Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

FERNANDO FARINHA - O Miúdo da Bica

FERNANDO TAVARES FARINHA, nasceu no Barreiro no dia 20 de Dezembro de 1928, mas só foi registado a 5 de Maio de 1929.

Em 1933 seus pais vêm par Lisboa e fixam-se no Bairro da Bica, tinha  então 4 anos.

Sendo o Bairro da Bica essencialmente bairrista e fadista decerto o fado logo o marcou e fez vir ao cimo todos os seu dotes de artista.

Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de “Miúdo da Bica”, por esta altura foi convidado para mascote da Marcha da Bica (1935).

Aos catorze anos actua no Café Luso, Café Latino, Retiro da Severa, Café Mondego, e Solar da Alegria.

1940 Grava o seu primeiro disco EP com quatro temas: Descrença, Meu Destino, Tem Juízo Rapaz e Sempre Linda,. Acabaria por gravar durante a sua vida quase 50 discos, ainda neste ano  foi presença assídua nos serões para trabalhadores organizados pela FNAT.

1942  estreia como atracção no Teatro na revista “Boa Vai Ela”, em que também entrava Hermínia Silva, mais tarde nos anos sessenta ainda é atracção na revista “Sal e Pimenta”

1951 tem a sua primeira deslocação ao estrangeiro indo ao Brasil onde teve grande aceitação.

Ainda em 1951 é contratado pela Adega Mesquita onde se mantém durante dez anos.

É por esta altura  que sente a vocação para escrever, e começa a cantar letras feitas por si:

    Belos Tempos, Mãe há só Uma, Ciumenta, Menina do Rés-do-Chão, Quero-te mais do que à vida, Eu ontem e hoje, Um Fado a Marceneiro, Um Fado à Juventude e Um Copo mais um Copo, Estações de Amor, Rosa Peixeira, Dias Contados, Grande Verdade, Ti´Ana da Fava Rica, Deus queira, Cinco Bairros, Sou do Povo, Beijo Emprestado.

Dos seus poemas decerto o que mais êxito teve foi “ Belos Tempos” na música do fado “Loucura” de Júlio de Sousa, mas Fernando Farinha tem muitos êxitos de outros autores dos quais destaco:

    Fado das Trincheiras letra de João Bastos e Félix Bermudes e Música de António Melo

    Guitarra Triste letra e música de Álvaro Duarte Simões

    Eterna Amizade letra de João Linhares Barbosa e música de Joaquim Campos

Mais tarde sempre inspirado começa também a compor, e a sua arte não fica por aqui começa, também a caricaturar as figuras com quem convive.

1955 comemora as suas “Bodas de Prata” de carreira artística no Coliseu dos Recreios em Lisboa e é premiado com a Guitarra de Prata.

1957  a Rádio Peninsular atribui-lhe o galardão de a “Voz mais portuguesa de Portugal”

1962    é coroado Rei da Rádio Portuguesa numa gala organizada no Eden-Teatro, e ainda neste ano recebe o “Microfone de Ouro do RCP. Ainda neste ano no festival do Casino do Estoril recebe o “Disco de Ouro”.

1963    foi-lhe atribuído o “Oscar da Imprensa” no Festival no  Pavilhão dos Desportos

Protagoniza dois filmes “ O Miúdo da Bica” e “ A Última Pega”

Ente finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A..

Depois de 1974 faz parte do projecto “Cantar Abril”

Fernando Farinha deixou-nos em 12 de Fevereiro de 1988.

Além da Rua que edilidade lhe atribuiu há pouco tempo, e de uma placa que o povo da Bica tem afixada numa parede do bairro, desconheço que lhe tenham prestado mais homenagens (politiquices!?)

Em 2015  escrevi a biografia de Fernando Farinha- O Miúdo da Bica, que foi editado pela TRDISOM - em livro com cd

 

©  Vítor Duarte Marceneiro

Registado na SPA 125820

Fernando Farinha & Alfredo Marceneiro

Cantam a dueto - Antes e Depois

                             

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Que saudades Fernando
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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4 comentários:
De Domingos Mesias a 12 de Fevereiro de 2008 às 20:13
Quis ofertar a este Blogue a transcrição deste sentido fado a Alfredo Marceneiro:

Um fado a Marceneiro

À solta e desvairada
A morte certo dia
Entrou num velho pátio
E ali, quase em segredo,
Num golpe traiçoeiro,
De raiva e cobardia
Maldosa nos levou
Pra sempre o Ti Alfredo.

Ao chorar das guitarras,
Como se fosse um hino,
Jontou-se a voz do povo
De Portugal inteiro.
Tinha morrido o Rei,
Fadista genuíno,
O mais de todos nós,
O grande Marceneiro.

Sua garganta rouca
Tinha o condão, o bem,
De nos dar o fado a sério,
Sem ais, sem fantasia.
Se o fado para ser fado
Algum segredo tem
Então esse segredo
Só ele o conhecia.

Sempre que a noite chega
Eu julgo ainda vê-lo
Fazendo a sua ronda
Pelos retiros de fado.
De boné mostrando
O seu farto cabelo
E o seu lenço varino
Ao pescoço ajustado.

Recordo as suas birras
E em grande cavaqueira
Seus ditos graciosos
Se bem disposto estava.
E ouço até o seu riso
No Cacau da Ribeira
Onde, já madrugada,
Sua ronda findava.

Refrão

De Alfredo Marceneiro
Eu guardo um disco antigo
E um retrato dos dois
Sobre um fundo bairrista;
Um fado ao desafio
Que ele cantou comigo
E uma eterna saudade
Desse enorme fadista.

Tributos antigos para os nossos (e do Fernando Farinha) primeiramente nascidos...

Domingos Mesias.
De ADRIANO a 13 de Fevereiro de 2008 às 20:57
Caríssimo Vítor, quero desde j á felicita-lo pelo seu á rduo trabalho de investigação e de o disponibilizar até á s pessoas que gostam do Fado. Tenho acompanhado a sua "saga" acerca do fado que popularizou o filme Fados. Se me permite, eu gostaria de expressar a minha opinião. O fado Menor é de facto um fado antiquíssimo e do qual se perdeu o nome do autor. Mas o Fado de que se est á a falar é do fado menor em Versículo como Vossa Excelência j á explicou v á rias vezes. O que tenho achado é que este assunto é tratado sem muita importância, ou seja, um Fado est á registado em nome de Alfredo Marceneiro, o seu nome não é referido como autor da música mas est á tudo bem! Se o argumento for: a música est á adaptada á letra e fizeram-se alguns "arranjos". Sim senhor, o Fado é mesmo assim, a música é adaptada á voz e ao estilo de interpretação do fadista. Ou então pensemos num exemplo: o fado Loucura. Em primeiro lugar quero deixar bem claro que esta observação é sobre a letra do fado e não sobre a música, mas como comparação encaixa-se perfeitamente. Este fado, quando cantado com a Letra de Júlio de Sousa, tem dois versos que nos dizem: “Hei de ser/ Sempre tua/”. Mas, h á no FADO vá rios homens que gostam de cantar este fado. Por exemplo, Fernando Maurício. Mas para cantar este fado e para que a letra não continua-se no feminino cantou-o da seguinte forma: “Hei de ser/ A sombra tua”. Agora perguntemo-nos , ser á que por Fernando Maurício ter adaptado a letra passa a ser ele o autor? Por favor! Caro Vítor, dou-lhe razão, não faz sentido! Tenha paciência e dou-lhe o seguinte conselho: “Quando eles não valem nada/ Não se ganha em discutir/Não é bom servir de escada/ Para qualquer asno subir.
De Flores de Verde Pino a 15 de Fevereiro de 2008 às 02:23
Julgamos estar a comentar o post do Fernando Farinha só para sublinhar que foi sem dúvida um enorme talento que atraía multidões, infelizmente os eu papel no pós 25 Abril terá toldado a sua reputação artística.
De antonio pinto a 5 de Março de 2013 às 00:17
Grande fadista

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