Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017

Vítor Marceneiro - Os Fados da minha vida "O Fado de Cada Um" de Amália

 Vítor Marceneiro aos 6 anos

A primeira vez que entrei numa sala de cinema, foi para ver o filme, História de uma Cantadeira interpretado por Amália Rodrigues, o filme estava em exibição no Cinema Paris, à Estrela ( o edificio ainda lá está, embora em ruinas), quem me levou foi  minha tia Aida. Naquele tempo,  os miúdos desde que acompanhados por um adulto, não pagavam bilhete, mas teriam que ficar sentados ao colo do adulto, se a lotação estivesse esgotada.

Tinha cerca de 6 anos e recordo que  fartei-me de chorar, é que  minha mãe tinha falecido há relativamente pouco tempo, e aquela "linda senhora do filme", fez-me recordá-la,  vendo a foto de minha mãe, poder-se-à entender como para uma criança haviam tais parecenças, minha mãe tinha faleceu com  25 anos de idade,   razão porque fui viver com os meus avós Alfredo e Judite.

  

Mariete Duarte mãe de Vítor Marceneiro

Passado que foram alguns meses, venho a conhecer a tal "linda senhora!", e pasme-se,  ela era uma grande amiga do meu avô,  foi numa manhã em que ela após uma das muitas noites  de Fado que estiveram juntos,  lhe dava boleia  para casa  e onde acabava  também por ficar a comer uma sopa da "Ti Judite, pois é,  a tal senhora era a saudosa Amália Rodrigues. 

 

Apontamento retirado do filme

História de uma Cantadeira

Amália canta "O Fado de Cada Um"

 

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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2017

VICTOR DUARTE - Discos e Censura

O Dueto dos Marceneiros_.jpg

Capa do EP - Discos Estúdio

Alfredo Marceneiro & Vítor Duarte

Cantam Duetos: Lucinda Camareira e O Camponês e o Pescador

 

Em 1972 já depois de ter gravado a solo e em dueto para a etiqueta Estúdio – Emílio Mateus, sou convidado para gravar um EP para a etiqueta Parlophone- Valentim de Carvalho, sendo-me dada a honra de ser acompanhado por José Nunes à guitarra, e Francisco Peres (Paquito) à viola.

Os temas foram escolhidos por mim, e é quando o saudoso Artur Ribeiro, me escreve um Fado original, como já tive oportunidade de aqui referir, “Mais Um Entre Tantos”, escolhi ainda, do repertório de meu avô, “Vestido Azul” poema de Henrique Rego, e também  “Não Me Queres, Não Admira”, de Frederico de Brito, que lhe pedi directamente não só autorização, como os versos que eu não tinha, pois só conhecia o mote, que julgo já tinha sido cantado e talvez gravado por outro artista, o que na realidade desconheço, e finalmente “Sangue de Heróis” do meu saudoso Carlos Conde, que deu o título ao disco, e que escreveu o prefácio na contra-capa.

 

 

                                   

 

Texto da contra-capa:

Ao longo dos séculos, a terra portuguesa tem sido cenário de lutas intemeratas, de glórias, de amores e de mágoas.

Mas nas lutas. como nos amores, nas mágoas como nas glórias, souberam os portugueses cunhar um destino. E a sua maneira de ser e de viver fez uma Pátria, uma Raça, um Povo e, mais do que tudo isto: uma Alma.

E se a canção é, por vezes, a Pátria, ela está, também, em versos, nas vozes que os cantam, na intenção que os sugere, na saudade que corta todos os silêncios e chora todas as angústias.

 

 O disco foi censurado, na face B, pelo então Director de Programas da Emissora Nacional.

 

 

Caro Vítor  Duarte,                         

Em resposta ao seu pedido enviamos 4 imagens digitalizadas do EP Parlophone 8E 016-40236 [cota EN: A-382] — três das quais testemunham os procedimentos de censura por si mencionados.

 

Na imagem da contracapa é legível a seguinte inscrição: “Proibidas – Exmo. DSP – 12/12/72”. A sigla “DSP” correspondia, na Emissora Nacional a “Director dos Serviços de Programas”. Também o disco apresenta marcas feitas com lápis de cera amarelo com o objectivo de impedir a sua reprodução.

 

Cedemos estas imagens exclusivamente para a utilização declarada – utilização no blogue Lisboa no Guiness. A proveniência das imagens deve ser tornada explícita com a seguinte menção: “Rádio e Televisão de Portugal - Arquivo da Rádio”.

 

Ficamos ao seu inteiro dispor para qualquer esclarecimento adicional,

 

Com os melhores cumprimentos,

Eduardo Leite
Chefe de Departamento

Rádio e Televisão de Portugal
Arquivo da Rádio

 

Na face B, estão os temas, "Não me queres não admira" e Mais Um Entre Tantos   

                                         

Vítor Duarte canta:

 

Não me queres, não admira

Letra de Frederico de Brito

Musica Fado Marcha de Alfredo Correeiro                                                                                                                                                                                                                                  

Vítor Duarte canta:

Mais um Entre Tantos

Letra de Artur Ribeiro

Musica Fado Alexandrino Laranjeira de Alfredo Marceneiro

 

Mas a censura, não ficou por aqui, Armando Marques Ferreira, que na altura tinha um programa na Rádio Renascença, anulou uma entrevista, que tinha marcada comigo, dizendo-me, que após ouvir o disco, não dava cobertura a simpatizantes da guerra do ultramar, (!) .

O certo é que o disco nunca passou nas rádios.

A face "B" já se viu porquê.  A  face "A" por causa do tema "Sangue de Heróis", de Carlos Conde.

Houve também alguns amigos meus,  que embora sabendo bem quais as minha convicções (e, em que águas eu navegava, desde os tempos de estudante) que me chamaram reaccionário,  e mesmo explicando-lhes que o poema era do poeta talvez mais censurado de Fado, por ser anti-regime, o tema fala de patriotismo, que nos anos trinta,  altura em que Hitler já estava no poder na Alemanha, e era do conhecimento geral, que  queria dominar toda a África, e as colónias portuguesas na altura, eram por ele cobiçadas, qualquer português digno desse nome, se indignava,  mas pasme-se, até  nessa altura a censura, proibiu que a letra fosse cantada, porque era uma provocação! 

Dois anos depois veio o 25 de Abril,  e alguns desses que  se desagradaram com o tema do Fado...... que me chamaram reaccionários, encontrei-os do outro lado ...... não digo mais.

Ainda hoje tenho todo o orgulho como português, do conceito do Fado, e aqui realço os seus versos finais,

 

                      Diz ao mundo, grita aos sóis

                      Enche os céus da nossa glória

                      Num clarão vasto e profundo

                      Que só com sangue de heróis

                      Portugal ergueu  história

                      Nas cinco parte do mundo 

 

Vítor Duarte canta:

Sangue de  Heróis

Letra de Carlos  Conde

Musica Fado Cravo de Alfredo Marceneiro

                                      

Nota: Esta página foi publicada pela primeira vez em 27 de Janeiro de 2008

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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

2017 - Façam-me o Favor de Serem Felizes

Cartão Bom Ano 2017.jpg

 

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Maria Emília Sobral - Fadista

Emilia Sobral2.jpg

Na realidade, foi batizada como Maria Emília Ferreira Lima, a Mila para os amigos e familiares, nasceu na Barqueira a 19 de Julho de 1945, junto à Vila de Sobral de Monte Agraço, Vila onde  viveu a sua infância, lá estudou e é  lá tem ainda hoje tem a sua residência.

O seu primeiro emprego foi no Colégio Moderno, em Lisboa, depois trabalhou em diversas empresas no Sobral de Monte Agraço, até á sua  reforma.

Desde muito jovem que se sentiu atraída pelas artes, mas no Fado começou a destacar-se a partir de 1970, nas festas da Vila,  em especial na  “Tasca do Carreiras”,  tal como outros amigos sobralenses, destacando-se,  o Egídio, o António Jordão, todos lá cantavam,  mas  á “cappela”.

A primeira vez que se apresentou em público devidamente acompanhada  com guitarra e viola, foi numa Festa de Natal dos Bombeiros Voluntários do Sobral de Monte Agraço, em 1972, onde teve enorme êxito sendo estrondosamente aplaudida.

Foi o ponto de partida para ganhar confiança e começou a ir para Lisboa, frequentando as Tertúlias de Fado, onde sempre foi muito bem recebida e onde cultivou muitas amizades e admiradores.

Entre  os seu admiradores,  estava o seu amigo Manuel Tavares, que à altura,  era trabalhador da RTP,  que a convidou para uma Festa de Natal dos Trabalhadores da RTP,  o que aconteceu por dois anos seguidos, tal foi o seu desempenho. Nestas festas, foi acompanhada na guitarra portuguesa  por António Chainho,  e na viola pelo José Maria Nóbrega,  que muitos gostaram do seu estilo de cantar,  deste encontro nasceu uma amizade, que  mais se cimentou,  quando da  gravação do seu primeiro Disco  EP,  para a etiqueta  Alvorada  em 1976,  pois o elenco musical foi o  Conjunto de Guitarras de António Chainho, composto pelo próprio, pelo guitarrista José Luís Nobre Costa, o viola de acompanhamento José Maria Nóbrega, e o viola-baixo Raúl Silva. Neste trabalho, Maria Emília Sobral,  dá-lhe o titulo “Meus Senhores Chamo-me Fado” , tal como o  letra do Fado que canta,  da autoria de Luiz Miguel Oliveira, é de lembrar que estávamos em 1976 e o Fado era muito contestado e apelidado de reacionário, senda esta letra,  um grito de defesa do próprio Fado, canta ainda,  “O Fado Monte Agraço”. “O Fado de Abril” e “Vejo-te ao Longe Partindo”.  Em 1978, grava o seu segundo EP, também para a etiqueta Alvorada e novamente com o Conjunto  de Guitarras de António Chainho,  com os temas: “Mensagem”, “Sardinha na Brasa”, “De Novo” e “Não Passo de Ser Nada”

 Meus senhores , chamo-me Fado (2).jpgMeus senhores , chamo-me Fado (1).jpgMeus senhores , chamo-me Fado (4) (1).jpg

Em 1977,  iniciam-se as suas deslocações para o estrangeiro,  contratada para cantar,  esteve três meses na África do Sul, onde Cantou em Joanesburgo, no Cabo e em Durban, integrada numa digressão artística,  a que chamaram “Caravana da Saudade”, digressão esta muito assinalada, quer nos jornais,  revistas e na Rádio local.

Em 1978, foi à Holanda, com Arlindo de Carvalho, com a Ágata (nessa altura Fernanda de Sousa) e outros artistas, onde atuaram em Haia, Amsterdão e Roterdão.

Ainda em 1978 na sequencia  do êxito do seu segundo EP, atuou no programa da RTP – Último Fado.

Em 1979, voltou á Holanda,  esteve em Antuérpia, na Bélgica, seguindo-se  Alemanha, em Singen.

Em Portugal, fez muitos espetáculos em festas de beneficência, assim como, atuações em casas de Fados , Adega da Matilde, o Castiço, o Embuçado, o Nove e Tal, o Pátio das Cantigas, entre outros.

Em 1988 voltou à Africa do Sul, convidada para as Comemorações Oficiais do Dia de Portugal, tendo atuado em Joanesburgo, Pretória e Windhoek.

Regressada a Portugal conheceu o companheiro da sua vida, Diamantino Calisto e, em 1991, decidem ir  para Angola, para tentarem uma nova  experiência nas suas vidas, não foi  nada fácil, dadas as condições politicas e sociais em Angola,  nessa época. Abrem um restaurante, “O Pátio Alfacinha”, e como em Angola também se aprecia o Fado,  passam  a dar frequentemente, sessões de Fado,  foi várias vezes contratada para atuar,  no Hotel Ritz, no Méridien,  no Vitória Garden, na Casa 70, na Associação 25 de Abril, e na Embaixada de Portugal em Luanda,  ao lado de Carlos do Carmo, Camané, Beatriz da Conceição, Ricardo Ribeiro, Rodrigo, entre outros.

Como fadista que é,  nunca deixou de cantar, sempre que é convidada ou como muitas das vezes acontece e vem até á Lisboa Fadista, onde é sempre recebida carinhosamente.

Tenho um carinho muito especial pela Mila, fui seu vizinho no Sobral de Monte Agraço, terra onde nasceu a minha filha Beatriz.

Maria Emilia Sobral

Canta: Sardinha na Brasa

 

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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016

JOSÉ PRACANA - Faleceu nesta madrugada- O FADO ESTÁ DE LUTO

JOSÉ PRACANA, ( O KANA para os amigos) nasceu a 18 de Março de 1946 em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores. Em 1956 veio residir para Lisboa com os pais e os irmãos

Iniciou a sua carreira artística em 1964 como fadista-amador, estatuto que sempre manteve, cantando e imitando em festas de estudantes. Frequentou várias casas de Fado-Amador que existiram no Estoril e em Cascais, onde aos fins de semana se juntava a José Carlos da Maia, Carlos Rocha, que em 1965 lhe proporciona as primeiras lições de guitarra portuguesa, João Ferreira-Rosa, António Mello Corrêa, Francisco Stoffel, João Braga, Teresa Tarouca, Carlos Guedes de Amorim, Francisco Pessoa e outros.

Em 1968 actuou pela primeira vez na RTP, num programa das Forças Armadas. Em 1969 foi ao Zip-Zip.

Em Dezembro de 1969, com Luís Vasconcellos Franco, seu conterrâneo, inaugurou o Bar de Fados Arredo, em Cascais, que dirigiu até 1972, ano em que abandonou a actividade empresarial para trabalhar na TAP  onde exerceu as funções de Comissário de Bordo e de funcionário da Direcção de Relações Públicas/Relações Externas e Protocolo da TAP/Air Portugal.

Na RTP participou no Curto-Circuito em 1970, programa de Artur Agostinho e João Soares Louro. A convite da RTP produziu o programa Vamos aos Fados, em 1976, uma série de cinco programas da sua autoria. Em 1985 entrou no programa televisivo de Carlos Cruz, "Um, Dois, Três". João Maria Tudela convidou-o para a RTP em 1987, actuando em Noites de Gala. No ano seguinte Simone de Oliveira teve a mesma iniciativa no Piano Bar. Em 1991 Júlio Isidro levou-o a Regresso ao Passado. A convite da RTP-Açores fez uma série de cinco programas com o título Silêncio Que Se Vai Cantar O Fado, em 1993. No ano seguinte Herman José convidou-o para Parabéns. Em 1995, Carlos Cruz fê-lo entrar em Zona Mais. etc.

Grande admirador de José Nunes e seu seguidor no estilo em que toca guitarra, e também de Alfredo Marceneiro.

Nos últimos anos regressou aos Açores onde vive actualmente.

José Pracana nos últimos tempos tem lutado contra uma doença que tem debilitado, mas estou crente que não o irá derrotar.... E Graças a Deus não derrotou.

Felicidades “Kana”

Infelizmente hoje dia 26 de Dezembro tive a triste de notícia que o KANA, já não está entre nós.

 

 
 

 

 

 

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

ALFREDO DUARTE JÚNIOR - Fadista Bailarino

QUE SAUDADES....

ALFREDO DUARTE JUNIOR

 

 

Faria hoje 92 anos de idade, se o meu saudoso pai estivesse entre nós, nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel, a 23 de Dezembro de 1924. 

Foi apelidado de "Fadista Gingão" porque começou a dar às suas interpretações uma coreografia , inédita no Fado, o que lhe valeu muitas críticas, mas ainda hoje é relembrado e há muitos fadistas que o imitam, e com admiração, quer no gingar, quer usando o lenço, ou boné.
Por fim chamaram-lhe o "Fadista Bailarino" uns gostavam, outros não, mas meu pai marcou um estilo muito seu, e tem por mérito próprio um lugar na História do Fado, embora no Museu do Fado, onde até cantou na inauguração, não tem lugar naquele vasto painel de fotos. Não seria lógico estar ao lado de seu pai? Será porque eu ser "persona no grata"? É  legítimo que eu questione, será que as "Três Gerações de Fado" - Avô, filho e neto, quer se goste ou não, não são um facto histórico do Fado?

Alfredo Duarte Júnior nos anos sessenta foi Rei da Rádio num concurso que era na época organizado pela revista "Plateia" da Agência Portuguesa de Revisras.

Ainda na memória dos verdadeiros amantes do Fado, como  «Castiço  e/ou  fadista bailarino» Alfredo Duarte Junior, sempre fez por honrar o nome do seu pai, Alfredo Marceneiro. 

Cantou em muitas casas de Fados, mas destaca-se a A Severa, na Viela, a Adega Machado, etc.

Faleceu a 6 de Junho de 1999, na casa onde viveu cerca de 30 anos na Rua do Cura à Madragoa.

A carreira de Alfredo Duarte Junior, meu pai merece, e terá decerto, um interessante e importante capítulo para o recordar, na história do Fado.

Na época do Natal, cantava sempre o Fado "Aí Vem o Natal" cuja letra é da autoria de Carlos Conde, afirmando que era o seu cartão de Boas Festas, para todos os amigos e admiradores.

 

Aí Vem o Natal

 

 

 

 

 

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Viva Lisboa: Fadista de Raça
música: Aí vem o Natal
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016

SAÚDO TODOS OS POVOS DO MUNDO

Cartão de Natal 2016.jpg

 

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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016

Vítor Marceneiro - Poema à ÁRVORE

 

No Natal,  durante muitos anos,   o pinheiro era a árvores que levávamos para casa para decorar e  comemorar o Natal, havia muito abate indiscriminado,  que muito prejudicava a floresta, mas o abate pela necessidade do  repovoamento  pinhal,  ébenéfico, mas nem toda a gente assim o entendia e o estado estava atento.

Como profissional de cinema fiz alguns alguns filmes para  a então Direcção Regional das Florestas, com mensagens pedagógicas, hoje já não é tanto assim pois as árvores são artificiais.

Quando os meus filhos eram mais pequenos fiz este filme com eles para os sensibilizar e li o poema.

ORAÇÃO DA ÁRVORE

 

Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal, olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de Inverno;
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de Agosto;
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
A t á bua  da tua mesa, a cama em que tu descansas
E o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada,
A madeira do teu berço, o aconchego do teu caixão.
Eu sou o pão da bondade e a flor da Beleza.
TU QUE PASSAS, OLHA-ME E NÃO ME FAÇAS MAL.

VideoClipe: Realização Vítor Duarte Marceneiro

Figurantes: Alfredo Duarte e Beatriz Duarte (4ª Geração de Marceneiro)

Ideia recolha de fotos na net: Alfredo Duarte

Palavras ditas por: Vitor Duarte Marceneiro

Música: Fado Ana Maria de Alfredo Marceneiro

Interprete: Arménio de Melo à Guitarra. Viola Jaime Santos, Viola Baixo José Elmiro

 

 

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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

LISBOA, meu berço que eu amo.

Oh! Lisboa, minha querida Lisboa,  

teres sido a minha cidade  berço

foi uma ventura divina.

Cescer e viver em ti,  foi uma benção.

Amar-te é um dever, é profissão de fé.

Cantar-te são declarações de amor.

Mas através de ti, receber poemas que são para ti,

incluindo afagos para mim.... é um honra, é um orgulho.

Amo-te Lisboa

Assina Vítor Duarte (Marceneiro)

                            NOSSA SENHORA DO FADO

 

Lisboa é terço rezado

Nos passos de cada passo

Madrigal,cantar,jardim

Lisboa é uma aguarela

Que desanda n'um bailado

Em olhos d'olhares sem fim

 

Nossa Senhora do Monte

Desce em veleiro da Graça

Sangra a colina a descer

E segue a seguir p'ró Tejo

P'ró meu terreiro sem paço

Dos meus passos a doer

 

                            Lisboa é fado de luz,

                            Nossa Senhora da Luz

                            Desata-me o corpo ao céu

                            Dá-me o farol do teu mar

                            E desagua o luar

                            No cantar do fado meu

 

                            Lisboa é luar ao vento,

                            Três almas de Marceneiro

                            Que a levam de braço dado

                            Ai, meu amor cantadeiro

                            Não te percas d'esse jeito,

                            Nossa Senhora do Fado! 

    

Para o Vítor com um xi-coração.

m.josépraça.

 

                       

 

 

                       TENS NO OLHAR SETE COLINAS

 

                              Tens n' olhar sete colinas 

                               Tens cantigas e marés 

                                Tens quadras de Santo António

                                  Brumas de Fado a teus pés

 

És terra à beira do rio

És fado a rasgar o tempo

Tens nas mãos-das-tuas-mãos

Asas que voam no vento 

 

                              És peregrino de Lisboa

                               Solidão de mar de nardos

                                Guardas terraços nos olhos

                                 Rasgados em mil pedaços

 

És estio de namoro santo

Porque quem poisar em ti

Vai p'ró céu de sete céus,

Sete colinas de ti ... ...  

 

Beijinhos de mim para ti.

Eu.

 

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música: Nossa Senhora do Fado - Tens no Olhar Sete Colinas
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

Fernando Pessoa - A FELICIDADE EXIGE VALENTIA

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
Fernando Pessoa

 

Poema de Fernando Pessoa


Há uma musica do Povo
Nem sei dizer se é um Fado
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…
Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…
Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

 

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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

FERNANDO ASSIS PACHECO - Poeta, Escritor e Jornalista

 

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, nasceu em Coimbra no dia 1 de Fevereiro de 1937 e faleceu em Lisboa a 30 de Novembro de 1995. Notabilizou-se como jornalista, crítico , tradutor e escritor . Filho de pai médico e de mãe doméstica , licenciou-se em Filologia Germânica pela Universidade de Coimbra, tendo vivido nesta cidade até que foi chamado para o serviço militar em 1961 Desde muito jovem se interessou pelas artes e letras, foi actor de teatro (TEUC e CITAC) e redactor da revista Vértice, o que lhe permitiu privar de perto com o poeta neo-realista Joaquim Namorado e com poetas da sua geração, como Manuel Alegre e José Carlos de Vasconcelos. Publicou a primeira obra em Coimbra, com o patrocínio paterno, “Cuidar dos Vivos” , livro estreia, com poemas de protesto político e cívico, com afloramento dos temas da morte e do amor. Em apêndice, dois poemas sobre a guerra em Angola, que terão sido dos primeiros publicados sobre este conflito. O tema da guerra em África voltaria a impor-se em Câu Kiên: Um Resumo (1972), ainda que sob "camuflagem vietnamita", livro que em 1976 conheceria a sua versão definitiva: Katalabanza, Kilolo e Volta. Memória do Contencioso (1980) reúne "folhetos" publicados entre 1972 e 1980, e Variações em Sousa (1987) constitui um regresso aos temas da infância e da adolescência, com Coimbra como cenário, e refinando uma veia jocosa e satírica já visível nos poemas inaugurais. A novela Walt (1978) comprova-o exuberantemente. Era notável em Assis Pacheco a sua larga cultura galega (origens do avô), sobejamente explanada em alguns dos seus textos jornalísticos e no seu livro Trabalhos e Paixões de Benito Prada. Em 1991 publica a “A Musa Irregular” em que reuniu toda a sua produção poética. Nunca conheceu outra profissão que não fosse o jornalismo: deixou a sua marca de grande repórter no Diário de Lisboa, no jornal A República, no JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, no Musicalíssimo e no Se7e, onde foi director-adjunto. Foi também redactor e chefe de Redacção de O Jornal, semanário onde durante dez anos exerceu crítica literária, tendo sido também colaborador da RTP. Entre os seus poemas destaco dois, Última Tesão e Nini dos meus Quinze Anos, este último musicado e cantado por Paulo de Carvalho. Fui um dia apresentado a Fernando Assis Pacheco, por um amigo jornalista que lhe informou quem era o meu avô, confidenciou-me que para ele havia dois tipos de Fado: — O outro e o de Marceneiro. Penso que nunca escreveu nenhum Fado, mas podia ter escrito, tinha “Alma” para tal. Escreveu um poema bem popular que já referi “Nini dos meus Quinze Anos”, mas que nas suas biografias, nem sequer é referido… Porque será? Se calhar até escreveu alguns Fados… Quem sabe se também foram ignorados!

ÚLTIMO TESÃO

De: Fernando Assis Pacheco

Alombo contigo há uma porção de anos
e vou-te dizer és um chato
não tens ponta de paciência
para a vida nem para ti próprio

já te ouvi discursos a mandar vir
já te carreguei às costas
bêbedo como um Baco de aldeia
mijando as ceroulas
és um adolescente retardado
faltou-te sempre a quadra do bom senso

vez por outra um livrinho
de versos vez por outra nada
qualquer um do teu tempo
está bastante melhor do que tu
deputado administrador de empresa
ministro da maioria
puta (alguns chegaram a isso)

só tu meu inocente brincas com a neta
açulas o cão pedindo
à família que te ature
o tipo um dia destes morde-te
que é para aprenderes

mas aqui entre amigos
vou-te dizer também
uma coisa importante não cedas
à tentação de mudar
fica nesta pele que é tua

como é que tu escrevias
merdalhem-se uns aos outros
o país mete dó
guarda o último tesão
para mandares
meia dúzia de canalhas à tábua


PAULO DE CARVALHO

De: Fernando Assis Pacheco
Canta: Nini do Meus Quinze Anos


Nini dos Meus Quinze Anos

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só p´ra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda sempre assim
Nini dançava só p´ra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só p´ra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só p´ra mim

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Viva Lisboa: Grande Jornalista e não só.
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

ANA ROSMANHINHO

Nasceu em Lisboa na freguesia de São Sebastião da Pedreira.

Começou a apreciar o Fado, desde muito jovem,  incentivada por sua mãe, que embora não cantasse, era uma grande admiradora do Fado.

Ana Rosmaninho era uma  linda "miúda" como o meu avô lhe chamava, tinha também uma voz muito bonita e melodiosa.

Como profissional começou a cantar aos 17 anos na Viela.

Cantou seguidamente no Faia, onde passa a conviver mais de perto com meu avô, que por ela tinha um carinho muito especial, e foi por sua decisão que Ana Rosmaninho canta com ele, no programa de televisão "Marceneiro é só Fado", gravado pela RTP em 1967.

Foi convidada várias vezes para actuar no Casino Estoril e gravou um disco.

Sua mãe chegou a ter um pequeno restaurante no Bairro Alto, onde chegou a haver grandes fadistisses .

Convivi muito com ela, quer no Faia quer no Arreda em Cascais, fui seu amigo e grande admirador.

Infelizmente, Ana Rosmaninho, deixou-nos prematuramente, vítima de uma doença fatal, tinha pouco mais de 30 anos de idade, teria decerto tido uma grande carreira no Fado.

Meu avô,  tinha por ela um carinho muito especial, e foi por sua decisão que Ana Rosmaninho canta com ele, no programa de televisão "Marceneiro é só Fado", gravado pela RTP em 1967. Foi uma demonstração da sua admiração pelas novas gerações do Fado, com  Fado na alma obviamente... 

 

Ana Rosmaninho canta

 Bairro Alto

de Frederico de Brito e Carlos Rocha

 

 

                                                       

 

Quando acabei de publicar esta página, recebi uma mensagem do meu querido amigo Fernando Batista,  grande amante do Fado, nasceu e vive no  Porto, é o decerto o maior coleccionador de discos de vinil de Fado, em Portugal,  e que me tanto me tem ajudado.

 

AMIGO VICTOR DUARTE : EM PRIMEIRO LUGAR DEIXE FELICITÁ-LO PELO TRABALHO QUE TEM FEITO EM PROL DO FADO E DOS FADISTAS . PENA QUE ALGUMAS PESSOAS QUE O PODIAM SECUNDAR NESSE SEU OBJECTIVO ( DE PÔR LISBOA NO GUINESS ) NÃO O FAÇAM . A ISTO CHAMO ( QUE ME PERDOEM ) EGOISMO . NASCIDO , CRIADO E RESIDENTE NA CIDADE DO PORTO ( RAMALDE , FREGUESIA DE ONDE É NATURAL O GRANDE MESTRE DA GUITARRA PORTUGUESA , JOSÉ FONTES ROCHA ) NÃO ME POUPAREI A ESFORÇOS PARA QUE CONSIGA ATINGIR A META A QUE SE PROPÔS . PERMITA-ME PARA TERMINAR , FAZER UMA CORRECÇÃO QUE SE RELACIONA COM A FADISTA ANA ROSMANINHO . AO CONTRÁRIO DO QUE O MEU AMIGO AFIRMA , A REFERIDA FADISTA GRAVOU PELO MENOS ( 2 ) DISCOS . AMBOS DA ALVORADA . ( 1 ) EM 1975 E ( 1 ) OUTRO EM 1977 ( DO QUAL ENVIO A RESPECTIVA CAPA . CERTO DE QUE VAI LEVAR A BOM PORTO ESSA SUA TAREFA ME DESPEÇO ENVIANDO SAUDAÇÕES FADISTAS .  ( FADOPORTO )

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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

IO APPOLLONI - Portuguesa-Italiana

A minha amiga Io Apollonni vai estar presente num evento levado a efeito no dia de São Martinho a 11 de Novembro de 2016 pela AssociaçCaravela Ouro 20162.jpgão Cultural de Fado "O Patriarca do Fado" Alfredo Marceneiro (ver cartaz)

 

 

 

ENTREVISTA A IO APPOLLONI

Poemas na Minha Vida' em digressão por Lisboa

Dia 17 de Novembro Sociedade de Instrução Guilherme Consul

Avª. D. Carlos I, 61 - 1º - 1200-647 Lisboa

Dia 25 de Novembro Centro Cultural de Carnide

21.30 Horas ENTRADA LIVRE

Rua do Rio Cávado, 3A - Bairro Padre Cruz

Nota: Entradas livres

"Dentro de mim tenho duas pátrias, duas culturas...  

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Se há mulheres que marcaram uma época no teatro português, Io Appolloni foi, indiscutivelmente, uma delas. A atriz italiana que Portugal conquistou nos idos da década de 60 do século passado está agora de regresso aos palcos de Lisboa com o recital Poemas na Minha Vida. E se este espetáculo era o principal tema da entrevista, depressa uma vida tão rica se intrometeu no alinhamento. Até porque Dario Fo morrera dias antes deste encontro…

Como é que soube da morte de Dario Fo?

Estava a ensaiar em Almada [Io terá uma participação especial no novo espetáculo da Companhia de Teatro de Almada, Noite da Liberdade, de Ödön von Horváth] e dão-me a notícia como se me estivessem a convidar para um café. Fiquei destroçada, porque convivi com ele e com a Franca [Rame], dormi em casa deles… Admirava muito a Franca, uma mulher fabulosa. Creio que ele foi esse grande autor porque tinha a seu lado uma mulher como ela.  

Refiro Dario Fo porque, provavelmente, o que muitos desconhecem é que foi a Io que o deu a conhecer aos portugueses…

Em 1975, com O Funeral do Patrão. Pouco antes, tinha estado com o meu companheiro, o Eduardo Geada, em Roma e em Milão, e comprei

grande parte da obra publicada do Dario. Quando voltámos, decidimos encenar esse texto e, imagina só, o sucesso que por esses dias a peça teve… também, com um título daqueles! [risos] O espetáculo foi filmado e transmitido pela RTP. Mais tarde, em Gubbio, na minha província natal que é Perugia, vou ao encontro dele e conto-lhe a nossa experiência em Portugal com O Funeral do Patrão. É assim que consigo Casal Aberto, peça que o Dario e a Franca ainda não haviam feito, e que eu vou estrear em Portugal em 1984. Foi tamanho o sucesso que corremos o país e ainda fizemos uma digressão por vários teatros de Lisboa.

Falemos agora do espetáculo Poemas na Minha Vida, que estreou em 2009, e que agora fará uma pequena digressão em Lisboa. Como é que o projeto nasceu?

A determinada altura da minha vida dediquei-me muito à poesia, aliás, a poesia acompanha-me desde os sete anos, altura em que comecei a decorar e a dizer poemas. A dado momento, descubro um poema de Jorge de Sena intitulado Carta a Meus Filhos Sobre Os Fuzilamentos de Goya e foi como se rebentasse uma bomba dentro de mim. Se eu me questionava como é que só aos 60 anos é que havia descoberto tal poema, venho a perceber que, de entre os meus amigos e colegas, ninguém o conhecia. Foi assim que surgiu a ideia deste espetáculo, e ao Jorge de Sena juntei o António Gedeão, o Eugénio de Andrade, o Pessoa…

 E também os seus conterrâneos italianos…

Claro. E nos seus dialetos originais, com um carinho muito especial para o umbro que me derrete por dentro [risos]. Escolhi assim poemas em umbro do Ezio Velecchi, um poeta camponês que podemos estabelecer alguma comparação com o António Aleixo. Como vivi 12 anos em Roma, e aprendi o dialeto local, não podia deixar de ter um poeta romano…

Ou seja, a Io pretende esboçar uma espécie de autobiografia através das palavras dos poetas que escolheu? 

Todos os poemas que estão no espetáculo têm a ver comigo. Ou não fosse eu, Io Appolloni, italiana e portuguesa. É que eu tenho duas pátrias, duas culturas dentro de mim. E sinto-me mais rica do que qualquer outra pessoa por isso mesmo. Os meus primeiros 18 anos de vida foram passados e vividos em Itália; mas estou em Portugal há 51 anos, tenho três filhos portugueses… e, oficialmente, sou portuguesa desde 1975.

Recuando no tempo, como é que uma jovem italiana formada em representação pelo Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma vem parar ao Portugal sombrio do Estado Novo?

Chego aqui em 1965, mas não vim por vir. Por isso é preciso voltar atrás, a 1963, quando acabo o curso e sou convidada a ir ao Festival de Cinema de Veneza, onde tenho a grata alegria de filmar com Pier Paolo Pasolini [Comizi d’Amore estreou em 1964]. Simultaneamente, um

produtor espanhol contrata-me para fazer um filme em Espanha. Lembro que ainda fiz uma peça de teatro em Roma e depois sigo para Espanha. As filmagens eram para durar 20 dias e arrastam-se por três meses, o que foi fascinante para uma miúda de 18 anos que se fartou de ganhar dinheiro e viver uma vida de sonho em hotel de cinco estrelas, longe do pai, da mãe, do irmão [risos]… A minha passagem por Espanha ainda foi mais valorizada porque estudei canto e flamenco…

E trabalhou com Juan Antonio Bardem, um grande nome do cinema espanhol que, para situar as atuais gerações, é tio do Javier Bardem…

É verdade. Mas, o momento determinante para vir parar a Portugal foi ter sido feita uma reportagem fotográfica comigo, em Madrid, que saiu na revista Plateia. À época, eu tinha um agente e o Eduardo Damas [autor e compositor do teatro de revista] contacta-o no sentido de se fazer uma revista em Lisboa. Como uma das minhas ambições era fazer teatro em Madrid, achei que poderia ser positivo para a minha carreira ganhar experiência em Lisboa. E, em 1965, cá estou eu, uma “brasa”, uma mulher linda a dar cor a essa cidade a preto e branco como era Lisboa nessa época [risos].

O que a fez ficar por cá?

A revista teve muito sucesso e eu arrasei, sobretudo devido a um número com o Camilo [de Oliveira] onde eu ficava em bikini com um brilhante no umbigo. A plateia vinha abaixo [risos]. Mas, o que me fez ficar foi, em primeiro, uma paixão arrebatadora pelo Camilo, mas também pelas pessoas, pela sua afabilidade e… pela gastronomia. Sem me ter apercebido disso, já cá tinha raízes, e a partir do momento em que fiquei grávida do meu primeiro filho, em 1968, decidi que estava em Portugal para ficar.

Mas chegou a regressar a Madrid …

Sim, sim. Eu conto isso na minha autobiografia. Depois do sucesso que tive em Lisboa, o meu agente propôs-me uma revista em Madrid. Na altura, já estava com o Camilo e decidi fugir, de comboio… E ele foi atrás de mim! Ainda estreei a revista mas, curiosamente, durante esse curto período emagreci cinco quilos.

Pensa que podia ter feito uma carreira completamente diferente se tem resistido a essa saudade de Portugal e, também, ao amor?

A minha vida sentimental teve sempre um enorme peso e atribuo isso à educação religiosa que recebi da minha mãe, muito ligada à família e aos afetos. A época também era muito diferente e, no fundo, a minha carreira nunca foi mais importante do que ser mãe.

No início da década de 1970 estreia O Vison Voador, um espetáculo que marca indelevelmente uma época, sobretudo, graças a si… 

E à minha sensualidade muito natural. Não vou ser modesta, mas eu era, de facto, uma mulher muito sensual, e nessa peça despia-me em cena, mas de um modo muito bonito e subtil. Esse espetáculo fez mais de mil representações e marcou profundamente as pessoas, tanto que, ainda hoje, muita gente se lembra.

Não houve problemas com a censura?

Não, porque naquela época a censura em Portugal era mais política do que de costumes (em Espanha, por exemplo, era bastante diferente). Aliás, recordo um problema com a censura em 1972 quando, numa revista fizemos uma piada sobre o Sá Carneiro [à época, deputado da Assembleia Nacional]. Aí, eles não tiveram contemplações e cortaram.

Mas, apesar de tudo, a Io não aparecia integralmente nua em O Vison Voador.

Só faço nu integral, em 1978, na peça feminista Guilherme e Marinela [de Viveka Melander], estreada no Cinema Satélite [o estúdio do já desaparecido Cinema/Teatro Monumental]. Foi extraordinário o sucesso que a peça teve, sobretudo, devido à minha astúcia. Passo a explicar: eu decidi chamar a atenção por aparecer nua, mas depois apresentava um espetáculo feminista ou, mais do que feminista, um espetáculo anti-machista por excelência. No Porto, tínhamos programado três representações e acabámos por fazer 60. Chegámos a gravar para a televisão, mas não a deixaram ir para o ar.

Nesses tempos a Io era já uma mulher e uma atriz de causas…

Ainda antes do 25 de Abril, depois de me separar do Camilo tive um longo relacionamento com o Eduardo Geada, à época jornalista, um intelectual que me abriu horizontes, sobretudo para as questões políticas. Como sempre fui uma mulher extremamente curiosa, assimilei tudo com uma velocidade tremenda e, quando se dá a Revolução, lá estou eu a integrar as Campanhas de Dinamização Cultural e a fazer parte, pela mão do Rogério Paulo, do Partido Comunista Português.

É uma época em que corre o país fazendo um teatro muito politizado, não é?

Sim, sim. Foram centenas de espetáculos muito militantes, sobretudo sobre a causa da mulher. Foi um período tão, tão lindo, porque todos tínhamos a vontade de ser úteis para transformar a sociedade. E o dinheiro não nos interessava nada. 

Nos anos de 1990, deixamos de a ver no teatro e passamos a associá-la a um doce típico italiano, o tiramisu. O que é que aconteceu?

A última peça de sucesso que fiz foi Socorro, sou uma mulher de sucesso, uma comédia musical onde cantava, dançava, enfim… fazia tudo! Depois, vieram os anos do fim dos subsídios pontuais e estive uns dois anos sem trabalhar. Mas, um artista não consegue parar e, se por um lado desenvolvi um sentimento de amor/ódio à profissão, a minha atitude criativa lança-me na doçaria. No início dos anos 90, decido dar a conhecer o meu tiramisu e, como tinha uma cozinha grande, começo a fazê-lo para uma série de restaurantes. A dada altura vou a um programa do Herman José, o Parabéns, e faço o tiramisu em direto. O impacto foi tal que nunca mais parei, e fartei-me de ganhar dinheiro. Costumo dizer que aquilo que tenho hoje devo ao tiramisu, não ao teatro.

A doçaria substituiu o teatro?

De certo modo, sim. Apesar de me fazer falta o teatro, percebi que, ao me dedicar à culinária e mais especificamente à doçaria, estava a servir o público e a transmitir emoções. Isso apazigou-me… Depois, houve mais do que o tiramisu, e até um doce de manjericão eu criei… [risos]

Quanto tempo esteve sem pisar o palco?

Cerca de 20 anos. Só voltei em 2009, precisamente com os Poemas na Minha Vida.

Vê muito teatro?

Sim, vou muito ao teatro. E quando é mau, vou lá e insulto…

Como um dever?

Não é um dever. É uma necessidade física e psíquica. Ainda há uns dias vi uma peça com uma grande amiga e, no final, fui lá dizer-lhe: “como é que tu te meteste nesta merda?”

De uma penada, como é que poderia resumir o seu percurso?

Diria que a minha vida se resume em quatro etapas. Fui uma sex symbol do teatro comercial em Portugal numa primeira; pouco antes da Revolução de Abril, cresci, amadureci, tomei consciência política e dediquei-me a um teatro de intervenção, assumindo-me como uma voz de defesa da condição feminina e das mulheres; nos anos 90, dediquei-me à doçaria, essa outra paixão artística. Hoje, vivo a etapa da poesia, e o espetáculo que agora apresento em Lisboa demonstra isso mesmo.

 

[por Frederico Bernardino| fotografias de Francisco Levita/CML-ACL]

 

Capa IO Apollonni.jpg

 

Capa da Agenda Cultural de Lisboa  Novembro de 2016

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Sábado, 29 de Outubro de 2016

Berta Cardoso


 

Berta dos Santos Cardoso, nasceu na Rua da Condessa, freguesia do Sacramento em Lisboa, no 21 de Outubro de 1911, 

Ficou órfã de pai muito cedo e devido a dificuldades económicas de sua mãe, esteve internada numa instituição oficial,  onde fez os seus estudos, saiu aos 16 anos e foi novamente viver com a mãe e os irmãos.

Berta Cardoso, que não era filha única, teve um irmão de seu nome Américo dos Santos, que andava no Fado  como amador e tocava viola, e assim a influenciou a para cantar o Fado.

Berta Cardoso foi mãe de dois filhos.

Corria o ano de 1927, com 16 anos de idade, estreia-se no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer, que era gerido pelo Armandinho, foi tal  êxito da sua actuação que de imediato ficou contratada, tendo adoptado o nome artístico de Berta Cardoso.

Sendo o Salão Artístico no Parque Mayer, local, onde como se sabe apareceram os Teatros de Revista. Berta Cardoso não passou despercebida e logo em 1929 é a cantadeira contratada para a Revista Ricócó, levada à cena no Teatro Maria Vitória, segue-se “Viva O Jazz” e a “Nau Catrineta”.

Nos intervalos das suas actuações na revista, é das cantadeiras mais solicitada nos recintos de Fado, Solar da Alegria, Salão Jansen, Café Luso, Retiro da Severa, etc.

Integrada num elenco artístico  com a Beatriz Costa,  parte numa digressão ao Brasil onde obteve grandes êxitos.

Infelizmente não havia os meios de comunicação de hoje, pois é indiscutível que Berta Cardoso foi uma das primeiras cantadeiras de Fado a internacionalizar o Fado, assim com a grande Ercília Costa. (1)

Estas actuações internacionais tem mais expressão no Brasil e em todo o continente Africano, em particular nas Colónias Portuguesas. O que levou a que, em 1933 os diversos interveniente no espectáculo Fado, decidiram criar o “Grupo Artístico de Fados”, com Madalena de Melo e a Berta Cardoso, na guitarra o Armandinho e nas violas,  Martinho d’ Assunção Jr. e João da Mata.

Este conjunto de intérpretes de renome,  parte a bordo do navio Niassa para um percurso de espectáculos na África Ocidental e Oriental e também nas ilhas portuguesas. Concretiza-se como a primeira viagem que o Fado faz a África, tornando-se numa digressão muito noticiada pelos jornais, uma vez que os espectáculos se desenrolam ao longo de quase um ano, passando por diversos locais, destacando Angola, Moçambique e Rodésia.

No inicio dos anos trinta grava para a editora Odeon, e mais tarde passa a gravar de para a editora Valentim de Carvalho.

LP - Tia Macheta.jpg

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Berta Cardoso fica muito ligada ao Teatro de Revista, onde se apresenta com uma regularidade de cerca de várias peças por ano.

Em 1936 no  Retiro da Severa, ao lado de outros  grandes fadistas da época, Maria Emília Ferreira, Maria do Carmo Torres, Alfredo Duarte Marceneiro, Júlio Proença e José Porfírio, são considerados e apresentados como a "Embaixada do Fado do Retiro da Severa",  actuaram em muitos locais,  com relevância as idas  ao Porto, Teatro Sá da Bandeira e no Teatro Variedades, com lotações sempre esgotadas,   a imprensa e a rádio destaca as actuações de Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro.

Em 1939 é contratada novamente por Beatriz Costa,  para uma série de espectáculos em  todo o Brasil, com as revistas "Eh, Real", "Oh, meu rico São João", "Dança da Luta" e "Pega-me ao Colo", novamente estes espectáculos tiveram grandes êxitos. Mas,  antes da sua partida, é homenageada pelos seus colegas no Retiro da Severa.

Cartão de Visita.jpg

Foi também neste ano,  que  grava e filmada, com Alfredo Marceneiro, no Teatro Variedades e no Retiro do Colete Encarnado,  actuações estas filmadas  para o filme "O Feitiço do Império", de António Lopes Ribeiro. O filme estreou em 1940.

Feitiço do Império1.jpg

Após o regresso do Brasil, em 1940, é convidada para a "Embaixada do Fado do Solar da Alegria", que no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, obtém grandes elogios e lotações esgotadas, também faziam parte deste elenco,  Maria Carmen, Júlio Proença e Amália Rodrigues.

Berta Cardoso continua a cantar nos retiros de Fado e no teatro, até cerca de 1960, ano em que decide manter-se só a gravar, e cantar Fado em casas típicas, primeiro n´O Faia, segue-se a Viela e por último o Poeta, em Alfama, onde anteriormente tinha havido uma  casa de fados bem pitoresca,  que se chamava “A Nau Catrineta”.

Em 1943 conclui na Faculdade de Medicina o curso de enfermagem, com a especialização em obstetrícia, mas nunca chegou a exercer.

Desde muito miúdo que convivi com Berta Cardoso na Viela, do Sérgio onde eu para além de ter um pretexto  para estar no Fado, arranjava “uns trocos para alimentar a moto”, era lá fotógrafo, nessa estudava à noite e já trabalhava na GM, meu avô, grande amigo da Berta,  todos os dias aparecia para me lembrar que tinha que ir para casa a partir da meia-noite. Tenho da Berta Cardoso, gratas recordações, as estórias que me contava do meu avô e do meu pai, e lembro ainda,  com saudade, quando ela tinha que cantar várias vezes o Fado “O Homem da Berta”, pois iam chegando mais clientes e admiradores,  e como muitas das vezes ela já tinha cantado o tema, era tal a insistência, que tinha que o voltar a cantar.

Há registos seus na RTP, no ZIP-ZIP, e no programa com o título “As  bodas de ouro de uma Fadista”.

Berta Cardoso foi internada num lar da Santa Casa da Misericórdia, em 1996, local onde veio a falecer a 12 de Julho de 1997.

Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e lançou um livro sobre a sua figura

Também em  2006 no Restaurante Nini, fazendo eu  parte da APAF, fiz uma pequena palestra com um diaporama de minha autoria, (mormente as rasteiras e manobras (2)) , mas as pessoas gostaram e foi uma sincera homenagem.

Berta Cardoso está sempre presente em www.bertacardoso.com

Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e a edição de um livro evocativo.

(1)    Meu avô Alfredo Marceneiro, poderia ter tido também uma carreira internacional, mas teve sempre o cuidado de não acreditar no profissionalismo no Fado, razão porque sempre se manteve na sua profissão de marceneiro, e como já escrevi só ficou a viver do Fado, a partir de 1946, na sequência das greves no Arsenal do Alfeite, tinha 54 anos pelo registo de nascimento e 57 na realidade.  

(2)    Um dia eu conto…tudo,  acerca pessoas que estão ao nosso lado, por inveja ou por falta de protagonismo tudo tentam para mandar abaixo.

 

Linhares Barbosa - Berta Cardoso - Alfredo Marceneiro

 

TEMPOS DE OUTRORA

 

Repertório de: Berta Cardoso

 

Letra de: Fernando Teles

Música: Fado Tradicional

 

Dos Belos tempos de outrora

São Relíquias do passado

Dois impagáveis tesoiros

A guitarra mais o Fado

 

Era na Lisboa, antiga

Quinta- Feira de Ascensão

Dia da consagração

Porque era dia de espiga

Com farnéis e sem fadiga

Assim que raiava a aurora

Toda a gente campos fora

Procurando a sombra amena

Ai que saudades que pena

Dos belos tempos de outrora

 

As noites tradicionais

De todos os nossos santos

Eram motivos de tantos

Ranchos, bailes e festivais

Os sírios e arrais

Rabicha, senhor roubado

Atalaia sol doirado

Como tudo isto era lindo

Estas coisas tempo findo

São relíquias do passado

 

E nas vésperas das toiradas

Nos retiros que alegria

Até a nobreza se via

Pelas mesas abancada

Cantava-se ás desgarrada

Até à vinda dos toiros

Cobriam-se assim de loiros

Entre a fadistagem vária

A Severa e a Cesária

Dois empagáveis tesouros

 

Fidalgos boémios e artistas

E toureiros elegantes

Tinham por suas amantes

As cantadeiras bairristas

Nesses tempos de fadistas

E do saiote encarnado

Só nos resta por sagrado

Penhor bem tradicional

Dois filhos de Portugal

A guitarra mais o Fado

 

 Berta Cardoso canta um dos seus grandes êxitos

"TIA MACHETA"

Letra de Linhares Barbosa e Música de Manuel Soares

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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Alfredo Marceneiro - As suas músicas FADOS CLÁSSICOS

Alfredo Marceneiro fala dos seus estilos e dos pregões

 

 

Alfredo Marceneiro, apesar da fama que já ganhara e da aceitação que tinha como fadista, continuou a trabalhar no seu ofício. Os fados cantava-os por amor à arte, embora nessa época já existissem cantadores que ganhavam dinheiro como "negaças" nos Cafés de Camareiras e nos retiros. "Negaças" eram cantadores de menor nomeada, contratados especialmente para atrair, em despique, outros fadistas de maior fama.

E este era um acicate a que Alfredo não renúncia!

Os locais mais frequentados eram o Caliça das Pedralvas, o Bacalhau, ambos eles ali para os lados de Benfica, e ainda o Perna de Pau na Charneca, o Retiro da Severa (Luna Parque), Terraço da Cervejaria Jansen, Ferro de Engomar, Café Luso na Avenida, Castelo dos Mouros no Parque Mayer, Salão Artístico de Fados, Júlio das Farturas, Olímpia Clube, Boémia na Travessa da Palha, Solar da Alegria, José dos Patacos, etc.

Certo dia no "Cachamorra", Alfredo Marceneiro acompanhado pelo poeta Henrique Rego, de quem entretanto se tornara amigo e que tinha passado a ser o seu poeta preferido, foi desafiado por um grande fadista dessa época, Manuel Maria, para cantarem ao desafio ao som do Fado Corrido, tocado em «marcha». Alfredo aceitou e Manuel Maria cantou primeiro dando um estilo que passou a chamar-se de "Marcha do Manuel Maria" (nos fados clássicos o fadista escolhe o tom, para melhor poder improvisar o seu estilo). Enchendo-se de brios, Alfredo pediu que o acompanhassem no mesmo tom e improvisou de tal maneira que criou, também ele, um novo estilo. Nasceu então uma das suas mais lindas músicas: "MARCHA DE ALFREDO MARCENEIRO".

Deste desafio resultou ainda mais fama para Alfredo Marceneiro, que sempre cantou cultivando um estilo próprio, estilo esse que teve sempre reminiscências de «bailarico». Aliás, nas opiniões do guitarrista Casimiro Ramos e do grande fadista Filipe Pinto, todas as obras musicais do Alfredo têm um sotaque de «bailarico».

Foi com Casimiro Ramos, seu acompanhante á guitarra no Clube Olímpia, que Alfredo Marceneiro cantou um fado com versos de Carlos Conde, criando mais um estilo inédito. Nasceu mais uma das suas sensacionais músicas — "Fado Bailarico".

Outros estilos surgiram, o Fado CUF, o Fado Balada, o Fado Louco, o Fado Versículo Pierrot (improviso no fado menor), os Fados Alexandrinos, Lembro-me de Ti, Bêbado Pintor e o Laranjeira, o Fado Mocita dos Caracóis, o Fado Cravo, o Fado Pajem, o Fado Bailado, o Fado Cabaré. Aliás, Alfredo Marceneiro fazia questão de frisar: "— Nunca canto o mesmo fado da mesma maneira pois, em cada interpretação consoante o tom escolhido improviso e crio um estilo novo". Foi esta particularidade que, decerto, lhe granjeou a sua grande fama que ainda hoje perdura de «o maior estilista».

Como se pode verificar quase todas as suas músicas, Alfredo Marceneiro dá-lhes o mesmo título da letra que ele cantou pela primeira vez. Foi o "criador", como se dizia na época, isto porque havia o brio de cada fadista ter o seu repertório privativo.

Alfredo Marceneiro, teve o 1/326 como seu número de inscrição na SOCIEDADE DE ESCRITORES E AUTORES TEATRAIS PORTUGUESES, como sócio administrado. Eis algunspoemas  que cantou e para tal  "criou estilos" ou seja as suas músicas.

ALFREDO MARCENEIRO FOI  O MAIOR ÍCONE DO FADO, FOI O MAIOR ESTILISTA DE TODOS OS TEMPOS, E AINDA É HOJE  SEM MARGEM DE DÚVIDAS, CONSIDERADO  O MAIOR CRIADOR  DE MÚSICAS DOS FADOS CLÁSSICOS EXISTENTES.

 

FADOS REGISTADOS

Fado Aida

Fado Alexandrino Eu lembro-me de ti

Fado Alexandrino Bêbado Pintor

Fado Bailado (conhecido também como Estranha Forma de Vida)

Fado Olhos Fatais

Fado Bailarico

Fado Balada

Fado Cabaré

Fado Cravo (conhecido também como Fado Viela)

Fado Cuf

Fado Laranjeira

Fado Louco

Fado Marcha do Marceneiro

Fado Maria Marques (ou Vestido Azul)

Fado Mocita dos Caracóis

Fado Odéon

Fado Pagem

Fado Versículo Pierrot (conhecido também como Fado Menor em Versículo, ou somente Fado Versículo)

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Viva Lisboa: Criador de "Estilos"
música: Os estilos, Os pregões
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Artur Ribeiro Poeta

ARTUR RIBEIRO

Artur Ribeiro, Max e Alfredo Marceneiro

Artur Ribeiro nasceu no Porto em 1923, mas cedo vem para Lisboa e aqui fica radicado, sendo para mim o poeta que fez um dos poemas mais lindos sobre Lisboa, Lisboa , A Grande Marcha de Lisboa 1965 – Só Lisboa, Lisboa à meia-noite, Cachopa do Minho, A Rosinha dos Limões, A Fonte das Sete Bicas, Sete Saias, Nem às Paredes Confesso, Pauliteiros do Douro, Eu nasci Amanhã, O Meu Coração Parou, Adeus Mouraria, Lisboa à meia-noite, Fiz Leilão de Mim, Anda o fado Noutras Bocas, è Urgente que Venhas, Vielas de Alfama, etc. A sua parceria com Fernando Farinha e mais tarde com Max teve o condão de nos deliciar, e foi raro o artista que não tenha cantado  Fados da sua autoria.

Connheci o Artur Ribeiro,  convivi com ele desde muito jovem, meu pai e meu avô eram seus grandes amigos, era uma pessoa bastante afável e uma clarividência intelectual notável, aprendi muita coisa em escutá-lo, ficou-me a honra de ter gravado um poema seu que escreveu de propósito para mim,  a que deu o título “Ser Mais Um Entre Tantos” ao receber o poema logo me apercebi que tinha a ver comigo,  constatei que aquele grande Senhor durante aqueles anos em  que falava com este rapazinho de então, me levava a sério, e já homem escreve-me num Fado tudo aquilo que sentia por mim e pela minha maneira de ser.

Artur Ribeiro deixou de escrever poemas para nós em 1988.

O meu projecto “Lisboa A Cidade mais cantada do mundo” tem como poema eleito,  a Canção de Lisboa de sua autoria.

Fiz a apresentação de projecto à CML e espero vir a ter colaboração de toda a comunidade fadista para que seja feita a devida homenagem a este grande poeta que tanto amou Lisboa, para que lhe seja atribuída a titulo póstumo a Medalha da Cidade e uma rua da edilidade. (Sonhos...!?)

 

 Anda o Fado Noutras Bocas

 
Letra: Artur Ribeiro
 
Andei p'la Mouraria
Nas tascas do antigamente
Mas o fado estava ausente
Mudou de lá quem diria
E corri Lisboa inteira
Até encontrar o fado
Porém achei-o mudado
Cantado doutra maneira
 
Estribilho
 
Chorai fadistas chorai
Como dizia a cantiga
E se uma guitarra amiga
Trinar em tom magoado
Cantai fadistas cantai
Com vossas gargantas roucas
Que anda o fado noutras bocas
Que não são bocas p'ró fado
 
Agora de madrugada
Eu oiço por todo o lado
Noutras bocas outro fado
Que do fado não tem nada
E choro então o passado
Dos fadistas que morreram
Ouvindo alguns que nasceram
P'ra tudo menos p'ró fado
 

 

Beatriz da Conceição canta Canção de Lisboa de Artur Ribeiro

 

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música: Canção de Lisboa
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

CARLOS BAJOUCA - ESCULTOR ANGOLANO

ESCULTURA EXPOSTA NA AVENIDA PRINCIPAL DE SINTRA

DO ESCULTOR CARLOS BAJOUCA

HOMENAGEM AO FADO E À GUITARRA PORTUGUESA

Escultura de Carlos Bajouca1.jpgEscultura de Carlos Bajouca2.jpg

Na obra exposta em Sintra, uma Homenagem ao Fado e à Guitarra Portuguesa, o seu autor Carlos Bajouca,  fez questão de inserir na escultura para a posteridade,  alguns nomes que na sua opinião muito contribuiram para a divulgação do Fado:

Amália, Ana Moura, Carlos do Carmo, Alfredo Marceneiro, Cuca Roseta, Camané, Carminho, António Pinto Basto, Dulce Pontes, Hermínia Silva, João Braga, Almeida Santos, Celeste Rodrigues, Zeca Afonso, Lenita Gentil, Cidália Moreira, Carlos Zel, Chainho, Carlos Paredes, António Zambujo, Vicente da Câmara, Simone de Oliveira, Tristão da Silva, Teresa Tarouca, Rodrigo, Vitor Marceneiro, Mariza, Mafalda Arnault, Maria da Fé, Maria José Valério, Maria Armanda, Margarida Guerreiro, Pedro Moutinho, Paulo de Carvalho, Nuno da Câmara Pereira, Jorge Fernando, José da Câmara, Katia Guerreiro, Helder Moutinho, Ada de Castro, Adriana Marques, Anita Guerreiro,, António Mourão, Frei Hermano da Câmara, Fernanda Maria, Florência, são artistas que faço referência nesta minha obra e que ajudaram a elevar o Fado a Património da Humanidade.

 

carlos Bajouca.jpg

 

Carlos Bajouca, nasceu em Angola na província do Lobito em 1955.

Fez a sua formação académica em Lisboa, para estudar Belas Artes, tendo frequentado o Centro Internacional de Escultura.

Diversas são as suas participações em mostras de arte desde 1980 estando representado em diversas colecções a nível nacional e internacional. Possui um vasto curriculum e encontra-se representado com escultura pública em diversas localidades por todo o país. Em 1989 inaugura o seu atelier..

O corpo e a sua sensualidade, são fonte de inspiração do escultor, estando sempre presentes na sua obra, tal como nos faz recordar com a sua frequente afirmação:

 

“ADORO LAMBER A VIDA COM OS OLHOS”

 

NOTA:

Somos amigos há mais de 20 anos, Carlos Bajouca era sócio da Sistema J, a editora que me apoiou na publicação do meu primeiro livro biográfico do meu avô  “Recordar Alfredo Marceneiro”, recordo que as sua opiniões nas negociações,  foram muito preponderantes  para a sua concretização.

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Jorge Costa - Pateo Marialva onde o Fado acontece

Foi em Maio de 2009 que fui ao retiro particular de Jorge Costa, onde fui muito bem recebido, hoje vou lá voltar acompanhado pelos meus amigos Helder do Ó e Albano Pinto.

 

Jorge Costa, é natural de Palmela.

Desde muito jovem que se sentiu atraído pelo Fado e especialmente pela sonoridade da guitarra.

Aos 15 anos, porque seu pai não tinha possibilidades financeiras de lhe comprar uma guitarra para começar a aprender, encheu-se de brio e com muita habilidade construiu ele próprio o instrumento com que se iniciou.

Começou a cantar e a tocar em público, aos 22 anos, sempre como amador, uma vez que a sua  profissão é a de estofador.

Esta sua paixão pelo Fado leva-o a formar uma tertúlia fadista numa sua propriedade, em Fernão Ferro, a que deu o nome de “Pateo Marialva”, desde há cerca de trinta anos, que reúne às quartas-feiras, amigos e convidados,  numa “almoçarada” que se prolonga pela tarde fora, regada com muito Fado, e não só…

Por esta tertúlia através dos anos já passaram muito fadistas, quer amadores, quer profissionais.

Transmitiu aos seus filhos o gosto pelo Fado, tendo um filho, o Sandro Costa, que é já guitarrista profissional, estando actualmente contratado pela Taverna Del´Rei, acompanhando com frequência em espectáculos, a Cidália Moreira. Tem ainda um outro filho, o Miguel Angelo Costa, que tal como ele é estofador, mas que também toca, e muito bem, viola acompanhando Fado.

Tive o prazer de ser seu convidado, e fiquei “estupefacto” com o seu retiro… que se considerar-mos o Café Luso a “Catedral do Fado”, este seu cantinho é bem uma “Capelinha do Fado”…

Fui presenteado com uma medalha, como recordação, e tive também o grato prazer de saber que é grande admirador de meu pai.

Ah! Fadista.

Jorge Costa e Vítor Marceneiro

 

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Casimiro Ramos, Guitarrista e Miguel Ramos, Violista - "Os Pinoia"

Casimiro Ramos, nasceu em Lisboa  no bairro da Ajuda, a 16 de Fevereiro de 1901.

Começou desde novo a ouvir guitarradas, seu pai Francisco Ramos, tocava guitarra num conjunto de então,  e ele e o irmão mais novo, o Miguel assistiam entusiasmados aos ensaios,  e como diz o povo — Quem semeia colhe os frutos — e eles cedo começaram  a gostar de música e a aprender, o Casimiro escolheu a guitarra e o Miguel a viola.

Esta família teve a alcunha  de “Pinoia”, daí nasce o tema que mais tarde Casimiro Ramos compõe, O Fado Pinoia.

Começaram por tocar em verbenas e festas em colectividades, mas logo foram solicitados para actuarem em diversas casas de fado, no antigo Café Luso na década de trinta, fazendo parelha com o irmão Miguel Ramos.

Trabalhou em vários eventos com Adelina Ramos, donde nasceu uma grande amizade,  ficando contratado, no Restaurante Típico, desta,   A Tipóia, no bairro alto,  onde se manteve por mais de 20 anos.

Em 1933 participa no filme “A Canção de Lisboa”, com Beatriz Costa e Vasco Santana. Em 1934, merece o destaque na primeira página da “Guitarra de Portugal” quando da sua ida ao Brasil, com Maria Albertina, onde já tinha actuado,  fazendo então  parelha com o violista Armando Silva,  integrando o elenco da Companhia de José Loureiro, com Estevão Amarante, Adelina Abranches, Maria Alice, Maria Sampaio e Lina Demoel e  o cantador Manuel Cascais.

Em Abril de 1934 os colegas e amigos organizam-lhe uma merecida festa  de homenagem na Cervejaria Jansen,  estiveram presentes, Maria Albertina, Maria do Carmo, Maria do Carmo Torres, Maria Emília Ferreira, Joaquim Pimentel, Filipe Pinto, Artur Pinha, Alfredo Marceneiro com o seu irmão Júlio Duarte e a cunhada Leonor Duarte, entre outros grandes nomes da época.

Casimiro Ramos, era um homem solidário e amigo do seu amigo, organizava com frequência espectáculos de beneficência ou de homenagem a outros colegas, nunca descurando a defesa dos direitos dos artistas de Fado.

Meu avô Alfredo Marceneiro nutria por ele e pelo irmão uma grande amizade, que era retribuída, é neste convívio que nasce o Fado Margaridas (*), bem ao estilo de Marceneiro e que ele interpreta e grava.

Em 1938, na reabertura do recinto que par muitos foi uma «Catedral do Fado», o Solar da Alegria, sob a direcção artística de Filipe Pinto, Casimiro Ramos integra o conjunto dos músicos,  guitarristas e violistas, ao lado de Armando Machado, Fernando Freitas e Martinho d´Assunção.

Casimiro fazia muitos espectáculos e gravações em parceria com o irmão violista,  Miguel Ramos.

Na década de cinquenta , não só acompanhou inúmeros cantadores e cantadeiras de fado, com também gravou e fez espectáculos e digressões.

É autor de célebres composições musicais, a famosíssima variação à guitarra, “Nocturno”, são ainda de sua autoria: “Fado da Fé”, “Fado Maria Emília”, “Fado Pinóia”, “Fado Três Bairros”, "Fado Amélia Martins"; "Apolo"; "Rainha Santa"; "Terezinha"; "Alice", "Fado do Rio", "Lolita", entre outros. Musicalmente, as suas composições figuram em gravações de gerações de fadistas; Ada de Castro, Adelina Ramos, Alfredo Marceneiro, Alfredo Duarte Júnior, Carlos do Carmo, Fernanda Maria, Maria da Fé, Manuel de Almeida, Alice Maria, e muitos mais.

Casimiro Ramos faleceu em Lisboa, a 29 de Abril de 1973.

(*) O Fado Margaridas tanto é atribuída a sua autoria ao Casimiro Ramos como ao Miguel Ramos, com há quem pelo estilo que é muito “Marceneiro” por vezes também lhe atribuam a autoria. Esta discrepância já acontecia com eles em vida e nunca deu problema nem discussão, os direitos são pagos a quem está registado com o seu autor na SPA, Miguel Ramos.

 

 

Video-Clipe em que José Pracana toca

NOTURNO de Casimiro Ramos 

 

 

 


 

Miguel Ramos, é o irmão mais novo de Casmiro Ramos, como acima se disse optou pela  viola de fado, também foi (como o seu irmão) compositor de fados como Fado Alberto, Fado Margaridas (*), Veio a saudade, Fado Helena (Chico do cachené), Amor de mãe, Fado da Freira, etc.

Fado Alberto foi e ainda é um fado que muito inspira a criatividade dos poetas, por isso é ainda muito gravado existindo várias dezenas de  gravações  deste tema musical de  fado.

Muitos dos seus fados foram compostos em parceria com o seu irmão, e vice-versa, levando a que  a autoria de alguns desses fados, seja atribuída por vezes a um ou outro dos irmãos Pinóia, como aliás já referi sobre o Fado Margaridas.

Miguel Ramos tal como o irmão,  era muito  admirado e considerado, quer pelos fadistas, quer por  violistas e guitarristas.

Ao longo da sua carreira, acompanhou grandes vozes do fado, tanto em casas de fado, como em espectáculos ou em  gravação de discos.

 (*) Lamento imenso mas não consegui mais dados sobre Miguel Ramos, pode ser que algum amigo ou familiar, queira compartilhar mais alguns dados, o que muito agradeço.

 

 

Fernanda Maria canta

no "Fado Alberto" o poema

"Não passes à minha rua" de Carlos Conde

 

 

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Viva Lisboa: Grandes Fadistas
música: Noturno e Fado Alberto
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

FRANCISCO CARVALHINHO - Guitarrista

Francisco José Gonçalves de Carvalho,  nas­ceu em Lisboa em 1918 e morreu em 1990.

Aprendeu o ofício de relojoeiro. Aos 12 anos para além de guitarra, aprendeu a tocar outros ins­trumentos, nomeadamente banjo e bandolim.

Co­nhecido apenas por Carvalhinho devido à sua pequena estatura, apelido que adoptou no nome artístico.

Actuou no Retiro da Severa, acompanhado à viola por Santos Moreira, mais tarde no Café Mondego e no Café Latino.

Em 1941 apresentou-se no Café Monumental e durante um ano na Sala Júlia Mendes do Parque Mayer com Martinho d' Assunção.Em 1950 integra o conjunto de guitarras de Martinho d' Assunção, juntamente com Jaime Santos e Alberto Correia.

Em 1951 participa nos espectáculos dos “Companheiros da Alegria” de Igre­jas Caeiro.

Em 1953 realizou uma longa tournée por An­gola, Moçambique e África do Sul com Maria Pe­reira e Martinho d' Assunção.

Tocou nos Restaurantes Típicos de Fado:  Adega Machado, Adega da Lucília (mais tarde O Faia), no Vara Lar­ga, no Pinóia e no Salvaterra, mas foi no “Restaurante Típico a Severa” que esteve como guitarrista

privativo  durante vários anos seguidos

.

 

 

Gravou para vários artistas, nomeadamente para Alfredo Marceneiro, por quem nutria uma grande amizade e admiração.

A partir dos anos 80 dedicou-se à reparação de instrumentos de corda.

Francisco Carva­lhinho gravou vários discos com variações à guitarra, acom­panhado por Martinho d' Assunção, grande parte com composi­ções suas, Improviso em Ré e outros.

Autor de numerosos Fados, destacando-se:  Eu Sou do Fado; Fado Brigão; Dias Contados; Duas Palavras; Rua Sem Sol.

Deixou geração fadista, o seu filho Carvalhinho Jr., (que adoptou o nome artístico do pai) toca viola de acompanhamento sendo um músico de qualidade e muito solicitado.

 

 

Carvalhinho fala de Alfredo Marceneiro

 

Conheci Francisco Carvalhinho,desde muito miúdo, tocava com um estilo muito próprio, era uma pessoa muito sociável, admirado pelos colegas quer como músico, quer como pessoa, além de me tratar sempre com elevada consideração, era um grande amigo e  admirador do meu avô, que por vezes lhe dava (alguns olhares de desagrado nalguma nota que lhe saía da guitarra, e que ele não gostava) mas Carvalhinho nunca teve uma má resposta ou amuo com o seu amigo Alfredo Marceneiro.

Obrigado Francisco Carvalhinho, esteja onde estiver, "Quem meus filhos beija minha boca adoça", ensinou-me o meu avô, fica neste modesto e simples trabalho a homenagem da Geração Marceneiro.

Mas em 2007 quando pela primeira vez editei esta página neste blogue, tive a alegria de receber uma mensagem que muito me sensibilizou,  da sua neta Sónia Carvalhinho:

 

 

Caro Amigo,

 

Permita que o trate assim porque da mesma forma que o seu avô lhe ensinou que quem trata bem os nossos nos toca por dentro (agora por palavras minhas, mas a mensagem é a mesma) o meu avô também me passou muitas mensagens dessas, de reconhecimento ao próximo, de partilha, amizade e amor. E por isso mesmo depois do que li, agradeço de coração esta homenagem que para si lhe parece simples, a mim encheu-me o coração.
As saudades são muitas, mas pessoas como o Vítor fazem tudo ficar um bocadinho mais "próximo" de nós. Antes todos tivéssemos o mesmo contributo e ninguém ficaria no esquecimento e perdido num rasto do antigamente! Obrigada por ser assim, continuação de uma vida feliz.
Neta do Francisco Carvalhinho
Sónia Carvalho

 

 

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