Domingo, 15 de Março de 2015

PALÁCIO MARQUÊS DE ALEGRETE- ARCO MARQUÊS DO ALEGRETE

MOURARIA

PALÁCIO MARQUÊS DE ALEGRETE
ARCO MARQUÊS DO ALEGRETE
Pinturas de: Mestre Real Bordalo
 
Por volta de 1580, começou a construir-se edifícios encostados à muralha da cidade
Mais tarde em 1694, junto da porta da Mouraria, (ou de S. Vicente ), ergueu-se o Palácio do Marquês do Alegrete, que acabou ele mesmo por dar um novo nome ao arco.
Foi Manuel Teles da Silva, 2.° Conde de Vilar Maior e 1.° Marquês de Alegrete quem mandou construir, o sumptuoso palácio conhecido pelo seu título, demolindo até aos alicerces a muralha Fernandina nesse local, as torres a ela pegadas e as casas dos seus avoengos.
Manuel Teles da Silva nasceu a 13-II-1641 e morreu a 12-IX-1709, sendo filho do 1.° Conde de Vilar Maior, por morte de quem passou a ser o 2° Conde de Vilar Maior. Coronel aos 27 anos, tomou parte com valentia na tomada de Évora, depois da batalha do Ameixial.
Nos dramáticos conflitos palacianos no tempo de D. Afonso VI, tomou partido pelo Infante D. Pedro, que depois o distinguiu com muitas honrarias. Foi regedor da Casa da Suplicação Conselheiro de Estado e Vedor da Fazenda, Em 1686 foi encarregado de ir a Heidelberga buscar a Princesa D. Maria Sofia de Neuburgo, que vinha casar com D. Pedro II. Por este motivo foi distinguido com o título de Marquês de Alegrete em 19 de Agosto de 1687.
Casou com D. Luísa Coutinho, filha do Conde de Sabugal, de quem houve nove filhos.
Entre os sucessivos proprietários do palácio contam-se figuras ilustres da história de Portugal, sejam embaixadores, estadistas, como militares, escritores e historiadores.
O palácio ocupava uma área sensivelmente rectangular e tinha duas fachadas idênticas, sul e norte, respectivamente sobre o Largo Silva e Albuquerque e sobre a rua que separava o palácio das hortas do vale que se alargou por essa época e que foi a desaparecida Rua Martim
Moniz. Uma terceira frente, onde estava a entrada principal, era voltada para o nascente, sobre a Rua da Mouraria; a quarta frente, a ocidental, parece que não tinha vãos abertos e ficava encostada a outro prédio que foi demolido em 1936.
Todos os portais eram sobrepujados por frontões, ao centro dos quais ficavam as pedras de armas da Casa Teles da Silva, mas só a do portal da entrada principal durou até à demolição do palácio.
O palácio ficou bastante arruinado pelo terramoto de 1755, e foi reconstruído parcialmente depois deste cataclismo, não com a sumptuosidade que havia tido, mas adaptado a prédio de rendimento, a fim de ser alugado para estabelecimentos comerciais e industriais (refinação de açúcar, depósito de cereais, animatógrafo) e inquilinos de modesto estatuto social.
A Câmara Municipal de Lisboa, carecendo do terreno do palácio para melhorar a circulação pública naquele sítio, encetou em 1932 as negociações para a sua aquisição e posterior demolição, o que veio a acontecer em Agosto de 1946, o terreno foi terraplenado, acabando-se este trabalho em 2 de
Outubro do mesmo ano.
No largo assim formado ficaram incorporadas a Rua Martim Moniz, o Largo Silva e Albuquerque, e um pequeno troço da Rua da Mouraria. O público, antes da oficialização do nome, começou a chamar-lhe Largo Martim Moniz.

 

 

 

Fado  Ai. Mouraria

Letra de Amadeu do Vale

Música de Frederico Valério

 

Ai, Mouraria
da velha Rua da Palma,
onde eu um dia
deixei presa a minha alma,
por ter passado
mesmo ao meu lado
certo fadista
de cor morena,
boca pequena
e olhar troçista.

                                 Ai, Mouraria
                                 do homem do meu encanto
                                que me mentia,
                                mas que eu adorava tanto.
                                Amor que o vento,
                                como um lamento,
                                levou consigo,
                                mais que ainda agora
                                a toda a hora
                                trago comigo.

Ai, Mouraria
dos rouxinóis nos beirais,
dos vestidos cor-de rosa,
dos pregões tradicionais.
Ai, Mouraria
das procissões a passar,
da Severa em voz saudosa,
da guitarra a soluçar.

Quadro de Roque Gameiro "Arco do Alegrete"

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música: Ai Mouraria canta Amália Rodrigues
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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