Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

JOANA AMENDOEIRA

Nasceu em Santarém a 30 de Setembro de 1982.

Em 1994 concorre pela primeira vez na Grande Noite do Fado de Lisboa, e embora não ganhe, recebe os maiores elogios do público e júri presentes.

Em 1995, volta a participar, mas no Porto, onde ganha o primeiro prémio de interpretação feminina.

A partir desse ano inicia uma actividade regular com espectáculos por todo o País.

Em 1998 desloca-se pela primeira vez ao estrangeiro, onde actua no âmbito do evento "Dias de Portugal", organizado pelo ICEP na cidade de Budapeste (Hungria). Ainda no mesmo ano grava o seu primeiro álbum, intitulado "Olhos Garotos". O espectáculo com Carlos do Carmo, no auditório do Rádio Alfa em 1999, em Paris, possibilita-lhe outros concertos em África, Budapeste e Brasil onde actua no âmbito dos “500 anos da descoberta do Brasil”.

Em 2000 edita o segundo álbum "Aquela Rua", que recebe as melhores referências da crítica especializada. Inicia uma colaboração regular com o "Clube de Fado", uma das mais prestigiadas casas de Fado de Lisboa, onde faz parte do elenco local.

Em 2001 volta ao estrangeiro, com actuações na Holanda (Kleine Komedie), Itália (Instituto Português de Santo Agostinho), Alemanha (Festival de Canções de Verão), Hungria (a convite do ICEP), Brasil (Hotel Vila Galé), U.S.A. (Comunidade Portuguesa de São José da Califórnia) e França (Comunidade Portuguesa de Lyon).

Foi convidada a ir ao Japão, para uma digressão de 23 dias.

Actua na prestigiada sala Muziekcentrum Vredenburg, em Utrecht (Holanda), na carismática Sale Jacques Brel, em Fontenay (França) e no Centro Cultural Dom em Moscovo.

Em Portugal, é convidada para as mais prestigiadas colecções discográficas nacionais, como Novas Vozes, Novos Fados da EMI/VC, Nova Biografia do Fado da EMI/VC,  tendo paricipado no  disco de homenagem a Moniz Pereira, para a "Universal", assim como na banda sonora da série Jóia de África.

Em 2003, lançou o seu terceiro álbum “Joana Amendoeira” trabalho que teve reconhecimento imediato por toda a comunidade fadista, crítica especializada e pelo público.

O seu reconhecimento quer nacional quer no estrangeiro, leva-a a ser convidada para actuar nas feiras profissionais de “World Music”, como o Mercat de Musica Viva de Vic 03 (Espanha) e a Strictly Mundial 05 (Canadá).

É-lhe atribuído o Prémio Revelação 2004 da Casa da Imprensa.

O seu quarto CD, lançado em Julho 2005, é gravado ao vivo no âmbito do seu primeiro espectáculo a solo numa das mais prestigiadas salas de Lisboa, o Teatro Municipal São Luís.

 

 

Joana Amendoeira canta:

Sopra o Vento de Fernando Pessoa

 

                                             

Nota: mais uma vez lamento não poder divulgar os merecidos “méritos” aos autores do Vídeo-Clip, pois não consegui informações.

Quero também anotar, que nestes  trabalhos que venho a publicando no blogue, que nas investigações que efectuo, na maioria dos casos, ninguém menciona os autores, o que é grave e deselegante.

OS AUTORES SÃO PARTE INTEGRANTE DO CONJUNTO QUE PROPORCIONA AO ARTISTA OS SEUS ÊXITOS

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música: Sopra o Vento
publicado por Vítor Marceneiro às 19:30
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

MUSEU DA MÚSICA

.:: PALESTRA «A HISTÓRIA E OS SONS DOS CORDOFONES PORTUGUESES» ::.

Terça-Feira, 28 de Outubro // 18:00 h

 

 Os cordofones portugueses estarão no centro de uma apresentação efectuada por José Lúcio, músico com mais de 40 anos dedicados à investigação que conheceu de perto os grandes mestres, investigadores e construtores, tendo reunido uma importante colecção.

No decorrer da sua palestra, José Lúcio aliará a palavra à música, interpretando pequenos temas para cavaquinho, bandolim português, viola da terra (Açores), rajão (Madeira), viola de fado e guitarra portuguesa (Coimbra), procurando destacar a riqueza e variedade da música e dos cordofones portugueses.

Esta palestra surge precisamente no âmbito de um exercício académico que procurará elaborar um projecto para criação de um Centro para a Guitarra Portuguesa, instituição de carácter museológico que terá como missão a promoção da música portuguesa e do seu artesanato instrumental, reunindo as colecções de José Lúcio.

Envolvendo as Universidades de Baltimore (EUA), do Minho e Nova, o referido exercício procurará conjugar aspectos museológicos e musicológicos com uma perspectiva económica de responsabilidade social.


 

.:: «RECORDAR ALFREDO MARCENEIRO» ::.

Terça-Feira, 28 de Outubro // 19:30 h

 

Recordar Alfredo Marceneiro é um espectáculo/palestra,  som, animação de imagem e canto ao vivo conduzido e interpretado por Vítor Duarte “Marceneiro”, neto desse grande nome do Fado, em que se passa revista à sua biografia, ao mesmo tempo que se projectam fotografias de arquivo, excertos sonoros de filmes em que participou, capas de discos, cartazes de espectáculos, etc.

A acompanhar Vítor Duarte “Marceneiro” na sua apresentação, estarão músicos de reconhecido mérito como Luis Ribeiro (Guitarra Portuguesa) e Jaime Martins (Viola Baixo), não esquecendo a participação especial de José Lúcio (musicólogo / investigador) em Viola de fado.

» Mais informações em http://museu-musica.blogspot.com

___________________________________________________________

 

 

MUSEU DA MÚSICA

Estação do Metropolitano Alto dos Moinhos

Rua João de Freitas Branco

1500-359 LISBOA

PORTUGAL

Tel:  (351) 21 771 09 90 / Fax: (351) 21 771 09 99 / e-mail: mmusica@ipmuseus.pt

site: www.museudamusica-ipmuseus.pt / blog: http://museu-musica.blogspot.com


Lisboa, 25 Out (Lusa) - Estudantes universitários norte-americanos estudam a possibilidade da colecção de instrumentos tradicionais de cordas do músico e estudioso José Lúcio tornar-se um Centro Museológico.

    No âmbito deste "exercício académico", o músico organiza terça-feira um recital no Museu da Música, em Lisboa, ao Alto dos Moinhos, para os universitários de Baltimore, sobre os cordofones portugueses com exemplificações ao vivo.

    Esta sessão em que tocará pequenos temas para cavaquinho, bandolim português, viola da terra (Açores), rajão (Madeira), viola de fado ou guitarra portuguesa realiza-se pelas 18:00 de terça-feira próxima e é aberta ao público.

    À palestra de Lúcio, intitulada "A História e os Sons dos Cordofones Portugueses", seguir-se-á a apresentação de uma palestra/espectáculo "Recordar Alfredo Marceneiro" pelo seu neto, Vítor Duarte Marceneiro.

    Distinguido este ano com o Prémio Amália Rodrigues Ensaio e Divulgação, Vítor Duarte Marceneiro é autor de duas biografias do seu avô e de uma de Hermínia Silva.

    Em declarações à Agência Lusa, José Lúcio afirmou que "há o interesse por parte dos norte-americanos em construir um Museu vivo em Portugal" a partir da sua colecção.

    "Um Museu em que, além de expor os instrumentos da minha colecção que são cerca de 300, vão-se fazer cursos em que as pessoas possam aprender a tocar cavaquinho, viola braguesa e guitarra portuguesa. Outra vertente é a manutenção de instrumentos antigos. Portugal deve ser o país com o maior número de instrumentos velhos que vão para o lixo porque ninguém os repara", disse.

    "Nos nossos museus, se formos ao Verdades Faria [em Cascais], ou ao do Alto dos Moinhos, a maior parte dos instrumentos estão abandonados porque o Museu não tem ninguém que faça a manutenção, quer em termos de execução, como em verificar se um instrumento abriu rachas, partiu uma corda, etc.. A intenção é também criar um conjunto de postos de trabalho na área da musicologia", disse José Lúcio.

    Este projectado Centro Museológico requer espaço para oficinas, salas de estudo e um pequeno auditório, além da área de exposição, segundo disse o músico.

    O pequeno auditório é "essencial", pois seria um espaço para recitais de viola braguesa, bandolim ou guitarra portuguesa, "um hábito pouco comum entre os portugueses", frisou.

    Referindo-se à sua colecção, José Lúcio afirmou à Lusa que já teve uma proposta para a vender a um museu do Sul de Espanha, mas "por enquanto fica por cá".

    O músico chegou a apresentar um projecto à Câmara de Odivelas, que "se terá desinteressado, pois nunca mais disseram nada".

    Uma rabeca chuleira ou violino de braço curto, construída em Portugal em 1802 e "em perfeito estado para ser tocada", é o instrumento mais antigo da colecção que começou a fazer há 40 anos e que tem cordofones representantes de todas as regiões do país.

    Fonte ligada ao processo disse à Lusa que "o papel do Museu da Música é principalmente o de receber esta iniciativa e também trocar alguma informação, do ponto de vista da experiência".

    José Lúcio disse à Lusa que "há um grande interesse dos norte-americanos pelo fado e a figura de Marceneiro", daí o convite ao seu neto.

    "Eu podia falar de Marceneiro, mas se há o neto, que é um investigador, com material sobre ele, designadamente filmagens e fotografias, e ainda por cima canta, foi óbvio o convite", explicou.

    A acompanhar Vítor Duarte Marceneiro estarão Luís Ribeiro (guitarra portuguesa), Jaime Martins (viola baixo) e o próprio José Lúcio (viola).

 

Nuno Lopes   

 

    Lusa/Fim

 

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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Ana Moura - Fadista

Nasceu em Santarém em 1979.

Inicia-se na música ainda muito jovem fazendo parte de uma banda pop/rock.

Foi descoberta por Maria da Fé, e passa actuar com frequência no Restaurante Senhor Vinho, cujos proprietários são, Maria da Fé e seu marido José Luis Gordo. É um espaço que para além da sua vertente comercial passa a ser uma escola para muitos jovens que têm aparecido nos últimos tempos.

Ana Moura estreou-se em 2003 com o disco “Guarda-me a Vida na Mão” cantando essencialmente repertório de Amália Rodrigues, em que recria "Lavava no rio lavava" e apresenta já alguns temas originais. O álbum foi editado pela Universal Music, com produção de Jorge Fernando.

Este seu trabalho é designado para o concurso ao prémio  "José Afonso - 2004", que lhe abre as portas a uma carreira internacional.

Actuou na China, Estados Unidos (New York e Chicago), França, Holanda e Reino Unido. Amesterdão, Espanha e México.

Foi convidada a actuar no Mónaco no âmbito do Festival do Cinema de Cannes.

Ainda nos finais de 2004 sai o álbum  de fado tradicional "Dentro de Casa".

Canta, também, em vários locais da noite lisboeta e deu-se a conhecer na televisão ao lado de António Pinto Basto, em Fados de Portugal.

 

Em 2006 é convidada por Ti Ries, saxofonista dos Rolling Stones para em conjunto com outros artistas do "world music"  cantar os temas da banda "Bron Sugar" e "No Expectations", este último tema cantou-o novamente em Lisboa , com Mick Jagger.

Em 2007 lança um novo trabalho “Além da Saudade” , contendo músicas e poemas de autores diversos, mas em que se destaca "Búzios"  de Jorge Fernando.

Ana Moura ficou conhecida do grande público português, também devido às participações em programas como Contacto e Família Superstar, ambos na SIC, e no Sexta à Noite, de José Carlos Malato, na RTP. Estas aparições na televisão ajudaram-na a promover este disco, conseguindo alcançar a "Platina", por vendas superiores a vinte mil unidades, e a permanecer várias semanas no TOP 30 de Portugal.

Em 2008 é galardoada com o prémio Amália Rodrigues “Melhor Interprete”

Tive o prazer de conhecer Ana Moura e seus pais na entrega dos galardões Amália Rodrigues deste ano, e fiquei deliciado com a sua simpatia e simplicidade.

Parabéns Ana Moura

Vítor Marceneiro

Notas

  • Excertos de um texto de Nuno Lopes (Jornalista)
  • As minhas desculpas aos autores do Video-Clip,  pois foram infrutíferas todas as diligências que tentei para os identificar, afim de aqui publicar os seus méritos devidos. Parabéns pelo vosso trabalho.


Música: Ana Moura distinguida com o Prémio Internacional da Portuguese American Leadership Council Association

 

 Lisboa, 21 Out (Lusa) - A fadista Ana Moura foi distinguida com o Prémio Internacional da Portuguese American Leadership Council Association, recebendo-o dia 1 de Novembro na gala anual da associação, no New City Hall de San José (Califórnia).

    Em anteriores edições, este galardão, atribuído pela maior associação portuguesa nos Estados Unidos, distinguiu o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, a basquetebolista Ticha Penicheiro e a cantora pop Nelly Furtado.

    Ainda este mês, a fadista irá participar nas apresentações do álbum "Stones World: Rolling Stones World Music Project", projecto do saxofonista Tim Ries, no qual interpretou as canções "No Expectations" e "Brown sugar".

    Actuará no The Jazz Standard, em Nova Iorque, dias 28, 29 e 30 de Outubro, e no Yoshi's de São Francisco (Califórnia) dia 02 de Novembro, partilhando o palco com Bernard Fowler (voz), Michael Davis (trombone), Adam Rogers (guitarra), Darryl Jones (baixo), Jeff "Tain" Watts (bateria) e Tim Ries (saxofone).

………….

 

Nuno Lopes

 

LUSA

 

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música: Búzios
publicado por Vítor Marceneiro às 22:03
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

MAFALDA ARNAUTH

Nasceu em Lisboa, 4 de Outubro de 1974

Foi descoberta por João Braga num concurso de Fado levado a efeito no extinto "Clube de Fado Amália" . em Birre-Cascais, propriedade de Bela Bueri e do grande músico e poeta  Tó Moliças,  corria o ano de 1995.

João Braga,  logo a convidou para entrar num concerto no Teatro de São Luís, em Lisboa, no qual foi estrondosamente ovacionada.

O seu primeiro álbum, Mafalda Arnauth (1999), foi aclamado pela crítica e recebeu o prémio de "voz revelação" do ano pela revista portuguesa BLITZ,

 O seu segundo disco, " Esta Voz Que Me Atravessa"   foi editado em 2001.

Em 2003, Mafalda Arnauth lançou "Encantamento", no qual surge também como compositora.

Em 2005 grava "Diário" , que foi saudado pela crítica e pelos fãs como o melhor trabalho da cantora até o momento.

Este ano com produção própria  edita "Flor do Fado", com alguns temas seus e outros já gravados por outros fadistas, mas para mim e para grande maioria do público, é  sublime  a sua interpretação do excepcional poema que Manuel Alegre fez para  a bonita canção de José Niza "Flor de Verde Pinho" .

Sou amigo de Mafalda,  nutro por ela um enorme respeito e carinho.

É de  realçar também  o seu enorme empenho,  que mesmo dentro dos "meandros tumultuosos"  da vida artística, conseguiu chegar ao fim do curso de veterinária.

Parabéns Mafalda

 

Mafalda Arnauth

canta FLOR DE VERDE PINHO

Letra de Manuel Alegre

Música Zé Niza

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música: Flor de Verde Pinho
publicado por Vítor Marceneiro às 02:20
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

A ÁRVORE - Uma árvore pode acompanhar uma vida.

A reedição desta página é dedicado aos resposáveis do HOSPITAL DA COVILHà

 

"UMA ÁRVORE PODE ACOMPANHAR UMAS VIDA"

 Leiam com atenção a notícia que saiu no jornal Díario de Notícias do dia 13 deste mês, É uma notícia da Lusa e foi colocada na página 14 ao fundo do lado direito,sem qualquer destaque.

 

 

 

ÁRVORES

O meu filho Alfredo, que tem oito anos, em virtude de na escola terem feito uma série de trabalhos sobre a á rvore, veio-me propor para eu fazer um aviso às pessoas para não fazerem mal às á rvores, na "nossa internet"

Aqui est á a seu pedido uma homenagem á árvore, que ali á s o Fado e os Fadistas não olvidam.

ORAÇÃO DA ÁRVORE

 

Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal, olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de Inverno;
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de Agosto;
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
A t á bua  da tua mesa, a cama em que tu descansas
E o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada,
A madeira do teu berço, o aconchego do teu caixão.
Eu sou o pão da bondade e a flor da Beleza.
TU QUE PASSAS, OLHA-ME E NÃO ME FAÇAS MAL.

     

 

 

Poema de Veiga Simões, Arganil, Maio de 1914

VideoClipe: Realização Vítor Duarte Marceneiro

Figurantes: Alfredo Duarte e Beatriz Duarte (4ª Geração de Marceneiro)

Ideia recolha de fotos na net: Alfredo Duarte

Palavras ditas por: Vitor Duarte Marceneiro

Música: Fado Ana Maria de Alfredo Marceneiro

Interprete: Arménio de Melo à Guitarra. Viola Jaime Santos, Viola Baixo José Elmiro


"LARANJEIRA FLORIDA"

 

Letra de Julio César Valente

Música: Fado Alexandrino de Alfredo Marceneiro

Repertório de: Alfredo Marceneiro

 

           Em tenra a laranjeira

           Ainda pequenina

           Onde poisava o melro

          Ao declinar do dia

          Depois de te beijar

          A boca purpurina

          Um nome ali gravei

          O teu nome Maria

 

 

Em volta um coração

também com arte e geito

Ao circundar teu nome

A minha mão gravou

Esculpi-lhe uma data

E o trabalho feito

Como sêlo de amor

No tronco l á ficou

 

                                 Mas no rugoso tronco

                                 Eu vejo com saudade

                                 O símbolo do amor

                                 Que em tempos nos uníu

                                  Cadeia de ilusões

                                  Da nossa mocidade

                                  Que o tempo enferrujou

                                  E que depois partiu

 

E à linda laranjeira

Altar pregão d´amor

Que tem a cor da esperança

A cor das esmeraldas

Vão as noivas colher

As simbólicas flores

Para tecer num sonho

As virginais grinaldas


OS PINHEIROS

Letra: Carlos Conde

Música: Fado do Porto

Repertório de: Alfredo Duarte Jr.

 

Num grande país do norte

Muito distante do nosso

Todo cercado por mar

Andei em busca da sorte

Tinha saúde era moço

Pedi para trabalhar

 

Deram-me um machado novo

E apontaram-me distante

Um pinhal junto da serra

Transpus um povo, outro povo

Que davam a todo o instante

Ideia da minha terra

 

Cheguei lá ergui os braços

E dois pinheiros convulsos

Cairam mortos no chão

Fi-los depois em pedaços

Eu tinha alugado os pulsos

Para ganhar o meu pão

 

  Quando a luz já era menos

  Fui fazer a minha cama

  E detive-me com espanto

  Vendos os pequenos pinheiros

  Deixando cair da rama

  Gotas amargas de pranto

 

 

Acordei entrestecido

Revi todos os meus trilhos

E quase insultei os céus

A vida toda ela é um crime

Para sustentar os meus!


É justo relembrar El Rei D. Dinis, O Lavrador, que no meu tempo da primária. tinhamos que saber, que entre vários feitos, mandou plantar o pinhal de Leiria, parece que hoje não é importante, mas esta ideia do meu filho Alfredo, serviu também para eu  lhe falar deste nosso rei, porque na escola ainda não falaram "destas coisas"!

 El Rei D. Dinis, foi um dos mais marcantes vultos do Portugal medieval. Protector da agricultura, mandou plantar  o pinhal de Leiria e povoou o litoral. Criou a Universidade e abriu horizontes culturais à Nação. O rei “Trovador”, famoso pelas suas românticas cantigas de amigo, foi uma espécie de inventor da elegância. Destacou-se a escrever e tornou o português na língua oficial do País. Rei poeta, cortejou as artes.

  

Pinhal de Leiria

 


Recebi após a publicaçâo desta página, um comentário do meu querido amigo e já habitual comentador Domingos Mesias, cujas notas com que nos tem brindado dão a conhecer ser possuidor de uma cultura geral digna de registo.

Achei uma ternura o  poema dedicado à sua "filhota" Ana Sofia, sendo curioso que ambos partilhamos das mesmas ideias e valores  que transmitimos aos nossos filhos.

 

Pedi-lhe para me enviar uma foto da "filhota" e se podia dar destaque ao seu apontamente, ao que ele acedeu.

 

Querido amigo Marceneiro,
A seguinte frase pertence ao feedback que obtive ao enviar este endereço de blogue ao meu parente Manuel Teixeira que nasceu e vive nos Estados Unidos da América e que nutre connosco, em comum, esta intemporal paixão pelos assuntos do FADO:
«i love the poem written by the eight year old about protecting trees!!!».
Todos nutrimos, verifico também, a encantadora tarefa de ser-mos pais e educadores de nossa geração.
Fica, da minha autoria, escrito até antes umas semanas de vir a ser pai, em 2001:


ANA SOFIA


Sê bem vinda, rebento meu.
Herdeira de mim e do Céu
Consigas ver nossa Luz,
Nos tragas mais fé no amor
E tamanho à felicidade,
Nos proves que Quem nos conduz
Nos Quis a todos sem idade.
Vem e trás dos mais lindos sonhos,
De todos ainda por sonhar,
Que, em esta vida por viver
Que iremos poder partilhar,
Saibamos do que tem que ser
E nos saibamos ensinar
A ser livres e responsáveis,
A ser felizes e a amar.
Vem saber o que a vida pede,
Vem buscar o que a vida dá,
Vem-me conhecer, que por breve
Possamos conhecer-nos cá.
Domingos Manuel Teixeira Mesias.
Tue, 09 Oct 2007 09:36:42 GMT:


P.S. Deixo referido que por via da divulgação que o amigo produz já aprendemos, eu a a Ana Sofia, toda a parte cantada da Marcha do Centenário. Sementes de amor por Lisboa...

 

 

E DIGAM  LÁ SE ISTO NÃO É FADO....

 

 NOTA DO AUITOR: Esta página foi já publicada em 9 de Outubro de 2007, acho pernitente relembrar, será que num ano algo mudou?

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publicado por Vítor Marceneiro às 20:00
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

INÁCIO DE MATOS

Nasceu em Lisboa no Ato Pina, fazendo parte da geração de Tristão da Silva, também nascido neste bairro.

Aos 15 anos  participou no concurso “Primavera do Fado”, que foi efectuado no antigo Luso.

Aos 18 anos estreia-se como profissional da "Nau Catrineta",  tendo sido contratado em outros locais, como o “Patricio” o "Retiro Andaluz", etc.

Frequentou o curso no Centro de Preparação de Artistas da Rádio e, durante quase uma década fez parte do elenco frequente da Emissora Nacional.

Inácio de Matos teve sempre uma identidade muito própria na sua vida de fadista. Foi autor de alguns Fados para o seu próprio reportório como também para outros fadistas.

Sendo do mesmo bairro do amigo e companheiro  Tristão da Silva, quis o destino que embora não o quisesse imitar, quer  o seu timbre de voz, quer o  estilo eram muito semelhantes, mas sempre tentou como já se disse tentar manter uma identidade artística muito sua.

 

Inácio de Matos

canta Quando Lisboa Adormece

Letra de António José e música de sua autoria

 

 

 

 

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música: Quando Lisboa Adormece
publicado por Vítor Marceneiro às 01:10
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

RICARDO RIBEIRO - Fadista

 Nasceu a 19 de Agosto de 1981 no Bairro da Ajuda, em Lisboa. Começou ainda muito jovem a cantar Fado, tendo-se estreado em colectividades de Cultura e Recreio aos 9 anos.

Já adolescente, fez figura a frequentar o ambiente fadista das casas de Fado.

Em 1997 obteve o 1º lugar na Grande Noite do Fado, na categoria Juvenil, no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Em 1998 ganhou  o primeiro lugar na Grande Noite do Fado, ainda nesse ano  apresentou o seu primeiro trabalho gravado, um disco de edição de autor com o título Na Seiva da Minha Voz, constam ainda os fados, Grande Amor, de Hélder Moutinho e Amadeu Ramin, Meu Amor, de José Luís Gordo e José António Sabrosa, Procuro E Não Te Encontro, de Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa, Horas de Fado, de Artur Ribeiro e Armando Machado, Ponto Final, de David Mourão-Ferreira e Joaquim Campos, Alfama, de José Carlos Ary dos Santos e Alain Oulman, História De Uma Chinela, de Manuel Paião e Eduardo Damas, Amor Ausente, de Alberto Correia, Trago Uma Rua No Peito, de Tó Meliças e Popular, Olhar Divino, de Moita Girão e Armandinho, Boneca de Porcelana, de António Rocha e Casimiro Ramos, e Pede­-me Tudo, de Jorge Rosa e Jaime Santos. É casado com a fadista Ana Sofia Varela. Embora seja considerado um fadista da nova geração, dadas as influências que sofreu sobretudo de Fernando Maurício, é admirado como veterano.

Dedica-se também à  investigação do Fado e estuda guitarra clássica.

Em 2004 surgiu o seu segundo trabalho gravado através de CD editado pela CNM, onde se faz acompanhar do guitarrista José Manuel Neto, de Jorge Fernando na viola, que fez os arranjos musicais, e de Marino de Freitas na viola-baixo. No álbum interpreta, Deixem-me Ser, de Rui Manuel e Manuel Mendes, Esta Voz, de José Luís Gordo e José Marques do Amaral, Rezando Pedi Por Ti, de Natália dos Anjos e Raul Ferrão (Fado Carriche), Ainda Se Soubesses, DR e Amadeu Ramin, A Lua e o Corpo, de Rui Manuel e Alfredo Marceneiro (Fado Pierrot - Menor em Versículo), Quero Tanto Aos Olhos Teus, de Manuel de Almeida e José Lopes (Fado José Lopes), Alma Rasa, de Jorge Fernando, Aniversário de Paco Gonzàlez, Mas Porquê De Eu Ser Assim, de António Cruz e Armando Machado (Fado Maria Rita), e Balada Das Mãos Ausentes, de João Dias e Raul Ferrão (Fado Alcântara).

Em 2005 a Fundação Amália Rodrigues atribuiu-lhe o prémio Revelação Masculina do Fado.

 

Vitor Marceneiro e Ricardo Ribeiro, duas gerações diferentes, mas um mesmo sentir,  e alma fadista


 

Ricardo Ribeiro canta no seu novo CD- Rabit Abou-Khalil

entre vários temas,  "A Lua e o Corpo" com letra de Rui Manuel e música do Fado Versículo de Alfredo Marceneiro

 

 

Sobre este trabalho, o jornalista Nuno Lopes da LUSA escreveu a seguinte notícia:

 

Música: Fadista Ricardo Ribeiro grava poetas portugueses com o músico libanês Rabih Abou-Khalil
Lisboa, 02 Jun (Lusa) - À música do libanês Rabih Abou-Khalil juntou-se pela primeira vez uma voz, a do fadista Ricardo Ribeiro, que escolheu poemas em português de autores como José Luís Gordo, Mário Raínho ou Rui Manuel, originando um disco invulgar.
O projecto começou o ano passado por intermédio do encenador Ricardo Pais que os apresentou, seguiram-se dois espectáculos em Lisboa e no Porto, e esta semana surge o álbum, "Rabih Abou-Khalil em português".
"É um projecto que me enche de orgulho pela satisfação que foi trabalhar com um extraordinário músico, e pela forma como o trabalho fluiu, sem forçar nada, correndo tudo muito naturalmente", disse à Lusa Ricardo Ribeiro.
Pela primeira vez, Abou-Khalil juntou voz à sua música.
Os poemas, todos inéditos, foram propositadamente escolhidos para o projecto, à excepção de "Casa da Mariquinhas", de Silva Tavares, que Alfredo Marceneiro popularizou.
"Escolhi letras de poetas com os quais me identificava, todos os autores são contemporâneos e estão vivos, exceptuando Silva Tavares", disse o fadista.
"Casa da Mariquinhas", "Adolescência perdida", de autoria do fadista António Rocha, "Já não dá como está", de Rui Manuel, e "No mar das tuas pernas", de Tiago Torres da Silva, são os favoritos de Ricardo, de um grupo de 12 temas.
"Na realidade gosto de todos os poemas, por isso os escolhi, mas estes têm um gosto especial", justificou.
"`No mar das tuas pernas` surgiu porque o Rabih queria uma letra erótica, quase pornográfica, como indicava a cadência da sua composição musical", explicou.
"No caso de `Casa da Mariquinhas` que é um poema que permite uma leitura nas entrelinhas, a música de Khalil é muito subtil, com descida nas escalas nessas segundas leituras, e depois um ritmo mais acelerado".
"`Adolescência perdida`, de que gosto muito, mostrei-a ao Rabih, e numa semana, durante as gravações em estúdio, aprendi a música e gravámos", afirmou.
Para o fadista, vencedor de uma Grande Noite do Fado (1998) e detentor de um Prémio Amália Rodrigues Revelação (2005), "há na música de Abou-Khalil laivos de fado e até do cante alentejano, mas não houve qualquer tipo de tentativa de aproximação".
"Claro que está lá fado, porque canto fado, mas procurei desligar-me e corresponder ao registo pretendido, à cadência e ao ritmo", disse.
"Essas reminiscências quer do fado quer do cante são naturais, pois os árabes estiveram 800 anos na Península Ibérica", acrescentou.
Fadista da linha tradicional, habituado ao público das casas de fado e das noites de tertúlia fadista, Ricardo Ribeiro afirmou à Lusa que se sentiu "assustado" com o projecto que lhe parecia "complicado".
"Fiquei assustado, com um músico do calibre do Rabih que nunca tinha juntado voz à sua música, mas depois correu muito bem", disse.
"Na música de Khalil tanto o ritmo, muito forte, como a melodia são muito improvisados e não há uma base harmónica como estou habituado no fado", acrescentou.
O fadista realçou que "intuitivamente" se aproximou da música de cariz árabe e quanto a mudanças de estilo afirma: "Sou eu na mesma, porque afinal é a minha alma que canta".
Com Ricardo Ribeiro (voz) e Rabih Abou-Khalil (alaúde) estão Michel Godard (tuba), Jarrod Cagwin (tambor tradicional árabe) e Luciano Biondini (acordeão).
Mannheim, na Alemanha, e Dudelange, no Luxemburgo, são os dois próximos palcos deste projecto, respectivamente a 06 e 14 de Junho.
Agendados estão já mais de uma dezena de espectáculos na Europa: Vila Nova de Cerveira será a primeira localidade portuguesa a recebe-los, dia 26 de Julho. Dia 04 de Agosto estarão no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e dia 10 do mesmo mês na casa da Música, no Porto.
NL.
Lusa/Fim
 
Também a Revista Britanica "SONGLINES", considera este tabalho entre os 10 melhores na área da "world-music" e qualifica Ricardo Ribeiro de "estrela nascente no panorama fadista" elogiando a sua voz e o seu estilo de alma fadista.
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música: A Lua e o Corpo
publicado por Vítor Marceneiro às 15:21
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Amália... 9 anos de saudade

Amália Rodrigues canta

com letra de Feijó Teixeira e música de Sapateirinho da Bica

FADO FINAL

 

 

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música: Fado Final
publicado por Vítor Marceneiro às 00:34
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Domingo, 5 de Outubro de 2008

AMÁLIA - A Divina Voz dos Poetas e de Portugal

Dia 18 de Setembro p.p., foi apresentado ao público um novo livro sobre a Amália, só tive conhecimento há poucos dias,  sei que está praticamente esgotado (*) e que estará para breve uma apresentação no Museu do Fado, com a presença do autor na saída da 2ª edição

(*) Ainda há alguns exemplares na Livraria do Museu do Fado

Esta obra resulta da edição da Dissertação/Tese de Mestrado em Estudos sobre as Mulheres do Dr. Rui Martins Ferreira.

O autor procurou seguir o rasto de uma voz - a Voz de Amália Rodrigues - através dos poetas eruditos, ou seja, através dos poemas de que essa voz se apropria, mostrando que existe uma singular coerência e unidade entre os diversos poetas e poemas cantados por Amália Rodrigues.

 

Editado: Por Parceria Editores Maria Antónia Pereira

 

 Rui Martins Ferreira nasceu em Outubro de 1962, em Lisboa onde vive.

É professor de Língua Portuguesa e de Língua Francesa, Licenciado em ensino de Português/Francês e Mestre em Estudos sobre as Mulheres pela Universidade Aberta de Lisboa, Toda a sua vida tem sido dedicada ao ensino e ao Fado.

Escolheu Amália Rodrigues para tema de estudo da sua Tese de Mestrado., que defendeu em Dezembro de 2006, obtendo a classificação de Muito Bom por unanimidade, na prestação oral obteve Excelente.

É autor de uma monografia em Francês intitulada `”Amália ou le Fado incarné”, tendo ganho o prémio da Alliance Françaíse de Paris em 1988.

É coordenador de vários projectos educativos sempre ligados ao Fado e à Poesia Portuguesa.

Além de professor é também fadista de alma e coração, em 1988 Ganhou a Grande Noite do Fado, em que interpretou precisamente um tema do repertório de Amália, da autoria desse grande poeta que se chamou Pedro Homens de Melo, “Povo que Lavas no Rio”, recebendo como troféu a Carteira Profissional de Fadista.
Já gravou e actuou cm várias casas de fado e em várias salas de espectáculo quer nacionais quer internacionais.

Prepara-se agora para fazer o doutoramento em Estudos sobre as Mulheres dando continuidade aos estudos amalianos de que é pioneiro em Portugal e no Mundo.

 

 

Foto do autor com a sua madrinha Amália Rodrigues,  em homenagem a estes, que tomo a liberdade de vos inserir um video (RTP) em que Amália nos canta :

POVO QUE LAVAS NO RIO, de Pedro Homem de Melo.

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música: Povo que Lavas no Rio
publicado por Vítor Marceneiro às 01:23
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

MARIA KEIL

Afinal o que é que isto tem a ver com o Fado? — perguntarão!

Tem muito, para mim e felizmente para mais uns tantos milhares de portugueses,  Fado é vida, é arte é cultura, é construir no presente, lembrando o passado, para que os nossos filhos vivam o futuro...

Também a canção nos dá a lição, e  nos chama a razão. Com este tema "Fiz um contrato com o vento" da autoria de Paco Bandeira,  que tomo  a iniciativa de o colocar em som de fundo. para se meditar. 

E digo mais,  não se zanguem comigo, mas as composições do Paco...são.. (para mim) também Fados... são Vida. E vocês digam lá, não concordam?  Tudo isto é vida... tudo isto  é Fado.

 

 

Esta senhora bonita é a nossa amiga Maria Keil, artista plástica.

Em 1941, via-se a si própria desta maneira.

Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933.

De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.

Para esta “história”, no entanto, o que me interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.

Estes pormenores das estações do “Intendente” (1966) e “Restauradores” (1959), são bons exemplos.

Parêntesis: Qualquer alteração na “Gare do Oriente” do Arq. Calatrava, ou nas Torres das Amoreiras, do Arq. Tomás Taveira, só a título de exemplo, têm de ser encomendadas ao arquitecto que as fez e mesmo assim, ele pode recusar-se a alterar a sua obra original. Se os donos da obra avançarem para a alteração sem o acordo do autor, podem ter por garantido um belo processo em tribunal, que acabará numa “salgada” indemnização ao autor.

Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se dar ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. Mais tarde, depois da obra irremediavelmente destruída, alguém se encarregaria de apresentar umas desculpas esfarrapadas e “compreender” a tristeza da artista.

A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.

Perguntam vocês “porquê, Samuel?” e eu tão aparvalhado como vós, “Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!

Este país, por vezes consegue ser “ainda mais extraordinário” do que que é o seu costume! Ou não?

© Samuel "Cantingueiro"

Este artigo foi-me enviado por uma amiga, ao seu autor, com esta publicação rendo-lhe a minha homenagem,  muito obrigado.

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música: Fiz um contrato com o vento de Paco Bandeira
publicado por Vítor Marceneiro às 22:34
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MUSEU DO FADO Reabriu após obras de melhoramento

MUSEU DO FADO REABRIU

 

 Confirmando a notícia de dia 28 de Setembro p.p., reabriu hoje dia 3 de Outubro após pouco mais de um ano de encerramento para obras O MUSEU DO FADO.

 

 

 

 

NOTICIA  LUSA

Música: Quadro de Malhoa integra renovado Museu do Fado que abre quinta-feira (C/FOTOS)

Lisboa, 28 Set (Lusa) - O quadro "O fado" de José Malhoa vai estar exposto no renovado Museu do Fado, em Lisboa, que reabre portas quinta-feira com um novo programa museológico.

    "Inauguramos com um novo programa museológico na exposição permanente. A alteração principal a nível conceptual é abandonarmos a ideia da recriação de ambientes que era algo que nos constrangia um pouco em termos de espaço de exposição. Ao recriarmos, por exemplo, uma casa de fados não tínhamos espaço para integrar outro tipo de acervo muito importante e que estava na posse de outras instituições", explicou à agência Lusa Sara Pereira, directora do Museu do Fado.

    Das colecções municipais vem "O fado" de José Malhoa e também uma litografia de Rafael Bordalo Pinheiro "Os fadistas", de 1873.

     Situado no Bairro de Alfama, o Museu que foi outrora uma estação elevatória de águas, abriu em 1998 mas, dez anos passados "muita coisa mudou, publicaram-se muitas obras sobre o tema, designadamente 'Para uma história do fado' de Rui Vieira Nery, e há uma nova geração e um novo olhar sobre o fado".

     O ateliê de João Santa-Rita que foi o autor do primeiro Museu voltou a ser escolhido para esta renovação, apostando o projecto de museografia de António Viana, na sobriedade de linhas e na cor branca das paredes "para sobressaírem os objectos expostos".

     Um painel de fotografias de fadistas que ocupa os três pisos do Museu "dá as boas vindas ao público", enquanto o visitante munido de um audioguia, disponível em quatro línguas, explica a colecção e permite seleccionar os fados que cada um pretende ouvir.

     A aposta nas novas tecnologias é outra das características do "novo" Museu do Fado, disponibilizando postos de consulta que permitem o acesso ao seu espólio, nomeadamente, imagens, repertório, registos áudio, biografia, programas de espectáculos e até pautas, se existirem.

     "Esta é uma forma de combater o pouco espaço que temos e, ao mesmo tempo, aproximar o visitante ao nosso acervo", explicou Sara Pereira.

     Com esta remodelação, "a relação afectiva que existe da comunidade fadista e do universo do fado com o Museu é ampliada. O cartaz da entrada constituído por vários fadistas é isso mesmo: dá as boas vindas e quer dizer 'a casa é vossa'".

     Quanto à exposição, procura-se o "diálogo entre obras emblemáticas do fado como o quadro de Malhoa e a Casa da Mariquinhas construída por Alfredo Marceneiro".

     "Vamos ter em depósito o quadro de José Malhoa que pertence às colecções municipais, a gravura do Rafael Bordalo Pinheiro que representa os fadistas de 1873, uma litografia também das colecções dos museus municipais, o quadro do Constantino Esteves, 'O marinheiro', de 1913, do Museu do Chiado, e obras do Júlio Pomar. Teremos uma tela do Cândido da Costa Pinto, 'Lisboeta', de 1952, e uma outra tela que até aqui nunca foi exposta, inédita, do Arnaldo Louro de Almeida de 1947", adiantou Sara Pereira.

     A encerrar o ciclo que se inicia com o óleo de Malhoa estará patente a tela de João Vieira, datada de 2005, "O mais português dos quadros a óleo" (versos do fado Malhoa criado por Amália) "e que é uma paródia ao quadro de José Malhoa".

     Uma renovação que contou com a consultadoria do musicólogo Rui Vieira Nery e a "colaboração atenta" do Conselho do Fado, constituído pelos fadistas Vicente da Câmara e Carlos do Carmo, os músicos Luísa Amaro e António Chaínho, o construtor de guitarras Gilberto Grácio, a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, representada por Julieta Estrela e Luís de Castro, e a Academia da Guitarra Portuguesa e do Fado, representada por Luís Penedo e Daniel Gouveia.

  

     NL.

     Lusa/Fim

 

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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

FERNANDO FARINHA canta Guitarra Triste

 

 

GUITARRA TRISTE

Ninguém consegue por muito forte que seja,
Alcançar o que deseja, seja lá por ambição.
Se não tiver dando forma ao seu valor
Uma promessa de amor que alimenta uma ilusão.


Uma mulher é como uma guitarra
Não é qualquer que a abraça e faz vibrar.
Mas quem souber na forma como agarra,
Prende-lhe a alma nas mãos que sabe tocar.


Por tal razão se engana facilmente
Um coração que queria ser feliz.
Guitarra triste que busca um confidente
Nas mãos de quem não sente o pranto que ela diz.


Não há ninguém que não peça à própria vida
A fazê-la renascida por quem um dia nasceu.
E de tal forma a vida sabe mentir
O que a gente chega a sentir, o bem que ela não nos deu

 

 

PS. Mais uma vez os meus agradecimento ao meu querido amigo "tripeiro fadista" Fernando Batista

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música: Guitarra Triste
publicado por Vítor Marceneiro às 13:12
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