Domingo, 24 de Setembro de 2017

JOÃO FERREIRA-ROSA - Faleceu, o FADO ESTÁ DE LUTO

JORNAL EXPRESSO - 24 de Setembro de 2017

João Ferreira-Rosa era proprietário do Palácio de Pintéus, nos arredores de Loures, que fora propriedade da poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho e que serviu de cenário a vários programas de fado, transmitidos pela RTP, em que participaram os fadistas Alfredo Marceneiro, Maria do Rosário Bettencourt, Teresa Silva Carvalho e João Braga, e os músicos Paquito, José Pracana, José Fontes Rocha, entre outros. João Ferreira-Rosa, natural de Lisboa, afirmava-se monárquico e foi autor, entre outros, do poema “Triste sorte”, que gravou no Fado Cravo, de Marceneiro. Figura assídua das galas anuais Carlos Zel, no Casino Estoril, do seu repertório constam, entre outros, os fados “Os Saltimbancos”, “Acabou o Arraial”, “Fragata” e “Portugal Verde e Encarnado”.

Nasceu em 16 de Fevereiro de 1937

O Fado que mais contribuiu para que fosse mais conhecido,  foi decerto o Fado do Embuçado.

Em 1966 em Alfama, abriu uma casa de Fados  “Taverna do Embuçado”, decorada com uma estilo muito monárquico, em que incluía a bandeira azul e branca, aliás sempre  afirmou ser um monárquico convicto.

Ainda nos anos 60 adquire o Palácio Pintéus, no concelho de Loures, onde se realizaram grandes noites de Fado, muitas das quais assisti, fazendo companhia a meu avô, que João Ferreira-Rosa nunca deixava de convidar, e por quem sempre nutria um carinho muito especial, que era correspondido.

Nutre uma especial paixão por Alcochete,  onde passou a morar nos últimos anos, escreveu um tema sobre a vila, o  “Fado Alcochete”, que canta com a música do  Fado  Balada de Alfredo Marceneiro.

 

 

 


 João Ferreira-Rosa

 canta Um dia qundo isso for

 

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música: Um dia Quando Isso for
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Domingo, 20 de Agosto de 2017

Cabo da Boa Esperança - Portugal país de marinheiros

 

 

 O GIGANTE ADAMASTOR

Cinco dias depois da paragem na Baía de Santa Helena, chega Vasco da Gama ao Cabo das Tormentas e é surpreendido por uma nuvem negra “tão temerosa e carregada” que pôs nos corações dos portugueses um grande “medo” e leva Vasco da Gama a evocar o próprio Deus todo poderoso.
Foi o aparecimento do Gigante Adamastor, uma figura mitológica criada por Camões para significar todos os perigos, as tempestades, os naufrágios e “perdições de toda sorte” que os portugueses tiveram de enfrentar e transpor nas suas viagens.
Esta aparição do Gigante é caracterizada directa e fisicamente com uma adjectivação abundante e é conotada a imponência da figura e o terror e estupefacção de Vasco da Gama, e seus companheiros, que o leva a interrogar o Gigante quanto à sua figura, perguntando-lhe simplesmente “Quem és tu?”.
Mas mesmo os gigantes têm os seus pontos fracos. Este que o Gama enfrenta é também uma vítima do amor não correspondido, e a questão de Gama leva o gigante a contar a sua história sobre o amor não correspondido.
Apaixona-se pela bela Tétis que o rejeita pela “grandeza feia do seu gesto”. Decide então, “tomá-la por armas” e revela o seu segredo a Dóris, mãe de Tétis, que serve de intermediária. A resposta de Tétis é ambígua, mas ele acredita na sua boa fé.
Acaba por ser enganado. Quando na noite prometida julgava apertar o seu lindo corpo e beijar os seus “olhos belos, as faces e os cabelos”, acha-se abraçado “cum duro monte de áspero mato e de espessura brava, junto de um penedo, outro penedo”.
Foi rodeado pela sua amada Tétis, o mar, sem lhe poder tocar.
O discurso do Gigante, que se divide em duas partes de acordo com a intervenção de Vasco da Gama, compreende, na primeira, um carácter profético e ameaçador num tom de voz “horrendo e grosso” anunciando os castigos e os danos por si reservados para aquela “gente ousada” que invadira os seus “vedados términos nunca arados de estranho ou próprio lenho”.
A segunda parte do discurso do Adamastor representa já um carácter autobiográfico, pois assistimos à evocação do passado amoroso e infeliz do próprio Camões.
O Gigante Adamastor diz ainda que as naus portuguesas terão sempre “inimigo a esta paragem” através de “naufrágios, perdições de toda a sorte, que o menor mal de todos seja a morte”, a fazer lembrar as palavras proféticas do Velho do Restelo.
Após o seu desabafo junto dos lusitanos, a nuvem negra “tão temerosa e carregada” desaparece e Vasco da Gama pede a Deus que remova “os duros casos que Adamastor contou futuros”.
 Luís Vaz de Camões

 

Rodigo canta:

Velho Marinheiro

Letra de Mário Raínho

Música: Fontes Rocha

 

 

  VELHO MARINHEIRIO

Letra de: Mário Rainho

Música de Fontes Rocha

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o mundo inteiro

 

                       Chegou primeiro às Índias, ao Oriente

                       Uniu por mares, continentes

                       Que nos deixou por herança

                       Nas caravelas, num mar de águas turbulentas

                       Dobrou o Cabo das Tormentas

                       Que é hoje da Boa Esperança

 

Qual é o país, vaidoso e feliz

No mar pioneiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Que levou a cruz, de Cristo Jesus

P´lo Mundo inteiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o Mundo inteiro

 

                      Chegou primeiro a outras praias distantes

                      Por esses mares nunca dantes

                      Navegados por alguém

                      Tem um padrão à coragem e aos tormentos

                      Pelos seus descobrimentos

                      Junto à Torre de Belém

 

 

  

 

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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

Esquimó Fresquinhos - Olá Fresquinho, Há Fruta Oh Chocolate

Começou  por ser a pé, depois num carro a pedais, seguindo-se um carro de motorizada e também um carrinha-automóvel

É O ESQUIMÓ FRESQUINHO - HÁ FRUTA Ó CHOCOLATE

OLÁ FRESQUINHO

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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

Sapateiro de vão escada - Oficial de corte Rodrigo Duarte pai de Alfredo Marceneiro

Imagem de sapateiro de vão de escada

Desde o  século XIX e até meio do século XX, o artífice de sapateiro,  desde que não trabalhasse para grandes lojas ou para casas senhoriais, para  sobreviver,  tinham que se estabelecer por conta própria,  e para tal, tentar arranjar  um vão de escada para alugar, era economicamente  o mais viável.

Nesta época havia muitos sapateiros de escada por toda a Lisboa.

Era uma vida dura e pouco gratificante em termos económicos, pois os seus clientes era o povo mais humilde, que muitas vezes mandava reparar o calçado, e ou não o chegava a ir levantar por dificuldades financeiras, ou às vezes passado muito tempo.

A sua postura corporal para trabalhar, era sentado num pequeno banco de madeira muito  baixo,  e no seu próprio colo sobre um avental de couro era a sua   mesa de trabalho, é de ver que sentado nesta posição tantas horas seguidas, com luz deficiente  mesmo durante o dia principalmente no inverno, tinham que ter praticamente o candeeiro a petróleo sempre aceso.

Trabalhavam dias e dias a fio, só se parava ao domingo de manhã para ir à missa, a saúde tinha que ser precária e muitas deformações, problemas de coluna, da  bacia, na vista, etc..

Meu Bisavô Rodrigo Duarte, já tinha esta profissão no Cadaval , quando com a minha bisavó Gertrudes da Conceição lavava roupa para fora., aliás este oficio era intitulod como "Mestre de Corte"

Passaram no inicio grande dificuldades, até que arranjaram um local à Praça das Flores, que além do vão de escada para  poder montar a pequena bancada de sapateiro, tinha uma arrecadação   que mais não era que um corredor comprido e com uma largura razoável, atamancada para poderem lá viver. O corredor  dava para um saguão , onde minha avó podia lavar roupa para fora, e foi neste ambiente que  Alfredo nasceu e lá tiveram mais três filhos. (esse prédio já hoje não existe)

Rodrigo Duarte morre prematuramente em 1905 com uma "tísica galopante".

Meu avô viu-se assim aos 14 anos como o cabeça de casal, e esteve sempre com sua mãe até à hora da sua morte.

Meu avô Alfredo começa a trabalhar e arranja uma pequena casa na Rua da Páscoa, num pátio lá nasceram os seus filhos, e  foi onde viveu os restos dos seus dias.

Foi um filho  e irmão exemplar, que o adoravam, foi pai e um avô exremoso.

 

Lavadeiras de roupa

 

 

 

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Funileiro á Porta - Pregões de Lisboa

Era uma figura típica que percorria as ruas nos bairos, para reparar tachos penelas, etc.

funileiro_1941.jpg

Funileiro a trabalhar senrado num passeio de Rua

Exemplos de algumas ferramentea

Maçarico.jpgMartelo.jpgTesoura.jpg

 

 

 

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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2017

Propagandista (Banha da Cobra) Pregões de Lisboa

Banha da Cobra.jpg

Eram conhecido pelos "Vendedores da banha da Cobra". Traziam uma cobra numa mala e como era um animal que muita gente era a primeira vez que via ao vivo, nem davam pelas horas passarem a ouvir a prelecção.

Era pó para o estômago , era pó para a solitária etc...Era uma figura com um poder de palavra fora do comum aliado a uma capacidade de persuasão fantástica, que as pessoas acabavam por comprar os tais pós ou elixires.

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Viva Lisboa: Velhos Tempos
música: " A banha da cobra"
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

Petrolino á Porta - Vendedores de Rua

"Petrolino"

"Pitrolino.... à porta (soprava uma pequena corneta característica)

Vendia porta a porta, petróleo, alcool de queimar, lixivia, azeite, sabão, etc..

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AMOLADORES - Pregões de Lisboa

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São os pregões de Lisboa

Voz da vida, voz do povo,

Seu Fado, sua alegria!

E cada voz que apregoa

Tem um pregão sempre novo

P´ra cada hora do dia!

 

Francisco Radamanto

 

                              Segredos de Lisboa

 

Autor: Rogério Simões
 
Lisboa é linda mas tem segredos!
Perto do rio, correm para o mar
Por uma intemporal porta secreta
Eu vi as pernas, as mãos e os dedos,
De um velho amolador a amolar,
Numa simples roda de bicicleta.
 
                               Tinha uma pedra para afiar!
                               Tinha um pedal para pedalar!
                               Um corno pendurado para untar,
                               (E ao mesmo tempo para dar sorte)
                               Chaves de fendas para fixar,
                               Panelas e ferramentas de corte.
 
Escutei sete silvos de flauta no ar!
Dos contos que só contava ao serão.
- Já não tenho tesouras para aguçar!
Nem uso facas de tipo ameaçador.
- Olha o amolador! Olha o amolador!
Chove! Neste dia quente de verão.

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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

REAL BORDALO - Faleceu mas fica imortalizado pela sua obra


 

Mestre Real Bordalo faleceu no dia 28 de Junho de 2017, tinha 92 anos de idade.

É com profundo pesar que aqui relembro este grande artista, é  uma honra e um dever, falar do autor da imagem do genérico deste blogue e das lindas aguarelas de Lisboa, que serão e/ou estão aqui publicadas, o Mestre Real Bordalo.

Quando tive o prazer de o conhecer pessoalmente, pois já conhecia a sua obra , fiquei extasiado com a sua serenidade, simpatia e força anímica que irradia, e acima de tudo o seu amor a Lisboa, que  no seu trabalho,  é por demais evidente.

Mestre Real Bordalo trabalhou  apaixonadamente na sua arte até ao fim da sua vida.

Ao falar-lhe sobre o meu projecto de “Lisboa no Guiness” logo teceu um grande elogio à ideia, debatemos a questão, trocámos ideias, senti que a nossa simpatia era recíproca, então num rebate,  tive a ousadia de lhe perguntar se poderia utilizar uma das suas gravuras de Lisboa no Blog .

 — Uma?  O Vítor tem à sua disposição todo o meu espólio que lhe convenha publicar,  afirmando  modestamente que a honra era dele em receber e aceitar o meu pedido. Fiquei obviamente comovido e  agradecido.

È pois com muito orgulho que vos apresento o artista, e para além do já publicado insiro  desta vez algumas reproduções dos seus quadros a óleo — que tão bem cantam Lisboa.

 

Bem haja  Mestre Real Bordalo

Vitor e Real Bordalo.jpg

 

Real Bordalo - Nome completo: Artur Real Chaves Bordalo da Silva. Nasceu em Lisboa em 1925. Cedo mostrou vocação para o desenho e para a pintura mas, obrigado a interromper o curso que lhe daria acesso à Academia de Belas Artes, exerceu diversas profissões e, admitido aos 16 anos de idade na Fábrica da Cerâmica Constância Faiança Bastitini, como pintor, teve aqui oportunidade de contactar com João Rosa Rodrigues e Francisco Branco, dois excelentes artistas, não só como ceramistas, mas também, como pintores de óleo e aguarela.

Mais tarde trabalhou com Leitão de Barros na modalidade de cenografia, na Tobis e na Lisboa Filme para diver­sos filmes Portugueses. Desenhador técnico, retocador de rotogravura e desenhador maquetista no Diário de Notícias, profissões que também exerceu. 

Destes contactos resultou um maior interesse pelas artes plásticas e em consequência das tentativas que levou a efeito, inscreveu-se como sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde frequentou as aulas nocturnas de desenho, tendo como mestre, Álvaro Duarte de Almeida, no pastel o mestre Domingos Rebelo e em aguarela os mestres Alberto de Sousa e Alfredo Morais.

Tendo concorrido com trabalhos seus, não só nos Salões Anuais de Outono e Primavera daquela Sociedade, onde passou a sócio efectivo, por lhe ter sido atribuída uma 3.a medalha em aguarela, mas também em outros Salões noutros locais. O êxito obtido, de que são testemunhos os prémios concedidos (diversas medalhas e menções honrosas e alguns prémios de mérito) levou-o a dedicar-­se inteiramente a esta actividade artística. Surgiu então a oportunidade de realizar a sua primeira exposição indi­vidual dos seus trabalhos a aguarela e pastel, no Casino da Figueira da Foz (Salão Nobre) em 1952, à qual se seguiu outra em 1953, na Sociedade de Belas Artes. Incentivado tanto pelo público como pela crítica, o êxito assim alcançado justificou a sua integração no Grupo Português de Aguarelistas e mais tarde no Grupo dos Artistas Portugueses, permitiu-lhe assim continuar a reali­zar exposições em diversas cidades do País, concorrendo sempre aos diversos Salões Nacionais -Imagem da Flor, Câmara Municipal de Lisboa, Salão de Artes do Casino do

Estoril, entre outros. No estrangeiro Salões Internacionais de Madrid, Sevilha, Lugano, Paris, Estocolmo, Rio de Janeiro e Nápoles.

Afastado das Artes Plásticas de 1959 a 1973, voltou a partir desse ano a expor com regularidade os seus trabalhos, com assinalado êxito.

Estrela.jpgQuadro Praça Principe Real.jpg

 

Nota: Todas as imagens publicadas neste blogue do Mestre Real Bordalo estão protegidas por "copyright" pelo que a sua utilização sem

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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

ALFREDO MARCENE$IRO - Deixou-nos há 35 anos

 E DEUS LHE DEU A GRAÇA E A ALEGRIA,  DE TER MORRIDO NA SUA FREGUESIA, COMO UM SOLDADO MORRE NO SEU POSTO

 

 

Alfredo Marceneiro faleceu na sua casa  pelas sete horas da manhã do dia 26 de Junho de 1982, contava 91 anos. (*)
O seu corpo esteve em câmara ardente, na Igreja de Santa Isabel, sendo apostas na urna a Bandeira Nacional e a bandeira da cidade de Lisboa por iniciativa do, então, Presidente da edilidade Engº Krus Abecassis e ainda uma guarda de honra permanente prestada pelos Soldados da Paz do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa.
 O Padre designado para fazer as exéquias do funeral de Alfredo Marceneiro desconhecia de todo a sua obra, mas impressionado com os milhares de pessoas presentes no velório, quis esclarecer-se sobre a sua figura. Levou a noite a escutar o José Pracana e este tão eloquentemente lhe falou do seu querido amigo "Ti Alfredo", que no dia do funeral,  o Padre ao dizer a Missa de Corpo Presente, ele próprio com as lágrimas nos olhos enalteceu a sua imagem de lisboeta e fadista, amante da sua cidade e da sua freguesia E a todos surpreendeu, quando recitou os versos que Marceneiro tantas vezes cantou:

 

Alfredo Marceneiro canta:

A Minha Freguesia

 

Se os cantadores todos, hoje em dia
Ruas e bairros cantam, de nomeada
Eu cantarei á minha freguesia
A de Santa Isabel tão afamada

 

Freguesia gentil que não tem par
É talvez de Lisboa, a mais dilecta
De D. Diniz, a rua faz lembrar
O esposo de Isabel o Rei poeta

 

Lembra a Rainha Santa, quando vinha
Transformar o pâo em rosas, com fé tanta
Ela que Santa foi, menos Rainha
Mas foi entre as Rainhas, a mais Santa

 

Poetas e literários, foram seu
Ilustres moradores, geniais
Como Almeida Garrett, João de Deus
Teófilo, Junqueiro e outros mais

 

Freguesia onde enfim, moro também
Onde sempre pisei honrados trilhos
Nela casou a minha querida mãe
E nela é que nasceram os meus filhos

 

Que Deus me dê a graça, a alegria
Na vida tão cheínha, de desgostos
A vir morrer na minha freguesia
Como um soldado morre no seu posto

 

Assim, até na sua morte o Fado acontecia. Cumpriu-se o desejo que Alfredo Marceneiro cantava nos versos escritos pelo poeta Armando Neves.
É de realçar, que não havendo espaço no talhão dos artistas no Cemitério dos Prazeres, a Câmara Municipal de Lisboa, disponibilizou um gavetão perpétuo para repouso dos seus restos mortais.
 Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre que apesar de ser proibido se efectuou a pé, numa sentida manifestação de pesar desde Santa Isabel até ao Cemitério dos Prazeres.   Guitarristas dedilharam os seus instrumentos, durante todo o percurso, " a sua Marcha" em tom dolente e magoado, que mais parecia um choro de guitarras.
O Povo de Campo d´Ourique estendeu colchas nas janelas, numa homenagem singela ao homem simples do seu bairro.

Todos os orgãos de informação se referiram á efeméride, com títulos de destaque.

 (*) 91 anos em termos de registo de nascimento, mas na realidade tinha 94 anos

 

Chorai Fadistas, chorai...
A morte de Alfredo Marceneiro
— A GRANDE LENDA DO FADO
in Diário de Notícias

 

« Ti Alfredo » deixou-nos

Morreu O REI do FADO.

Morreu aquele a quem apelidaram de
—PATRIARCA do FADO

 

Marceneiro morreu, o fado de luto

Morreu Alfredo Marceneiro
— O MONSTRO do FADO

 

Guitarras choraram por Alfredo Marceneiro
in Correio da Manhã

 

Morreu Alfredo Marceneiro...
 O Fado lisboeta está de luto.
in O Dia

 

De todos os jornais diários que se referiram á efeméride  destaco o artigo assinado pelo jornalista e poeta Fernando Peres que foi seu grande amigo e admirador:

 

GUITARRAS CHORAM NO FUNERAL DE MARCENEIRO
in A Capital


"Não sabemos de quem teria sido a ideia mas não é difícil adivinhá-lo: José Pracana tem alma de poeta e uniu-o sempre ao ti Alfredo uma amizade filial. Talvez pela primeira vez, desde a saída do corpo até ao cemitério dos Prazeres, guitarras e violas choraram o que deixa insubstituível um lugar e foi um intérprete ímpar de várias gerações. Apenas melodias suas foram escutadas por gente que se espalhava pelas janelas para assistir ao cortejo enorme e ouvir um coro imenso de vozes de que Alfredo Duarte (o Marceneiro para toda a gente) era autor e andam na boca de toda a gente.
Esta é uma verdade indesmentível. Se reflectirmos, podemos concluir que a vida e a morte constituem os círculos viciosos do tempo.
A hora que se viveu é uma hora morta. Aquilo que hoje é emoção violenta, constitui amanhã, uma sensação esquecida.
Devemos insistir: esta é uma verdade indesmentível pois existe dentro de cada homem uma tragédia que ele ignora e uma comédia que ele vive. Algumas vezes, a tragédia é caricata ridícula, dá vontade de rir. Mas nunca ninguém riu da tragédia que consigo arrasta. É que a dor é um sinal da vida. Na realidade, só vive quem sabe sofrer...
Por isso ti Alfredo não sofre sózinho. Consigo leva um bocadinho do coração de todos nós. Os ídolos do fado são ídolos do povo. E um desses foi esse extraordinário Alfredo Marceneiro, decano dos intérpretes portugueses e, talvez, mundiais. Quase todos choraram quando foi o «momento da despedida». Mas homens como o ti Alfredo não morrem, nunca. Faltou a madrugada, substituída por um Sol radioso. Mas tudo teve expressão e significado. Valeu pela intenção valiosa e espectacular (houve quem  estivesse de muletas). Se era preciso, foi a consagração de um grande fadista. Quantos o acompanharam, e entre eles o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Leonor Beleza, constituíram um público, sem distinção de classes ali acorrendo a acenar o seu adeus ao maior intérprete da canção, nascida não se sabe onde ecoou em vozes doridas e viciosas nas betesgas das ruelas de Lisboa. Depois, ganhou raça em gargantas aristocráticas e hoje corre mundo na névoa das «boites».
De facto, passam tristezas a desfazer-se e o vento arrasta-se, lentamente, com vagares de cansaço. Já se feriram alegrias em vibrantes risos. Uma lágrima indiscreta espreita um sorriso.
Não o disse? «Felizes os que sabem, colhendo beleza e poesia, refugiar-se em recordações purificadas da mesquinhez do mundo. Felizes os que  são sabem, colhendo inspirados pelo amor, para quem o poente é sempre uma rosa e o azul tem transparências». Teve a sua companheira — a tia Judite — ao seu lado até ao último momento. Mãe dos seus filhos teve até ao final um gesto de amor. «Felizes os que sabem andar feliz o coração no espaço infinito, entre orações, bençãos e perdão. Felizes os que sabem demorar o perfume que o amor deixou».
Lá estiveram os seu amigos. O infalível Júlio Amaro (como podia ele faltar?). E sabe uma coisa? Foi uma manifestação de ternura, neste mundo de egoísmos, cada vez mais fracas.
 Ti Alfredo, até qualquer dia..."

 

Na Revita "MAIS"  de 2 de Julho de 1982, destaca-se aqui o seu editorial e dois artigos da autoria de grandes jornalistas.

 

UM SILÊNCIO NO FADO

"Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito, no último fim-de-semana.
Morrera Alfredo Marceneiro ou, se preferirem ele mudara de "poiso" para parte incerta onde, afinal, todos acabaremos por beber do mesmo copo — como ele continua, certamente a fazer.
Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito no último fim-de-semana.
Um silêncio de guitarras e violas, um silêncio de gargantas vazias, um silêncio cúmplice de cantos impossíveis.
Alfredo Marceneiro "diz" agora ali mesmo, ao virar desta esquina, todos o sabemos. Por isso aqui estamos prontos a escutá-lo naqueles que o testemunharam, naqueles que o viveram e conviveram.
Prontos, não a consagrá-lo (que é lá isso?) mas a guardá-lo, nosso."

"MARCENEIRO" — exemplo do fado autêntico

"Sim, é uma verdade indesmentível: os ídolos do Fado são os ídolos do povo. E Alfredo Marceneiro, o «maior» do Fado tinha em si qualquer coisa de indefinível, de boémia atrevida e palpitante a confundir-se com uma ingenuidade quase infantil. Como era ele, afinal?
Igual a si próprio: rezingão e pitoresco, com a sua madeixa preta, a testa enrugada, mantendo ao pescoço o lenço de seda com um nó mal-humorado. Como cantava? Como ninguém: com voz saturada de sensibilidade, uma voz popular e instintiva intérprete como nenhuma outra, da pobreza feliz da cidade e a poesia do seu povo. No Fado, soube sempre poetizar Lisboa. E, por isso, talvez, já não pertence apenas ao Fado e aos que o admiram — é património de Lisboa.
A cidade vai perdendo as suas figuras típicas. Mas ainda tinha em Alfredo Marceneiro um exemplo do Fado autêntico, nascido não se sabe onde mas que vivia na sua alma. Ele possuía a reforma do ofício que foi durante anos um apelido. Chamava-se Alfredo Rodrigo Duarte, o «Marceneiro» para quase todos, «Ti Alfredo» para os fadistas e para os amigos. Andou a roçar os noventa e era ainda uma figura da noite lisboeta. Raros o viram de dia e sempre por ocasiões graves. De resto era a noite que o trazia, envolvendo-o nas suas sombras de mistério. E, parecia conservar nos lábios uma saudade e um beijo quando chegava e dizia: «boa-noite». Sim, era a noite quem o trazia pois é de noite que ele vivia no mundo onde ganhou fama e glória. A sua ronda diária pelas casas típicas (a terminar sempre madrugada alta) era já talvez, uma necessidade de se sentir estimado, acarinhado, vivo para os que lhe queriam bem. O Fado, a sua segunda vida foi,  afinal, a sua vida inteira."

Assina: Fernando Peres

 

E ainda na Revista Mais um artigo de Miguel Esteves Cardoso

 

Ao fadista, Alfredo Marceneiro,

bem ido e bem vindo,

por,ocasião do fim da sua primeira vida (1891 - 1982)

 

"Se, como escreveu D.H. Lawrence, a morte é a única pura e bela conclusão de uma grande paixão, então a morte do fadista Alfredo Marceneiro é, também ela, um acto de paixão.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morreram os outros homens.
A morte não o surpreende nem o leva — é ele que a chama e a ela se entrega. Porque ser fadista é atiçar, cortejar, pedir a morte desde o primeiro momento em que o Fado lhe nasce na voz. Um fadista, ao morrer, vê a sua arte a atingir o ponto máximo de perfeição.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morrem os outros homens.
Ele trata a morte por tu. Conhece-le os jeitos e as manhas e só pode ter por ela o respeito que se tem por aquilo que conhecemos de gingeira: é gingão com ela, mas tem-lhe amor. Ou não fosse todo o Fado um fingimento da morte e todo o fadista um fingimento da vida
E é um Fado.
E é uma morte
E é uma saudade, e um destino. Ou não fosse a saudade, como memória do bem que jamais regressará, no qual que nunca desaparecerá, uma espécie de morte. O mesmo, em vida que ver morrer. Ou não fosse o destino, como pressentimento sem recuo nem apelo, uma espécie de preparação para a morte. O mesmo, em vida, que ver-mo-nos morrer.
E é um Fado
E é uma morte.
Pela saudade, o fadista pôde saborear a morte que lhe sobe do peito pela garganta, até à boca. É talvez um amargo e doce paladar — terá concretiza algo a ver com amêndoas cruas, caroços de cereja, vinho acre.
Pelo destino, o fadista faz no peito a cama á morte e o aroma desses lençóis  sobe pela garganta até à boca e tem o cheiro de uma mortalha lavada nas lixívias pungentes da vida.
E é só um Fado.
É afinal apenas uma Morte.
Mas que sentido teria celebrá-la e senti-la senão com sua própria língua, a do Fado e da Morte ? A morte de um fadista, a morte de Marceneiro, só pode ser celebrada e sentida na voz de outro fadista. Não pode ser escrita, não consente ser lida.
Porque o Fado precisa dos seus fadistas mortos, das suas lendas e lugares. No Fado, o luto continua. Deste modo sempre. Ou há alguém que disputa a lenda e o lugar da Severa ? Ou há alguém que duvide que, como morto. Marceneiro servirá o Fado como o não pôde servir nos últimos anos da sua vida ?
E é outro Fado.
E é nenhuma Morte.
Ao morrer, Marceneiro inicia uma outra carreira no Fado. Tão bela e importante como aquela que findou. Será furiosamente lembrado, mistificado, transformado em voz. Porque é uma das bonitas qualidades do Fado: o Fado nunca esquece. Agora é que Marceneiro começará a viver, porque já está morto, reconciliado com o seu destino de homem, preparado para a sua missão de reminiscência e saudade.
E é este o verdadeiro Fado.
E é esta a verdadeira Morte.
Porque os fadistas não morrem como os outros homens.
Melhor: nem sequer morrem. Toda a vida anseiam morrer. De amor e paixão, de cio e da saudade. Sem respeitar a vida, que é coisa que vem e que passa, senão daquilo que a vida tem de transportadora. Transportadora da imagem e do desejo das coisas que se amaram, e que nela se guardam, tão brancos como no dia que nasceram,os vícios da alma, os vícios do corpo.
E é assim um bonito Fado.
E não é assim uma feia Morte.
Ou não haja alguém que ponha em causa que um fadista não é um homem que, ora em ora, canta o Fado. Não existe esse bicho: o fadista em tempo parcial. Cantar o Fado é apenas um momento na vida de um fadista, tão natural como abrir as janelas de manhã, tão normal como as tarefas do dia-a-dia. E as tarefas do noite-a-noite, as rondas, as batalhas, os amores, os vinhos, os amigos, os trabalhos, misturam-se com o canto e — nos grandes fadistas, como o Marceneiro — entram pelo canto adentro e tudo encharcam para que a voz depois dê vazâo à paixão, dê cor à dor, dê despejo ao desejo.
È isto o dito Fado.
Bendito Fado, para além da Morte.
Alfredo Marceneiro foi esse fadista em que o Fado, como mero canto, era indissociável do Fado, como mera vida. Mas se dantes não havia realidade que podia com o arroubo de lembrar — o Fado é uma perpétua reconstrução do passado, sabendo sempre que nunca o poderá reconstruir a tempo de evitar o futuro — se dantes não havia Marceneiro—homem que podia com o esplendor de Marceneiro—mito; agora, agora e durante os muitos anos que só o Fado guarda contristadamente faz enternecer, Marceneiro pertence todo ao Fado como nem ele em vida, conseguiu pertencer.
E é Fado
E deixa de ser Morte
Digamos só: Olá Alfredo Marceneiro, é bom tê-lo outra vez entre nós.

Assina: Miguel Esteves Cardoso

 

Imagem do Cortejo que acompanhou a pé, em marcha lenta, ao som das guitarras, Marceneiro até à sua sepultura

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Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

Saudade dos Santos - Fadista e poetisa

SAUDADE DOS SANTOS5.jpg

Nasceu em São Pedro de Alva,  a 15 de Fevereiro de 1939, mas seus pais vieram viver para o Distrito de Lisboa quando ainda era muito jovem.

Desde muito cedo, que sentiu  a paixão pela  poesia, pelo que não podia deixar e tomar atenção ao  Fado, aos seu interpretes e aos seu poemas,  de tal forma se empenhou, que  tomando-lhe o gosto, começa a cantar Fados para os amigos, agradou e encantou que a incentivaram a continuar, e assim aconteceu.
Saudade dos Santos  ao longo da sua vida escreveu muitos poemas para Fado, alguns ela mesmo cantou e gravou, mas a maioria foi dada a outros fadistas que lhos solicitavam. (Está para breve a edição de um livro dos seus poemas)
Em 1957 num concurso de fados organizado no Luso foi eleita  “Rainha das Cantadeiras”.
Fez várias digressões artísticas no Ultramar e nas Ilhas onde obtém acentuado êxito, fez teatro, cinema e televisão, grava vários discos e é muito ouvida  nas rádios.
Saudade dos Santos tinha  uma voz melodiosa que nos seduzia,  aliada à sua bonita figura e simpatia pessoal. era frequentemente convidada para cantar nos salões dos casinos, e em várias Casa de Fado, por último foi contratada no Restaurante Típico “Severa”  no Bairro Alto.
Foi considerada por muitos admiaradores e colegas (nas quais eu me incluo) UMA DAS CARAS MAIS BONITAS DO FADO de então.
No auge da sua popularidade, casa-se com o conhecido empresário Emílio Mateus, da etiqueta "Discos Estúdio", quando está para ser mãe pela primeira vez,  tomou a opção de abandonar a vida artística,  para dedicar todos os seus momentos ao lar e à educação dos filhos.
Saudade dos Santos faleceu a 23 de Janeiro de 2015
 

Sem Título-4.jpg

 

 

 

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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

A Casa da Mariquinhas e O Leilão

Digite CM 3.jpg

 

 tema " A Casa da Mariquinhas ", teve tal êxito, que levou outros poetas a se basearem nele compondo outras versões igualmente cantadas por Marceneiro.
O poeta João Linhares Barbosa, escreveu:

 

O LEILÃO DA MARIQUINHAS

 

                                  Ninguém sabe dizer nada
                                  Da famosa Mariquinhas
                                  A casa foi leiloada
                                  Venderam-lhe as tabuinhas

 

Ainda fresca e com gagé
Encontrei na Mouraria
A antiga Rosa Maria
E o Chico do Cachené
Fui-lhes falar, já se vê
E perguntei-lhes, de entrada
P´la Mariquinhas coitada?
Respondeu-me o Chico: e vê-la
Tenho querido saber dela
Ninguém sabe dizer nada.

 

                                  E as outras suas amigas?
                                  A Clotilde, a Júlia, a Alda
                                  A Inês, a Berta e a Mafalda?
                                  E as outras mais raparigas?
                                  Aprendiam-lhe as cantigas
                                  As mais ternas, coitadinhas
                                  Formosas como andorinhas
                                  Olhos e peitos em brasa
                                  Que pena tenho da casa
                                  Da formosa Mariquinhas.

 

Então o Chico apertado
Com perguntas, explicou-se
A vizinhança zangou-se
Fez um abaixo assinado,
Diziam que havia fado
Ali até de Madrugada
E a pobre foi intimada,
A sair, foi posta fora
E por more de uma penhora
A casa foi leiloada.

 

                                  O Chico foi ao leilão
                                  E arrematou a guitarra
                                  O espelho a colcha com barra
                                  O cofre forte e o fogão,
                                  Como não houve cambão
                                  Porque eram coisas mesquinhas
                                  Trouxe um par de chinelinhas
                                  O alvará e as bambinelas
                                  E até das próprias janelas
                                  Venderam-lhe as tabuinhas.

 

  

Nesta actuação na TVI - Tardes da Júlia, sou acompanhado na guitarra portuguesa por Luís Ribeiro

 e na viola de acompanhamento por Jaime Martins

 

Foram muitos os temas que Alfredo Marceneiro cantou, mas, de entre todos eles, houve um que teve grande êxito com versos da autoria do grande jornalista e poeta Silva Tavares e que foi, aliás, considerado o "ex-libris" das suas criações,

" A Casa da Mariquinhas".

Todos os que o escutavam, eram unânimes em afirmar que os versos que Silva Tavares escreveu, quando cantados pelo Alfredo, "viam imagens reais". Marceneiro, numa ideia genial, decide demonstrar a todos que, também no seu ofício, é um mestre e na escala de 1/10 constrói em madeira a Casa da Mariquinhas, recriando todos os pormenores que são descritos nos versos do fado.

 

   

 

 

"CASA DA MARIQUINHAS"


                                               É numa rua bizarra 
                                               A casa da Mariquinhas
                                              Tem na sala uma guitarra
                                              Janelas com tabuinhas.


Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
De vida de raparigas
É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado á guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra

 

              Para se tornar notada
              Usa coisas esquisitas
              Muitas rendas, muitas fitas
              Lenços de cor variada
              Pretendida e desejada
              Altiva como as rainhas
              Ri das muitas, coitadinhas
              Que a censuram rudemente
              Por verem cheia de gente
              A casa da Mariquinhas

 

É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
No fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No vão de cada janela
Sobre coluna, uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra

 

                                               Para guardar o parco espólio
                                               Um cofre forte comprou
                                               E como o gás acabou
                                               Ilumina-se a petróleo
                                               Limpa as mobílias com óleo
                                               De amêndoa doce e mesquinhas
                                               Passam defronte as vizinhas
                                               Para ver o que lá se passa
                                               Mas ela tem por pirraça
                                              Janelas com Tabuinhas

 

 

 

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música: A Casa da Mariquinhas e O Leilão da Mariquinhas
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Sábado, 6 de Maio de 2017

DIA DA MÃE 7 de Maio de 2017

MÃE... com três letras apenas se escreve esta palavra,

palavra pequena, mas é daquelas  que na VIDA, um  maior  significado têm.

Mãe do Vitó aos 20 anos.jpg

 Minha mãe Mariete aos 20 anos

Minha mãe faleceu tinha eu cinco anos de idade, fui apara casa dos meus avós  Alfredo e Judite.

Eu nasci para os braços da minha avó Maria (madrasta de minha mãe), dado que na altura da morte de minha mãe,  a minha avó Maria não me podia ter aos seu cargo,  pois era empregada doméstica interna.

Aos  10 anos de idade,  fiz o exame de admissão ás escolas técnicas, os seu patrões  aceitaram que eu fosse viver com ela para poder frequentar a Escola Industrial Marquês de Pombal em Alcântara. Fiz-me homem a seu cargo, ficou sempre a meu lado até ao seu falecimento.

Avó Maria.jpg

A minha saudosa avó Maria

 Nunca a chamei de mãe, nem nunca tal me pediu, ou sugeriu,  mas o meu coração sentia que ela era/foi a minha MÃE  e,  recordo quando se comemorava o dia oficial da mãe no dia 8 de Dezembro (Feriado Religioso dia de Nª. Snrª Maria mãe de JESUS)  nunca deixei de lhe dar o cartãozinho como se minha mãe fosse. A esta  grande mulher tudo fiquei a dever.

Saúdo as mães de todo o Mundo, com especial carinho para aquelas que acabam por passar os seus últimos dias de vida, ou sós nas suas casas, ou em lares, e tantas vezes esquecidas e desamparadas.

A solidão é muito triste, mas como deve ser angustiante a solidão de uma mulher que pariu um filho, e no fim da vida, se vê só e abandonada por esse próprio filho.  

Relembro estes versos de um poema da autoria de Linhares Barbosa e cantado por  Fernando Farinha.

 

P´las mãos de minha mãezinha

 Andei nos tempos de então

Hoje com está velhinha

É ela que anda p´la minha

Faço a minha obrigação

 

 

De Henrique Rego. 

 

 

 

DA MULHER DESVENTURADA NINGUÉM FUJA

SE ELA ACASO UM FILHO TEM,

DEIXÁ-LA SER DESGRAÇADA

PORQUE A DESGRAÇA NÃO SUJA

O SANTO AFECTO DE MÃE

 

De Eugénio de Andrade o poema "MÃE", num Video-Clip

Produzido por Estúdios Raposa

Poema dito pelo meu meu amigo Luís Gaspar

 

 

 

 

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Domingo, 30 de Abril de 2017

DIA MUNDIAL DOS TRABALHADORES - 1º de MAIO DE 2017

EM PORTUGAL NO 1º DE MAIO,  RELEMBRAMOS/DENUNCIAMOS  TAMBÉM,  O DIA DOS ESPOLIADOS DE PORTUGAL, O DIA DOS SEM ABRIGO, DAS CRIANÇAS POBRES E SEM ALIMENTOS

 

 

No dia do trabalhador, há 43 anos estávamos todos de braço dado, com um cravo ao peito, acreditando num futuro melhor....

 

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Hoje embora desiludidos, e na iminência da continuidade da austeriedade, exigida por uma EUROPA, cada vez mais à direita,   temos que dar as mãos e lutar por um futuro mais justo para todos os povos do Mundo Inteiro, e celebremos em todos os dias o dia do cidadão independentemente das raças ou credos de cada um.

Viva a Paz, Viva a Liberdade,

Viva a Democracia

 

 

1º de Maio – Dia Mundial do Trabalho

 

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. 

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho. 

 

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Sábado, 29 de Abril de 2017

MANUEL DE ALMEIDA - Fadista, autor e compositor

 

Deixou-nos há 21 anos e faria 95 anos hojese estivesss entre nós

Nasceu no ano de 1922 e faleceu a 3 de Dezembro de 1995.

Desde a sua partida que um grupo de amigos, encabeçados por Humberto Rosa a partir de  1996, tem vindo a organizar um jantar de confraternização, para lembrar e homenagear, na data do seu aniversário.

 

          O FADISTA... O AMIGO

                             MANUEL DE ALMEIDA

 

Uma monobiografia já publicada neste blog pode ser consultada em:   http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/60925.html

 

  

 
 
MANUEL DE ALMEIDA 
canta : Olhos Fatais
Letra de: Armando Neves
Música: Fado Bailado de Alfredo Marceneiro
 
  
 
Homenageado também hoje pelos poetas . 
  
Carlos Escobar:
  

Amigo... amigo ...

Falava no outro dia

Alguém que sonhou contigo

E dizia

O Manel !!!

O Manel foi aquele que sonhei

A voz, a graça, a humildade

O fado

O fado do Manel foi o fado da verdade

O homem !!!

O homem ... recordamos com saudade

Foi o homem que eu sonhei

No sonho ...

No sonho sonhei contigo

Amigo ... amigo...

  

  

 

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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

25 de ABRIL - Renasceu a Esperança... MAS!?

Na realidade verifico que esta imagem de ano para ano, está mais desfocada!?

 

Com esta europa anti-democrática,  com esta direita liberal,

com estes capitalistas a gamarem e o povo a pagar,

como vai ser?

Vamos lá ver se a esquerda aguenta a reacção. Viva Portugal

 

 

 Foto de: Sérgio Guimarães
Foi um talentoso fotógrafo,ligado ao meio teatral, às artes plásticas.
O seu génio criativo e sentido de oportunidade é bem exemplificado nesta foto.
Sérgio Guimarães com esta foto ficará para sempre ligado à nossa História, ao 25 de Abril, ao Movimento dos Capitães.
Milhares de pessoas admiram esta foto, mas Infelizmente poucos conhecem o nome do seu autor.
Já se têm feito homenagens por muito menos.

   

 
Poema dito pelo seu autor, o saudoso poeta
FERNANDO PINTO RIBEIRO
 

Ao Novo Dia

 

Rebenta dos abismos às montanhas

o sangue que incendeia a madrugada

e um novo dia irrompe das entranhas

 da terra finalmente fecundada

 

Foices malhos enxadas e gadanhas

e punhos - semeando-se em rajada

contra lobos ocultos entre as brenhas -

­alevantam pendões de tudo-ou-nada

 

Acorda o novo dia. E desta vez

o sol nasce nas mãos do camponês

e põe-se na tigela do operário

 

Multiplicado o pão por quem o fez

não mais há-de ser hóstia que  burguês

consagre dando a fome por salário

 

 
Crónica actual.

ASSIM VAI PORTUGAL..

 

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
          Não há princípio que não seja desmentido.
          Não há instituição que não seja escarnecida.
          Ninguém se respeita.
          Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
          Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

FELIZ PÁSCOA 2017

BOA PÁSCOA 

E ACIMA DE TUDO SEJAMOS FELIZES

 

 

 

O FADO É UM TESTEMUNNHO
O Fado não é apenas testemunho poético do drama histórico de um Povo.
Fado é Vida é Destino.
A tensão entre a Saudade e a Esperança, pertencem também a cada português, se é que não faz mesmo parte da condição humana.
Talvez o Fado não seja a força inevitável do destino, mas procure-se nele o sinal vivo da luta do Amor com a Morte.
O que há de mórbido na “alma” do Fado é as mil maneiras como nos prova que o coração se engana e é com a morte que se enleia quando busca o Amor.
Mas o Fado não abafa o sopro inquieto com que o homem se interroga sobre todos os horizontes e arde em anseios de Infinito.
Se Fado é vida e destino, também Jesus Cristo veio à Terra cumprir o seu Fado... o seu destino.
 
Mas, o Fado é acima de tudo é ....
 
UM ESTADO DE ALMA
 
SE O SANTO PADRE  FRANCISCO, SOUBER

O "SABOR" QUE O FADO TEM
 VEM DE ROMA A FÁTIMA
PODE CANTAR O FADO TAMBÉM

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

FERNANDO PINTO RIBEIRO - O Poeta

 

  

O Fado ficou de  luto, quando o meu querido amigo,  o poeta Fernando   Pinto Ribeiro, nos deixou em  20 de Fevereiro, sinto uma mágoa imensa, pois desde o dia em  que tive a honra de o conhecer, nasceu ente nós uma amizade   e carinho, que nunca esquecerei.

Ainda pouco tempo antes da sua morte,  em conversa telefónica me informou que ía re-escrever um dos seus poemas, que enviou por carta,  com uma dedicatória manuscrita, apelidando-me  de "SEU PADRINHO NO FADO".

Tínhamos sido apresentados há pouco mais de um ano, que pena tive de e  ter tido conhecido há mais tempo, fez questão de me conhecer para me elogiar pelo trabalho neste blogue,  meu afilhado do Fado!,  como me afirmava,  com um misto de orgulho que eu sempre te disse , não merecer. Fazia ainda questão de me apelidar de Vítor Duarte  "Marceneiro  Terceiro"  ( o III, por extenso). 

 

   

NAS RUAS DA NOITE

 

A Vítor Duarte, “Marceneiro Terceiro” — Meu padrinho no Fado

Fernando Pinto Ribeiro

 

 

 No crepitar de estilhaços(*)

de estrelas sobre os espaços

da Lisboa  rua em rua —

crucificámos abraços

encruzilhados nos passos

que à noite a lua insinua

 

                                Nas nossas bocas unidas

                                sangrámos fados em feridas

                                dos beijos amordaçados —

                                salvámos vias vencidas

                                que andam pla treva perdidas

                                como num mar afogados

 

Cegos de sombras e lama

E da sede que se inflama

numa inquisição divina —

bebemos o vinho em chama

que sanguínea  luz derrama

no candeeiro da esquina

 

                                Embriagados de lume

                                sem dissipar o negrume

                                do fumo que nos oprime —

                                rezamos todo o queixume

                                do cio deste ciúme

                                num amor que se faz crime

 

Crucificamos abraços

encruzilhados nos passos

que a noite nua desnua —

crepitantes de estilhaços

de estrelas quando em pedaços

vêm morrer sobre a rua

 

O Poeta e escritor Fernando Pinto Ribeiro, que faz questão de me chamar  "Seu Padrinho no Fado" quando eu nasci já ele escrevia para o Fado  isto,  porque acha que eu fui  a pessoa do Fado, que escreveu acerca dele  e da sua obra, , de uma forma que ele considera a mais objectiva, em todos estes  anos que tem de Fado. ("O percurso da História é muitas vezes estrangeiro ao percurso do artista. Nem sempre este se integra de forma tão sincronizada e congruente com aquele".

hoje somos somos duas almas gémeas do "Fado" que se encontraram, como que para reatar uma amizade que há muito estava estagnada.

É uma ternura para mim este seu sentir, como honrado fico com os versos que me dedica, e que gostariamos que eu um dia cantasse com música de meu avô. 

(*) Este tema já foi cantado e gravado, por decisão própria de quem o cantou, o poeta autorizou através da SPA, por delegação, mas é a primeira vez que ele o dedica pessoalmente,  com algumas, mas importantes reformulações, em última e definitiva versão, orientadas segundo ele,  para a  minha peculiar forma de me exprimir e venerar o Fado.

 

 

 

 

Fernando Pinto Ribeiro, é natural da Guarda. Nasceu em 1928. Ao 17 anos vem para Lisboa após completar o Curso Liceal, inscrevendo-se na Faculdade de Direito, cujo curso não chegou a completar. Já em jovem começa a rimar as palavras, nunca deixando de escrever quadras soltas, tendo aos catorze anos escrito, o seu primeiro soneto a que dá o título de “Soneto dos 15 Anos”.

Colaborou nas Revistas Flama , Panorama, Páginas Literárias, em Jornais, como Diário de Notícia, Diário Ilustrado e em vários jornais regionais, tendo também sido publicados  no Brasil alguns poemas de sua autoria.

Foi Director da Revista de Letras e Artes “CONTRAVENTO” (1968), da qual só se conseguiram editar quatro  números, dado que o seu cariz intelectual e democrático, não podia de deixar de ser amordaçado pela censura.

Pertence aos corpos sociais da Sociedade da Língua Portuguesa, Sócio da Associação Portuguesa de Escritores, Cooperador da Sociedade Portuguesa de Autores, Sócio da Colectividade Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes”. (Colectividade Popular Centenária)

Frequenta algumas noites de Fado e fica fascinado com o ambiente da noite fadista, começando sem que se aperceba, a identificar-se com  a “expressão fadista” o que apela  à sua alma de poeta, começando a escrever alguns fados que desde logo foram bastante elogiados. Compositores de Fado colaboraram,  e a qualidade dos seus poemas é tal, que logo houve nomes do panorama musical do Fado que os quiseram interpretar, fadistas como: Ada de Castro, Alexandra Cruz, Anita Guerreiro, António Mourão, António Laborinho António Passão , António Severino, Arlindo de Carvalho, Artur Garcia, Beatriz da Conceição, Branco de Oliveira, Carlota Fortes, Chico Pessoa, Estela Alves, tia e sobrinha, Fernando Forte, Francisco Martinho, Humberto de Castro, Julieta Reis e sua filha Sara Reis, Lenita Gentil, Lídia Ribeiro, Maria Jô-Jô Pedro Lisboa, Lurdes Andrade, Natércia Maria, Simone de Oliveira Toni de Almeida,, Tonicha , Tristão da Silva, Xico Madureira, e outros. No início Fernando Pinto Ribeiro usava ainda o pseudónimo "SÉRGIO VALENTINO".

Alguns das suas letras para fado mais conhecidos, são: Às Meninas dos Meus Olhos, A Cantiga dos Pardais, Era um Marinheiro, Fado Alegre, Hino à Vida, Nas Ruas da Noite, Bom Fim de Semana, Noites Perdidas, Pensando em Ti, Lisboa vai,  Pensando em Ti, , etc.

 © Vítor Duarte Marceneiro

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Viva Lisboa: Que Saudades Amigo
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Segunda-feira, 6 de Março de 2017

RTP - 60 anos

  (1)      (2)         

 

Comemora-se os 60 Anos de Televisão pública em Portugal, a inauguração foi na antiga Feira Popular (1)  Luna Parque) a Palhavã, que era para nós miúdos uma coisa do outro mundo, ficava no (2) Parque onde está a Fundação Calouste Gulbenkian, tive a felicidade de lá estar e nunca mais me esqueci daquela caixinha mágica, acabei de vir a ser profissional de Cinema e Televisão... o sonho concretizou-se.

Relembro este acontecimento porque para mim est á relacionado com Fado, pois naqueles anos quase todos os fadistas profissionais e amadores que sobressaiam ,  eram convidados a cantar para à RTP. Depois de abrirem os outros dois canais  tudo piorou, e até a RTP deixou de dar práticamente Fado, agora são sempre os mesmos que vão aos mesmos canais, e a RTP vai-nos dando as "Memórias".

Passa a alguém pela cabeça que O Fado tenha a sido  considerado Património da Imaterial da Humanidade, porque é  uma forma musical única no mundo, e que seja   no próprio país que reivindica a designação, a Televisão Pública não tem  programas de Fado. (Excepto se for alguém premiado lá fora),.!!!

Mas meus amigos recordam-se?

 

Ficcão... ou Talvez não!

Há um Realizador de Cinema (Documentários) o  Sr. Saura , que  é quem  sabe da poda, foi -lhe pedida ajuda de uns entendidos (conselheiros),  que até arranjaram um mecenas (o er á rio público), pedindo-lhe  para fazer um filme histórico e isento, porque os realizadores portugueses são uns intelectuais e não de debruçam sobre estes temas menores, consta-se que o Sr. Saura   ter á nbsp; logo ter dito: — Fado só com portugueses é uma chatice , assim vai se for como eu quiser , vai haver fado em flamengo, em brasileiro, em mornas etc.

O Sr. Saura estudou muito sobre Fado , e vai acabar,   com conhecimento de causa por  explicar de uma vez por todas aos portugueses, que o Fado não é nada nosso, foi roubado, nós fomos foi grande navegadores, e como aos marinheiro era h á bito ter uma mulher em cada porto, os marinheiros portugueses não fugiam á regra, ou não fossem latino machistas , assim em cada terra por onde passavam, aprendiam um pouco do que por l á se cantava nos bordeis, aprenderam uma notas com os  escravos africanos, mais umas notas com os índios brasileiros, na Índia  também tirámos notas, na China , no Japão, etc. , repovo á mos ainda Cabo Verde com v á rias raças, o que obviamente deu mais umas misturas de musicais diferentes.

Finalmente previdentes como somos,  e para não sermos acusados de pl á gio, e hoje teríamos a pagar indemnizações a esses povos , juntámos tudo num molho e deu esta mistura de canção que chamamos   Fado,  e é por isso que só nós é que o cantamos em todo o Mundo. Mas é porque os outros não quiseram  aproveitar esta "modinha"?,  é porque é pobre musicalmente, é tocado num instrumento que tem cordas a mais,  só tem 1º e 2º  andamento e que é tocado de ouvido, os tocadores não vem do conservatório. Uma chatice .......

Ninguém tem dúvida que o Filme vai ser um êxito (ler a História do Rei Vai Nu), pois ele só ser á entendido por gente inteligente, e se não gostarem e protestarem o Sr. Saura até sabe daquela história do Manuel de Oliveira que no filme "Francisca" ninguém viu o filme até ao fim, a versão de televisão ninguém gostou, ali á s mudavam para o 2º canal, ou apagavam os televisores. Manuel de Oliveira em entrevista na TV confrontado com estes factos retorquiu : — O Filme é bom, o povo português é que é inculto, vejam como eu lá fora sou apreciado (Nota - felizmente é apreciado tem uma obra fant á stica, eu como inculto que sou, tenho direito a só ter gostado do Anikita Bóbó ).

Portanto seja o filme o que for, não tenham dúvidas que vamos ter muitos intelectuais e conhecedores a dizerem que nós é que

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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

ZECA AFONSO - 30 Anos de Saudade

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, filho de um juiz e de uma professora primária, nasceu, em Aveiro, em 2 de Agosto de 1929, tendo passado os primeiros anos de vida entre a terra natal, Angola e Moçambique.

"Bicho-cantor" foi a alcunha que lhe deram no liceu, por cantar serenatas durante as praxes. Nesta altura conhece a vida boémia e os fados tradicionais de Coimbra.

Entre 1946 e 1948, enquanto terminou o liceu, conheceu a costureira Maria Amália de Oliveira, com quem casou às escondidas, devido à oposição dos pais.

Quando, em 1949, ingressou no curso de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras, revisitou Angola e Moçambique, integrado numa comitiva do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.

Em 1953, nasceu o primeiro filho, José Manuel, e, enquanto dava explicações e fazia revisões no "Diário de Coimbra", viu os primeiros discos serem editados.

O Emissor Regional de Coimbra, da Emissora Nacional, foi o local escolhido para a gravação dos dois discos, de 78 rotações, com faixas de fados de Coimbra.

"Fados de Coimbra" é o título do primeiro EP, editado em 1956. Nos finais dos anos 50, princípios de 60, começou a frequentar colectividades e a cantar, com regularidade, em festas populares.

Em 1963, concluiu o curso, com uma tese sobre Jean-Paul Sartre e a nota de 11 valores.

A senha para o início da Revolução de Abril, "Grândola Vila Morena", nasceu após Zeca Afonso se ter inspirado numa actuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em Maio de 1964.

O único disco editado pela Valentim de Carvalho, "Cantares de José Afonso", é desse ano, altura em que regressou a Moçambique, onde viveu e leccionou durante três anos.

O regresso a Portugal deveu-se à oposição José Afonso ao sistema colonial . O destino, desta vez, foi Setúbal, onde foi colocado como professor, tendo sofrido uma grave crise de saúde que o forçou ao internamento hospitalar durante vinte dias. Quando recuperou, ficou a saber que tinha sido expulso do ensino oficial, passando a viver de explicações que dava.

O PCP chegou a convidá-lo, por esta altura, a entrar para o partido, mas José Afonso recusou alegando a sua condição de classe.

O álbum "Contos Velhos Rumos Novos" e o single "Menina dos Olhos Tristes", que contem a canção popular "Canta Camarada" , são editados em 1969.

Seguem-se "Traz Outro Amigo Também", em 1970, gravado em Londres, "Cantigas do Maio", em 1971, gravado em Paris, e, no ano seguinte, "Eu Vou Ser Como a Toupeira", editado em Madrid.

Em Abril de 1973, foi preso, passando vinte dias em Caxias, e no Natal desse ano gravou, em Paris, "Venham Mais Cinco", com a colaboração musical de José Mário Branco, então exilado na capital francesa.

Muitas outras canções, espectáculos e prémios surgiram nos anos posteriores à revolução e, em 1982, os primeiros sintomas da doença que lhe causou a morte, uma esclerose lateral amiotrófica, começaram a manifestar-se.

No último álbum, "Galinhas do Mato", editado em 1985, Zeca Afonso já não conseguiu cantar todos os temas, sendo substituído por muitos cantores portugueses, como Luís Represas e Janita Salomé.

Dois anos mais tarde, em 1987, no dia 23 de Fevereiro, às 3:00 h, José Afonso morreu, no Hospital de S. Bernardo, em Setúbal.

in: http://delta02.blog.simplesnet.pt/

 

 

 

 

 

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música: A Morte saiu à rua
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