Domingo, 31 de Agosto de 2008

DEOLINDA MARIA

Fadista, actuou em várias casas de fado, era mãe do guitarrista José Manuel Neto.

Deolinda Maria faleceu há bem pouco tempo, como não tinha nenhum dado biográfico pois só a conheci superficialmente,  recordo que era uma pessoa muito simpática e que cantava muito bem. Tentei contactar com o filho, o que não consegui, como não nos conhecemos pessoalmente, fiz o pedido a algumas pessoas para me auxiliarem fornecendo-me mais pormenores sobre a sua figura, o que até hoje não consegui.

Mesmo assim quero aqui prestar-lhe  a minha sincera homenagem como fadista,  e como mãe de um grande músico do Fado.

 

 

 

 

 

 Deolinda Maria canta

Versos de Heloína Pina

Música de Alfredo Marceneiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma neta de Deolinda Maria,  de seu nome Ana Mafalda, que infelizmente não tem muitos dados sobre a avó, escreveu nos comentários, um texto que muito me enterneceu e que abaixo transcrevo,

 

                                "Silêncio meu amor não digas nada,
                                  Falar pra quê falar é tarde agora
                                  Não perturbes a calma conquistada
                                  á custa dessa dor sofrida outrora.
...
Falar pra quê falar se eu sou apenas
a sombra de uma alma torturada
é tarde não acordes minhas penas
silêncio meu amor não digas nada."

Este poema da minha avó nunca mais vai ser cantado como dantes...é a minha reza, o meu choro.

Já se passou algum tempo desde a partida da minha avó, a vida dá muitas voltas e nem sempre damos valor ao que temos no momento, só quando elas partem é que vimos o quanto nos fazem falta...

                                         "Ao chorar tua partida,
                                          cantei o nosso Fado.
                                         Disses-te Adeus á vida
                                         Com o teu xaile traçado"

Um xaile que me irá sempre acompanhar na memória, um xaile preto de dor e de lamento...um xaile que me passou fado...o seu grande amor ...cantar e cantar tão bem como cantava...."Gosto de ti porque gosto, a razão não sei dizer..." Gosto de ti do teu Fado...sempre gostei..e canto-te todos os dias todas as noites...."Madrugada a horas mortas, porque me deixas sozinha..." Partiste mas não me deixaste..deixaste o teu Fado...

                                  "Nesta vida desvairada 
                                  de tormento e ansiedade
                                   há sempre um pequeno nada
                                   que nos dá felicidade....

não lamentes tua sorte
por teres a vida perdida
porque a corrida pra morte
também faz parte da vida".

 

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música: Eu trago risos na boca
publicado por Vítor Marceneiro às 12:28
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

JOSÉ LÚCIO - Músicologo e Investigador e coleccionador de instrumentos musicais

 

José Lúcio Ribeiro de Almeida

Nasceu em Viseu a 29 de Outubro de 1947.

Aos cinco anos começa os estudos com uma professora de piano e aos onze começa a ter lições de Viola e Guitarra Portuguesa.

Dois trabalhos publicados em vinil:” Paisagens Sonoras” e “Tunas e Trupes”.

Assistente e repórter dos seguintes programas de Rádio: “Musicando”, “Café com Leite”, “Sais de Banho”, Rock and Stock“, “Os Cantores da Rádio”, “Rádio Rural”, “Manhãs da Comercial”.

Realizador e apresentador do “Jardim da Celeste”, “Não há duas sem Três”, “Flauta de Pã” e “Meus Caros Amigos”. Director-adjunto da Rádio Renascença.

Na televisão colabora em várioss programas: “Berros e Bocas”, “Jornalinho” e “Recreio dos Lisboetas”, ainda na televisão é autor/apresentador das séries infantis sobre construção de instrumentos: “Plim-Plam-Plum” e o “O Sótão do Zé”.

Investigador na área do “FADO”, faz vários Colóquios em Espanha, França e Córsega. Realizou três filmes para o Japão sobre a Guitarra Portuguesa. Aprende a arte de construir e reparar instrumentos com os seguintes construtores: Manuel Cardoso, Domingos Machado, Gilberto Grácio, João Palmeiro, António Guerra, Adelino Vicente e Miguel Rodrigues.

Exposições de instrumentos efectuadas: Óbidos (1985), Beja (1989), Lisboa (1990), Caldas da Rainha (1992), Casa Pimenta em Palmela (1993), Amadora, Casa de Fado a Viela (1994), Ericeira (1996), Sociedade Portuguesa de Autores (1997).

Ao longo da sua carreira de investigador efectua vários colóquios e cursos de construção de instrumentos em escolas secundárias. Inserido nas comemorações de Lisboa 94 realizou um curso de construção de instrumentos com a duração de um ano na Escola António Arroio.

Autor do Livro “Os Sons e Os Tons da Musica Popular Portuguesa”, editado em 1996.

Em 1999, a convite do Instituto dos Resíduos elabora o livro “Um Olhar Musical pelos Resíduos”.

Em 2002 publica o livro “Cordofones Portugueses”.

Em 2007 publica o Livro “O Cavaquinho sem Mestre”.

Possui um património de mais de 400 instrumentos musicais do ambiente tradicional português, bem como um arquivo musical onde figuram 500 discos de 78rpm, 3.000 Lps, 300 singles e Eps.

À Procura da História do Fado

Quando se anda nestas andanças de estudar o Fado, há mais de 40 anos, fico sempre admirado quando nascem especialista em dados momentos da vida portuguesa. Os meus mestres sempre me disseram que o que custa mais são os primeiros 50 anos. Por respeito aos mestres ainda me faltam mais 19 anos (se lá chegar) para entender qualquer coisa.

Por isso não vou fazer afirmações mas sim perguntas para reflexão.

1- Será que já entenderam que “fado-destino” não tem nada a ver com ”Fado-expressão musical”? Já leram a Triste Canção do Sul de Alberto Pimentel?

Quando ler este livro é bom ter à “mão de semear” a 4ª edição do Dicionário de Lacerda (1874) para comprovar que é verdade a afirmação do autor da Triste Canção do Sul de que é neste dicionário que pela primeira vez aparece a palavra Fado com “expressão musical”.

Sabiam que Luís de Camões utiliza 17 vezes a palavra “fado” nos Lusíadas.

Se quer um exemplo basta ler o canto I, estrofe 28 (Prometido lhe está do Fado eterno…)

Será que Luís de Camões já era Fadista?

2- Porque é que procuram as origens do Fado (expressão musical) na palavra “fado-destino” e não na pessoa que o criou e o cantou (o Fadista)? Quando é que apareceu o Fadista em Lisboa e porquê? Nas fotografias ou desenhos antigos o Fadista aparece sempre a tocar Guitarra Portuguesa. E quando é que apareceu a Guitarra Portuguesa em Lisboa e os “Guitarreiros” que a construíam? Quando é que apareceram os poetas e compositores de Fado?

3- Dizem os mestres na matéria que o Fado é uma canção triste e fatalista. Que tipo de Fado? Conhecem muita música clássica que seja alegre? A música de câmara é alegre? Existem muitas Óperas alegres? Será que todo isto é Fado? A Rebetica (música grega) é uma música alegre, já ouviram? Procurem vídeos desta canção na internet. Será que o Fado tem origem grega?

Para aqueles que gostam de Fado que tal uma leitura dos livros já escritos sobre o assunto. Assim podem formar uma ideia mais clara. Podem ir a Biblioteca Nacional no Campo Grande (Lisboa). Aqui fica a listas dos livros que falam do assunto:

http://www.jose-lucio.com/Fado/Livros.htm

Se tiverem paciência não deixem de consultar na Biblioteca Nacional de Lisboa os três grandes jornais sobre o Fado.

Canção do Sul, 1922 quinzenário com vários directores (António Cardo, Cândido Torrezão…).

 

O Fado, 1º exemplar publicado em 16 de Abril de 1910, semanário, proprietário e director Carlos Harrington.

 

Guitarra de Portugal, que nasceu a 15 de Julho de 1922.

Tri-Mensário de Literatura e Poesia, porta-voz do Fado que tinha com director o grande João Linhares Barbosa.

Estes jornais têm muito assuntos importantes sobre Fado que se lêem bem em 10 anos. Gostar de Fado é aprender a conhecê-lo. E conhecer dá trabalho.

Parabéns ao Vítor Duarte pelo contributo dado ao Fado. É que gostar de Fado não é sinónimo de comprar um CD, beber uns copos em ambientes fadistas ou ser vedeta do Fado. Aprender a gostar de Fado também passa por conhecer um pouco da sua história.

Um abraço a todos aqueles que têm contribuído pela dignidade do Fado

José Lúcio

www.jose-lucio.com

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publicado por Vítor Marceneiro às 17:24
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Manuel Simões - Editor Discográfico

Comunicado da APAF a todos os seu associados

Conheci e convivi com Manuel Simões, tinha uma grande alma fadista.

Nos últimos anos tinha perdido a vista, mas mantinha um discernimento e um entusiasmo quando falava de Fado, que era contagiante, para quem o escutava.

Sei que lhe eram lidas e descritas as páginas deste blog.

Até sempre amigo Manuel Simões

 

O editor MANUEL SIMÕES, 91 anos, da Estoril Discos, faleceu hoje em Lisboa.
A APAF curva-se perante a memória de um homem que sempre pugnou pelo Fado e que instituiu uma Fundação com fins de carácter cultural, nomeadamente a difusão do Fado como canção urbana de Lisboa, bem como os de beneficência e solidariedade social.
 
O corpo de Manuel Simões será velado quinta-feira na Igreja de S. João de Deus, à Praça de Londres, em Lisboa, de onde sairá o funeral, sexta-feira às 14:00 após ter sido rezada missa de corpo presente.
 
Ainda menor de idade Manuel Simões, natural de Pedrógão Grande, torna-se empresário em 1934, ficando a sua firma em nome do seu pai. Em 1947 toma contacto com a  indústria discográfica em Espanha onde encontrou discos de 78 rpm de Hermínia Silva e Irene Isidro, entre outros artistas, nunca comercializados em Portugal. Na década de 1950 inaugurou em Vila Franca de Xira a sua própria fábrica de discos. Será ele próprio quem prensará o primeiro disco de micro-gravação fabricado em Portugal (LP Estoril 5001). Do rol de artistas gravados por si refiram-se Francisco José, Maria de Lourdes Resende, Tristão da Silva, Berta Cardoso, Casimiro Ramos, Maria José da Guia, maestro Belo Marques, Argentina Santos, Alfredo Marceneiro, Anita Guerreiro, Manuel Fernandes, José António, Maria Antonieta, Manuel de Almeida, entre outros.
A partir da década de 1960 dedica-se praticamente em exclusivo ao comércio a retalho de discos, na Discoteca do Carmo, actualmente desactivada, mas que considerava "uma instituição à escala universal". Actualmente era o proprietário da Discoteca Amália à Rua do Ouro, além do calhambeque que estaciona todos os dias na Rua do Carmo e que se tornou num postal da cidade de Lisboa.
Manuel Simões regressará à gravação de discos, na década de 1990, designadamente com conjuntos de guitarras liderados por Arménio de Melo e Paulo Parreira, com que editará a série "Lisboa - Cidade de Fado". e também de fadistas de Alcochete, entre eles, Leopoldina da Guia e Caetano Chefe.  Editou o primeiro registo videográfico fadista, "Nostalgia em Alcochete", com a participação entre outros, dos fadistas Clara Daupiás, Miguel Caninhas, Francisco Pimentel, António Maduro, e Gertrudes Daupiás.
Por cumprir fica um desejo seu, o Museu Maria Teresa de Noronha que pretendia instalar em Sintra.

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publicado por Vítor Marceneiro às 21:02
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Sábado, 23 de Agosto de 2008

NÚRIA PIFERRER, NÉVOA, Fado em Barcelona

É espanhola (catalã),  e adora cantar o o Fado. Usa o nome artístico de NÉVOA

É sempre gratificante verificar que  outros povos, outras culturas, se interessam palo Fado, e pela musicalidade da guitarra portuguesa.

Com a colaboração de um amigo de Barcelona,  Jaume Coy, realizei este video-clip, em que Núria Piferrer (Névoa) canta um poema e arranjo musical  da autoria de Eduard Iniesta, também ele catalão, entusiasta pelo Fado,  e também toca guitarra portuguesa.

 

 

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música: Ruas de Lisboa
publicado por Vítor Marceneiro às 13:13
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

O FADO, O MAR, A VIDA


 

 


 

Mistério de Lisboa


 


Devo-vos revelar um mistério transcendente


Lisboa surgiu do mar trazida por um tridente


Deus Neptuno a quis plantar virada ao poente


desejando-lhe criar marinheira a sua gente


que ao mundo soube dar,  novos mundos por semente.



 

Versos de: Carlos Alberto Giudicelli (português de raiz a viver no Brasil)


 

 


 

 O mar sem fim é português...


O Fado canta a alma portuguesa e são o desafio lusitano ao fatalismo que o destino (fatum, em latim) encerra. É uma canção antiquíssima e muito rara. Quando as naus partiram, os navegadores portugueses procuraram os novos limites da malázia, para provarem á  Terra que o Mar não era fronteira, abismo ou cerco, era rua larga e estrada azul, para lá da linha fria do horizonte. E cantavam, como quem reza pela protecção divina do espírito, para que a Terra fosse toda uma.


A música que os acompanhou lá foi o Fado. E esta canção dorida, que força a intimidade com o destino, é uma canção temida, porque reconhece na adversidade o anúncio da grandeza.


Há quem lhe atribua contornos misteriosos — sem conseguir explicar por quer. Desafiando o destino, canta o êxtase e a mágoa dos momentos supremos: a paixão e a morte. Tem o mistério que o destino tem. E a saudade. A mesma que nos versos de Fernando Pessoa estão na origem do sal do mar — aquele de que são feitas as lágrimas dos Portugueses.


Sendo o destino, todos os fados estão certos, todos os caminhos se cruzam, com encontros e desencontros, partidas e regressos, tristezas e alegrias, tragédias e glórias.


Por sobre as ondas que vão repousar no Tejo navegam os textos dos grandes poetas e o sortilégio da nossa saudade. O Fado torna-se então mais português e, assim, cada vez mais universal. Como também escreveu Pessoa: "O mar com fim será grego ou romano: o mar sem fim é português". Poderão querer tirar-nos muita coisa, mas o desvendar da espuma será sempre nosso.


João Braga

 


 


 

O certo para mim é que  tudo isto é Vida, é Fado....
 

 

                      Já ouvi mais do que uma vez

                      Ao falarem do passado

                      Que do pranto português
                      É  que o mar ficou salgado


 

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 20:53
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Beatriz da Conceição

Fado Beatriz

(Ciganita)

 

 

 

Poema de Nuno Gonçalo

 

 

 

 

Vesti o corpo de saudade

e dei a alma à saudade

com as mãos do silêncio,

eu sou a luz da cidade

que vela por ti se tu dormes

nos lençóis da minha verdade.

 

És linho e vida em que teço

os poemas que eu sei cantar

pelo fel lavrado no corpo

e que não sei inventar

nas rimas com que escrevo

dos fados que persigo,

sou feita de medo e raiva

na voz livre que consigo.

 

Canto a amargura

de ser sozinha por fora

mas por dentro ser inteira

e ser mulher toda hora.

Dispo-me a cantar

e cubro-me só de amor

mas sofro a tua ausência

por isso canto por ti minha dor.

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publicado por Vítor Marceneiro às 12:29
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

CARLOS ALBERTO - Fadista Amador

Carlos Alberto Coelho Moreira, nasceu em Lisboa na freguesia de Santa Isabel.

Desde muito jovem, que, na companhia de seu pai, João Batista, começou a frequentar as verbenas com fado, tornando-se tal como o pai grande admirador de Alfredo Marceneiro, não faltando a uma sessão de fados, que, contasse com a participação do grande fadista.

De muito jovem, abraçou a profissão de litógrafo, até que, criou a sua própria gráfica.

Sempre frequentador assíduo dos ambientes fadistas, lisboeta e bairrista, divertido e extrovertido, soube ganhar a simpatia e a amizade das "gentes" do fado, também pela sua grande disponibilidade, que o leva a estar sempre pronto a "fabricar" cartões de visita, cartazes, etc., pelo que quase se poderá dizer, que, em cada fadista, tem um amigo. Considero-o, também, como amigo, amizade que nasceu nas célebres Quintas Feiras de Fado, no "Numero Um ", já na fase da gerência do Vitor e da Nini, depois de, curiosamente, ele já ter sido também amigo de meu pai, Alfredo Duarte Júnior, com quem muito conviveu.

Graças ao Carlos Alberto, conheci o seu sócio Vitor "Joca", natural, como eu, do bairro de Alcântara, que tem um irmão mais novo, de nome Jorge, meu companheiro dos bailaricos e da boémia fadista, nas nossas juventudes, assim como conheci também, e adoptei como amigo, o seu colaborador Alfredo Marques, que, também nos acompanha, nas noitadas de fado.

Deste modo, tenho que confessar a minha gratidão ao Carlos Alberto, e a todo o pessoal da sua gráfica, pela simpatia com que sempre me recebem, e, pela colaboração que sempre me prestaram, pois, foi com eles, que editei o segundo livro sobre o meu avô «Alfredo Marceneiro… os fados que ele cantou» assim como o livro " Recordar Hermínia Silva ".

A vivência fadista do Carlos Alberto, tinha forçosamente que o levar a gravar um fado, no ambiente do fado (de que ele tanto gosta), com tocadores e luzes apagadas, sem qualquer intenção comercial, fado  esse que tenho o prazer de aqui apresentar para que se possa "sentir" a alma e raça fadista com que ele canta.

 

Carlos Alberto canta

Dá Tempo ao Tempo

Autores: Joaquim Pimentel e António Campos

 

Eu sabia, que ele não se ia ficar, pelos poemas, que, de quando em quando ia dizendo....porque ele é essencialmente fadista.

Parabéns, meu caro Carlos Alberto.

 

As grandes noites de Fado acontecem quando quem canta, quem toca e quem ouve estão em sintonia, por vezes há algum burburinho, mas quando o Fado acontece tudo se cala.

 

               Foto de Alfredo Marques e Vítor Marceneiro

 

Numa Quinta-Feira dia 8 de Dezembro de 2001, convidei o Neto do grande poeta Carlos Conde, de seu nome Vítor Conde e seu filho Paulo Conde (autor da biografia de seu bisavô), para irem conhecer o "Numero Um".

Foi uma das noites que houve algum "desentendimento", e o Paulo puxa da caneta e escreve os versos que aqui vos transcrevo, tal e qual como o seu bisavô fazia... e assim nasceu mais um fado.

 

 

 

 O "numero um'

 
O neto do Marceneiro
Armou um certo zum-zum,
Porque o fado está primeiro
Nas noites do "numero um"!
 
                        Já que o fado é meu prazer
                        Numa crença de paixão
                        A qual me dou por inteiro,
                        Saí ontem só p'ra ver
                        Da lendária geração
                        O neto do Marceneiro!
 
Decerto não degenera
No seu porte bem castiço
Não imita mais nenhum,
Abancou e esteve à espera
Não cantou, e só por isso
Armou um certo zum-zum!
 
 
 
                       Afinal o fado é fado
                       E à que guardar respeito
                       Ao nome do Marceneiro,
                       Deixar o neto calado
                       Mais que ciúme é despeito
                       Porque o fado está primeiro!
 
O Marceneiro, com garra
Veio-se embora, não cantou
E do fado fez jejum,
Foi a cena mais bizarra
Que certa vez se passou
Nas noites do número um!
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música: Dá Tempo ao Tempo
publicado por Vítor Marceneiro às 20:35
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

BLOG ALFREDO MARCENEIRO É SÓ FADO...

Acabei de começar a publicar um Blog exclusivo sobre a vida e obra de meu avô, Alfredo Marceneiro, tal como já o fiz em livros e video.Espero a vossa vista e  que seja do vosso agrado.

Todos os comentários e sugestões são sempre bem recebidos.

 

http://alfredomarceneiro.no.sapo.pt/

 

http://alfredomarceneiro.blogs.sapo.pt/

 

Sobre este tema,  tenho montado um espectáculo/conferência, em que com a colaboração de outros fadistas, e com a ajuda de um diaporama projectado em video, se oferece um espectáculo com dignidade, e em que o Fado acontece, em moldes inéditos, espectáculo este, que tem merecido o agrado das entidades e organizações que nos têm contratado.

PORTO, BRAGA, ALMEIRIM, ALGARVE, CADAVAL e ainda várias colectividades na área de Lisboa

Actuam comigo mais um fadista e uma fadista, assim como  guitarristas, sendo o som e animação do palco da nossa competência

Para mais informações: fado.em.movimento@sapo.pt

Telefone 965240817

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publicado por Vítor Marceneiro às 21:50
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Domingo, 3 de Agosto de 2008

ARMANDO BOAVENTURA - Jornalista, Caricaturista e amante do Fado

MEMÓRIAS QUE DESTA VIDA SE CONSENTEM...

 

(Por ARMANDO BOAVENTURA)

(O SÉCULO ILUSTRADO – Nº. 762 DE 09 DE AGOSTO DE 1952)

UMA PROFECIA DE ANTÓNIO ARROIO

SOBRE O FADO

QUE A FEIRA POPULAR DESMENTE...

 

                                                                            

Feira Popular, bela iniciativa do grande jornal «O Século» - e nunca «O Século» foi tão dignamente ilustrado por feito de tão são espírito de humanitarismo, ao serviço da grei e da Pátria - em prol das crianças portuguesas, como é, sua Colónia Balnear - tem, nos seus múltiplos aspectos que a tornam o único centro de atracção dos alfacinhas nesta quadra estival, um que, particularmente, nos ajuda a reviver «Memórias que desta vida se consentem»... Referimo-nos a certos «retiros populares» - reminiscência das antigas «hortas» fora de portas, mas que cabem, e bem, dentro das portas da actual vida portuguesa, que, com nobilíssimos fins de assistência social, «O Século» nos franqueia.

Assim, os últimos abencerragens dos fins do século XIX e seus imediatos sucedâneos, cuja adolescência começou a ser vivida ao despontar do século XX, fazem da Feira Popular a sua «lareira do passado» - porque, aqui, além, alguma coisa lhes recorda Lisboa - «Senhora dos tempos idos»... São as típicas locandas que embora algumas com designações modernas, lembram as que existiam naquela época distante e igualmente tão discretas, que nelas se entra e delas se sai sem que o numeroso público, que aflui à Feira, se aperceba de quais se trata... Velhos venerandos fidalgos, boémios de sempre, que andavam de braço dado com D. João da Câmara, Henrique Lopes de Mendonça, Marcelino Mesquita e outros, pelo «Zé dos Pacatos» e «Águia Roxa» na estrada de Sacavém, e que assistiram nesta última «tasca», à homenagem tributada - a D. João da Câmara, na «prêmiere» da sua peça histórica «Alcácer Quibir» - onde Carlos Harrington glosou de improviso, uma quadra célebre do autor da letra de «A Portuguesa» - hoje, Hino Nacional... Raros são os que os conhecem - eles passam irrepreensíveis em suas atitudes fidalgas, como impecáveis em seus trajos, Só porque a Feira lhes proporciona durante os meses de verão matar saudades de «in illo tempore». Nomes? Para quê? Os últimos abencerragens da Lisboa antiga são os últimos a abandonar a Feira Popular da Lisboa Nova...

E de quando em quando, não obstante o modernismo ruidoso dos auto-falantes, transmitindo «sambas», «emboladas» e «modinhas» do Brasil, entremeados de canções portuguesas, ainda se ouve o nosso fado o castiço, como antigamente, na mesma toada plangente com que era cantado «fora de portas» - através de Lisboa inteira.

Ás vezes, parece-nos estar no Arco do Cego, nas tabernas do «António da Joana» ou do «Frade»; na Calçada do Carriche, na «Nova Sintra» ou no «Patusca»; no campo Grande, no «Quebra Bilhas» ou no «Colete Encarnado»; em Benfica, no «Caliça»; em Campolide, no «Ferro de Engomar», (depois implantado em Benfica), no «Rabicha» ou na «Tia Iria» - em típica taberna também traslada para Campo de Ourique - até aqui, pertinho da Feira actual, no popular «Zé Azeiteiro», cuja casa estava sempre aberta, de dia e de noite, como o famoso «Botin» da Plaza de los Herradores, em Madrid, onde o infante D. Afonso, o «Arreda», após o seu casamento com a princesa Nevada, costumava cear, fiel à tradição de que, naquele velho restaurante, o fogão para assar os «cochinillos» fora aceso no tempo dos Filipes e... nunca mais se apagará.

Mas... vamos ao fado, mas em silêncio - sem microfones. Ainda, há dias, ouvimos o fado antigo, cantado num ambiente dos antigos «retiros» alfacinhas. E um velho fidalgo, a nosso lado, chorou de emoção - pretexto admirável a que logo nos apegámos para redigir mais uma página de «Memórias que desta vida se consentem...».

Alguns dos que assistiram ao almoço típico na «Adega da Lucília», são do tempo em que o fado, vivido e cantado - sobretudo sofrido - tinha seus bairros próprios: - Alfama e Mouraria - e todos lembramos a campanha então movida, através da tuba canora da imprensa contra a «canção nacional».

O que se disse e o que se escreveu!... E até a política se meteu no caso, só porque o rei D. Carlos, ainda nos seus tempos de príncipe, aprendera a tocar guitarra com o famoso João Maria dos Anjos... Um Rei fadista?... e vá de atacar o fado...

Uns deram-lhe por pai o «lundum» afro-americano (a que já se referira Tolentino) e por mãe a «módinha brasileira», esquecendo que embora sem o nome de fado, a «Triste Canção do Sul», de Alberto Pimentel tinha suas fundas raízes naquele «cantar guayado» dos nossos marinheiros e homens da Ribeira e Alfama e ao qual já aludira Gil Vicente...

Tudo isto nos ocorre ao ouvir, em plena Feira Popular o velho fado cantado por um velho cantador (Alfredo Marceneiro) que tem, num rapaz de 22 anos, Luís Filipe, talvez o seu melhor continuador.

E não nos venham repetir o que, em 1909, escrevia o embora autorizado António Arroio, nas suas arremetidas contra o fado pois a sua doutrina definida nestas duas frases que fizeram eco: - «Sendo Portugal positivamente um doente, o fado diagnostica a doença...: «0 fado exprime o estado de inércia e inferioridade sentimental em que o nosso País está mergulhado. Há muitos anos, e do qual urge que saia»... - está inteiramente invalidada.

Nunca se cantou tanto o fado, como hoje - e ainda que não lhe demos foros de «canção nacional», (que a não possuímos), a verdade é que a sua repercussão em Portugal e além fronteiras atinge as proporções duma verdadeira consagração. E no entanto, Portugal saiu daquele estado de inércia e de inferioridade sentimental da qual o insigne António Arroio dizia ser mister sair...

E a prova de que o fado não «diagnosticava a doença de que Portugal sofria» está precisamente no facto do fado acompanhar a salvação do País. Portugal restaurado fez ressurgir o fado.

E no fado que hoje se canta, ainda há muita coisa do fado antigo. Voltam, assim, os bons tempos de outrora...

Armando Boaventura

 

 

Quis o destino que o filho de Armando Boaventura, Fernando Boaventura, visitasse o meu blog e visse as caricaturas feitas por seu pai a meu avô. Teve a amabilidade de me escrever, e logo o desafiei para  escrever  algo sobre o pai, decidiu enviar-me este excepcional artigo publicado em 1952, que mostra bem a alma fadista que o pai possuia.

Auto-caricatura de Armando Boaventura

 

Nota: Fernando Boaventura, era muito jovem quando o pai faleceu, e muito do espólio deste desapareceu, se alguém tiver algo deste artista, e queira ceder ou informar o filho, ele agradece,  o seu contacto é:

fmboaventura@clix.pt

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