Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

SOMOS LIVRES!

 

ou GAIVOTA, foi uma canção que andou na boca de todos nós,  logo após a "Revolução dos Cravos". Foi desaparecendo, tal como se iam esfumando as nossas esperanças. 

É certo que ganhámos a "Liberdade de Expressão", mas seremos realmente livres?

Começa-se novamente a relembrar esta extraordinária canção, que Ermelinda Duarte compôs, será um sinal de mudanças de pensamento e de atitudes.

Fiquei muito feliz quando a minha filha mais pequena me chegou a casa a cantar este tema, porque  a tinha aprendido no infantário, mas curioso também, foi saber que a professora de música do meu filho,  no básico, também a anda a ensinar...

Sinais de mudança?... veremos!

 
 
 
 
 
 
Somos Livres
 
Música, letra e interpretação de Ermelinda Duarte
 
Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
 
                         Ontem apenas
                         fomos o povo a chorar
                         na sarjeta dos que, à força,
                         ultrajaram e venderam
                         esta terra, hoje nossa,
                         esta terra, hoje nossa
 
Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
 
                        Uma papoila crescia, crescia,
                        grito vermelho
                        num campo qualquer.
                        Como ela somos livres,
                        somos livres de crescer,
 
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
 
                       Somos um povo que cerra fileiras,
                       parte à conquista
                       do pão e da paz.
                       Somos livres, somos livres,
                       não voltaremos atrás.
 

 

 

 

Versão integral cantada pela autora Ermelinda Duarte

 

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música: Somos Livres de Ermelinda Duarte
publicado por Vítor Marceneiro às 22:37
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

ALFREDO MARCENEIRO - Morreu - O Fado está de luto

 

Alfredo Marceneiro faleceu na sua casa pelas sete horas da manhã do dia 26 de Junho de 1982, contava 91 anos.

O seu corpo esteve em câmara ardente, na Igreja de Santa Isabel, sendo apostas na urna a Bandeira Nacional e a bandeira da cidade de Lisboa por iniciativa do, então, Presidente da edilidade Engº Krus Abecassis e ainda uma guarda de honra permanente prestada pelos Soldados da Paz do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa.

O Padre designado para fazer as exéquias do funeral de Alfredo Marceneiro desconhecia de todo a sua obra, mas impressionado com os milhares de pessoas presentes no velório, quis esclarecer-se sobre a sua figura. Levou a noite a escutar o José Pracana e este tão eloquentemente lhe falou do seu querido amigo "Ti Alfredo", que no dia do funeral, o Padre ao dizer a Missa de Corpo Presente, ele próprio com as làgrimas nos olhos enalteceu a sua imagem de lisboeta e fadista, amante da sua cidade e da sua freguesia E a todos surpreendeu, quando recitou os versos que Marceneiro tantas vezes cantou, da autoria de Armando Neves:

 

A MINHA FREGUESIA

 

Se os cantadores todos, hoje em dia

Ruas e bairros cantam, de nomeada

Eu cantarei á minha freguesia

A de Santa Isabel tão afamada

 

Freguesia gentil que não tem par

É talvez de Lisboa, a mais dilecta

De D. Diniz, a rua faz lembrar

O esposo de Isabel o Rei poeta

 

Lembra a Rainha Santa, quando vinha

Transformar o pão em rosas, com fé tanta

Ela que Santa foi, menos Rainha

Mas foi entre as Rainhas, a mais Santa

 

Freguesia onde enfim, moro também

Onde sempre pisei honrados trilhos

Nela casou a minha querida mãe

E nela é que nasceram os meus filhos

 

Que Deus me dê a graça, a alegria

Na vida tão cheiinha, de desgostos

A vir morrer na minha freguesia

Como um soldado morre no seu posto

 

Assim, até na sua morte o Fado acontecia. Cumpriu-se o desejo que Alfredo Marceneiro cantava nos versos escritos pelo poeta Armando Neves.

É de realçar, que não havendo espaço no talhão dos artistas no Cemitério dos Prazeres, a Câmara Municipal de Lisboa, disponibilizou um gavetão perpétuo para repouso dos seus restos mortais.

Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre que apesar de ser proibido se efectuou a pé, numa sentida manifestação de pesar desde Santa Isabel até ao Cemitério dos Prazeres. Guitarristas dedilharam os seus instrumentos, durante todo o percurso, " a sua Marcha" em tom dolente e magoado, que mais parecia um choro de guitarras.

O Povo de Campo d´Ourique estendeu colchas nas janelas, numa homenagem singela ao homem simples do seu bairro.

 

Todos os órgãos de informação se referiram á efeméride, com títulos de destaque.

 

 

 

Chorai Fadistas, chorai...

A morte de Alfredo Marceneiro

— A GRANDE LENDA DO FADO

in Diário de Notícias

 

« Ti Alfredo » deixou-nos

 

Morreu O REI do FADO.

 

Morreu aquele a quem apelidaram de

— PATRIARCA do FADO

 

Marceneiro morreu, o fado de luto

 

Morreu Alfredo Marceneiro

— O MONSTRO do FADO

 

Guitarras choraram por Alfredo Marceneiro

in Correio da Manhã

 

Morreu Alfredo Marceneiro...

 O Fado lisboeta está de luto.

in O Dia

 

De todos os jornais diários que se referiram á efeméride destacamos o artigo assinado pelo jornalista e poeta Fernando Peres que foi seu grande amigo e admirador:

 

GUITARRAS CHORAM NO FUNERAL DE MARCENEIRO

 

 

"Não sabemos de quem teria sido a ideia mas não é difícil adivinhá-lo: José Pracana tem alma de poeta e uniu-o sempre ao Ti Alfredo uma amizade filial. Talvez pela primeira vez, desde a saída do corpo até ao cemitério dos Prazeres, guitarras e violas choraram o que deixa insubstituível um lugar e foi um intérprete ímpar de várias gerações. Apenas melodias suas foram escutadas por gente que se espalhava pelas janelas para assistir ao cortejo enorme e ouvir um coro imenso de vozes de que Alfredo Duarte (o Marceneiro para toda a gente) era autor e andam na boca de toda a gente.

Esta é uma verdade indesmentível. Se reflectirmos, podemos concluir que a vida e a morte constituem os círculos viciosos do tempo.

A hora que se viveu é uma hora morta. Aquilo que hoje é emoção violenta, constitui amanhã, uma sensação esquecida.

Devemos insistir: esta é uma verdade indesmentível pois existe dentro de cada homem uma tragédia que ele ignora e uma comédia que ele vive. Algumas vezes, a tragédia é caricata ridícula, dá vontade de rir. Mas nunca ninguém riu da tragédia que consigo arrasta. É que a dor é um sinal da vida. Na realidade, só vive quem sabe sofrer...

Por isso Ti Alfredo não sofre sozinho. Consigo leva um bocadinho do coração de todos nós. Os ídolos do fado são ídolos do povo. E um desses foi esse extraordinário Alfredo Marceneiro, decano dos intérpretes portugueses e, talvez, mundiais. Quase todos choraram quando foi o «momento da despedida». Mas homens como o Ti Alfredo não morrem, nunca. Faltou a madrugada, substituída por um Sol radioso. Mas tudo teve expressão e significado. Valeu pela intenção valiosa e espectacular (houve quem estivesse de muletas). Se era preciso, foi a consagração de um grande fadista. Quantos o acompanharam, e entre eles o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Leonor Beleza, constituíram um público, sem distinção de classes ali acorrendo a acenar o seu adeus ao maior intérprete da canção, nascida não se sabe onde ecoou em vozes doridas e viciosas nas betesgas das ruelas de Lisboa. Depois, ganhou raça em gargantas aristocráticas e hoje corre mundo na névoa das «boites».

De facto, passam tristezas a desfazer-se e o vento arrasta-se, lentamente, com vagares de cansaço. Já se feriram alegrias em vibrantes risos. Uma lágrima indiscreta espreita um sorriso.

Não o disse? «Felizes os que sabem, colhendo beleza e poesia, refugiar-se em recordações purificadas da mesquinhez do mundo. Felizes os que são sabem, colhendo inspirados pelo amor, para quem o poente é sempre uma rosa e o azul tem transparências». Teve a sua companheira — a tia Judite — ao seu lado até ao último momento. Mãe dos seus filhos teve até ao final um gesto de amor. «Felizes os que sabem andar feliz o coração no espaço infinito, entre orações, bênçãos e perdão. Felizes os que sabem demorar o perfume que o amor deixou».

Lá estiveram os seus amigos. O infalível Júlio Amaro (como podia ele faltar?). E sabe uma coisa? Foi uma manifestação de ternura, neste mundo de egoísmos, cada vez mais fraca.

 Ti Alfredo, até qualquer dia..."

in A Capital

 

                            

Na Revista "MAIS" de 2 de Julho de 1982, destaca-se aqui o seu editorial e dois artigos da autoria de grandes jornalistas.

 

UM SILÊNCIO NO FADO

 

"Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito, no último fim-de-semana.

Morrera Alfredo Marceneiro ou, se preferirem ele mudara de "poiso" para parte incerta onde, afinal, todos acabaremos por beber do mesmo copo — como ele continua, certamente a fazer.

Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito no último fim-de-semana.

Um silêncio de guitarras e violas, um silêncio de gargantas vazias, um silêncio cúmplice de cantos impossíveis.

Alfredo Marceneiro "diz" agora ali mesmo, ao virar desta esquina, todos o sabemos. Por isso aqui estamos prontos a escutá-lo naqueles que o testemunharam, naqueles que o viveram e conviveram.

Prontos, não a consagrá-lo (que é lá isso?) mas a guardá-lo, nosso."

 

"MARCENEIRO" — exemplo do fado autêntico

 

"Sim, é uma verdade indesmentível: os ídolos do Fado são os ídolos do povo. E Alfredo Marceneiro, o «maior» do Fado tinha em si qualquer coisa de indefinível, de boémia atrevida e palpitante a confundir-se com uma ingenuidade quase infantil. Como era ele, afinal?

Igual a si próprio: rezingão e pitoresco, com a sua madeixa preta, a testa enrugada, mantendo ao pescoço o lenço de seda com um nó mal-humorado. Como cantava? Como ninguém: com voz saturada de sensibilidade, uma voz popular e instintiva intérprete como nenhuma outra, da pobreza feliz da cidade e a poesia do seu povo. No Fado, soube sempre poetizar Lisboa. E, por isso, talvez, já não pertence apenas ao Fado e aos que o admiram — é património de Lisboa.

A cidade vai perdendo as suas figuras típicas. Mas ainda tinha em Alfredo Marceneiro um exemplo do Fado autêntico, nascido não se sabe onde mas que vivia na sua alma. Ele possuía a reforma do ofício que foi durante anos um apelido. Chamava-se Alfredo Rodrigo Duarte, o «Marceneiro» para quase todos, «Ti Alfredo» para os fadistas e para os amigos. Andou a roçar os noventa e era ainda uma figura da noite lisboeta. Raros o viram de dia e sempre por ocasiões graves. De resto era a noite que o trazia, envolvendo-o nas suas sombras de mistério. E, parecia conservar nos lábios uma saudade e um beijo quando chegava e dizia: «boa-noite». Sim, era a noite quem o trazia pois é de noite que ele vivia no mundo onde ganhou fama e glória. A sua ronda diária pelas casas típicas (a terminar sempre madrugada alta) era já talvez, uma necessidade de se sentir estimado, acarinhado, vivo para os que lhe queriam bem. O Fado, a sua segunda vida foi, afinal, a sua vida inteira."

 

Assina: Fernando Peres

 

 

Ao fadista, Alfredo Marceneiro, bem ido e bem-vindo, por, ocasião do fim da sua primeira vida (1891 - 1982)

 

"Se, como escreveu D.H. Lawrence, a morte é a única pura e bela conclusão de uma grande paixão, então a morte do fadista Alfredo Marceneiro é, também ela, um acto de paixão.

E é um Fado.

E é uma morte.

Mas um fadista não morre como morreram os outros homens.

A morte não o surpreende nem o leva — é ele que a chama e a ela se entrega. Porque ser fadista é atiçar, cortejar, pedir a morte desde o primeiro momento em que o Fado lhe nasce na voz. Um fadista, ao morrer, vê a sua arte a atingir o ponto máximo de perfeição.

E é um Fado.

E é uma morte.

Mas um fadista não morre como morrem os outros homens.

Ele trata a morte por tu. Conhece-lhe os jeitos e as manhas e só pode ter por ela o respeito que se tem por aquilo que conhecemos de ginjeira: é gingão com ela, mas tem-lhe amor. Ou não fosse todo o Fado um fingimento da morte e todo o fadista um fingimento da vida

E é um Fado.

E é uma morte

E é uma saudade, e um destino. Ou não fosse a saudade, como memória do bem que jamais regressará, no qual que nunca desaparecerá, uma espécie de morte. O mesmo, em vida que ver morrer. Ou não fosse o destino, como pressentimento sem recuo nem apelo, uma espécie de preparação para a morte. O mesmo, em vida, que vermo-nos morrer.

E é um Fado

E é uma morte.

Pela saudade, o fadista pôde saborear a morte que lhe sobe do peito pela garganta, até à boca. É talvez um amargo e doce paladar — terá concerteza algo a ver com amêndoas cruas, caroços de cereja, vinho acre.

Pelo destino, o fadista faz no peito a cama á morte e o aroma desses lençóis sobe pela garganta até à boca e tem o cheiro de uma mortalha lavada nas lixívias pungentes da vida.

E é só um Fado.

É afinal apenas uma Morte.

Mas que sentido teria celebrá-la e senti-la senão com sua própria língua, a do Fado e da Morte? A morte de um fadista, a morte de Marceneiro, só pode ser celebrada e sentida na voz de outro fadista. Não pode ser escrita, não consente ser lida.

Porque o Fado precisa dos seus fadistas mortos, das suas lendas e lugares. No Fado, o luto continua. Deste modo sempre. Ou há alguém que disputa a lenda e o lugar da Severa? Ou há alguém que duvide que, como morto. Marceneiro servirá o Fado como o não pôde servir nos últimos anos da sua vida?

E é outro Fado.

E é nenhuma Morte.

Ao morrer, Marceneiro inicia uma outra carreira no Fado. Tão bela e importante como aquela que findou. Será furiosamente lembrado, mistificado, transformado em voz. Porque é uma das bonitas qualidades do Fado: o Fado nunca esquece. Agora é que Marceneiro começará a viver, porque já está morto, reconciliado com o seu destino de homem, preparado para a sua missão de reminiscência e saudade.

E é este o verdadeiro Fado.

E é esta a verdadeira Morte.

Porque os fadistas não morrem como os outros homens.

Melhor: nem sequer morrem. Toda a vida anseiam morrer. De amor e paixão, de cio e da saudade. Sem respeitar a vida, que é coisa que vem e que passa, senão daquilo que a vida tem de transportadora. Transportadora da imagem e do desejo das coisas que se amaram, e que nela se guardam, tão brancos como no dia que nasceram, os vícios da alma, os vícios do corpo.

E é assim um bonito Fado.

E não é assim uma feia Morte.

Ou não haja alguém que ponha em causa que um fadista não é um homem que, ora em ora, canta o Fado. Não existe esse bicho: o fadista em tempo parcial. Cantar o Fado é apenas um momento na vida de um fadista, tão natural como abrir as janelas de manhã, tão normal como as tarefas do dia-a-dia. E as tarefas do noite-a-noite, as rondas, as batalhas, os amores, os vinhos, os amigos, os trabalhos, misturam-se com o canto e — nos grandes fadistas, como o Marceneiro — entram pelo canto adentro e tudo encharcam para que a voz depois dê vazão à paixão, dê cor à dor, dê despejo ao desejo.

È isto o dito Fado.

Bendito Fado, para além da Morte.

Alfredo Marceneiro foi esse fadista em que o Fado, como mero canto, era indissociável do Fado, como mera vida. Mas se dantes não havia realidade que podia com o arroubo de lembrar — o Fado é uma perpétua reconstrução do passado, sabendo sempre que nunca o poderá reconstruir a tempo de evitar o futuro — se dantes não havia Marceneiro— homem que podia com o esplendor de Marceneiro— mito; agora, agora e durante os muitos anos que só o Fado guarda contristada mente faz enternecer, Marceneiro pertence todo ao Fado como nem ele em vida, conseguiu pertencer.

E é Fado

E deixa de ser Morte

Digamos só: Olá Alfredo Marceneiro, é bom tê-lo outra vez entre nós.

 

Assina: Miguel Esteves Cardoso

 

In: Recordar Alfredo Marceneiro

© Vítor Duarte Marceneiro

 

Poema de homenagem a Alfredo Marceneiro publicado pelo autor no site PORTAL DO FADO

 

CHORANDO O MARCENEIRO

 

Versos de: João Santos

 

Fui ouvir cantar o fado

O fadista amargurado

Cantava o fado chorando

O silêncio no salão

Fez doer meu coração

Também eu chorei cantando

 

                        A homenagem do fadista

                        Dedicada a outro artista

                        Tinha um selo verdadeiro

                        No salão ninguém se ouvia

                        Só a guitarra gemia

                        Saudosa do Marceneiro

 

Ele foi o rei do fado

Mas nunca foi coroado

Foi um rei sem usar coroa

Por isso agora o fado antigo

Não tem mais o ombro amigo

Anda por ai á toa

 

                       Como quem lhe morre alguém

                       Levantei-me e fui também

                       Ao palco cantar o fado

                       Na pena que me desgarra

                       Ao lado dessa guitarra

                       Alfredo muito obrigado

 

 

 

 

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Viva Lisboa: Que Saudades Avô
música: A Freguesia de Armando Neves e Casimiro Ramos
publicado por Vítor Marceneiro às 21:42
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Alfredo Marceneiro canta A Freguesia

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Viva Lisboa: QUE SAUDADES AVÔ
música: A Freguesia de Armando Neves e Casimiro Ramos
publicado por Vítor Marceneiro às 21:00
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

FERNANDO MACHADO SOARES

FERNANDO MACHADO SOARES (Dr) Cantor e compositor da canção coimbrã, juiz de Direito, juiz Desembargador e juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Nasceu na Ilha do Pico, Açores a 3 de Setembro de 1930. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Considerado uma das melhores vozes de sempre e dos melhores compositores da canção Coimbrã, a par de nomes como José Afonso, Luiz Góes ou Fernando Rolim. Estudioso dos clássicos de Coimbra, neles procurou diferenciar as raízes étnico-folclóricas da canção de Coimbra, para, sem copiar, relançá-las ou recriá-las em moldes actualistas, capazes de sensibilizar as novas gerações, com base nas experiências de Edmundo Bettencourt e Artur Paredes. Com o impacto das suas interpretações e o enorme poder de comunicação, gravou vários discos, ainda como estudante. Após uma série de actuações em Bruxelas, foi contratado pela Philips para gravar um LP com vista a um lançamento internacional. Por motivos de saúde na altura das gravações, foi substituído por Luiz Góes. Alguns dos temas gravados são da autoria de Machado Soares, como o Fado do Estudante (Fecha os Olhos de Mansinho), Toada Beira (Abaixa-te ó Serra d'Arga), Cantares do Penedo e Canção Açoriana (O Meu Bem Se Tu Te Fores), sendo esta muitas vezes aproveitada por outros cantores. Ainda como estudante, actuou de Norte a Sul de Portugal e em quase todos os países da Europa, no Brasil e em África. Participou no filme Rapsódia Portuguesa. Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua actividade artística, tendo no entanto acompanhado o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos, onde cantou com êxito em cidades como Nova York (Lincoln Center), Boston, Chicago ou Atlanta, tendo participado num programa televisivo da NBC. Após Abril de 1974, veio trabalhar para os tribunais de Lisboa e arredores (Almada e Seixal), tendo recuperado definitivamente a vida artística. Actuou de novo em muitos pontos de Portugal, cantou na Alemanha, Itália, Estados Unidos da América. Venezuela, Rússia e outros. Em 1976 a Polygram gravou em disco a primeira parte do CD Coimbra Tem Mais Encanto (10 temas) com o título Fernando Machado Soares, no qual interpreta, Balada da Despedida (Coimbra Tem Mais Encanto), letra e música de sua autoria, O Fado dos Passarinhos (Passarinho da Ribeira), de António Menano e Alberto Menano, Canção das Lágrimas, de Armando Góes, Fado da Mentira, de António Menano e António Menano/F Machado Soares, Rosas Brancas, de António de Sousa, Vira de Coimbra (Popular), O Meu Menino, de Alexandre Resende, Santa Clara, de Angelo de Araújo,Fado das Andorinhas, de António Almeida d'Eça, Fado Corrido (popular), Canto de Amor e de Amar, letra de Ana Costa Nunes/Luís de Camões/F. Machado Soares e música de F Machado Soares, Serra d'Arga (Popular) e F Machado Soares, Balada de Outono, de José Afonso, Maria, de Angelo de Araújo, Maria Faia (Popular), Foi Deus, de Alberto Janes, homenagem a Amália Rodrigues pelos 50 Anos de Carreira Artística, Estrelinha do Norte, de A. Jardim e Fado Resende, de Alexandre Resende. Fernando Machado Soares compôs os arranjos do 3o tema, Angelo de Araújo do 8o, António Portugal do 10o e dos restantes José Fontes Rocha. A produção foi de José Luís Gordo na I parte, na II parte (8 temas), gravado em 1988, a produção foi de João Calado. Foi acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e à viola por Durval Moreirínhas. Em 1987 actuou em Toronto, Paris (Olympia), em S. Paulo, no Rio de Janeiro e noutras cidades. De salientar o recital que realizou em 18 de Março de 1987 no Grand Auditoire da Radio France, gravado e editado em compacto disco em Paris pela Ocara (Radio France), cuja apresentação teve lugar a 18 de Outubro de 1988, quando realizou novo recital na Ópera de Bordéus. Nesse ano recebeu o Prémio Popularidade da Casa da Imprensa. Cantou na RTP com Amália Rodrigues. Depois disso realizou quatro recitais no Thêatre de Ia VHIe, em Paris. Em 1994 gravou na editora francesa Auvidis(Ethnic) um CD com o título Le Fado de Coimbra, acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e Ricardo Rocha, eà viola por Durval Moreirinhas. Com literatura em francês e inglês, nele interpretai Ilha e o Sonho, de F Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Senhora d'Aires, popular e arranjos de F M. Soares, Elegia, popular e música dejosé Afonso, com arranjos de J. Fontes Rocha eR Machado Soares, Santa Luzia, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha que interpretou Variações em Lá Menor, Teu Nome, de F. Machado Soares, com arranjos dejosé Fontes Rocha, Balada Para Uma Vida, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha, Noites de Festa, de f. Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Balada de Outono, de José Afonso e arranjos de J. Fontes Rocha, Canção de Alcipe, Trova do Vento Que Passa, de Manuel Alegre e António Portugal, que compôs os arranjos, Fado Mentira, e de António Menano e António Menano/F. Machado Soares. Após a morte de Amália Rodrigues, da qual tinha sido bastante amigo, foi eleito Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Amália Rodrigues.

 in: Programa I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

AMÁLIA - Texto no "Viela do Fado"

Caros Amigos

Convido-os a visitar o blog "Viela do Fado", onde para além deste excelente texto,  que abaixo transcrevo um resumo, encontrarão este, e  outros de grande interesse, para quem gosta de Fado.

São textos muito bem escritos, com objectividade e sabedoria.

Parabéns e bem haja amigo Zé da Viela

FILME AMÁLIA


Terá sido POR VONTADE DE DEUS, que, quase um ano decorrido, sobre a estreia do filme "FADOS", está em rodagem o filme  "Amália", sob a responsabilidade de um realizador português, Carlos Coelho da Silva, que, creio ter sido também o realizador de " O Crime do Padre Amaro, filme que tanto êxito obteve ?

Há cerca de um ano, não passava pela cabeça de alguns ....

 

link para Viela do Fado

 

http://vieladofado.blogs.sapo.pt/4266.html?view=7850#t7850

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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Homenagem a Ti Alfredo por Valentim Matias

 

Busto de Alfredo Marceneiro

Autor: Dr. Francisco Faria Pais


Homenagem a Ti Alfredo

 

Versos de: Valentim Matias

26 de Naio de 2008 

 

Eu lembro-me de ti / Alfredo Marceneiro
O cantador de fado / O mestre de dizer
Maior entre os maiores/ Primeiro entre os primeiros
Serás sempre lembrado / Jamais te irei esquecer
 
Eu lembro-me de ti / Fadista de eleição
Que viveste Lisboa / E a fizeste viver
Nos versos que escreveste / E na composição
Marcaste-o para sempre / Fizeste o fado Ser
 
Eu lembro-me de ti/ Dos fados que cantaste
Como o fado Viela / E também o Bailado
O Natal do Moleiro / Que bem interpretaste
Não é facil dizer / Qual o teu melhor fado
 
Eu lembro-me di ti / E do amor que tinhas
Pelos Colchetes de Oiro / E p`lo Amor de Mãe
Lucinda Camareira / Leilão da Mariquinhas
Alfredo foste / Sem imitar ninguém

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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Homenagem do Poeta José Luís Gordo a Marceneiro

 

 

Marcha de Alfredo Marceneiro Música executado por Arménio de Melo

EU LEMBRO-ME DE TI ALFREDO

 

Letra de José Luís Gordo  

Abril 2008

 

EU LEMBRO-ME DE TI

DESDE O DIA EM QUE TE VI

NUNCA MAIS TE QUIS PERDER

FOSTE P´RO FADO O MEU DEUS

E TODOS OS FADOS SÃO TEUS

ATÉ O FADO MORRER

 

                         MOCITAS DE CARACÓIS

                         TRAZIAS NOS TEUS CACHECÓIS

                         EM TANTOS FADOS BAILADOS

                         IAS DE VIELA EM VIELA

                         E NUM CANDEEIRO SEM VELAS

                         ACENDIAS OS TEUS FADOS

 

MAS UM DIA A TUA VOZ

DEIXOU-NOS P´RA SEMPRE A NÓS

A ALEGRIA DAS CIGARRAS

CANTAM O PRANTO E ENTÃO

COM TÁBUAS DO TEU CAIXÃO

OS ANJOS FAZEM GUITARRAS

 

                        NÃO HÁ FADISTA QUE VENÇA

                        NEM ENTREGA QUE SE ESQUEÇA

                        DO TEU CANTE ESSE SEGREDO

                        DEIXASTE A MAIS BELA HERANÇA

                        E O FADO NUNCA SE CANSA

                        DE TI MEU GRANDE ALFREDO

 

LISBOA ERA TODA TUA

E ATÉ AS PEDRAS DA RUA

CONHECIAM TEU ANDAR

E NO TEU PEITO GELADO

AQUECIAS SEMPRE UM FADO

UM FILHO SEMPRE A CRIAR

 

                       E ASSIM AO FADO DEIXASTE

                       A LIBERDADE QUE AMASTE

                       COM A MAIS NOBRE EMOÇÃO

                       E SEMPRE POR NÓS CANTADOS

                       OS ESTILOS VARIADOS

                       NAS CORDAS DO CORAÇÃO

 

 

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Sábado, 14 de Junho de 2008

ALFREDO MARCENEIRO - Comunicação da APAF, aos seus associados

Grande Noite do Fado próximo sábado dia 14

Cadaval homenageia

Alfredo Marceneiro

 

Participação dos nossos associados (APAF) 

FRANCISCO PINTÉUS (apresentação) e

VÍTOR DUARTE MARCENEIRO

que apresentará o seu diaporama sobre o avô e interpretará castiços fados.

 

 

O Clube Atlético do Cadaval irá acolher, no próximo dia 14 de Junho, pelas 22h00, com o apoio da Câmara Municipal do Cadaval, uma Grande Noite de Fado, numa iniciativa que pretende constituir uma homenagem a Alfredo Marceneiro, incontornável figura do fado, de origens cadavalenses.

A apresentação deste espectáculo, consagrado a uma das mais ilustres figuras do fado, Alfredo Duarte Marceneiro, filho de pais cadavalenses, ficará a cargo de Vítor Duarte Marceneiro, neto do homenageado, e de Francisco Pintéus, da comissão para a criação da “Associação Alfredo Marceneiro”, por sua vez projectada para a vila do Cadaval.

Este tributo ao ícone do fado que celebrizou “A Casa da Mariquinhas” contará com a participação especial de Rodrigo e de outros fadistas convidados, cujo acompanhamento ficará a cargo de Luís Ribeiro, à guitarra portuguesa, e de Jaime Martins, à viola.      

A iniciativa contará, também, com a especial participação de Ruy de Matos, encenador reformado do teatro nacional, que, para além de assegurar a cenografia do espectáculo, proporcionará declamação de poesia alusiva ao Fado.                      

O espectáculo, que sucede 26 anos após o desaparecimento de Alfredo Marceneiro,  decorrerá na vila do Cadaval, mais propriamente no Pavilhão Augusto Simões, junto ao Campo de Jogos Municipal.

 

NOTÍCIA DA LUSA  

 

Lisboa, 10 Jun (Lusa) - O fadista e compositor de fado Alfredo Marceneiro é tema de uma noite de fados, no próximo sábado, no Cadaval, terra dos seus pais, numa iniciativa da associação em formação que ostentará o seu nome. "Filho de cadavalenses, é intenção de um grupo de apreciadores de fado desta região constituir uma associação que valorize activamente a obra do grande criador que foi Alfredo Marceneiro", disse à Lusa Francisco Pintéus, da comissão instaladora da Associação Alfredo Marceneiro (AAM). "Outro objectivo da associação é distinguir anual ou bi-anualmente um disco de fado ou uma criação fadista com o Prémio Alfredo Marceneiro, a exemplo do que acontece com os prémios José Afonso e Carlos Paredes, respectivamente na Amadora e Vila Franca de Xira", acrescentou. Para Pintéus, “figura maior do fado, Alfredo Marceneiro nem sempre tem tido o destaque que merece”. A AAM "tem ainda como objectivo constituir um acervo documental sobre o fadista, bem como um núcleo musológico, estando activamente a trabalhar com familiares seus", acrescentou. A noite de fados de sábado decorrerá no Pavilhão Augusto Simões, sendo a primeira parte preenchida pela exibição de um diaporama sobre a vida e obra do criador de "A casa da Mariquinhas", de autoria do seu neto Vítor Duarte Marceneiro, distinguido este ano com o Prémio Amália Rodrigues de Ensaio e Divulgação.

Autor de dois livros sobre Alfredo Marceneiro, uma biografia de Hermínia Silva e do blog - http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt -, Vítor Duarte Marceneiro interpretará, no espectáculo do Cadaval, fados celebrizados pelo seu avô. Participam ainda na noite de fados João Paulo, Miraldina, Luísa Soares e Manuel Domingos (Prémio Amália Fado Amador 2006), entre outros, sendo acompanhados por Luís Ribeiro, à guitarra portuguesa, e Jaime Martins, à viola. Alfredo Marceneiro faleceu há 26 anos, em Lisboa, cidade onde nasceu, mas segundo o seu neto e biógrafo "foi gerado no Cadaval". Alfredo Marceneiro é autor de dezenas de composições de fados, entre elas, "fado cravo" e "fado versículo". As suas músicas continuam hoje a ser cantadas com novos poemas, como sucedeu no novo álbum de Camané, intitulado “Sempre de mim”. Entre os seus êxitos cite-se, "A Lucinda camareira" (Henrique Rêgo/A. Marceneiro), "A casa da Mariquinhas" (Silva Tavares/A. Marceneiro), "Conceito" (Carlos Conde/A. Marceneiro), "Ser fadista" (Armando Neves/A: Marceneiro), ou "Cabelo branco" (H. Rego/A. Marceneiro). Alfredo Marceneiro teve uma longa carreira, que abrangeu praticamente todo o século XX, tendo-se distinguido como estilista [forma de variar dentro da mesma linha melódica] e compositor. Cantou dos bailes de bairro, nos cafés de camareiras e retiros até às casas de fado. Deixou numerosos discos, de que se destaca "The fabulous Marceneiro", mas escassos registos televisivos.

NL. Lusa

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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

HERMINIA SILVA - Saudades

HERMÍNIA SILVA

Faz hoje 15 anos que "partiu"

Foi a 13 de Junho de 1993

 

Herminia Silva desde a sua estreia em 1932, participou em 13 operetas, 37 revistas, 2 peças declamadas e ainda em 5 filme e vários programas de televisão.

Nasceu em Lisboa a 23 de Outubro de 1907.

 

Hermínia Silva

canta Mãos Sujas (*)

Letra de Frederico de Brito

Música de F. Valério

 

 

(*) Este tema que aqui se apresenta (imagens de arquivo da RTP), foi estreado em 1937 na Revista «Chuva de Mulheres», em palco  no Eden Teatro.

 

 

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música: Mãos Sujas de F. de Brito e F. Valério
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Cadaval Homenageia ALFREDO MARCENEIRO

CADAVAL - Terra de Origens de Marceneiro

O Clube Atlético do Cadaval irá acolher, no próximo dia 14 de Junho, pelas 22h00, com o apoio da Câmara Municipal do Cadaval, uma Grande Noite de Fado, numa iniciativa que pretende constituir uma homenagem a Alfredo Marceneiro, incontornável figura do fado, de origens cadavalenses.
A apresentação deste espectáculo, consagrado a uma das mais ilustres figuras do fado, Alfredo Duarte Marceneiro, filho de pais cadavalenses, ficará a cargo de Vítor Duarte Marceneiro, neto do homenageado, e de Francisco Pintéus, da comissão para a criação da “Associação Alfredo Marceneiro”, por sua vez projectada para a vila do Cadaval.
Este tributo ao ícone do fado que celebrizou “A Casa da Mariquinhas” contará com a participação especial de Rodrigo e de outros fadistas convidados, cujo acompanhamento ficará a cargo de Luís Ribeiro, à Guitarra Portuguesa, e de Jaime Martins, à Viola.
A iniciativa contará, também, com a especial participação de Ruy de Matos, encenador reformado do teatro nacional, que, para além de assegurar a cenografia do espectáculo, proporcionará declamação de poesia alusiva ao Fado.
O espectáculo, que sucede 26 anos após o desaparecimento de Alfredo Marceneiro, decorrerá na vila do Cadaval, mais propriamente no Pavilhão Augusto Simões, junto ao Campo de Jogos Municipal.


O Concelho do Cadaval é uma região onde os vestígios da presença humana remontam à pré-história. Na Serra de Montejunto, em Pragança, foram localizadas grutas que terão servido de habitação durante o período neolítico.
A vila de Cadaval propriamente dita, que foi habitada pelos árabes durante a sua permanência na Península, recebeu foral em 1371, concedido pelo rei D. Fernando, beneficiando ainda da reforma administrativa empreendida por D. Manuel que, em 1513, lhe outorgou novos privilégios.
D. João IV, ao, consumar a independência de Portugal relativamente à Espanha, fê-la cabeça de ducado, dando assim nascimento a uma das mais sólidas casas nobres do país. Mesmo assim, em 1895, a vila perde as prerrogativas de sede do concelho, que readquire no entanto três anos depois, a 13 de Janeiro, data que por este facto se transformará no Feriado Municipal.

Da Romanização à Reconquista

Com a conquista do território pelos romanos toda a região da Estremadura Central foi colonizada e surgiram cidades e diversas vilas rurais onde os romanos se estabeleceram.
Perto de Óbidos edificaram a cidade de Eburobrittium e na sua área administrativa estava incluída a região do Cadaval. Uma ara romana epigrafada encontrada em S. Tomé de Lamas e datada do século II refere este município de Eburobrittium.
Outros vestígios romanos do Cadaval foram encontrados na Quinta do Cidral, perto de Alguber, no Juncal, perto de Pragança, em Borjigas, perto da vila do Cadaval e na Quinta de S. Lourenço, no Peral.
Após o fim do Império romano e durante as ocupações bárbara e muçulmana a região continuou a ser povoada por gentes de origens diversas, nas quais se incluem os moçárabes.
Com o advento da nacionalidade, a reconquista feita pelos exércitos cristãos expulsou progressivamente os muçulmanos. Após a conquista de Lisboa, em 1147, toda a Estremadura passou a estar sob domínio dos cristãos e rei português.

Da Reconquista à Formação do Concelho

Após a reconquista deu-se o início ao repovoamento cristão. O rei tomou posse dos castelos existentes e mandou construir outros. Óbidos, Torres Vedras e Alenquer desenvolveram-se com novos habitantes, foram dadas terras aos emigrantes e aos cruzados francos que ajudaram na reconquista. Foi o caso de Vila Verde dos Francos, doada por D. Afonso Henriques ao franco Dom Alardo em 1160.
Começou com o primeiro rei a reorganização administrativa da região que foi continuada por D. Sancho I. O senhorio de Vila Verde dos Francos foi tornado concelho ainda no século XII e em finais deste século ou inícios do XIII foi constituído o concelho de Óbidos que incluía no seu termo a região do Cadaval. No século XIV dá-se novo arranjo na organização administrativa com a criação do concelho do Cadaval cuja área foi tirada ao termo de Óbidos.
Porém, ainda antes do Cadaval o Peral foi também concelho. Em 1371 o rei D. Fernando elevou o Peral a vila e incluiu neste concelho o Cercal. Foi de seguida este novo concelho doado a D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mas poucos meses depois, a 1 de Dezembro de 1371, decidiu este rei elevar o Cadaval a vila integrando neste concelho as freguesias de Peral, Cercal, Vilar e Figueiros e foi novamente este concelho doado a D. Afonso Telo.

A Administração Concelhia

Com a criação do concelho do Cadaval, retirado ao termo de Óbidos, o rei dava-lhe também autonomia administrativa e fiscal mas, ao ser doado a um senhor nobre, o rei alienava a jurisdição, os tributos e parte dos direitos reais em favor desse senhor.
Após a Crise de 1383-85 o concelho do Cadaval perdeu a sua autonomia a favor de Óbidos. Só se tem notícia de que os antigos privilégios já tinham sido recuperados em 1394 com a confirmação de D. João I aos besteiros do conto do Cadaval.
Ao longo de vários séculos o concelho do Cadaval esteve na posse de sucessivos senhores donatários até ao advento do Liberalismo. Em 1832 o decreto de Mouzinho da Silveira extinguiu os forais e os direitos senhoriais.
Durante todo este tempo, até 1832, a autonomia administrativa do concelho esteve limitada pela autoridade senhorial. Mesmo assim, na época medieval havia um corpo administrativo de juizes, eleitos anualmente, e mais alguns oficiais da Câmara.
Com a criação da Casa de Cadaval, no século XVII, foi dada à autoridade senhorial o poder de nomear ou confirmar as vereações municipais. A Casa de Cadaval podia nomear os ouvidores, escrivães, inquiridores, contadores e outros cargos nas terras sob sua jurisdição. Apesar disso, no século XVIII há referências ao senado da vila que reunia representantes da nobreza e do povo.

In Wikipédia

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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

ALFREDO DUARTE JÚNIOR- Filho de Alfredo Marceneiro, e pai do autor deste blog

 A 6 de Junho de 1999 faleceu o meu saudoso pai, na Rua do Cura no bairro da Madragoa. em Lisboa está sepultado no talhão dos artistas no cemitério dos Prazeres.

Nasceu em Lisboa,  na freguesia de Santa Isabel, a 23 de Dezembro de 1924.

Foi apelidado de "Fadista Gingão" porque começou a dar às suas interpretações uma coreografia ,  inédita no Fado, o que lhe valeu muitas críticas, mas ainda hoje há muitos que o imitam, quer no gingar, quer usando o  lenço, ou boné.

Por fim chamaram-lhe o "Fadista Bailarino"   uns gostavam, outros não,  mas  meu pai  marcou um estilo muito próprio, e tem por mérito próprio um lugar na História do Fado.

 

Alfredo Duarte Júnior

Canta: É Loucura Ser Fadista

Letra e música de Júlio de Sousa

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Viva Lisboa: Que Saudades Pai
música: É Loucura ser Fadista de Júlio de Sousa
publicado por Vítor Marceneiro às 12:15
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

OS SANTOS POPULARES

OS SANTOS POPULARES

Santo António de Lisboa
 
 
MARCHAS POPULARES - ORIGENS
 Por meados do século XVIII,  os franceses durante o período napoleónico, iniciaram  a moda de dançar as marchas militares,  realizavam em Junho para celebrar a tomada da Bastilha a que chamavam “marche aux falambeaux ” em que o povo desfilava com uns archotes acesos na mão.
Este costume foi adoptado pelos portugueses que lhes passaram a chamar “Marcha ao flambó" (portanto adaptação do termo francês), só que nós os portugueses substituímos os «archotes revolucionários dos franceses» por "balões de papel" e "fogo de artificio", que  tinham sido costumes trazidos da China no século XVII, e que jà eram usados nos arraiais e feiras por todo o País, e assim  as antigas danças e cantares de "Maio à Virgem Maria"  que  entretanto tinham sido proibidas foram transpostas para o mês de Junho, passando a celebrar-se as festas dos «Santos Populares»,  “Santo António, São João e São  Pedro “.
Lisboa veste-se de cravos rubros que são esplendor em Junho festivo, de vasos com manjericos nas janelas, sendo costume colocar na copa do manjerico, um cravo encarnado com uma bandeirinha hasteada com uma quadra popular escrita. 
 
Se eu fosse o cravo vermelho
Que trazes sobre o teu peito
Por muito que fosse velho
Não te guardava respeito
 
Cravo manjerico e vaso
E uma quadrinha singela
Tudo lhe dei... Não fez caso!...
Pronto! Não caso com ela
 
Ateia-se uma fogueira  para assar as sardinhas,  mas os rapazes e raparigas saltam e bailam á sua volta até ao raiar do dia.
A alcachofra brava, também tem o seu simbolismo nestas festividades, quem queria saber se era correspondida/o no amor pelo namorado, devia chamuscar na fogueira, a alcachofra em flor, e sea mesma  passados alguns dias voltasse a florir, era sinal que o amor era sincero e daria em casamento.
Sobre o saltar à fogueira, houve também muita inspiração para versos mais “malandrecos”
 
Ou ela não usa calças
Ou as tem na lavadeira
Dei por isso ontem à noite
Quando saltava na fogueira
 

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 22:07
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S. VICENTE DE FORA - Ensaio da Marcha 2008

Foi-me dada oportunidade de fazer um apontamento filmado do ensaio da Marcha do Bairro de S. Vicente de Fora, que me deu muito prazer e alegria.

Parabéns a esta e a todas as Marchas que animam a nossa Lisboa.

Uma terá o primeiro lugar, mas todas ganham a nossa admiração, até porque  LISBOA ganha sempre.

VIVA LISBOA, VIVA OS MARCHANTES, VIVA PORTUGAL

 

 

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música: Marcha de Lisboa 2008
publicado por Vítor Marceneiro às 02:40
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

CÉSAR MORGADO

César Morgado, nasceu em Lisboa na Freguesia de Belém a 20 de Novembro de 1931 e faleceu a 7 de Abril de 1974 em Cais das Pedras, Massarelos, no Porto.

Desde muito jovem que era um apaixonado pelo Fado o que aos 7 anos de idade levava os vizinhos a pedirem-lhe para cantar. Aos 11 anos numa tenda de circo no Caramão da Ajuda, cantou pela primeira vez, acompanhado por guitarra e viola.

César  Morgado era serralheiro de profissão,  e cantava o Fado como amador, até que foi contratado para a "Nau Catrineta" em Alfama ( que mais tarde viria a ser O Poeta), e assim se profissionalizou.

Em 1958 ganhou a "Guitarra de Ouro" num concurso, em que ficou em primeiro lugar, no antigo Café Luso.

Gravou uma dezena de EP´s e vários "long-play".

Foi convidado de várias rádios e em 1961 actuou na televisão.

Em Lisboa cantou ainda no Faia, no Retiro da Calçada de Carriche, e, esteve um bom par de anos no Solar da Madragoa.

No Porto actuou  na Candeia, Tamariz e Palladium.

Tem um irmão de seu nome Leopoldo Morgado, que reside no Porto, e que também canta o Fado.

  César Morgado

Canta " Ó Minha Mãe"

Letra de Linhares Barbosa

Música do Fado Mouraria

                                                              

                                                                                 

Contacto com o autor: clicando aqui
música: Ó Minha Mãe de Linhares Barbosa
publicado por Vítor Marceneiro às 22:02
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