Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

VILA NOVA DE GAIA

                      

Créditos: Imagens gentilmente cedidas por José Pedrosa e autorizadas para este blog, com música de Alfredo Marceneiro, interpretada por Ran Kyao

VILA NOVA DE GAIA

Vila Nova de Gaia remonta provavelmente a um castro celta. Quando integrada no Império Romano, tomou o nome Cale (ou Gale, uma vez que no Latim Clássico não há uma distinção clara entre as letras e o som "g" e "c"). Este nome é, com grande probabilidade de origem Céltica, um desenvolvimento de "Gall-", com a qual os Celtas se referiam a eles próprios (outros exemplos podem ser encontrados em "Galicia", "Gaul", "Galway"). O próprio rio Douro (Durus em latim), é igualmente celta, construído a partir do Celta "dwr", que significa água. Durante os tempos romanos, a grande maioria da população viveria na margem sul do Douro, situando-se a norte uma pequena comunidade em torno do porto de águas fundas, no local onde se situa agora a zona ribeirinha do Porto. O nome da cidade do Porto, posteriormente, "Portus Cale", significaria o Porto ("portus" em latim) da cidade de Gaia. Com o desenvolvimento como centro de trocas comerciais, a margem norte acabou por também crescer em importância, tendo-se aí estabelecido o clero e burgueses.

Com as invasões mouras do século VII D.C., a fronteira "de facto" entre o estado árabe e cristão acabou por se estabelecer por um longo período de tempo no rio Douro, por volta do ano 1000. Com os constantes ataques e contra-ataques, a cidade de Cale, ou Gaia, perdeu a sua população, que se refugiou na margem norte do Rio Douro. Uma das lendas mais associadas a Gaia refere-se ao confronto entre o rei cristão D. Ramiro, e o rei mouro Albazoer, despoletado por pretensões amorosas. Após a conquista e pacificação dos territórios a sul do Douro, por volta de 1035, com o êxodo e expulsão das populações Muçulmanas, deixando terras férteis abandonadas, os colonos estabeleceram-se novamente em Gaia, em troca por melhores contratos feudais, com os novos senhores das terras conquistadas. Esta nova população refundou a antiga cidade de Cale com o nome Vila Nova de Gaia em torno do castelo e ruínas da velha "Gaia".

O nome das duas cidades de Porto e Gaia era frequentemente referida em documentos contemporâneos como "villa de Portucale", e o condado do Reino de Leão em torno da cidade denominado Portucalense. Este condado esteve na origem do posterior reino de Portugal.Após a fundação de Portugal, as duas cidades que deram origem a Vila Nova de Gaia mantiveram-se autónomas. Gaia recebeu carta de foral do rei D. Afonso III em 1255 seguindo-se Vila Nova em 1288 por decreto de D. Dinis.

Em 1383, no entanto, ambas foram integradas no julgado do Porto, perdendo a sua autonomia. Reconhecida sobretudo pela pujança agrícola, teve um papel fundamental no desenvolvimento comercial do Vinho do Porto. Aqui se fixaram a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, e os armazéns das diversas companhias exportadoras.

No século XIX, esteve no centro de batalhas significativas em grandes conflitos armados. Tanto na Guerra Peninsular como nas Guerras Liberais, o Rio Douro marcou a fronteira entre os campos beligerantes, sendo palco de batalhas significativas. Data deste segundo conflito o desenvolvimento e reputação de uma das imagens de marca da cidade, a fortificação da Serra do Pilar, durante o Cerco do Porto.

No final das guerras liberais, Gaia e Vila Nova foram finalmente agraciadas com autonomia política, e ao fundirem-se nasceu o actual concelho de Vila Nova de Gaia, em 20 de Junho de 1834.

A história da cidade confunde-se com a história das suas pontes. A Ponte Pênsil, concluída em 1843 for a primeira ligação permanente. Em 1877 inaugurou-se a primeira travessia ferroviária para a margem norte com a Ponte D. Maria Pia. Seguiu-se a construção da Ponte D. Luís I, terminada em 1886. Passaram 77 anos conturbados até que em 1963 a emblemática Ponte da Arrábida foi colocada em funcionamento, projecto do engenheiro Edgar Cardoso, que seria responsável igualmente pelo projecto de substituição da travessia ferroviária com a construção da Ponte de S. João em 1991. Mais uma vez, o forte crescimento populacional forçou o aumento das ligações entre as duas margens. A Ponte do Freixo concluída em 1995 e a Ponte do Infante, em 2003 são as mais recentes travessias a servirem o concelho.

As freguesias de Vila Nova de Gaia:

Arcozelo , Avintes, Canelas ,Canidelo , Crestuma, Grijó,  Gulpilhares, Lever, Madalena Nova, Mafamude, Olival, Oliveira do Douro, (*)Pedroso,  Perosinho, Sandim, Santa Marinha, São Félix da Marinha, São Pedro da Afurada, Seixezelo, Sermonde, Serzedo, Valadares,   Vilar de Andorinho, Vilar do Paraíso

In: Wikipédia

 

 

A Freguesia de Pedroso

O nome de Pedroso tem origem no Castro do Monte Murado (Castro Petrosos), que data do ano 7 d.C. O Mosteiro de Pedroso, principal monumento da terra, foi doado por D. Gondezinho e, de acordo com Frei Luís de S. Tomás, fundado no ano de 867 e acolheu no seu seio, Frei Pedro Julião, que foi seu abade comandatário, que mais tarde foi nomeado Papa João XXI. Aqui se feriu a batalha de Pedroso, em 1071, entre o rei Garcia da Galiza e o conde de Portucale Nuno Mendes, donde resultou a vitória do primeiro e a morte do último, ditando a incorporação política do condado no reino da Galiza. O lugar recebeu foral de D. Afonso Henriques, em carta datada de 3 de Agosto de 1128. Em 30 de Junho de 1989, parte da freguesia de Pedroso foi elevada à categoria de vila, respeitando a vila dos Carvalhos, cujo principal centro está inserido no território da freguesia de Pedroso.

 

(*) Destaco esta freguesia, porque está ligada a algo, e/ou alguém, que me tocou fundo, mas obviamente todas as bonitas freguesias desta nossa linda cidade, têm história e tradição, que poderão consultar em vários sítios na Net , e em destaque, em Wikipédia.

 

Para uma freguesa de Pedroso, freguesia de  

Vila Nova de Gaia

Sabes Lurdes...
 
Numa cantiga sem voz
Que este começo agarrou
O amor passou por nós
E a tua voz não cantou
 
Quando o rio entristeceu
E chorou o meu chorar
O meu corpo entardeceu
Ao olhar o teu olhar
 
Fomos promessa de alguém
Promessa que não tivemos
Num mundo que mais além
Nos dirá porque viemos
 
E se esta louca paixão
Acabou em desencanto
Só um gesto da tua mão
Foi  pouco menos que pranto
 
Nessa cidade que é tua
Abracei-te com carinho
Junto ao cais, naquela rua
Ao sabor de um doce vinho
 
Até sempre
E como o fado sempre marca o meu destino, quando estou a escrever esta missiva, acabei de receber do meu amigo Rodrigo, o seu último trabalho em CD, que tem um lindo poema "Tenho Vergonha"com letra e música do Prof. Mário Moniz Pereira, que coaduna com o que agora sinto.

 

 

In: CD: Rodrigo - Marés de Saudade- www.rodrigo-fado.com

 

 

                                                             
Contacto com o autor: clicando aqui
música: Tenho Vergonha e Fado Bailado
publicado por Vítor Marceneiro às 16:51
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7 comentários:
De Lurdes B. a 23 de Fevereiro de 2008 às 19:44
Meu querido Vítor ,

Amor é sonho, é encanto
Queixa, mágoa, riso ou pranto
Que duns lindos olhos jorre
Mas tem curta duração
Nas fontes da ilusão
Amor é agua que corre....

Não sendo eu versada em poemas, tomei a liberdade de usar parte da letra de um lindíssimo fado que tantas vezes cantas-te, para de alguma forma expressar a minha admiração por ti.

Que bom que existes!
De Mariotimão a 24 de Fevereiro de 2008 às 20:16
Meu Caro Victor, Lembro-lhe que sou da Madragoa,- ja aqui não vinha a algum tempo, acompanhei a sua tomada de posição em relação ao CC e fez muito bem. O fado é tão rico, felizmente, - ainda há pouco estive a ouvir o Rodrigo - para que cada um tenha o seu lugar na historia sem precisar de usurpar quem quer que seja - Ora, o Ti Marceneiro é um ícone e neste não se pode desvirtuar , mas sim respeitar- o Meu Primo, que nasceu na Rua do Cura, ao fundo, é neto do Valentim que tinha a taberna - é guitarrista , e é, o Paulo Valentim de Almeida, ficou a modos aborrecido comigo (ele toca para aquela fadista que é medica) de eu não apreciar o fado desta nova vaga, por exemplo a Marisa é umbleuf para mim, mas tudo bem, cada um gosta do que gosta, eu gosto do fado dorido, marcado, canalha..enfim- Ora, o Marceneiro que é do tempo do meu avô Mariotimão, é daquelas "peças" que já não se fabrica, desculpe a redundancia.

Posto isto vai um abraço que segue de Cascais, com uma amor profundo á nossa Lisboa e á Madragoa


De Vítor Marceneiro a 24 de Fevereiro de 2008 às 21:36
Meu Caro Amigo

Obrigado, por voltar a contactar-me, assim como pelas suas palavras.
Disponha sempre
Um abraço fraterno e fadista do
Vítor
De regina maria valadares a 26 de Junho de 2010 às 18:46
Gostaria de saber a história da fundação do Condado de Valadares em Vila Nova de Gaia - Tenho feito uma pesquisa á respeito das raízes da família e muito me interessa o fato. Estive no local a menos de 1 mês, ACHEI TUDO MUITO LINDO !Mas nenhuma das pessoas que indaguei soube me explicar.
De José Pedrosa a 26 de Junho de 2010 às 22:00
Não conheço nada que tenha a ver com a Freguesia de Valadares em que seja referido o estatuto de Condado.
De JOSÉ PEDROSO a 14 de Abril de 2011 às 19:11
Meu caro Vitor Marceneiro, aproveito a palavra Pedroso
para relembrar Fernando Pedroso meu Pai, que visitas-te no Hospital CUF Descobertas, que já não está entre nós, e que o Fado fazia parte da sua vida.
De Vítor Marceneiro a 23 de Abril de 2011 às 11:54
Caro José Pedroso

Teu pai era primo da minha mãe, tens uma irmã com o nome dela: Mariete.
Que pena não me terem dito, deixei um cartão com os meus contactos.
Se quiseres contactar comigo o meu email é marceneiro@sapo.pt.
Um abraço
Vítor

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