Domingo, 29 de Julho de 2007

GERAÇÂO MARCENEIRO EM CD

 Os "quatro Marceneiros" pela primeira vez juntos

no CD "Geração Marceneiro"

 

Lisboa, 22 Julho (Lusa) - O CD "Geração Marceneiro", a editar esta semana, reúne pela primeira vez os "quatro Marceneiros", o patriarca Alfredo, os seus dois filhos e o neto, recuperando para o digital alguns inéditos.
    Além de Alfredo Marceneiro, o álbum, editado pela Ovação, inclui os seus dois filhos - Alfredo e Carlos - e o neto, Vítor Duarte, "sendo a primeira vez que surgem numa edição discográfica todos os quatro Marceneiros", disse à Lusa fonte da editora discográfica.
    "Preenche-se assim uma lacuna ao incluir os dois irmãos - Carlos Duarte e Alfredo Duarte Júnior - pois quando pela primeira vez o conceito geracional tomou forma de disco, em 1973, já Carlos Duarte tinha falecido", esclareceu a mesma fonte.
    Carlos Duarte cantou em várias casas de fado de Lisboa mas preferiu sempre manter o estatuto de amador, tendo falecido em 1966.
    De Carlos Duarte são recuperados para CD "Vestido azul" (Henrique Rêgo/Alfredo Marceneiro) e "A casa da Mariquinhas" (Silva Tavares/A. Marceneiro) "gravados por alturas de 1964", segundo a editora.
    Carlos Duarte é acompanhado por Armandinho (filho) à guitarra portuguesa e à viola por José Inácio, sendo o único que canta dois fados dada a escassez de registos disponíveis.
    O outro irmão, que ficou conhecido como "fadista bailarino", Alfredo Duarte Júnior, canta "Três gerações" (João Alberto/A. Marceneiro), "Restos da Mouraria" (Carlos Conde/Martinho d'Assunção) e "Fados do meu pai" que é uma súmula de vários fados que foram êxito na voz do patriarca, Alfredo Marceneiro.
    Alfredo Duarte Jr. é acompanhado à guitarra por Francisco Carvalhinho, João Alberto e Luís Ribeiro e à viola por Orlando Silva, Amadeu Ramin e José Maria Nóbrega. O fadista faleceu em Lisboa em 1999.
    Em 1991 cantou com o seu filho Vítor Duarte Marceneiro na RTP por ocasião do centenário do nascimento de Alfredo Marceneiro, interpretação agora recuperada pela primeira vez para CD.
    Trata-se do fado "A Lucinda Camareira" (H. Rêgo/A. Marceneiro), mas o CD regista também o seu dueto com o pai no fado "Ser fadista" (Armando Neves/A. Marceneiro), outro inédito, gravado em 1970, que o CD traz a lume.
    Inédita é também a gravação de 1973 de Vítor Duarte Marceneiro com o seu avô interpretando "O Camponês e o Pescador" (H. Rêgo/A. Marceneiro) que abre o CD.
    De Alfredo encontramos três registos, nomeadamente "Conceito", um fado assinado pelo próprio e com letra de Carlos Conde, "Foi na velha Mouraria", também de Marceneiro com letra de Fernando Teles, e "Cabelo branco" de uma "dupla" recorrente, Henrique Rêgo e Marceneiro.
    Todos estes fados foram gravados em 1980, sendo o fadista acompanhado por Francisco Carvalhinho, Ilídio Santos e António Bessa (guitarra portuguesa) e José Maria Nóbrega, Orlando Silva e Fernando Reis (viola).
    Os três registos de Vítor Duarte Marceneiro, 62 anos, resultam da recuperação de actuações suas ao vivo, um ambiente onde, segundo afirmou à Lusa, se sente "melhor".
    "Bairros de Lisboa" (C. Conde/A. Marceneiro) foi gravado numa actuação na TVI, "Louco" (H. Rêgo/A. Marceneiro) num programa na RTP e "Fado Balada" (S. Tavares/A. Marceneiro) numa actuação no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
    "É tudo herança do meu avô, daí não ter um repertório próprio", disse à Lusa o fadista, que projecta editar "talvez ainda este ano" um álbum seu.
    Falecido há 25 anos, a longa carreira de Alfredo Marceneiro abrangeu praticamente todo o século XX, tendo-se distinguido como estilista [forma de variar dentro da mesma linha melódica] e compositor.
    Alfredo Marceneiro cantou dos bailes de bairro aos cafés de camareiras e retiros até às casas de fado. Deixou numerosos discos, de que se destaca "The Fabulous Marceneiro", mas escassos registos televisivos.
    NL.
    Lusa/Fim

 

 

Créditos

Produtora: Ovação

Produção: Vítor Duarte Marceneiro

Textos: Vítor Duarte Marceneiro

Capa: Vítor Duarte Marceneiro e Pedro Matias

Maquetização: Pedro Matias

 

 


 

 

 

Geração Marceneiro -  Três Gerações de Fado

 Marceneiro é a expressão de uma longa geração que para o Fado nasceu.

(João Alberto)

 

Alfredo Marceneiro (1891-1982) nome incontornável do Fado que nos deixou um importante legado artístico e vivencial, perpetua também o seu “apelido” através dos seus descendentes directos que lhe seguem as pisadas e actualizam o estilo. Se cada um dos que com ele aprenderam a amar e a viver o fado, cante de forma diferente, o sentimento e a garra está-lhes na alma! A essência fadista que herdaram do progenitor.

Três gerações na mesma arte é inédito em Portugal e, segundo cremos, em todo o mundo.

A Alfredo Marceneiro mestre na arte de bem dizer e dividir o verso sucedem-lhe os filhos Carlos Duarte e Alfredo Duarte Júnior, e seu neto Vítor Duarte. 

 

 

 

Carlos Duarte (1921-1966), cantou o Fado apenas como amador, situação que fazia questão de acentuar. Era frequentador assíduo dos retiros de fado amador onde era muito considerado, sendo unânime a opinião de todos quantos o escutavam, que era um grande intérprete do Fado.

Infelizmente deixou-nos prematuramente devido a um acidente, mas foi possível conseguir recolher alguns registos da sua forma de cantar. Podemos neste CD ouvir e apreciar o seu tom bem característico, mas carregado de “Marceneiro”.

 

 

 

Alfredo Duarte Júnior (1924-1999) desde muito jovem, embora contra a vontade do pai, quis seguir a carreira de “cantador de fados”, o que acabou por conseguir a carteira profissional aos 18 anos,  teve  sempre a preocupação de não renegar as origens, criou um estilo próprio, imprimindo às suas interpretações uma coreografia que o levou a ser apelidado de “fadista bailarino”.

Todavia o seu fado é também todo ele carregado de “Marceneiro”

 

 


 

Vítor Duarte, filho de Alfredo Duarte Júnior, começou a cantar como amador, tal como seu tio, no Galito e no Arreda em Cascais.

Cantou em dueto tanto com o pai e como o avô e com ambos gravou. Vítor Duarte Marceneiro tem editado alguns discos, insistindo sempre na sua condição de amador. Também quando canta não enjeita o estilo que lhe está impresso nos genes, e o seu fado é também carregado de “Marceneiro”.

Sendo o que afirma, parafraseando Camões,  “amador de cousa amada” tal o seu empenho e amor à causa fadista que além do canto o levou a abraçar com igual dedicação e empenho, a investigação histórica.

É autor da primeira e única biografia de Marceneiro, “Recordar Alfredo Marceneiro” e ainda da monografia “Alfredo Marceneiro – os Fados que ele cantou”. O seu interesse pelas histórias fadista levou-o a escrever aquela que é, até ao momento, a única biografia de Hermínia Silva.

Na sua área profissional, o audiovisual, produziu em 1979 o programa televisivo para a RTP “Alfredo Marceneiro – 3 Gerações de Fado”, exibido em 14 de Janeiro de 1980.

O futuro nos dirá se nas gerações seguintes se manifestarão também os genes e um outro descendente dê continuidade a esta prática fadista já que o legado Alfredo Rodrigo Duarte, para todos “o Marceneiro”, é perpétuo.

 


 

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APRESENTAÇÃO do DVD MARCENEIRO E GERAÇÂO

A EGEAC EM e a Ovação, juntaram sinergias para a apresentação do DVD  — Alfredo Marceneiro: 3 Gerações de Fado — , no dia 31 de Julho de 2007, no auditório do Museu do Fado. 

Usaram da palavra a anfitriã Drª Sara Pereira - Directora do Museu do Fado, Fernando Matias - Administrador da Etiqueta Ovação, Daniel Gouveia, Investigador e Consultor do Museu do Fado e Vítor Duarte Marceneiro.

Após a apresentação cantaram fados de Marceneiro, Lenita Gentil e Vítor Duarte Marceneiro, acompanhados à guitarra por  Luís Ribeiro. viola de Jaime Martins e  viola-baixo pelo Prof. Joel Pina

 

 

 

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música: Cartão de Visita e O Lenço
publicado por Vítor Marceneiro às 12:21
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DVD de ALFREDO MARCENEIRO - 3 Gerações do Fado

 

 

Foto da Capa do DVD e do Livro Biográfico incluído,

e contra-capa do mesmo

 

Créditos: Realização de Luis Gaspar: (1979)

               Produção e Coordenação: Vítor Duarte (1979)

               Registo magnético e misturas: Vítor Duarte (1979)

               Produção e remontagem: Vítor Duarte (2007)

               Video Clipe Extra; Realização: Vítor Duarte (2007)

               Textos de: Vítor Duarte (2007)

               Maquetização e Capa: Pedro Matias (Ovação 2007)

               Coordenação Geral: Fernando Matias (Ovação 2007)

 

 

Primeiro DVD de Alfredo Marceneiro editado 25 anos após a sua morte

 

Lisboa, 15 Julho de 2007 (Lusa)

    O primeiro DVD de Alfredo Marceneiro, falecido há 25 anos, "Três gerações de fado", surge esta semana no mercado, e recupera um documentário televisivo de 1980, realizado por Luís Gaspar.
    Ao longo do DVD  que inclui como extra o videoclip "O lenço" (Henrique Rêgo/Alfredo Marceneiro), o fadista fala da sua história na primeira pessoa, recorda os primeiros tempos, nomeadamente como o apelido "Marceneiro" se lhe colou ao nome.
    Alfredo Rodrigo Duarte de baptismo acabaria por ser Alfredo Marceneiro em virtude da profissão, o nome artístico ficou consagrado numa tarde de fados na Esplanada do Rato, em Lisboa, que do cartaz faziam parte, entre outros, Alfredo Pinto e Alfredo Correeiro.
    O DVD inclui a participação do seu filho, Alfredo Duarte Júnior que ficou conhecido como "o fadista bailarino", falecido em 1999, e do seu neto Vítor Duarte Marceneiro, que aliás assina a produção televisiva.
    Alfredo Duarte Júnior interpreta "É loucura ser fadista" (Júlio de Sousa) e o neto interpreta com o avô "Amor é água que corre" (Augusto de Sousa/A. Marceneiro).
    "Esta era uma das coroas de glória do meu avô e deu-me um grande gosto e até emoção ter interpretado isso com ele", recordou à Lusa Vítor Duarte Marceneiro que editou em 1995 uma biografia de Alfredo Marceneiro.
    O DVD decorre em ambiente de tertúlia com Alfredo Marceneiro que foi apelidado pela imprensa como "o patriarca do fado", lembra que foi "o primeiro a cantar a meia-luz" e consciente que está a fazer um documentário para a posteridade corrige "gajos" por "fulanos".
    Entre "Há festa na Mouraria" (António Amargo/A. Marceneiro) e "Cabelo branco" (H. Rêgo/A. Marceneiro),"Ti'Alfredo" como era tratado carinhosamente pelos fadistas recorda as suas participações nas cegadas e salienta a importância de bem dizer as palavras e respeitar a pontuação.
    Quanto à forma de cantar, Marceneiro atesta que "cada qual canta à sua maneira" e nisso é que está "a evidência" do fadista.
    Alfredo Marceneiro revela também as suas raízes musicais, o avô materno, fadista e tocador no Cadaval (Concelho do Distrito de Lisboa) e o pai "tocador de trombone ou contrabaixo".
    O DVD é acompanhado de um mini-livro onde se referencia a biografia de Alfredo Marceneiro, os estilos que criou, as diferentes edições de discográficas, com destaque para o LP "The fabulous Marceneiro", e sintetiza-se o historial das "três gerações dedo fado" que aliás intitula o DVD.
    Outros temas que Alfredo Marceneiro interpreta neste DVD são "Eterno bailado" e "Antes que queira não posso", ambos de H. Rêgo e A. Marceneiro, "O Marceneiro" de Armando Neves e Casimiro de Brito, "A minha freguesia" também de Armando Neves e Marceneiro e, de Silva Tavares e Marceneiro, os fados "A casa da Mariquinhas" e "Fado balada".
    NL.

 

 

 

 

                                            GERAÇÃO MARCENEIRO

O Alfredo Marceneiro mestre na arte de bem dizer e dividir o verso sucede os filhos Carlos Duarte e Alfredo Duarte Júnior, e seu neto Vítor Duarte.

Carlos Duarte (1921-1966), cantou o Fado apenas como amador, situação que fazia questão de acentuar. Era frequentador assíduo dos retiros de fado amador onde era muito considerado, sendo unânime a opinião de todos quantos o escutavam, que era um grande intérprete do Fado.

Infelizmente deixou-nos prematuramente devido a um acidente, não fazendo parte deste programa por esse facto.

Alfredo Duarte Júnior (1924-1999) desde muito jovem, embora contra a vontade do pai, quis seguir a carreira de “cantador de fados” embora tendo tido sempre a preocupação de não renegar as origens, criou um estilo próprio, imprimindo às suas interpretações uma coreografia que levou a ser apelidado de “fadista bailarino”.

Vítor Duarte, filho de Alfredo Duarte Jr,, começou a cantar como amador, no Galito e no Arreda em Cascais.

Cantou em dueto tanto com o pai e como o avô e com ambos gravou. Vítor Duarte Marceneiro tem editado alguns discos, insistindo sempre na sua condição de amador. Também quando canta não enjeita o estilo que lhe está impresso nos genes, e o seu fado é carregado de “Marceneiro”.

Sendo o que afirma, parafraseando Camões, afirma-se “amador de cousa amada” tal o seu empenho e amor à causa fadista que além do canto o levou a abraçar com igual dedicação e empenho a investigação histórica.

É autor da primeira e única biografia de Marceneiro, “Recordar Alfredo Marceneiro” e ainda da monografia “Alfredo Marceneiro – os Fados que ele cantou”. O seu interesse pelas histórias fadista levou-o a escrever aquela que é, até ao momento, a única biografia de Hermínia Silva.

Na sua área profissional, o audiovisual, produziu este programa televisivo “Alfredo Marceneiro – 3 Gerações de Fado”, exibido em 14 de Janeiro de 1980.

O futuro nos dirá se nas gerações seguintes se manifestarão também os genes e um outro descendente dê continuidade a esta prática fadista já que o legado Alfredo Rodrigo Duarte, para todos “o Marceneiro”, é perpétuo.

 

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Viva Lisboa: Orgulhoso das minhas origens
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Amália Rodrigues

23 de JULHO  há 87 anos

Nascia

AMÁLIA RODRIGUES

 

É SEMPRE TRISTONHA E INGRATA
QUE SE TORNA A DESPEDIDA
DE QUEM TEMOS AMIZADE
MAS SE A SAUDADE NOS MATA
EU QUERO TER MUITA VIDA
PARA MORRER DE SAUDADES

 

 

As flores que tanto adorava

 

 

 

Obrigado Amália por tudo o que nos deste

Geração de Marceneiro

 

A NOSSA AMALIA E O POVO

 

A nossa Amália morreu

Nosso Povo estremeceu

Com tanto calor e frio

No céu entrou uma Fada

E uma canção magoada

Povo que Lavas no rio.

 

                                                     As avenidas e estradas

                                                     E as pedras das calçadas

                                                     Ficaram todas unidas

                                                     Os rapazinhos choraram

                                                     As andorinhas voltaram

                                                     Sempre de luto vestidas.

 

Os carpinteiros a correr

Foram todos para fazer

As tábuas do seu caixão

Os Anjinhos se juntaram

Os Santinhos se prostraram

Até Deus pediu perdão.

 

                                                      Desde a Rua de São Bento

                                                      Povo Unido, num lamento

                                                      Choravam lágrimas e prantos

                                                      Peregrinos de sandálias

                                                      Consagraram nossa Amália

                                                      E os Poetas eram tantos.

 

A Cidade de Lisboa

Desde Alfama à Madragoa

Desde a Estrela ao Rossio

Varinas de sete saias

Vê lá meu Povo não caias

Povo que Lavas no rio.

 

Poema de: Manuel Luis Caeiro de Pavia

 

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Sábado, 21 de Julho de 2007

FERNANDA BATISTA

 Fernanda Batista canta: Fado das Sombras

 

 FERNANDA BATISTA

                                                                                                                                                                  Fernanda Baptista nasceu em 1920. Já aos dez anos de idade,  a sua paixão  pelo teatro era bem visível,  a jovem Fernanda adorava mascarar-se e entrava já em peças infantis.

Tem a profissão de modista, que abandona, para se dedicar ao Fado.

Estreou no Café Luso, pela mão de Filipe Pinto, no início dos anos quarenta, onde logo teve um êxitto assinalável.

A sua estreia profissional no Teatro de Revista,  ocorreu em 1945, na sequência de um convite do maestro João Nobre para participar na revista "Banhos de Sol", substituindo Leónia Mendes. Foi apenas a primeira de mais de trinta revistas em que participou.

Um dos seus maiores sucessos foi em 1969 na revista “Ena Pá Já Fala” com o fado Saudades da Júlia Mendes.Teve no entanto outros grandes  êxitos como     o "O fado está-lhe nas veias", "Ai, ai, Lisboa", "Fado para esta noite", "Trapeiras de Lisboa", "Fui ao baile", "Fado das sombras", "Um fado para Stuart" e "Fado da carta", etc.

A sua gravação mais recente é de 1981, "Meus amigos, isto é fado", um êxito seu na revista "Dentadinhas na maçã" no Teatro Laura Alves, em Lisboa, em 1974.

Actuou também no Brasil, em Angola e na Argentina e, em 1968, viajou até aos Estados Unidos.

Ao longo de 56 anos de palcos, Fernanda Baptista participou em mais de 45 espectáculos de revista e opereta.

 Recentemente integou o elenco,  do musical de Filipe la Feria "A Canção de Lisboa".

Em 2003 o Presidente da República condecorou-a com a Ordem de Mérito.

 

 

SAUDADES DA JÚLIA MENDES

 

(declamado)

Eu trago a vida suspensa

Das cordas duma guitarra

Mas oiço com indiferença

Quando me vêm dizer

Aquela ideia bizarra

De eu não cantar p' ra viver

 

refrão

 

Ó Júlia

Trocas a vida pelo fado Pelo fado

Esse malandro vadio

Ó Júlia

Olha que é tarde

Toma cuidado

Leva o teu xaile traçado

Porque de noite faz frio

Ó Júlia

Andas com a noite na alma

Tem calma

Inda te perdes p' raí

Ó Júlia

Se estás no mundo vencida

Não finjas gostar da vida

Que ela não gosta de ti.

 

                                               Não fales coração

                                               Tu és um tonto sem razão

                                               Viver só por se querer

                                               Não chega a nada

                                               Aceito a decisão

                                               Que os fados trazem ao nascer

                                               Todos nós temos que viver

                                               De hora marcada

                                               Se Deus me deu voz

                                              Que hei-de eu fazer

                                               Senão cantar

                                               O fado e eu a Sós

                                               Queremos chorar

                                               Eu fujo não sei bem

                                               De quê, do mundo ou de ninguém

                                               Talvez de mim

                                               Mas oiço alguém

                                               Dizer-me assim:

 

Refrão

 

 


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música: Fado das Sombras
publicado por Vítor Marceneiro às 00:47
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Domingo, 15 de Julho de 2007

O Barco vai de saída - Poema e música de Fausto

 

 

O BARCO VAI DE SAÍDA 

Poema de: Fausto

 

O barco vai de saída

Adeus ó cais de Alfama

Se agora vou de partida

Levo-te comigo ó cana verde

Lembra-te de mim ó meu amor

Lembra-te de mim nesta aventura

Pra lá da loucura

Pra lá do equador

 

Ah mas que ingrata ventura

Bem me posso queixar

Da Pátria a pouca fartura

Cheia de mágoas ai quebra-mar

Com tantos perigos ai minha vida

Com tantos medos e sobressaltos

Que eu já vou aos saltos

Que eu vou de fugida

 Sem contar essa história escondida

                                    Por servir de criado essa senhora

                                    Serviu-se ela também tão sedutora

                                    Foi pecado

                                    Foi pecado

                                    E foi pecado sim senhor

                                    Que vida boa era a de Lisboa

                                    Gingão de rota batida

                                    Corsário sem cruzado

                                    Ao som do baile mandado

                                    Em terras de pimenta e maravilha

                                    Com sonhos de prata e fantasia

                                    Com sonhos da cor do arco-íris

                                    Desvairas se os vires

                                    Desvairas magia

 

Já tenho a vela enfunada                              

Marrano sem vergonha

Judeu sem coisa nem fronha

Vou de viagem ai que largada

Só vejo cores ai que alegria

Só vejo piratas e tesouros

São pratas são ouros

São noites são dias

Vou no espantoso trono das águas

Vou no tremendo assopro dos ventos

Vou por cima dos meus pensamentos

Arrepia

Arrepia

E arrepia sim senhor

Que vida boa era a de Lisboa

 

­                                                O mar das águas ardendo

O delírio dos céus

A fúria do barlavento

Arreia a vela e vai marujo ao leme

Vira o barco e cai marujo ao mar

Vira o barco na curva da morte

Olha a minha sorte

Olha o meu azar

 

E depois do barco virado

Grandes urros e gritos

Na salvação dos aflitos

Esfola

Mata

Agarra ai quem me ajuda

Reza

                                                 Implora

                                                 Escapa ai que pagode

                                                 Reza

                                                 Tremem heróis e eunucos

                                                  São mouros são turcos

                                                  São mouros acode

Aquilo é uma tempestade medonha

Aquilo vai pra´lá do que é eterno

Aquilo era o retrato do inferno

Vai ao fundo

Vou ao fundo

E vai ao fundo

Que vida boa era a de Lisboa


Navegar, Navegar
Autoria: Fausto
 
Navegar, navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar, navegar
 
                                             Quem conquista sempre rouba
                                             Quem cobiça nunca dá
                                             Quem oprime tiraniza
                                             Naufraga mil vezes
                                             Bonita eu sei lá
                                             Já vou de grilhões nos pés
                                             Já vou de algemas nas mãos
                                             De colares no pescoço
                                             Perdido e achado
                                             Vendido em leilão
                                             Eu fui a mercadoria
                                             Lá na praça de Mocá
                                             Quase às avé-marias
                                             Nos abismos do mar
                                             Navegar, navegar...
 
Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
De cima e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar
 
                                             Navegar, navegar...
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música: O Barco Vai de Saída
publicado por Vítor Marceneiro às 23:28
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

Recordar CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CARLOS RAMOS

Carlos Ramos Canta "Biografia do Fado"

Letra e Música de Frederico de Brito 

 

CARLOS RAMOS 
 
 
Nasceu no bairro de Alcântara   a 10 de Outubro de 1907, e faleceu  em Novembro de 1969.
Desde muito novo corria os locais do seu bairro, Alcântara, onde houvesse fadistices sempre acompanhado pela sua guitarra, para alinhar na fadistice .
Torna-se profissional em 1944 pela mão de Filipe Pinto e estreia no Café Luso com uma letra do repertório de Alfredo Marceneiro, "Senhora do Monte" com  música deste, e letra de Gabriel de Oliveira, foi decerto este fado que logo no inicio  mais contribui para a sua popularidade, e lhe deu mais nome, o próprio criador do tema, Alfredo Marceneiro o aplaudiu nessa exibição sem qualquer rivalidades, eram dois bons amigos.
 
 
Carlos Ramos, não prescindindo dos acompanhadores habituais acompanhava-se sempre tocando a sua guitarra.
Foi como guitarrista muito solicitado no Teatro de Revista.
Trabalhou na Tipóia e na Tágide.
Carlos Ramos, era um homem afável, de espírito aberto e gentil, teve e tem grandes admiradores, criou um estilo muito próprio que fez escola, tem muitos seguidores do seu vasto repertório e do seu estilo, tinha uma voz doce, atraente  e sedutora, exprimindo ao cantar tal sentimento,  que tudo aquilo que dizia era  Fado.
Foi proprietário de um restaurante típico no Bairro Alto a que deu o nome de: A TOCA DE CARLOS RAMOS., que foi frequentada por toda as gentes do Fado quer artistas, quer clientes, destaca-se dos seus contratados, Alfredo Marceneiro e Maria do Espírito Santo.
Relembremos alguns dos seus êxitos: Não Venhas Tarde. Aquela Feia, Café de Camareiras, Chinelas da Mouraria, O amor é louco, Lisboa é Sempre Lisboa, Biografia do Fado, Anda o Fado noutra Bocas, Tempos Antigos, etc .
Compôs uma música para um fado a que deu o título "Fado Olga"
Tem bem um lugar na História do Fado de dos fadistas.

Carlos Ramos e Alfredo Marceneiro
 
 

 

Se há fadista que deva ser lembrado, Carlos Ramos é um deles, este ano em que se comemora o "Centenário do seu Nascimento", espero que se faça algo de digno.

Já tarda uma justa homenagem da sua Cidade ou Freguesia, dando o seu nome a uma rua.

Tive a felicidade de há pouco conhecer o seu neto, que se sente com é normal angustiado com a falta de gratidão do "Mundo Fadista", nomeadamente os imensos imitadores e utilizadores da sua escola e repertório.

Neste blog peço como ajuda que me visitem, façam criticas se acharem necessário, mandem-me letras de Lisboa para que possamos por "LISBOA NO GUINESS "

Permitam-me mais um pedido que será talvez uma forma de pressão, a quem de direito (como sabem destas coisas de Fado, os outros, os tais é que decidem), assinem nos comentários desta página, deixem a vossa opinião, será uma grande ajuda.

Obrigado amigos.

Obrigado Carlos Ramos pelos belos momentos que nos proporcionou .

VAMOS HOMENAGEAR CARLOS RAMOS NO CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO

Um Abraço Fadista

Vítor Marceneiro

 

 

GAIVOTAS 
Repertório de Carlos Ramos 
Letra e música de : Alves Coelho Filho
 
                                   
                                       Um bando de gaivotas maneirinhas
                                              Voando em voos francos,
                                            Por entre os mares e os céus;
                                    Agitam suas asas tão branquinhas,
Lembrando lenços brancos
A dizerem adeus;
E sempre por capricho original
Essas gaivotas vão
Até ao fim da rota;
E d´hora a hora no mastro real
Sem luta sem questão
Descansa uma gaivota!
 
Estribilho
 
Gaivotas
Mensageiras sem ter par,
Que levam de Lisboa
Saudades para além mar;
Gaivotas
Que voando sempre à toa
Nos trazem d´além mar
Saudades para Lisboa !
 
Voando sem cansaço, sem fadiga,
Acompanhando as naves
Lá vão cumprindo a lida;
Dos velhos marinheiros, há quem diga,
Que essas mesmas aves
Regressa à partida
Por isso as gaivotas maneirinhas
Voando em voos francos
Por entre os mares e os céus;
Parecem lenços brancos
A dizerem adeus !
 

 

 


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música: Biografia do Fado
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

MARIA ALBERTINA

Maria Albertina canta: Quem Canta

Letra de Jerónimo Guimarães e Música: Domingos Costa

 

MARIA ALBERTINA

Maria Albertina Soares de Paiva, nasceu em Ovar no ano de 1909.

Maria Albertina quando jovem ainda na terra natal cantava Fado de Coimbra.

É em Lisboa que inicia a sua carreira artística, descoberta pelo Maestro Macedo de Brito, que apadrinhou a sua entrada no Teatro Maria Vitória, onde se estreou em 1931 na opereta “História do Fado”, ao lado de Berta Cardoso e Maria das Neves.

È convidada para fazer parte do cartaz na “Grandiosa Festa do Fado” em homenagem ao popular poeta João da Mata, que se efectuou no Salão Jansen em 7 de Fevereiro de 1931.

Em 1933 tem uma intervenção no filme “Canção de Lisboa”, cantado o “Fado dos Beijos Quentes”.

Em 1934 na revista “Vista Alegre” faz o quadro do Malhoa com Carlos Ramos

Ainda em 1935, o seu maior sucesso é o “Fado da Sardinha Assada”, da revista de com o mesmo nome, seguiram-se revistas como: Viva a Folia, Feira de Agosto, Olaré quem Brinca o Liró.

Fez ainda as operetas “ O Miúdo do Terço, “Coração de Alfama” e “Nazaré”.

Em 1941 entra na Grande Marcha de Lisboa.

Em 1943 é cabeça de cartaz na revista “O Dia da Espiga”,

Abandona a revista e passa a cantar nas casas típicas, intercalando com algumas saídas ás Ilhas e ao estrangeiro, Espanha, Brasil, Argentina, E.U.A., Canadá.

Representou o folclore português na Grande Exposição Internacional de Paris.

Ainda em Paris no Restaurante Típico da Clara d´Ovar, tem um êxito estrondoso.

Actua na”Festa de Despedida de Alfredo Marceneiro” levada a efeito no S. Luís em 25 de Maio de 1963.

Sendo uma apreciada fadista, fez durante 20 anos parte do elenco da casa de fados de Lucília do Carmo, “O Faia”

O seu repertório para além do folclore incluía Fados como: Chico da Mouraria, Sou Fadista, Duas Gémeas, Fado Albertina, Fado Luso, Belos Tempos Outrora
Mãe do popular locutor de rádio e televisivo Cândido Mota, que é decerto um dos nossos mais brilhantes locutores, o Cândido não canta o Fado, mas tem uma “Alma Fadista”

Maria Albertina, faleceu em Lisboa a 27 de Março de 1985

O FADO DA SARDINHA ASSADA

 

                                                      I

 

                                                      A bela sardinha assada

                                                      Um dia, fora de portas,

                                                      Foi pelo povo coroada

                                                      Como a rainha das hortas.

 

Nas feiras e ramboiadas

Faz boca à pinguinha; e os pilhas,

Pelas sardinhas assadas,

Até vão p' ra Cacilhas!

Basta só uma sardinha

Uma guitarra, uma trova,

P'ra apanhar uma tosguinha

Daquelas de caixão à cova.

 

                                                       II

 

                                                       Com pimentos à mistura

                                                       A murraça até desanda

                                                       Que a gente vai de banda!

                                                       E apanha uma grossura!

 

Sardinha assada tem fama

De ser petisqueira chalada,

Mas assim que ela se escama,

Muita vez há chapada!

As vezes se está com a telha,

Ao ver a gente com fome

Dá quatro pulos na grelha,

Deixa-se arder... ninguém a come!

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música: Quem Canta
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

LISBOA VISTA DO CÉU - Jaime Cortesão (1923)

Variações à Guitarra por  José Nunes sobre o

Fado Ana Maria

  

LISBOA VISTA DO CEU 

IMPRESSÕES DE UM VOO DE AVIÃO

 

Poema de: Jaime Cortesão (1923)

 

"Ó!, Lisboa do Tejo e das viagens,

Onde é mais fundo o Céu, há mais azul.

Perspectivas de sonho e de miragens,

Já voei sobre ti, fui alma exul,

— Pasmavam os navios junto à amarra.

Estiravam-se os serros contra o sul,

Riam ondinas alvas para a barra!

 

                                        Rias, e eu ri, lá donde as águias pairam;

                                        Nunca tão fundo riso em vida ri.

                                        Meus olhos inda, atónitos, desvairam,

                                        Ao rever-te da altura a que me ergui.

                                        O ser humano, em sua exiguidade,

                                        É pó, já não existe, acaba ali:

                                        Some-se o homem; ergue-se a cidade.

 

Vi lá em baixo, e duvidei da vista,

Parada a sombra pálida das asas,

Enquanto um alto monte, desde a crista

À base se encurvava e pelas rasas

Planuras abatia em torva espuma.

Fitei o olhar: já não se viam casas;

Dobravam-se as colinas, uma a uma.

 

                                       Dobravam-se aos galões, como o possante

                                       Oceano em seu vaivém, quando onda após

                                       Onda balouça; e eu era tão distante

                                       Que, parado, te via andar veloz;

                                       Dos homens nem a sombra lá no fundo;

                                       Só tu ganharas ser e, em vez de nós,

                                       Caminhavas agora sobre o Mundo.

 

Caminhavas ligeira, que eu bem via,

E, quanto mais as asas me libravam,

Mais fundo o olhar no abismo se embebia

E as coisas mais a custo se enxergavam.

E, ao baloiçar violento no vazio,

Eram as velas brancas que acenavam

Duma varanda em pé - o azul do Rio.

 

                                        De súbito caí num desses poços

                                        Do ar, e vi teu vulto milenário

                                        Dum tom sangrento, a carne sobre os ossos

                                        Como o rosto de Cristo no sudário;

                                        E tu, crucificada na amplidão,

                                        — Cada colina em sangue era um Calvário,

                                        ­Sofrias sete vezes a Paixão!

 

Vi-te com fundos golpes lacerada

Pela dor, pelo tempo que destrói:

O Castelo sem paço, a Sé tombada,

A Ribeira sem naus (como isto dói!);

Era o Carmo em ruína um mausoléu,

Que destaparam para ver o Herói

E, trágico, ficou de ossos ao léu!

 

                                        Baixei o olhar entre o Castelo e o Carmo

                                        E d'aí ao Terreiro, e logo veio

                                        Não sei que frio súbito gelar-mo;

                                        Cortam-te sulcos hirtos pelo meio,

                                        E bem se vê, de fundos, quem os fez:

                                        Da praça aos cinco golpes do teu seio

                                        Gravam-se a palma e os dedos do Marquês.

 

Segui e à beira d'água, mais além,

Como antigas ossadas de gigantes,

Vi o mosteiro e a torre de Belém;

E, em baixo, pela praia, os mareantes,

Levando uma ave enorme para o vau,

Agitavam-se inquietos, como dantes,

Ao desfraldar as velas duma nau.

 

                                        E sob um arco de triunfo aberto

                                        (Via-se à barra o arco da Aliança)

                                        Encarnando o fantasma do Encoberto,

                                        Em corpo de saudade e de esperança,

                                        Sopro de luz, de vento e azul etéreo,

                                        Larguei à desfilada, erguendo a lança

                                        Pelas planícies desse Quinto Império.

 

E ao longe o vulto, eu bem te vi erguê-lo.

Oh! Lisboa dos Mares, de monte a monte,

Desde o Castelo à praia do Restelo;

Poisaram-te Os Lusíadas defronte,

Sonhavas o que foste, mas não és:

Então tocaste as nuvens com a fronte

E o Tejo, manto azul, caiu-te aos pés

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Domingo, 8 de Julho de 2007

FADO TRADICIONAL DE LISBOA por Luis Penedo

Pedi ao Engº Luis Penedo, dignº Presidente da Academia Portuguesa da Guitarra e do Fado, também conselheiro do Museu do Fado, que cedesse este seu trabalho  com a autorização para o publicar, porque se trata de um estudo/análise  muito interessante sobre o Fado Tradicional... que nós tanto gostamos.

Ao que ele respondeu com o envio do mesmo:

Victor

Claro que tenho até muito gosto em que publique no seu blog, e divulgue, como entender. Como deve saber, a evolução faz-se pela diferenciação o que quer dizer que na medida em que a complexidade aumenta as definições têm de ser claras e precisas. Se queremos proteger esse magnifico património do Séc XX, fundamentalmente, temos de o caracterizar. Foi esse o objectivo.

Esta definição (descritiva, pois não estamos em matemática) é um primeiro passo. Ignorar as diferenças, misturar tudo e baralhar o conhecimento é, naturalmente, coisa de ignorantes. Sem prejuízo dos outros tipos de Fado, aliás referidos na matriz de separação, cujo interesse, sobretudo a nível pluricultural, é grande e pertinaz. A definição foi iniciativa minha, que a assino e assumo a responsabilidade, mas teve contributos interessantes de outros membros do Conselho Consultivo da CFGP, sobretudo no esclarecimento do significado das expressões, nomeadamente do Daniel Gouveia e da Julieta de Castro.

Um abraço 

Luís Penedo

 FADO TRADICIONAL DE LISBOA

O Fado Tradicional de Lisboa, peça singular do Património da Cidade de Lisboa, define-se na sua FORMA e no seu CONTEÚDO.

No que respeita à FORMA podemos considerar a linguagem física (gestual e facial), a linguagem oral (palavra e musicalidade fonética) e a linguagem musical.

Assim, temos em primeiro lugar a mais básica das formas de comunicação, comum à maior parte dos seres vivos, estabelecida na linguagem corporal gestual e facial que, no caso dos seres humanos, se traduz por uma muito complexa teia de sinais.

Em segundo lugar temos a linguagem oral, que é a complexa comunicação pela palavra produzida oralmente, mas que engloba, para além dos significados directos (digamos, literários) da língua, a entoação, as diferenças de intensidade sonora, a rapidez de pronúncia, o significado variável do uso da tessitura utilizada, etc., ou seja a musicalidade básica da voz, que existe independentemente do conceito de música.

 A palavra, aqui, é a poesia de versos de métrica constante ou regular, de sete, dez e doze sílabas (incluindo o verso alexandrino), estruturados em estrofes regulares de quatro, cinco, seis ou dez versos e, para que seja utilizável como linguagem do Fado Tradicional de Lisboa, deve ser passível de conter um batimento coincidente de sílabas tónicas e uma história encadeada no contexto de uma mensagem com uma moral conclusiva.

Esta regularidade, poética, que inclui o versículo e os fados de versos combinados mas sempre regulares,  permite a utilização de estruturas tonais padrão. Não se trata pois de uma manifestação de divertimento, mas sim de uma comunicação com significado, em que não é a expressão oral que serve de apoio à música, mas a música, que serve de apoio à palavra.

E, em terceiro lugar, os sons ditos musicais, produzidos pela própria voz como instrumento musical ou por instrumentos musicais.

Aqui, a música, que a partir do século XVI  adopta a estrutura tonal, começa naturalmente pela mais simples estrutura tonal, deixando ao intérprete a máxima liberdade para entoar à sua maneira e “estilar” o que, em Fado Tradicional, significa improvisar permanentemente a melodia sobre essa estrutura básica (tónica e dominante). É assim com o Fado Corrido Maior, com o Fado Corrido Menor e com o Fado ao Desafio, ou Mouraria, ou Fado à Desgarrada (conforme a utilização que a expressão oral assuma).

A partir de meados do Século XIX, surgiram os ornamentos tonais que acabaram por se consolidar em estruturas mais complexas sem se perder, no entanto, a forma de expressão regular, e que conduziram até hoje à existência de algumas centenas de estruturas tradicionais consolidadas.

 No que respeita ao seu CONTEÚDO, a mensagem é um sentir pessoal, emoção humana, real, experimentada, o que, por difícil ou quase impossível de transmitir, requer uma aplicação de todas as linguagens possíveis em simultâneo. A mensagem (literária) contida na letra joga aqui um papel decisivo, pois ou trata de questões humanas, histórias de vida, ou se refere a emoções e sentires, ou não se trata de Fado Tradicional de Lisboa.

A mensagem, na sua totalidade, deve ser coerente e harmónica em todas as linguagens referidas, sem o que o intérprete falha o seu objectivo e a comunicação traduzirá apenas um tecnicismo teatral.

Sem mensagem emocional o conteúdo perde-se e a transmissão pelas linguagens referidas resume-se a um exercício de técnicas de comunicação. Teremos, contudo de considerar não apenas as situações extremas mas também as intermédias que definirão um valor qualitativo para a interpretação.

O Fado Tradicional de Lisboa é, portanto, uma interpretação completa e complexa que, para além das técnicas adequadas de comunicação nestas três linguagens, algumas de aprendizagem prática, longa e difícil como para qualquer arte, requer a própria condição da comunicação humana: a mensagem do sentir.

Nesta acepção é uma preciosidade, não por ser ou deixar de ser uma inovação, mas por representar um sistema total de comunicação humana, num ambiente urbano, com recursos a formas características da Antiguidade, mas numa combinação moderna, que hoje se perdeu noutras culturas.

O Fado Tradicional de Lisboa manteve-se na expressão do sentir. É isso que se torna sensível a quem o ouve sem saber português, pois a comunicação expressa-se a todos os níveis simultaneamente e a mensagem humana completa ultrapassa (no sentir) a barreira da linguagem oral (apenas a letra não é entendida).

O quadro seguinte mostra as diferentes formas relacionadas à volta do Fado Tradicional.

Nome

Tema de fado

Poesia Regular

Refrão

Música

Fado Tradicional de Lisboa

sim

sim

não

improviso

Fado com Refrão/de Revista

sim

sim

sim

improviso

Fado Musicado

sim

sim

não

própria

Fado Musicado

sim

sim

sim

própria

Fado Musicado

sim (*)

não

não

própria

Fado Canção

sim (*)

não

sim

própria

Canção de Improviso

não

não

não

improviso

Canção de Improviso

não

não

sim

improviso

 (*) Só se tiver tema de fado, ou seja, descrição de vida humana, tem sentido considerar como pertencendo ao Fado o Fado Canção ou o Fado Musicado, ambos de poesia irregular e com música própria.

 
CARACTERÍSTICAS SINGULARES DO FADO TRADICIONAL DE LISBOA

O Fado Tradicional de Lisboa é uma matriz na qual estão incluídos os seguintes elementos diferenciadores em relação a outras formas de expressão poético-musical, mesmo próximas deste:

  1. O Fado Tradicional de Lisboa é uma interpretação baseada fundamentalmente na emoção e no sentir pessoal. Neste sentido é uma complexa comunicação humana e serve para transmitir e partilhar emoções e sentires.
  2. No Fado Tradicional de Lisboa, os versos são regulares. Essa regularidade estende-se ao número de versos por estrofe. Existem casos de regularidade mais complexa que continuam, no entanto, a permitir a utilização de sequencias tonais a várias poesias diferentes.
  3. Em virtude da regularidade dos versos, um Fado Tradicional de Lisboa pode ser cantado em formas diferentes de suporte musical, isto é, qualquer letra de quadras, por exemplo, pode ser cantada em muitos “fados” (matriz musical), escolhendo-se, normalmente, uma variante que melhor se enquadre nas palavras, na sua divisão e no próprio conteúdo dos versos. A regularidade da estrutura poética permite a independência do intérprete relativamente à forma musical que prefere utilizar.
  4. A poesia para o Fado Tradicional de Lisboa requer um batimento coincidente de vogais fortes (tónicas) em cada verso, para que a memória neles se enquadre e suporte constantemente (tal como nas lenga-lengas). A boa maneira de cantar implica saber dividir bem o verso, para que este batimento se não perca e sem nunca partir palavras a meio, o que contribuiria para tornar confuso o significado da mensagem oral.
  5. A interpretação é, no Fado Tradicional de Lisboa, um acto artístico e de recriação, por excelência, e não pode ser imitado, ainda que o Fado possa ser igual, na poesia e na matriz musical. Trata-se, quando genuíno, de um acto de interpretação criativa que expressa emoções e, portanto, inimitável.
  6. O Fado Tradicional de Lisboa implica um improviso constante pois ninguém sente exactamente o mesmo duas vezes. Este improviso depende do estado de alma em cada momento, do intérprete e de quem está presente. É uma dádiva artística e não uma mera reprodução, cópia de outra interpretação.
  7. O Fado Tradicional de Lisboa não utiliza o refrão, pois trata-se de uma letra regular, embora se possam aceitar por vezes repetições de versos, desde que a estrutura poética e melódica simples não seja alterada com a introdução de um novo esquema musical para o refrão.
  8. O Fado Tradicional de Lisboa tem um sentido moral ou filosófico na sua letra, reminiscência das histórias antigas ou dos conceitos traduzidos em versos simples.
  9. O Fado Tradicional de Lisboa requer o estabelecimento de um ambiente apropriado, de ligação entre o intérprete e a sua audiência, o que o distancia das formas urbanas típicas. Tem um ritual, que as canções na sua forma urbana já perderam:

a)      O silêncio de quem ouve, pois trata-se de uma mensagem humana complexa;

b)      A concentração do intérprete e a atenção da audiência para a comunicação;

c)      A noite, mais propícia à partilha do sentir;

d)      Uma pequena audiência;

e)      A ligação específica e singular com os seus instrumentos, a Guitarra Portuguesa de Lisboa, e a Viola de Fado.

f)        Existem cerca de 400 formas estabelecidas, mas novas podem vir a produzir--se.

Não pode haver confusão entre o termo Tradicional e o termo Antigo. O Fado Tradicional de Lisboa corresponde a uma matriz e podem sempre produzir-se novos fados tradicionais desde que a matriz seja respeitada.

 

SINGULARIDADES da ligação com a Guitarra Portuguesa de Lisboa e a Viola

 

1.      Instrumento único no mundo, EXISTEM DOIS TIPOS EM PORTUGAL, Lisboa tem um, Coimbra tem outro tipo.

2.      Afinação singular destinada a produzir efeitos de sonoridade

3.      Capacidade de transposição permanente de tons base, como necessária capacidade técnica para o acompanhamento do Fado Tradicional de Lisboa

4.      A Viola serve para a marcação do compasso, colorindo as passagens das mudanças tónicas com melodia nos graves, sem exageros e com, fundamentalmente, tonalidades básicas.

5.      A Guitarra Portuguesa (de Lisboa) acompanha e desafia permanentemente o cantor a improvisar, como a própria Guitarra o faz. O acompanhamento da Guitarra, embora dentro de limites, permite e pede a improvisação nos silêncios da voz. 

 

Luís Filipe Penedo

Versão de Novembro de 2005

 

 

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Sábado, 7 de Julho de 2007

VICENTE DA CÂMARA

Menina das Tranças Pretas

Letra de. Vicente da Câmara Música de: Lino Bernardo Teixeira

VICENTE DA CÃMARA

D. Vicente Maria do Carmo da Câmara, conhecido artisticamente por Vicente da Câmara, nasceu em 1928, em Lisboa na freguesia de Santa Catarina.

É Bisneto do dramaturgo, poeta e jornalista D. João da Câmara, que distinguiu-se desde novo pelo seu estilo pessoal (Fado das Caldas), que ninguém conseguiu até hoje imitar.

Vicente da Câmara estreou-se em público em 1948, com 20 anos na Emissora Nacional.

Acompanhando-se à guitarra, Vicente da Câmara mantém a tradição do fidalgo fadista, fiel ao fado castiço, não dispensando os outros acompanhadores.

Gravou vários discos com um repertório muito próprio para o seu estilo de cantar.

Vicente da Câmara cantou em festas e espectáculos por todo o País (incluindo Açores e Madeira), em Angola, Moçambique, África do Sul, França, Alemanha.

Actuou no S. Luís na Festa de Homenagem a Alfredo Marceneiro em 1963.

Em 1983/1984, em Hong-Kong, China Continental e Macau, território aonde voltaria outras vezes, a última delas em 1990.

Tem um filho que lhe segue as pisadas José da Câmara.

Teve um enorme êxito com o Fado das Caldas, mas dos seus fados mais conhecidos, com letra da sua autoria é decerto:

 

A MODA DAS TRANÇAS PRETAS

 

Como era linda com seu ar namoradeiro,

'Té lhe chamavam menina das tranças pretas.

Pelo Chiado caminhava o dia inteiro

Apregoando raminhos de violetas.

 

                              E as raparigas de alta-roda que passavam

                              Ficavam tristes a pensar no seu cabelo.

                              Quando ela olhava, com vergonha disfarçavam,

                              E pouco a pouco todas deixaram crescê-lo.

 

Passaram dias e as meninas do Chiado

Usavam tranças enfeitadas com violetas.

Todas gostavam do seu novo penteado

E assim nasceu a moda das tranças pretas.

 

                              Da violeteira já ninguém hoje tem esperanças.

                              Deixou saudades, foi-se embora, e à tardinha

                              Está o Chiado carregado de mil tranças,

                              Mas tranças pretas, ninguém tem como ela tinha.

 

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música: Menina das Tranças Pretas
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

TERESA SILVA CARVALHO

"Amar" 

Florbela Espanca e Teresa Silva Carvalho

 
 
 TERESA SILVA CARVALHO
Aos 18 anos já tocava acordeão e cantava o Fado Hilário e o Fado do Ciúme, nas festas da aldeia, por vezes também acompanhada à guitarra e à viola pelo pedreiro e o sapateiro da aldeia.
Participa, por duas vezes, no programa Nova Onda, de Maria Leonor, onde entre outros canta “ O Velho Fado do Castanheiro”.
Em 1965 desloca-se ao Brasil, onde é convidada pela primeira vez para actuar na televisão.
Actua com frequência em restaurantes típicos portugueses, é ainda no Brasil, que recebe o primeiro convite para gravar.
De regresso a Portugal, é convidada por João Fereira da Rosa a actuar na Taverna do Embuçado, onde se manteve uma série de anos como primeira figura.
Em 1970   recebe o Prémio de Imprensa, destinado à Revelação de 1969.
O seu repertório tem como base os poemas de alguns dos maiores nomes da literatura portuguesa.
Teresa Silva Carvalho canta e grava o tema “Ó Rama, Que Linda Rama” da autoria de Vitorino, que foi decerto o maior êxito da sua carreira, teve ainda entre muitos os êxitos “Canção Grata”, “Barca Bela” e “Amar”, etc.
O  entusiasmo que Teresa Silva Carvalho entregou, durante a sua vida, ao canto, com uma voz invulgarmente talentosa e uma escolha de raro critério de autores e compositores, deixou uma obra do maior nível no panorama da música popular portuguesa.
 A par da actividade artística, Teresa Silva Carvalho abraçou vocações paralelas, que preenchiam as suas ambições. É assim que se inscreve no “Curso da Escola de Hotelaria” que acaba com distinção, dando-lhe oportunidade de ter desempenhado funções em várias empresas do ramo de hotelaria e turismo.
Escolheu, voluntariamente, a sua retirada da vida artística.
Actualmente, vive entre a sua casa de Lisboa e  Cernache de Bonjardim, onde tem casa que fora de seu bisavô, dedica-se à leitura, à contemplação e ao cultivo de flores, passeia e fotografa constantemente.
Guardo uma bela recordação de Teresa Silva Carvalho, pela sua simpatia pessoal, educação esmerada e uma sensibilidade fora do comum.
Fui produtor e realizador de dois Tele –Discos para a sua editora “Orfeu” e que passaram na televisão no programa “Festa da Música”
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música: Amar
publicado por Vítor Marceneiro às 22:03
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007

PEDRA FILOSOFAL de António Gedeão

ELES AINDA NÃO SABEM,

ELES AINDA NÃO SONHAM,

ELES NUNCA VIRÃO A SABER

ELES NÃO CONSEGUEM ENTENDER

PEDRA FILOSOFAL

 

Eles não sabem que o sonho

É uma constante da vida

Tão concreta e definida

Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta

Em que me sento e descanso

Como este ribeiro manso

Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos

Em que verde e oiro se agitam

Como estas aves que gritam

Em bebedeiras de azul

 

                                                                 Eles não sabem que o sonho

                                                                 É vinho, é espuma, é fermento

                                                                 Bichinho alacre e sedento

                                                                 De focinho pontiagudo

                                                                 Num perpétuo movimento

 

 

Eles não sabem que o sonho

É tela, é cor, é pincel

Base, fuste ou capitel

Arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral

Contraponto, sinfonia

Máscara grega, magia

Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante

Rosa-dos-ventos, Infante

Caravela quinhentista

Que é Cabo da Boa Esperança

Ouro, canela, marfim

Florete de espadachim

Bastidor, passo de dança

Columbina e Arlequim

Passarola voadora

Pára-raios, locomotiva

Barco de proa festiva

Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar

Ultra-som, televisão

Desembarque em foguetão

Na superfície lunar

 

                                                         Eles não sabem nem sonham

                                                         Que o sonho comanda a vida

                                                         Que sempre que um homem sonha

                                                         O mundo pula e avança

                                                         Como bola colorida

                                                         Entre as mãos de uma criança

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publicado por Vítor Marceneiro às 17:00
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