que tu te meteste nesta merda?”

De uma penada, como é que poderia resumir o seu percurso?

Diria que a minha vida se resume em quatro etapas. Fui uma sex symbol do teatro comercial em Portugal numa primeira; pouco antes da Revolução de Abril, cresci, amadureci, tomei consciência política e dediquei-me a um teatro de intervenção, assumindo-me como uma voz de defesa da condição feminina e das mulheres; nos anos 90, dediquei-me à doçaria, essa outra paixão artística. Hoje, vivo a etapa da poesia, e o espetáculo que agora apresento em Lisboa demonstra isso mesmo.

 

[por Frederico Bernardino| fotografias de Francisco Levita/CML-ACL]

 

Capa IO Apollonni.jpg

 

Capa da Agenda Cultural de Lisboa  Novembro de 2016

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Sábado, 29 de Outubro de 2016

Berta Cardoso


 

Berta dos Santos Cardoso, nasceu na Rua da Condessa, freguesia do Sacramento em Lisboa, no 21 de Outubro de 1911, 

Ficou órfã de pai muito cedo e devido a dificuldades económicas de sua mãe, esteve internada numa instituição oficial,  onde fez os seus estudos, saiu aos 16 anos e foi novamente viver com a mãe e os irmãos.

Berta Cardoso, que não era filha única, teve um irmão de seu nome Américo dos Santos, que andava no Fado  como amador e tocava viola, e assim a influenciou a para cantar o Fado.

Berta Cardoso foi mãe de dois filhos.

Corria o ano de 1927, com 16 anos de idade, estreia-se no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer, que era gerido pelo Armandinho, foi tal  êxito da sua actuação que de imediato ficou contratada, tendo adoptado o nome artístico de Berta Cardoso.

Sendo o Salão Artístico no Parque Mayer, local, onde como se sabe apareceram os Teatros de Revista. Berta Cardoso não passou despercebida e logo em 1929 é a cantadeira contratada para a Revista Ricócó, levada à cena no Teatro Maria Vitória, segue-se “Viva O Jazz” e a “Nau Catrineta”.

Nos intervalos das suas actuações na revista, é das cantadeiras mais solicitada nos recintos de Fado, Solar da Alegria, Salão Jansen, Café Luso, Retiro da Severa, etc.

Integrada num elenco artístico  com a Beatriz Costa,  parte numa digressão ao Brasil onde obteve grandes êxitos.

Infelizmente não havia os meios de comunicação de hoje, pois é indiscutível que Berta Cardoso foi uma das primeiras cantadeiras de Fado a internacionalizar o Fado, assim com a grande Ercília Costa. (1)

Estas actuações internacionais tem mais expressão no Brasil e em todo o continente Africano, em particular nas Colónias Portuguesas. O que levou a que, em 1933 os diversos interveniente no espectáculo Fado, decidiram criar o “Grupo Artístico de Fados”, com Madalena de Melo e a Berta Cardoso, na guitarra o Armandinho e nas violas,  Martinho d’ Assunção Jr. e João da Mata.

Este conjunto de intérpretes de renome,  parte a bordo do navio Niassa para um percurso de espectáculos na África Ocidental e Oriental e também nas ilhas portuguesas. Concretiza-se como a primeira viagem que o Fado faz a África, tornando-se numa digressão muito noticiada pelos jornais, uma vez que os espectáculos se desenrolam ao longo de quase um ano, passando por diversos locais, destacando Angola, Moçambique e Rodésia.

No inicio dos anos trinta grava para a editora Odeon, e mais tarde passa a gravar de para a editora Valentim de Carvalho.

LP - Tia Macheta.jpg

EP-Fados Típicos.jpgEP-Cruz de Guerra.jpg

 

 

 

 

 

Berta Cardoso fica muito ligada ao Teatro de Revista, onde se apresenta com uma regularidade de cerca de várias peças por ano.

Em 1936 no  Retiro da Severa, ao lado de outros  grandes fadistas da época, Maria Emília Ferreira, Maria do Carmo Torres, Alfredo Duarte Marceneiro, Júlio Proença e José Porfírio, são considerados e apresentados como a "Embaixada do Fado do Retiro da Severa",  actuaram em muitos locais,  com relevância as idas  ao Porto, Teatro Sá da Bandeira e no Teatro Variedades, com lotações sempre esgotadas,   a imprensa e a rádio destaca as actuações de Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro.

Em 1939 é contratada novamente por Beatriz Costa,  para uma série de espectáculos em  todo o Brasil, com as revistas "Eh, Real", "Oh, meu rico São João", "Dança da Luta" e "Pega-me ao Colo", novamente estes espectáculos tiveram grandes êxitos. Mas,  antes da sua partida, é homenageada pelos seus colegas no Retiro da Severa.

Cartão de Visita.jpg

Foi também neste ano,  que  grava e filmada, com Alfredo Marceneiro, no Teatro Variedades e no Retiro do Colete Encarnado,  actuações estas filmadas  para o filme "O Feitiço do Império", de António Lopes Ribeiro. O filme estreou em 1940.

Feitiço do Império1.jpg

Após o regresso do Brasil, em 1940, é convidada para a "Embaixada do Fado do Solar da Alegria", que no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, obtém grandes elogios e lotações esgotadas, também faziam parte deste elenco,  Maria Carmen, Júlio Proença e Amália Rodrigues.

Berta Cardoso continua a cantar nos retiros de Fado e no teatro, até cerca de 1960, ano em que decide manter-se só a gravar, e cantar Fado em casas típicas, primeiro n´O Faia, segue-se a Viela e por último o Poeta, em Alfama, onde anteriormente tinha havido uma  casa de fados bem pitoresca,  que se chamava “A Nau Catrineta”.

Em 1943 conclui na Faculdade de Medicina o curso de enfermagem, com a especialização em obstetrícia, mas nunca chegou a exercer.

Desde muito miúdo que convivi com Berta Cardoso na Viela, do Sérgio onde eu para além de ter um pretexto  para estar no Fado, arranjava “uns trocos para alimentar a moto”, era lá fotógrafo, nessa estudava à noite e já trabalhava na GM, meu avô, grande amigo da Berta,  todos os dias aparecia para me lembrar que tinha que ir para casa a partir da meia-noite. Tenho da Berta Cardoso, gratas recordações, as estórias que me contava do meu avô e do meu pai, e lembro ainda,  com saudade, quando ela tinha que cantar várias vezes o Fado “O Homem da Berta”, pois iam chegando mais clientes e admiradores,  e como muitas das vezes ela já tinha cantado o tema, era tal a insistência, que tinha que o voltar a cantar.

Há registos seus na RTP, no ZIP-ZIP, e no programa com o título “As  bodas de ouro de uma Fadista”.

Berta Cardoso foi internada num lar da Santa Casa da Misericórdia, em 1996, local onde veio a falecer a 12 de Julho de 1997.

Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e lançou um livro sobre a sua figura

Também em  2006 no Restaurante Nini, fazendo eu  parte da APAF, fiz uma pequena palestra com um diaporama de minha autoria, (mormente as rasteiras e manobras (2)) , mas as pessoas gostaram e foi uma sincera homenagem.

Berta Cardoso está sempre presente em www.bertacardoso.com

Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e a edição de um livro evocativo.

(1)    Meu avô Alfredo Marceneiro, poderia ter tido também uma carreira internacional, mas teve sempre o cuidado de não acreditar no profissionalismo no Fado, razão porque sempre se manteve na sua profissão de marceneiro, e como já escrevi só ficou a viver do Fado, a partir de 1946, na sequência das greves no Arsenal do Alfeite, tinha 54 anos pelo registo de nascimento e 57 na realidade.  

(2)    Um dia eu conto…tudo,  acerca pessoas que estão ao nosso lado, por inveja ou por falta de protagonismo tudo tentam para mandar abaixo.

 

Linhares Barbosa - Berta Cardoso - Alfredo Marceneiro

 

TEMPOS DE OUTRORA

 

Repertório de: Berta Cardoso

 

Letra de: Fernando Teles

Música: Fado Tradicional

 

Dos Belos tempos de outrora

São Relíquias do passado

Dois impagáveis tesoiros

A guitarra mais o Fado

 

Era na Lisboa, antiga

Quinta- Feira de Ascensão

Dia da consagração

Porque era dia de espiga

Com farnéis e sem fadiga

Assim que raiava a aurora

Toda a gente campos fora

Procurando a sombra amena

Ai que saudades que pena

Dos belos tempos de outrora

 

As noites tradicionais

De todos os nossos santos

Eram motivos de tantos

Ranchos, bailes e festivais

Os sírios e arrais

Rabicha, senhor roubado

Atalaia sol doirado

Como tudo isto era lindo

Estas coisas tempo findo

São relíquias do passado

 

E nas vésperas das toiradas

Nos retiros que alegria

Até a nobreza se via

Pelas mesas abancada

Cantava-se ás desgarrada

Até à vinda dos toiros

Cobriam-se assim de loiros

Entre a fadistagem vária

A Severa e a Cesária

Dois empagáveis tesouros

 

Fidalgos boémios e artistas

E toureiros elegantes

Tinham por suas amantes

As cantadeiras bairristas

Nesses tempos de fadistas

E do saiote encarnado

Só nos resta por sagrado

Penhor bem tradicional

Dois filhos de Portugal

A guitarra mais o Fado

 

 Berta Cardoso canta um dos seus grandes êxitos

"TIA MACHETA"

Letra de Linhares Barbosa e Música de Manuel Soares

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Viva Lisboa:
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Alfredo Marceneiro - As suas músicas FADOS CLÁSSICOS

Alfredo Marceneiro fala dos seus estilos e dos pregões

 

 

Alfredo Marceneiro, apesar da fama que já ganhara e da aceitação que tinha como fadista, continuou a trabalhar no seu ofício. Os fados cantava-os por amor à arte, embora nessa época já existissem cantadores que ganhavam dinheiro como "negaças" nos Cafés de Camareiras e nos retiros. "Negaças" eram cantadores de menor nomeada, contratados especialmente para atrair, em despique, outros fadistas de maior fama.

E este era um acicate a que Alfredo não renúncia!

Os locais mais frequentados eram o Caliça das Pedralvas, o Bacalhau, ambos eles ali para os lados de Benfica, e ainda o Perna de Pau na Charneca, o Retiro da Severa (Luna Parque), Terraço da Cervejaria Jansen, Ferro de Engomar, Café Luso na Avenida, Castelo dos Mouros no Parque Mayer, Salão Artístico de Fados, Júlio das Farturas, Olímpia Clube, Boémia na Travessa da Palha, Solar da Alegria, José dos Patacos, etc.

Certo dia no "Cachamorra", Alfredo Marceneiro acompanhado pelo poeta Henrique Rego, de quem entretanto se tornara amigo e que tinha passado a ser o seu poeta preferido, foi desafiado por um grande fadista dessa época, Manuel Maria, para cantarem ao desafio ao som do Fado Corrido, tocado em «marcha». Alfredo aceitou e Manuel Maria cantou primeiro dando um estilo que passou a chamar-se de "Marcha do Manuel Maria" (nos fados clássicos o fadista escolhe o tom, para melhor poder improvisar o seu estilo). Enchendo-se de brios, Alfredo pediu que o acompanhassem no mesmo tom e improvisou de tal maneira que criou, também ele, um novo estilo. Nasceu então uma das suas mais lindas músicas: "MARCHA DE ALFREDO MARCENEIRO".

Deste desafio resultou ainda mais fama para Alfredo Marceneiro, que sempre cantou cultivando um estilo próprio, estilo esse que teve sempre reminiscências de «bailarico». Aliás, nas opiniões do guitarrista Casimiro Ramos e do grande fadista Filipe Pinto, todas as obras musicais do Alfredo têm um sotaque de «bailarico».

Foi com Casimiro Ramos, seu acompanhante á guitarra no Clube Olímpia, que Alfredo Marceneiro cantou um fado com versos de Carlos Conde, criando mais um estilo inédito. Nasceu mais uma das suas sensacionais músicas — "Fado Bailarico".

Outros estilos surgiram, o Fado CUF, o Fado Balada, o Fado Louco, o Fado Versículo Pierrot (improviso no fado menor), os Fados Alexandrinos, Lembro-me de Ti, Bêbado Pintor e o Laranjeira, o Fado Mocita dos Caracóis, o Fado Cravo, o Fado Pajem, o Fado Bailado, o Fado Cabaré. Aliás, Alfredo Marceneiro fazia questão de frisar: "— Nunca canto o mesmo fado da mesma maneira pois, em cada interpretação consoante o tom escolhido improviso e crio um estilo novo". Foi esta particularidade que, decerto, lhe granjeou a sua grande fama que ainda hoje perdura de «o maior estilista».

Como se pode verificar quase todas as suas músicas, Alfredo Marceneiro dá-lhes o mesmo título da letra que ele cantou pela primeira vez. Foi o "criador", como se dizia na época, isto porque havia o brio de cada fadista ter o seu repertório privativo.

Alfredo Marceneiro, teve o 1/326 como seu número de inscrição na SOCIEDADE DE ESCRITORES E AUTORES TEATRAIS PORTUGUESES, como sócio administrado. Eis algunspoemas  que cantou e para tal  "criou estilos" ou seja as suas músicas.

ALFREDO MARCENEIRO FOI  O MAIOR ÍCONE DO FADO, FOI O MAIOR ESTILISTA DE TODOS OS TEMPOS, E AINDA É HOJE  SEM MARGEM DE DÚVIDAS, CONSIDERADO  O MAIOR CRIADOR  DE MÚSICAS DOS FADOS CLÁSSICOS EXISTENTES.

 

FADOS REGISTADOS

Fado Aida

Fado Alexandrino Eu lembro-me de ti

Fado Alexandrino Bêbado Pintor

Fado Bailado (conhecido também como Estranha Forma de Vida)

Fado Olhos Fatais

Fado Bailarico

Fado Balada

Fado Cabaré

Fado Cravo (conhecido também como Fado Viela)

Fado Cuf

Fado Laranjeira

Fado Louco

Fado Marcha do Marceneiro

Fado Maria Marques (ou Vestido Azul)

Fado Mocita dos Caracóis

Fado Odéon

Fado Pagem

Fado Versículo Pierrot (conhecido também como Fado Menor em Versículo, ou somente Fado Versículo)

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Viva Lisboa: Criador de "Estilos"
música: Os estilos, Os pregões
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Artur Ribeiro Poeta

ARTUR RIBEIRO

Artur Ribeiro, Max e Alfredo Marceneiro

Artur Ribeiro nasceu no Porto em 1923, mas cedo vem para Lisboa e aqui fica radicado, sendo para mim o poeta que fez um dos poemas mais lindos sobre Lisboa, Lisboa , A Grande Marcha de Lisboa 1965 – Só Lisboa, Lisboa à meia-noite, Cachopa do Minho, A Rosinha dos Limões, A Fonte das Sete Bicas, Sete Saias, Nem às Paredes Confesso, Pauliteiros do Douro, Eu nasci Amanhã, O Meu Coração Parou, Adeus Mouraria, Lisboa à meia-noite, Fiz Leilão de Mim, Anda o fado Noutras Bocas, è Urgente que Venhas, Vielas de Alfama, etc. A sua parceria com Fernando Farinha e mais tarde com Max teve o condão de nos deliciar, e foi raro o artista que não tenha cantado  Fados da sua autoria.

Connheci o Artur Ribeiro,  convivi com ele desde muito jovem, meu pai e meu avô eram seus grandes amigos, era uma pessoa bastante afável e uma clarividência intelectual notável, aprendi muita coisa em escutá-lo, ficou-me a honra de ter gravado um poema seu que escreveu de propósito para mim,  a que deu o título “Ser Mais Um Entre Tantos” ao receber o poema logo me apercebi que tinha a ver comigo,  constatei que aquele grande Senhor durante aqueles anos em  que falava com este rapazinho de então, me levava a sério, e já homem escreve-me num Fado tudo aquilo que sentia por mim e pela minha maneira de ser.

Artur Ribeiro deixou de escrever poemas para nós em 1988.

O meu projecto “Lisboa A Cidade mais cantada do mundo” tem como poema eleito,  a Canção de Lisboa de sua autoria.

Fiz a apresentação de projecto à CML e espero vir a ter colaboração de toda a comunidade fadista para que seja feita a devida homenagem a este grande poeta que tanto amou Lisboa, para que lhe seja atribuída a titulo póstumo a Medalha da Cidade e uma rua da edilidade. (Sonhos...!?)

 

 Anda o Fado Noutras Bocas

 
Letra: Artur Ribeiro
 
Andei p'la Mouraria
Nas tascas do antigamente
Mas o fado estava ausente
Mudou de lá quem diria
E corri Lisboa inteira
Até encontrar o fado
Porém achei-o mudado
Cantado doutra maneira
 
Estribilho
 
Chorai fadistas chorai
Como dizia a cantiga
E se uma guitarra amiga
Trinar em tom magoado
Cantai fadistas cantai
Com vossas gargantas roucas
Que anda o fado noutras bocas
Que não são bocas p'ró fado
 
Agora de madrugada
Eu oiço por todo o lado
Noutras bocas outro fado
Que do fado não tem nada
E choro então o passado
Dos fadistas que morreram
Ouvindo alguns que nasceram
P'ra tudo menos p'ró fado
 

 

Beatriz da Conceição canta Canção de Lisboa de Artur Ribeiro

 

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música: Canção de Lisboa
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

CARLOS BAJOUCA - ESCULTOR ANGOLANO

ESCULTURA EXPOSTA NA AVENIDA PRINCIPAL DE SINTRA

DO ESCULTOR CARLOS BAJOUCA

HOMENAGEM AO FADO E À GUITARRA PORTUGUESA

Escultura de Carlos Bajouca1.jpgEscultura de Carlos Bajouca2.jpg

Na obra exposta em Sintra, uma Homenagem ao Fado e à Guitarra Portuguesa, o seu autor Carlos Bajouca,  fez questão de inserir na escultura para a posteridade,  alguns nomes que na sua opinião muito contribuiram para a divulgação do Fado:

Amália, Ana Moura, Carlos do Carmo, Alfredo Marceneiro, Cuca Roseta, Camané, Carminho, António Pinto Basto, Dulce Pontes, Hermínia Silva, João Braga, Almeida Santos, Celeste Rodrigues, Zeca Afonso, Lenita Gentil, Cidália Moreira, Carlos Zel, Chainho, Carlos Paredes, António Zambujo, Vicente da Câmara, Simone de Oliveira, Tristão da Silva, Teresa Tarouca, Rodrigo, Vitor Marceneiro, Mariza, Mafalda Arnault, Maria da Fé, Maria José Valério, Maria Armanda, Margarida Guerreiro, Pedro Moutinho, Paulo de Carvalho, Nuno da Câmara Pereira, Jorge Fernando, José da Câmara, Katia Guerreiro, Helder Moutinho, Ada de Castro, Adriana Marques, Anita Guerreiro,, António Mourão, Frei Hermano da Câmara, Fernanda Maria, Florência, são artistas que faço referência nesta minha obra e que ajudaram a elevar o Fado a Património da Humanidade.

 

carlos Bajouca.jpg

 

Carlos Bajouca, nasceu em Angola na província do Lobito em 1955.

Fez a sua formação académica em Lisboa, para estudar Belas Artes, tendo frequentado o Centro Internacional de Escultura.

Diversas são as suas participações em mostras de arte desde 1980 estando representado em diversas colecções a nível nacional e internacional. Possui um vasto curriculum e encontra-se representado com escultura pública em diversas localidades por todo o país. Em 1989 inaugura o seu atelier..

O corpo e a sua sensualidade, são fonte de inspiração do escultor, estando sempre presentes na sua obra, tal como nos faz recordar com a sua frequente afirmação:

 

“ADORO LAMBER A VIDA COM OS OLHOS”

 

NOTA:

Somos amigos há mais de 20 anos, Carlos Bajouca era sócio da Sistema J, a editora que me apoiou na publicação do meu primeiro livro biográfico do meu avô  “Recordar Alfredo Marceneiro”, recordo que as sua opiniões nas negociações,  foram muito preponderantes  para a sua concretização.

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Jorge Costa - Pateo Marialva onde o Fado acontece

Foi em Maio de 2009 que fui ao retiro particular de Jorge Costa, onde fui muito bem recebido, hoje vou lá voltar acompanhado pelos meus amigos Helder do Ó e Albano Pinto.

 

Jorge Costa, é natural de Palmela.

Desde muito jovem que se sentiu atraído pelo Fado e especialmente pela sonoridade da guitarra.

Aos 15 anos, porque seu pai não tinha possibilidades financeiras de lhe comprar uma guitarra para começar a aprender, encheu-se de brio e com muita habilidade construiu ele próprio o instrumento com que se iniciou.

Começou a cantar e a tocar em público, aos 22 anos, sempre como amador, uma vez que a sua  profissão é a de estofador.

Esta sua paixão pelo Fado leva-o a formar uma tertúlia fadista numa sua propriedade, em Fernão Ferro, a que deu o nome de “Pateo Marialva”, desde há cerca de trinta anos, que reúne às quartas-feiras, amigos e convidados,  numa “almoçarada” que se prolonga pela tarde fora, regada com muito Fado, e não só…

Por esta tertúlia através dos anos já passaram muito fadistas, quer amadores, quer profissionais.

Transmitiu aos seus filhos o gosto pelo Fado, tendo um filho, o Sandro Costa, que é já guitarrista profissional, estando actualmente contratado pela Taverna Del´Rei, acompanhando com frequência em espectáculos, a Cidália Moreira. Tem ainda um outro filho, o Miguel Angelo Costa, que tal como ele é estofador, mas que também toca, e muito bem, viola acompanhando Fado.

Tive o prazer de ser seu convidado, e fiquei “estupefacto” com o seu retiro… que se considerar-mos o Café Luso a “Catedral do Fado”, este seu cantinho é bem uma “Capelinha do Fado”…

Fui presenteado com uma medalha, como recordação, e tive também o grato prazer de saber que é grande admirador de meu pai.

Ah! Fadista.

Jorge Costa e Vítor Marceneiro

 

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Casimiro Ramos, Guitarrista e Miguel Ramos, Violista - "Os Pinoia"

Casimiro Ramos, nasceu em Lisboa  no bairro da Ajuda, a 16 de Fevereiro de 1901.

Começou desde novo a ouvir guitarradas, seu pai Francisco Ramos, tocava guitarra num conjunto de então,  e ele e o irmão mais novo, o Miguel assistiam entusiasmados aos ensaios,  e como diz o povo — Quem semeia colhe os frutos — e eles cedo começaram  a gostar de música e a aprender, o Casimiro escolheu a guitarra e o Miguel a viola.

Esta família teve a alcunha  de “Pinoia”, daí nasce o tema que mais tarde Casimiro Ramos compõe, O Fado Pinoia.

Começaram por tocar em verbenas e festas em colectividades, mas logo foram solicitados para actuarem em diversas casas de fado, no antigo Café Luso na década de trinta, fazendo parelha com o irmão Miguel Ramos.

Trabalhou em vários eventos com Adelina Ramos, donde nasceu uma grande amizade,  ficando contratado, no Restaurante Típico, desta,   A Tipóia, no bairro alto,  onde se manteve por mais de 20 anos.

Em 1933 participa no filme “A Canção de Lisboa”, com Beatriz Costa e Vasco Santana. Em 1934, merece o destaque na primeira página da “Guitarra de Portugal” quando da sua ida ao Brasil, com Maria Albertina, onde já tinha actuado,  fazendo então  parelha com o violista Armando Silva,  integrando o elenco da Companhia de José Loureiro, com Estevão Amarante, Adelina Abranches, Maria Alice, Maria Sampaio e Lina Demoel e  o cantador Manuel Cascais.

Em Abril de 1934 os colegas e amigos organizam-lhe uma merecida festa  de homenagem na Cervejaria Jansen,  estiveram presentes, Maria Albertina, Maria do Carmo, Maria do Carmo Torres, Maria Emília Ferreira, Joaquim Pimentel, Filipe Pinto, Artur Pinha, Alfredo Marceneiro com o seu irmão Júlio Duarte e a cunhada Leonor Duarte, entre outros grandes nomes da época.

Casimiro Ramos, era um homem solidário e amigo do seu amigo, organizava com frequência espectáculos de beneficência ou de homenagem a outros colegas, nunca descurando a defesa dos direitos dos artistas de Fado.

Meu avô Alfredo Marceneiro nutria por ele e pelo irmão uma grande amizade, que era retribuída, é neste convívio que nasce o Fado Margaridas (*), bem ao estilo de Marceneiro e que ele interpreta e grava.

Em 1938, na reabertura do recinto que par muitos foi uma «Catedral do Fado», o Solar da Alegria, sob a direcção artística de Filipe Pinto, Casimiro Ramos integra o conjunto dos músicos,  guitarristas e violistas, ao lado de Armando Machado, Fernando Freitas e Martinho d´Assunção.

Casimiro fazia muitos espectáculos e gravações em parceria com o irmão violista,  Miguel Ramos.

Na década de cinquenta , não só acompanhou inúmeros cantadores e cantadeiras de fado, com também gravou e fez espectáculos e digressões.

É autor de célebres composições musicais, a famosíssima variação à guitarra, “Nocturno”, são ainda de sua autoria: “Fado da Fé”, “Fado Maria Emília”, “Fado Pinóia”, “Fado Três Bairros”, "Fado Amélia Martins"; "Apolo"; "Rainha Santa"; "Terezinha"; "Alice", "Fado do Rio", "Lolita", entre outros. Musicalmente, as suas composições figuram em gravações de gerações de fadistas; Ada de Castro, Adelina Ramos, Alfredo Marceneiro, Alfredo Duarte Júnior, Carlos do Carmo, Fernanda Maria, Maria da Fé, Manuel de Almeida, Alice Maria, e muitos mais.

Casimiro Ramos faleceu em Lisboa, a 29 de Abril de 1973.

(*) O Fado Margaridas tanto é atribuída a sua autoria ao Casimiro Ramos como ao Miguel Ramos, com há quem pelo estilo que é muito “Marceneiro” por vezes também lhe atribuam a autoria. Esta discrepância já acontecia com eles em vida e nunca deu problema nem discussão, os direitos são pagos a quem está registado com o seu autor na SPA, Miguel Ramos.

 

 

Video-Clipe em que José Pracana toca

NOTURNO de Casimiro Ramos 

 

 

 


 

Miguel Ramos, é o irmão mais novo de Casmiro Ramos, como acima se disse optou pela  viola de fado, também foi (como o seu irmão) compositor de fados como Fado Alberto, Fado Margaridas (*), Veio a saudade, Fado Helena (Chico do cachené), Amor de mãe, Fado da Freira, etc.

Fado Alberto foi e ainda é um fado que muito inspira a criatividade dos poetas, por isso é ainda muito gravado existindo várias dezenas de  gravações  deste tema musical de  fado.

Muitos dos seus fados foram compostos em parceria com o seu irmão, e vice-versa, levando a que  a autoria de alguns desses fados, seja atribuída por vezes a um ou outro dos irmãos Pinóia, como aliás já referi sobre o Fado Margaridas.

Miguel Ramos tal como o irmão,  era muito  admirado e considerado, quer pelos fadistas, quer por  violistas e guitarristas.

Ao longo da sua carreira, acompanhou grandes vozes do fado, tanto em casas de fado, como em espectáculos ou em  gravação de discos.

 (*) Lamento imenso mas não consegui mais dados sobre Miguel Ramos, pode ser que algum amigo ou familiar, queira compartilhar mais alguns dados, o que muito agradeço.

 

 

Fernanda Maria canta

no "Fado Alberto" o poema

"Não passes à minha rua" de Carlos Conde

 

 

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Viva Lisboa: Grandes Fadistas
música: Noturno e Fado Alberto
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

FRANCISCO CARVALHINHO - Guitarrista

Francisco José Gonçalves de Carvalho,  nas­ceu em Lisboa em 1918 e morreu em 1990.

Aprendeu o ofício de relojoeiro. Aos 12 anos para além de guitarra, aprendeu a tocar outros ins­trumentos, nomeadamente banjo e bandolim.

Co­nhecido apenas por Carvalhinho devido à sua pequena estatura, apelido que adoptou no nome artístico.

Actuou no Retiro da Severa, acompanhado à viola por Santos Moreira, mais tarde no Café Mondego e no Café Latino.

Em 1941 apresentou-se no Café Monumental e durante um ano na Sala Júlia Mendes do Parque Mayer com Martinho d' Assunção.Em 1950 integra o conjunto de guitarras de Martinho d' Assunção, juntamente com Jaime Santos e Alberto Correia.

Em 1951 participa nos espectáculos dos “Companheiros da Alegria” de Igre­jas Caeiro.

Em 1953 realizou uma longa tournée por An­gola, Moçambique e África do Sul com Maria Pe­reira e Martinho d' Assunção.

Tocou nos Restaurantes Típicos de Fado:  Adega Machado, Adega da Lucília (mais tarde O Faia), no Vara Lar­ga, no Pinóia e no Salvaterra, mas foi no “Restaurante Típico a Severa” que esteve como guitarrista

privativo  durante vários anos seguidos

.

 

 

Gravou para vários artistas, nomeadamente para Alfredo Marceneiro, por quem nutria uma grande amizade e admiração.

A partir dos anos 80 dedicou-se à reparação de instrumentos de corda.

Francisco Carva­lhinho gravou vários discos com variações à guitarra, acom­panhado por Martinho d' Assunção, grande parte com composi­ções suas, Improviso em Ré e outros.

Autor de numerosos Fados, destacando-se:  Eu Sou do Fado; Fado Brigão; Dias Contados; Duas Palavras; Rua Sem Sol.

Deixou geração fadista, o seu filho Carvalhinho Jr., (que adoptou o nome artístico do pai) toca viola de acompanhamento sendo um músico de qualidade e muito solicitado.

 

 

Carvalhinho fala de Alfredo Marceneiro

 

Conheci Francisco Carvalhinho,desde muito miúdo, tocava com um estilo muito próprio, era uma pessoa muito sociável, admirado pelos colegas quer como músico, quer como pessoa, além de me tratar sempre com elevada consideração, era um grande amigo e  admirador do meu avô, que por vezes lhe dava (alguns olhares de desagrado nalguma nota que lhe saía da guitarra, e que ele não gostava) mas Carvalhinho nunca teve uma má resposta ou amuo com o seu amigo Alfredo Marceneiro.

Obrigado Francisco Carvalhinho, esteja onde estiver, "Quem meus filhos beija minha boca adoça", ensinou-me o meu avô, fica neste modesto e simples trabalho a homenagem da Geração Marceneiro.

Mas em 2007 quando pela primeira vez editei esta página neste blogue, tive a alegria de receber uma mensagem que muito me sensibilizou,  da sua neta Sónia Carvalhinho:

 

 

Caro Amigo,

 

Permita que o trate assim porque da mesma forma que o seu avô lhe ensinou que quem trata bem os nossos nos toca por dentro (agora por palavras minhas, mas a mensagem é a mesma) o meu avô também me passou muitas mensagens dessas, de reconhecimento ao próximo, de partilha, amizade e amor. E por isso mesmo depois do que li, agradeço de coração esta homenagem que para si lhe parece simples, a mim encheu-me o coração.
As saudades são muitas, mas pessoas como o Vítor fazem tudo ficar um bocadinho mais "próximo" de nós. Antes todos tivéssemos o mesmo contributo e ninguém ficaria no esquecimento e perdido num rasto do antigamente! Obrigada por ser assim, continuação de uma vida feliz.
Neta do Francisco Carvalhinho
Sónia Carvalho

 

 

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Viva Lisboa: Grande Músico de Fado
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

ESTEVÃO AMARANTE

ESTEVÃO DA SILVA AMARANTE (1889-1951)

 

Tudo começou em 1900, com apenas doze anos, Amarante fez a sua estreia, no “Avenida” na peça “A viagem de Suzette” que iria conhecer as noites de maior glória.

No ano seguinte, na Avenida da Liberdade, nascia o Teatro do Infante, onde uma companhia infantil fazia o gáudio da petizada com “A história da Carochinha”. Durante três anos, o pe­queno Amarante é notado, por entre a miudagem, pela fantasia e graça das suas in­terpretações.

O menino-actor era muito pobre e órfão de pai. Por isso, se de tarde fazia rir os da sua idade, à noite, divertia os adultos, para ajudar ao sustento da casa. O público, ruidosamente popular, que enchia os teatros abarracados das feiras de Alcântara e Algés, começou a delirar com a brejeirice e o à-vontade do rapazola e não se cansava de cantar com ele o “Toma lá cerejas”. Amarante tinha, aos catorze anos, a primeira das suas inúmeras canções de sucesso.

Quando o caso constou nos teatros da Avenida, o empresário Luís Galhardo,  logo o contratou para  repetir a cançoneta para uma plateia mais vasta mas igualmente deliciada, na revista “P'rá frente” (1906), ao lado de Júlia Mendes.

A voz agradável e a bela figura do jovem Amarante tornaram-no rapidamente admirado pelo grande público, a sus vivacidade e mocidade iam bem com a revista profundamente crítica e irreverente que  brotara da liberdade conseguida em 5 de Outubro. Sempre em ascensão, medindo-se com os grandes talentos dessa época , a sua notoriedade não pára.

Quando as manchetes dos jornais só falavam da guerra que destroçava o "velho mundo" e Portugal se preparava para entrar no conflito, nesse "Verão quente de 1916, sobe à cena, no Eden, uma revista bem recheada significativamente chamada “O novo mundo”.

Porém, a suprema sensação, a interpretação que ia marcar uma época era “Ganga” por Estêvão Amarante.

A sua observação do carroceiro tinha ido tão longe em tudo copiando com minúcia os modelos longamente estudados na rua, fazendo o público Amarante repetir “O Fado do Ganga” dezenas de vezes em cada noite.

Estava fixada a imagem e a popularidade alcançada era vitalícia.

 

Em 1925 de colaboração com Henrique Rol­dão, adaptação dum"vaudeville" francês (Tir au flanc) - a história do rapaz mi­mado que, na tropa, aprende a ser homem. Fica em cena oito meses a fio e Amarante atinge um dos seus momentos máximos, quando canta um fado paradigmático: "Sol­dado que vais para a guerra / ao deixares a tua terra / e o cantinho do teu lar / quan­tas mágoas te consomem / não choras porque és um homem / e é feio um homem chorar"

No Verão de 1927, a companhia resolve levar uma revista e nasce a histórica “Água-pé” com o grande triunfo pessoal de Amarante em nesta revista, fe­chava-se um período dos mais brilhantes que a carreira de qualquer actor português já conheceu.

Ou­tra revista, na esteira de Água-pé, “Tremoço saloio” (1929), teve pouco sucesso mas deu a Amarante um novo êxito, o Cauteleiro, cantado, na música do Fado da loucu­ra, um tema popular.

Depois de passar rapidamente no filme Lisboa (Leitão de Barros, 1930). Vai a  Paris filmar, para a Paramount, a versão portuguesa de “A minha noite de núpcias” (1931), ao lado de Bea­triz Costa.

Corta relações com Luísa Santanela com algum falatório, que lhe é adverso, por isso decide-se por um longo afastamento, que é quebrado com uma comédia, ao lado de Ilda Stichini (Uma para três, 1933). Depois, numa revista (Nobre povo, 1934), o seu trabalho fica muito abaixo do antigo prestígio. Falava-se abertamente, nas tertúlias teatrais da decadência de Amarante, e a sua separação de Luísa Satanela deixa um gosto amargo no público.

No início da década de 40, Amarante firma-se, mais uma vez, como um grande nome da revista, voltando ao Avenida para colher novos triunfos. O Fado do marial­va (De fora dos eixos, 1943) demonstrava que, aos 54 anos, ele era ainda o único galã dos palcos revisteiros. Ao lado da jovem Laura Alves, na opereta O Zé do Te­lhado (1944), canta a sua última grande cantiga: "A sorte só favorece / quem / na vida uma boa estrela tem”.

Embora mantendo uma grande reputação, as duas revistas que faz, no Apolo, ao lado de Hermínia Silva, a sensação do momento (A canção nacional, 1944; O fado da Mouraria, 1945), apresentam já sintomas de que o crepúsculo se avizinha., com rábulas sem interesse, (1948) marcam o final da sua actua­ção nos palcos revisteiros de Lisboa, e decide dedicar-se primordialmente ao teatro dito declamado, ingressando inclusive na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro instalada no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 18 de Abril de 1950, comemoraram-se festivamente, no S. Luiz, os 50 anos de Teatro de Estêvão Amarante.

 

in Revista à Portuguesa de Vitor Pavão dos Santos

 


Desenho de Amarelhe 1943 - Criação do Fado Marialva

 

FADO DO MARINHEIRO

 

Criação de: Estêvão Amarante

 

                                                     O marujo criou fama.

                                                     Desde um tal Vasco da Gama

                                                     Que no mar foi o primeiro;

                                                     E o Pedro Álvares Cabral

                                                     Só foi grande em Portugal

                                                      Por ter sido marinheiro.

 

A lutar como um soldado,

Peito ao léu, rosto queimado,

Ao sol da terra africana,

Com a farda em desalinho,

(Foi às ordens de Mouzinho

Que deu caça ao Gungunhana !

 

                                                     Quando o mar era um segredo,

                                                     Os antigos tinham medo

                                                     De perder-se ou ir a pique;

                                                     Só zombavam das porcelas

                                                     As primeiras caravelas

                                                     Do Infante Dom Henrique!

 

Fartos já de andar nos mares,

Também vamos pelos ares

Sem temor, abrir caminho;

Pois bem sabe toda a gente

Que o marujo mais valente

É o avô Gago Coutinho!

 

                                                     Nessa Alcântara afamada,

                                                     O marujo anda à pancada

                                                     E arma sempre espalhafato;

                                                     É que guarda na memória

                                                     O banzé que houve na história

                                                     Do António Prior do Crato.

 

Quando vai p'rá Fonte Santa

E dá largas à garganta,

P'la guitarra acompanhado.

Até chora o mundo inteiro,

Porque a voz do marinheiro

É a voz do próprio Fado!...

 

  

 

Caravela Portuguesa dos Descobrimentos

 

FADO DAS CARAVELAS

 

­­Criação de Estêvão Amarante

 

Quando foi das descobertas e conquistas,

Os fadistas,

Guitarristas

De mais fama,

Lá no fundo do porão,

Deram alma e coração

Às descobertas do Gama.

 

                                                      No alto mar

                                                      Ia o barco a naufragar,

                                                      O vento rijo a soprar,

                                                      Que até os mastros levou.

                                                      Foi ao sentir,

                                                      Uma guitarra a carpir,

                                                      Que o Neptuno querendo ouvir,

                                                      A tempestade abrandou.

 

E nas horas d'incerteza, à marinhagem

Deu coragem

Na miragem

Da vitória.

Cabe ao fado o seu quinhão,

De todo e qualquer padrão,

Dos que fala a nossa História.

 

                                                      No alto mar

                                                      Quando em noites de luar,

                                                      O pensamento a pairar,

                                                      Na nossa aldeia natal.

                                                      Ai, era ver,

                                                      Quanta lágrima a correr,

­                                                      Na guitarra a descrever,

                                                      Saudades de Portugal.

 

 

 

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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

ALBERTO COSTA

Alberto Simões da Costa nasceu em Coimbra na freguesia Torres do Mondego no dia 8 de Junho de 1898.

Era muito pequenito quando seus pais vieram morar para o bairro de Alfama, em Lisboa Não admira que vivendo num bairro com tradições fadistas, desde muito cedo começou a ouvi-lo e a admirá-lo, na escola primária cantava para professores e colegas.

Tem a sua estreia em público no ano de 1914, e passou com frequência a ser solicitado  para actuações,  em colectividades, sociedades recreativas e festas de beneficência, o que lhe granjeou muitos admiradores.

Actuou e fez amizade com grandes figuras já consagradas na época, como Berta Cardoso, Ercília Costa, Joaquim Campos e Alfredo Marceneiro, etc.

Alberto Costa foi gerente artístico no Ferro de Engomar e no Solar da Alegria, tendo actuado em retiros como, Retiro da Severa e  Café Mondego, Parreirinha de Alma, entre outros, até se retirar.

Alberto Costa foi um dos primeiros artistas portugueses com edições discográficas.

Em 1926 grava para a Valentim de Carvalho o seu primeiro disco.

Em 1930, conjuntamente com Alfredo Marceneiro, Ercília Costa, Rosa Costa e os músicos João Fernandes e Santos Moreira, formam  a “Troupe Guitarra de Portugal”, tendo efectuado muitas actuações por todo o país, este agrupamento teve um êxito estrondoso para a época.

A 9 de Junho de 1932 tem lugar na Academia Recreativa de Lisboa, na freguesia do Socorro, a sua primeira festa de consagração,  patrocinada pelo jornal “Guitarra de Portugal”.

A 14 de Abril de 1936, numa festa artística no Cinema Odeon, com  um espectáculo dirigido pelo “Britinho” é homenageado em  simultaneamente com os seus colegas fadistas,  Alberto Costa e Júlio Proença.

Em 1939, Alberto Costa abandona a vida artística  e vai viver para Silves, onde abriu o Café “A Pernambucana e/ou Havaneza”.

Embora já afastado da  vida artística, vem a Lisboa para actuar na festa de homenagem ao seu amigo Alfredo Marceneiro, no Teatro São Luís a 25 de Maio de 1963.

Alberto Costa faleceu em Silves em Outubro de 1987.

 

Alberto Costa

canta: Boneca de Loiça

Poema de Alberto Rodrigues

Música: Fado Popular

 

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música: Boneca de Porcelana
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2016

JORGE BANDEIRA - Pintor

Mais uma colaboração de um pintor (que canta Lisboa pintando), ao ver um catálogo de uma exposição de Jorge Bandeira, pedi-lhe autorização para usar alguns dos seus quadros no blog, que desde logo aceitou.

Concordarão comigo que é uma mais valia para os nossos conhecimentos, para homenagear a nossa Lisboa, e acima de tudo mostrar (que é o que eu sinto) que o Fado abrange todo o Universo da Portucalidade ....FADO é VIDA, é DESTINO....

O FADO ESTÁ EM TODAS  AS EXPRESSÕES DE ARTE DOS PORTUGUESES.

 

 

JORGE BANDEIRA

Nasceu em Lisboa, a 1 de Agosto de 1953.

Licenciado em Arquitectura, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, 1989.

Frequentou a licenciatura em História de Arte na Universidade Aberta de Lisboa.

Frequentou o curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes

Professor de Educação Visual, Educação Tecnológica, Oficinas de Artes e

Geometria Descritiva desde 1993.

 

Participou  em inúmeras exposições colectivas e individuais destacando-se :

 

-        ARTEXPO - Feira Internacional de Arte Contemporânea,

         Barcelona.

-        Exposição de Arte Mundo Seguro, Associação Portuguesa de

         Seguradoras, PARQUE DAS NAÇÕES – LISBOA.

-        Na Galeria CJ2 , em Lisboa.

-        Na Galeria HEXALFA ,”O olhar do Maltês”, Lisboa.

-        11ª Exposição Internacional de Torres Novas.

-        Na Galeria HEXALFA , Autumn Projects ”, Lisboa.

-        Galeria ARTUR BUAL “Problemas do Planeta”, Amadora.

-        Galeria GALVEIAS, Lisboa.

-        Galeria Ayala , Óbidos.

-        Fórum Telecom., Situ +acções”, Lisboa.

-        Galeria Orlando Morais, Ericeira.

-        Participação no programa de Televisão Divercidades ”

         Pintando ao vivo, RTP internacional

-        Galeria Grupama , Lisboa.

-        Galeria  da Caixa de Crédito Agrícola, Lisboa

Esta representado em diversas colecções no País e no Estrangeiro.

e-mail: jorgebandeira@netcabo.pt

www.jorgebandeira.no.sapo.pt

 

 

                  

 

Fernando Pessoa pintado por Jorge Bandeira

 

ACORDAR DA CIDADE DE LISBOA

 

Poema de: Fernando Pessoa

 

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,

Acordar da rua do Ouro,

Acordar do Rossio, às portas dos cafés,

Acordar

E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,

Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

 

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,

Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.

Á hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se

Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,

E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo

 

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,

Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,

Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,

São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,

 

Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,

Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste­-oeste,

 

Seja.

 

A mulher que chora baixinho

Entre o ruído da multidão em vivas...

O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,

Cheio de individualidade para quem repara...

O arcanjo isolado, escultura numa catedral,

Siringe fugindo aos braços estendidas de Pan,

Tudo isto tende para o mesmo centro,

Busca encontrar-se e fundir-se

Na minha alma.

 

Eu adoro todas as coisas

E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.

Tenho pela vida um interesse ávido

Que busca compreendê-la sentindo-a muito.

Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,

Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,

Para aumentar com isso a minha personalidade.

 

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio

E a minha ambição era trazer o universo ao colo

Como uma criança a quem a ama beija.

 

Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,

Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo

 

Do que as que vi ou verei.

Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.

A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.

Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

 

 

 


 

E de novo, Lisboa

 

Poema de: Alexandre O´Neill

 

E de novo, Lisboa, te remancho,

numa deriva de quem tudo olha

de viés: esvaído, o boi no gancho,

ou o outro vermelho que te molha.

 

Sangue na serradura ou na calçada,

que mais faz se é de homem ou de boi?

O sangue é sempre uma papoila errada,

cerceado do coração que foi.

 

Groselha, na esplanada, bebe a velha,

e um cartaz, da parede, nos convida

a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:

dizem que o sangue é vida; mas que vida?

 

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,

na terra onde nasceste e eu nasci?

 

Camões - Pintura de Jorge Bandeira

 

 

 

 

 

 Chafariz da Junqueira - Quadro de Jorge Bandeira

 

Lisboa perto e longe

 

Poema de: Manuel Alegre

Lisboa chora dentro de Lisboa

Lisboa tem palácios sentinelas.

E fecham-se janelas quando voa

nas praças de Lisboa -- branca e rota

a blusa de seu povo -- essa gaivota.

 

                                                      Lisboa tem casernas catedrais

                                                      museus cadeias donos muito velhos

                                                      palavras de joelhos tribunais.

                                                      Parada sobre o cais olhando as águas

                                                      Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

 

Lisboa tem o sol crucificado

nas armas que em Lisboa estão voltadas

contra as mãos desarmadas -- povo armado

de vento revoltado violas astros

-- meu povo que ninguém verá de rastos.

 

                                                 Lisboa tem o Tejo tem veleiros

                                                 e dentro das prisões tem velas rios

                                                 dentro das mãos navios prisioneiros

                                                 ai olhos marinheiros -- mar aberto

                                              -- com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.

 

Lisboa é uma palavra dolorosa

Lisboa são seis letras proibidas

seis gaivotas feridas rosa a rosa

Lisboa a desditosa desfolhada

palavra por palavra espada a espada.

 

                

 

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Sábado, 20 de Agosto de 2016

JORGE FERNANDO - Músico, interprete e compositor

Nasceu em Lisboa no ano de  1957.

Além de viola é também produtor, compositor, letrista e intérprete. No seu mais recente trabalho, "Memória e fado", inclui um dueto gravado, em 1994, com Amália Rodrigues de quem foi acompanhante de 1980 a 1985.

O perfil artístico de Jorge Fernando começou ainda menino, a cantar fado acompanhado pelo seu avô à guitarra, na adolescência caminha pela música rock, na década seguinte concorre ao Festival RTP da Canção com "Rosas brancas" (1983) e dois anos depois com "Umbadá". Em 1986 gravou o seu primeiro álbum, onde inclui "Lua Feiticeira Lua'. Em 1988 editou o primeiro álbum de fado onde inclui "Boa noite solidão" que escrevera aos 16 anos, e "Quem vai ao fado".

Como produtor assinou o primeiro álbum de Mariza, "Fado em mim", os mais recentes de Ana Moura e Maria da Fé, respectivamente, "Aconteceu" e "Divino fado", bem como os de Patrícia Rodrigues, Ricardo Ribeiro e João Pedro. Além de Amália, Jorge Fernando acompanhou vários fadistas como Fernando Maurício, Maria da Fé, Ana Moura, Argentina Santos ou José Manuel Barreto.

Em 1988 a Rádio Comercial atribuiu-lhe, por escolha do público, o Prémio de Popularidade. Em 1991 editou "À tua porta", seguindo-se "Oxalá" que a revista Billboard considerou, em 1994, "obra de referência para a World Music". Em 1997 com o álbum 'Terra d'água" faz uma ponte entre a balada e o fado, gravando no ano seguinte "Fado - The soul of Portugal", com Argentina Santos.

Em 1999 sai o álbum "Rumo ao Sul", em 2004, é editado "Fado velho" e passa actuar regularmente no restaurante típico Senhor Vinho. Foi convidado pelo pianista italiano Arrigo Cappellettí para participar como co-produtor e cantor num projecto que inclui a gravação de um CD com poesia contemporânea portuguesa, em conjunto com o bandoneonista Daniel di Bonaventura, o violoncelista David Zaccaria e o guitarrista Custódio Castelo. Em Itália, a Academia de Marco Poeta, distinguiu-o com o Prémio Carreira em reconhecimento do seu talento como cantor autor, produtor, instrumentista e impulsionador de novos talentos.

Em 2005, completou 30 anos de carreira artística, somando diferentes actuações em Portugal e no estrangeiro, de que destaca a Gala de Portugal – Noite de Fado, em Paris, com o patrocínio da UNESCO. "Memória e fado", editado o ano passado, conta com as colaborações de Egberto Gismonti, Toninho Horta, Zeca Assumpção, Wiliiam Galíson, entre outros. Ainda em 2005 recebe na I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues é-lhe atribuído o galardão de Violista-Compositor.

Em 2006 na II Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues recebe o galardão de Melhor Viola.

Actualmente integra o elenco da Casa de Linhares.

In: Programa das Galas de Fado Amália Rodrigues I e II

Jorge Fernando

canta de sua autoria, com música de Alfredo Marceneiro

LONGA NOITE

video postado por: casadofado

 

  

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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Natércia da Conceição - Fadista

 

Foi uma artista que surgiu muito jovem nas lides fadistas, tendo sido apadrinhada por Ercícila Costa e Berta Cardoso.

Em 1953 ingressou no profissionalismo, estimulada pela sua brilhante vitória num concurso organizado por um jornal de Fado, que se realizou no velho Café Salvaterra, onde obteve grande êxito.

Natércia da Conceição nasceu na castiça Vila Franca de Xira. Terra de aficionados taromáticos e garnde apreciadores de Fado.

Gravou uma dezena de discos para as etiquetas  Melodia,  Estúdio, Orfeu, etc.

Cantou na Emissora Nacional e Na Rádio Televisão Portuguesa.

Teve um vasto repertório com versos de conceituados poetas como, Domingos Gonçalves Costa, Francisco Ribeiro. Linhares Barbosa, Frederico de Brito, Jorge Rosa, etc.

Actuou em espectáculos no estrangeiro e foi cartaz em quase todas as casas típicas de Lisboa.

Nos anos setenta do século XX foi viver para os Estados Unidos, onde faleceu aos 75 anos de idade, a 15 de Outubro de 2009.

 

 

 

 

 

Natércia da Conceição com Alfredo Marceneiro

 

 

Uma amiga da Natércia com quem conviveu nos E.U.A.,  mandou-me mais dados sobre esta nossa querida amiga.                          

 

Natércia da Conceição nasceu em Vila Franca de Xira e aos 12 anos foi para Lisboa. Em 1970 veio para os Estados Unidos  e abriu a primeira casa de Fados na Nona Inglatera cuja dona  era Valentina Felix colega fadista, assim se deu inicio ao Fado, em 1970 o falecido Antonio Albero Costa abriu a primeira estação de rádio portuguesa em New Bedford e ela foi uma das loucutoras, nos anos 80 uma vez mais com a iniciativa de Alberto Costa abriram outra estação de rádio em Providence, Rhode Island, Radio Clube Português, foi a melhor loucutora que tivemos era uma pessoa extremamente culta,  com dignidade e paixão deu testemunho da lingua de Camões em terras americanas . Na vida artistica ensinou os seus guitarristas a tocar Viriato Ferreira, Antonio Rocha e José Silva, presentemente tanto Viriato Ferreira como José Silva têm a capacidade de tocarem para qualquer fadista que venha de Portugal. Natercia não só cantou como encantou, levou a fado á casa branca em Washington DC cantou para o presidente Clinton. diplomatas e politicos nos anos 90, era uma grande apaixonada de Argentina Santos e Amália Rodrigues e Lucilia do Carmo da malta nova que canta o fado em Portugal era apaixonada pela Cathia Guerreiro e nos Estados Unidos pela voz mais novinha Nathalie Pires, tinha uma grande admiraçáo por Ana Vinagre e dizia que era a unica que sabia cantar o fado na Nova Inglaterra. Ontem despedimo-nos da Natercia com os seus guitarristas a dizer-lhe adeus e Ana Vinagre a cantar o passeio de Santo Antonio, fado que ela adorava. As sua cinzas irão acabar no jardim botanico em Lisboa.
Cyndy Faria               

 

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Domingo, 31 de Julho de 2016

Gina Guerra - Cantadeira de Fados

(GINA GUERRA)Maria Georgina dos Santos Guerra, nasceu em Lisboa no Bairro de Campo d´Ourique a 13 de Janeiro de 1938.

Desde muito jovem que cantava o fado nas colectividades, até que aos 16 anos se inscreve no concurso de fados "Primavera do Fado", organizado pelos distintos poetas populares Francisco Radamanto e Carlos Conde, tendo arrebatado o primeiro lugar.

Inicia a sua carreira artística no teatro de revista como actriz.

O seu gosto pela música, leva a que se torne profissional e estreia-se na Viela, ao lado da consagrada Berta Cardoso e de Beatriz Ferreira, assim como de Sérgio, que era também proprietário da casa, onde se manteve 4 anos. Seguidamente, esteve no Timpanas e mais tarde com atracção no Maxime, integrada no espectáculo de folclore português, para turistas dirigido por Bártolo Valença.

É convidada pelo empresário Saavedra, e parte para Luanda para actuar no "Embaixador", "Retiro da Saudade" e "Largo do Chafariz"

Regressa a Lisboa, é contratada para o "Lar Português" do José Borges, no Bairro Alto, sendo cabeça de cartaz Alfredo Duarte Júnior.

Em 1968, grava o seu primeiro disco um EP, com quatro temas inéditos: Mãos de Fado, Feliz por ser aquela, Se ninguém te quiser e Fado da Tradição, edição da Marfer.

Em 1975, actua no Lobito com Vasco Rafael, Vicência Lima, Ana Carvalho e Carlos Macedo.

Até se aposentar, Gina Guerra esteve a cantar no Forcado no Bairro Alto.

Faleceu no dia 3 de Maio de 2008.

 

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Viva Lisboa: Fadistas...eu amo o Fado
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

ALCINDO DE CARVALHO

ALCINDO DE CARVALHO, nasceu em 1932 no Bairro Alto em Lisboa, o pai era alfaiate e ele também aprendeu a arte.

Tinha  dois irmãos, um deles tocava guitarra, e outro tocava viola, e  foi ele  que sentiu vocação pra cantar.
 Estreou-se profissionalmente no “Faia”, onde esteve vários anos  e mais tarde na Parreirinha de Alfama.

Tem uma dicção e tom de voz que muito se assemelham ao estilo de Carlos Ramos.

Gravou alguns discos e estreou-se na Televisão em 1974.
Lisboa Capital Mundial da Cultura em 1994, é convidado por Ricardo Pais, a participar num programa de fados no CCB,  com José Pedro Gomes e Carlos Zel .

Faz parte do espectáculo “CABELO BRANCO É SAUDADE”, com Ricardo Ribeiro, Celeste Rodrigues e Argentina Santos, cuja estreia foi em 2005 no Teatro Nacional S.João  no Porto,

espectáculo este, que já correu todo o país, assim como já teve vários apresentações no estrangeiro.

Foi homenageado em 2004 com o Prémio de Carreira, atribuído anualmente pela Casa da Imprensa".

Alcino de Cravalho faleceu em Lisboa a 8 de Dezembro de 2010

 

Alcino de Carvalho e Ricardo Ribeiro

 

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música: Partir é morrer um pouco
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Sábado, 23 de Julho de 2016

Mercado da Ribeira - História

Lisboa foi desde sempre uma cidade de mercadores.
Pelas ruas vendia-se um pouco de tudo. Com os cestos às costas ou a mercadoria no chão o mais pequeno espaço servia para o negócio. Com os descobrimentos este pendor mercantilista acentuou-se.
As naus traziam para o porto de Lisboa todo o tipo de produtos provenientes dos mais exóticos e longínquos recantos, assim no séc. XVI começou a haver a preocupação de arrumar a cidade e colocar os mercadores em locais específicos.
Foi então que surgiu o Mercado da Ribeira Velha. Ficava situado na zona do actual Campo das Cebolas, vendiam-se principalmente bens de primeira necessidade como hortaliças, peixe e fruta.
Em 1766, passados onze anos depois do terramoto que martirizou a cidade de Lisboa, o mercado foi transferido para ocidente do Terreiro do Paço (o local onde se encontra actualmente). Uma transferência inserida no plano de expansão da cidade traçado pelo Marquês de Pombal.
Começou a funcionar em 1771 e foi chamado de Mercado da Ribeira Nova, não era um mercado como hoje os concebemos,  era composto por 132 telheiros e cabanas com 256 bancas de venda, passava de um aglomerado minimamente organizado de comerciantes onde se continuava a vender de tudo.
Foi só no séc. XIX, mais concretamente em 1882 que abriram as portas do refeito Mercado da Ribeira Nova. O nome manteve-se mas desapareceram os telheiros e as cabanas. No mesmo espaço nasceu um edifício com uma estrutura em ferro que albergava no interior todas as bancas. A grande novidade era a existência de um corredor central onde o vendedores dispunham de água em abundância, o que permitia expor e conservar as mercadorias com cuidados de higiene inexistentes até então, sendo o projecto da autoria do engenheiro Ressano Garcia e foi aprovado em sessão camarária em 17 de Junho de 1876.
Passado onze anos da inauguração um gigantesco incêndio destruiu quase por completo o já por duas vezes inaugurado Mercado da Ribeira Nova. A  nova reconstrução demorou quase 30 anos, de 1902 a 1930, ano em que aparece então a cúpula que (ainda hoje existe). Uma cúpula que suscitou a curiosidade dos Lisboetas, pouco habituados a um mercado a funcionar num edifício deste género. O espanto foi tal que passaram a chamar-lhe a "Mesquita do nabo".
Foi então em 1930 e desta vez definitivamente que o Mercado da Ribeira ganhou a configuração preservada até hoje. A ele ficará para sempre ligado o nome de Frederico Ressano Garcia, com 27 anos o jovem engenheiro venceu um concurso para entrar nos quadros da Câmara Municipal de Lisboa, Dos quatro concorrentes para as duas vagas abertas, Ressano Garcia conseguiu o primeiro lugar e assume o cargo de engenheiro do Município  no ano de 1874.
O novo edifício já era muito mais que quatro paredes e oito portões para albergar vendedores. Os cuidados estéticos estiveram presentes no projecto, como é bem visível nos painéis de azulejos que ornamentam o átrio da entrada principal e o primeiro piso. No segundo andar começa a área restrita do mercado, é através de uma escada de pedra em caracol, que se chega á sala redonda com o piso em madeira e decorada com riquíssimos frescos assinados por Gabriel Constanti e datados de 1930.
O segundo andar serve como espécie de convite para se subir mais uns lances de escada, desta vez em ferro, que dão acesso ao local onde está religiosamente guardada uma das mais emblemáticas peças do edifício, o relógio da torre.
Fabricado em França na empresa "Horloges Bodet" era considerado um relógio revolucionário para a época. Mas a importância do relógio não impediu que a máquina estivesse parada quase 20 anos. Só em 1998 a Câmara Municipal de  Lisboa decidiu contratar um dos mais prestigiados relojoeiros portugueses,  António Franco para inspeccionar o relógio da torre. Em menos de um ano o sistema mecânico foi totalmente restaurado e o mostrador teve de ser feito de novo.

Um mostrador que guarda a assinatura do homem que permitiu que os cacilheiros voltassem a guiar-se pelo relógio da Torre do Mercado "FRANCO-LISBOA".
Outra escada em caracol conduz ao ponto mais alto do mercado. O piso onde está instalado o sino que dá as badaladas às horas e meias horas. Daqui pode observar-se toda a imponência do Tejo e ver atracar os cacilheiros que os ponteiros do relógio voltaram a guiar.
Mais tarde falarei do célebre “cacau da ribeira” onde ao raiar do dia começava a azáfama dos vendedores, e o inicio dos “moinantes” irem para casa.
Que saudades.

Amália Rodrigues

canta Namorico da Rita

de Artur Ribeiro e António Mestre

 

 

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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

MICÁ - Maria do Carmo

 

 

Maria do Carmo da Silva Justiniano, mais  no meio fadista como “Micá”, é alfacinha da gema,  nasceu no típico bairro da Madragoa a 20 Fevereiro 1937.

Em 1954 com 17 anos foi contratada para cantar no  Retiro Pampilho, que ficava na Calçada de Carriche em 1954,  cujo proprietário era Alfredo de Almeida o marido de Lucília do Carmo.

Casou e foi mãe, mas continuou sempre a cantar, e simultaneamente  começou também a ser modelo em desfiles de moda.

Em 1958, Esteve em África - Lourenço Marques como modelo de moda,  e enquanto lá esteve, cantava o Fado em retiros fadistas que havia lá haviam na época.

Há cerca de 20 anos sentiu um impulso e a necessidade psíquica de começar a escrever os seus próprios poemas, hoje tem registados na S.P.A. cerca de 30 originais, que têm sido cantados e gravados,  por ela própria e também por outros fadistas.

Eis uma quadra e uma sextilha de dois dos seu Fado primeiros poemas “Provérbio Sagrado”  e “Rejeito Falsidade”

 

Fé esperança e caridade

São palavras divinas

Que cabem, bem à vontade

Nas mentes mais pequeninas. (Fado Solene)

 

Lembrei-me de viver  (Fado Laranjeira)

Lembrei-me que nasci

Deixei aquele tempo louco e desordenado

Ficou ao abandono o tudo que não vi

P´ra não cantar saudade

Na voz deste meu fado

 

Micá canta num estilo de fado antigo, o que leva a que haja quem afirme que,   a sua forma de cantar faz lembrar Marceneiro, no feminino evidentemente.

A sua carreira tem sido feita passando pelas mais consagradas casas de fado e restaurantes típicos de Lisboa, actuou também no teatro,  na rádio e em digressões ao estrangeiro.

Sou amigo da Micá há muitos anos, conheci-a no Galito no Estoril, fiquei seu “fan” desde que a ouvi cantar a primeira vez, há já alguns anos que não nos víamos,  numa das minhas idas a Alfama, vimo-nos, abraçámo-nos e recordámos velhos tempo, logo ali lhe prometi,  que lhe iria fazer um vídeo-clip e apresentá-la neste blogue, decerto, que concordarão comigo que é uma grande fadista.

 

 Micá canta: Lágrima

Poema de: Adriano dos Reis

Música de Alfredo Marceneiro (Fado Laranjeira)

 

 

 

 Micá canta: Bailado das Folhas

Poema de: Henrique Rêgo

Música de Alfredo Marceneiro "Fado Bailado"

 

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música: Fado Bailado e Fado Laranjeira
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

MARIA PEREIRA

 

Maria Pereira é uma minhota que nasceu em Vila Nova de Cerveira, a 4 de Fevereiro de 1914, Muito cedo veio para Lisboa, e logo se enamo­rou da cantiga de Lisboa, começou  a cantar   o Fado, o público ouviu, gostou e aplaudiu-a entusiasticamente, e assim apareceu uma nova cantadeira de Fados.

Aos vinte anos já cantado  em várias casas de Fados.

Bem perto de Lisboa, o Ribatejo com as suas esperas de toiros, o gado, as lezírias, os campinos e as suas fainas fazem vibrar a sua sensibilidade, é notória tal paixão, esta manifesta-se nas muitas das letras  que canta sobre o Ribatejo, tendo sido na sua época, a  artista que mais fados dedicou aquela região.

Fez parte do elenco inicial do programa "Companheiros da Alegria de Igrejas Caeiro", a partir de 11 de Agosto de 1951, onde um dos grandes objetivos,  era acompanhar a Volta a Portugal em Bicicleta.

Maria Pereira  cantou em todo o  Portugal e nas antigas colónias. Em Moçambique- Lourenço Marques havia muitos turistas sul-africanos, que falam a língua inglesa, Maria Pereira mandou traduzir as letras do seu vasto repertório, para que os mesmo percebessem os temas cantados.

Teve um contrato em exclusivo  com a ROBBIALLAC, para umas dezenas de espectáculos, dedicados aos  funcionários e aos clientes da marca, tendo até gravado um disco para a referida marca de tintas:

 

Por Deus pintada

A cor é vida

….

Pinta, pinta, pinta  com a tinta Robbiallac

Que é a tinta que mais pinta, que mais dura

Quem não pinta com a tinta Robbiallac

Pinta, pinta para borrar sempre a pintura

….

 

Maria Pereira era conhecida pelas suas actuações prolongadas. Em cada espectáculo nunca cantava menos de 30 ou 40 números, houve um,  que se pensa foi o seu record, pois cantou cerca de 70 números seguidos.

(Ao tempo, costumava-se dizer quando alguém cantava mais de que 3 a 4 Fados: — É pá, estás armado em Maria Pereira?

Mais tarde abriu o Restaurante Típico Painel do Fado, ao Bairro Alto, onde cantava todas as noites e também  outros artistas por ela contratados.

Maria Perira , gravou para quase  todas as editoras de discos portugueas, duarnte toda a sua carreira gravou mais de cem temas.

 Maria Pereira, faleceu em Lisboa a 9 de Janeiro de 2003.

 Nota: Esta biografia foi postada pela primeira vez neste blogue em 2007

 

 

 

 

 

BAIRRO ALTO

 

Letra de Silva Bastos

 

Para veres que fui sincera

A tudo que prometi

Vem à Travessa da Espera

Que eu estou à espera de ti.

 

Na hora em que o Sol desmaia

Desejando ser mais tua

Hás-de ver-me de atalaia

Rezando o nome da Rua.

 

O Destino era o mais forte

Na luta em que fui vencida;

Estava na Rua do Norte

O norte da minha vida.

 

Antes de tanta desdita

Era tão linda e formosa

Como a Rosa mais bonita

De toda a Rua da Rosa.

 

Mas se há Ruas verdadeiras

E horas de fome e fartura

Na Rua das Salgadeiras

Provei o sal da amargura.

 

E hoje que tudo passou

Já não me resta mais nada

Sou a cinza que ficou

Da Travessa da Queimada

 

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Viva Lisboa:
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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