A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!
Uma entrevista sensacional com
AMÁLIA RODRIGUES
No momento da sua nova abalada para terras de Santa Cruz
Amália Rodrigues — a grande Amália Rodrigues — a cotovia de voz rendilhada e cristalina, figura eleita do sonho e da saudade lusíada, foi de novo — e no curto período de menos de um ano — até às longínquas e maravilhosas terras do Brasil.
A menina bonita desta Lisboa galante e romântica, a noiva mimada destes bairros sonhadores e tranquilos que o Tejo afaga numa carícia imperecível, não quis deixar este céu azul que a viu nascer, este sol de primavera eterna que tantas vezes a osculou num arrobo de pajem milenário, sem dizer o seu adeus, até breve ao povo português, por intermédio do nosso jornal, em cujas colunas ficam documentadas algumas preciosas declarações cedidas, em primeira mão, por esta extraordinária figura do Fado.
Enquanto os motores do «Clipper» da Pan-Americana, nessa noite primaveril de 30 de Maio, ensaiavam os primeiros roncos para o seu voo transoceânico, nós aproveitando uns minutos de tréguas concedidas pelos inúmeros admiradores da artista, que lá foram apresentar-lhe os cumprimentos e desejos de boa-viagem, começamos, a entrevista. que oferece-mos á curiosidade dos nossos leitores.
Fora nosso propósito ir até ao ri fundo de algumas considerações que estão um pouco à margem de um momento tio solene como é uma despedida, por isso prevenimos a artista do nosso intuito, ao que ela, modesta como sempre, tão simples e tão humilde na sua maneira de ser e de tratar, o que mais realça a sua extrema simpatia, respondeu num sorriso quase infantil, disposta a concedermos tudo o que precisássemos de si.
«...as saudades da pátria e da família eram já imperiosas...»
— Amália — começamos — os leitores da «Guitarra» desejam saber algo que se relacione com estas lua as duas consecutivas viagens ás terras de Além-Atlântico?
Este meu segundo contrato — respondeu a artista — obedece ao unânime desejo da colónia Portuguesa no Brasil, que da primeira que visitei esse grande e florescente país não teve ocasião de me ouvir como esperava.
— Mas, não cantou em público?...
— Sim, cantei, mas a minha permanência foi curta e o Brasil é grande...
— Onde cantou?
— No Casino Copacabana, para onde fui dirigida; e actuei por cedência dos meus empresários, em vários festivais no Teatro João Caetano, em honra do Corpo Expedicionário Brasileiro, que se encontrava combatendo na Europa. Deixei parte do meu repertório gravado em discos e fiz várias emissões na rádio Globo, propriedade do jornal carioca «O Globo».
— Nesse caso a sua passagem ficou bem assinalada...
— Deixei em suspenso inúmeros contratos e convites, pois, como lhe disse, o Brasil é imenso e a nossa colónia é poderosíssima.
— Não lhe foi possível deixar-se ficar por mais tempo?
— Aproxima-se o Natal e as saudades da Pátria e da família eram já imperiosas.
— E daí o regresso inevitável!?...
— Era a primeira vez que me ausentava por tanto tempo e para tão longe e sentia minar-me dia a dia aquela doença da distancia, aquela falta de Lisboa – desta Lisboa a e quem tudo devo...
— E uma lágrima furtiva começou a borbulhar nas suas órbitas cheias de mocidade, de uma mocidade a que não faltava, sequer, uma pequenina sombra de melancolia, fundo sentimental de uma aguarela matizada por todos os fulgores...
«Farei o possível por corresponder ao interesse não só da colónia como do próprio público brasileiro...»
Mas a lágrima quedou silenciosa e nós insistimos:
— A natureza do novo contrato permite-lhe mais amplo raio de acção?
— Vou dirigida, como da primeira vez, para o Copacabana, mas autorizada para, nos dias exibir-me onde me aprouver.
— E onde a esperam os maiores triunfos da sua fulgurante carreira...
— Farei o possível por corresponder ao interesse não só da colónia como do próprio público brasileiro, que também não teve oportunidade de me ouvir devidamente. 1
— Que impressão lhe causou o público carioca, da sua maneira de reagir perante o Fado?
— Confesso que me senti tão à vontade como se cantasse num salão de Lisboa. O ambiente não se me tornou estranha e de toda a gente recebi as maiores provas de simpatia.
Esta afirmação pujante de firmeza e de sinceridade, deu-nos forças para entrarmos no terreno que ambicionávamos tocar, esclarecendo uma dúvida que tínhamos, produto de certos boatos postos a circular e que um jornal humorístico de Lisboa trouxe a lume, registando determinado incidente que teria ocorrido no Copacabana durante uma exibição da nossa entrevistada.
«A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!»
Há um assunto que gostaríamos fosse por V. esclarecido para satisfação dos nossos leitores que, como deve saber, são todos, eles seus admiradores...
— Respondo a tudo. É só perguntar...
— Aquele «caso Vargas Herédia» a que um jornal de Lisboa se referiu em moldes de reportagem humorística, tem algum fundo de verdade?
Amália, cada vez mais senhora de si, respondeu à nossa pergunta com uma segurança e uma firmeza tais, que não nos deixou dúvidas sobre a sua inconfundível personalidade.
— Toda a gente sabe que eu canto essa canção espanhola e, como essa, outras que mais sugestionam a minha sensibilidade, sem contudo tentar com elas fazer carreira. A minha especialidade é o Fado e nunca me desviarei desse caminho!
— Não quer dizer que não possa em qualquer circunstância cantar uma ou outra canção de género diferente?
— Claro. É o que acontece com «Vargas Herédia» e «Los Picoñeros», canções que, manda a verdade, nunca foram por mim interpretada de modos a escandalizar ninguém, reconhecendo, embora, que estou longe de lhes dar a característica própria. Basta a diferença da linguagem...
— Continue, Amália, mas não se esqueça que nós sabemos o que a Império Argentina disse, publicamente, a respeito da sua interpretação nesses números.
— Evidentemente, houve exagero da grande artista espanhola e eu não sou ingénua ao ponto de acreditar na profundidade de um simples arrebatamento, dimanado mais por uma grande simpatia que a artista me votou que por qualquer outro motivo...
Todavia e neste ponto é que eu posso fazer fé — trabalhei essas canções dentro das possibilidades máximas dos meus recursos e do meu brio, afim de as não deturpar; já que executá-las, como na origem, seria impossível. E incluí-as, no meu repertório conscientemente convencida de que podia com elas não fazer má figura.
— Mas que o público frequentador do Copacabana não apreciou talvez?...
«No fim remato com o Mouraria e ficamos todos amigos ...»
— Reside precisamente nesse capítulo — continuou a Amália — a falta de lógica do tal jornal humorístico...
— Exemplifique...
— Eu fui recebida no Rio de Janeiro tal corno o sou em Lisboa: o mesmo ambiente de simpatia, o mesmo carinho peja minha pessoa e, o mesmo interesse pela minha modesta arte. E sucedeu lá o que é uso suceder aqui quando mudo de género: formam-se partidos. Uns querem que eu cante só Fado; outros pedem-me também «Los Picoñeros» e «António Vargas Herédia» para variar e aligeirar um pouco a minha actuação. Sou forçada a atender ambos os partidos. No fim remato com o «Mouraria» e ficamos todos amigos. Ora aí está o que se passou no Brasil, cuja retumbância nunca poderia fornecer conteúdo para uma simples crónica....
«Vamos sempre as duas de braço dado...»
Satisfez-nos plenamente estes esclarecimentos, que vieram a tempo de desfazer certas insinuações postas a circular pela má-língua e, mudando de rumo, prosseguimos:
— Que tempo pensa agora demorar-se?
— Uns oito meses, aproximadamente.
— Não pode fazer isso por menos?...
— Não me será possível!...
— V. sabe que Lisboa não a pode dispensar...
— Lisboa não fica sem mim. Para onde quer que eu vá levo-a comigo — vamos sempre as duas de braço dado...
— Então boa viagem, Amália!
— Obrigada. E não se esqueça de dizer adeus, por mim, ao povo português e de me enviar todos os números da «Guitarra de Portugal»
Amália Rodrigues
A Voz da Natureza ... A Voz do Mar
Rodeada da fina-flor das artes, ciências, letras, de todos, enfim, que gostam do fado castiço e da familiaridade fadista
Amália Rodrigues cantava, mas entregava a alma a cada um dos seus ouvintes, num desdobramento bíblico? Não! Num encantamento mágico de senhora e dona dos melhores acor¬des divinos.
Se já a ouviu, leitor amigo tem de concordar connosco! Ouvir Amália Rodrigues é escutar o lado em tudo quanto ele tem de mais real: sentimento, riqueza expressiva e sensibilidade.
Como foi aquilo, não o sabemos! Não o saberemos, nun¬ca o saberemos. Quem pode entrar nas práticas do destino, quando ele encobre, com seu manto, os eleitos?
Como foi aquilo!
Quanto a nós ela terá aprendido com as ondas do Tejo, que se espreguiçam nas costas desta Lisboa encantada, falan¬do-lhe sempre, cantando-lhe sempre o fado eterno...
Só ali, acamaradando com os longe do mar, aprenderia a escala dos sons fadistas - que não tem escola... porque são vida, porque são inatos...
A voz de Amália Rodrigues é nostálgica como uma ausência, é vibrante como uma lágrima e é saudosa, muito saudosa...
Não há adjectivos que a coloquem acima do seu valor.
Mais uma vez a homenageamos, hoje, conscientes de que a alma do fado está pairando no coração desta fadista que apesar de toda a sua classe artística, tem uma grande virtude feminina: — a modéstia. Sob o seu xaile de cantadeira há uma interrogação. E essa interrogação...
O fluido mágico da sua voz fustigou-nos a alma e deixou-a, a vibrar, mas legou-nos um eco de agradável música. Nesse eco ouvimos alternadamente ora o ciciar do Oceano, no seu mistério intransponível, ora o ruído das ondas a enro¬larem-se sobre as areias — num beijo intraduzível. Ouvimos tudo quanto a natureza nos dá de mais belo: - o mar. E o mar não nos diz os seus segredos... É a natureza em todo o seu mistério. E a voz de Amália Rodrigues é bem a voz da natureza, é, sem dúvida alguma, a voz do mar... É um mistério... um dos maravilhosos mistérios fadistas...
Destaques:
Ser ou ser «Amalista»!
Os intelectuais não gostam de Fado!...
Amália!...
Noel de Arriaga tinha um amigo, de seu nome
Adorava continuar a ouvir-te amigo
Alguma conquista...
Qual! Conquistado já eu ando por esta comédia da vida... Então?
Vais-te rir. Eu sei que és contra o Fado. Vou ouvir a Amália!
A Amália?! A Amália Rodrigues?!...
Sim, já ouvi....... E vais tu ao Bairro Alto ouvir a Amália! És espantoso!
Serei, Nuno. Não quero discutir. Mas o que hei-de fazer esta noite? E depois... A Amália...
Empresto-te um livro sobre o Fado! Muito interessante! Muito mais útil! Ficarás a saber que o Fado é a canção dos vencidos além de ser, é claro o pior livro desse poeta que podia ser um grande poeta: o Régio...
A canção dos vencidos! Mas, ó Nuno, é tão bom a gente às vezes sentir-se vencido...
Porque talvez nunca te tivesses sentido vencedor! Nietzche dizia...
Alto! Alto! Deixa lá o que dizia o Nietzche e anda ouvir a Amália...
Ouvir a Amália?! Perder tempo?! Endoideceste!
Mas porquê?! És uma pessoa como outra qualquer!
Sou contra o fado.
Porque nunca o ouviste...
Não interessa sou «á priori» contra o Fado. Não posso, não quero gostar de Fado!
E da Amália?
Nunca a vi!
Vais conhecê-la hoje...
O Fado é, como te disse, a canção dos vencidos. Isto quando é verdadeiro Fado. Aquele que se canta, ou se cantava no tempo da Severa, pela Mouraria com toda a decadência. Com todo o seu «vicio». Mas esse porque é dos vencidos, odeio-o. O outro, o que passou aos salões, deixou de ser Fado para ser ( o que é talvez pior) uma manifestação inferior de arte...
Sabes qual é a origem do Fado?
Segundo estudos que fiz, deriva das canções que os negros das docas trouxeram de África...
Não ouso duvidar. Mas pago-te o bilhete e vens ouvir a Amália... Fixe?
E se os meus satélites intelectuais me encontram a ouvir o Fado? Que rombo!...
Dizes que fui eu que te arrastei...
Pois bem: vou abrir uma primeira e última excepção! Estás contente?
Vês como por vezes é bom a gente sentir-se vencido?...
E o meu amigo
No seu vestido negro, Amália, a os olhos sonhadores, parece o sonho dos seus próprios olhos!
Em movimentos nostálgicos, transportada a um mundo de sentimento e fadiga, ela vai colorindo de harmonioso ritmo aqueles versos tristes - tristes como as caravelas que nos seus olhos naufragam.
E a sua voz, onde a fatalidade da Raça parece gravar dolorosos sulcos de serena transição, é como um gorjeio de ave, é como um sonho de amor por outro amor vencido.
A pouco e pouco a luz tinge de claridade intensa o ambiente festivo do salão. E as pétalas sedentas de uma rosa, lançadas por mão anónima, despedaçam-se contra a fascinação telepática do tablado....
O meu amigo
Gostaste?
De quê? Da Amália. De que há-de ser?
Da Amália ou dos fados?
De ambas as coisas.
Continuo a ser, por princípio, contra o Fado. Quanto á Amália... No palco todas as mulheres são bonitas...
E não consegui arrancar-he mais uma palavra. Positivamente, ele não era um... «amalista»!...
Na noite seguinte fui novamente aquele salão do Bairro Alto. A mesma ansiosa expectativa! O mesmo ruidoso triunfo! Depois de eclodir a última palma, olhei em torno de mim. E... podes abrir a boca, leitor fiel e amigo, num grande ah! De justificadíssimo espanto.
Quase a meu lado, o
in: Voz de Portugal 1954
Alguém profetizava em 1955:
DAQUI A CEM ANOS OS PALCOS REPRESENTARÃO A VIDA DA AMÁLIA COMO AGORA SE FAZ À SEVERA
Mas não foi preciso tanto tempo, enquanto na história da Severa, os dados poderão ser pouco rigorosos, porque não temos fotos e pouca documentação. No caso das histórias de Amália, que foi nossa contemporânea, penso que seja de lamentar, que havendo tantas recordações, relativamente ainda recentes, como a sua casa transformada em museu, e com tantos biógrafos, como é possível que cometam tantos erros…???!!!
Amália um dia disse: Quando eu morrer muita coisa se irá inventar e deturpar a meu respeito.
AMÁLIA...
A Última Severa
Lisboa gosta muito que lhe contem histórias da sua história.
Na galeria dos grandes amores de Portugal, a Severa e o Marialva pertencem à história da Cidade, passando contados de pais a filhos, e destes, a netos e bisnetos, como do mais enternecedor e pitoresco. O Marialva é o homem poderoso, varonil, dominador de toiros e conquistador dos salões; á fidalgo de boa estirpe e de primeira água: A Severa, erva da rua, mulher com ascendência de ciganagem, nada mais tem para se fazer valer do que a preponderância da graça da sua graça. De lume nos olhos e uma voz de estúrdia para cantar a melodia plangente e fatalista dos que choram, sofrem e gemem.
Através de um século, aparece-nos este par apaixonado, em crónicas, romances e cantigas, onde a imaginação popular se recreia e se encarna com obsessão e encanto. Não importa saber até que ponto o facto foi verdadeiro ou imaginário. É uma história bonita e apaixonada, dum fidalgo por uma
Fadista.
Ao teatro chegou esta efabulação, Júlio Dantas escreveu um drama sobre o tema, depois um romance e ainda, e a seguir, foi adaptada uma opereta.
Milhentas vezes se tem aberto a cortina dos proscénios para a Severa passar de braço dado com o Marialva, travando o diálogo fatal:
— Severa!
— Meu amor, se tu não viesses eu morria.
Com estes episódios romanceados tem vibrado as multidões em delírio, como crónica sentimental. Ângela Pinto, Palmira Bastos, Ester Leão, Emília de Oliveira, Júlia Mendes, Alice Gomes, Maria Emília Ferreira, Maria Clementina, Rafaela Haro e Dina Tereza — grandes nomes da cena — encarnaram a figura que ficou assinalada.
Mas isto foi no passado. Hoje, a cidade de Lisboa tinha de ter a Severa do nosso tempo. Um nome só a escolher — AMÁLIA. A última Severa que o público vê é pois Amália Rodrigues.
O Monumental é um teatro feito neste dobrar de meio século. É portanto o palco mais jovem do burgo. Também seria digno para o empreendimento. Possui imponência arquitectónica e o conforto da arte funcional. Cristais facetados e incandescentes, veludos, sedas e doirados conjugaram-se em propensão e deslumbramento para erguer num trono de glória à fadista Amália Rodrigues, que vai subir mais um degrau da fama.
Na crónica do grande mundo social todos marcaram a data com pedra branca.
A sala do teatro do Saldanha regurgita em solenidade grande. Os maiores nomes da política, da finança e da arte. É a mesma fina-flor da Lisboa de 1955 que se rendeu e assistiu deslumbrada, ainda não há muito, ao casamento, em Cascais, da Princesa Maria Pia de Sabóia. E agora aqui se encontra de novo.
Três pancadas surdas com a luz apagada. Lentamente o drapejado cor de mel claro sobe. Uma cortina de linhagem, pintada por Manuel Lima com as figuras do drama, afasta se para deixar ver a cena. Claridade. Andam dum lado para o outro com entradas os boleeiros e as amásias, vivendo um mundo lendário. Esboça-se o conflito. Numa adega da Lisboa Velha... Num balcão de baiuca... E o caso complica-se. Eis a Severa que chega. Vem de vermelho labareda, esfuziante como água childra, dá gargalhadas de rainha do seu meio, entre chofras de rufiões e graça das marafonas. Vem de vermelho, sim. E estão com ela o Timpanas, o Roque, o Diogo e tantos mais que as pedras das vielas do Capelão conhecem e reconhecem. Amália canta. Amália é a Severa. Mas não sabemos diferenciar onde começa uma e acaba outra. Uma Severa amalista, bela, castiça, com a voz orvalhada de emoções. Viu o Marialva a tourear. E o coração ao pé da boca sai em catadupas de gritos e ais. Não podemos concluir se é riso ou se é pranto. De resto, a voz de Amália reflecte esse estado de feição.
Agora, depois, estamos numa casa da Mouraria. Ao fundo, o bairro da Senhora da Saúde desenha-se em sombras. Entra pela porta da rua uma rascoa a pedir socorro. È a pobre da Chica espancada pelo Roque. A Severa desanca o rufia e protege a débil que juntamente com o Custódio preenchem o amplexo carinhoso que a fadista tem pelos humildes.
O Conde é nobre, forte, valente. Mas tem ciúmes do Custódio. Há brigas e traições onde o Romão e o Custódio fazem tingir de sangue as vielas e as alfurjas do bairro típico.
Cai o pano com os trinados da Mouraria.
O outro acto é o da toirada. Amália vem de branco. Traz um cravo rubro no cabelo de azeviche e atira a chinela mais alta do que a vedação da praça de toiros.
A última cena é da morte. A fadista extingue-se com um lamento entrecortado de versos. Um canapé de palhinha serve de leito de dor. Dir-se-ia um friso a lamentar o infortúnio, com presságios e com penas. É um adeus á vida, ao tempo, ao mundo. O Fado é sempre triste e desventurado. Uma elegia passa no proscénio em honra da que foi a encarnação dessa boémia romântica. Lisboa gosta muito que lhe contem histórias da sua história.
Aqui se narrou a crónica da Severa feita por Amália, que traçou o xaile, tomou a guitarra de cravelhas e soltou quadras para o triste fado corrido. Viveu a Severa do nosso tempo. Nenhuma fadista podia encarnar melhor este papel. Severa e Amália! Severa ficou na história e Amália passa para a história do fado, onde tem o lugar marcado. As duas são irmãs no génio e na arte de cantar. Daqui a cem anos os palcos representarão a vida de Amália como agora se faz à Severa.
in: Voz de Portugal 1955
O FADO É PORTUGUÊS
O Fado é tão português, que, de arnês,
bateu-se em Fez;
esteve em Alcácer-Quibir;
arrostou o mar profundo
e ao Mundo
deu novo Mundo,
na senda de Descobrir!
Esteve em Malaca e Ormuz
e, à luz
do signo da Cruz,
construiu impérios novos;
da Guiné até Timor,
com ardor,
foi defensor
do Destino doutros povos!
Fê-lo Deus aventureiro:
foi guerreiro
e marinheiro;
missionário, ou de má-rês
e — vá ele p' ra' onde for —
¬cante a dor,
ou cante o amor,
o que canta é Português!
Poema de: Mascarenhas Barreto
Fado.... a alma de um povo.
Ao balanço de ondas mil
Por berço teve um navio
Por cobertura um céu de anil
Numa barquinha vogando
Batida pelo luar
“O FADO NASCEU NO MAR”
Linhares Barbosa
Hino Nacional
A ideia de adoptar uma música como símbolo de um país só surgiu no século XIX. Anteriormente era costume escolher para as cerimónias oficiais um tema composto em honra do rei. No tempo de D. João VI, por exemplo, tocava--se o Hymno Patriótico de António Marcos Portugal.
Em 1834, depois da guerra civil e do triunfo dos liberais, o rei D. Pedro IV aprovou uma lei que declarava uma obra sua - o Hymno da Carta -como hino nacional. Manteve-se em vígor até à queda da monarquia.
Hymno Patriótico
Hymno da Carta
António Marcos Portugal
Eis, oh Rei Excelso
os votos sagrados
q'os Lusos honrados
vêm livres, vêm livres fazer
vêm livres fazer
Por vós, pela Pátria
o Sangue daremos
por glória só temos
vencer ou morrer
vencer ou morrer
ou morrer
ou morrer
0 NOSSO HINO NACIONAL TEM UMA HISTÓRIA
Quando se implantou a República mudaram os símbolos do país. O projecto da nova bandeira desencadeou grandes discussões e apareceram dezenas de propostas. Quanto ao hino não houve dúvidas. Toda a gente aprovou a escolha de A Portuguesa, que já existia e era cantada com fervor em homenagem ao povo português e à História de Portugal. Em 1890, no tempo do rei D. Carlos, os países europeus fizeram uma partilha do continente africano. Portugal pretendia obter todos os territórios entre Angola e Moçambique. A França e a Alemanha aprovaram a ideia, mas a Inglaterra opôs-se porque queria dominar o interior de África desde o Cairo (Egipto) ao Cabo (África do Sul).
Para obrigar Portugal a desistir, lançou um ultimato: ou o governo português mandava retirar imediatamente os exércitos que tinha naquela zona ou declarava guerra a Portugal. Na altura não havia possibilidade de enfrentar um país tão rico e poderoso; a única hipótese era ceder. Foi isso que o rei e os ministros fizeram.
O povo, porém, não aceitou, nem compreendeu e sentiu-se humilhado. Com que direito é que a Inglaterra fazia tais exigências, se os portugueses é que tinham sido os primeiros a navegar e a desembarcar naquelas paragens longínquas? Houve muitas manifestações de rua e muitos artigos nos jornais contra o ultimato, contra os ingleses, contra o governo e contra o rei. Houve quem pusesse a bandeira nacional a meía-haste em sinal de luto.
O compositor Alfredo Keil, indignado também, atirou-se ao piano e compôs uma espécie de marcha militar onde vibrava toda a sua raiva. Depois dirigiu-se a casa do poeta Henrique Lopes de Mendonça, que morava num quarto andar, subiu as escadas esbaforido e pediu-lhe uma letra que encaixasse naqueles acordes e desse voz à revolta que se gritava nas ruas. Trabalharam juntos alguns dias e logo que o poema ficou concluído deram-lhe o nome de A Portuguesa.
A primeira edição da música e texto íoi paga pelos próprios autores. Teve uma tiragem de 1 2 000 exemplares que esgotou imediatamente! A partir de então, nas ruas, nos cafés nos clubes, nos teatros cantava-se a toda a hora: «Heróis do mar, nobre povo...». E era a música de toda a gente. Os revolucionários republicanos tinham--Ihe um apreço especial porque, além do poema lembrar a História de Portugal sem nunca falar no rei, incitava ao combate. No dia 31 de Janeiro de 1891, quando saiu à rua a primeira tentativa de revolução republicana no Porto, os revoltosos berraram A Portuguesa a plenos pulmões. Depois da revolta abafada, a música foi proibida. Mas continuou a ser cantada às escondidas. Alíredo Keil passou o Verão de 1 890 em Vales, perto de Frazoeira. Durante essas férias fez uma adaptação da música para que pudesse ser tocada por uma banda, ninguém, nem ele sonhava que viria a ser adoptada como Hino Nacional.
A PORTUGUESA
1890 (versão original)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Herois do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!
III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!!
A PORTUGUESA - HINO NACIONAL
Com alterações feitas em 1957
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
HINO NACIONAL
O GIGANTE ADAMASTOR
Maria Armanda canta:
Letra de: Mário Rainho
Música de Fontes Rocha
Nasceu à beira do mar
E assim se fez marinheiro
Fez-se ao mar a navegar
E correu o mundo inteiro
Chegou primeiro às Índias, ao Oriente
Uniu por mares, continentes
Que nos deixou por herança
Nas caravelas, num mar de águas turbulentas
Dobrou o Cabo das Tormentas
Que é hoje da Boa Esperança
Qual é o país, vaidoso e feliz
No mar pioneiro
E que é marinheiro
E que é marinheiro
Que levou a cruz, de Cristo Jesus
P´lo Mundo inteiro
E que é marinheiro
E que é marinheiro
Nasceu à beira do mar
E assim se fez marinheiro
Fez-se ao mar a navegar
E correu o Mundo inteiro
Chegou primeiro a outras praias distantes
Por esses mares nunca dantes
Navegados por alguém
Tem um padrão à coragem e aos tormentos
Pelos seus descobrimentos
Junto à Torre de Belém
Quadro a óleo do Mestre Real Bordalo
O CACILHEIRO
Poema de: Ary dos Santos
Música de: Paulo de Carvalho
Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro,
comboio de Lisboa sobre a água:
Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro.
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.
Na ponte passam carros e turistas
iguais a todos que há no mundo inteiro,
mas embora mais caras a ponte não tem vistas
como as dos peitoris do Cacilheiro.
Leva namorados
marujos soldados
e trabalhadores
e parte dum cais
que cheira a jornais
morangos e flores.
Regressa contente
levou muita gente
e nunca se cansa.
Parece um barquinho
lançado no Tejo
por uma criança.
Num carreirinho aberto pela espuma
lá vai o Cacilheiro Tejo à solta,
e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma
tiraram um bilhete de ida e volta.
Alfama Madragoa Bairro Alto,
tu cá tu lá num barco de brincar
metade de Lisboa à espera no asfalto e
já meia saudade a navegar.
Se um dia o Cacilheiro for embora
fica mais triste o coração da água
e o povo de Lisboa dirá como quem chora,
pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.
José Maria Viana Dionísio nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro 1922.
Após a instrução primária, frequentou a Escola Industrial Machado de Castro mas não chegou a acabar nenhum curso.
Desde muito jovem que demonstrou aptidão e jeito para desenhar , aos 13 anos, já desenhava para o «Jornal O Senhor Doutor», o suplemento de «O Século», «Pim Pam Pum» e a fazer capas para o «O Papagaio».
O primeiro emprego foi como retocador de gravura, na Casa Bertrand & Irmãos.
Também desde muito cedo se sente atraído pela música do swing e do jazz, passa também a cantar integrado em conjuntos musicais que animam nas colectividades populares de cultura e recreio, posteriormente canta em recintos nocturnos, mas como segunda ocupação.
Continua a sua profissão de desenhador, até que é convidado como publicista de cinema, para a Sonoro Filmes.
De espírito criativo e ávido de inovações, passa a frequentar a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, colaborando na pintura de cenários, na época em que por lá estavam o Jacinto Ramos, Varela Silva, Raúl Solnado, etc.
Estreia-se como actor amador, em obras de Gil Vicente, Alves Redol, e outros.
Estreia-se na RTP com o programa «Riscos e Gatafunhos» e depois «Melodias de Sempre», programas que lhe dão grande notoriedade.
Esteve no Teatro de Gerifalto, e também Teatro ABC (Vinho Novo), pela mão do empresário José Miguel .
Estreia-se como autor, ao lado de Nelson Barros em 1959 na revista «Mulheres à Vista», e destaca-se na rábula «Inimigo de Lisboa». Em 1963, encena pela primeira vez uma revista, «Elas São o Espectáculo», seguindo-se outro sucesso com «Embaixador do Fado».
Nas andanças do teatro de revista, conhece uma actriz brasileira Jújú Batista, que lhe dá uma filha, a Maria.
Passados alguns anos José Viana conhece Dora Leal, com quem contracena e passa a ser sua companheira de que resultam duas filhas (a Maria Raquel e a Madalena Leal).
Em meados da década de 60, José Viana atinge o auge da sua carreira, na Empresa de Guiseppe Bastos e Vasco Morgado, então no Maria Vitória.
O «Zé Cacilheiro» surge em 1966, em «Zero, Zero, Zero - Ordem para Matar» que teve um êxito estrondoso, o tema foi gravado em disco e muito solicitado nas rádios de então.
Outras rábulas merecem destaque como «Carlos dos Jornais» e «Catedrático do Fado em Grande Poeta é o Zé», 1968; «O Zé Povinho vai ao Médico»; em «Mãos à Obra», 1969; «Sinaleiro de Liberdade», em «Esperteza Saloia»; 1969; «Chefe de Cozinha do Hotel Portugal», em «Pimenta na Língua», 1970; «O Zé Povinho no Frente a Frente da TV em Cala-te Boca!», em 1971 ou «Miss Chalada,» em «Ora Bolas para o Pagode», em 1972.
José Viana e Dora Leal após os acontecimento pós-25 de Abril de 1974, (José Viana referenciado com o PCP), voltam ao Parque Mayer, em Festa no Parque, corria o ano de 1987, mas sem grande aceitação popular.
No cinema, José Viana teve algumas participações, em pequenos papéis como em O «Cerro dos Enforcados», de Fernando Garcia (1953) e «Perdeu-se um Marido», de Henrique Campos (1956) mas foi em «O Recado» (1972), de José Fonseca e Costa, a «A Fuga» (1976), de Luís Filipe Rocha, «A Ilha» (1990), de Joaquim Leitão, e «O Fim do Mundo» (1992), de João Mário Grilo, que o seu talento é mais reconhecido.
Faleceu em Lisboa no dia 8 de Janeiro de 2003
José Viana canta:
Autores: Paulo da Fonseca/Carlos Dias
Quando eu era rapazote
Levei comigo no bote
Uma varina atrevida
Manobrei e gostei dela
E lá me atraquei a ela
P’ró resto da minha vida
Às vezes uma pessoa
A saudade não perdoa
Faz bater o coração
Mas tenho grande vaidade
Em viver a mocidade
Refrão
Sou marinheiro
Deste velho cacilheiro
Dedicado companheiro
Pequeno berço do povo
E navegando
A idade foi chegando
O cabelo branqueando
Mas o Tejo é sempre novo
Todos moram numa rua
Mas eu cá não os invejo
O meu bairro é sobre as águas
Que cantam as sua mágoas
E a minha rua é o Tejo
Certa noite de luar
Vinha eu a navegar
E de pé, junto da proa
Eu vi, ou então sonhei
Que os braços do Cristo-Rei
Estavam a abraçar Lisboa
Refrão
LISBOA
Letra de: Artur Ribeiro
Música de Ferrer Trindade
Vejo do cais
Mil janelas
Da minha velha Lisboa
Vejo Alfama das vielas
O Castelo, a Madragoa
E os meus olhos rasos de água
Deixam por toda a cidade
A minha prece de mágoa
Nesta canção de saudade
E se ao voltar
Me vires chorar, perdoa
Que eu abra a porta à tristeza
Para depois rir à toa
Tenho a certeza
Que ao ver as ruas
Tal qual hoje as vejo
Nesse teu ar de rainha do Tejo
Hei-de beijar-te Lisboa
Hei-de beijar com ternura
As tuas sete colinas
E vou andar à procura
De mim p’las esquinas
E tu Lisboa
Hás-d
Como agora
P’ra eu te dizer a rir
O que hoje minha alma chora
Misia canta:
Em 23 de Setembro de 2007 recebi e publiquei do meu amigo Manuel de Carvalho esta carta, hoje volto a repescá-la pois está bem actual nestas comemorações e homenagens que se vêm fazendo á nos AMÁLIA
CARTA PARA PORTUGAL
Caro amigo
Antes de me sentar para te escrever, pus um CD da Amália a tocar. Sim, sim, da Amália! Rio-me aqui sozinho, divertido, ao imaginar a tua cara de espanto. É verdade, podes crer, agora também gosto de fado. Como aliás já gosto de muitas outras coisas a que antigamente, antes de emigrar, não ligava nenhuma e até tinha mesmo declarada aversão.
Seria demasiado longo e talvez infrutífero tentar explicar-te as premissas desta mudança tão radical. Talvez lá mais para o fim da carta, comeces a ver uma luzita ao fundo do túnel.
Aceita , pois, por agora, sem objecções, o facto consumado: gosto de fado, adoro fado. Neste preciso momento, a voz cristalina e sem par da grande diva desliza-me pela alma como uma cascata refrigerante de diamantes:
(...)
Dizem as velhas da praia
Que não voltas.
São loucas! São loucas!
(...)
Perguntavas-me na tua última carta, com uma ponta de inquetação, bem o percebi, se tencionava regressar, algum dia, a Portugal, pondo assim um termo a esta já tão longa aventura da emigração.
Que resposta te poderei dar? Será a emigração uma viagem sem regresso? Certamente, na grande maioria dos casos. E os números nus e crus das estatísticas estão lá para comprová-lo.
Regresso! Palavra de mil alquimias. Nos primeiros tempos, a sua evocação é abençoado remédio contra os males da saudade e do desenraizamento. Depois, à medida que novas raízes começam a rasgar húmus imprevistos, transforma-se, sem nos darmos conta disso, num espinho cravado nas carnes, num agente perturbador da paz de espírito.
Como todos aqueles que um dia partiram do chão que os viu nascer, a minha firme intenção era regressar o mais rapidamente possível. Cinco anos? Dez anos? Já nem me recordo com precisão dos prazos então estabelecidos.
Mas, como diz o ditado, o homem põe e Deus dispõe. E tortuosos são os caminhos da vida. Imprevistamente, estas terras alheias, onde nos nasceram e cresceram os filhos, começam, num impreciso e decisivo momento, a ser também nossas e, quando nos apercebemos disso, é irremediavelmente tarde. Já então, tal como cantou o Poeta, temos a alma pelo mundo em pedaços repartida e o sonho do REGRESSO, miragem cada vez mais esfumada e inalcançável, perde-se definitivamente nos insondáveis espaços míticos do imaginário colectivo da diáspora. É um enorme choque, acredita, esta constatação.
Mas ninguém pode viver eternamente paredes meias com o desespero. Finalmente, após longa travessia do deserto, num belo dia de todas as graças, um subtil e poderoso mecanismo de sublimação põe-se lentamente em marcha. É então chegada a hora de, estoicamente, fazer das tripas coração e agarrar agulha e linhas para remendar o rasgão que nos dilacera a alma .
(...)
Eu sei , meu amor, que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor me diz
Que estás sempre comigo
(...)
No meu caso pessoal, a mais balsâmica das respostas para as minhas apreensões e simultaneamente para a tua pergunta descobri-a na mensagem inconformista da letra deste fado. Como poderei regressar se nunca parti verdadeiramente de Portugal? Estás a compreender o paradoxo? Portugal, meu amigo, nunca deixou de estar incrustado no meu espírito, no decorrer da minha errância por este mundo além. Adivinho, sinto a sua presença constante no pulsar da carne, no sussurro da memória, nos sobressaltos dos sentidos, no latejar das emoções, na voz da alma.
Sim, podes crer, nunca cheguei a partir definitivamente de Portugal, ou talvez melhor, recorrendo a uma imagem mais convincente, quando parti trouxe Portugal comigo, na mala, para, companheiro indefectível, me fazer companhia nas horas de solidão.
Então agora que vivemos esta espantosa revolução das comunicações que alterou drasticamente a geografia do mundo e que encurtou as distâncias físicas e afectivas, a minha convicção é cada vez mais profunda e sustentável. Basta chegar a casa e ligar a televisão ou o computador para que Portugal, como um deus omnipresente, como um génio da lâmpada, desperte e invada as mais recônditas fibras do meu corpo sempre pronto para ser lavrado e semeado pelas forças telúricas que tutelam a minha existência.
Será pois despropositado falar de regresso. Não queiras ser, com a tua pergunta dilacerante, uma das velhas da praia...da minha vida. Para quê subverter um equilíbrio tão penosamente conquistado?
(...)
Dentro do meu peito
Estás sempre comigo.
(...)
Compreendes agora por que razão gosto de fado? E por que , entre todos, o meu predilecto seja o Barco Negro da Amália?
Como sempre que me é possível, aí estarei este verão em Portugal para mais um cíclico regresso às origens e aos prados floridos da infância. Até lá, recebe um grande abraço deste teu amigo
BARCO NEGRO
Poema: David Mourão-Ferreira
Música: Piratini; Caco Velho
De manhã, que medo
Que me achasses feia!
Acordei, tremendo,
Deitada na areia...
Mas logo os teus olhos
Disseram que não:
E o sol penetrou
No meu coração.
Vi depois numa rocha uma cruz,
E o teu barco negro
Dançava na luz...
Vi teu braço acenando,
Entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas.
São loucas!
São loucas!
Eu sei, meu amor:
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz que estás sempre comigo.
Areia nos vidros;
Na água que canta;
No fogo mortiço;
No calor do leito;
Nos bancos vazios;
Dentro do meu peito
Estás sempre comigo
A Herdade das Servas e a Fundação Amália Rodrigues, em homenagem à vida da fadista,apresentaram o Vinho “Amália” no dia 27 de Outubro, pelna Casa-Museu Amália Rodrigues, na Rua de São Bento, N.º 193, em Lisboa.
Esta ocasião inédita contou com a presença dos amigos da Amália, fadistas de renome e especialistas do sector dos vinhos.
Parte da venda do vinho ‘Amália’ reverte para Associações de Solidariedade Social.
"O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria."
Amália canta:
Oiça Lá Ó Senhor Vinho
Autor: Alberto Janes
Nota: A fota do copo de vinho, assim com a foto de Amália, foram retiradas da Net, lamento não saber os nome dos autores, mas espero que considerem, ao utilizá-las (sem fins lucrativos), uma homenagem quer á nossa Amália, quer ao vosso trabalho. Parabéns e obrigado.
A foto dos vihos Amália foram cedidos por Sandru Sousa
Lisboa em minha noite
Versos de : Mariana Correia
Ficando a sós com a noite, sigo uma luz
A noite, embala a noite que tem minh’alma
Vagueio nesse espaço, que seduz
Como reza ou silêncio e sua calma.
Lisboa é mais bonita se as estrelas
A vestem com as cores d’uma paixão
Amarra em seu caís o brilho delas
Agarra a minha a noite e o coração.
Lisboa, guarda os sonhos dos poetas
Num rio, conta segredos ao luar
E tal qual profecías de profetas
Navega o destino nesse mar.
Ficando a sós com a noite, sinto a cidade
Sinto pulsar seu canto enquanto...aguardo
Lisboa em minha noite, cantar saudade
Seguindo a luz que sigo, neste Fado.
MLC/13.01.2009
Fotos tiradas da Internet, agradeço aos seus autores, e lamento mnão saber os seu nomes para aqui publicar, estas fotos são também afectos de amor por Lisboa, obrigado e parabéns.
Manuel Mendes, faleceu vítima de doença prolongada, ontem dia 2i de Outubro de 2009, no Hospital de Santa Maria.
Era natural de Lisboa, e desde muito jovem que tinha aptidão para a música e paa o Fado, também tinha o "hobbie " de construir instrumentos musicais, em especial guitarras.
Tocou para muitos fadistas e esteve em vária casas deFados ,foi no Faia que mais convivi com ele, aliás Manuel Mendes foi amigo e tocou para as Três Gerações de Marceneiro.
Gravou como acompanhante e a solo, era autor de várias músicas para Fados e variações.
Era um homem muito afável e sempre bem disposto.
Tinhamos combinado fazer uma página dele neste blogue, com um pequeno filme da construcção duma guitarra, infelizmente não se concretizou.
Manuel Mendes, estejas onde estiveres, até sempre.
A Casa de Fados "A Cesária", situada na Rua Gilberto Rola em Alcântara, era uma tasca já desde o século XIX.
Já no século XX passou a ser uma casa de "prostituição", que na época eram autorizadas, funcionava com o nome de Bar Sábá. Tinha dois andares, em baixo bebia-se e acordava-se o preço com as "meninas", em cima havia dois quartos de curta permanência, á disposiçaõ dos interessados.
Mais tarde o seu proprietário Mário Lopes de Oliveira, aproveitando o edifício ter dois pisos, passou para o 1º piso a parte da "prostituição" criando para tal uma porta de entrada independente pela rua. No rés-do- chão abre uma casa típica com petiscos e onde se podia cantar o Fado com o nome "Casa A Cesária", a pouco e pouco começa a ter bastante afluência, principalmente aos fins de semana, em que iam pessoas para ouvir o Fado, e os próprios Fadistas apareciam, porque gostavam do ambiente.
Pouco tempo passado e as casas de prostituição são proibidas e obrigadas a fechar, o proprietário que mais tarde passou a ser conhecido pelo Mário da Cesária, como tem alvará de bar, consegue licença para ampliar a casa, o primeiro andar é aberto, ficando como uma varanda com visão para a divisão de baixo, que passou a ser o pátio das cantigas, era uma casa muito "castiça" quer pela decoração quer pela construção , pois dava a ideia que estávamos num pátio lisboeta, passando a dar Fado todos os dias.
Imagem do interior da casa retirada de um anúncio e ainda o painel em azulejo existente na parede da casa
Carlos Duarte uma noite na Cesária
Segundo a tradição, terá sido neste local, outrora uma "taverna" que Maria Cesária, terá cantado pela última vez em 1877.
Nos anos sessenta como já referi, passaram pela Cesária quase todos os fadistas da época, destacando-se o meu tio Carlos Duarte, que nunca foi profissional, mas ali ía todos os dias, aos dias de semana só até cerca de meia-noite, pois no dia seguinte tinha que ir trabalhar, aos sábados e domingos as "fadistisses" iam até de madrugada, acabando muitas das vezes, em que fadistas, empregados e clientes, acabavam no cacau da ribeira, até o sol nascer. (Grandes noites, ainda tive oportunidade de viver algumas delas, com o meu pai e o meu avô, o meu tio Carlos e o meu primo Valdemar).
Carlos Duarte canta "Vestido Azul"
Quando fui para o serviço militar em 1967, também já era por lá e pelo Timpanas mais ao lado, que eu ía continuando a dar os primeiros passos no Fado. Nesta altura, o Mário contrata o meu primo Valdemar Duarte, filho do meu tio Carlos Duarte (que faleceu em 1966), como gerente artístico e também para cantar.
Entretanto o meu primo Valdemar Duarte, casa-se e organiza a vida e demite-se da Cesária, nunca mais cantou, e foi pena pois cantava muito bem, na linha que nós todos da família comungamos, é o "ADN do Marceneiro", já tinha angariado bastantes admiradores, tenho muita pena que ele infelizmente não tenha nada gravado, mas o Fado está-lhe na alma, actualmente anda a aprender a tocar guitarra.
A Casa A Cesária fechou definitivamente as portas em 1977.
Há uma realidade que é inegável, é que os "Marceneiros", estiveram sempre com o FADO e no Fado.... E continuam
© Vítor Duarte Marceneiro
Carlos Duarte na Cesária a cantar e em convívio (1964)
Foto Valdemar Duarte a cantar na Cesária ao lado está a irmã Judite Duarte,
também filha de Carlos Duarte (1966)
Foto Tirada na Cesária em 1966
Seguem-se mais alguns elementoa relacionados com A Cesária:
Painel de Azulejos, a fachada do edificio actualmente, um copo gravado,
MARIA CESÁRIA, figura mítica do Fado oitocentista, ignora-se a data de nascimento e morte da cantadeira, e mesmo o seu nome de baptismo completo, apenas se sabendo que seria efectivamente Maria.
Residente no bairro de Alcântara ali trabalhava numa fábrica como engomadeira. Inicialmente companheira de um fadista local, terá acabado por" o trocar por José Cesário Sales, canteiro, homem de algumas posses e talento na sua profissão, filho de Francisco Sales, proprietário de uma importante oficina de cantaria em Lisboa. Desta ligação terá resultado o Maria do Cesário e daí Maria Cesária. Ficando igualmente conhecida como Mulher de Alcântara.
Tão famosa quanto Maria Severa, proferia as palavras com receio e trajava de modo simples, recusando ousadias e vestes originais. Era normalmente acompanhada pelo guitarrista Carreira.
Segundo as crónicas, a qualidade da sua voz era equiparável à qualidade da sua memória, dando Tinop notícia de inúmeros desafios em que terá participado, nomeadamente com uma rival sua, Luzia a Cigana, alguns dos quais durariam dois e três dias de Fados e comezainas.
Terá sido bastante famosa nas décadas de 60 e 70 do século XIX, tendo o guitarrista Ambrósio Fernandes Maia composto um Fado que lhe dedicou, o Fado da Cesária ou Fado de Alcântara.
Cesária foi a figura central da opereta com o mesmo nome, escrita por Lino Ferreira, Silva Tavares e Lapa Lauer e musicada por Filipe Duarte, que subiu à cena no Teatro Apolo em 1926.
Nota: Desconhece-se a existência de alguma foto da Cesária, a imagem em cima, representa uma mulher fadista do século XIX
Na opereta "Mouraria", a Cesária foi recordada:
Fado da Cesária
Tanto a desgraça me alcança
que já me sinto cansada,
da vida que não se cansa
de me tornar desgraçada.
Refrão
Foi um beijo venenoso,
demorado,
langoroso,
que perversa me tornou.
E eu faço o que me fizeram,
pois ninguém foge ao seu fado;
— Foi a mentir que mo deram,
é a mentir que eu os dou...
É por isso que no Fado
a minha alma se desgarra,
pois esqueço o meu passado,
torturado,
quando chora uma guitarra.
Há mais de 50 anos, faziam-se palestras sobre Lisboa, lembrando os poetas e os escritores.
Como se pode verificar já nessa altura, Lisboa era o grande motivo de inspiração.
Eram homens de carácter, com um só desejo, amar Lisboa, sem problemas de competitividade entre si, era como se todos fossem um só... Lisboa uma só...com os seus amantes unidos num só objectivo...amá-la e adulá-la escrevendo sobre ela.
Cada vez se recolhe mais provas, que Lisboa é bem a cidade mais cantada do mundo, já está para breve o que eu e muitos dos amantes de Lisboa, do Fado e da poesia em geral, ansiamos, colocar Lisboa no Guiness Book de Records.
3ª foto - lado esquerdo Miradouro Senhora do Monte
4ª foto - lado direito Alto de Santa Catarina
5ª foto - lado esquerdo Miradouro de Santa Luzia
6ª foto - lado direito Sé de Lisboa
7ª foto - lado esquerdo Menino ao colo
8ª foto - lado direito Lisboa vista do Castelo
9ª foto - lado direito Miradouro da Graça
10ª foto - lado direito Castelo de S. Jorge (vistas de parte da cidade)
11ª foto - lado direito o Castelo de S. Jorge
12ª foto - lado esquerdo Elevador de Santa Justa
13ª foto - lado direito Terreiro do Paço
NOTA DE INFORMAÇÃO ACERCA DO BLOGUE DIA 17-10-09:
CAROS AMIGOS ERAM CERCA DE 14.00 HORAS, QUANDO ESTE BLOGUE ATINGIU OS 400.000 VISITANTES. É UM ORGULHO, SENTIR QUE O NOSSO TRABALHO TEM VALOR, PARA MERECER TAL ATENÇÃO.
FOI EM PARTE COM BASE NESTE TRABALHO QUE TIVE A HONRA DE SER NOMEADO/GALARDOADO COM O PRESTIGIOSO "TROFÉU AMÁLIA RODRIGUES" PARA INFORMAÇÃO/DIVULGAÇÃO NO ANO DE 2008.
TENHO ORGULHO EM SABER QUE ESTE TRABALHO É CONSIDERADO UMA "FONTE DE INFORMAÇÃO SEGURA"
TODOS SABEMOS QUE QUANDO SE CONSTRÓI ALGO QUE SOBRESSAI, SE NÃO SOMOS "YES/MAN", NEM PERTENCEMOS AO "LOBBIE" DOS TAIS, LOGO APARECEM OS MALDIZENTES, OS INVEJOSOS, E OS TAIS... QUE TENTAM DESTRUIR E AMESQUINHAR, MAS TANTO ME TÊM CHAMADO À ATENÇÃO, QUE ACABEI POR PERCEBER, QUE É COM ESTE TIPO DE ATITUDE E TAMBÉM COM ACÇÕES DE PERSEGUIÇÃO (de pessoas e/ou entidades), QUE ESTE TRABALHO DEMONSTRA QUE É VÁLIDO, PARA O FADO E PARA LISBOA.
O QUE NADA VALE NÃO REZA A HISTÓRIA...
COMO DIZIA CARLOS CONDE:
VI MUITAS VEZES A RAZÃO
POR MUITOS POSTA DE LADO
E A MENTIRA EM VIVA CHAMA
ATÉ POR TRISTE IRRISÃO
VI NULIDADES NOS ASTROS
E VI CIÊNCIAS NA LAMA
OBRIGADO A TODOS AMIGOS E NÃO AMIGOS... MALDIZENTES, DECTRACTORES, INVEJOSOS, ETC...
MAS O QUE MAIS ME DÓI, É O SILÊNCIO DOS BONS..
VIVA LISBOA, VIVA O FADO
Natécia da Conceição faleceu ontem dia 15 de Outubro de 2009, Foi nos E.U.A., onde vivia actualmente. Tinha 75 anos. Até Sempre amiga.
Uma amiga da Natércia mandou-nos mais dados sobre esta nossa querida amiga.
Natércia da Conceição nasceu em Vila Franca de Xira e aos 12 anos foi para Lisboa. Em 1970 veio para os Estados Unidos e abriu a primeira casa de Fados na Nona Inglatera cuja dona era Valentina Felix colega fadista, assim se deu inicio ao Fado, em 1970 o falecido Antonio Albero Costa abriu a primeira estação de rádio portuguesa em New Bedford e ela foi uma das loucutoras, nos anos 80 uma vez mais com a iniciativa de Alberto Costa abriram outra estação de rádio em Providence, Rhode Island, Radio Clube Português, foi a melhor loucutora que tivemos era uma pessoa extremamente culta, com dignidade e paixão deu testemunho da lingua de Camões em terras americanas . Na vida artistica ensinou os seus guitarristas a tocar Viriato Ferreira, Antonio Rocha e José Silva, presentemente tanto Viriato Ferreira como José Silva têm a capacidade de tocarem para qualquer fadista que venha de Portugal. Natercia não só cantou como encantou, levou a fado á casa branca em Washington DC cantou para o presidente Clinton. diplomatas e politicos nos anos 90, era uma grande apaixonada de Argentina Santos e Amália Rodrigues e Lucilia do Carmo da malta nova que canta o fado em Portugal era apaixonada pela Cathia Guerreiro e nos Estados Unidos pela voz mais novinha Nathalie Pires, tinha uma grande admiraçáo por Ana Vinagre e dizia que era a unica que sabia cantar o fado na Nova Inglaterra. Ontem despedimo-nos da Natercia com os seus guitarristas a dizer-lhe adeus e Ana Vinagre a cantar o passeio de Santo Antonio, fado que ela adorava. As sua cinzas irão acabar no jardim botanico em Lisboa.
Cyndy Faria
Foi uma artista que surgiu muito jovem nas lides fadistas, tendo sido apadrinhada por Ercícila Costa e Berta Cardoso em 1953.
Ingressou no profissionalismo, estimulada pela sua brilhante vitória num concurso organizado por um jornal de Fado, que se realizou no velho Café Salvaterra, onde obteve grande êxito.
Natércia da Conceição nasceu na castiça Vila Franca de Xira. Terra de aficionados taromáticos e garnde apreciadores de Fado.
Gravou uma dezena de discos para as etiquetas Melodia, Estúdio, Orfeu, etc.
Cantou na Emissora Nacional e Na Rádio Televisão Portuguesa.
Teve um vasto repertório com versos de conceituados poetas como, Domingos Gonçalves Costa, Francisco Ribeiro. Linhares Barbosa, Frederico de Brito, Jorge Rosa, etc.
Actuou em espectáculos no estrangeiro e foi cartaz em quase todas as casas típicas de Lisboa.
Natércia da Conceição
Canta: Chinelas da Mouraria
Letra Linhares Barbosa
Música: Santos Moreira
Natércia da Conceição com Alfredo Marceneiro
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