Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

ROSEBELLE FARIA PAIS - Recordar

Rosebelle Serra Faria Pais, nasceu em Montemor-o-Novo e aí estuda até ingressar na Escola do Magistério Primário em Évora.

Aos 19 anos inicia a sua vida de professora do ensino oficial.

Colocada na região de Lisboa, exerceu em diversas escolas tendo-se efectivado alguns anos mais tarde, na escola da Malveira da Serra, onde esteve até solicitar a passagem à reforma, aos 54 anos.

Desde criança que adorava cantar. Na escola primária já se “notabilizava” pela facilidade, capacidade vocal e alguma originalidade com que interpretava as canções em voga , de Maria de Lourdes Resende , Júlia Barroso, Maria Clara, Milú e outras cançonetistas de grande popularidade na rádio e nos espectáculos de variedades, que então decorriam pelo país fora.  Colabora em quase todas as festas escolares, constituindo presença obrigatória.

Começa a interessar-se propriamente pelo fado, na altura que frequentava a Escola do Magistério Primário, o que lhe trás uma grande popularidade entre as colegas, pela maneira como “estilava” alguns fados. Uma composição muito apreciada na altura, que era “Oh tempo volta para trás”, que constituía o seu tema preferido na altura. Poucas pessoas do seu convívio de então, não se lembrarão ainda hoje como era irresistível ouvir o seu timbre de vós e o seu estilo muito próprio, na interpretação dessa canção “afadistada”. Por certo que a marcou também, porque daí para a frente, ela começa a seguir o fado com entusiasmo, sobretudo as actuações de uma grande fadista do panorama português, que era a Sr.ª D. Maria Teresa de Noronha. Decora as letras das suas canções, e sente uma grande afinidade com ela porque, o seu timbre de voz e a sua maneira de “estilar”, tinham algo de comum. Cantava o tema, “Rosa Enjeitada “ constituía um dos seus fados preferidos,  e um exercício de estilo, que ela adorava fazer.

Foi interessante sentir, que nesta primeira fase de apego ao fado, mesmo sem o suporte do acompanhamento da guitarra e da viola, pois cantava “à capela”, jamais o ouvi-la, deixou de transmitir momentos de grande emoção.

Uma noite ao comparecer num jantar de aniversário de um familiar, foi surpreendida pela entrada em cena de dois acompanhantes de fado, o guitarra Alcino Frazão e o viola Jorge Fernando. Foi talvez a primeira vez que cantou enquadrada com os sons instrumentais. Ficou encantada, mas ao mesmo tempo sentiu a limitação de uma liberdade de interpretar como habitualmente fazia. 

Depois passou frequentemente a cantar com guitarra e viola, já então como um complemento que achava indispensável à voz.

Os pedidos para participar em festas de amigos, festas de escolas, eventos do sociais do Ministério e organizações religiosas, eram frequentes. Ao mesmo tempo entrando num grupo de amigos, muito ligados ao gosto pelo fado, frequentava jantares, em variados restaurantes de Lisboa e Cascais, onde a pedido quase sempre cantava. No restaurante em Lisboa, denominado “Número Um”, era o que mais assiduamente frequentava. Os melhores amadores de Lisboa por aí passavam. Cantava-se o fado e nos intervalos todos se transformavam em cantores de modas alentejanas.

Gravou, exclusivamente para família e amigos, uma cassete e com os fados da sua preferência.

Faleceu prematuramente e quase inesperadamente, em Agosto de 2004.

 

Biografia da autoria de de seu marido Dr. Francisco Pais

 

Conheci Rosebelle Faria Pais e o marido no final dos anos noventa, ficámos amigos, unia-nos o Fado e a admiração mútua.

Fui decerto o incentivador das suas idas ao "Número Um", onde tempos antes da sua morte prematura, nos encontravamos-nos todas as quintas-feiras. Era sempre eu que a desafiava para cantar, e fazia questão de que ela cantasse primeiro, não por qualquer vedetismo, mas porque o seu cantar me inspirava. Era sempre muito admirada e muito aplaudida, pois sem imitar, pois era a sua voz natural, fazia-nos lembrar Maria Teresa de Noronha, com dignidade.

Era casada com  Francisco Pais, médico e também artista, um dos seus  "hobbies" é fazer escultura em barro, um dia presentearam-me com uma estatueta representando o meu avô e eu em miúdo, que guardo religiosamente e  cuja fotografia aqui publico.

Que saudades Rosebelle....

Vítor Marceneiro

 

Texto inserido na escultura:

 

 

 

 

 

"Ti Alfredo e Vítor Duarte

— Oh Avô e quando crescer?

— Olha filho se quizeres

Pega na pena e no tinteiro

E escreve aquilo que souberes

Sobre o fadista Marceneiro

  

  

 Rosebele Faria Pais

canta Não Sou Fadista de Raça

Música Fado Bailarico de

Alfredo Marceneiro

                              

 

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
música: Não Sou Fadista de Raça
publicado por Vítor Marceneiro às 00:44
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