Nasceu em Lisboa no Bairro da Mouraria.
Desde muito jovem que cantou em quase todas as sociedades de recreio lisboetas.
Foi a vencedora da I Grande Noite do Fado, em 1953,
Já profissional, figurou nos cartazes de várias revista, tendo actuado ao lado de Ivone Silva, Camilo de Oliveira, António Feyo, Francisco Nicholson, Irene cruz, Manuela Maria, Helena Isabel e Camacho Costa, entre outros.
Esmeralda Amoedo integrou o elenco de várias casas de fado tanto em Lisboa como no Porto, nomeadamente Café Luso, Adega Mesquita, Toca, Painel do Fado e Mal Cozinhado.
Actuou várias vezes no estrangeiro e ao longo de mais de 50 anos de carreira recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio Carreira pelo Jornal de Notícias e Prémio Neves de Sousa pela Casa da Imprensa que o ano passado a agraciou com um prémio especial.
Editou um novo CD onde revisita alguns dos seus êxitos, como “É mentira”, e integra o excerto de uma actuação ao vivo, com o título “Fado no S. Luiz”.
© Vítor Duarte Marceneiro
Esmeralda Amoedo
canta: Sabe-se Lá
Postado no Youtube por ManuelGuitarrista
/
O Quarteto Edgar Nogueira apresentou o seu novo trabalho no dia 27 de Maio de 2010
FADO DO SÉC. XXI
Na sala da conhecida Casa de Fados, Café LUSO, no Bairro Alto
Foram apresentados poemas de Camões e Florbela Espanca,
além de outros musicados pelo autor e mentor deste agrupamento.
O concerto, foi gravado em para edição de DVD.
Um trabalho de excelência, um concerto de prestígio.
O Professor Edgar Nogueira, exímio instrumentista em guitarra Portuguesa, regista uma carreira com sensivelmente três decadas e nada tolhe as suas intenções artísticas, o próprio considera que está a viver uma fase de grande maturidade, fortemente impulsionada por projectos recentemente concretizados, como é o caso do último álbum editado, “Painéis de Lisboa”, desenho musical de apreciado valor lírico ao qual se juntaram outros instrumentos como a guitarra clássica e o violoncelo.
O CD tem vindo a ser apresentado e divulgado, e, no âmbito da programação mais recente, uma das composições dá título ao espectáculo que poderão assistir no Café Luso, Fado do Século XXI, que reveste especial significado pela ligação do músico a este espaço histórico que o acolhe, bem como a gravação ao vivo, que o tornará ainda mais vibrante.
A propósito do lançamento desta obra, o Maestro António Victorino de Almeida classificou-a como “música de concerto”, o que confirma as aspirações na base.
Elementos do Quarteto Edgar Nogueira:
guitarrista - Edgar Nogueira
violoncelista- Teresa Rombo
violista- Nelson Aleixo
fadista- Catarina Rosa
Chamo-me Vítor Manuel de Azevedo Duarte, nasci em Lisboa no Bairro de Alcântara, em 28 de Abril de 1945, sou filho do fadista Alfredo Duarte Júnior, e neto do Alfredo Marceneiro.
Com o falecimento de minha mãe aos 5 anos, fui viver para casa dos meus avós, Alfredo e Judite, pelo que se poderá dizer que nasci e fui criado a ouvir Fado.
Nunca fui pressionado para me dedicar ao Fado, antes pelo contrário, era incentivado a estudar e tirar um curso (o Fado não era futuro para ninguém dizia o meu avô).
Desde muito jovem, fui registando sem me aperceber “as vivências do Fado” quando acompanhava o meu avô ou o meu pai, ambos me falavam de Fado, e das suas vivências, a partir dos meus 10 anos o meu avô leva-me praticamente todos os sábados com ele para a sua volta fadista, Bairro Alto, Viela, Alfama e depois Ritz para desfazer a barba, e acabar na Márcia Condença, já gostava de ouvir alguns fadistas, e fiz desde logo a minha selecção de preferências, que hoje se mantém.
Frequentei os bailes de Lisboa, acho que fui razoável bailarino, adorava ir ao cinema e exibir-me com a minha moto (cheguei a exibir gesso e ligaduras), a minha juventude em nada foi influenciada pelo fado, andei até aos vinte anos noutros fados.
Desde muito jovem que tinha a paixão pela fotografia, (tinha um laboratório em casa), com cerca de 17 anos, fui fotógrafo na Viela, do Sérgio, cantavam lá nessa altura Berta Cardoso e Beatriz Ferreira e o próprio Sérgio, mas esta actividade era paralela à minha profissão ligada aos automóveis, como tinha uma moto ajudava para a gasolina, ser fotógrafo já era o pretexto para andar no Fado, pois eu não cantava e nem tal me passava pela cabeça, mas arranjei muitos amigos no meio, confesso que mais clientes que artistas, e obviamente quando sabiam quem eu era, logo o tema da conversa era o meu avô.
Em Alcântara, onde eu passei a morar com a minha avó Maria (da parte da minha mãe) quando passei a frequentar a Escola Industrial Marquês de Pombal, abre o Restaurante Típico O Timpanas, e vou para lá como fotógrafo, pois era amigo dos donos a família Forjaz de Brito, (O Rui Forjaz de Brito foi o autor do prefácio do meu primeiro livro sobre o meu avô. Ainda em Alcântara logo ao lado do Timpanas, havia também “A Cesária”, onde o meu saudoso tio Carlos parava e quase sempre cantava, que eu comecei a frequentar, era sempre até ás duas e tal da madrugada, de manhã é que era difícil acordar para ir trabalhar, mas nunca faltei aos meus compromissos, mas que houve muitos dias que até parecia que dormia em pé, houve, mas valeu a pena, que saudades.
Só cantei em público já tinha cerca de 20 Anos, como aliás expliquei como tudo de passou no meu livro biográfico da Hermínia Silva, e que já aqui foi publicado.VER PÁGINA
Entretanto faço o serviço militar na Arma de Cavalaria –Santarém e Santa Margarida, onde aperfeiçoei a arte da fotografia e me iniciei com no Filme, isto porque, embora a minha especialidade fosse Carros de Combate M-47, o comando pelas minhas aptidões nos audiovisuais, nomeia-me responsável pelo departamento de Fotocine do quartel.
Mal acabei o serviço militar tive uma experiência curta como profissional de Fado no Restaurante Típico Luso, ao lado de Tristão da Silva, Augusta Ermida e Plínio Sérgio.
É por esta altura que gravei a solo e em dueto com meu avô e com meu pai, para as editoras, EMI-Valentim de Carvalho e Discos Estúdio do nosso amigo Emílio Mateus.
A paixão pelos audiovisuais leva-me a abandonar a segurança que tinha no ramo automóvel, e a abraçar uma carreira no cinema, bastante mais insegura, mas para mim mais gratificante.
Comecei com Director Comercial, passei a Produtor Executivo, na Cinegra produtora do Magazine Cinematográfico VIP87, do realizador António de Almeida Lopes até Abril de 74.
Como independente fui produtor e realizador do Jornal Cinematográfico “Bric à Brac” e de vários documentários e filmes de publicidade.
Em 1975 entro para o Ministério da Comunicação Social – Instituto Português de Cinema, como Chefe de Produção, mais tarde passo a exercer em simultâneo as funções de Operador de Som, posteriormente e após vários trabalhos inclusive 2 filmes de fundo, passo a Director de Som, vindo mais tarde com a ajuda de uma bolsa de estudo a fazer um o Curso de Engenheiro de Som (3anos) sendo isento de estágio pelo trabalho já feito antes do curso.
Fui ainda correspondente das Televisões
Em 1979, fui produtor e Director de Som no programa de Televisão para a RTP 1, “MARCENEIRO – Três Gerações de Fado”, programa este, onde canto com o pai e meu o avô, merecendo o agrado unânime quer da crítica, quer do público, o programa estreou em 1980 e meu avô vem a falecer em 1982, foi assim o seu último registo em filme.
Em 1991 fui o impulsionador das Comemorações do Centenário do Nascimento de Alfredo Marceneiro, tendo sido convidado por Joaquim Letria para a RTP 1 conjuntamente com meu pai e Carlos do Carmo.
Cantei no programa de fados produzido pela SIC, (o único até hoje) quando do primeiro aniversário desta estação de televisão, a convite do jornalista Vitor Moura Pinto.
Actuei várias vezes na “Grande Noite de Fado” no Coliseu dos Recreios a convite da Casa da Imprensa.
Fui convidado de Herman José no programa “Parabéns” na RTP 1 (1994), onde actuei, assim como de Carlos Cruz no programa “Zona Mais” na RTP 1, por Júlio Isidro para a TVI, e por Teresa Guilherme para a SIC, nesta conjuntamente com meu pai e já após o falecimento de meu avô
José Lá Féria convida-me a actuar na abertura da emissão em directo da “Grande Noite do Fado emHomenagem a Alfredo Marceneiro” em 1998, para a RTP Internacional e RTP África
Na “Grande Noite do Fado de 2000 e 2001” fui convidado pelo jornalista e Director da Casa da Imprensa José La Féria, para Presidente do Júri.
Sou o autor dos livros biográficos de meu avô “Recordar Alfredo Marceneiro”(1995) e“ Marceneiro – Os Fados que ele cantou”(2001)
Sou ainda autor e editor do livro biográfico “Recordar Hermínia Silva” (2004)
VER PÁGINA
Tenho produzido vários Diaporamas sobre Figuras do Fado, que utilizo quer em espectáculos quer em conferências sobre Fado.
Foi convidado de Manuel Luís Goucha no programa “Praça da Alegria” na RTP 1.
Fui o fadista convidado para cantar no VideoClip de promoção do Fado, para a EXPO 98.
Tenho sido convidado pelas entidades competentes para fazer várias palestras subordinadas ao tema., Histórias para a História do Fado, nos seguintes locais:
Biblioteca Museu da República e Resistência – C.M.L.
Fonoteca Municipal de Lisboa.
VER PÁGINA
Fórum Roque Gameiro – C.M. Almada
Fórum Municipal – C.M. Benavente
Salão Nobre – Casa da Imprensa
Fórum da Biblioteca Municipal - C.M. Alenquer
A Voz do Operário
Sou sócio fundador da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado “A.P.A.F.” tendo sido recentemente eleito para vogal da direcção.
É Sócio Honorário da Associação Benaventense dos Amigos do Fado.
Fui entrevistado no programa SIC 10 Horas de Fátima Lopes por ser o ideólogo e principal impulsionador de colocar Lisboa no Guiness Book of Records, como “A Cidade mais Cantado do Mundo”.VER PÁGINA
Ainda na SIC 1O Horas, cantei o Fado, BAIRROS LISBOA, de Carlos Conde e Alfredo Marceneiro. VER PÁGINA
Mereceu ainda um especial destaque esta iniciativa, tendo tido uma ampla divulgação que em Portugal como em praticamente todo o mundo através da notícia da LUSA pelo jornalista Nuno Lopes.VER PÁGINA
Foi ainda noticia de destaque no Jornal das 9 horas da SIC, e retransmitida na SIC INTERNACIONAL. VER PÁGINA
2006 Apresentei no Museu do Fado Diaporamas sobre Alfredo Marceneiro e Hermínia Silva
2007 Fui o produtor executivo do CD " MARCENEIRO...é só Fado"
VER PÁGINA
e ainda do CD " 3 Gerações de Fado
VER PÁGINA
assim como o DVD - Alfredo Marceneiro 3 Gerações do Fado.
VER PÁGINA
Geração de Marceneiro na TVI - Tardes da Júlia.
| http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/237 |
Enaltecer o Fado e os fadista, é a minha aspiração, e por essa razão enquanto faço a recolha dos dados sobre Lisboa, vou fazendo História do Fado, (lembrando quem o cultivou) mas como é natural e por direito com grande destaque ao meu avô Alfredo Rodrigo Duarte, que é também o meu, e vosso Alfredo Marceneiro.
Continuo a cantar, não tanto como eu gostaria, mas tenho que entender que não faço parte do "Lobbie". continuo também a fazer palestras e a escrever sobre Fado.
Estive no Canadá, Brasil a cantar e dar palestras sobre Fado, recente estev nos Acores na Base das Lajes e na Universidade dos Açores.
Vítor Duarte Marceneiro canta:
AMOR É ÁGUA QUE CORRE
Letra de:Augusto de Sousa
Música: Marcha de Alfredo Marceneiro
Gravado ao vivo no Coliseu dos Recreios
Está em fase muito avançada de arranque a criação da há muito já idealizada
"ASSOCIAÇÃO FADISTA - ALFREDO MARCENEIRO"
Em breve será anunciada a metolodogia para angariar amigos/adeptos
É não só um reconhecido talentoso fadista, estilista notável, como um poeta de mérito. Começou a cantar aos 8 anos, e aos 13 conquistou o 1º lugar do concurso do jornal Ecos de Portugal (1951). Canta no restaurante Ribamar, na Cova da Piedade e no Pancão em Almada, mas só em 1956 obtém a carteira profissional, estreando-se no Retiro Andaluz. Rocha inicia então uma fulgurante carreira actuando nas mais diversas casas típicas e palcos nacionais. Em 1959 no Café Luso é eleito “Rei do Fado Menor”, voltará a ser “coroado”oito anos mais tarde como “Rei do Fado”, resultante de um concurso da revista Plateia, paralelo ao dos Reis da Rádio.
No final da década de 1960 na companhia de Ema Pedrosa e Armando Marques Ferreira, assina uma rubrica semanal no Clube Radiofónico de Portugal intitulada “Pergunte o que quiser sobre fado. António Rocha responde”. Esta terá sido a primeira experiência de divulgação do modus faciente do fado junto do grande público. Aliás este mesmo entusiasmo levá-lo-á a integrar, em 1994, o núcleo fundador da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, de que é sócio honorário.
Entretanto continua a editar discos, onde inclui letras suas, de António José, Artur Ribeiro, Domingos Gonçalves Costa, Hermano de Sobral e de vários outros poetas. Foi o primeiro fadista a gravar “Vou dar de beber à dor” (Alberto Janes ), depois da sua criadora, Amália Rodrigues.
Actualmente integra o Gabinete de Ensaios do Museu do Fado e além das várias actuações no estrangeiro, canta nas Arcadas do Faia, ao Bairro Alto.
Além fronteiras, refira-se a sua participação no Festival de Música de Nantes, no de Música da Flandres em Gent ou no de Músicas do Mundo em Barcelona, nos Encontros da Música em Tenerife e no XXIII Festival Sabandeño , em 2001, também em Tenerife.
Entre a sua vasta discografia, saliente-se o álbum Tears of Lisbon ” gravado com Beatriz da Conceição, sob a direcção do maestro Paul van Nevel , ou “Silêncio, ternura e Fado” (Ovação) onde canta poemas de sua autoria, entre eles, “Um hino à vida”, “Procura vã” ou “Olhos esquivos”.
Em 2006 é-lhe atribuído o “PRÉMIO AMÁLIA RODRIGUES CARREIRA MASCULINA”
Nuno Lopes
Conheço o António Rocha, desde que me conheço no Fado, nutro por ele uma admiração quer artística, quer pessoal, pois é uma pessoa que tem uma postura e uma maneira de estar a todos os níveis irrepreensível , o que hoje se vai tornando raro quer na nossa sociedade quer no meio artístico .
Pedi ao meu amigo Nuno Lopes que me escrevesse algo sobre o António Rocha, que logo acedeu.
Vítor Marceneiro
O fadista António Rocha. Trata-se de uma grande figura do Fado dos nossos dias, que preserva uma tradição de bem estilar hoje cada vez mais rara, mostrando bem de que maneira mesmo no repertório fadista mais clássico é possível a um grande artista deixar uma marca individual inconfundível . Ouvi-lo é sempre uma lição de inteligência musical e de uma força expressiva que nos afecta profundamente. É por coisas como estas, é por fadistas desta fibra que o Fado é tão importante para todos nós e que o queremos defender na sua essência, sem negarmos a sua capacidade evidente de evoluir mas salvaguardando sempre a sua ligação às raízes em que nos reconhecemos.
Rui Vieira Nery
António Rocha canta Boneca de Porcelana
<
Nasceu em Lisboa em 1893, na freguesia da Ajuda onde viveu toda a sua vida e foi lá que veio a falecer em 1965.
( 1 )
(1) Com Domingos Camarinhas, Sérgio, Amália Rodrigues e Berta Cardoso na VIela
(2) Com Baerta Cardoso e Alfredo Marceneiro no Faia
MÃE... com três letras apenas se escreve esta palavra, tal como PAI..., são palavras pequenas, mas como alguém já escreveu, são aquelas que na VIDA, um maior significado têm.
Minha mãe partiu com 25 anos, tinha eu cinco anos, mas quando eu já escrever era à minha saudosa avò Maria, que eu escrevia, como se da minha mãe se tratrasse. Como muitos se hã-de lembrar este dia que foi durante muitos anos comemorado nos dias 8 de Dezembro.
Saúdo as mães de todo o Mundo, com especial carinho para aquelas que acabam por passar os seus últimos dias de vida, ou sós nas suas casas, ou em lares, e tantas vezes esquecidas e desamparadas.
A solidão é muito triste, mas como deve ser angustiante a solidão de uma mulher que pariu um filho, e no fim da vida, se vê só e abandonada por esse próprio filho.
Cito estes versos de um poema da autoria de Linhares Barbosa e celebrizado por Fernando Farinha.
P´las mãos de minha mãezinha
Andei nos tempos de então
Hoje com está vélhinha
É ela que anda p´la minha
Faço a minha obrigação
De Henrique Rego.
DA MULHER DESVENTURADA NINGUÉM FUJA
SE ELA ACASO UM FILHO TEM,
DEIXÁ-LA SER DESGRAÇADA
PORQUE A DESGRAÇA NÃO SEUJA
O SANTO AFECTO DE MÃE
De Eugénio de Andrade o poema "MÃE", num Video-Clipe do meu amigo Luís Gaspar
Também com muito gosto tenho o prazer de vos apresentar dois poemas de dois amigos sobre o tema "MÂE"
Mãe
por Maria da Luz
Sinto falta de ti mãe
Do calor do teu colo
Onde me acolhias e me fazias
Sentir que o mundo estava todo ali
E me protegias
Sinto falta de ti mãe
Quando me abrias os braços
E eu para ti corria feliz
Inocente menina
Sinto falta de ti mãe
Quando me falavas baixinho
E eu adormecia pensando que ouvia
A voz de um anjo
Sinto falta de ti mãe
Agora que no teu peito
Me queria esconder da vida
E contar-te os meus segredos
As minhas dores
Sinto falta de ti mãe
Ter as tuas mãos no meu rosto
Os teus beijos secando minhas lágrimas
A tua voz dizendo palavras doces
Embalando a tua menina
Agora mãe
Como eu queria que me abrisses os braços
Quais asas de um anjo que me levasse
Ao encontro de um outro anjo que me espera
E a ele me entregasses
E eu pudesse estar de novo em paz
Acreditar que era verdade
Quando me dizias, que tudo estava bem
E eu era feliz
Do meu amigo Júlio Dias, que ao enviar-me este poema, não escondia o seu orgulho dizendo: Sabes Vítor a minha mãe foi uma das últimas varinas, que percorreu com a sua canastra à cabeça as ruas da nossa Lisboa, apregoando ...Oh. Viva da Costa...
ATÉ AMANHÃ MINHA MÃE
por Júlio Dias
A TUA VIDA FOI SER VARINA,
COMEÇAS-TE DE PEQUENINA,
NO MERCADO DA RIBEIRA,
ENTOAVAS O TEU PREGÃO,
PARA PODERES GANHAR O PÃO,
POR ESSA LISBOA INTEIRA!

FOSTE ENVIADA POR DEUS,
AMASTE TODOS OS TEUS,
COM AMOR E DEVOÇÃO
E, NA HORA DA PARTIDA,
ÉS A MÃE MAIS QUERIDA,
GUARDADA NO MEU CORAÇÃO!
OBRIGADO MINHA MÃE,
QUE SOUBESTE SER ALGUÉM,
NUMA VIDA SÃ,
O TEU CAMINHO EU SIGO,
UM DIA IREI TER CONTIGO,
BOA NOITE E ATÉ AMANHÃ!
Poeta popular, nasceu e morreu em Lisboa (1885-1963).
Cantador na juventude, foi na poesia que se celebrizou, abordando temas bucólicos e líricos, tendo legado uma vasta obra, com versos de grande perfeição.
Fez parte dos concílios poéticos muito na moda na época.
Foi quem mais versos escreveu para Alfredo Marceneiro
Alfredo Marceneiro tinha uma sensibilidade muito especial para escolher os fados que cantava, e a partir de certa altura eram os poetas que o assediavam para que interpretasse os seus poemas.
Dos muitos poetas que para ele escreveram, Henrique Rêgo foi decerto o que mais admirou. Mas no início desta relação houve um episódio que Alfredo relembrava:
Henrique Rêgo afirmou certo dia num "concílio poético" de fado:
— Que os versos só tinham valor e eram sentidos, quando escritos ou recitados, mas que nunca poderia senti-los quem os cantasse.
Alfredo Marceneiro ao ouvir tal afirmação, discordou firmemente e solicitou ao guitarrista Henrique Simas que o acompanhasser, e cantou um fado da autoria de Henrique Rêgo, Amor de Mãe.
Este ao ouvir os seus versos cantados com tal sentimento e intuição, comovido disse:
— Isto define um cantador... retiro o que tinha dito
Deve ter sido a partir desta altura, que amizade de ambos mais se cimentou, Henrique Rêgo veio a ser seu compadre, pois fez questão de ser padrinho de baptismo da sua filha Aida.
Certo dia perguntaram-lhe a sua opinião sobre Alfredo Marceneiro, ao que ele respondeu em verso:
Como existe compadrio
Ente mim e «Marceneiro»,
O meu maior elogio
É dizer, abertamente,
Que este fadista afamado
Enebria toda a gente
Que gosta de ouvir o Fado!...
© Vítor Duarte Marceneiro
Eis um resumo da produção desse grande poeta popular Henrique Rêgo, para o repertório de Alfredo Marceneiro.
" COLCHETES D´OIRO "
Toma lá colchetes d´oiro
Aperta o teu coletinho
Coração que é de nós dois
Deve andar aconchegadinho
" CABELO BRANCO"
Cabelo Branco é saudade
Da mocidade perdida
Às vezes não é da idade
São os desgostos da vida
" O LENÇO"
O lenço que me ofertaste
Tinha um coração no meio
Quando ao nosso amor faltaste
Eu fui-me ao lenço e rasguei-o
"A MENINA DO MIRANTE "
Menina lá do mirante
Toda vestida de cassa
Deite-me vista saudosa
E um adeus da sua graça
" MOINHO DESMANTELADO"
Moinho desmantelado
Pelo tempo derroído
Tu representas a dor
Deste meu peito dorido
" AVÓZINHA "
Ainda me lembro bem
Dessas noites invernosas
Em que o vento sibilava
E das lendas amorosas
Que a minha avó que Deus tem
Junto á lareira me contava
" SINAS "
Já mandei ler tantas sinas
Na palma da minha mão
E todas elas constatam
Que as buliçosas meninas
Dos teus olhos é que são
As meninas que me matam
"AS FONTES DA MINHA ALDEIA"
As fontes da minha aldeia
Murmuram, gemem em coro,
E as águas que vão correndo
Levam consigo o meu choro
" OS VÉLHINHOS "
Sentado nos degraus
Musgosos d´uma Ermida
Dois velhos aldeões
Mortinhos de saudade
Com palavras de amor
Cândidas como as rosas
Lembravam com ternura
A morta mocidade
" O NATAL DO MOLEIRO "
Que noite de Natal, tristonha agreste
De neve amortalhava-se o caminho
E o vento sibilada do nordeste
Por entre as frinchas da porta do moinho
" TRÊS TABULETAS "
De ferro três tabuletas
Todas três numeros seguidos
Dizem eternas moradas
Desses três na morte unidos
" OH ÁGUIA "
Oh águia que vais tão alta
Num voar vertiginoso
Por essas serras d´além
Leva-me ao céu, onde tenho
A estrela da minha vida
A alma da minha mãe
" AMOR DE MÃE "
Há vários amores na vida
Lindos como o amor perfeito
Belos como a Vénus querida
De tantos que a vida tem
Só um adoro e respeito
É o santo amor de mãe
“ANTES QUE QUEIRA NÃO POSSO”
Antes que queira não posso
Deixar o fado é morrer
É ele o meu Padre-Nosso
Que eu vou rezando a sofrer
"CABARÉ"
Foi num cabaré de feira, ruidoso
Que uma vez ouvi cantar, comovido
Uma canção de rameira, sem ter gozo
Que depois me fez chorar, bem sentido
" O BÊBADO PINTOR"
Encostado sem brio
Ao balcão da taberna
De nauseabunda cor
E tábua carcomida
O bêbado pintor
A lápis desenhou
O retrato fiel
Duma mulher perdida
"A LUCINDA CAMAREIRA"
A Lucinda Camareira
Era a moça mais ladina
Mais formosa e mais brejeira
Do Café da Marcelina
" FADO BAILADO "
À mercê dum vento brando
Bailam rosas nos vergéis
E as Marias vão bailando
Enquanto vários Manéis
Nos Harmónios vão tocando
“O CAMPONÊS E O PESCADOR”
Eu adoro do mar
As ondas imponentes
Que vão morrer á praia
Em finos rendilhados
Eu adoro a campina
A rústica montanha
Adoro enfim a Paz
Nostálgica dos prados
" O BAILADO DAS FOLHAS "
Foi numa pálida manhã de Outono
Soturna como a cela dum convento
Que num vetusto parque ao abandono
Dei largas ao meu louco pensamento
" O LOUCO"
Quiseste que eu fosse louco
Para que te amasse melhor
Mas amaste-me tão pouco
Que eu fiquei louco de amor
"TRICANA"
Não sabes Tricana linda
Porque chora quando canta
O rouxinol no choupal
É porque ele chora ainda
P´la Rainha mais Santa
Das Santas de Portugal
“QUADRAS SOLTAS”
Junto ao Moinho cantando
Lavam roupa as lavadeiras
Os patos brincam nadando
Arrulham pombos nas eiras
Nota: Todos estes poemas forma cantados e gravados por Alfredo Marceneiro, com músicas da sua autoria.
Nasceu no bairro de Alcântara a 10 de Outubro de 1907, e faleceu em Novembro de 1969.
Desde muito novo corria os locais onde houvesse Fado sempre acompanhado pela sua guitarra, para alinhar na fadistice .
Torna-se profissional em 1944 pela mão de Filipe Pinto e estreia no Café Luso com uma letra do repertório de Alfredo Marceneiro, "Senhora do Monte" com música deste, e letra de Gabriel de Oliveira, foi decerto este fado que logo no inicio mais contribui para a sua popularidade, e lhe deu mais nome, o próprio criador do tema, Alfredo Marceneiro o aplaudiu nessa exibição sem qualquer rivalidades, eram dois bons amigos.
Carlos Ramos, não prescindindo dos acompanhadores habituais acompanhava-se sempre tocando a sua guitarra.
Foi como guitarrista muito solicitado no Teatro de Revista. Trabalhou na Tipóia e na Tágide.
Carlos Ramos, era um homem afável, de espírito aberto e gentil, teve e tem grandes admiradores, criou um estilo muito próprio que fez escola, tem muitos seguidores do seu vasto repertório e do seu estilo, tinha uma voz doce, atraente e sedutora, exprimindo ao cantar tal sentimento, que tudo aquilo que dizia era Fado.
Foi proprietário de um restaurante típico no Bairro Alto a que deu o nome de: A TOCA DE CARLOS RAMOS., que foi frequentada por toda as gentes do Fado quer artistas, quer clientes, destaca-se dos seus contratados, Alfredo Marceneiro, de quem era grande amigo, Maria do Espírito Santo e muitos outros fadistas de nomeada.
Relembremos alguns dos seus êxitos: Não Venhas Tarde. Aquela Feia, Café de Camareiras, Chinelas da Mouraria, O amor é louco, Lisboa é Sempre Lisboa, Biografia do Fado, Anda o Fado noutra Bocas, Tempos Antigos, etc .
Compôs uma música para um fado a que deu o título "Fado Olga"
Tem bem um lugar na História do Fado de dos fadistas.
Vítima de uma trombose ocorrida nos meados dos anos sessenta, terminando assim a sua carreira artística, nessa altura vivia só, esteve a viver em casa de meu pai e da sua companheira de então, que o trataram e acarinharam como se de um familiar se tratasse. Os acontecimentos até à sua morte, desconheço, ainda fui contactado por um neto após uma primeira publicação sobre ele, em Julho de 2007, nest blogue, mas nunca mais tive qualquer contacto!!! julgo que morreu em casa de familiares.
Carlos Ramos morreu em 1969.
Carlos Ramos com Fernanda Maria Com Alfredo Marceneiro
e Mariana Silva
Carlos Ramos
Canta: Biografia do Fado
Letra e música de Frederico de Brito
Espero não termos que vir a ter de comemorar ( leia-se actuar) num DIA NEGRO...
O DIA DO DESEMPREGADO e do reformado ROUBADO...
Saúdo todos os trabalhadores do mundo.
Tal como escrevi no ano passado, relembramos mais de 100 anos dos acontecimentos que deram lugar à comemoração deste dia, em que muitos homens e mulheres de coragem, perderam a vida para lutarem pelos direitos de todos os trabalhadores, quem diria que este ano, ainda pior que o anterir, fruto de uma desenfreada ambição capitalista, que responsáveis politicos não souberam travar, ou não quiseram, milhares de trabalhadores de todo o mundo estão dia a dia a perder o seu emprego, a su dignidade, só quem estiver nessa situação poderá saber o quanto sofre.
A minha solidariedade ... Acreditemos que o amanhã será melhor...
Tomo a liberdade de publicar aqui este poema do meu amigo e poeta Caraloa Escobar
1º de Maio – Dia Mundial do Trabalhador
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Chicago, Maio de 1886
O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos directamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extracção da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.
Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.
Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.
No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.
Os oradores se revezavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pontapeando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direcções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.
A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gangsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.
A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de Junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de Outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.
Mártires de Chicago:
Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg suicidou-se na prisão.
No dia 11 de Novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se.
Spies fez a sua última defesa:
"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é a vossa opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"
Parsons também fez um discurso:
"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Fez um relato da acção dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:
"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objectivo do socialismo".
José Victal Branco Malhoa, nasceu nas Caldas da Rainha.
Veio para Lisboa onde fez toda a sua educação artística. Foi no início um pintor de assuntos de ar-livre. Passa por várias fases do desenrolar da sua criatividade. É assim que pinta a festa de S. Martinho e «O Fado», onde as figuras saem fora da vida para se impregnarem duma transfiguração impar. São os bêbados e os párias, vinho, e a meia-luz das vielas sombrias.
«O Fado», sobretudo, é uma alegoria pungente; um par amoroso numa atitude aviltante, num interior de lupanar onde não falta o olhar comiserado duma estampa do Senhor dos Passos, com a túnica roxa e a cruz às costas.
Mas o povo de Lisboa tem-lhe prestado o culto da admiração, glosando o seu motivo com pretextos da glorificação, e ama este quadro como jóia preciosa. O Fado de Malhoa!
Cantou-o a voz de Amália Rodrigues e tantas outras. Tem sido motivo de inspiração de cantigas e bailados nos teatros musicados; foi argumento de filmes, legenda de calendário, polémica de estudos, glosa de versos populares… e anda decorado na pupila dos lisboetas como estampa que é bem sua.
«A Voz de Portugal» na sua edição de 15 do Outubro de 1955 transcreve a história desta obra de arte ligada à cantiga popular portuguesa, como homenagem ao pintor que foi enaltecido em bronze numa praça da sua terra natal, num texto de António Montez.
Amigo de Lisboa e português dos melhores, entendeu o artista dever mostrar ao mundo a pintura que tanto o prendeu.
A França, a Espanha, a Inglaterra e a Argentina apreciaram o trabalho, deram-lhe altas recompensas, o que, por si só, justifica a sua aquisição pela Câmara Municipal de Lisboa, que não quis, perder a oportunidade de guardar no «Museu da Cidade» um quadro de realismo impressionante, sem dúvida a pintura mais lisboeta na obra do Mestre.
Mas para Malhoa não foi tarefa fácil a escolha dos modelos para o quadro!
Ao tempo, havia na Mouraria um fadista que dava que falar, conhecido pela alcunha de «Pintor».
As visitas diárias de Malhoa, à viela sombria da Rua do Capelão, começaram a chamar a atenção das desgraçadas do bairro castiço, que, para evitar confusões, passaram a chamar a Malhoa «O Pintor Fino». Aliás foi uma delas que lhe indicou o rufião Amâncio – tocador de guitarra que manejava a navalha como poucos –, para modelo do quadro que havia de imortalizar Malhoa.
O primeiro encontro do pintor com o fadista, em plena Mouraria, constituiu um acontecimento sensacional, pois deu lugar à apresentação da Adelaide, também chamada «Adelaide da Facada», por virtude dum traço largo e profundo que tinha do lado esquerdo do rosto, razão que levou o Mestre a mudar a posição que tinha esboçado inicialmente para os retratos.
Malhoa disse o que queria, pôs condições, e como a oferta de seis vinténs por sessão, foi considerada bastante compensadora, o Amâncio garantiu que Adelaide não faltaria nunca!
Foi sol de pouca dura, pois Amâncio, ruído de ciúmes, agredia a companheira logo que o pintor voltava costas, acabava por vir a polícia, e lá iam os dois para o Governo Civil, a insultarem-se mutuamente, mas o mestre Malhoa, com a sua influência pessoal, lá conseguia libertar os turbulentos modelos.
A certa altura, Malhoa fez descer a alça da camisa da infeliz. O Amâncio, cada vez mais ciumento, não gostou da graça, azedou-se, e de mão no bolso e ar ameaçador, disse ao Mestre que não era para brincadeiras. Não se sabe o que se passou, mas a verdade é que a alça subiu para o seu lugar, da mesma forma que a saia branca gomada foi substituída pelo saiote de baeta vermelha.
Quadro do Mestre José Malhoa " o Fado"
FADO MALHOA
Criação de Amália Rodrigues
Letra de: José Galhardo
Música de: Frederico Valério
A publicidade que aparece no video é da responsabilidade do Youtube
FADO MALHOA
Alguém que Deus já lá tem
Pintor consagrado,
Que foi bem grande
E nos fez já ser do passado,
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida.
Faz rir a ideia de ouvir
Com os olhos senhor
Fará mas não para quem já
Ouviu mas em cor
Há vozes de Alfama
Naquela Pintura
E a banza derrama
Canções de amargura
Foto de: Sérgio Guimarães
Foi um talentoso fotógrafo,ligado ao meio teatral, às artes plásticas.
O seu génio criativo e sentido de oportunidade é bem exemplificado nesta foto.
Sérgio Guimarães com esta foto ficará para sempre ligado à nossa História, ao 25 de Abril, ao Movimento dos Capitães.
Milhares de pessoas admiram esta foto, mas Infelizmente poucos conhecem o nome do seu autor.
Já se têm feito homenagens por muito menos.
ASSIM VAI PORTUGAL..
«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»
Nota: Peço imensa desculpa, mas enganei-me (enganaram-me!), este artigo foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número de "As Farpas", pelo que qualquer semelhança com a realidade... NÃO É FICÇÃO
Nasceu no Montijo em 1936.
Parece destinado a uma vida de operário, mas o seu gosto pelo canto, leva-o a aproximar-se do mundo do espectáculo em Lisboa, como gosta muito de Fado, passa a frequentar os locais onde o mesmo se canta, em especial a Parreirinha de Alfama. Uma noite começa a cantar espontaneamente e foi um sucesso, Argentina Santos logo o contrata.
Mais tarde é contratado pelo fadista Sérgio para actuar na Viela.
Em 1964 grava um disco que é muito tocado na rádio, o que o torna bastante conhecido do público.
Em 1965 no teatro Maria Vitória, estreia-se na revista “E Viva o Velho” e canta o tema «Ó Tempo Volta p'ra Trás», o êxito da canção e da sua interpretação levará verdadeiras excursões de todo o país ao Parque Mayer, tendo a revista lotações esgotadas durante meses. Grava o tema em disco que obtém também um grande êxito e um elevado número de vendas, cantou e gravou outros grandes êxitos como Chiquita Morena, Meu Amor, Meu Amor, etc
De personalidade tímida e reservada, António Mourão será sempre recordado um dos grandes ícones, do Fado da canção e do teatro de revista dos anos sessenta.
Quando abandona o teatro passa a cantar só em espectáculos.
Actualmente está retirado e é residente na Casa do Artista
Poema a António Mourão
por: Carlos Conde
António Mourão - voz de oiro
Que o povo ouve com agrado,
É mais um raro tesoiro
No panorama do fado.
Se na canção é melhor,
Então atingiu o fim,
E é mercê do seu valor
Que hoje sobe ao "Galarim".
P'ra subir mais nada resta
Nesta senda de vai-vens,
Já pôs a canção em festa
E o fado de parabéns.
António Mourão
canta um poema de sua autoria e música de Ferrer Trindade
Aquilo que eu canto é Fado
Video-Clip postado pelo meu amigo Américo no Youtube
Nasceu em Cascais, a 6 de Novembro de 1934, mas morou sempre em Lisboa.
Amãe tocava piano e transmitiu-lhe o gosto pela música, desde pequeno que o leva a assistir a concertos.
Aos 18 anos, Fernando Alvim tem as primeiras aulas de viola com o professor Duarte Costa.
Aos 24 anos, frequenta um curso com o guitarrista Emílio Pujol.
Inicia a sua carreira profissional aos 21 anos, tocando como acompanhante em casas de fado amador.
Na Emissora Nacional, Fernando Alvim foi responsável por um programa de music-hall chamado «Nova Onda», que dará o nome ao conjunto que posteriormente formou com outros músicos e que estará na origem do “Conjunto Mistério”.
Fernando Alvim praticamente acompanhou e gravou com quase todos os fadista de renome.
Em 1959 , inicia uma parceria de trabalho com Carlos Paredes, que durou 24 anos , mas ao longo desses anos, Fernando Alvim desenvolve outras actividades, tocando com vários músicos do Hot Club, fez parte integrante do conjunto de músicos do popular programa televisivo Zip-Zip,
Em 1969, fundou o “Conjunto de Guitarras de Fernando Alvim”, que tocaram para diversos artistas, quer em espectáculos, quer em gravações.
Fernando Alvim fez ainda “parelha” com os guitarristas João Torre do Vale (Zina), António Chainho e Pedro Caldeira Cabral.
Em 1998, participa no disco de António Chainho, “A Guitarra e Outras Mulheres”, as "outras mulheres", são as cantoras Teresa Salgueiro, Elba Ramalho, Nina Miranda, Filipa Pais, Marta Dias e Sofia Varela.
Tive a oportunidade de conhecer Fernando Alvim, em 1970 na reabertura do “ LUSO”, em que ele tocava com o guitarrista, historiador e coleccionador Pedro Caldeira Cabral, foram eles os músicos que me acompanharam , na primeira experiência que tive, como profissional no Fado.
Quero realçar que Fernando Alvim é uma homem de uma enorme sensibilidade, pessoa de poucas palavras, mas muito cativante… um Senhor.
Vítor Marceneiro
Berta dos Santos Cardoso, nasceu na Rua da Condessa, freguesia do Sacramento em Lisboa, no 21 de Outubro de 1911,
Ficou órfã de pai muito cedo e devido a dificuldades económicas de sua mãe, esteve internada numa instituição oficial, onde fez os seus estudos, saiu aos 16 anos e foi novamente viver com a mãe e os irmãos.
Berta Cardoso, que não era filha única, teve um irmão de seu nome Américo dos Santos, que andava no Fado como amador e tocava viola, e assim a influenciou a para cantar o Fado.
Berta Cardoso foi mãe de dois filhos.
Corria o ano de 1927, com 16 anos de idade, estreia-se no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer, que era gerido pelo Armandinho, foi tal êxito da sua actuação que de imediato ficou contratada, tendo adoptado o nome artístico de Berta Cardoso.
Sendo o Salão Artístico no Parque Mayer, local, onde como se sabe apareceram os Teatros de Revista. Berta Cardoso não passou despercebida e logo em 1929 é a cantadeira contratada para a Revista Ricócó, levada à cena no Teatro Maria Vitória, segue-se “Viva O Jazz” e a “Nau Catrineta”.
Nos intervalos das suas actuações na revista, é das cantadeiras mais solicitada nos recintos de Fado, Solar da Alegria, Salão Jansen, Café Luso, Retiro da Severa, etc.
Integrada num elenco artístico com a Beatriz Costa, parte numa digressão ao Brasil onde obteve grandes êxitos.
Infelizmente não havia os meios de comunicação de hoje, pois é indiscutível que Berta Cardoso foi uma das primeiras cantadeiras de Fado a internacionalizar o Fado, assim com a grande Ercília Costa. (1)
Estas actuações internacionais tem mais expressão no Brasil e em todo o continente Africano, em particular nas Colónias Portuguesas. O que levou a que, em 1933 os diversos interveniente no espectáculo Fado, decidiram criar o “Grupo Artístico de Fados”, com Madalena de Melo e a Berta Cardoso, na guitarra o Armandinho e nas violas, Martinho d’ Assunção Jr. e João da Mata.
Este conjunto de intérpretes de renome, parte a bordo do navio Niassa para um percurso de espectáculos na África Ocidental e Oriental e também nas ilhas portuguesas. Concretiza-se como a primeira viagem que o Fado faz a África, tornando-se numa digressão muito noticiada pelos jornais, uma vez que os espectáculos se desenrolam ao longo de quase um ano, passando por diversos locais, destacando Angola, Moçambique e Rodésia.
No inicio dos anos trinta grava para a editora Odeon, e mais tarde passa a gravar de para a editora Valentim de Carvalho.
Berta Cardoso fica muito ligada ao Teatro de Revista, onde se apresenta com uma regularidade de cerca de várias peças por ano.
Em 1936 no Retiro da Severa, ao lado de outros grandes fadistas da época, Maria Emília Ferreira, Maria do Carmo Torres, Alfredo Duarte Marceneiro, Júlio Proença e José Porfírio, são considerados e apresentados como a "Embaixada do Fado do Retiro da Severa", actuaram em muitos locais, com relevância as idas ao Porto, Teatro Sá da Bandeira e no Teatro Variedades, com lotações sempre esgotadas, a imprensa e a rádio destaca as actuações de Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro.
Em 1939 é contratada novamente por Beatriz Costa, para uma série de espectáculos em todo o Brasil, com as revistas "Eh, Real", "Oh, meu rico São João", "Dança da Luta" e "Pega-me ao Colo", novamente estes espectáculos tiveram grandes êxitos. Mas, antes da sua partida, é homenageada pelos seus colegas no Retiro da Severa.
Foi também neste ano, que grava e filmada, com Alfredo Marceneiro, no Teatro Variedades e no Retiro do Colete Encarnado, actuações estas filmadas para o filme "O Feitiço do Império", de António Lopes Ribeiro. O filme estreou em 1940.
Após o regresso do Brasil, em 1940, é convidada para a "Embaixada do Fado do Solar da Alegria", que no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, obtém grandes elogios e lotações esgotadas, também faziam parte deste elenco, Maria Carmen, Júlio Proença e Amália Rodrigues.
Berta Cardoso continua a cantar nos retiros de Fado e no teatro, até cerca de 1960, ano em que decide manter-se só a gravar, e cantar Fado em casas típicas, primeiro n´O Faia, segue-se a Viela e por último o Poeta, em Alfama, onde anteriormente tinha havido uma casa de fados bem pitoresca, que se chamava “A Nau Catrineta”.
Em 1943 conclui na Faculdade de Medicina o curso de enfermagem, com a especialização em obstetrícia, mas nunca chegou a exercer.
Desde muito miúdo que convivi com Berta Cardoso na Viela, do Sérgio onde eu para além de ter um pretexto para estar no Fado, arranjava “uns trocos para alimentar a moto”, era lá fotógrafo, nessa estudava à noite e já trabalhava na GM, meu avô, grande amigo da Berta, todos os dias aparecia para me lembrar que tinha que ir para casa a partir da meia-noite. Tenho da Berta Cardoso, gratas recordações, as estórias que me contava do meu avô e do meu pai, e lembro ainda, com saudade, quando ela tinha que cantar várias vezes o Fado “O Homem da Berta”, pois iam chegando mais clientes e admiradores, e como muitas das vezes ela já tinha cantado o tema, era tal a insistência, que tinha que o voltar a cantar.
Há registos seus na RTP, no ZIP-ZIP, e no programa com o título “As bodas de ouro de uma Fadista”.
Berta Cardoso foi internada num lar da Santa Casa da Misericórdia, em 1996, local onde veio a falecer a 12 de Julho de 1997.
Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e lançou um livro sobre a sua figura
Também em 2006 no Restaurante Nini, fazendo eu parte da APAF, fiz uma pequena palestra com um diaporama de minha autoria, (mormente as rasteiras e manobras (2)) , mas as pessoas gostaram e foi uma sincera homenagem.
Berta Cardoso está sempre presente em www.bertacardoso.com
Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e a edição de um livro evocativo.
(1) Meu avô Alfredo Marceneiro, poderia ter tido também uma carreira internacional, mas teve sempre o cuidado de não acreditar no profissionalismo no Fado, razão porque sempre se manteve na sua profissão de marceneiro, e como já escrevi só ficou a viver do Fado, a partir de 1946, na sequência das greves no Arsenal do Alfeite, tinha 54 anos pelo registo de nascimento e 57 na realidade.
(2) Um dia eu conto…tudo
Linhares Barbosa - Berta Cardoso - Alfredo Marceneiro
TEMPOS DE OUTRORA
Repertório de: Berta Cardoso
Letra de: Fernando Teles
Música: Fado Tradicional
Dos Belos tempos de outrora
São Relíquias do passado
Dois impagáveis tesoiros
A guitarra mais o Fado
Era na Lisboa, antiga
Quinta- Feira de Ascensão
Dia da consagração
Porque era dia de espiga
Com farnéis e sem fadiga
Assim que raiava a aurora
Toda a gente campos fora
Procurando a sombra amena
Ai que saudades que pena
Dos belos tempos de outrora
As noites tradicionais
De todos os nossos santos
Eram motivos de tantos
Ranchos, bailes e festivais
Os sírios e arrais
Rabicha, senhor roubado
Atalaia sol doirado
Como tudo isto era lindo
Estas coisas tempo findo
São relíquias do passado
E nas vésperas das toiradas
Nos retiros que alegria
Até a nobreza se via
Pelas mesas abancada
Cantava-se ás desgarrada
Até à vinda dos toiros
Cobriam-se assim de loiros
Entre a fadistagem vária
A Severa e a Cesária
Dois empagáveis tesouros
Fidalgos boémios e artistas
E toureiros elegantes
Tinham por suas amantes
As cantadeiras bairristas
Nesses tempos de fadistas
E do saiote encarnado
Só nos resta por sagrado
Penhor bem tradicional
Dois filhos de Portugal
A guitarra mais o Fado
Foi o primeiro rei de Portugal, um dos Estados mais antigos da Europa. Definiu, através de várias conquistas, praticamente o território que é hoje Portugal. Soube sacrificar-se em nome de um sonho quando lutou contra a mãe em São Mamede e fez as pazes com Afonso VII, rei de Leão e Castela. Após a mítica batalha de Ourique, foi coroado rei. Foi um homem sem medo. Nasceu em Guimarães e morreu em Coimbra, onde está sepultado. Quando deu por terminada a obra, o território nacional estava quase delineado.
Nasceu presumivelmente em Guimarães em 1111, Governou durante 57 anos, 45 dos quais com o título de rei.
Com a morte do pai, o conde D. Henrique de Borgonha, é deixado aos cuidados de um aio, de nome Egas Moniz. A mãe, D. Teresa, filha ilegítima do rei de Leão e Castela, governaria o Condado Portucalense até que atingisse a maioridade.
Afonso Henriques cedo aprendeu a subverter. Aos 14 anos, o infante armou-se cavaleiro na catedral de Zamora, em Espanha. Ali “tomou por suas próprias mãos, do altar de São Salvador, as armas militares e ali mesmo, no altar, as vestiu e cingiu […] Vestiu-se com a cota assim como Gigas, que era de grande corpulência, e cingiu-se com as suas armas de guerra”. Nascia um mito.
De imediato, os fidalgos de Portucale fazem do infante o porta-estandarte da luta pela independência dos seus domínios face a Leão, que D. Teresa tinha iniciado. Durante a regência, D. Teresa enamorou-se de um nobre galego, Fernão Peres de Trava, e cedeu-lhe o lugar na condução dos destinos do território. O objectivo do conde de Trava era simples, desposar D. Teresa e retirar ao filho desta o poder. Deu-se início a uma luta que só teve fim em São Mamede, perto de Guimarães, no ano de 1128. Afonso saiu vitorioso, enfrentou tudo sem fragmento de temor, tinha uma fé implícita nas reservas inesgotáveis do seu corpo, e logo D. Teresa e Fernão saíram de cena.
Embuido com as quesilias com Castela, mal dá pelo ataque dos muçulmanos, que tinham tomado Leiria e Tomar e chegavam às portas de Coimbra. Para fazer-lhes frente, Afonso Henriques pede tréguas ao rei castelhano, fortifica o Sul do reino e parte para a guerra contra os muçulmanos.
É nos campos da alentejana terra de Ourique que cimenta a sua aura de “escolhido” por Deus, a batalha contra uma coligação de reis mouros deu-se no dia 25 de Julho, dia de Santiago, “o Matamouros”. No dia anterior, segundo a lenda, Jesus Cristo aparecera-lhe, homem de f´+e acreditou que venceria, apesar de o inimigo estar em superioridade numérica. No final do dia, cinco reis mouros morreram às mãos do infante, logo aclamado rei pelas tropas. “Cinco escudos azuis esclarecidos / em sinal destes cinco reis vencidos”, canta Camões em “Os Lusíadas”, explicando a origem dos cinco escudos no brasão de Portugal.
Em 1143 D. Afonso Henriques dirige-se ao Papa Inocêncio II e declara Portugal tributário da Santa Sé. No entanto, é só em 1179 que o papa Alexandre III irá confirmar a soberania portuguesa.
Já senhor dos seus domínios, D. Afonso Henriques casa com D. Mafalda de Sabóia, em 1146, e garante descendência. Dedica-se a alargar o território, reconquistando as terras tomadas pelos mouros. Em 1147 ocupa Santarém e Lisboa, cidade conquistada graças à ajuda de cruzados que seguiam para a Terra Santa. Afonso I de Portugal convencera-os de que a luta contra o infiel poderia ser feita em qualquer lado... E que o saque, sempre valioso, poderia servir de incentivo. Sucederam-se Palmela, Almada, Sintra, Beja, Évora, Moura, Serpa e Sesimbra. “Aos reis que se seguiram até D. Dinis,.
Em 1169, com 60 anos, ao tentar tomar a cidade de Badajoz, fica ferido numa perna. Viveu mais 16 anos depois deste episódio.
Faleceu em 1185.
in: Wikipédia
D. Afonso Henriques - O Conquistador
A CONQUISTA DE LISBOA
Lisboa tinham-na os Mouros
Quem havia de a conquistar
El-Rei D. Afonso Henriques
E os Cruzados a ajudar
Põem cerco em toda a volta
Pela terra e pelo mar
Atacam por todas as portas
Por uma foram entrar
Vêm os Mouros ao combate
Oh. que forte batalhar
Tantos ferros, tantos golpes
Tanto sangue a espadanar
Vencem as armas de Cristo
Há mil bocas a gritar
Arraial por D. Afonso
Que Deus o Queira guardar
Sobem todos ao castelo
De mãos erguidas a rezar
E lá na torre mais alta
Uma Cruz a assinalar
Que Lisboa é dos Cristãos
Que a souberam conquistar
Estes versos estavam no livro da 3ª classe nos meus tempos de escola, e era raro o miúdo que não os tivesse memorizado, havia um misto de orgulho e de ternura por este rei, que nos eram incutidos pelos nossos educadores, lembro-me que se contava uma lenda acerca da espada de D. Afonso Henriques... que eram preciso 7 homens para a levantar...
Também me lembro de uns versos do mesmo livro que andava de boca em boca, quer nas crianças, quer nos adultos.
A BARCA BELA
Quem quer ver a barca bela?
Que se vai deitar ao mar
Nossa Senhora, vai nela
E os anjos vão a remar.
S. Vicente, é o piloto
Jesus Cristo, o general
Que linda bandeira leva
É A BANDEIRA DE PORTUGAL
Filme realizado por José Manuel Pedrosa Moreira - Porto, tema musical, AVÉ MARIA, interpretada pelo IL DIVO
GUIMARÃRES BERÇO DA NACIONALIDADE
As origens da ocupação humana na região de Guimarães são muito antigas. Nas imediações da cidade, na Penha, encontram-se sinais de presença humana que nos remetem para os tempos remotos da Pré-História. Espalhados pelo concelho, subsistem inúmeros vestígios de antigos povoados, em especial dos períodos castrejo e romano. A ocupação do território actualmente ocupado pelo centro urbano de Guimarães remete-nos para a Idade Média.
No século X, a Condessa Mumadona Dias, tia do Rei Ramiro II de Leão e viúva do Conde Hermenegildo Gonçalves, mandou construir na sua terra de Vimaranes um mosteiro duplex (misto, acolhendo frades e freiras), à volta do qual a população se foi fixando. Para defesa do povoado que foi crescendo junto do mosteiro, Mumadona fez erguer, no início da segunda metade do século X, o Castelo, que se viria a tornar num dos monumentos mais simbólicos da nacionalidade portuguesa. Em torno desse monumento, foram-se instalando moradores, dando origem a um segundo povoado.
No final da Idade Média, a vila de Guimarães cresceu entre aqueles dois pólos, em torno dos quais se constituíram duas vilas, a Vila Alta, que se erguia à volta do Castelo, no cimo da colina do Monte Latito, e a Vila Baixa, na base da colina voltada a Sul, em torno do Mosteiro de Santa Maria, que mais tarde se elevaria à condição de Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira. A muralha primitiva, que rodeava o Castelo, foi acrescentada no tempo do rei D. Dinis com uma nova cerca, acompanhando o crescimento da Vila Baixa. No tempo de D. João I foi derrubado o muro que separava as duas vilas, que então se unificaram num único burgo. Após o século XV, a configuração da zona intramuros de Guimarães sofrerá poucas alterações. A instalação em Guimarães das ordens religiosas de S. Francisco e de S. Domingos, fora da cerca da muralha, proporcionará a urbanização extramuros, com a consequente expansão do espaço urbano.
Guimarães foi palco de acontecimentos marcantes para a Fundação da Nacionalidade, adquirindo a partir deles a designação de Berço da Nação e a condição simbólica de capital histórica de Portugal. Em finais do século XI, D. Henrique, nobre originário da Borgonha, casou com D. Teresa, filha natural do rei Afonso VI de Leão e Castela. Como dote de casamento, recebeu o governo do Condado Portucalense. Desta união virá a nascer, provavelmente em 1109, D. Afonso Henriques. Foi o Conde D. Henrique quem outorgou a Guimarães o seu primeiro foral, em finais do século XI. Faleceu no ano de 1112, assumindo então D. Teresa o governo do território portucalense, onde já germinavam aspirações de autonomia, que viriam a ser encabeçadas pelo seu filho, D. Afonso Henriques.
No dia 24 de Junho de 1128, naquela que viria a ser designada como “a primeira tarde portuguesa”, travou-se a Batalha de São Mamede, nas imediações do Castelo de Guimarães (“in campo Sancte Mametis quod est prope castellum de Vimaranes”). Sendo tradicionalmente apresentada como um recontro entre D. Teresa e o seu filho rebelde, Afonso Henriques, São Mamede foi, de facto, o primeiro episódio da História de Portugal. Nela se bateram os que advogavam a independência do território contra os defensores da vassalagem face ao reino de Leão. São Mamede, vencida por D. Afonso Henriques, constituiu o primeiro acto de um movimento imparável que conduziria à independência do Condado Portucalense e ao nascimento do reino de Portugal.
Ao longo dos séculos, a vila de Guimarães ganhará monumentalidade com a construção de diversos conventos, igrejas e casa senhoriais. Ao mesmo tempo, serão renovados alguns espaços públicos. Porém, no essencial, serão preservadas as características da sua traça medieval que, em grande medida, irão sobreviver às ideias urbanísticas modernizadoras introduzidas a partir da segunda metade do século XIX. Desde então, na zona intramuros de Guimarães rasgaram-se novas ruas e avenidas e abriram-se novas praças, com as alterações no Largo Martins Sarmento, na Praça de São Tiago, na Alameda de São Dâmaso, no Largo Condessa do Juncal ou na zona envolvente do Castelo. Todavia, em geral, aquelas intervenções foram suficientemente contidas a ponto de possibilitarem a preservação dos elementos essenciais do espaço edificado e vivencial do velho burgo vimaranense.
Guimarães foi elevada a cidade em 23 de Junho de 1853, pela Rainha D. Maria II.
No último quartel do século XX, o Centro Histórico de Guimarães foi objecto de uma complexa e bem sucedida operação de requalificação, que teve como corolário a sua classificação pela UNESCO como Património Mundial, em Dezembro de 2001.
in: sitio da Câmara Municipal de Guimarães
VIVAPORTUGAL
PÁSCOA FELIZ
E ACIMA DE TUDO SEJAMOS FELIZES
Adelina Ramos foi uma das verdadeiras fadistas, que o Fado conheceu.
Os Fados que ela cantava saíam-lhe da garganta onde o bairrismo alfacinha, puro e nato, tem todo o encanto pitoresco da genuína expressão fadista!
Adelina Ramos soube conservar-se humildemente, uma grande fadista!
Foi a criadora do conhecido Fado "Não Passes com ela à minha Rua".
Ao ouvi-la cantar o «menor», o «corrido», o «meia-noite», etc., afirmavam os seus admiradores:
— Sente-se o que ela canta, no modular espontâneo e natural das frases musicais, que lhe saem da garganta, como saem – isto é que é Fado, meus senhores... – ela dá-nos toda uma gama de sentimentos e emoções que no Fado procuramos e admiramos. Em noite grande, Adelina empolga, canta a garganta, cantam os olhos, cantam os gestos… E, quase sem nos apercebermo-nos, suavemente ficamos presos na magia da sua voz, que nos embala a alma, dizendo-nos coisas de amor, de saudade, de ciúme, de revolta... Sentimo-nos extasiados, fere-nos a carícia da sua voz a desvendar-nos esse mundo íntimo e profundo, que palpita em todos nós, e só o Fado consegue revelar.
Adelina Ramos, recolheu-se nos últimos tempos da sua vida na Casa do Artista, local onde faleceu a 27 de Julho de 2008, como a data foi num fim-de-semana, não houve uma divulgação eficaz da efeméride, e assim, os seus amigos e admiradores, nos quais me incluo, não puderam prestar-lhe a última e condigna homenagem.
Assisti desde muito miúdo, quando ía com o meu avô ao Bairro Alto, pois este, não deixava de passar sempre pelo restaurante típico, de que era proprietária com o marido, A Tipoia, a grandes noites de Fado.
A Tipoia foi um recinto por onde passaram quase todos os grandes nomes do Fado da época, assim como figuras de relevo da nossa sociedade e da cultura.
Ainda recordo noites fantásticas em que José Carlos Ary dos Santos, lá se encontrava, e não se escusava a declamar poemas seus, que faziam o delirio dos presentes.
Adelina Ramos
versos de: Carlos Conde
Adelina Ramos. Pronto.
Não é preciso mais nada,
Nem há lugar p'ra confronto
Nesta artista consagrada.
Canta o fado à moda antiga,
E dos laivos do passado
Às rimas de uma cantiga
Tudo tem sabor a fado.
Pela expressão saudosista
Que imprime aos fados que entoa,
Há quem lhe chame a fadista
Mais fadista de Lisboa
António Maria de Matos ( Toni ou Tony de Matos), nasceu no Porto a 28 de Outubro de 1924.
Estreou-se em 1945 na Emissora Nacional no programa “ Hora de Variedades “ como cançonetista.
Fez teatro, cinema e esteve radicado algum tempo no Brasil, onde chegou a abrir em Copacabana o Restaurante “O Fados” Toni de Matos foi sem dúvida um cançonetista de rara sensibilidade e voz bonita, a suas interpretações fizeram vibrar corações, era um homem apaixonado e tinha indiscutivelmente uma alma bem fadista.
Em 1953 actua em Moçamedes.
Em 1955 fez parte de uma “embaixada” de artistas portugueses que foram actuar à Índia.
Grava o seu primeiro LP no Brasil em 1963
Na revista no Teatro ABC em 1968 na revista “Arroz de Miúdas” com Aida Baptista,, Carlos Coelho, Oscar Acúrcio, Delfina Cruz e Beatriz da Conceição, Toni de Matos canta um fado, que obteve um grande êxito - «O que sobrou da Mouraria».
Estreia-se no cinema em A Canção da Saudade (1964) de Henrique Campos, sendo ainda protagonista em Rapazes de Táxis (1965) de Constantino Esteves, O Destino Marca a Hora de Henrique Campos e Derrapagem (1972).
Toni de Matos era um homem que tinha muitos amigos e admiradores, pois tinha o dom natural de cativar quem com ele convivia.
Cantou canções, mas os fados que cantou, eram de alma fadista, e direi mais as canções que cantava, todas elas sabiam a Fado.
Alguns dos seus êxitos que nos ficarão na memória: Quando Cai uma Mulher; Só nós Dois; Romance Cigano; Quarto Alugado; Coitado do Zé Maria; Vendaval; Lugar vazio; De Homem para Homem; Fiz Leilão de Mim; Fado para dois: O Destino Marca a Hora; Trova do Vento que passa; Tu Sabes Lá; Maria do Céu; Vou Trocar de Coração; A Tal. Etc...
Faleceu em 1989, tendo a seu lado uma grande Senhora, Lídia Ribeiro, sua companheira de então. Comom é sabido estou na Ilha Terceira em Angra do Heroísmo, e é gartificante a lembrança que as pessoas têm do Toni, como aliás acontece referirem-se à meu pai Alfredo Duarte Júnior, como o bailarino.
Nota: Artur Ribeiro quando faz o poema A Rosinha dos Limões, oferece em primeira mão a Tony de Matos, que não gostou muito do tema, e não aceitou. Como se sabe, acabou por ser um êxito de sempre dos poemas de Artur Ribeiro, cantado por Max, e mais tarde Tony então grava o tema.
Toni de Matsos canta:
SÓ NÓS DOIS