Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

POEMAS DE LISBOA TRANSCRITOS DE ( B a D )

Bailarico de Benfica 1940

Norberto de Araújo

Bairro Alto

Carlos Simões Neves

Bairro Eterno

José António Saborosa

Bairros de Lisboa

Carlos Conde

BELLA LISBOA

D.R.

Bendita Sejas Lisboa

Manuel Rodrigues

Bom dia, Menina Lisboa

António Vilar da Costa

Cá vai Lisboa  (GRANDE MARCHA. 1963)

Raul Dubini

Cabeça de Vento

Linhares Barbosa

Canção de Lisboa

José Galhardo

Canção do Castelo 1935

Fernando Teles

Canção Lisboa

Fernando Farinha

Canção Nova de Alfama 1940

Frederico de Brito

Canoas do Tejo

Frederico de Brito

Cantilena Amalista

Azinhal Abelho

Cantinho Ocidental

António Frazão

Céu da Mouraria

Pedro Ayres Magalhães

Chegada

João M.B. Sousa

Cheira a Lisboa

César Oliveira

Chico do Cachené

António Vilar da Costa

Chico do Cachené continua

António Vilar da Costa

Cidade

Ary dos Santos

Cidade Imortal

Joana Veiga

Cidade Maravilhosa 1955

Norberto de Araújo

Cinco Bairros

Fernando Farinha

Coisas Suas

Carlos Baleia

Colinas de Lisboa

Sofia Delgado

Corri Lisboa

Frederico de Brito

Corri Lisboa Inteirinha

Maria de Lourdes De Carvalho

Corvo da Cidade

Carlos Baleia

De Cacilhas para Lisboa

José Rego (Zé Brasileiro)

Deixem Passar a Graça 1940

Frederico de Brito

Dois fados

Fernando Farinha

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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

BEATRIZ DA CONÇEIÇÃO

 

Conhecida no meio do Fado por (Bia) nasceu no Porto em 1939.

Numa vinda a Lisboa vai ouvir fados ao Solar da Márcia Condessa, é desafiada a cantar, interpreta de tal maneira que logo é contratada pela dona da casa.

Fica a viver em Lisboa e rapidamente o seu estilo de cantar lhe granjeia muitos admiradores, acabando por fazer várias épocas em quase todas as casas de fado.
Na revista, onde obteve grandes êxito, em, Fado Para Esta Noite e John Português.
Grava todo o repertório que estreia, que é êxito assegurado.

Faz várias digressões ao estrangeiro, actuando para as comunidades emigrantes, actua em diversos festivais internacionais de música, festas de beneficência.
Beatriz da Conceição, canta com um estilo muito pessoal verdadeiro, diz muito bem e divide o verso como deve ser, é irreverente mas tem uma alma fadista incontestável. Tem um vasto repertório, porque raros foram os poetas que não lhe escrevessem poemas, como Artur Ribeiro, Vasco de Lima Couto, ou José Carlos Ary dos Santos que em parceria com Fernando Tordo, escreveram o Fado da Bia,

Continua a actuar em programas de televisão, espectáculos ao vivo, na gravação de discos e, é presença assídua nas casas de fado.

 

 

                                           Beatriz da Conceição

 

                                           O fado já não lhe chega,

                                           Mas como nada lhe falta

                                           Tanto canta numa adega

                                           Como à luz de uma ribalta!

 

                                           E embora sentindo a chama

                                           Que leva à celebridade,

                                           Não se deslumbra na fama

                                           Nem se perde na vaidade!

 

                                           A Beatriz da Conceição

                                           Não é somente fadista,

                                           Muito mais do que atracção

                                           Ela impõe-se como artista!

 Poema de Carlos Conde

   

CANÇÃO DE LISBOA

Cantado por Beatriz da Conceição 

Letra de: Artur Ribeiro

 

Vejo do cais, mil janelas

Da minha velha Lisboa

Vejo Alfama das vielas

O Castelo, a Madragoa

E os meus olhos rasos de água

Deixam por toda a cidade

A minha prece de mágoa

Nesta canção de saudade

 

Estribilho

 

Quando eu partir

Reza por mim Lisboa

Que eu vou sentir Lisboa

Penas sem fim Lisboa

Saudade atroz

Que o coração magoa

E a minha voz entoa

Feita canção Lisboa

 

E se ao voltar

Me vires chorar, perdoa

Que eu abra a porta à tristeza

Para depois rir à toa

Tenho a certeza

Que ao ver as ruas

Tal qual hoje as vejo

Nesse teu ar de rainha do Tejo

Hei-de beijar-te Lisboa

 

Hei-de beijar com ternura

As tuas sete colinas

E vou andar à procura

De mim p’las esquinas

E tu Lisboa

Hás-de vir aqui ao cais

Como agora

P’ra eu te dizer a rir

O que hoje minha alma chora

 

Estribilho

 

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música: A Saudade Andou Comigo
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

RELAÇÂO DOS POETAS COM POEMAS REGISTADOS

Agá de Harmonia (Pseud.)

Eurico Augusto Cebolo

José Rodrigues Estronca

Alberto Antunes Mendes

F. Radamanto

José Rufino Mendonça

Alberto Dias Ribeiro

F. Santos/Almeida Amaral

Júlia Molico

Alexandre O´Neill

Fausto

Júlio de Sousa

Álvaro Leal

Fernad Bonifay

Julio Isidro

Alves Coelho (Filho)

F. Carvalho/Anibal Nazaré

Júlio Vieitas

Amadeu do Vale

Fernando Farinha

Linhares Barbosa

Ana Vidal

Fernando Santo e C. Lopes

Linhares de Almeida

Aníbal Nazaré

Fernando Santos

LOQUILO

António Frazão

Fernando Teles

Lourenço Rodrigues

António Gedeão

Fernando Tordo

Luís Simão

António José Forte

Francisco Nicholson

Madalena Avellar

António Lobo Antunes

Francisco Valério

Manuel Alegre

António Vilar da Costa

Frederico de Brito

Manuel António Pereira

Armando Neves

Frederico Valério

Manuel Bogalho

Artur Ribeiro

Gaito

Manuel Casimiro

Artur Soares Pereira

Gonçalves Preto/F. Nicholson

Manuel Paião

Ary dos Santos

Gonsalves Preto

Manuel Rodrigues

Ascensão Barbosa

Guiomar Figueiredo

Manuela de Freitas

Azinhal Abelho

Hermenegildo de Figueiredo

Manuela Moura e Sá T.Santos

Banda Espanhola Revolver

J.  Faria Rodrigues

Mª de Lourdes De Carvalho

Belo Marques

Joana Veiga

Maria de Lurdes Brás

Carlos Alberto França

João Dias Nobre

Maria Teresa Horta

Carlos Alberto Giudicelli

João M.B. Sousa

Mascarenhas Barreto

Carlos Baleia

João Monge

Matos Sequeira

Carlos Conde

João Queimado

Norberto de Araújo

Carlos dos Jornais

João Vasconcelos

Nuno Gomes dos Santos

Carlos Escobar

João Villaret

Olivier Leite,

Carlos Mendonça

Joaquim Almeida Ribeiro

Oscar Gusmão Martins

Carlos Queiroz

Joaquim Murale

Paulo Fonseca

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Sábado, 26 de Maio de 2007

Carlos Conde - Poeta que ama Lisboa

Lisboa,  Carlos Conde é um dos poetas com mais poemas sobre Lisboa

                                   FLORES DE LISBOA

Letra de Carlos Conde  

Música de: Túlio Pereira

 

                                 Sempre a rir, sempre a cantar

                                 Esta Lisboa bonita

                                 Beija quem a sabe amar

                                 E abraça quem a visita

 

                                 Lisboa não se afadiga

                                 De cantar a vida inteira

                                 Tem p´ra tudo uma cantiga

                                 A Cidade Cantadeira

 

                                 A quem visita

                                 Esta Lisboa

                                 Terra que o mundo prende em fortes laços

                                 Os nossos beijos

                                 Com os desejos

                                 A que voltam de novo a nossos braços

                                 O meu país

                                 P´ra ver feliz

                                 Quem nos rende amizade fraternal,

                                 Concede flores

                                 De vivas cores

                                 Colhidas nos jardins de  Portugal!

 

                                 Lisboa deita-se tarde

                                 E tão bem o fado entoa

                                 Que nunca falta quem guarde

                                 Uma nesga de Lisboa!

 

                                 Canta e sente um bem profundo

                                 Pois é feliz e contente

                                 A cantar p´ra todo o mundo

                                 E a sorrir para toda a gente

 

Casa de Pateo de Lisboa - Óleo do Mestre Real Bordalo

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CARLOS CONDE - Poeta de Intervenção

FADO DE INTERVENÇÃO - Carlos Conde tinha uma visão muito profunda das injustiças sociais, foi dos poetas de fado com mais poemas censurados.

 

 

 

  

"JANELA DA VIDA" 

Letra de: Carlos Conde

Música: Alfredo Marceneiro

  

                                           Para ver quanta fé perdida

                                           E quanta miséria sem par

                                           Há neste orbe, atroz ruim

                                           Pus-me à janela da vida

                                           E alonguei o meu olhar

                                           P´lo vasto Mundo sem fim.

 

                                           Pus todo o meu sentimento

                                           Na mágoa que não se aparta

                                           Do que mais nos desconsola;

                                           E assim a cada momento

                                           Vi buçais comendo à farta

                                           E génios pedindo esmola!

 

                                           Vi muitas vezes a razão

                                           Por muitos posta de rastos

                                           E a mentira em viva chama;

                                           Até por triste irrisão

                                           Vi nulidades nos astros

                                           E vi ciências na lama!...

 

 

                                           Vi dar aos ladrões valores

                                           E sentimentos perdidos

                                           Nas que passam por honradas

                                           Vi cinismos vencedores

                                           Muitos heróis esquecidos

                                           E vaidades medalhadas

 

 

                                           Vi no torpor mais imundo

                                           Profundas crenças caindo

                                           E maldições ascendendo

                                           Tudo vi neste Mundo

                                           Vi miseráveis subindo

                                           Homens honrados descendem

 

                                           Por isso afirmo com siso

                                           Que p´ra na vida ter sorte

                                           Não basta a fé decidida

                                           P´ra ser feliz é preciso

                                           Ser canalha até à morte

                                           Ou não pensar mais na vida.

 

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CARLOS CONDE - Poeta de Esperança e de Fé

 FADO DE ESPERAÇA E FÉ, Carlos Conde também era um poeta de esperança, virado para o futuro.

Carlos Conde (Trineto de Carlos Conde      Beatriz Duarte e Alfredo Duarte (Bisnetos Marceneiro)               

                                          

“È TÃO BOM SER PEQUENINO”
Letra de: Carlos Conde
Música: Corrido ou Mouraria
 
                            É tão bom ser pequenino
                            Ter pai, ter mãe, ter avós
                                     Ter esperança no destino
                                     E ter quem goste de nós
 
                                     A velhice traz revés
                                     Mas depois da meninice
                                     Há quem adore a velhice
                                     Para ser menino outra vez
                                     Ser menino que altivez
                                     De optimismo e desatino
                                     Ver tudo bom e divino
                                     Tudo esperança, tudo fé
                                     Enquanto a vida assim é
                                     È tão bom ser pequenino
 
                                     Ver tudo com alegria
                                     Sem delongas sem demoras
                                     Viver a vida numa hora
                                     Eternidade num dia
                                     Ter na mente a fantasia
                                     Dum bem que ninguém supôs
                                     Ter crença sonhar a sós
                                     Com a grandeza deste mundo
                                     E para bem mais profundo
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
 
                                     Ter muito enlevo a sonhar
                                     Acordar e ter carinho
                                     Ter este Mundo inteirinho
                                     No brilho do nosso olhar
                                     Viver alheio ao penar
                                     Deste orbe torpe ferino
                                     Julgar-se eterno menino
                                     Supor-se eterna criança
                                     E num destino sem esperança
                                     Ter esperança no destino

                                    

                                     Oh! Desventura, Oh! Saudade

                                     Causas da minha inconstância

                                     Dai-me pedaços de infância

                                     Retalhos de mocidade

                                     Dai-me a doce claridade

                                     Roubando-a ao tempo atroz

                                     Eu queria ter a minha voz

                                     Para cantar o meu passado

                                     E é tão bom cantar o fado

                                     E ter quem goste de nós

                       

 

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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Tudo isto é Fado - Desabafos

Instrumental de Guitarra por Arménio de Melo

Marcha de Alfredo Marceneiro

 AMIGOS

Se alguma coisa me consome e me entristece é que a roda furiosa da vida, não me permite ter sempre ao meu lado,

Morando comigo

Andando comigo

Falando comigo

Vivendo comigo

Todos os meus amigos

·        Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

·        Tenho amigos que não percebem o amor que lhes devoto.

·        Tenho amigos que não imaginam a necessidade que tenho deles.

·        A alguns dos meus amigos não os procuro, basta-me saber que eles existem.

·        Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles... eles não iriam acreditar.

·        Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

·        Se um dos meus amigos morrer, eu ficarei torto para um lado.

·        Se todos os meus amigos morrerem, eu desabo!

·        Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

Muitos dos meus amigos irão ler esta crónica e não sabem, não fazem ideia que. estão incluídos

...na sagrada relação de meus amigos.

A gente não faz amigos, reconhece-os

Tin-Tin e os seus amigos por HERGÉ 

Obrigado a todos os amigos que me têm apoiado, fazer um trabalho destes,  embora que modesto, é mais graticante quando recebemos uma palavra de retorno,  mesmo de crítica, saber que somos lidos só  por si é um estímulo.

Bem Hajam

  

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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

Homenagem a DAVID MOURÃO-FERREIRA

                                     “David Mourão-Ferreira e o Fado”

 

De 18 de Maio a 30 de Setembro, está patente no Museu do Fado, uma exposição alusiva à multifacetada figura de David Mourão-Ferreira (1927-1996) poeta, ensaísta, ficcionista, jornalista, professor e tradutor. “David Mourão-Ferreira e o Fado” retrata o importante legado do autor na história da canção de Lisboa.


                                    

A exposição recria o escritório do poeta, apresenta testemunhos da obra que consagrou ao fado, entre manuscritos originais e letras dactilografadas, as primeiras edições discográficas e um conjunto de registos audiovisuais que ilustram as interpretações de poemas da sua autoria por Amália Rodrigues, Camané, Mariza e Cristina Branco, entre outros.

 

David Mourão-Ferreira e o Fado” ilustra um dos momentos mais marcantes na evolução da canção de Lisboa, através da fusão da poesia erudita com o universo fadista, para a qual também contribuíram as carismáticas figuras de José Régio, Pedro Homem de Mello, Luís de Macedo, Alexandre O´Neil, Cecília Meireles, José Carlos Ary dos Santos, Manuel Alegre, entre outros.

 Texto: Egeac

 
           

                                      PRIMAVERA

                                   Livro editado com a exposição 

                                        22X28 cm com 160 páginas

Exposição muito bem elaborada,  a não deixar de vistar, quer pelo aspecto técnico, quer pelo acervo iconográfico relativo a David Mourão-Ferreira.

O Livro muito bem elaborado completa o excelente trabalho que a equipa EGEAC-MUSEU DO FADO, elaborou.

Parabéns

Permitam-me com um laivo de orgulho trancrever um artigo do livro, que muito me sensibilizou, não descurando os excelentes artigos sobre outras figuras  destacadas no livro, mas este como compreendem toca-me fundo.

 

O  FADO E A PALAVRA

MARCENEIRO E PESSOA

Ao grande Alfredo Marceneiro - professor de sucessivas gerações de fadistas e alvo (tal como Hermínia Silva) de entusiasmada admiração da parte de Amália - deve-se a repetida afirmação da importância de defender a palavra.

No disco recentemente editado "Marceneiro é só Fado", podemos ouvir fragmentos do seu discurso directo:"a dicção também vale muito; agora quem quebrou melhor o verso e que deu expressão ao verso eram todos; mas eu tinha uma forma especial (.. .)porque o meu forte não foi cantar; foi dividir a oração"

Dizia um contemporâneo de Marceneiro (1891-1982), Fernando Pessoa (1988­-1935), evocado por Carlos Tê no trecho "Fado Pessoano":

"Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso, a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste. O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar. (...)

O fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou”.

In: Primavera David Mourão-Ferreira  (pág. 22)

 


 

                                                         

                                       Vendedeira de Peixe - Quadro do Mestre Real Bordalo

É Varina

 

Letra de: David Mourão Ferreira

 

                                                É varina, usa chinela,

                                                Tem movimentos de gata.

                                                Na canastra a caravela;

                                                No coração, a fragata

 

                                                Em vez de corvos, no chaile

                                                Gaivotas vêm pousar,

                                                Quando o vento a leva ao baile,

                                                Baila no baile com o mar!

 

                                                É de conchas, o vestido,

                                                Tem algas na cabeleira

                                                E, nas veias, o latido

                                                Do motor duma traineira!

 

                                                Vende sonho e maresia

                                                Tempestades apregoa;

                                                Seu nome próprio: Maria;

                                                Seu apelido: Lisboa!

 

 

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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Recordar Deolinda Rodrigues

  Deolinda Rodrigues canta " Lisboa Mulher"

Letra de: Júlio IsidroMúsica de: João Henrique

  

 DEOLINDA RODRIGUES

Deolinda Rodrigues Veloso nasceu em Lisboa, a 30 de Dezembro de 1924
Em 1944 ganhou um concurso organizado pelo Diário Popular.
Começou muito jovem a sua carreira como cantadeira no Casablanca.
A partir de então levou a sua voz à rádio, ao teatro de Revista, à televisão e ao cinema.
Participou em diversos filmes, desde “Cantiga da Rua” (1950), “O Passarinho da Ribeira” (em 1960), passando por “O Noivo das Caldas” com António Silva (1956) e “Madragoa” e (1952).
No teatro de revista estreou-se no Teatro Apolo com a peça “Cartaz da Mouraria”, ao lado de Hermínia Silva e Barroso Lopes. Actuou, ainda, em diversas operetas.
Foi presença regular nos programas da Emissora Nacional.
Fez várias digressões por Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Brasil.
Em 1966 integrou o  elenco, na telenovela “Vidas de Sal”.
Comemorou os 60 anos de carreira em 2005 com um espectáculo no Fórum Lisboa.
Foi-lhe atribuída a Medalha Municipal de Mérito, Grau Prata.
 

Deolinda Rodrigues

 

Dotada de arte e bom gosto

No seu jeito delicado,

A Deolinda marca um posto

Dos mais altos que há no Fado!

 

Subiu momento a momento

E logo breve se impôs,

P´la força do seu talento

E o mimo da sua voz!

 

Nesta Artista nunca finda

O que de bom ela tem,

È Deolinda por ser linda

Rodrigues por cantar bem!

 

Versos de: Carlos Conde

 


 

 

Lisboa Mulher
Repertório de Deolinda Rodrigues
Letra de: Júlio Isidro
Música de: João Henrique
 
 
                                                   Há lá coisa mais bonita
                                                   Que Lisboa num desejo
                                                   É alguém que eu sinto minha
                                                   É alguém que eu sinto minha
                                                   Para depois cobrir num beijo
 
                                                  Que eu quero cobrir num beijo
                                                  E apertar num só abraço
                                                  Possuir no meu olhar
                                                  Possuir no meu olhar
                                                  O teu corpo passo a passo
 
                                                              Refrão
 
                                                  Lisboa não se deita a qualquer hora
                                                  Lisboa só se deita com quem quer
                                                  Lisboa sabe bem com quem namora
                                                  Lisboa é o bem de um malmequer
                                                  Lisboa faz amor só por amor
                                                  Lisboa tem desejos de mulher
                                                  Lisboa tens o cheiro, tens a cor
                                                  Lisboa tens tudo o que eu quero ter
 
                                                 Há lá coisa mais bonita
                                                 Que ver Lisboa a sorrir
                                                 Tua boca é um apelo
                                                 Tua boca é um apelo
                                                 Que não me deixa fugir
 
                                                 Há lá coisa mais bonita
                                                 Do que ver Lisboa nua
                                                 A dançar à minha frente
                                                 A dançar à minha frente
                                                 Vestida com luz da lua
 

 

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música: Lisboa Mulher
publicado por Vítor Marceneiro às 22:53
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

GUITARRA PORTUGUESA

 "Marcha do Marceneiro" instrumental" por Arménio de Melo

No fim da Idade Média, vulgarizou-se chamar-se “guitarra”, na Península Ibérica, a todo o instrumento de dedilhação, Provinha a palavra do étimo grego “Kitara”, que em latim tinha a grafia de” Chitara”, ou “Cítara”.

Mas o instrumento medieval mais usado para acompanhamento de canções era o “Alaúde”, que só apareceu na Europa para além dos Pirinéus, no século XIII, mas na Península Ibérica já era utilizado desde o século VIII.

Havia também um outro instrumento em forma de “8”, de uso mais popular e também denominada guitarra, ou mais precisamente “Guitarra Castelhana”, que em Espanha acabou com a utilização do “Alaúde”.

Em Portugal continua-se a utilizar o “Alaúde” mas agora denominado de “Guitarra”, em relação à “Guitarra Castelhana”, os portugueses passam a denominá-la de “Viola” do latim “Vitula” já que a sua forma se assemelha ao instrumento de concerto “Viola de Arco”.

Hoje fazemos referência à Guitarra Portuguesa,  à Viola de Fado e à Guitarra Clássica (Espanhola)

Apenas em Portugal se mantém a parelha da Guitarra com a Viola para acompanhar o Fado.

Até ao século XVIII, o sistema de afinação das guitarras portuguesas era constituído por “cravelhas de madeira”, mais tarde (no tempo da Severa) aparece a “chapa metálica quadrangular”, cuja afinação se fazia com uma chavinha de relógio. No final de século XIX, toma a forma actual de leque, afinada por esticadores em parafuso, (no tempo da Cesária e da Maria Vitória) e que tem vindo a sofrer alterações até aos dias de hoje.

Era e é notório o amor tradicional dos portugueses pela sua guitarra.

Afirma-se que era tal a afeição pela guitarra pelos portugueses, que após a trágica jornada de Dom Sebastião em que o nosso Rei foi derrotado pelo Sultão de Fez de Marrocos, que entre os despojos do acampamento dos portugueses havia milhares de guitarras.

Também os nossos marinheiros levavam guitarras nas caravelas que singrava os mares à descoberta de Novos Mundos.

Foi na distância das terras longínquas que a saudade da Pátria e das afeições apartadas, que as trovas dos nautas portugueses ganharam novos ritmos e o Fado actual entrou em embrião

 in Fado de Mascarenhas Barreto

Desenho de Alfredo Duarte Jr.  (feito com café e borrão de cigarro)

GUITARRA, VEM COMIGO!
 
Letra: Carlos Conde
  
Guitarra, velha amiga e companheira,
Da boémia afadistada
Vem daí perde a noite inteira
Em alegra ramboiadada
 
Como foste e grande amiga
Das rimas de uma cantiga
Em tempos que já lá vão.
Quero andar contigo à toa
Pelos Bairros de Lisboa
Onde mora a tradição
 
Velha guitarra
Meu sonha e fado
Vamos p´ra a farra
Lembrar tempos do passado.
Quero mostrar
Que tenho brio
Para cantar
Um despique ao desafio!
 
Vem daí, mostrar à mocidade
A graça que o fado tinha
Vamos correr os bairros da cidade
Onde tu foste rainha!
 
Vem, guitarra, vem comigo,
Reviver o tempo antigo
Que o teu passado resume;
Viver no fado a balbúrdia
Das grandes noites de esturdia,
Juras, amor e ciúme!

 

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CARLOS BALEIA - Actor, Escritor, Dramaturgo e Poeta

Carlos Baleia nasceu em 1938 no concelho de Sintra mas desde 1953 que passou a viver em Lisboa.

É licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa em Estudos Anglo-Americanos e frequentou durante três anos o Curso de Teatro do antigo Conservatório Nacional.

Foi bolseiro da Embaixada Alemã e estagiou durante seis meses em Stuttgart onde preparou como trabalho final de curso um estudo sobre o teatro radiofónico alemão no após guerra incidente sobre o dramaturgo Gunther Eich.

Como registo da sua actividade teatral de vinte anos ficaram saborosas experiências artísticas tidas a um nível semi-profissional com o grupo Proscénium, representando por todo o País centenas de espectáculos de autores reputados, clássicos da dramaturgia, como Moliére, Shakespeare, Gil Vicente, Arthur Miller, Ariano Suassuna, Durrenmatt, Karl Wittlinger, Lope de Vega e bastantes outros, tendo sido dirigido por encenadores prestigiados do panorama teatral português, nomeadamente Pedro Lemos, do Teatro Nacional D. Maria II, Fernando Gusmão, Costa Ferreira, Paulo Renato e pela encenadora australiana Roberta Elliott num espectáculo representado em inglês para a colónia britânica em Portugal.

Fez também dobragens de filmes e apareceu nos pequenos ecrãs nas noites de teatro da RTP.

Na década de setenta, sem abandonar completamente o teatro pois encenou alguns espectáculos de amadores, teve, contudo, que optar pela sua vida profissional de gestor empresarial da qual se reformou em 1999, retomando de imediato o seu contacto com o palco na condição de intérprete de teatro vicentino e estendendo a sua actividade à dramaturgia tendo escrito diversos textos, entre os quais o drama Locomotiva e a comédia O assalto, ambos publicados em 2001.

Adepto de um conceito de teatro global onde texto e música se associam, acabou por se interessar também pelo campo mais vasto das cantigas como elemento teatral e ainda pelo fenómeno do fado como expressão artística umbilicalmente ligada à cidade de Lisboa, tendo escrito as letras do CD editado em 2002, Lisboa em vários tons, no que foi largamente apoiado pelo conhecido estudioso e intérprete do fado, Daniel Gouveia.

Desde então tem parcerias com diversos compositores musicais em dezenas de letras gravadas por conhecidas vozes do fado e da canção e ainda algumas outras em vias de gravação.

Apesar das conhecidas limitações que impendem sobre a edição de música portuguesa, Carlos Baleia está presentemente envolvido através de trinta letras de sua autoria no projecto discográfico Junto ao rio, à beira-mar, relacionado com traços da nossa alma colectiva, com as nossas viagens interiores, terrestres e marítimas, com a imensidade da lusofonia e com o povo que somos, numa pretendida visita musical no tempo e no espaço que abarcará diversos estilos de canções, com o Fado e Lisboa obviamente presentes.

O tema Lisboa tem, aliás, acompanhado sempre os seus escritos e tem neste momento mais de vinte composições musicadas dedicadas à cidade onde cresceu e que aprendeu a chamar de sua. 

 

Quadro do Mestre Real Bordalo

 

Casario de Lisboa

( A partir dum texto em prosa de Fernanda de Castro, com o mesmo título,  escrito em 1933 para o Guia de Portugal Artístico )

        

Letra : Carlos Baleia

Música : Fernanda Lopes

 

                                         Casas da nossa cidade
                                         Brancas, azuis, amarelas
                                         Retocadas pela idade
                                         Com raízes nas vielas.
                                         Casas estreitas, caprichosas,
                                         De telhado à portuguesa
                                         Irregulares e formosas
                                         Na sua estranha beleza.
 
                                         De longe em longe, isolado,
                                         Perdido no casario
                                         Um palacete fechado
                                         Com varandas para o rio.
                                         Portas grandes, brazonadas,
                                         Desenhos de caravelas;
                                         São casas afidalgadas
                                         Que vão de Belém a Chelas.                          
                                                          
                                         Casas floridas, de santos,
                                         A quererem ser capela.
                                         E entre escadas e recantos
                                         Casas de roupa à janela.                     
                                         Casas doidas para poetas
                                         Também as há em Lisboa,
                                         Coloridas ou discretas
                                         Do Castelo à Madragoa
 
                                         Casas-berço de tristeza
                                         E outras casas de sonhar
                                         Onde a nossa natureza
                                         Possa chegar e morar.
                                         Casas feitas para viver
                                         Perto do rio, da canoa,
                                         Nossas casas de morrer
                                         Na cidade de Lisboa

                                        

Quadro do Mestre Real Bordalo

Um bote – navio

 

Letra: Carlos Baleia

Música : M. Moniz Pereira

 
                                                  Nas águas do rio

                                                  Das bandas de Almada

                                                  Um bote-navio,

                                                  dito cacilheiro,

                                                  Traz gente apressada

                                                  Que corre no cais

                                                  Entre um nevoeiro

                                                  Que é mensageiro

                                                  De dias iguais.

 

                                                  E em tal madrugada

                                                  Todo o movimento

                                                  De cara ensonada

                                                  Sem ninfas no rio

                                                  Tem o argumento

                                                  Das coisas banais

                                                  Que num ano inteiro

                                                  Lisboa-Barreiro

                                                  Lhe deixa sinais.

 

                                                  Neste barco me atravesso

                                                  Para invadir a cidade

                                                  Quando no rio amanheço

                                                  Com os raios da claridade.

                                                  E a maré deste começo

                                                  Da viagem fugidia

                                                  Logo terá seu regresso

                                                  Quando se acabar o dia.      

 

                                                 Tejo de poetas

                                                 Canções de sereia

                                                 Agora discretas

                                                 Nesta lufa-lufa

                                                 Da nova epopeia

                                                 Que chega em caudais

                                                 Inunda o Terreiro

                                                 E em passo ligeiro

                                                 Se junta aos demais.

 

                                                 Neste barco me atravesso

                                                 Para invadir a cidade

                                                 Quando no rio amanheço

                                                 Com os raios da claridade.

                                                 E a maré deste começo

                                                 Da viagem fugidia

                                                 Logo terá seu regresso

                                                 Quando se acabar o dia.

 

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