Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

JOSÉ MARIA NÓBREGA Violista de Fado

 Nasceu em Alijo, Alto Douro em 19 de Novembro de 1926. Aos 10 anos foi viver com os seus pais para o Porto, onde aprendeu de imediato a tocar bandolim. Entretanto trabalhou como aprendiz de alfaiate. Seu pai tocava guitarra com os amigos e pouco depois também quis fazer o mesmo com a ajuda dum vizinho que também tocava bandolim. Aos 13 anos tocava viola e pouco depois fundou com José Fonseca (violino) e Abílio Nunes (bandolim) um terceto de baile. Mais tarde este agrupamento transformou-se em sexteto com a entrada no grupo de um acordeonista, de um baterista e dum saxofonista. Era já maior de idade quando esta orquestra acabou. Em 1952 actuou com o guitarrista Marcírio Ferreira e a cantadeira Elisa Silva no Palácio de Cristal do Porto. Em 1953 tocou com o guitarrista Samuel Paixão no Dancing Palladium. Entretanto, estabeleceu-se como alfaiate em Padrão da Légua, Porto. Vivia ali um barbeiro, Álvaro Martins, que tocava guitarra portuguesa e que o influenciou na entrada para o Fado. Em 1957 actuaram no Tamariz do Porto. Convidados por Moniz Trindade, inaugurou em Janeiro de 1958 o Café Pam-Pam, que se situava junto à Praça do Chile. Quando o estabelecimento encerrou as suas portas, Álvaro Martins regressou ao Porto, e Nóbrega passou a acompanhar Jorge Fontes. Foi tocar para a Nau Catrineta, estabelecendo-se outra vez como alfaiate, agora no Largo da Misericórdia. Por falta de tempo e cada vez mais solicitado para o Fado, desistiu de vez da profissão de alfaiate. Foi tocar viola para o Folclore da Rua Nova da Trindade e entretanto quis aperfeiçoar-se, recebendo lições de Duarte Costa. Em Fevereiro de 1968 colaborou activamente na realização do Mês de Portugal promovido em Copenhaga pelo Centro de Turismo de Portugal, tendo actuado no Festival Português realizado no Restaurante  Lorry.  Actuou na Tágide, acompanhando a fadista Helena Tavares, na Nau Catrineta com Jorge Fontes acompanhou Moniz Trindade (1958 e 1959), e passou por todas as casas de Fado de Lisboa. Desde 2000 que faz parte do elenco do Restaurante Severa. Na sua vida profissional acompanhou grandes figuras do Fado como, Carlos do Carmo com quem está há 38 anos, Elisa Silva (1952) António Pires, Arminda da Conceição, Américo Lima, Carlos Figueiredo, Cidália Moreira, Fernando Forte, Ada de Castro, Alberto Costa, Alice Maya, Alice Maria, António Mourão, Amália Rodrigues, Berta Cardoso, Cândida Ramos, Carlos Barra, Celeste Rodrigues, Deolinda Rodrigues, Edith Guerra, Elsa Coimbra, Augusta Ermida, Jorge Fernando, Eduarda Maria, Fernando Manuel, Filipe Duarte, Florência, Flora Pereira, Francisco Martinho, Helena Lima, Flaviano Ramos, Helena Santos, Hermano da Câmara, Isaura Alice de Carvalho, Jaime dos Santos, Marcírio Ferreira (1952), António Chainho (1968), Raul Nery, José Fontes Rocha, Jorge Fontes, Carlos Gonçalves (1963), António Parreira, José Luís Nobre Costa, Samuel Paixão (1953), Joaquim Cordeiro (1959), Jorge Martinho, José Amaro, Julieta Santos, Laurita Duarte, Lena, Lídia Ribeiro, Lucília do Carmo, Manuel Dias, Maria Amélia "Miúda da Mouraria", Maria do Céu Crispim, Rodrigo, Alfredo Marceneiro, Hélder António, João Queirós, Maria Albertina, Maria da Fé, Maria José Villar, Tucha Mascarenhas, Isaura Alice de Carvalho, Madalena Ferraz, João Braga, Maria do Rosário, Mário Rui, Miguel Silva, Nazaré Ferrer, Maria Amélia Proença e muitos outros. A 20 de Novembro de 1965 actuou na Voz do Operário. Em 2005 a Casa da Imprensa atribuiu-lhe o Prémio Carreira e a Fundação Amália Rodrigues concedeu-lhe o prémio Viola do Fado.

in: Programa I Grande Gala dos Prémios Amália Rodrigues

 

Permitam-me  acrescentar algo mais, sobre o que atrás está descrito sobre José Maria Nóbrega.

Desde muito jovem que tive o privilégio de  conviver  com o José Maria Nóbrega., sou amigo do filho Pedro Nóbrega que também toca viola e viola baixo, assim como da família mais chegada.

Recordo ainda quando ele e o António Chainho, eram os músicos  privativos no "Folclore" (ficava ao lado da Cervejaria Trindade), espaço este,  que estava vocacionado para o turismo,  e como acabavam mais cedo (perto da meia-noite) que os restantes recintos, o Nóbrega e o Chainho iam até ao Faia acabar a noite. Era no  tempo em que o meu avô ainda parava no Faia.

Quando saí do serviço militar,  fui morar para a Amadora, onde o José Maria Nóbrega também habitava, ficámos vizinhos e o contacto era praticamente diário.

 

Em 1970 gravei o meu primeiro disco (EP) para e etiqueta "Estúdio", e fui acompanhado pelo António Chainho e pelo José Maria Nóbrega.

 Num recinto do qual eu era proprietário, passou a haver Fados às sextas-feiras à noite, e sempre que o Nóbrega estava livre, era ele que fazia parte da parelha de músicos, assim como em algumas festas e espectáculos de que fiz parte.

 Esta amizade e convivência quase diária,  durou até à minha saída da Amadora em 1995.

 Embora só nos encontremos de tempos a tempos, é sempre efusivamente que nos abraçamos.

 

Foto em casa de um amigo em 1988. Por estar a segurar  numa viola,  poder-se-á pensar que toco, mas não, é uma brincadeira, pois nas fadistagens em que entrámos, não faltava a boa disposição. A expressão do Nóbrega  é disso testemunho. 

 

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Viva Lisboa: Que saudades...
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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