Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
AMÁLIA... A minha especialidade é o Fado

A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!

                                                                           

Afirmava Amália numa entrevista em 1945.

 

Uma entrevista sensacional com

AMÁLIA RODRIGUES

No momento da sua nova abalada para terras de Santa Cruz

 

Amália Rodrigues — a grande Amália Rodrigues — a cotovia de voz rendilhada e cristalina, figura eleita do sonho e da saudade lusíada, foi de novo — e no curto período de menos de um ano — até às longínquas e maravilhosas terras do Brasil.

A menina bonita desta Lisboa galante e romântica, a noiva mimada destes bairros sonhadores e tranquilos que o Tejo afaga numa carícia imperecível, não quis deixar este céu azul que a viu nascer, este sol de primavera eterna que tantas vezes a osculou num arrobo de pajem milenário, sem dizer o seu adeus, até breve ao povo português, por intermédio do nosso jornal, em cujas colunas ficam documentadas algumas preciosas declarações cedidas, em primeira mão, por esta extraordinária figura do Fado.

Enquanto os motores do «Clipper» da Pan-Americana, nessa noite primaveril de 30 de Maio, ensaiavam os primeiros roncos para o seu voo transoceânico, nós aproveitando uns minutos de tréguas concedidas pelos inúmeros admiradores da artista, que lá foram apresentar-lhe os cumprimentos e desejos de boa-viagem, começamos, a entrevista. que oferece-mos á curiosidade dos nossos leitores.

Fora nosso propósito ir até ao ri fundo de algumas considerações que estão um pouco à margem de um momento tio solene como é uma despedida, por isso prevenimos a artista do nosso intuito, ao que ela, modesta como sempre, tão simples e tão humilde na sua maneira de ser e de tratar, o que mais realça a sua extrema simpatia, respondeu num sorriso quase infantil, disposta a concedermos tudo o que precisássemos de si.

 

«...as saudades da pátria e da família eram já imperiosas...»

 

— Amália — começamos — os leitores da «Guitarra» desejam saber algo que se relacione com estas lua as duas consecutivas viagens ás terras de Além-Atlântico?   

Este meu segundo contrato — respondeu a artista — obedece ao unânime desejo da colónia Portuguesa no Brasil, que da primeira que visitei esse grande e florescente país não teve ocasião de me ouvir como esperava.

— Mas, não cantou em público?...

            — Sim, cantei, mas a minha permanência foi curta e o Brasil é grande...

            — Onde cantou?

            — No Casino Copacabana, para onde fui dirigida; e actuei por cedência dos meus empresários, em vários festivais no Teatro João Caetano, em honra do Corpo Expedicionário Brasileiro, que se encontrava combatendo na Europa. Deixei parte do meu repertório gravado em discos e fiz várias emissões na rádio Globo, propriedade do jornal carioca «O Globo».

            — Nesse caso a sua passagem ficou bem assinalada...

— Deixei em suspenso inúmeros contratos e convites, pois, como lhe disse, o Brasil é imenso e a nossa colónia é poderosíssima.

            — Não lhe foi possível deixar-se ficar por mais tempo?

— Aproxima-se o Natal e as saudades da Pátria e da família eram já imperiosas.

— E daí o regresso inevitável!?...

            — Era a primeira vez que me ausentava por tanto tempo e para tão longe e sentia minar-me dia a dia aquela doença da distancia, aquela falta de Lisboa – desta Lisboa a e quem tudo devo...

            — E uma lágrima furtiva começou a borbulhar nas suas órbitas cheias de mocidade, de uma mocidade a que não faltava, sequer, uma pequenina sombra de melancolia, fundo sentimental de uma aguarela matizada por todos os fulgores...       

 

«Farei o possível por corresponder ao interesse não só da colónia como do próprio público brasileiro...»

 

Mas a lágrima quedou silenciosa e nós insistimos:

— A natureza do novo contrato permite-lhe mais amplo raio de acção?

— Vou dirigida, como da primeira vez, para o Copacabana, mas autorizada para, nos dias exibir-me onde me aprouver.

            — E onde a esperam os maiores triunfos da sua fulgurante carreira...

— Farei o possível por corresponder ao interesse não só da colónia como do próprio público brasileiro, que também não teve oportunidade de me ouvir devidamente.      1

— Que impressão lhe causou o público carioca, da sua maneira de reagir perante o Fado?

— Confesso que me senti tão à vontade como se cantasse num salão de Lisboa. O ambiente não se me tornou estranha e de toda a gente recebi as maiores provas de simpatia.

Esta afirmação pujante de firmeza e de sinceridade, deu-nos forças para entrarmos no terreno que ambicionávamos tocar, esclarecendo uma dúvida que tínhamos, produto de certos boatos postos a circular e que um jornal humorístico de Lisboa trouxe a lume, registando determinado incidente que teria ocorrido no Copacabana durante uma exibição da nossa entrevistada.

 

«A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!»

           

            Há um assunto que gostaríamos fosse por V. esclarecido para satisfação dos nossos leitores que, como deve saber, são todos, eles seus admiradores...

— Respondo a tudo. É só perguntar...

— Aquele «caso Vargas Herédia» a que um jornal de Lisboa se referiu em moldes de reportagem humorística, tem algum fundo de verdade?

Amália, cada vez mais senhora de si, respondeu à nossa pergunta com uma segurança e uma firmeza tais, que não nos deixou dúvidas sobre a sua inconfundível personalidade.

— Toda a gente sabe que eu canto essa canção espanhola e, como essa, outras que mais sugestionam a minha sensibilidade, sem contudo tentar com elas fazer carreira. A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!

— Não quer dizer que não possa em qualquer circunstância cantar uma ou outra canção de género diferente?

— Claro. É o que acontece com «Vargas Herédia» e «Los Picoñeros», canções que, manda a verdade, nunca foram por mim interpretada de modos a escandalizar ninguém, reconhecendo, embora, que estou longe de lhes dar a característica própria. Basta a diferença da linguagem...

— Continue, Amália, mas não se esqueça que nós sabemos o que a Império Argentina disse, publicamente, a respeito da sua interpretação nesses números.

— Evidentemente, houve exagero da grande artista espanhola e eu não sou ingénua ao ponto de acreditar na profundidade de um simples arrebatamento, dimanado mais por uma grande simpatia que a artista me votou que por qualquer outro motivo...

Todavia e neste ponto é que eu posso fazer fé — trabalhei essas canções dentro das possibilidades máximas dos meus recursos e do meu brio, afim de as não deturpar; já que executá-las, como na origem, seria impossível. E incluí-as, no meu repertório conscientemente convencida de que podia com elas não fazer má figura.

— Mas que o público frequentador do Copacabana não apreciou talvez?...

 

«No fim remato com o Mouraria e ficamos todos amigos ...»

 

            — Reside precisamente nesse capítulo — continuou a Amália — a falta de lógica do tal jornal humorístico...

— Exemplifique...

— Eu fui recebida no Rio de Janeiro tal corno o sou em Lisboa: o mesmo ambiente de simpatia, o mesmo carinho peja minha pessoa e, o mesmo interesse pela minha modesta arte. E sucedeu lá o que é uso suceder aqui quando mudo de género: formam-se partidos. Uns querem que eu cante só Fado; outros pedem-me também «Los Picoñeros» e «António Vargas Herédia» para variar e aligeirar um pouco a minha actuação. Sou forçada a atender ambos os partidos. No fim remato com o «Mouraria» e ficamos todos amigos. Ora aí está o que se passou no Brasil, cuja retumbância nunca poderia fornecer conteúdo para uma simples crónica....

 

«Vamos sempre as duas de braço dado...»

Satisfez-nos plenamente estes esclarecimentos, que vieram a tempo de desfazer certas insinuações postas a circular pela má-língua e, mudando de rumo, prosseguimos:

            — Que tempo pensa agora demorar-se?

            — Uns oito meses, aproximadamente.

            — Não pode fazer isso por menos?...

            — Não me será possível!...

            — V. sabe que Lisboa não a pode dispensar...

— Lisboa não fica sem mim. Para onde quer que eu vá levo-a comigo — vamos sempre as duas de braço dado...

         Então boa viagem, Amália!

         Obrigada. E não se esqueça de dizer adeus, por mim, ao povo português e de me enviar todos os números da «Guitarra de Portugal»

 


Observações: Fado ... Fadista... Cantadeira

publicado por Apontamentos Amalianos às 17:51
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
AMÁLIA... A Voz da Natureza a Voz do Mar

 

 

 

Amália Rodrigues

A Voz da Natureza ... A Voz do Mar

 

Que fluido maravilhoso nos fustigou a alma quando mais uma vez ouvimos, agora mesmo, a dulcíssima voz de Amália Rodrigues. O nosso espírito, insatisfeito pelo belo, então, perdia-se no esplêndido ambiente do Café Luso, deste pioneiro dos negócios fadistas que saltou da Avenida principesca para o Bairro Alto, este bairro de tradições, onde se encontra, moderno, convidativo e alindado a carácter, ao pé da nossa porta, numa vizinhança que é assim como que um aconchego de velhos camaradas e amigos.
Rodeada da fina-flor das artes, ciências, letras, de todos, enfim, que gostam do fado castiço e da familiaridade fadista
Amália Rodrigues cantava, mas entregava a alma a cada um dos seus ouvintes, num desdobramento bíblico? Não! Num encantamento mágico de senhora e dona dos melhores acor¬des divinos.
Se já a ouviu, leitor amigo tem de concordar connosco! Ouvir Amália Rodrigues é escutar o lado em tudo quanto ele tem de mais real: sentimento, riqueza expressiva e sensibilidade.
Como foi aquilo, não o sabemos! Não o saberemos, nun¬ca o saberemos. Quem pode entrar nas práticas do destino, quando ele encobre, com seu manto, os eleitos?
Como foi aquilo!
Quanto a nós ela terá aprendido com as ondas do Tejo, que se espreguiçam nas costas desta Lisboa encantada, falan¬do-lhe sempre, cantando-lhe sempre o fado eterno...
Só ali, acamaradando com os longe do mar, aprenderia a escala dos sons fadistas - que não tem escola... porque são vida, porque são inatos...
A voz de Amália Rodrigues é nostálgica como uma ausência, é vibrante como uma lágrima e é saudosa, muito saudosa...
Não há adjectivos que a coloquem acima do seu valor.
Mais uma vez a homenageamos, hoje, conscientes de que a alma do fado está pairando no coração desta fadista que apesar de toda a sua classe artística, tem uma grande virtude feminina: — a modéstia. Sob o seu xaile de cantadeira há uma interrogação. E essa interrogação...
O fluido mágico da sua voz fustigou-nos a alma e deixou-a, a vibrar, mas legou-nos um eco de agradável música. Nesse eco ouvimos alternadamente ora o ciciar do Oceano, no seu mistério intransponível, ora o ruído das ondas a enro¬larem-se sobre as areias — num beijo intraduzível. Ouvimos tudo quanto a natureza nos dá de mais belo: - o mar. E o mar não nos diz os seus segredos... É a natureza em todo o seu mistério. E a voz de Amália Rodrigues é bem a voz da natureza, é, sem dúvida alguma, a voz do mar... É um mistério... um dos maravilhosos mistérios fadistas...


Observações: in:Canção do Sul 1941

publicado por Apontamentos Amalianos às 12:02
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
AMÁLIA... ser ou não ser Amalista

Destaques:

Ser ou ser «Amalista»!

Os intelectuais não gostam de Fado!...

 

                             Amália a cantar no Luso (anos 40)

 

Amália!...

 

Noel de Arriaga tinha um amigo, de seu nome Nuno António, é um intelectual, uma autêntica enciclopédia ambulante, mas não gosta de fado. Certo dia, em que se encontravam no café do costume, começaram a divagar sobre diversos temas com era habitual, mas o Noel de Arriaga nem deu pelo passar do tempo, o que acontecia com frequência quando ambos começavam a conversar, mas nesse dia...

Adorava continuar a ouvir-te amigo Nuno António, mas vou... não vale a pena dizer-te onde.

Alguma conquista...

Qual! Conquistado já eu ando por esta comédia da vida... Então?

Vais-te rir. Eu sei que és contra o Fado. Vou ouvir a Amália!

A Amália?! A Amália Rodrigues?!...

Sim, já ouvi....... E vais tu ao Bairro Alto ouvir a Amália! És espantoso!

Serei, Nuno. Não quero discutir. Mas o que hei-de fazer esta noite? E depois... A Amália...

Empresto-te um livro sobre o Fado! Muito interessante! Muito mais útil! Ficarás a saber que o Fado é a canção dos vencidos além de ser, é claro o pior livro desse poeta que podia ser um grande poeta: o Régio...

A canção dos vencidos! Mas, ó Nuno, é tão bom a gente às vezes sentir-se vencido...

 Porque talvez nunca te tivesses sentido vencedor! Nietzche dizia...

Alto! Alto! Deixa lá o que dizia o Nietzche e anda ouvir a Amália...

Ouvir a Amália?! Perder tempo?! Endoideceste!

Mas porquê?! És uma pessoa como outra qualquer!

Sou contra o fado.

Porque nunca o ouviste...

Não interessa sou «á priori» contra o Fado. Não posso, não quero gostar de Fado!

E da Amália?

Nunca a vi!

Vais conhecê-la hoje...

O Fado é, como te disse, a canção dos vencidos. Isto quando é verdadeiro Fado. Aquele que se canta, ou se cantava no tempo da Severa, pela Mouraria com toda a decadência. Com todo o seu «vicio». Mas esse porque é dos vencidos, odeio-o. O outro, o que passou aos salões, deixou de ser Fado para ser ( o que é talvez pior) uma manifestação inferior de arte...

Sabes qual é a origem do Fado? 

Segundo estudos que fiz, deriva das canções que os negros das docas trouxeram de África...

Não ouso duvidar. Mas pago-te o bilhete e vens ouvir a Amália... Fixe?

E se os meus satélites intelectuais me encontram a ouvir o Fado? Que rombo!...

Dizes que fui eu que te arrastei...

Pois bem: vou abrir uma primeira e última excepção! Estás contente?

Vês como por vezes é bom a gente sentir-se vencido?...

E o meu amigo Nuno António foi comigo até ao Bairro Alto. Parecia triste por ter acedido ao meu convite. Ele que saía sempre vencedor das lutas com o mundo e consigo próprio, deixara-se arrastar como qualquer menino fútil! Porque fora aquilo? Não sabia. Sentamo-nos. Subitamente, a luz desce mais. Um foco luminoso perturba a escuridão. Ouvem-se palmas! E os primeiros acordes, numa espiral doirada, deslizam pela sala como ondas de veludo.

            No seu vestido negro, Amália, a os olhos sonhadores, parece o sonho dos seus próprios olhos!

            Em movimentos nostálgicos, transportada a um mundo de sentimento e fadiga, ela vai colorindo de harmonioso ritmo aqueles versos tristes - tristes como as caravelas que nos seus olhos naufragam.

            E a sua voz, onde a fatalidade da Raça parece gravar dolorosos sulcos de serena transição, é como um gorjeio de ave, é como um sonho de amor por outro amor vencido.

            A pouco e pouco a luz tinge de claridade intensa o ambiente festivo do salão. E as pétalas sedentas de uma rosa, lançadas por mão anónima, despedaçam-se contra a fascinação telepática do tablado....

            O meu amigo Nuno António olhou para mim com um ar de horrível indiferença. Era impossível ler-lhe dentro da alma. O Nuno António jazia impenetrável! Apenas à saída lhe perguntei:

Gostaste?

De quê? Da Amália. De que há-de ser?

Da Amália ou dos fados?

De ambas as coisas.

Continuo a ser, por princípio, contra o Fado. Quanto á Amália... No palco todas as mulheres são bonitas...

            E não consegui arrancar-he mais uma palavra. Positivamente, ele não era um... «amalista»!...

Na noite seguinte fui novamente aquele salão do Bairro Alto. A mesma ansiosa expectativa! O mesmo ruidoso triunfo! Depois de eclodir a última palma, olhei em torno de mim. E... podes abrir a boca, leitor fiel e amigo, num grande ah! De justificadíssimo espanto.

Quase a meu lado, o Nuno António, o enciclopédico Nuno António - o queixo apoiado na concha da mão esquerda, arremessava os olhos pelo tablado dentro! Depois, num entusiasmo que eu lhe desconhecia, começou a bater sonoras palmas! E desta vez foi o Nuno António que, num gesto irreflectido fez despedaçar, esquecido da sua integração nos sistemas botânicos, as pétalas sedentas de uma rosa contra a fascinação telepática daquela voz ardente...

in: Voz de Portugal 1954

 

                  Amália no Luso rodeada de amigos e admiradores (anos 50)

 


Observações: Amaliano ou Amalista

publicado por Apontamentos Amalianos às 21:33
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
AMÁLIA em A SEVERA

Alguém profetizava em 1955:

 

 

DAQUI A CEM ANOS OS PALCOS REPRESENTARÃO A VIDA DA AMÁLIA COMO AGORA SE FAZ À SEVERA

 

 

Mas não foi preciso tanto tempo,  enquanto na história da Severa, os dados poderão ser pouco rigorosos, porque não temos fotos e pouca documentação.  No caso das histórias de Amália, que foi nossa contemporânea, penso que seja de lamentar, que havendo tantas recordações, relativamente ainda recentes, como a sua casa transformada em museu, e com tantos biógrafos, como é possível que cometam tantos erros…???!!!

 

Amália um dia disse: Quando eu morrer muita coisa se irá inventar e deturpar a meu respeito.

 

 

AMÁLIA...

 

A Última Severa

Lisboa gosta muito que lhe contem histórias da sua história.

Na galeria dos grandes amores de Portugal, a Severa e o Marialva pertencem à história da Cidade, passando contados de pais a filhos, e destes, a netos e bisnetos, como do mais enternecedor e pitoresco. O Marialva é o homem poderoso, varonil, dominador de toiros e conquistador dos salões; á fidalgo de boa estirpe e de primeira água: A Severa, erva da rua, mulher com ascendência de ciganagem, nada mais tem para se fazer valer do que a preponderância da graça da sua graça. De lume nos olhos e uma voz de estúrdia para cantar a melodia plangente e fatalista dos que choram, sofrem e gemem.

Através de um século, aparece-nos este par apaixonado, em crónicas, romances e cantigas, onde a imaginação popular se recreia e se encarna com obsessão e encanto. Não importa saber até que ponto o facto foi verdadeiro ou imaginário. É uma história bonita e apaixonada, dum fidalgo por uma

Fadista.

Ao teatro chegou esta efabulação, Júlio Dantas escreveu um drama sobre o tema, depois um romance e ainda, e a seguir, foi adaptada uma opereta.

Milhentas vezes se tem aberto a cortina dos proscénios para a Severa passar de braço dado com o Marialva, travando o diálogo fatal:

— Severa!

— Meu amor, se tu não viesses eu morria.

Com estes episódios romanceados tem vibrado as multidões em delírio, como crónica sentimental. Ângela Pinto, Palmira Bastos, Ester Leão, Emília de Oliveira, Júlia Mendes, Alice Gomes, Maria Emília Ferreira, Maria Clementina, Rafaela Haro e Dina Tereza — grandes nomes da cena — encarnaram a figura que ficou assinalada.

Mas isto foi no passado. Hoje, a cidade de Lisboa tinha de ter a Severa do nosso tempo. Um nome só a escolher — AMÁLIA. A última Severa que o público vê é pois Amália Rodrigues.

O Monumental é um teatro feito neste dobrar de meio século. É portanto o palco mais jovem do burgo. Também seria digno para o empreendimento. Possui imponência arquitectónica e o conforto da arte funcional. Cristais facetados e incandescentes, veludos, sedas e doirados conjugaram-se em propensão e deslumbramento para erguer num trono de glória à fadista Amália Rodrigues, que vai subir mais um degrau da fama.

Na crónica do grande mundo social todos marcaram a data com pedra branca.

A sala do teatro do Saldanha regurgita em solenidade grande. Os maiores nomes da política, da finança e da arte. É a mesma fina-flor da Lisboa de 1955 que se rendeu e assistiu deslumbrada, ainda não há muito, ao casamento, em Cascais, da Princesa Maria Pia de Sabóia. E agora aqui se encontra de novo.

Três pancadas surdas com a luz apagada. Lentamente o drapejado cor de mel claro sobe. Uma cortina de linhagem, pintada por Manuel Lima com as figuras do drama, afasta se para deixar ver a cena. Claridade. Andam dum lado para o outro com entradas os boleeiros e as amásias, vivendo um mundo lendário. Esboça-se o conflito. Numa adega da Lisboa Velha... Num balcão de baiuca... E o caso complica-se. Eis a Severa que chega. Vem de vermelho labareda, esfuziante como água childra, dá gargalhadas de rainha do seu meio, entre chofras de rufiões e graça das marafonas. Vem de vermelho, sim. E estão com ela o Timpanas, o Roque, o Diogo e tantos mais que as pedras das vielas do Capelão conhecem e reconhecem. Amália canta. Amália é a Severa. Mas não sabemos diferenciar onde começa uma e acaba outra. Uma Severa amalista, bela, castiça, com a voz orvalhada de emoções. Viu o Marialva a tourear. E o coração ao pé da boca sai em catadupas de gritos e ais. Não podemos concluir se é riso ou se é pranto. De resto, a voz de Amália reflecte esse estado de feição.

Agora, depois, estamos numa casa da Mouraria. Ao fundo, o bairro da Senhora da Saúde desenha-se em sombras. Entra pela porta da rua uma rascoa a pedir socorro. È a pobre da Chica espancada pelo Roque. A Severa desanca o rufia e protege a débil que juntamente com o Custódio preenchem o amplexo carinhoso que a fadista tem pelos humildes.

O Conde é nobre, forte, valente. Mas tem ciúmes do Custódio. Há brigas e traições onde o Romão e o Custódio fazem tingir de sangue as vielas e as alfurjas do bairro típico.

Cai o pano com os trinados da Mouraria.

O outro acto é o da toirada. Amália vem de branco. Traz um cravo rubro no cabelo de azeviche e atira a chinela mais alta do que a vedação da praça de toiros.

A última cena é da morte. A fadista extingue-se com um lamento entrecortado de versos. Um canapé de palhinha serve de leito de dor. Dir-se-ia um friso a lamentar o infortúnio, com presságios e com penas. É um adeus á vida, ao tempo, ao mundo. O Fado é sempre triste e desventurado. Uma elegia passa no proscénio em honra da que foi a encarnação dessa boémia romântica. Lisboa gosta muito que lhe contem histórias da sua história.

Aqui se narrou a crónica da Severa feita por Amália, que traçou o xaile, tomou a guitarra de cravelhas e soltou quadras para o triste fado corrido. Viveu a Severa do nosso tempo. Nenhuma fadista podia encarnar melhor este papel. Severa e Amália! Severa ficou na história e Amália passa para a história do fado, onde tem o lugar marcado. As duas são irmãs no génio e na arte de cantar. Daqui a cem anos os palcos representarão a vida de Amália como agora se faz à Severa.

 

in: Voz de Portugal 1955



publicado por Apontamentos Amalianos às 21:49
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O FADO É PORTUGUÊS

 

O FADO É PORTUGUÊS
 

 
O Fado é tão português, que, de arnês,
bateu-se em Fez;
esteve em Alcácer-Quibir;
arrostou o mar profundo
e ao Mundo
deu novo Mundo,
na senda de Descobrir!
Esteve em Malaca e Ormuz
e, à luz
do signo da Cruz,
construiu impérios novos;
da Guiné até Timor,
com ardor,
foi defensor
do Destino doutros povos!
Fê-lo Deus aventureiro:
foi guerreiro
e marinheiro;
missionário, ou de má-rês
e — vá ele p' ra' onde for —
¬cante a dor,
ou cante o amor,
o que canta é Português!

  

Poema de: Mascarenhas Barreto


Observações: Fadista

publicado por Apontamentos Amalianos às 10:53
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Domingo, 8 de Novembro de 2009
FADO - Alma de um povo
 
 
 

 Fado.... a alma de um povo.

 
As viagens encetados pelos portugueses no século XVI, é um paradigma do destino de um povo que partiu durante séculos à procura do desconhecido, que nos criou um modo colectivo de ser e estar no mundo. É um gene da identidade portuguesa.
Naquelas horas da partida para a imensidão gigantesca dos mares, fizeram brotar lágrimas de todas as mães, de todos os pais, de todos os filhos, de todas as esposas, as noivas, os parentes e amigos, que ao dizerem adeus com soluços nos corações, na praia de Belém, que foi apelidada por isso mesmo de “Praia das Lágrimas” confrontavam-se com a descoberta da amargura da ausência.
Foi uma vivência que moldou as almas, era um povo aflito que via partir as naus com as suas gentes, sabe-se lá para onde iam, para o outro mundo ?
  
 
Ó Mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal !
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos, em vão, choraram!
Quantas noivas ficaram por casar,
Para que fosses nosso, ó Mar!
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deu ao Mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o Céu
 
Poema de: Fernando Pessoa
 
É vida , é destino, é Fado, é a alma do nosso povo.
 
Em tão longo caminho e duvidoso,
Por perdidos as gentes nos julgavam,
As mulheres com choro piadoso ,
Os homens com suspiros que arrancavam;
Mães, esposas, irmãs, que o temerosos
Amor mais desconfia, acrescentavam.
A desesperação e frio medo
De já não nos tornar a ver tão cedo
 
Camões, Os Lusíadas, canto IV, 89)
 
AO SABOR DAS ONDAS...
 
 O Fado nasceu no mar

Ao balanço de ondas mil

Por berço teve um navio

Por cobertura um céu de anil

Numa barquinha vogando

Batida pelo luar

Ouvi um nauta cantando

“O FADO NASCEU NO MAR”

 Linhares Barbosa

 

Esta mentalidade, criada de uma vivência bivalente, amargurada por um lado, alegre por outro, isto porque o ritual da partida o medo a tristeza, o espectro da morte, se misturaram com a esperança, o sonho e quanto era maravilhoso estar vivo no regresso,  tais sentimentos moldaram a consciência que se cristalizou na música e no canto, com uma tonalidade própria, inconfundível e original como é a sua matriz..
O Fado é português, é toda uma mentalidade, é toda uma História, se o povo português é o único que canta o Fado, é porque também foi protagonista de uma vivência que mais nenhum povo teve.
 
Notas: In Fado, A alma de um povo M.L.Guerra
           In Fado, Mascarenhas Barreto
 


publicado por Apontamentos Amalianos às 10:04
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
HINO NACIONAL

 

 Hino Nacional


A ideia de adoptar uma música como símbolo de um país só surgiu no século XIX. Anteriormente era costume escolher para as cerimónias oficiais um tema composto em honra do rei. No tempo de D. João VI, por exemplo, tocava--se o Hymno Patriótico de António Marcos Portugal.
Em 1834, depois da guerra civil e do triunfo dos liberais, o rei D. Pedro IV aprovou uma lei que declarava uma obra sua - o Hymno da Carta -como hino nacional. Manteve-se em vígor até à queda da monarquia.

 

Hymno Patriótico
Hymno da Carta
António Marcos Portugal


Eis, oh Rei Excelso
os votos sagrados
q'os Lusos honrados
vêm livres, vêm livres fazer
vêm livres fazer


                                  Por vós, pela Pátria
                                  o Sangue daremos
                                  por glória só temos
                                  vencer ou morrer
                                  vencer ou morrer
                                  ou morrer
                                  ou morrer

0  NOSSO  HINO NACIONAL TEM UMA HISTÓRIA
Quando se implantou a República mudaram os símbolos do país. O projecto da nova bandeira desencadeou grandes discussões e apareceram dezenas de propostas. Quanto ao hino não houve dúvidas. Toda a gente aprovou a escolha de A Portuguesa, que já existia e era cantada com fervor em homenagem ao povo português e à História de Portugal. Em 1890, no tempo do rei D. Carlos, os países europeus fizeram uma partilha do continente africano. Portugal pretendia obter todos os territórios entre Angola e Moçambique. A França e a Alemanha aprovaram a ideia, mas a Inglaterra opôs-se porque queria dominar o interior de África desde o Cairo (Egipto) ao Cabo (África do Sul).
Para obrigar Portugal a desistir, lançou um ultimato: ou o governo português mandava retirar imediatamente os exércitos que tinha naquela zona ou declarava guerra a Portugal. Na altura não havia possibilidade de enfrentar um país tão rico e poderoso; a única hipótese era ceder. Foi isso que o rei e os ministros fizeram.
O povo, porém, não aceitou, nem compreendeu e sentiu-se humilhado. Com que direito é que a Inglaterra fazia tais exigências, se os portugueses é que tinham sido os primeiros a navegar e a desembarcar naquelas paragens longínquas? Houve muitas manifestações de rua e muitos artigos nos jornais contra o ultimato, contra os ingleses, contra o governo e contra o rei. Houve quem pusesse a bandeira nacional a meía-haste em sinal de luto.

O compositor Alfredo Keil, indignado também, atirou-se ao piano e compôs uma espécie de marcha militar onde vibrava toda a sua raiva. Depois dirigiu-se a casa do poeta Henrique Lopes de Mendonça, que morava num quarto andar, subiu as escadas esbaforido e pediu-lhe uma letra que encaixasse naqueles acordes e desse voz à revolta que se gritava nas ruas. Trabalharam juntos alguns dias e logo que o poema ficou concluído deram-lhe o nome de A Portuguesa.

A primeira edição da música e texto íoi paga pelos próprios autores. Teve uma tiragem de 1 2 000 exemplares que esgotou imediatamente! A partir de então, nas ruas, nos cafés nos clubes, nos teatros cantava-se a toda a hora: «Heróis do mar, nobre povo...». E era a música de toda a gente. Os revolucionários republicanos tinham--Ihe um apreço especial porque, além do poema lembrar a História de Portugal sem nunca falar no rei, incitava ao combate. No dia 31 de Janeiro de 1891, quando saiu à rua a primeira tentativa de revolução republicana no Porto, os revoltosos berraram A Portuguesa a plenos pulmões. Depois da revolta abafada, a música foi proibida. Mas continuou a ser cantada às escondidas. Alíredo Keil passou o Verão de 1 890 em Vales, perto de Frazoeira. Durante essas férias fez uma adaptação da música para que pudesse ser tocada por uma banda, ninguém, nem ele  sonhava que viria a ser adoptada como Hino Nacional.

A PORTUGUESA

1890 (versão original)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Herois do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!

III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!!

 

A PORTUGUESA - HINO NACIONAL

Com  alterações feitas em 1957
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,

Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 HINO NACIONAL

 

 

 

 


Observações: bem português
música: Hino Nacional

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Cabo da Esperança - O Gigante Adamastor

 

 

 O GIGANTE ADAMASTOR

Cinco dias depois da paragem na Baía de Santa Helena, chega Vasco da Gama ao Cabo das Tormentas e é surpreendido por uma nuvem negra “tão temerosa e carregada” que pôs nos corações dos portugueses um grande “medo” e leva Vasco da Gama a evocar o próprio Deus todo poderoso.
Foi o aparecimento do Gigante Adamastor, uma figura mitológica criada por Camões para significar todos os perigos, as tempestades, os naufrágios e “perdições de toda sorte” que os portugueses tiveram de enfrentar e transpor nas suas viagens.
Esta aparição do Gigante é caracterizada directa e fisicamente com uma adjectivação abundante e é conotada a imponência da figura e o terror e estupefacção de Vasco da Gama, e seus companheiros, que o leva a interrogar o Gigante quanto à sua figura, perguntando-lhe simplesmente “Quem és tu?”.
Mas mesmo os gigantes têm os seus pontos fracos. Este que o Gama enfrenta é também uma vítima do amor não correspondido, e a questão de Gama leva o gigante a contar a sua história sobre o amor não correspondido.
Apaixona-se pela bela Tétis que o rejeita pela “grandeza feia do seu gesto”. Decide então, “tomá-la por armas” e revela o seu segredo a Dóris, mãe de Tétis, que serve de intermediária. A resposta de Tétis é ambígua, mas ele acredita na sua boa fé.
Acaba por ser enganado. Quando na noite prometida julgava apertar o seu lindo corpo e beijar os seus “olhos belos, as faces e os cabelos”, acha-se abraçado “cum duro monte de áspero mato e de espessura brava, junto de um penedo, outro penedo”.
Foi rodeado pela sua amada Tétis, o mar, sem lhe poder tocar.
O discurso do Gigante, que se divide em duas partes de acordo com a intervenção de Vasco da Gama, compreende, na primeira, um carácter profético e ameaçador num tom de voz “horrendo e grosso” anunciando os castigos e os danos por si reservados para aquela “gente ousada” que invadira os seus “vedados términos nunca arados de estranho ou próprio lenho”.
A segunda parte do discurso do Adamastor representa já um carácter autobiográfico, pois assistimos à evocação do passado amoroso e infeliz do próprio Camões.
O Gigante Adamastor diz ainda que as naus portuguesas terão sempre “inimigo a esta paragem” através de “naufrágios, perdições de toda a sorte, que o menor mal de todos seja a morte”, a fazer lembrar as palavras proféticas do Velho do Restelo.
Após o seu desabafo junto dos lusitanos, a nuvem negra “tão temerosa e carregada” desaparece e Vasco da Gama pede a Deus que remova “os duros casos que Adamastor contou futuros”.
 Luís Vaz de Camões

 

Maria Armanda canta: 

 

  VELHO MARINHEIRIO

Letra de: Mário Rainho

Música de Fontes Rocha

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o mundo inteiro

 

                       Chegou primeiro às Índias, ao Oriente

                       Uniu por mares, continentes

                       Que nos deixou por herança

                       Nas caravelas, num mar de águas turbulentas

                       Dobrou o Cabo das Tormentas

                       Que é hoje da Boa Esperança

 

Qual é o país, vaidoso e feliz

No mar pioneiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Que levou a cruz, de Cristo Jesus

P´lo Mundo inteiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o Mundo inteiro

 

                      Chegou primeiro a outras praias distantes

                      Por esses mares nunca dantes

                      Navegados por alguém

                      Tem um padrão à coragem e aos tormentos

                      Pelos seus descobrimentos

                      Junto à Torre de Belém

 

 

  


música: Velho Marinheiro

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Poema "O Cacilheiro" de José Carlos Ary dos Santos

    

Quadro a óleo do Mestre Real Bordalo

 

 

O  CACILHEIRO 

 

 

 Poema de: Ary dos Santos

Música de: Paulo de Carvalho


Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro,
comboio de Lisboa sobre a água:
Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro.
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.
 
Na ponte passam carros e turistas
iguais a todos que há no mundo inteiro,
mas embora mais caras a ponte não tem vistas
como as dos peitoris do Cacilheiro.
 
Leva namorados
marujos soldados
e trabalhadores
e parte dum cais
que cheira a jornais
morangos e flores.
Regressa contente
levou muita gente
e nunca se cansa.
Parece um barquinho
lançado no Tejo
por uma criança.
 

 
Num carreirinho aberto pela espuma
lá vai o Cacilheiro Tejo à solta,
e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma
tiraram um bilhete de ida e volta.
 
Alfama Madragoa Bairro Alto,
tu cá tu lá num barco de brincar
metade de Lisboa à espera no asfalto e
já meia saudade a navegar.
 
Se um dia o Cacilheiro for embora
fica mais triste o coração da água
e o povo de Lisboa dirá como quem chora, 
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.

 

  



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Sábado, 31 de Outubro de 2009
José Viana - Actor, Desenhador, Escritor e Cantor - Zé Cacilheiro

José Maria Viana Dionísio nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro 1922.

Após a instrução primária, frequentou a Escola Industrial Machado de Castro mas não chegou a acabar nenhum curso.

Desde muito jovem que demonstrou aptidão e jeito para desenhar ,  aos 13 anos, já desenhava para o «Jornal O Senhor Doutor», o suplemento de «O Século», «Pim Pam Pum» e a fazer capas para o «O Papagaio».

O primeiro emprego foi como  retocador de gravura, na Casa Bertrand & Irmãos.

Também desde muito cedo se sente atraído pela música do swing e do jazz, passa também a cantar integrado em  conjuntos musicais que animam nas colectividades populares de cultura e recreio, posteriormente canta em recintos nocturnos, mas como segunda ocupação.

Continua a sua profissão de desenhador, até que é convidado como  publicista de cinema, para a Sonoro Filmes.

De espírito criativo e ávido de inovações, passa a frequentar a  Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, colaborando na pintura de cenários, na época em que por lá estavam   o Jacinto Ramos, Varela Silva, Raúl Solnado,  etc.

Estreia-se como actor amador, em obras de Gil Vicente, Alves Redol, e outros.

Estreia-se na RTP com o programa  «Riscos e Gatafunhos» e depois «Melodias de Sempre», programas que lhe dão grande notoriedade.

Esteve  no Teatro de Gerifalto,  e também  Teatro ABC (Vinho Novo),  pela mão do empresário José Miguel .

Estreia-se como autor, ao lado de Nelson Barros em 1959 na revista «Mulheres à Vista», e destaca-se na rábula «Inimigo de Lisboa». Em 1963, encena pela primeira vez uma revista, «Elas São o Espectáculo», seguindo-se outro sucesso com «Embaixador do Fado».

Nas andanças do teatro de revista, conhece uma actriz brasileira Jújú Batista, que lhe dá uma filha, a Maria.

Passados alguns anos José Viana conhece Dora Leal,  com quem contracena  e passa a ser sua companheira de que resultam duas filhas (a Maria Raquel e a Madalena Leal).

Em meados da década de 60, José Viana atinge o auge da sua carreira, na Empresa de Guiseppe Bastos e Vasco Morgado, então no Maria Vitória.

O «Zé Cacilheiro» surge em 1966, em «Zero, Zero, Zero - Ordem para Matar» que teve um êxito estrondoso, o tema foi gravado em disco e muito solicitado nas rádios de então.

Outras rábulas merecem destaque como «Carlos dos Jornais» e «Catedrático do Fado em Grande Poeta é o Zé», 1968; «O Zé Povinho vai ao Médico»; em «Mãos à Obra», 1969; «Sinaleiro de Liberdade», em «Esperteza Saloia»; 1969; «Chefe de Cozinha do Hotel Portugal», em «Pimenta na Língua», 1970; «O Zé Povinho no Frente a Frente da TV em Cala-te Boca!», em 1971 ou «Miss Chalada,» em «Ora Bolas para o Pagode», em 1972.

José Viana e Dora Leal após os acontecimento pós-25 de Abril de 1974, (José Viana referenciado com o PCP),  voltam ao Parque Mayer, em Festa no Parque,  corria o ano de 1987, mas sem grande aceitação popular.

No cinema, José Viana teve algumas participações,  em pequenos papéis como em O «Cerro dos Enforcados», de Fernando Garcia (1953) e «Perdeu-se um Marido», de Henrique Campos (1956) mas foi em «O Recado» (1972), de José Fonseca e Costa, a «A Fuga» (1976), de Luís Filipe Rocha, «A Ilha» (1990), de Joaquim Leitão, e «O Fim do Mundo» (1992), de João Mário Grilo, que o seu talento é mais reconhecido.

Faleceu em Lisboa no dia 8 de Janeiro de 2003 

 José Viana canta:

 

 

 

 

 

ZÉ CACILHEIRO

 

Autores: Paulo da Fonseca/Carlos Dias           

 

Quando eu era rapazote

Levei comigo no bote

Uma varina atrevida

Manobrei e gostei dela

E lá me atraquei a ela

P’ró resto da minha vida

Às vezes uma pessoa

A saudade não perdoa

Faz bater o coração

Mas tenho grande vaidade

Em viver a mocidade

Dentro desta geração

 

                                Refrão

 

                              Sou marinheiro

                              Deste velho cacilheiro

                              Dedicado companheiro

                              Pequeno berço do povo

                              E navegando

                              A idade foi chegando

                              O cabelo branqueando

                              Mas o Tejo é sempre novo

 

Todos moram numa rua

A que chamam sempre sua

Mas eu cá não os invejo

O meu bairro é sobre as águas

Que cantam as sua mágoas

E a minha rua é o Tejo

Certa noite de luar

Vinha eu a navegar

E de pé, junto da proa

Eu vi, ou então sonhei

Que os braços do Cristo-Rei

Estavam a abraçar Lisboa

 

Refrão

 



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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Canção de Lisboa de Artur Ribeiro, Cantado por Misia

 

 

  LISBOA

 

Letra de: Artur Ribeiro

Música de Ferrer Trindade

 

Vejo do cais

Mil janelas

Da minha velha Lisboa

Vejo Alfama das vielas

O Castelo, a Madragoa

E os meus olhos rasos de água

Deixam por toda a cidade

A minha prece de mágoa

Nesta canção de saudade

 

                                             Estribilho

 

                                         Quando eu partir

                                         Reza por mim Lisboa

                                         Que eu vou sentir Lisboa

                                         Penas sem fim Lisboa

                                         Saudade atroz

                                         Que o coração magoa

                                         E a minha voz entoa

                                         Feita canção Lisboa

 

E se ao voltar

Me vires chorar, perdoa

Que eu abra a porta à tristeza

Para depois rir à toa

Tenho a certeza

Que ao ver as ruas

Tal qual hoje as vejo

Nesse teu ar de rainha do Tejo

Hei-de beijar-te Lisboa

 

                                     Hei-de beijar com ternura

                                     As tuas sete colinas

                                     E vou andar à procura

                                     De mim p’las esquinas

                                     E tu Lisboa

                                     Hás-de vir aqui ao cais

                                     Como agora

                                     P’ra eu te dizer a rir

                                     O que hoje minha alma chora

 

Misia canta:

 

 


Observações: Lisboa dos amores, do coração.
música: Lisboa de Artur Ribeiro

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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Carta para Portugal de Manuel Carvalho

Em 23 de Setembro de 2007 recebi e publiquei  do meu amigo Manuel de Carvalho esta carta,  hoje volto a repescá-la pois está bem actual nestas comemorações e homenagens que se vêm fazendo á nos AMÁLIA

 CARTA PARA PORTUGAL

 

      Caro amigo

      Antes de me sentar para te escrever, pus um CD da Amália a tocar. Sim, sim, da Amália! Rio-me aqui sozinho, divertido,  ao imaginar a tua cara de espanto. É verdade,  podes crer, agora também gosto de fado. Como aliás já gosto de muitas outras coisas a que antigamente, antes de emigrar, não ligava nenhuma e até tinha mesmo declarada aversão.

Seria demasiado longo e talvez infrutífero tentar explicar-te as premissas desta mudança tão radical. Talvez lá mais para o fim da carta, comeces a ver uma luzita ao fundo do túnel.

Aceita , pois, por agora, sem objecções, o facto consumado: gosto de fado, adoro fado. Neste preciso momento, a voz cristalina e sem par da grande diva desliza-me pela alma  como uma cascata refrigerante de diamantes:

 

(...)

Dizem as velhas da praia

Que não voltas.

São loucas! São loucas!

 (...)

 

            Perguntavas-me na tua última carta, com uma ponta de inquetação, bem o percebi,  se tencionava regressar, algum dia, a Portugal, pondo assim um termo a esta já tão longa aventura da emigração.

            Que resposta te poderei dar? Será a emigração uma viagem sem regresso? Certamente, na grande maioria dos casos. E os números nus e crus das estatísticas estão lá para comprová-lo.

 Regresso! Palavra de mil alquimias. Nos primeiros tempos, a sua evocação é  abençoado remédio contra os males da saudade e do desenraizamento. Depois, à medida que novas raízes começam a rasgar húmus imprevistos, transforma-se, sem nos darmos conta disso, num espinho cravado nas carnes, num agente perturbador da paz de espírito.

Como todos aqueles que um dia partiram do chão que os viu nascer, a minha firme intenção era regressar o mais rapidamente possível. Cinco anos? Dez anos? Já nem me recordo com precisão dos prazos então estabelecidos.

              Mas, como diz o ditado, o homem põe e Deus dispõe. E tortuosos são os caminhos da vida. Imprevistamente, estas terras alheias, onde nos nasceram e  cresceram os filhos, começam, num impreciso e decisivo momento, a ser também nossas e, quando nos apercebemos disso, é irremediavelmente tarde. Já então,  tal como cantou o Poeta, temos a alma pelo mundo em pedaços repartida e o sonho do REGRESSO, miragem cada vez mais esfumada e inalcançável, perde-se definitivamente nos insondáveis espaços míticos do imaginário colectivo da diáspora.  É um  enorme choque, acredita, esta constatação.

             Mas ninguém pode viver eternamente paredes meias com o desespero. Finalmente, após longa travessia do deserto, num belo dia de todas as graças, um subtil e poderoso mecanismo de sublimação põe-se lentamente em marcha. É então chegada a hora de, estoicamente, fazer das tripas coração e  agarrar agulha e linhas para remendar o rasgão que nos dilacera a alma .

 

(...)

Eu sei , meu amor, que nem chegaste a partir

Pois tudo em meu redor me diz

Que estás sempre comigo

(...)

           

            No meu caso pessoal, a mais balsâmica das respostas para as minhas apreensões e simultaneamente para a tua pergunta descobri-a na mensagem inconformista da letra deste fado. Como poderei regressar se nunca parti verdadeiramente de Portugal? Estás a compreender o paradoxo? Portugal, meu amigo, nunca deixou de estar incrustado no meu espírito, no decorrer da minha errância por este mundo além. Adivinho, sinto a sua presença constante no pulsar da carne,  no sussurro da memória, nos sobressaltos  dos sentidos, no latejar das emoções, na voz  da alma.

             Sim, podes crer, nunca cheguei a partir definitivamente de Portugal, ou talvez melhor, recorrendo a uma imagem mais convincente, quando parti trouxe Portugal comigo, na mala, para, companheiro indefectível,  me fazer companhia nas horas de solidão.

Então agora que vivemos esta espantosa revolução das comunicações que alterou drasticamente a geografia do mundo e que encurtou as distâncias físicas e afectivas, a minha convicção é cada vez mais profunda e sustentável. Basta chegar a casa e ligar a televisão ou o computador para que Portugal, como um deus omnipresente, como um génio da lâmpada, desperte e invada as mais recônditas fibras do meu corpo sempre pronto para ser lavrado e semeado pelas forças telúricas que tutelam a minha existência.

            Será pois despropositado falar de regresso. Não queiras ser, com a tua pergunta dilacerante, uma das velhas da praia...da minha vida. Para quê subverter um equilíbrio tão penosamente conquistado?

(...)

Dentro do meu peito

Estás sempre comigo.

(...)

 

Compreendes agora por que razão gosto de fado? E por que , entre todos, o meu predilecto seja o Barco Negro da Amália?

Como sempre que me é possível, aí estarei este verão em Portugal para mais um cíclico regresso às origens e aos prados floridos da infância. Até lá, recebe um grande abraço deste  teu amigo

 

http://manuelcarvalho.8m.com

                                                   Amália canta:

                               

 

 

              BARCO NEGRO

 

 

Poema: David Mourão-Ferreira 

Música: Piratini; Caco Velho 

 

De manhã, que medo
Que me achasses feia!
Acordei, tremendo,
Deitada na areia...
Mas logo os teus olhos
Disseram que não:
E o sol penetrou
No meu coração.

 

Vi depois numa rocha uma cruz,
E o teu barco negro
Dançava na luz...
Vi teu braço acenando,
Entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas.
São loucas!
São loucas!

 

                   Eu sei, meu amor:
                   Que nem chegaste a partir,
                   Pois tudo, em meu redor,
                   Me diz que estás sempre comigo.

 

                   No vento que lança
                   Areia nos vidros;
                   Na água que canta;
                   No fogo mortiço;
                   No calor do leito;
                   Nos bancos vazios;
                   Dentro do meu peito
                   Estás sempre comigo

  

 


música: Barco Negro por Amália

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Sábado, 24 de Outubro de 2009
AMÁLIA RODRIGUES - Homenageada com marca de Vinho

 

 

A Herdade das Servas e a Fundação Amália Rodrigues, em homenagem à vida da fadista,apresentaram  o Vinho “Amália” no dia 27 de Outubro, pelna Casa-Museu Amália Rodrigues, na Rua de São Bento, N.º 193, em Lisboa.

Esta ocasião inédita contou com a presença dos amigos da Amália, fadistas de renome e especialistas do sector dos vinhos.

 

Parte da venda do vinho ‘Amália’ reverte para Associações de Solidariedade Social.

 

 

 

 "O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria."

(William Shakespeare)

                                                          

 

 

Amália canta:

Oiça Lá Ó Senhor Vinho

Autor: Alberto Janes

 

 

  

  

Nota: A  fota do copo de vinho, assim com a foto de Amália,  foram retiradas da Net, lamento não saber os nome dos autores, mas espero que considerem, ao utilizá-las (sem fins lucrativos),  uma homenagem quer á nossa Amália, quer ao vosso trabalho. Parabéns e obrigado.

A foto dos vihos Amália foram cedidos por Sandru Sousa


Observações: Amália a Diva
música: Oiça Lá Ó Sr. Vinho de Alberto Janes

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Lisboa em minha noite por Mariana Correia
Após a publicação deste post tive mais informaçãoe sobre esta nossa compatriota, que canta o Fado, e tem trabalhos gravados, aqui fica o seu blogue para que possam saber mais pormemores:
                      http://www.fadofatum.com/
Mariana Correia canta:
Suspiros na Voz
Letra de: José Fernandes de Castro
Música: Alfredo Marceneiro- Fado Versículo
 

 
Se há coisas que premeiam este trabalho são missivas como a que acabei de receber, é uma compratriota nossa vive há muitos anos na Suiça, mas tem aquele "nó no estomago, aperto no coração, eu sei lá que mais" porque ama Lisboa, e Lisboa, como todos os amores quanto mais amamos, mais sofremos. Poetas choram em versos.
Amiga Mariana Correia parabéns.
Viva Lisboa e quem a ama
 
 
 "....Há muito que o quería fazer e hoje, lá ganhei coragem para lhe enviar o que segue em anexo. Numa das minhas noites de insónia sairam-me estes versos, tenho por costume escrever mas não são poemas ou letras para fado, antes fossem, tería assim mais alguns inéditos, rsrsrs. Como Lisboa é a minha cidade, os anos passam e mais a saudade me doi, embora, muito sinceramente, também me sinta bem aqui,é um sentimento muito controverso, naturalmente creio, estou certa, que a saudade bateu alto nessa noite e aqui está este "Lisboa em minha noite". Não sei se tem os requesitos precisos e aos quais obedecem para que faça parte de mais uma canção a Lisboa.
Não tenho pretenções de  ser poeta mas lembrei-me do nosso Lisboa no Guiness, se por acaso achar que vale a pena e que não se parece com algum fado já escrito ou sei lá mais quê, este é seu e da nossa cidade. Confesso que ganhei gosto e depois deste existem mais duas"versões" onde a palavra Lisboa só aparece no último verso...." Mariana Correia
 

 

Lisboa em minha noite

 

Versos de : Mariana Correia

                                                            

                     Ficando a sós com a noite, sigo uma luz

                     A noite, embala a noite que tem minh’alma

                     Vagueio nesse espaço, que seduz

                     Como reza ou silêncio e sua calma.

 

                     Lisboa é mais bonita se as estrelas

                     A vestem com as cores d’uma paixão

                     Amarra em seu caís o brilho delas

                     Agarra a minha a noite e o coração.

           

                     Lisboa, guarda os sonhos dos poetas

                     Num rio, conta segredos ao luar

                     E tal qual profecías de profetas

                     Navega o destino nesse mar.

                                              

                     Ficando a sós com a noite, sinto a cidade

                     Sinto pulsar seu canto enquanto...aguardo

                     Lisboa em minha noite, cantar saudade

                     Seguindo a luz que sigo, neste Fado.

 

MLC/13.01.2009

 

Fotos  tiradas da Internet, agradeço aos seus autores, e lamento mnão saber os seu nomes para aqui publicar, estas fotos são também afectos de amor por Lisboa, obrigado e parabéns.


Observações: ....de Lisboa e até sou!
música: Suspiro na Voz

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Manuel Mendes compositor, guitarrista executante econstrutor

Manuel Mendes, faleceu vítima de doença prolongada, ontem dia 2i de Outubro de 2009, no Hospital de Santa Maria.

Era natural de Lisboa, e desde muito jovem que tinha aptidão para a música e paa o Fado, também tinha o "hobbie " de construir instrumentos musicais, em especial guitarras.

Tocou  para muitos fadistas e esteve em vária casas deFados ,foi no Faia que mais convivi com ele, aliás Manuel Mendes foi amigo e tocou para as Três Gerações de Marceneiro.

Gravou como acompanhante e a solo, era autor de várias músicas para Fados e variações.

Era um homem muito afável e sempre bem disposto.

Tinhamos combinado fazer uma página dele neste blogue, com um pequeno filme da construcção duma guitarra, infelizmente não se concretizou.

Manuel Mendes, estejas onde estiveres, até sempre.

 

música: Guitarrada nas Arcadas do Faia

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
GERAÇÕES de MARCENEIRO na CASA A CESÁRIA

 

A Casa de Fados "A Cesária", situada na Rua Gilberto Rola em Alcântara, era   uma tasca já desde o século XIX.

Já no século XX passou a ser uma casa de "prostituição", que na época eram autorizadas, funcionava com o nome de Bar Sábá. Tinha dois andares, em baixo bebia-se e acordava-se o preço com as "meninas",  em cima havia dois quartos de curta permanência, á disposiçaõ dos interessados.

Mais tarde o seu proprietário Mário Lopes de Oliveira, aproveitando o edifício ter dois pisos,  passou para o 1º piso a parte da "prostituição"  criando para tal uma porta de entrada independente pela rua. No rés-do- chão abre uma casa típica com petiscos e onde se podia cantar o Fado com o nome "Casa  A Cesária",  a pouco e pouco começa a ter bastante afluência,  principalmente aos fins de semana, em que iam pessoas para  ouvir o Fado, e os próprios Fadistas apareciam, porque gostavam do ambiente.

Pouco tempo passado e as  casas de prostituição são proibidas e obrigadas a fechar, o proprietário que mais tarde passou a ser conhecido pelo Mário da Cesária, como tem alvará de bar, consegue licença para ampliar a casa,  o primeiro andar  é aberto, ficando como uma varanda com visão para a divisão de baixo, que passou a ser o pátio das cantigas, era uma casa muito "castiça" quer pela decoração quer pela construção , pois dava a ideia que estávamos num pátio lisboeta, passando a dar Fado todos os dias.

Imagem do interior da casa retirada de um anúncio e  ainda o painel em azulejo existente na parede da casa

          

 

Carlos Duarte uma noite na Cesária

Segundo a tradição, terá sido neste local, outrora uma "taverna" que Maria  Cesária, terá cantado pela última vez em 1877.

 Nos anos sessenta como já referi, passaram  pela Cesária quase todos os fadistas da época, destacando-se o meu tio Carlos Duarte, que nunca foi profissional, mas ali ía todos os dias, aos dias de semana só até cerca de meia-noite, pois no dia seguinte tinha que ir trabalhar, aos sábados e domingos as "fadistisses" iam até de madrugada, acabando muitas das vezes, em que fadistas, empregados e clientes, acabavam no cacau da ribeira, até o sol nascer. (Grandes noites, ainda tive oportunidade de viver algumas delas, com o meu pai e o meu avô, o meu tio Carlos e o meu primo Valdemar).

 

  Carlos Duarte canta "Vestido Azul"

 

Quando fui para o serviço militar em 1967, também já era por lá e pelo Timpanas mais ao lado, que eu ía continuando a dar os primeiros passos no Fado. Nesta altura, o Mário  contrata o meu primo Valdemar Duarte, filho do meu tio Carlos Duarte (que faleceu em 1966), como gerente artístico e também para cantar.

Entretanto o meu primo Valdemar Duarte, casa-se e organiza a vida e demite-se da Cesária,  nunca mais cantou, e foi pena pois cantava muito bem, na linha que nós todos da família comungamos,  é o "ADN do Marceneiro", já tinha angariado bastantes admiradores, tenho muita pena que ele infelizmente  não  tenha   nada gravado, mas o Fado está-lhe na alma, actualmente anda a aprender a tocar guitarra.

A Casa A Cesária fechou definitivamente as portas em 1977.

Há uma realidade que é inegável, é que os "Marceneiros", estiveram sempre  com o FADO e no Fado.... E continuam

 

© Vítor Duarte Marceneiro

  

 

 Carlos Duarte na Cesária a cantar e em convívio (1964) 

 

 

Foto Valdemar Duarte a cantar na Cesária ao lado está a irmã Judite Duarte, 

também filha de Carlos Duarte (1966)

 

Foto Tirada na Cesária em 1966

Da esquerda para a direita: Vítor Duarte Marceneiro, Aida Duarte (filha de Marceneiro), Aida Duarte (sobrinha de Marceneiro, filha de seu irmão Júlio Duarte), e seu marido Carlos

  

Seguem-se mais alguns elementoa relacionados com A Cesária:

Painel de Azulejos, a fachada do edificio actualmente, um copo gravado,  

 

 

  

 


música: Vestido Azul

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Maria Cesária - Cesária de Alcântara

 

 MARIA CESÁRIA, figura mítica do Fado oitocentista, ignora-se a data de nascimento e morte da cantadeira, e mesmo o seu nome de baptismo completo, apenas se sabendo que seria efectivamente Maria.

Residente no bairro de Alcântara ali trabalha­va numa fábrica como engomadeira. Inicialmente companheira de um fadista local, terá acabado por" o trocar por José Cesário Sales, canteiro, ho­mem de algumas posses e talento na sua profissão, filho de Francisco Sales, proprietário de uma im­portante oficina de cantaria em Lisboa. Desta li­gação terá resultado o Maria do Cesário e daí Ma­ria Cesária. Ficando igualmente conhecida como Mulher de Alcântara.

Tão famosa quanto Maria Severa, proferia as palavras com receio e trajava de modo simples,  re­cusando ousadias e vestes originais. Era normal­mente acompanhada pelo guitarrista Carreira.

Se­gundo as crónicas, a qualidade da sua voz era equiparável à qualidade da sua memória, dando Tinop notícia de inúmeros desafios em que terá participado, nomeadamente com uma rival sua, Luzia a Cigana, alguns dos quais durariam dois e três dias de Fados e comezainas.

Terá sido bastante famosa nas décadas de 60 e 70 do século XIX, tendo o guitarrista Ambró­sio Fernandes Maia composto um Fado que lhe dedicou, o Fado da Cesária ou Fado de Alcântara.

Cesária foi a figura central da opereta com o mesmo nome, escrita por Lino Ferreira, Silva Ta­vares e Lapa Lauer e musicada por Filipe Duarte, que subiu à cena no Teatro Apolo em 1926.

Nota: Desconhece-se a existência de alguma foto da Cesária, a imagem em cima, representa uma mulher fadista do século XIX

 

Na opereta "Mouraria", a Cesária  foi recordada:

 

Fado da Cesária

 

Tanto a desgraça me alcança

que já me sinto cansada,

da vida que não se cansa

de me tornar desgraçada.

 

                                              E como o Fado alivia

                                              as mágoas que a gente sente,

                                              eu minto à minha agonia,

                                              noite e dia,

                                              cantando constantemente.

 

Refrão

 

Foi um beijo venenoso,

demorado,

langoroso,

que perversa me tornou.

E eu faço o que me fizeram,

pois ninguém foge ao seu fado;

— Foi a mentir que mo deram,

 é a mentir que eu os dou...

 

                                              Aquele a quem dei a vida

                                             e o que eu tinha de mais meu,

                                             hoje chama-me perdida

                                             mas não diz quem me perdeu.

 

É por isso que no Fado

a minha alma se desgarra,

pois esqueço o meu passado,

torturado,

quando chora uma guitarra.

 



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Sábado, 17 de Outubro de 2009
Lisboa tão linda és...

 

Há mais de 50 anos, faziam-se palestras sobre Lisboa, lembrando os poetas e os escritores. 

Como se pode verificar já nessa altura, Lisboa era o grande motivo de inspiração.

Eram homens de carácter, com um só desejo, amar Lisboa, sem problemas de competitividade entre si,  era como se todos fossem um só... Lisboa uma só...com os seus amantes unidos num só objectivo...amá-la e adulá-la escrevendo sobre ela.

Cada vez se recolhe mais provas, que Lisboa é bem a cidade mais cantada do mundo, já está para breve o que eu e muitos dos amantes de Lisboa, do Fado e da poesia em geral, ansiamos, colocar Lisboa no Guiness Book de Records.

 

Um "Fala-só" de Lisboa:  
Uma palestra da série "Lisboa, tão linda és..." falando desse grande poeta que é Carlos Conde
por: Francisco Radamanto
 Carlos Conde
De entre os milhentos amantes que Lisboa tem, os mais enamorados e fieis, os que a adoram com paixão quase física e quase sensual são aqueles "Fala-só"que   a gente vislumbra,   em jeito   de   prece,   debruçados   em   mirantes   e miradouros, a contemplá-la em êxtase, na hora bruxa do arrebol vespertino.
Ao longe, o sol declina, lentamente, deixando após si um rastro de oiro e vermelho, de anil e púrpura, que vai encher de revérberos de cor e de luz as mil janelas dos sete presépios que são as sete colinas... Desfolham-se as sardinheiras nas trapeiras e as rosas-de-toucar fecham-se, pudicamente, por varandas e sacadas.
 
Esta é a hora dos "Fala-Sós'”... Lá estão eles no Monte e em Santa Luzia, em S. Pedro de Alcântara e no Alto de Santa Catarina... Olhos fixos, magníficos e famintos, lábios que se sentem mexer numa irreprimível confissão de amor, ensimesmados e indiferentes a tudo que não seja o deslumbramento de alma que a presença, viva e infimamente sentida, da sua amada Lisboa, lhes faz viver, num frémito de emoção e de puro prazer.
Todos os "Fa!a-sós" são poetas - mesmo os que não sabem fazer versos, mesmo aqueles cujos poemas vivem e vibram de dentro para dentro. Estes usam as vozes do silêncio, recolhidas e crentes, mas não menos apaixonadas do que as dos outros, - dos que cantam, dos que exprimem de dentro para fora. Uma das mais puras vozes cantantes dos "Fata-sós" da cidade ê o de Carlos Conde, - poeta pela graça de Deus, trovador por amor da Lisboa que vive, em sortilégio da graça, nas suas rimas ricas de sabor e verdade.
O poeta percorre as ruas da cidade ribeirinha, sobe escadinhas, entra nos pátios,   calcorreia   as   calçadas,   enternece-se com   os arcos   e alpendres, deslumbra-se nos mirantes e miradouros...
Ali vai um cego a tocar guitarra; uma costureirinha romântica assoma à janela a trautear uma trova; uma varina atira ao ar a nota cantada dum pregão vibrante; um marujo passa, bamboleante e pimpão; uma rapariga, de lenço e avental, leva nos olhos a marca de um amor de perdição; um ardina saltitante e irreverente grita "à última hora"!...
Todo este mundo pitoresco e estranho, que é luz e noite, que é riso e lágrimas, que é manjerico e cardo, pertence ao poeta.
Todo ele pulsa, vibra e vive nos versos de Carlos Conde.
Sobe o cantor a Santa Luzia, para nos dizer:
 
“Alfama faz-me lembrar
Na pureza muito sua,
Uma velhinha a fiar
Sentada à porta da rua!!...”
 
“E logo define o bairro como:
 
"Canção em que o povo crê.
Cantiga que o povo reza,,,
- És um sonho de princesa
Alfama da velha Sé!..."
 
Do lactário sai uma rapariga que leva, aconchegado no xaile, quase escondido, o seu menino, aquele menino que o amor lhe pôs nos braços... E, Carlos Conde, comenta;
 
"Meu Deus! Meu Deus: - Vê lá bem
Que, por caminhos sem luz.
Anda um menino Jesus
Ao colo de cada mãe!..."
 
Tomando como sua a cruz de outra, a que passou chorosa, desiludida e descrente, o poeta afirma:
 
"Meus olhos que por alguém
Deram lágrimas sem fim,
Não choram por mais ninguém,
Basta que chorem por mim!..."
 
Passa à Mouraria para nos dizer:
 
"Venham ver a Mouraria
Pelas frestas do passado!..
 
Aqui na Rua dos Canos,
Dançam faias e rameiras,
Entre dois velhos pianos
Dum café de camareiras!..."
 
Foi à Graça e contou-nos a história do namorico da Maria, a ta! costureirinha romântica e cantadeira:
 
"Na Graça, quando ela passa.
Toda a gente lhe quer bem:
- Não há graça com mais graça
Do que a graça que ela tem!...
 
Causa gosto ver aquele
Varandim com muitas flores,
A esquina de Sapadores
Muito perto do quartel
 
 
Cá em baixo, um furriel
Com quem a Maria engraça
Diz-lhe um dito, uma chalaça,
Fia afira-lhe uma flor…”
 
É assim mesmo, não é?...
O poeta chega, agora, ao Castelo e diz-nos:
 
"Estamos no velho Castelo
Desta Lisboa garrida.
Que é o caixilho mais belo
De uma aguarela com vida!...”
 
Desce à Baixa e, lisboeta retinto, exclama:
 
Ali vai a Tradição
Almoçar ao "Garrafinhas",
Depois de estar nas "ginginhas"
Do Rossio e Santo Antão!..."
 
Vai-se ao "Cabeça de Touro",
Ao "Friagem" e ao "Claudino"
E nunca se perde o fino...
Esta Baixa é um tesouro!..."
 
Desde o exterior castiço e pitoresco ao interior, - quantas vezes de revolta e drama -, todos os tipos populares, a própria voz do povo dos bairros típicos de Lisboa que cheira a alfazema e a cravo-de-papel, estão despidos e ficam bem assim na verdade da nudez dos versos de Carlos Conde. São como são. E Lisboa é como é.
Aí, Lisboa!... Que Carlos Conde, um dos teus apaixonados "Fala-sós", te continue a
sentir para dentro e a cantar para foral... Lisboa, tão finda és!...
 
Francisco Radamanto
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nota: As fotos utilizadas são retiradas da internet , agradeço aos seus autores as terem publicado, para que possam ser usadas, sem fins lucrativos, como é o meu caso, se alguém se considerar lesado, agradeço me informe, e a foto será de imediato retirada.
 
Descrição as Fotos a partir do topo do post:
     1ª foto - Lisboa vista do céu
     2ª foto - O poeta Carlos Conde

     3ª foto - lado esquerdo Miradouro Senhora do Monte

     4ª foto - lado direito Alto de Santa Catarina

     5ª foto - lado esquerdo Miradouro de Santa Luzia

     6ª foto - lado direito Sé de Lisboa

     7ª foto - lado esquerdo Menino ao colo

     8ª foto - lado direito Lisboa vista do Castelo

     9ª foto - lado direito Miradouro da Graça

   10ª foto - lado direito Castelo de S. Jorge (vistas de parte da cidade)

   11ª foto - lado direito o Castelo de S. Jorge

 

   12ª foto - lado esquerdo Elevador de Santa Justa

   13ª foto - lado direito Terreiro do Paço



publicado por Apontamentos Amalianos às 13:00
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Lisboa no Guiness ... Projecto com amor-400.000 Visitantes

 NOTA DE INFORMAÇÃO ACERCA DO BLOGUE DIA 17-10-09:

CAROS AMIGOS ERAM CERCA DE 14.00 HORAS, QUANDO ESTE BLOGUE ATINGIU OS 400.000 VISITANTES. É UM ORGULHO, SENTIR QUE O NOSSO TRABALHO TEM VALOR, PARA MERECER TAL ATENÇÃO.

FOI EM PARTE COM BASE NESTE TRABALHO QUE TIVE A HONRA DE SER NOMEADO/GALARDOADO COM O PRESTIGIOSO   "TROFÉU AMÁLIA RODRIGUES" PARA  INFORMAÇÃO/DIVULGAÇÃO NO ANO DE 2008.

TENHO ORGULHO EM SABER QUE ESTE TRABALHO É CONSIDERADO UMA "FONTE DE INFORMAÇÃO SEGURA"

TODOS SABEMOS QUE QUANDO SE CONSTRÓI  ALGO QUE SOBRESSAI,  SE NÃO SOMOS "YES/MAN", NEM PERTENCEMOS AO "LOBBIE" DOS TAIS,  LOGO APARECEM OS MALDIZENTES, OS INVEJOSOS, E OS TAIS... QUE TENTAM DESTRUIR E AMESQUINHAR, MAS TANTO ME TÊM CHAMADO À ATENÇÃO, QUE ACABEI POR PERCEBER, QUE É  COM ESTE TIPO DE ATITUDE E TAMBÉM COM ACÇÕES DE PERSEGUIÇÃO  (de pessoas e/ou entidades), QUE ESTE TRABALHO DEMONSTRA QUE É VÁLIDO, PARA O FADO E PARA LISBOA.

O QUE NADA VALE NÃO REZA A HISTÓRIA...

COMO DIZIA CARLOS CONDE:

 

VI MUITAS VEZES A RAZÃO

POR MUITOS POSTA DE LADO

E A MENTIRA EM VIVA CHAMA

ATÉ POR TRISTE IRRISÃO

VI NULIDADES NOS ASTROS

E VI CIÊNCIAS NA LAMA

 

OBRIGADO A TODOS AMIGOS E NÃO AMIGOS... MALDIZENTES,  DECTRACTORES, INVEJOSOS, ETC...

 

 

MAS O QUE MAIS ME  DÓI,  É O SILÊNCIO DOS BONS..

 

VIVA LISBOA, VIVA O FADO


Observações: Estou muito feliz

publicado por Apontamentos Amalianos às 12:45
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
NATÉRCIA DA CONCEIÇÃO

Natécia da Conceição faleceu ontem dia 15 de Outubro de 2009, Foi nos E.U.A.,  onde vivia actualmente. Tinha 75 anos. Até Sempre amiga. 

Uma amiga da Natércia mandou-nos mais dados sobre esta nossa querida amiga.                          

Natércia da Conceição nasceu em Vila Franca de Xira e aos 12 anos foi para Lisboa. Em 1970 veio para os Estados Unidos  e abriu a primeira casa de Fados na Nona Inglatera cuja dona  era Valentina Felix colega fadista, assim se deu inicio ao Fado, em 1970 o falecido Antonio Albero Costa abriu a primeira estação de rádio portuguesa em New Bedford e ela foi uma das loucutoras, nos anos 80 uma vez mais com a iniciativa de Alberto Costa abriram outra estação de rádio em Providence, Rhode Island, Radio Clube Português, foi a melhor loucutora que tivemos era uma pessoa extremamente culta,  com dignidade e paixão deu testemunho da lingua de Camões em terras americanas . Na vida artistica ensinou os seus guitarristas a tocar Viriato Ferreira, Antonio Rocha e José Silva, presentemente tanto Viriato Ferreira como José Silva têm a capacidade de tocarem para qualquer fadista que venha de Portugal. Natercia não só cantou como encantou, levou a fado á casa branca em Washington DC cantou para o presidente Clinton. diplomatas e politicos nos anos 90, era uma grande apaixonada de Argentina Santos e Amália Rodrigues e Lucilia do Carmo da malta nova que canta o fado em Portugal era apaixonada pela Cathia Guerreiro e nos Estados Unidos pela voz mais novinha Nathalie Pires, tinha uma grande admiraçáo por Ana Vinagre e dizia que era a unica que sabia cantar o fado na Nova Inglaterra. Ontem despedimo-nos da Natercia com os seus guitarristas a dizer-lhe adeus e Ana Vinagre a cantar o passeio de Santo Antonio, fado que ela adorava. As sua cinzas irão acabar no jardim botanico em Lisboa.
Cyndy Faria               

Foi uma artista que surgiu muito jovem nas lides fadistas, tendo sido apadrinhada por Ercícila Costa e Berta Cardoso em 1953.

Ingressou no profissionalismo, estimulada pela sua brilhante vitória num concurso organizado por um jornal de Fado, que se realizou no velho Café Salvaterra, onde obteve grande êxito.

Natércia da Conceição nasceu na castiça Vila Franca de Xira. Terra de aficionados taromáticos e garnde apreciadores de Fado.

Gravou uma dezena de discos para as etiquetas  Melodia,  Estúdio, Orfeu, etc.

Cantou na Emissora Nacional e Na Rádio Televisão Portuguesa.

Teve um vasto repertório com versos de conceituados poetas como, Domingos Gonçalves Costa, Francisco Ribeiro. Linhares Barbosa, Frederico de Brito, Jorge Rosa, etc.

Actuou em espectáculos no estrangeiro e foi cartaz em quase todas as casas típicas de Lisboa.

 

Natércia da Conceição

Canta: Chinelas da Mouraria

Letra Linhares Barbosa

Música: Santos Moreira 

Natércia da Conceição com Alfredo Marceneiro


música: Chinelas da Mouraria

publicado por Apontamentos Amalianos às 19:13
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