Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

CARLOS BAJOUCA - ESCULTOR ANGOLANO

ESCULTURA EXPOSTA NA AVENIDA PRINCIPAL DE SINTRA

DO ESCULTOR CARLOS BAJOUCA

HOMENAGEM AO FADO E À GUITARRA PORTUGUESA

Escultura de Carlos Bajouca1.jpgEscultura de Carlos Bajouca2.jpg

Na obra exposta em Sintra, uma Homenagem ao Fado e à Guitarra Portuguesa, o seu autor Carlos Bajouca,  fez questão de inserir na escultura para a posteridade,  alguns nomes que na sua opinião muito contribuiram para a divulgação do Fado:

Amália, Ana Moura, Carlos do Carmo, Alfredo Marceneiro, Cuca Roseta, Camané, Carminho, António Pinto Basto, Dulce Pontes, Hermínia Silva, João Braga, Almeida Santos, Celeste Rodrigues, Zeca Afonso, Lenita Gentil, Cidália Moreira, Carlos Zel, Chainho, Carlos Paredes, António Zambujo, Vicente da Câmara, Simone de Oliveira, Tristão da Silva, Teresa Tarouca, Rodrigo, Vitor Marceneiro, Mariza, Mafalda Arnault, Maria da Fé, Maria José Valério, Maria Armanda, Margarida Guerreiro, Pedro Moutinho, Paulo de Carvalho, Nuno da Câmara Pereira, Jorge Fernando, José da Câmara, Katia Guerreiro, Helder Moutinho, Ada de Castro, Adriana Marques, Anita Guerreiro,, António Mourão, Frei Hermano da Câmara, Fernanda Maria, Florência, são artistas que faço referência nesta minha obra e que ajudaram a elevar o Fado a Património da Humanidade.

 

carlos Bajouca.jpg

 

Carlos Bajouca, nasceu em Angola na província do Lobito em 1955.

Fez a sua formação académica em Lisboa, para estudar Belas Artes, tendo frequentado o Centro Internacional de Escultura.

Diversas são as suas participações em mostras de arte desde 1980 estando representado em diversas colecções a nível nacional e internacional. Possui um vasto curriculum e encontra-se representado com escultura pública em diversas localidades por todo o país. Em 1989 inaugura o seu atelier..

O corpo e a sua sensualidade, são fonte de inspiração do escultor, estando sempre presentes na sua obra, tal como nos faz recordar com a sua frequente afirmação:

 

“ADORO LAMBER A VIDA COM OS OLHOS”

 

NOTA:

Somos amigos há mais de 20 anos, Carlos Bajouca era sócio da Sistema J, a editora que me apoiou na publicação do meu primeiro livro biográfico do meu avô  “Recordar Alfredo Marceneiro”, recordo que as sua opiniões nas negociações,  foram muito preponderantes  para a sua concretização.

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Jorge Costa - Pateo Marialva onde o Fado acontece

Foi em Maio de 2009 que fui ao retiro particular de Jorge Costa, onde fui muito bem recebido, hoje vou lá voltar acompanhado pelos meus amigos Helder do Ó e Albano Pinto.

 

Jorge Costa, é natural de Palmela.

Desde muito jovem que se sentiu atraído pelo Fado e especialmente pela sonoridade da guitarra.

Aos 15 anos, porque seu pai não tinha possibilidades financeiras de lhe comprar uma guitarra para começar a aprender, encheu-se de brio e com muita habilidade construiu ele próprio o instrumento com que se iniciou.

Começou a cantar e a tocar em público, aos 22 anos, sempre como amador, uma vez que a sua  profissão é a de estofador.

Esta sua paixão pelo Fado leva-o a formar uma tertúlia fadista numa sua propriedade, em Fernão Ferro, a que deu o nome de “Pateo Marialva”, desde há cerca de trinta anos, que reúne às quartas-feiras, amigos e convidados,  numa “almoçarada” que se prolonga pela tarde fora, regada com muito Fado, e não só…

Por esta tertúlia através dos anos já passaram muito fadistas, quer amadores, quer profissionais.

Transmitiu aos seus filhos o gosto pelo Fado, tendo um filho, o Sandro Costa, que é já guitarrista profissional, estando actualmente contratado pela Taverna Del´Rei, acompanhando com frequência em espectáculos, a Cidália Moreira. Tem ainda um outro filho, o Miguel Angelo Costa, que tal como ele é estofador, mas que também toca, e muito bem, viola acompanhando Fado.

Tive o prazer de ser seu convidado, e fiquei “estupefacto” com o seu retiro… que se considerar-mos o Café Luso a “Catedral do Fado”, este seu cantinho é bem uma “Capelinha do Fado”…

Fui presenteado com uma medalha, como recordação, e tive também o grato prazer de saber que é grande admirador de meu pai.

Ah! Fadista.

Jorge Costa e Vítor Marceneiro

 

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Casimiro Ramos, Guitarrista e Miguel Ramos, Violista - "Os Pinoia"

Casimiro Ramos, nasceu em Lisboa  no bairro da Ajuda, a 16 de Fevereiro de 1901.

Começou desde novo a ouvir guitarradas, seu pai Francisco Ramos, tocava guitarra num conjunto de então,  e ele e o irmão mais novo, o Miguel assistiam entusiasmados aos ensaios,  e como diz o povo — Quem semeia colhe os frutos — e eles cedo começaram  a gostar de música e a aprender, o Casimiro escolheu a guitarra e o Miguel a viola.

Esta família teve a alcunha  de “Pinoia”, daí nasce o tema que mais tarde Casimiro Ramos compõe, O Fado Pinoia.

Começaram por tocar em verbenas e festas em colectividades, mas logo foram solicitados para actuarem em diversas casas de fado, no antigo Café Luso na década de trinta, fazendo parelha com o irmão Miguel Ramos.

Trabalhou em vários eventos com Adelina Ramos, donde nasceu uma grande amizade,  ficando contratado, no Restaurante Típico, desta,   A Tipóia, no bairro alto,  onde se manteve por mais de 20 anos.

Em 1933 participa no filme “A Canção de Lisboa”, com Beatriz Costa e Vasco Santana. Em 1934, merece o destaque na primeira página da “Guitarra de Portugal” quando da sua ida ao Brasil, com Maria Albertina, onde já tinha actuado,  fazendo então  parelha com o violista Armando Silva,  integrando o elenco da Companhia de José Loureiro, com Estevão Amarante, Adelina Abranches, Maria Alice, Maria Sampaio e Lina Demoel e  o cantador Manuel Cascais.

Em Abril de 1934 os colegas e amigos organizam-lhe uma merecida festa  de homenagem na Cervejaria Jansen,  estiveram presentes, Maria Albertina, Maria do Carmo, Maria do Carmo Torres, Maria Emília Ferreira, Joaquim Pimentel, Filipe Pinto, Artur Pinha, Alfredo Marceneiro com o seu irmão Júlio Duarte e a cunhada Leonor Duarte, entre outros grandes nomes da época.

Casimiro Ramos, era um homem solidário e amigo do seu amigo, organizava com frequência espectáculos de beneficência ou de homenagem a outros colegas, nunca descurando a defesa dos direitos dos artistas de Fado.

Meu avô Alfredo Marceneiro nutria por ele e pelo irmão uma grande amizade, que era retribuída, é neste convívio que nasce o Fado Margaridas (*), bem ao estilo de Marceneiro e que ele interpreta e grava.

Em 1938, na reabertura do recinto que par muitos foi uma «Catedral do Fado», o Solar da Alegria, sob a direcção artística de Filipe Pinto, Casimiro Ramos integra o conjunto dos músicos,  guitarristas e violistas, ao lado de Armando Machado, Fernando Freitas e Martinho d´Assunção.

Casimiro fazia muitos espectáculos e gravações em parceria com o irmão violista,  Miguel Ramos.

Na década de cinquenta , não só acompanhou inúmeros cantadores e cantadeiras de fado, com também gravou e fez espectáculos e digressões.

É autor de célebres composições musicais, a famosíssima variação à guitarra, “Nocturno”, são ainda de sua autoria: “Fado da Fé”, “Fado Maria Emília”, “Fado Pinóia”, “Fado Três Bairros”, "Fado Amélia Martins"; "Apolo"; "Rainha Santa"; "Terezinha"; "Alice", "Fado do Rio", "Lolita", entre outros. Musicalmente, as suas composições figuram em gravações de gerações de fadistas; Ada de Castro, Adelina Ramos, Alfredo Marceneiro, Alfredo Duarte Júnior, Carlos do Carmo, Fernanda Maria, Maria da Fé, Manuel de Almeida, Alice Maria, e muitos mais.

Casimiro Ramos faleceu em Lisboa, a 29 de Abril de 1973.

(*) O Fado Margaridas tanto é atribuída a sua autoria ao Casimiro Ramos como ao Miguel Ramos, com há quem pelo estilo que é muito “Marceneiro” por vezes também lhe atribuam a autoria. Esta discrepância já acontecia com eles em vida e nunca deu problema nem discussão, os direitos são pagos a quem está registado com o seu autor na SPA, Miguel Ramos.

 

 

Video-Clipe em que José Pracana toca

NOTURNO de Casimiro Ramos 

 

 

 


 

Miguel Ramos, é o irmão mais novo de Casmiro Ramos, como acima se disse optou pela  viola de fado, também foi (como o seu irmão) compositor de fados como Fado Alberto, Fado Margaridas (*), Veio a saudade, Fado Helena (Chico do cachené), Amor de mãe, Fado da Freira, etc.

Fado Alberto foi e ainda é um fado que muito inspira a criatividade dos poetas, por isso é ainda muito gravado existindo várias dezenas de  gravações  deste tema musical de  fado.

Muitos dos seus fados foram compostos em parceria com o seu irmão, e vice-versa, levando a que  a autoria de alguns desses fados, seja atribuída por vezes a um ou outro dos irmãos Pinóia, como aliás já referi sobre o Fado Margaridas.

Miguel Ramos tal como o irmão,  era muito  admirado e considerado, quer pelos fadistas, quer por  violistas e guitarristas.

Ao longo da sua carreira, acompanhou grandes vozes do fado, tanto em casas de fado, como em espectáculos ou em  gravação de discos.

 (*) Lamento imenso mas não consegui mais dados sobre Miguel Ramos, pode ser que algum amigo ou familiar, queira compartilhar mais alguns dados, o que muito agradeço.

 

 

Fernanda Maria canta

no "Fado Alberto" o poema

"Não passes à minha rua" de Carlos Conde

 

 

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música: Noturno e Fado Alberto
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

FRANCISCO CARVALHINHO - Guitarrista

Francisco José Gonçalves de Carvalho,  nas­ceu em Lisboa em 1918 e morreu em 1990.

Aprendeu o ofício de relojoeiro. Aos 12 anos para além de guitarra, aprendeu a tocar outros ins­trumentos, nomeadamente banjo e bandolim.

Co­nhecido apenas por Carvalhinho devido à sua pequena estatura, apelido que adoptou no nome artístico.

Actuou no Retiro da Severa, acompanhado à viola por Santos Moreira, mais tarde no Café Mondego e no Café Latino.

Em 1941 apresentou-se no Café Monumental e durante um ano na Sala Júlia Mendes do Parque Mayer com Martinho d' Assunção.Em 1950 integra o conjunto de guitarras de Martinho d' Assunção, juntamente com Jaime Santos e Alberto Correia.

Em 1951 participa nos espectáculos dos “Companheiros da Alegria” de Igre­jas Caeiro.

Em 1953 realizou uma longa tournée por An­gola, Moçambique e África do Sul com Maria Pe­reira e Martinho d' Assunção.

Tocou nos Restaurantes Típicos de Fado:  Adega Machado, Adega da Lucília (mais tarde O Faia), no Vara Lar­ga, no Pinóia e no Salvaterra, mas foi no “Restaurante Típico a Severa” que esteve como guitarrista

privativo  durante vários anos seguidos

.

 

 

Gravou para vários artistas, nomeadamente para Alfredo Marceneiro, por quem nutria uma grande amizade e admiração.

A partir dos anos 80 dedicou-se à reparação de instrumentos de corda.

Francisco Carva­lhinho gravou vários discos com variações à guitarra, acom­panhado por Martinho d' Assunção, grande parte com composi­ções suas, Improviso em Ré e outros.

Autor de numerosos Fados, destacando-se:  Eu Sou do Fado; Fado Brigão; Dias Contados; Duas Palavras; Rua Sem Sol.

Deixou geração fadista, o seu filho Carvalhinho Jr., (que adoptou o nome artístico do pai) toca viola de acompanhamento sendo um músico de qualidade e muito solicitado.

 

 

Carvalhinho fala de Alfredo Marceneiro

 

Conheci Francisco Carvalhinho,desde muito miúdo, tocava com um estilo muito próprio, era uma pessoa muito sociável, admirado pelos colegas quer como músico, quer como pessoa, além de me tratar sempre com elevada consideração, era um grande amigo e  admirador do meu avô, que por vezes lhe dava (alguns olhares de desagrado nalguma nota que lhe saía da guitarra, e que ele não gostava) mas Carvalhinho nunca teve uma má resposta ou amuo com o seu amigo Alfredo Marceneiro.

Obrigado Francisco Carvalhinho, esteja onde estiver, "Quem meus filhos beija minha boca adoça", ensinou-me o meu avô, fica neste modesto e simples trabalho a homenagem da Geração Marceneiro.

Mas em 2007 quando pela primeira vez editei esta página neste blogue, tive a alegria de receber uma mensagem que muito me sensibilizou,  da sua neta Sónia Carvalhinho:

 

 

Caro Amigo,

 

Permita que o trate assim porque da mesma forma que o seu avô lhe ensinou que quem trata bem os nossos nos toca por dentro (agora por palavras minhas, mas a mensagem é a mesma) o meu avô também me passou muitas mensagens dessas, de reconhecimento ao próximo, de partilha, amizade e amor. E por isso mesmo depois do que li, agradeço de coração esta homenagem que para si lhe parece simples, a mim encheu-me o coração.
As saudades são muitas, mas pessoas como o Vítor fazem tudo ficar um bocadinho mais "próximo" de nós. Antes todos tivéssemos o mesmo contributo e ninguém ficaria no esquecimento e perdido num rasto do antigamente! Obrigada por ser assim, continuação de uma vida feliz.
Neta do Francisco Carvalhinho
Sónia Carvalho

 

 

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

ESTEVÃO AMARANTE

ESTEVÃO DA SILVA AMARANTE (1889-1951)

 

Tudo começou em 1900, com apenas doze anos, Amarante fez a sua estreia, no “Avenida” na peça “A viagem de Suzette” que iria conhecer as noites de maior glória.

No ano seguinte, na Avenida da Liberdade, nascia o Teatro do Infante, onde uma companhia infantil fazia o gáudio da petizada com “A história da Carochinha”. Durante três anos, o pe­queno Amarante é notado, por entre a miudagem, pela fantasia e graça das suas in­terpretações.

O menino-actor era muito pobre e órfão de pai. Por isso, se de tarde fazia rir os da sua idade, à noite, divertia os adultos, para ajudar ao sustento da casa. O público, ruidosamente popular, que enchia os teatros abarracados das feiras de Alcântara e Algés, começou a delirar com a brejeirice e o à-vontade do rapazola e não se cansava de cantar com ele o “Toma lá cerejas”. Amarante tinha, aos catorze anos, a primeira das suas inúmeras canções de sucesso.

Quando o caso constou nos teatros da Avenida, o empresário Luís Galhardo,  logo o contratou para  repetir a cançoneta para uma plateia mais vasta mas igualmente deliciada, na revista “P'rá frente” (1906), ao lado de Júlia Mendes.

A voz agradável e a bela figura do jovem Amarante tornaram-no rapidamente admirado pelo grande público, a sus vivacidade e mocidade iam bem com a revista profundamente crítica e irreverente que  brotara da liberdade conseguida em 5 de Outubro. Sempre em ascensão, medindo-se com os grandes talentos dessa época , a sua notoriedade não pára.

Quando as manchetes dos jornais só falavam da guerra que destroçava o "velho mundo" e Portugal se preparava para entrar no conflito, nesse "Verão quente de 1916, sobe à cena, no Eden, uma revista bem recheada significativamente chamada “O novo mundo”.

Porém, a suprema sensação, a interpretação que ia marcar uma época era “Ganga” por Estêvão Amarante.

A sua observação do carroceiro tinha ido tão longe em tudo copiando com minúcia os modelos longamente estudados na rua, fazendo o público Amarante repetir “O Fado do Ganga” dezenas de vezes em cada noite.

Estava fixada a imagem e a popularidade alcançada era vitalícia.

 

Em 1925 de colaboração com Henrique Rol­dão, adaptação dum"vaudeville" francês (Tir au flanc) - a história do rapaz mi­mado que, na tropa, aprende a ser homem. Fica em cena oito meses a fio e Amarante atinge um dos seus momentos máximos, quando canta um fado paradigmático: "Sol­dado que vais para a guerra / ao deixares a tua terra / e o cantinho do teu lar / quan­tas mágoas te consomem / não choras porque és um homem / e é feio um homem chorar"

No Verão de 1927, a companhia resolve levar uma revista e nasce a histórica “Água-pé” com o grande triunfo pessoal de Amarante em nesta revista, fe­chava-se um período dos mais brilhantes que a carreira de qualquer actor português já conheceu.

Ou­tra revista, na esteira de Água-pé, “Tremoço saloio” (1929), teve pouco sucesso mas deu a Amarante um novo êxito, o Cauteleiro, cantado, na música do Fado da loucu­ra, um tema popular.

Depois de passar rapidamente no filme Lisboa (Leitão de Barros, 1930). Vai a  Paris filmar, para a Paramount, a versão portuguesa de “A minha noite de núpcias” (1931), ao lado de Bea­triz Costa.

Corta relações com Luísa Santanela com algum falatório, que lhe é adverso, por isso decide-se por um longo afastamento, que é quebrado com uma comédia, ao lado de Ilda Stichini (Uma para três, 1933). Depois, numa revista (Nobre povo, 1934), o seu trabalho fica muito abaixo do antigo prestígio. Falava-se abertamente, nas tertúlias teatrais da decadência de Amarante, e a sua separação de Luísa Satanela deixa um gosto amargo no público.

No início da década de 40, Amarante firma-se, mais uma vez, como um grande nome da revista, voltando ao Avenida para colher novos triunfos. O Fado do marial­va (De fora dos eixos, 1943) demonstrava que, aos 54 anos, ele era ainda o único galã dos palcos revisteiros. Ao lado da jovem Laura Alves, na opereta O Zé do Te­lhado (1944), canta a sua última grande cantiga: "A sorte só favorece / quem / na vida uma boa estrela tem”.

Embora mantendo uma grande reputação, as duas revistas que faz, no Apolo, ao lado de Hermínia Silva, a sensação do momento (A canção nacional, 1944; O fado da Mouraria, 1945), apresentam já sintomas de que o crepúsculo se avizinha., com rábulas sem interesse, (1948) marcam o final da sua actua­ção nos palcos revisteiros de Lisboa, e decide dedicar-se primordialmente ao teatro dito declamado, ingressando inclusive na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro instalada no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 18 de Abril de 1950, comemoraram-se festivamente, no S. Luiz, os 50 anos de Teatro de Estêvão Amarante.

 

in Revista à Portuguesa de Vitor Pavão dos Santos

 


Desenho de Amarelhe 1943 - Criação do Fado Marialva

 

FADO DO MARINHEIRO

 

Criação de: Estêvão Amarante

 

                                                     O marujo criou fama.

                                                     Desde um tal Vasco da Gama

                                                     Que no mar foi o primeiro;

                                                     E o Pedro Álvares Cabral

                                                     Só foi grande em Portugal

                                                      Por ter sido marinheiro.

 

A lutar como um soldado,

Peito ao léu, rosto queimado,

Ao sol da terra africana,

Com a farda em desalinho,

(Foi às ordens de Mouzinho

Que deu caça ao Gungunhana !

 

                                                     Quando o mar era um segredo,

                                                     Os antigos tinham medo

                                                     De perder-se ou ir a pique;

                                                     Só zombavam das porcelas

                                                     As primeiras caravelas

                                                     Do Infante Dom Henrique!

 

Fartos já de andar nos mares,

Também vamos pelos ares

Sem temor, abrir caminho;

Pois bem sabe toda a gente

Que o marujo mais valente

É o avô Gago Coutinho!

 

                                                     Nessa Alcântara afamada,

                                                     O marujo anda à pancada

                                                     E arma sempre espalhafato;

                                                     É que guarda na memória

                                                     O banzé que houve na história

                                                     Do António Prior do Crato.

 

Quando vai p'rá Fonte Santa

E dá largas à garganta,

P'la guitarra acompanhado.

Até chora o mundo inteiro,

Porque a voz do marinheiro

É a voz do próprio Fado!...

 

  

 

Caravela Portuguesa dos Descobrimentos

 

FADO DAS CARAVELAS

 

­­Criação de Estêvão Amarante

 

Quando foi das descobertas e conquistas,

Os fadistas,

Guitarristas

De mais fama,

Lá no fundo do porão,

Deram alma e coração

Às descobertas do Gama.

 

                                                      No alto mar

                                                      Ia o barco a naufragar,

                                                      O vento rijo a soprar,

                                                      Que até os mastros levou.

                                                      Foi ao sentir,

                                                      Uma guitarra a carpir,

                                                      Que o Neptuno querendo ouvir,

                                                      A tempestade abrandou.

 

E nas horas d'incerteza, à marinhagem

Deu coragem

Na miragem

Da vitória.

Cabe ao fado o seu quinhão,

De todo e qualquer padrão,

Dos que fala a nossa História.

 

                                                      No alto mar

                                                      Quando em noites de luar,

                                                      O pensamento a pairar,

                                                      Na nossa aldeia natal.

                                                      Ai, era ver,

                                                      Quanta lágrima a correr,

­                                                      Na guitarra a descrever,

                                                      Saudades de Portugal.

 

 

 

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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

ALBERTO COSTA

Alberto Simões da Costa nasceu em Coimbra na freguesia Torres do Mondego no dia 8 de Junho de 1898.

Era muito pequenito quando seus pais vieram morar para o bairro de Alfama, em Lisboa Não admira que vivendo num bairro com tradições fadistas, desde muito cedo começou a ouvi-lo e a admirá-lo, na escola primária cantava para professores e colegas.

Tem a sua estreia em público no ano de 1914, e passou com frequência a ser solicitado  para actuações,  em colectividades, sociedades recreativas e festas de beneficência, o que lhe granjeou muitos admiradores.

Actuou e fez amizade com grandes figuras já consagradas na época, como Berta Cardoso, Ercília Costa, Joaquim Campos e Alfredo Marceneiro, etc.

Alberto Costa foi gerente artístico no Ferro de Engomar e no Solar da Alegria, tendo actuado em retiros como, Retiro da Severa e  Café Mondego, Parreirinha de Alma, entre outros, até se retirar.

Alberto Costa foi um dos primeiros artistas portugueses com edições discográficas.

Em 1926 grava para a Valentim de Carvalho o seu primeiro disco.

Em 1930, conjuntamente com Alfredo Marceneiro, Ercília Costa, Rosa Costa e os músicos João Fernandes e Santos Moreira, formam  a “Troupe Guitarra de Portugal”, tendo efectuado muitas actuações por todo o país, este agrupamento teve um êxito estrondoso para a época.

A 9 de Junho de 1932 tem lugar na Academia Recreativa de Lisboa, na freguesia do Socorro, a sua primeira festa de consagração,  patrocinada pelo jornal “Guitarra de Portugal”.

A 14 de Abril de 1936, numa festa artística no Cinema Odeon, com  um espectáculo dirigido pelo “Britinho” é homenageado em  simultaneamente com os seus colegas fadistas,  Alberto Costa e Júlio Proença.

Em 1939, Alberto Costa abandona a vida artística  e vai viver para Silves, onde abriu o Café “A Pernambucana e/ou Havaneza”.

Embora já afastado da  vida artística, vem a Lisboa para actuar na festa de homenagem ao seu amigo Alfredo Marceneiro, no Teatro São Luís a 25 de Maio de 1963.

Alberto Costa faleceu em Silves em Outubro de 1987.

 

Alberto Costa

canta: Boneca de Loiça

Poema de Alberto Rodrigues

Música: Fado Popular

 

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Terça-feira, 30 de Agosto de 2016

JORGE BANDEIRA - Pintor

Mais uma colaboração de um pintor (que canta Lisboa pintando), ao ver um catálogo de uma exposição de Jorge Bandeira, pedi-lhe autorização para usar alguns dos seus quadros no blog, que desde logo aceitou.

Concordarão comigo que é uma mais valia para os nossos conhecimentos, para homenagear a nossa Lisboa, e acima de tudo mostrar (que é o que eu sinto) que o Fado abrange todo o Universo da Portucalidade ....FADO é VIDA, é DESTINO....

O FADO ESTÁ EM TODAS  AS EXPRESSÕES DE ARTE DOS PORTUGUESES.

 

 

JORGE BANDEIRA

Nasceu em Lisboa, a 1 de Agosto de 1953.

Licenciado em Arquitectura, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, 1989.

Frequentou a licenciatura em História de Arte na Universidade Aberta de Lisboa.

Frequentou o curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes

Professor de Educação Visual, Educação Tecnológica, Oficinas de Artes e

Geometria Descritiva desde 1993.

 

Participou  em inúmeras exposições colectivas e individuais destacando-se :

 

-        ARTEXPO - Feira Internacional de Arte Contemporânea,

         Barcelona.

-        Exposição de Arte Mundo Seguro, Associação Portuguesa de

         Seguradoras, PARQUE DAS NAÇÕES – LISBOA.

-        Na Galeria CJ2 , em Lisboa.

-        Na Galeria HEXALFA ,”O olhar do Maltês”, Lisboa.

-        11ª Exposição Internacional de Torres Novas.

-        Na Galeria HEXALFA , Autumn Projects ”, Lisboa.

-        Galeria ARTUR BUAL “Problemas do Planeta”, Amadora.

-        Galeria GALVEIAS, Lisboa.

-        Galeria Ayala , Óbidos.

-        Fórum Telecom., Situ +acções”, Lisboa.

-        Galeria Orlando Morais, Ericeira.

-        Participação no programa de Televisão Divercidades ”

         Pintando ao vivo, RTP internacional

-        Galeria Grupama , Lisboa.

-        Galeria  da Caixa de Crédito Agrícola, Lisboa

Esta representado em diversas colecções no País e no Estrangeiro.

e-mail: jorgebandeira@netcabo.pt

www.jorgebandeira.no.sapo.pt

 

 

                  

 

Fernando Pessoa pintado por Jorge Bandeira

 

ACORDAR DA CIDADE DE LISBOA

 

Poema de: Fernando Pessoa

 

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,

Acordar da rua do Ouro,

Acordar do Rossio, às portas dos cafés,

Acordar

E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,

Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

 

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,

Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.

Á hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se

Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,

E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo

 

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,

Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,

Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,

São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,

 

Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,

Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste­-oeste,

 

Seja.

 

A mulher que chora baixinho

Entre o ruído da multidão em vivas...

O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,

Cheio de individualidade para quem repara...

O arcanjo isolado, escultura numa catedral,

Siringe fugindo aos braços estendidas de Pan,

Tudo isto tende para o mesmo centro,

Busca encontrar-se e fundir-se

Na minha alma.

 

Eu adoro todas as coisas

E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.

Tenho pela vida um interesse ávido

Que busca compreendê-la sentindo-a muito.

Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,

Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,

Para aumentar com isso a minha personalidade.

 

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio

E a minha ambição era trazer o universo ao colo

Como uma criança a quem a ama beija.

 

Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,

Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo

 

Do que as que vi ou verei.

Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.

A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.

Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

 

 

 


 

E de novo, Lisboa

 

Poema de: Alexandre O´Neill

 

E de novo, Lisboa, te remancho,

numa deriva de quem tudo olha

de viés: esvaído, o boi no gancho,

ou o outro vermelho que te molha.

 

Sangue na serradura ou na calçada,

que mais faz se é de homem ou de boi?

O sangue é sempre uma papoila errada,

cerceado do coração que foi.

 

Groselha, na esplanada, bebe a velha,

e um cartaz, da parede, nos convida

a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:

dizem que o sangue é vida; mas que vida?

 

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,

na terra onde nasceste e eu nasci?

 

Camões - Pintura de Jorge Bandeira

 

 

 

 

 

 Chafariz da Junqueira - Quadro de Jorge Bandeira

 

Lisboa perto e longe

 

Poema de: Manuel Alegre

Lisboa chora dentro de Lisboa

Lisboa tem palácios sentinelas.

E fecham-se janelas quando voa

nas praças de Lisboa -- branca e rota

a blusa de seu povo -- essa gaivota.

 

                                                      Lisboa tem casernas catedrais

                                                      museus cadeias donos muito velhos

                                                      palavras de joelhos tribunais.

                                                      Parada sobre o cais olhando as águas

                                                      Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

 

Lisboa tem o sol crucificado

nas armas que em Lisboa estão voltadas

contra as mãos desarmadas -- povo armado

de vento revoltado violas astros

-- meu povo que ninguém verá de rastos.

 

                                                 Lisboa tem o Tejo tem veleiros

                                                 e dentro das prisões tem velas rios

                                                 dentro das mãos navios prisioneiros

                                                 ai olhos marinheiros -- mar aberto

                                              -- com Lisboa tão longe em Lisboa tão perto.

 

Lisboa é uma palavra dolorosa

Lisboa são seis letras proibidas

seis gaivotas feridas rosa a rosa

Lisboa a desditosa desfolhada

palavra por palavra espada a espada.

 

                

 

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Sábado, 20 de Agosto de 2016

JORGE FERNANDO - Músico, interprete e compositor

Nasceu em Lisboa no ano de  1957.

Além de viola é também produtor, compositor, letrista e intérprete. No seu mais recente trabalho, "Memória e fado", inclui um dueto gravado, em 1994, com Amália Rodrigues de quem foi acompanhante de 1980 a 1985.

O perfil artístico de Jorge Fernando começou ainda menino, a cantar fado acompanhado pelo seu avô à guitarra, na adolescência caminha pela música rock, na década seguinte concorre ao Festival RTP da Canção com "Rosas brancas" (1983) e dois anos depois com "Umbadá". Em 1986 gravou o seu primeiro álbum, onde inclui "Lua Feiticeira Lua'. Em 1988 editou o primeiro álbum de fado onde inclui "Boa noite solidão" que escrevera aos 16 anos, e "Quem vai ao fado".

Como produtor assinou o primeiro álbum de Mariza, "Fado em mim", os mais recentes de Ana Moura e Maria da Fé, respectivamente, "Aconteceu" e "Divino fado", bem como os de Patrícia Rodrigues, Ricardo Ribeiro e João Pedro. Além de Amália, Jorge Fernando acompanhou vários fadistas como Fernando Maurício, Maria da Fé, Ana Moura, Argentina Santos ou José Manuel Barreto.

Em 1988 a Rádio Comercial atribuiu-lhe, por escolha do público, o Prémio de Popularidade. Em 1991 editou "À tua porta", seguindo-se "Oxalá" que a revista Billboard considerou, em 1994, "obra de referência para a World Music". Em 1997 com o álbum 'Terra d'água" faz uma ponte entre a balada e o fado, gravando no ano seguinte "Fado - The soul of Portugal", com Argentina Santos.

Em 1999 sai o álbum "Rumo ao Sul", em 2004, é editado "Fado velho" e passa actuar regularmente no restaurante típico Senhor Vinho. Foi convidado pelo pianista italiano Arrigo Cappellettí para participar como co-produtor e cantor num projecto que inclui a gravação de um CD com poesia contemporânea portuguesa, em conjunto com o bandoneonista Daniel di Bonaventura, o violoncelista David Zaccaria e o guitarrista Custódio Castelo. Em Itália, a Academia de Marco Poeta, distinguiu-o com o Prémio Carreira em reconhecimento do seu talento como cantor autor, produtor, instrumentista e impulsionador de novos talentos.

Em 2005, completou 30 anos de carreira artística, somando diferentes actuações em Portugal e no estrangeiro, de que destaca a Gala de Portugal – Noite de Fado, em Paris, com o patrocínio da UNESCO. "Memória e fado", editado o ano passado, conta com as colaborações de Egberto Gismonti, Toninho Horta, Zeca Assumpção, Wiliiam Galíson, entre outros. Ainda em 2005 recebe na I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues é-lhe atribuído o galardão de Violista-Compositor.

Em 2006 na II Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues recebe o galardão de Melhor Viola.

Actualmente integra o elenco da Casa de Linhares.

In: Programa das Galas de Fado Amália Rodrigues I e II

Jorge Fernando

canta de sua autoria, com música de Alfredo Marceneiro

LONGA NOITE

video postado por: casadofado

 

  

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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Natércia da Conceição - Fadista

 

Foi uma artista que surgiu muito jovem nas lides fadistas, tendo sido apadrinhada por Ercícila Costa e Berta Cardoso.

Em 1953 ingressou no profissionalismo, estimulada pela sua brilhante vitória num concurso organizado por um jornal de Fado, que se realizou no velho Café Salvaterra, onde obteve grande êxito.

Natércia da Conceição nasceu na castiça Vila Franca de Xira. Terra de aficionados taromáticos e garnde apreciadores de Fado.

Gravou uma dezena de discos para as etiquetas  Melodia,  Estúdio, Orfeu, etc.

Cantou na Emissora Nacional e Na Rádio Televisão Portuguesa.

Teve um vasto repertório com versos de conceituados poetas como, Domingos Gonçalves Costa, Francisco Ribeiro. Linhares Barbosa, Frederico de Brito, Jorge Rosa, etc.

Actuou em espectáculos no estrangeiro e foi cartaz em quase todas as casas típicas de Lisboa.

Nos anos setenta do século XX foi viver para os Estados Unidos, onde faleceu aos 75 anos de idade, a 15 de Outubro de 2009.

 

 

 

 

 

Natércia da Conceição com Alfredo Marceneiro

 

 

Uma amiga da Natércia com quem conviveu nos E.U.A.,  mandou-me mais dados sobre esta nossa querida amiga.                          

 

Natércia da Conceição nasceu em Vila Franca de Xira e aos 12 anos foi para Lisboa. Em 1970 veio para os Estados Unidos  e abriu a primeira casa de Fados na Nona Inglatera cuja dona  era Valentina Felix colega fadista, assim se deu inicio ao Fado, em 1970 o falecido Antonio Albero Costa abriu a primeira estação de rádio portuguesa em New Bedford e ela foi uma das loucutoras, nos anos 80 uma vez mais com a iniciativa de Alberto Costa abriram outra estação de rádio em Providence, Rhode Island, Radio Clube Português, foi a melhor loucutora que tivemos era uma pessoa extremamente culta,  com dignidade e paixão deu testemunho da lingua de Camões em terras americanas . Na vida artistica ensinou os seus guitarristas a tocar Viriato Ferreira, Antonio Rocha e José Silva, presentemente tanto Viriato Ferreira como José Silva têm a capacidade de tocarem para qualquer fadista que venha de Portugal. Natercia não só cantou como encantou, levou a fado á casa branca em Washington DC cantou para o presidente Clinton. diplomatas e politicos nos anos 90, era uma grande apaixonada de Argentina Santos e Amália Rodrigues e Lucilia do Carmo da malta nova que canta o fado em Portugal era apaixonada pela Cathia Guerreiro e nos Estados Unidos pela voz mais novinha Nathalie Pires, tinha uma grande admiraçáo por Ana Vinagre e dizia que era a unica que sabia cantar o fado na Nova Inglaterra. Ontem despedimo-nos da Natercia com os seus guitarristas a dizer-lhe adeus e Ana Vinagre a cantar o passeio de Santo Antonio, fado que ela adorava. As sua cinzas irão acabar no jardim botanico em Lisboa.
Cyndy Faria               

 

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Domingo, 31 de Julho de 2016

Gina Guerra - Cantadeira de Fados

(GINA GUERRA)Maria Georgina dos Santos Guerra, nasceu em Lisboa no Bairro de Campo d´Ourique a 13 de Janeiro de 1938.

Desde muito jovem que cantava o fado nas colectividades, até que aos 16 anos se inscreve no concurso de fados "Primavera do Fado", organizado pelos distintos poetas populares Francisco Radamanto e Carlos Conde, tendo arrebatado o primeiro lugar.

Inicia a sua carreira artística no teatro de revista como actriz.

O seu gosto pela música, leva a que se torne profissional e estreia-se na Viela, ao lado da consagrada Berta Cardoso e de Beatriz Ferreira, assim como de Sérgio, que era também proprietário da casa, onde se manteve 4 anos. Seguidamente, esteve no Timpanas e mais tarde com atracção no Maxime, integrada no espectáculo de folclore português, para turistas dirigido por Bártolo Valença.

É convidada pelo empresário Saavedra, e parte para Luanda para actuar no "Embaixador", "Retiro da Saudade" e "Largo do Chafariz"

Regressa a Lisboa, é contratada para o "Lar Português" do José Borges, no Bairro Alto, sendo cabeça de cartaz Alfredo Duarte Júnior.

Em 1968, grava o seu primeiro disco um EP, com quatro temas inéditos: Mãos de Fado, Feliz por ser aquela, Se ninguém te quiser e Fado da Tradição, edição da Marfer.

Em 1975, actua no Lobito com Vasco Rafael, Vicência Lima, Ana Carvalho e Carlos Macedo.

Até se aposentar, Gina Guerra esteve a cantar no Forcado no Bairro Alto.

Faleceu no dia 3 de Maio de 2008.

 

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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

ALCINDO DE CARVALHO

ALCINDO DE CARVALHO, nasceu em 1932 no Bairro Alto em Lisboa, o pai era alfaiate e ele também aprendeu a arte.

Tinha  dois irmãos, um deles tocava guitarra, e outro tocava viola, e  foi ele  que sentiu vocação pra cantar.
 Estreou-se profissionalmente no “Faia”, onde esteve vários anos  e mais tarde na Parreirinha de Alfama.

Tem uma dicção e tom de voz que muito se assemelham ao estilo de Carlos Ramos.

Gravou alguns discos e estreou-se na Televisão em 1974.
Lisboa Capital Mundial da Cultura em 1994, é convidado por Ricardo Pais, a participar num programa de fados no CCB,  com José Pedro Gomes e Carlos Zel .

Faz parte do espectáculo “CABELO BRANCO É SAUDADE”, com Ricardo Ribeiro, Celeste Rodrigues e Argentina Santos, cuja estreia foi em 2005 no Teatro Nacional S.João  no Porto,

espectáculo este, que já correu todo o país, assim como já teve vários apresentações no estrangeiro.

Foi homenageado em 2004 com o Prémio de Carreira, atribuído anualmente pela Casa da Imprensa".

Alcino de Cravalho faleceu em Lisboa a 8 de Dezembro de 2010

 

Alcino de Carvalho e Ricardo Ribeiro

 

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Sábado, 23 de Julho de 2016

Mercado da Ribeira - História

Lisboa foi desde sempre uma cidade de mercadores.
Pelas ruas vendia-se um pouco de tudo. Com os cestos às costas ou a mercadoria no chão o mais pequeno espaço servia para o negócio. Com os descobrimentos este pendor mercantilista acentuou-se.
As naus traziam para o porto de Lisboa todo o tipo de produtos provenientes dos mais exóticos e longínquos recantos, assim no séc. XVI começou a haver a preocupação de arrumar a cidade e colocar os mercadores em locais específicos.
Foi então que surgiu o Mercado da Ribeira Velha. Ficava situado na zona do actual Campo das Cebolas, vendiam-se principalmente bens de primeira necessidade como hortaliças, peixe e fruta.
Em 1766, passados onze anos depois do terramoto que martirizou a cidade de Lisboa, o mercado foi transferido para ocidente do Terreiro do Paço (o local onde se encontra actualmente). Uma transferência inserida no plano de expansão da cidade traçado pelo Marquês de Pombal.
Começou a funcionar em 1771 e foi chamado de Mercado da Ribeira Nova, não era um mercado como hoje os concebemos,  era composto por 132 telheiros e cabanas com 256 bancas de venda, passava de um aglomerado minimamente organizado de comerciantes onde se continuava a vender de tudo.
Foi só no séc. XIX, mais concretamente em 1882 que abriram as portas do refeito Mercado da Ribeira Nova. O nome manteve-se mas desapareceram os telheiros e as cabanas. No mesmo espaço nasceu um edifício com uma estrutura em ferro que albergava no interior todas as bancas. A grande novidade era a existência de um corredor central onde o vendedores dispunham de água em abundância, o que permitia expor e conservar as mercadorias com cuidados de higiene inexistentes até então, sendo o projecto da autoria do engenheiro Ressano Garcia e foi aprovado em sessão camarária em 17 de Junho de 1876.
Passado onze anos da inauguração um gigantesco incêndio destruiu quase por completo o já por duas vezes inaugurado Mercado da Ribeira Nova. A  nova reconstrução demorou quase 30 anos, de 1902 a 1930, ano em que aparece então a cúpula que (ainda hoje existe). Uma cúpula que suscitou a curiosidade dos Lisboetas, pouco habituados a um mercado a funcionar num edifício deste género. O espanto foi tal que passaram a chamar-lhe a "Mesquita do nabo".
Foi então em 1930 e desta vez definitivamente que o Mercado da Ribeira ganhou a configuração preservada até hoje. A ele ficará para sempre ligado o nome de Frederico Ressano Garcia, com 27 anos o jovem engenheiro venceu um concurso para entrar nos quadros da Câmara Municipal de Lisboa, Dos quatro concorrentes para as duas vagas abertas, Ressano Garcia conseguiu o primeiro lugar e assume o cargo de engenheiro do Município  no ano de 1874.
O novo edifício já era muito mais que quatro paredes e oito portões para albergar vendedores. Os cuidados estéticos estiveram presentes no projecto, como é bem visível nos painéis de azulejos que ornamentam o átrio da entrada principal e o primeiro piso. No segundo andar começa a área restrita do mercado, é através de uma escada de pedra em caracol, que se chega á sala redonda com o piso em madeira e decorada com riquíssimos frescos assinados por Gabriel Constanti e datados de 1930.
O segundo andar serve como espécie de convite para se subir mais uns lances de escada, desta vez em ferro, que dão acesso ao local onde está religiosamente guardada uma das mais emblemáticas peças do edifício, o relógio da torre.
Fabricado em França na empresa "Horloges Bodet" era considerado um relógio revolucionário para a época. Mas a importância do relógio não impediu que a máquina estivesse parada quase 20 anos. Só em 1998 a Câmara Municipal de  Lisboa decidiu contratar um dos mais prestigiados relojoeiros portugueses,  António Franco para inspeccionar o relógio da torre. Em menos de um ano o sistema mecânico foi totalmente restaurado e o mostrador teve de ser feito de novo.

Um mostrador que guarda a assinatura do homem que permitiu que os cacilheiros voltassem a guiar-se pelo relógio da Torre do Mercado "FRANCO-LISBOA".
Outra escada em caracol conduz ao ponto mais alto do mercado. O piso onde está instalado o sino que dá as badaladas às horas e meias horas. Daqui pode observar-se toda a imponência do Tejo e ver atracar os cacilheiros que os ponteiros do relógio voltaram a guiar.
Mais tarde falarei do célebre “cacau da ribeira” onde ao raiar do dia começava a azáfama dos vendedores, e o inicio dos “moinantes” irem para casa.
Que saudades.

Amália Rodrigues

canta Namorico da Rita

de Artur Ribeiro e António Mestre

 

 

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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

MICÁ - Maria do Carmo

 

 

Maria do Carmo da Silva Justiniano, mais  no meio fadista como “Micá”, é alfacinha da gema,  nasceu no típico bairro da Madragoa a 20 Fevereiro 1937.

Em 1954 com 17 anos foi contratada para cantar no  Retiro Pampilho, que ficava na Calçada de Carriche em 1954,  cujo proprietário era Alfredo de Almeida o marido de Lucília do Carmo.

Casou e foi mãe, mas continuou sempre a cantar, e simultaneamente  começou também a ser modelo em desfiles de moda.

Em 1958, Esteve em África - Lourenço Marques como modelo de moda,  e enquanto lá esteve, cantava o Fado em retiros fadistas que havia lá haviam na época.

Há cerca de 20 anos sentiu um impulso e a necessidade psíquica de começar a escrever os seus próprios poemas, hoje tem registados na S.P.A. cerca de 30 originais, que têm sido cantados e gravados,  por ela própria e também por outros fadistas.

Eis uma quadra e uma sextilha de dois dos seu Fado primeiros poemas “Provérbio Sagrado”  e “Rejeito Falsidade”

 

Fé esperança e caridade

São palavras divinas

Que cabem, bem à vontade

Nas mentes mais pequeninas. (Fado Solene)

 

Lembrei-me de viver  (Fado Laranjeira)

Lembrei-me que nasci

Deixei aquele tempo louco e desordenado

Ficou ao abandono o tudo que não vi

P´ra não cantar saudade

Na voz deste meu fado

 

Micá canta num estilo de fado antigo, o que leva a que haja quem afirme que,   a sua forma de cantar faz lembrar Marceneiro, no feminino evidentemente.

A sua carreira tem sido feita passando pelas mais consagradas casas de fado e restaurantes típicos de Lisboa, actuou também no teatro,  na rádio e em digressões ao estrangeiro.

Sou amigo da Micá há muitos anos, conheci-a no Galito no Estoril, fiquei seu “fan” desde que a ouvi cantar a primeira vez, há já alguns anos que não nos víamos,  numa das minhas idas a Alfama, vimo-nos, abraçámo-nos e recordámos velhos tempo, logo ali lhe prometi,  que lhe iria fazer um vídeo-clip e apresentá-la neste blogue, decerto, que concordarão comigo que é uma grande fadista.

 

 Micá canta: Lágrima

Poema de: Adriano dos Reis

Música de Alfredo Marceneiro (Fado Laranjeira)

 

 

 

 Micá canta: Bailado das Folhas

Poema de: Henrique Rêgo

Música de Alfredo Marceneiro "Fado Bailado"

 

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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

MARIA PEREIRA

 

Maria Pereira é uma minhota que nasceu em Vila Nova de Cerveira, a 4 de Fevereiro de 1914, Muito cedo veio para Lisboa, e logo se enamo­rou da cantiga de Lisboa, começou  a cantar   o Fado, o público ouviu, gostou e aplaudiu-a entusiasticamente, e assim apareceu uma nova cantadeira de Fados.

Aos vinte anos já cantado  em várias casas de Fados.

Bem perto de Lisboa, o Ribatejo com as suas esperas de toiros, o gado, as lezírias, os campinos e as suas fainas fazem vibrar a sua sensibilidade, é notória tal paixão, esta manifesta-se nas muitas das letras  que canta sobre o Ribatejo, tendo sido na sua época, a  artista que mais fados dedicou aquela região.

Fez parte do elenco inicial do programa "Companheiros da Alegria de Igrejas Caeiro", a partir de 11 de Agosto de 1951, onde um dos grandes objetivos,  era acompanhar a Volta a Portugal em Bicicleta.

Maria Pereira  cantou em todo o  Portugal e nas antigas colónias. Em Moçambique- Lourenço Marques havia muitos turistas sul-africanos, que falam a língua inglesa, Maria Pereira mandou traduzir as letras do seu vasto repertório, para que os mesmo percebessem os temas cantados.

Teve um contrato em exclusivo  com a ROBBIALLAC, para umas dezenas de espectáculos, dedicados aos  funcionários e aos clientes da marca, tendo até gravado um disco para a referida marca de tintas:

 

Por Deus pintada

A cor é vida

….

Pinta, pinta, pinta  com a tinta Robbiallac

Que é a tinta que mais pinta, que mais dura

Quem não pinta com a tinta Robbiallac

Pinta, pinta para borrar sempre a pintura

….

 

Maria Pereira era conhecida pelas suas actuações prolongadas. Em cada espectáculo nunca cantava menos de 30 ou 40 números, houve um,  que se pensa foi o seu record, pois cantou cerca de 70 números seguidos.

(Ao tempo, costumava-se dizer quando alguém cantava mais de que 3 a 4 Fados: — É pá, estás armado em Maria Pereira?

Mais tarde abriu o Restaurante Típico Painel do Fado, ao Bairro Alto, onde cantava todas as noites e também  outros artistas por ela contratados.

Maria Perira , gravou para quase  todas as editoras de discos portugueas, duarnte toda a sua carreira gravou mais de cem temas.

 Maria Pereira, faleceu em Lisboa a 9 de Janeiro de 2003.

 Nota: Esta biografia foi postada pela primeira vez neste blogue em 2007

 

 

 

 

 

BAIRRO ALTO

 

Letra de Silva Bastos

 

Para veres que fui sincera

A tudo que prometi

Vem à Travessa da Espera

Que eu estou à espera de ti.

 

Na hora em que o Sol desmaia

Desejando ser mais tua

Hás-de ver-me de atalaia

Rezando o nome da Rua.

 

O Destino era o mais forte

Na luta em que fui vencida;

Estava na Rua do Norte

O norte da minha vida.

 

Antes de tanta desdita

Era tão linda e formosa

Como a Rosa mais bonita

De toda a Rua da Rosa.

 

Mas se há Ruas verdadeiras

E horas de fome e fartura

Na Rua das Salgadeiras

Provei o sal da amargura.

 

E hoje que tudo passou

Já não me resta mais nada

Sou a cinza que ficou

Da Travessa da Queimada

 

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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

SANTA ISABEL - Rainha de Portugal

Isabel de Aragão era  filha do rei de Aragão, D. Pedro III, e nasceu no ano de 1271.

Contava apenas 12 anos quando recebeu o pedido de casamento da parte de três príncipes, entre eles, o nosso D. Dinis.
Os reis de Aragão decidiram consagrar a mão de sua filha, ao rei português, dada a proximidade e as boas relações entre os reinos.
Casaram por procuração a 11 de Fevereiro de 1282, apenas 4 meses depois ela atravessaria a fronteira, por Trancoso, afim de celebrar o acontecimento. Trancoso seria então incluído no dote oferecido por D. Dinis à rainha, assinalando o seu local de entrada no reino.
Dona Isabel gostou tanto de Portugal e do povo que se tornou uma das rainhas mais importantes e mais conhecida. Por onde passava, fazia transparecer o seu amor e bondade. Gostava muito de ajudar os pobres, embora o seu marido não gostasse muito.
 D. Dinis cedo se revela um homem violento, infiel e de má vontade no seu casamento. É conhecida a numerosa prole do rei, que, mantendo diversas relações extra-conjugais , acabava produzindo uma descendência ilícita que trazia para a Corte. Aqui se destaca o comportamento da rainha, que, apesar de humilhada, terá mantido o respeito e a bondade para com D. Dinis, acolhendo, amando e educando os filhos ilegítimos do marido, como se seus fossem.
Confeccionando roupas para pobres, visitando enfermos e idosos, patrocinando a construção de albergues ou um hospital para os mais necessitados, escolas, um lar para meretrizes convertidas, outro para órfãos, para além de conventos e de todo um trabalho junto das ordens religiosas.
Consta que uma das suas obras de caridade consistia na distribuição assídua de pão pelos mais pobres. Sendo o ano de 1333 um ano de carência e maior fome, ter-se-á o rei oposto a este tipo de prática, que constituiria grande despesa para a sua Casa. Isabel terá então vendido algumas das suas jóias para poder comprar trigo, que lhe permitisse manter o hábito. Ora, num desses momentos de distribuição o rei terá aparecido, indignado, reagindo a rainha com a ocultação dos pães que trazia consigo no regaço, procurando evitar a censura do marido. Percebendo o seu gesto apressado, D. Dinis terá perguntado – Que tendes em vosso regaço senhora? – Ao que Isabel teria respondido – São rosas senhor…! – Rosas em Janeiro?! Deixai que as veja então! – E soltando as vestes, eram de facto rosas que caíram ao chão, pelo que diz a lenda que teria sido este o seu primeiro milagre.
Fez tantos milagres e evitou tantas brigas e lutas que era conhecida pela "Rainha Santa" e "Rainha Medianeira".
Dona Isabel, Rainha de Portugal, faleceu em Estremoz, a 4 de Julho de 1336.
Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625.
in Wikipédia
 
Alfredo Marceneiro canta: Rainha Santa
 
 
 
 

"RAINHA SANTA"  

Letra de: Henrique Rêgo

Música de: Alfredo Marceneiro

 

Não sabes Tricana linda

Porque chora quando canta

O rouxinol no choupal

É porque ele chora ainda

P´la Rainha mais Santa

Das Santas de Portugal

 

                                                     Rainha, que mais reinou

                                                     Nos corações da pobreza

                                                     Que no faustoso paço

                                                     Milagreira portuguesa

                                                     Que no seu alvo regaço

                                                     Pão em rosas transformou

 

E as lindas rosas geradas

Por um milagre fremente

Que a Santa Rainha fez

Viverão acarinhadas

Com amor eternamente

 No coração português

 

                                                      Santa Isabel, se algum dia

                                                      Seu nome de eras famosas

                                                      Fosse esquecido afinal,

                                                      Outro milagre faria

                                                      De nunca mais haver rosas

                                                      Nos jardins de Portugal.

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Terça-feira, 28 de Junho de 2016

SÃO PEDRO - Santos Populares

 

São Pedro como Santo Popular, tem a sua origem nas festividades religiosas em honra sua, que foram promovidas pela confraria dos pescadores de Aldeia Galega, fundada há Século XVI.

Durante os festejos assistia-se à procissão bênção, de um rio e dos barcos ali acostados, comia-se o tradicional bodo de sardinha assada, que era oferecido aos visitantes.

O ponto alto era a queima de um batel,  na realidade trata-se de um ritual pagão muito antigo, mas era um espectáculo muito interessante, que atraía as multidões.

Em muitas  festas populares, que têm São Pedro por padroeiro, são organizadas largadas de touros, touradas,  festivais de folclore e concursos de jogos florais.

É de notar que são as comunidades ligadas à faina piscatória que mais venera São Pedro, pois também ele foi pescador. 

A comunidade de Roma foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada actualmente de Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje pelo Bispo de Roma (segundo o catolicismo romano), assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão papal (de Pedro) começou com São Lino.

È comum a imagem de São Pedro, tendo na mão as chaves do céu.

 

Comemora-se a 29 de Junho 

 

Benção dos barcos

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2016

SÃO JOÃO - Santo Popular

 

O São João no Porto,  comemora-se de 23 para 24 de Junho.  Esta data foi consagrada a São João Baptista por ser a data do seu nascimento , na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja, mas na realidade o Santo Padroeiro do Porto é Nossa Senhora de Vandome.

É vivido nas ruas,  permite todos os excessos, Leva-se na mão um alho-porro e dá-se com ele na cabeça do vizinho em tom de brincadeira. Para além dos bailaricos, o fogo-de-artifício no Rio Douro é o ponto alto da noite. No meio de imensa folia, não falta a ementa tradicional da festa, o  Caldo Verde, a Sardinha Assada, o pão e vinho tinto.

O dia 24 de Junho foi consagrado a São João Baptista por ser a data do seu nascimento terras, na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja! .

Tudo começa na Ribeira, mas depois do Fogo de Artifício, a partir da  meia-noite em ponto, a festa espalha-se pelos quatro cantos da cidade e só termina ao nascer do sol.

As rusgas de São João espalham-se de bairro em bairro, de freguesia em freguesia.

Nas principais artérias da cidade, até ao nascer do sol, é ver as  enchentes de povo, compra-se as ervas santas e plantas aromáticas com evidente predominância do manjerico, a planta símbolo por excelência desta festa; o alho-porro, os cravos e a erva-cidreira.

A festa tem como ponto de honra as Cascatas S. Joaninas (colocar a imagem do Santo num altar com o seu inseparável carneirinho e um sem fim de elementos que simbolizam o arraial) e que servem de disputa entre freguesias e bairros num concursos de beleza e homenagem

Manda a tradição que a festa culmine com um banho de mar na Foz!

E no dia do padroeiro o manjar tradicional é o anho ou cabrito assado com batatas assadas e arroz de forno.

A festa de São João dá inicio às festas do Verão, daí as fogueiras e todas as "loucuras" da noite deste santo popular.

Segundo os registos do Cancioneiro Português, dos três santos: Santo António, S. João e S. Pedro, São João é o santo menos confiável, por causa da sua  fama de sedutor.

 

"São João fora bom santo

 se não fora tão gaiato

levava as moças para a fonte       

iam três e vinham quatro."

 

"Até os mouros na Mourama

festejam o São João.

Quando os mouros o festejam            

que fará quem é cristão."

 

Meu querido São João                                                

És um Santo popular

Traz teu arco e teu balão

Vem com o povo dançar!

 

Aproveitem bem esta noite...  

Fica fresco quem se afoita

E regala o coração

Quem se banhe à meia-noite

Da noite de São João.

 

Delicados pés pisaram

Rosmaninhos pelo chão

Muitos corações amaram

Na noite de São João.

 

Foto de Noite de São João no Porto

sao-joao-ribeira-porto.jpg

 

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Terça-feira, 14 de Junho de 2016

ALCÂNTARA - BAIRRO DE TADIÇÕES

O MEU BAIRRO... ALCÂNTARA

Alcântara é uma freguesia portuguesa do concelho de Lisboa, o seu nome deriva do árabe al-qantara, que significa "ponte", assim se chamava a ponte que atravessava a ribeira nessa área, que acabou por se chamar ribeira de Alcântara.

Alcântara era, no início do séc. XX, um dos principais bairros republicanos que conspirava contra a monarquia e onde se planeavam formas de instaurar uma república. Após a Proclamação da República Portuguesa, em 1910, as greves sucederam-se umas às outras devido a grandes conflitos sociais. Alcântara, já durante a ditadura salazarista, continuava a albergar grupos revolucionários, reprimidos pelo Regime.

Durante o séc. XX muita coisa mudou em Alcântara, que muito influenciou o futuro da freguesia, destacam-se a arborização do Parque Florestal de Monsanto (1937); a construção do Bairro do Alvito (1936 - 1937), da Estação Marítima de Alcântara (1943), da Avenida de Ceuta (1944 - 1951) e do Pavilhão da FIL (1957); a inauguração do Estádio da Tapadinha (1945), entre outros.

 

Fados do meu Fado

 

Meu avô conheceu a minha avó no Bairro de Alcântara

Meu pai conheceu a minha mãe no Bairro de Alcântara, pois minha mãe era natural de Alcântara

Meus pais casaram no Bairro de Alcântara na Igreja de S. Pedro de Alcântara

Eu nasci no Bairro de Alcântara, fui baptizado na Igreja de S. Pedro de Alcântara.

Fiz o Curso Industrial na Escola Marquês de Pombal em Alcântara.

 

Alcantara.jpg

 

 

Actualmente vivo no Cadaval, mas, sempre com saudades da minha Lisboa e da minha freguesia,   gostaria,  tal como meu avô idealizou,  o poeta escreveu e a   DIVINA PROVIDÊNCIA, lhe concedeu.

 

            QUE DEUS ME DÊ A GRAÇA, A ALEGRIA

            NESTA VIDA TÃO CHEÍNHA DE DESGOSTOS

            A IR MORRER NA MINHA FREGUESIA.... ALCÂNTARA

 

 

 

A Igreja de São Pedro em Alcântara, situa-se na freguesia de Alcântara, no concelho de Lisboa, na Calçada da Tapada.

Esta igreja paroquial, foi erigida em 1782, tem traços semelhantes á Basílica da Estrela, embora de dimensões mais reduzidas.

São Pedro de Alcântara, de nome verdadeiro Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcántara, Extremadura, 1499 — Arenas de San Pedro, Castela e Leão, 18 de Outubro de 1562) foi um frade franciscano espanhol.

Nasceu no seio de uma família nobre. Estudou Direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no convento de São Francisco de los Majarretes, perto de Valência de Alcântara, onde toma o nome de frade Pedro de Alcântara.

Viajou até Portugal para reformar uma das Províncias Franciscanas da altura. Estabeleceu-se na Serra da Arrábida, no século XVI, sendo bastante apreciado pelo rei D. João III. Fundou uma série de mosteiros para os chamados Arrábidos (ou Capuchos, noutras zonas do país). Escreveu toda a regra da comunidade em Azeitão. Mais tarde os Arrábidos foram colocados no Convento de Mafra por D. João V. Acabaram por ser expulsos quando da implantação do Liberalismo e foram reintegrados na Ordem Franciscana.

 

Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação".

Foi beatificado pelo papa Gregório XV em 1622 e canonizado por Clemente IX em 1669.

 

                                   

 

A aparição de João Capistrano a Pedro de Alcântara. Luca Giordano

 

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Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

 

Fernando Martins de Bulhões, (Santo António de Lisboa), filho de D. Teresa Tavera e de Martin (ou Martinho) de Bulhões, nasceu em Lisboa ao que julga a 15 de Agosto de 1195, numa casa próxima da actual  Sé de Lisboa, onde se ergueu a igreja em sua invocação.

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando por volta de 1210, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, guiado pela mão do então prior D. Estêvão.

Permaneceu em São Vicente de Fora por três anos, com cerca de 18 anos ingressou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.

O mundo católico horrorizado com o martírio por decapitação de cinco franciscanos, em Marrocos, em 1220,  altura em que os restos mortais destes mártires são transladados para Coimbra,  levaram Fernando a abraçar a missão de evangelizador, pelo que a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António.

Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.

As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.

Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico, num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, por toda a cidade há arraiais populares engalanados, onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco, caldo verde  e bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada,  no típico bairro de Alfama, é costume organizar na Sé Patriarcal, o casamento de jovens noivos de origem modesta, são os noivos de Santo António, recebem ofertas do município e também de diversas empresas.

A Igreja e Museu Antoniano em Lisboa, situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa são o centro da devoção ao Santo, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.

O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.

 

 

 

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Domingo, 12 de Junho de 2016

HERMÍNIA SILVA - 23 Anos de Saudade

 LEMBRAR A GRANDE HERMINIA SILVA

Faz 23 anos que Hermínia Silva nos deixou. Faleceu  no dia 13 de Junho de 1993, dia de Santo António. Estará sempre nos nossos corações, e de certeza no futuro, as novas gerações ainda falarão muito desta grande mulher, que está na história do Fado e do Teatro de Revista por mérito próprio. 

 

Este página  é baseado no livro biográfico da autoria de Vítor Duarte Marceneiro  e está protegido por "Copywrite" estando devidamente registado na S.P.A. e no I.G.A.C.

São permitos excertos do mesmos, que visem a divulgação da biografada e seja referida a fonte.

 

A RAZÃO DUMA PAIXÃO 

 

Só de há alguns anos para cá me apercebi que o Fado é um estado de alma, é paixão. Desde muito novo que o adoro e cultivo, mas à medida que vou amadurecendo, dou por mim a venerá­‑lo cada vez mais. Lembro coisas do «fado» e de Fado, que durante muito tempo parecia que nada me diziam, estavam adormecidas, mas que agora me vêm à memória, em catapulta desenfreada, e penso... Tanto tempo que eu perdi.

Reuni neste livro, a que dei o título de Recordar Hermínia Silva, tudo o que sobre ela consegui recolher, com o in­tuito de fazer história sobre essa mulher, que era povo, foi amada e ovacionada, mas manteve­‑se sempre simples e despreten­siosa. Era dotada de um dom especial, que só muito poucos têm, de cantar e representar muito bem, era um representar que não se estuda no «Conservatório», com a sua voz bem castiça dava um cunho muito pessoal às suas interpretações que deliciavam a quem a escutava, quer no fado tradicional, quer no fado revisteiro, mas na revista para além de cantar interpretou figuras e «meteu buchas» que fizeram o delírio de milhares de espectadores.

Obrigado Hermínia Silva por tudo que deu ao Fado, ao Teatro de Revista, ao Povo Português.

 

Vítor Duarte Marceneiro

2003

 

 

 

BIOGRAFIA DE HERMÍNIA SILVA

 
Hermínia Silva nasceu às 18 horas do dia 23 de Outubro de 1907, no Hospital de São José, freguesia do Socorro, era filha de Josefina Augusta, que morava à data do parto na Rua do Benformoso, 153, no 1.º andar, freguesia dos Anjos, em Lisboa. (1)
 
(1) Conforme Acento de Nascimento n.º 704, do ano de 1907, na 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa.
Sua mãe, chamava-se Josefina Augusta, era natural de Samora Correia. Teve uma irmã mais velha que tinha o nome de Emília e um irmão que se chamou Artur Moreira.
 
É com palavras da própria Hermínia, com a sua simplicidade, a sua graça no jeito tão pitoresco que ela tinha a exprimir­‑se, que aqui se transcreve parte da sua biografia:
Julgo que nasci numa casa ali para os lados do Campo de Santana (2), numa travessa, cujo nome não recordo, e não recordo porque saí de lá apenas com oito meses. A verdade é que não tenho quaisquer recordações do tempo que mediou entre o meu nascimento e a idade escolar, mas creio que fui uma criança absolutamente normal, com todas as gracinhas, «perrices» e evoluções que são comuns a todas as crianças normais.
No entanto, recordo que me con­taram que quando tinha oito meses caí da varanda à rua. Mas eu explico como isso foi e como é possível eu ainda aqui estar a falar sobre a minha infância.
Ora, na casa onde nasci, havia uma va­randa, na qual eu brincava habitualmente, que, por segurança, estava protegida por uma rede. Porém, um dia, por qualquer razão, que ignoro, alguém tirou a rede e eu, na minha «gatinhice», enfiei pelas grades e fiz um «voo pi­cado» até à rua… bom, até à rua não, porque tive a sorte de cair na giga de uma mulher que vendia hortaliça e que, providencial­mente, passava nessa al­tura debaixo da varanda.
Logo um senhor, que passava por ali na ocasião, agarrou em mim e levou­‑me para o Hospital. Cheguei lá e... pasmem, verificaram que não tinha nem uma beliscadura. E eu, muito sossegadinha, não chorava nem nada.
Deram­‑me, depois, lá no Hospital, uma colher de cerveja preta e trouxeram­‑me finalmente de volta a casa, onde todos se encontravam mui­to aflitos,... Mas cair de um segundo andar à rua, apenas com oito meses, e nada sofrer, hem?! Ao menino e ao borracho…
Este é, segundo julgo, o único episódio fora do vulgar da minha infância, já que não tenho ideia ouvir falar em mais nada.
Como consequência dessa queda da janela à rua, veio uma mudança de resi­dência. Minha mãe, impressionada com o acidente, não quis continuar naquela casa e, assim, mudámo­‑nos para o Castelo.
 
(2) Hermínia faz esta afirmação sobre o seu nascimento em entrevista ao jornal Trovas de Portugal, de 30 Julho de 1933, onde, na página seis, Hermínia escreve pela pena do jornalista: — Sou de Lisboa, freguesia do Socorro, e criei­‑me no Castelo de S. Jorge!
No Álbum da Canção, datado de 1965, fala do local do seu nascimento, mas sem muita clareza: — nasci numa travessa da qual não me lembro o nome, ali ao “Campo de Santana”.
Em 1980, quando da festa da entrega da Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, Hermínia Silva é entrevistada para a RTP e diz que nasceu na «Rua das Flores» que ficava junto à Travessa Conde de Avintes, e que era perto do local onde morava o Armandinho. Ora este local situa­‑se na freguesia de S. Vicente de Fora e há lá uma Travessa das Flores e não Rua das Flores.
 
Desde que me entendo que gostei de cantar. E o fado, cantava­‑o a todo o mo­mento, e por toda a parte: na rua, em casa, na escola, desde que aos seis anos comecei a frequentar a escola, que ficava ali na Rua da Madalena, mesmo em frente da igreja.
Ora lá na escola, por vezes, havia umas festas nas quais tomavam parte algumas meninas que sabiam cantar. Eu deixava­‑me ficar muito caladinha quanto aos meus «méritos», pois tinha vergonha de os reve­lar. Até que um dia, quando se preparava uma dessas festas, uma das minhas colegas dirigiu-se à mestra e, apontando-me, revelou:
— Minha Senhora, esta menina canta muito bem!
Claro está que a professora quis, imediatamente, avaliar as minhas possibilidades e mandou-me cantar uma música que eu soubesse bem. E eu «desatei» logo a cantar um fado, daqueles bem fadistas.
A professora ao ouvir-me cantar o fado levou as mãos à cabeça e, fazendo um gesto negativo, declarou:
—  Ai. Esta menina! Não… Fado não!
Depois, talvez por ver a decepção estampada na minha cara, incitou-me a cantar outra «moda» que eu soubesse. Cantei, ou melhor, comecei a cantar uma canção que sabia também, mas o pior é que mesmo a canção, na forma como eu cantava e na minha voz, soava como fado. E, de novo, a senhora me interrompeu, repetindo, um tanto ou quanto escandalizada:
—  Não, fado não… Esta menina não pode cantar na festa! As meninas não cantam fado!
Escusado será dizer que fiquei com uma grande «pinha», pois cantar já era para mim uma paixão.
E começava também já a despontar em mim o desejo de representar. E chorei que me fartei.
Mas a vida continuou e eu sempre cada vez mais possuída por aquela verdadeira paixão que era para mim o cantar. E sempre que podia lá estava eu de «boca aberta» quer fosse em casa, quer fosse nas casas de pessoas amigas que me convidavam, de vez em quando, a cantar um «fadinho», quer fosse em festas particulares, onde me chamavam de propósito para eu «botar» cantiga, porque achavam que eu tinha «jeitinho».E eu ia sempre cantando e sempre a pensar no Teatro, pois nesse tempo não havia casas típicas e eu para as tabernas não ia… claro que não ia.
Até que um dia…
Estava eu em casa da minha irmã Emília (3), que morava ali em Entre Muros do Mirante, quando casualmente passou o Armandi­nho, que morava para aqueles lados e me ouviu cantar. Ou melhor, ouviu uma voz, vinda da­quele prédio. Então, subiu as escadas, bateu a porta e perguntou à minha imã, que foi quem abriu:
—  Não é aqui que está uma pequena a cantar?
—  É, é. É a minha irmã — re­plicou.
—  Que idade tem ela?
—  Olhe, tem doze anos.
—  Chame­‑a lá, faz favor — vol­veu Armandinho, cada vez mais interessado.
A minha irmã, que sabia o quanto eu era acanhada, volveu:
—  Ai, ela não vem.
—  Chame­‑a lá — insistiu o grande Armandinho. — Olhe que ela tem uma bonita voz. Uma voz muito engraçada. Ora cha­me­‑a lá. Que eu arranjo já um contrato para ela ir gravar um disco ao «Valentim de Carvalho».
A minha irmã sorriu, pouco convencida, e explicou a Armandinho:
—  Ai, ela não vai. A minha mãe não deixa.
Porém, o famoso guitarrista não se deixou con­vencer com aquela primeira negativa da minha irmã.
 
(3) Hermínia refere que a irmã vivia ali «Entre Muros do Mirante», à Graça, e provavelmente passava por este local quando ia para casa da irmã. Quanto à sua alusão a Rua das Flores, e como já acima referi, será lógico ser Travessa das Flores, que fica na freguesia de S. Vicente de Fora.
 
Gostara, sinceramente, da minha voz, da ma­neira como eu interpretava o fado e não estava disposto a desistir assim às primeiras. E então pediu licença para entrar, para falar directamente comigo.
Escusado será dizer que eu, que estivera a ou­vir toda a conversa, apareci nesse instante e, então, Armandinho dirigiu­‑se­‑me:
—  Então, não quer vir cantar?
Eu claro que queria cantar, já que cantar era, pode dizer­‑se, a mi­nha vida.
Mas a verdade é que fi­quei muda e o malogrado artista prosseguiu:
—  Ora vá, venha gravar um disco. Olhe, nós agora até vamos a Berlim, com o Menano e a Ercília Costa, e a menina também podia ir.
Talvez por julgar que me encon­trava a sonhar, a verdade é que per­maneci muda como um penedo, enquanto o meu interlocutor, certamente para me entusiasmar, ia pros­seguindo, tentador:
—  Vá, venha que faz um «vistaço». Venha lá gravar um disco. Então não quer ir connosco cantar? Então não quer ir para o Teatro?
É claro que, se eu tinha imensa vontade de ir para o Tea­tro, naquela altura, ainda fiquei com mais. Mas não fui. Não fui com o Armandinho. Sim, não ia assim para Berlim. De maneira nenhuma...
Mas as coisas da vida nem sempre cor­rem à medida dos nossos desejos, e o mundo dá muitas voltas.
Chegou a altura em que tive necessidade de ir aprender um ofício e empreguei­‑me como aprendiza de modista. No en­tanto, o meu pensamento estava sem­pre no Teatro e no Fado. E continuei a cantar, quer pelos bailaricos, quer em festas particulares, para as quais estava sempre a ser chamada. E eu ia sempre, pois o que eu queria era cantar…
  
EU, QUE NÃO SOU NADA DRAMÁ­TICA,
FUI AMADORA DRAMÁTICA…
 
Em 1925, sempre norteada pelo grande amor que dedicava ao Teatro, inscrevi­‑me como ama­dora dramática no «Grupo dos Leais Amigos», ali ao pé da igreja de S. Vicente. O que eu queria era representar e tanto assim que representei coi­sas dramáticas, eu que não sou nada dramática... Mas tal era a fúria de ser artista... que tudo me servia.
Em 1926, representei e cantei no antigo Teatro Gil Vicente, à Graça. Foi ali que, certo dia, apareceu um senhor que era escritor, Artur Vítor Machado de seu nome. Esse senhor levou­‑me à presença do pai, o maestro A. Júlio Machado, que era empresário, e foi logo assim, que ainda nesse ano me levou numa tournée à província.
Era tal a minha gana de vencer, que me comportei de tal modo que, no início desse giro artís­tico, o meu nome figurava nos cartazes em último lugar e quando regressámos eu era já a primeira figura.
Terminada essa tournée que foi, pode dizer­­‑se, o início da minha carreira como profissional, fui trabalhar para um cinema, ali à Esperança, o «Malacaio». O contrato por oito dias que me fizeram era para cantar fados no final da exibição dos filmes.
Mas a verdade é que o público me dispensou tantas gentilezas, me acolheu e adoptou com tanta e tão grande simpatia, que esses oito dias se transfor­maram, quase sem que déssemos por isso, em dois anos.
É verdade: durante dois anos consecutivos actuei no «Malacaio» em final de festa. E sempre com o pleno agrado do público frequentador da­quele cinema que não me regateou o seu apoio e os seus aplausos. Ainda hoje conservo no coração a simpatia daquele pú­blico. Foi Rui Metelo, um empresário muito co­nhecido na época, que me proporcionou esse contrato.
 
O PARQUE MAYER
 
Quando finalmente deixei de cantar no «Malacaio», fui para o Parque Mayer. Ali os estabelecimentos de far­turas tinham, ao tempo, grande clientela, estavam em voga. Ali se cantava o fado. Pode dizer­‑se que essas casas foram as percursoras das casas típicas que hoje conhecemos.
Ora, quando fui para o Parque Mayer, era contratada pelo «Valente das Farturas». Este contrato, tal como acontecera com o cinema da Esperança, era por oito dias. Mas tal como aconteceu no «Malacaio», esses oito dias prolongaram­‑se por mais dois anos.
Nessa altura, eram frequentadores assíduos no «Valente das Farturas» a grande maioria dos artistas de então, que trabalhavam nos Teatros do Parque Mayer. Muitos deles já iam lá especialmente para me ouvirem, pois gostavam da minha maneira de cantar. O meu salário então já era de cinquenta e cinco escudos diários, o que para o tempo era um grande cachet, mesmo tendo em consideração que chegava a ter seis sessões diárias.
Entre os muitos artistas que fre­quentavam assidua­mente o «Valente das Farturas», que se tornara o palco onde eu dava livre curso ao meu íntimo desejo de cantar, contavam­‑se dois artistas de grande cartel na época, que trabalhavam no Teatro Maria Vitória, que eram o Alberto Ghira e a Hortense Luz, e certo dia vieram falaram comigo, convidando­‑me a ir para o teatro. Mas eu ganhava ali muito bem, embora o teatro fosse a minha grande paixão, eu não ia trocar o certo pelo duvidoso. Foi, pois, embora contrariada, que lhes disse que não acei­tava.
O Alberto Ghira ainda voltou a insistir, mas continuei a recusar, com o mesmo fundamento de que me sentia ali bem e ganhava uma pequena fortuna, mas disse logo que no dia em que deixar de trabalhar aqui irei para o Teatro, se ainda me quiserem lá.
E, assim, se gorou a primeira grande oportuni­dade­ para eu entrar para o Teatro de Revista e dele fazer o centro da minha actividade artística.
Como já tive oportunidade de frisar, também no «Valente das Farturas», tal como acontecera, ante­riormente, no Cinema em que actuei em fim de festa, mantive­‑me dois anos consecutivos, merecendo sempre, devo reconhecê­‑lo, o carinho do público, que aliás eu fazia por manter, dando tudo quanto tinha dentro de mim, sempre que cantava, o que acontecia, como também já disse, muitas vezes em cada dia.
 
Mas certo dia tive mesmo que parar de cantar, porque tive uma grande constipação nas cordas vocais que me pôs bastante «à rasca», durante mais de um ano. Foi com imensa tristeza, pois como já sabem, o cantar era o maior gosto da minha vida, e além disso tinha passado a ser a minha fonte de subsistência (4).
  (4) Estava­‑se em finais de 1926 e Hermínia estava grá­vida; seu filho Mário Silva vem a nascer em 9 de Abril de 1927.
 
 
 
 POR FIM O TEATRO DE REVISTA
 
Quando, finalmente, recuperei da doença, roidinha de sau­dades de cantar e do contacto com o meu querido público, que sempre me acarinhara, fui trabalhar para uma Sociedade de Recreio que, se não estou em erro, era o «Comando-Geral». Foi aí que, certo dia, o co­nhecido empresário Ma­cedo e Brito me abor­dou, dizendo­‑me que, conhecendo o meu valor achava que eu devia voltar era a cantar. Prometeu­‑me que me ia arranjar uma entrevista com o empresário de teatro António de Macedo.
Passados poucos dias confirmou­‑me a marcação da entrevista; fiquei entusiasmada, não podia perder esta nova oportunidade de ingressar no Teatro, que era o sonho doirado da minha vida, e logo fui falar com o António Macedo, que me contratou imediatamente, para actuar em fim de festa, cantando fados — claro está — na opereta «Fonte Santa» (1932).
O público voltou a corresponder inteiramente, aplaudindo­‑me com simpatia, e foi graças a esse mesmo público que, logo de seguida, fui contratada para fazer uma revista, que se intitulava Feijão­‑Frade (1933), que era um original de Xavier de Magalhães, Almeida Amaral e Fernando Santos. E esta foi a primeira revista em que eu entrei.
Foram assim na realidade os meus primeiros passos a sério com o teatro de revista, e a verdade é que, sem vai­dade, fiz um autêntico brilharete.
De então para cá tomei parte em inúmeras revistas, assim como numas quantas operetas, e até em peças declamadas.
A minha carreira continuou, felizmente, com grandes êxitos, que, certamente, eu não merecia, mas o público me quis oferecer.
Também actuei nos estúdios da RTP, a última vez foi num dos episódios da série Os Três Saloios, protagonizada por Raul Solnado, Humberto Madeira e Emílio Correia, três valores do nosso teatro ligeiro.
E devo confessar que gostei.
Tive, ao longo da minha carreira, como é natural, muitas e variadas pro­postas para ir ao estrangeiro, mas como sou multo «pegada» a isto.
Tenho muita relutân­cia em sair de Portugal, eu ainda nem sequer visitei as províncias ultramarinas, apesar dos muitos convites que para o efeito me têm endere­çado e do grande desejo que te­nho de as conhecer.
—  Fui ao Brasil, onde me demorei o menos tempo possível, aos Açores e à Madeira, onde fiz uma curta série de espectáculos.

 

Herminia Silva desde a sua estreia em 1932, participou em 13 operetas, 37 revistas, 2 peças declamadas e ainda em 5 filme e vários programas de televisão.

 

Conclusão do autor:
 
Hermínia, sem sombra de dúvidas, nasceu a 23 de Outubro de 1907, no Hospital de S. José, freguesia do Socorro, em Lisboa.
O episódio que contou sobre ter caído da janela à rua refere­‑se decerto à rua onde sua mãe morava quando do seu nascimento, Rua do Benformoso, 53, 1.º, freguesia dos Anjos, em Lisboa.
Tudo leva a crer que sua irmã morava na Travessa das Flores, freguesia de S. Vicente de Fora, em Lisboa, enqua­drando­‑se assim com toda a lógica o episódio em que conta como o guitarrista Armandinho a ouviu cantar.
 
 
 Hermínia Silva com Alfredo Marceneiro
 

Herminia Silva canta: Fado da Sina do Filme "O Ribatejo"

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música: Fados da Sina
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