Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

PESTE SUÍNA... Esclarecimentos

Já cá temos muitos "PORCOS" travestidos de "homens", já nos sacaram o "pata-negra", o presunto de Chaves... era. Agora temos que levar com a peste suína com origem no México, e como estamos em crise, o México por ser um destino "perto e barato", é um local onde  os pobres portugueses têm hipotese de ir de férias. Logo, grandes hipotese de contágio.

Que azar o nosso!

Só neste fim de semana era título de caixa alta num jornal diário o regresso de mais de 100 turistas portugueses... como vai ser?

Bem mas aqui fica alguns importantes esclarecimentos sobre a gripe suína.

 

 

Tire suas dúvidas sobre a gripe suína

já designada pela OMS de gripe tipo A

 

Infectologistas em todo o mundo estão a trabalhar para responder a casos de gripe suína no México, nos Estados Unidos e no Canadá, para além de suspeitas que o surto possa avançar, ou já estar em outros países.

 

Entenda o que é a doença e quais seus riscos.

 

O que é a gripe suína?

É uma doença respiratória que atinge porcos causada pelo vírus

influenza tipo A, que tem diversas variantes. Algumas das mais

conhecidas são a H1N1, a H2N2 e a H3N2.

O actual surto, que teve início na América do Norte, é provocado por uma versão mutante do vírus H1N1 capaz de infectar humanos e se propagar de pessoa para pessoa.

 

Quanto perigosa é a gripe suína?

Os sintomas da gripe suína em humanos parecem ser semelhantes aos produzidos por gripes comuns, sazonais.

Esses sintomas incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores pelo corpo, sensação de frio e fadiga.

A maioria dos casos registados até agora no mundo parecem ser

brandos, mas no México ocorreram já várias mortes.

 

Esta doença no México é um novo tipo de gripe suína?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que alguns dos casos registados são formas não conhecidas da variedade H1N1do vírus Influenza A.

Ele é geneticamente diferente do vírus H1N1 que vem atacando humanos nos últimos anos e contém DNA associado aos vírus que causam as gripes aviária, suína e humana, incluindo elementos de viroses europeias e asiáticas.

Os vírus da gripe têm a capacidade de trocar componentes genéticos uns com os outros, e parece provável que a nova versão do H1N1 resultou de uma mistura de diferentes versões do vírus, que podem normalmente afectar espécies diferentes no mesmo animal hospedeiro.

Os porcos normalmente oferecem uma condição boa para que esses vírus se misturem.

 

O quanto as pessoas devem se preocupar?

Quando um novo tipo de vírus da gripe aparece e adquire a capacidade de ser transmitido de pessoa para pessoa, é monitorado de perto para verificar seu potencial de gerar uma epidemia global, ou pandemia.

A Organização Mundial da Saúde advertiu que, considerados em

conjunto, os casos no México e nos Estados Unidos podem gerar uma pandemia e afirma que a situação é séria.

Porém os especialistas dizem que ainda é muito cedo para avaliar

completamente a situação.

Actualmente, eles dizem que o mundo está mais perto de uma pandemia do que em qualquer época após 1968.

Ninguém conhece todo o impacto potencial de uma pandemia, mas

especialistas advertem que poderia custar milhões de vidas em todo o mundo.

A pandemia de gripe espanhola, iniciada em 1918 e também causada por um tipo de vírus H1N1, matou 50 milhões e infectou 40% da população mundial.

Mas o fato de que em todos os casos registados nos Estados Unidos os sintomas eram leves pode ser encorajador.

Isso sugere que a gravidade do foco no México pode ser resultante de algum factor específico ligado à localização - possivelmente um

segundo vírus não relacionado que circula na comunidade.

Outra hipótese é de que as pessoas infectadas no México podem ter buscado tratamento num estágio posterior da doença.

Também pode ser o caso de que a forma do vírus circulando no México seja ligeiramente diferente da registada em outros lugares, mas isso só poderá ser confirmado por análises de laboratório.

Também há a esperança de que, como os seres humanos são normalmente expostos a formas do H1N1 por meio de gripes sazonais, nossos sistemas imunológicos já estão preparados para combater a infecção.

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publicado por Vítor Marceneiro às 22:31
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Alfredo Marceneiro e o neto Vítor Duarte

Video-clip que faz parte do programa de TV "Alfredo Marceneiro......3 Gerações de Fado" produzido por Vítor Duarte em 1979 e estreado em 1980, cantam a dueto o Fado "Amor é água que corre", com letra de Augusto de Sousa e música Marcha de Alfredo Marceneiro.

Este programa está à venda en DVD.

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publicado por Vítor Marceneiro às 14:14
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D. Nuno Ávares Pereira, O Condestável - Beato Nuno de Santa Maria

D. Nuno Álvares Pereira nasceu em Cernache do Bonjardim, concelho da Sertã (há cronistas que referem Flor da Rosa como local de nascimento [4]). É um dos 26 filhos conhecidos do prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Casou com Leonor de Alvim a 1377 em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja.
Quando o Rei Fernando de Portugal morreu em 1383, sem herdeiros a não ser a princesa D.Beatriz casada com o Rei João I de Castela, D. Nuno foi um dos primeiros nobres a apoiar as pretensões de João, o Mestre de Avis à coroa. Apesar de ser filho ilegítimo de D. Pedro I de Portugal, D. João afigurava-se como uma hipótese preferível à perda de independência para os castelhanos. Depois da primeira vitória de D. Nuno Álvares Pereira frente aos castelhanos na batalha dos Atoleiros em Abril de 1384, D. João de Avis nomeia-o Condestável de Portugal e Conde de Ourém.
A 6 de Abril de 1385, D. João é reconhecido pelas cortes reunidas em Coimbra como Rei de Portugal. Esta posição de força portuguesa desencadeia uma resposta à altura em Castela. D. João de Castela invade Portugal com vista a proteger os interesses de sua mulher D. Beatriz. D. Nuno Álvares Pereira toma o controlo da situação no terreno e inicia uma série de cercos a cidades leais a Castela, localizadas principalmente no Norte do país.

Estátua de Nuno Álvares Pereira, do escultor Leopoldo de Almeida, em frente do Mosteiro da Batalha
A 14 de Agosto, D. Nuno Álvares Pereira mostra o seu génio militar ao vencer a batalha de Aljubarrota à frente de um pequeno exército de 6000 portugueses e aliados ingleses, contra as 30 000 tropas castelhanas. A batalha viria a ser decisiva no fim da instabilidade política de 1383-1385 e na consolidação da independência portuguesa. Finda a ameaça castelhana, D. Nuno Álvares Pereira permaneceu como condestável do reino e tornou-se Conde de Arraiolos e Barcelos. Entre 1385 e 1390, ano da morte de D. João de Castela, dedicou-se a realizar raides contra a fronteira de Castela, com o objectivo de manter a pressão e dissuadir o país vizinho de novos ataques.
Após a morte da sua mulher, tornou-se carmelita (entrou na Ordem em 1423, no Convento do Carmo, que fundara como cumprimento de um voto). Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Aí permanece até à morte, ocorrida em 1 de Novembro de 1431, com 71 anos.

Durante o seu último ano de vida, o Rei D. João I fez-lhe uma visita no Carmo. D. João sempre considerou que fora Nuno Álvares Pereira o seu mais próximo amigo, que o colocara no trono e salvara a independência de Portugal.

O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no Terramoto de 1755. O seu epitáfio era: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."

Há uma história apócrifa, em que Dom João de Castela teria ido ao Convento do Carmo encontrar-se com Nun'Álvares, e ter-lhe-á perguntado qual seria a sua posição se Castela novamente invadisse Portugal. O irmão Nuno terá levantado o seu hábito, e mostrado, por baixo deste, a sua cota de malha, indicando a sua disponibilidade para servir o seu país sempre que necessário.

Nuno Álvares Pereira foi beatificado aos 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, que consagrou o dia 6 de Novembro ao, então, beato. Iniciado em 1940, o processo de canonização foi posteriormente interrompido e, em 2004 reiniciado.

No Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 - acto formal no qual o Papa pediu aos Cardeais para confirmarem os processos de canonização já concluídos -, o Papa Bento XVI anunciou para 26 de Abril de 2009 a canonização do Beato Nuno de Santa Maria, juntamente com 4 outros novos santos.[5] O processo referente a Nuno Álvares Pereira encontrava-se concluído desde a Primavera de 2008, noventa anos após sua beatificação.

Nuno Álvares Pereira foi canonizado como São Nuno de Santa Maria por Sua Santidade Bento XVI às 09:33 (hora de Portugal) de 26 de Abril de 2009.

in. Wikipédia

D. Nuno Álvares Pereira, o condestável, que soube os seus ombros sustentou a honra e a vida da Pátria.
Acordou os corações dos portugueses para a luta contra Castela. Desbaratou os castelhanos em Aljubarrota e Valverde. E tanta confiança tinha no seu esforço e ousadia na protecção que Deus concedia aos nossos, que durante essa última batalha, no mais aceso da luta, retirou-se e foi rezar num sítio afastado. Ali ficou, orando. Vieram-no chamar à pressa. Mas ele respondeu sossegadamente que ainda não era tempo.
E não era decerto.
Só depois de determinadas as suas orações, acudiu aos seu homens e desbaratou o exército castelhano.
Ditosa Pátria que tal filho teve!
Filho ou ainda mais do que filho, pai se deve chamar, pois sem ele, o que teria sido de Portugal?
in: Os Lusíadas

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 09:00
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Domingo, 26 de Abril de 2009

Bairro da Bica perpétua Manuel de Almeida

Por proposta que entreguei ao Presidente da Junta de Freguesia de S. Paulo, Sr. Fernando Duarte, em que se pedia a colocação de uma placa no Bairro da Bica, ao fadista Manuel de Almeida, tal como já tinham sido agraciados Fernando Farinha e meu avô Alfredo Marceneiro, proposta esta, assinada pelos organizadores do jantar anual levado a efeito todos os anos na data comemorativa do seu nascimento, 27 de Abril, bem como por sua filha Edite Almeida, amigos e admiradores. 
Esta proposta elaborada no ano transacto, foi já aprovada, e será anunciada a sua concretização no jantar de hoje, pelo Presidente da Junta de Freguesia, que amavelmente acedeu ao  convite que lhe foi dirigido para estar presente, pela comissão organizadora, confessando-se desde logo grande admirador de Manuel de Almeida e amigo da sua  família.

 


Aproveito, para descrever algo da história deste Bairro com grandes tradições fadistas, que grandes nomes deu ao Fado.
Os moradores da Bica sempre mantiveram uma estreita ligação com a vida marítima do Tejo. Este pitoresco bairro é composto por um conjunto de calçadas, escadinhas, quelhas e becos. A sua origem remonta a uma catástrofe natural. Em 1597, um aluimento de terras entre o Alto de Santa Catarina e o Alto das Chagas formou um vale que deu o aspecto íngreme à Bica. Nesta altura, Lisboa era muito procurada por pessoas de fora que queriam trabalhar no rio. O grande aumento populacional fez que as zonas da Bica, São Paulo e Boavista fossem habitadas por mareantes, pescadores, aguadeiros, peixeiras e todo o tipo de vendedeiras. Julga-se que o nome do bairro deriva de uma bica cuja água flui ruidosamente para um tanque do século XVlll, no Pátio de Broas ou Vila Pinheiro. Fica na Calçada da Bica. Para além desta, este espaço é composto por nomes como a Calçada da Bica Pequena, o Beco dos Aciprestes, o Largo de Santo Antoninho, a Bica Duarte Melo, a Rua do Almada, e o famoso elevador da Bica. É este que mantém estreitos os laços entre a Bica e Santa Catarina ou o Bairro Alto. Porém, nem todas as bicas e fontes se resumem à toponímia. Construída em 1675, a Bica dos Olhos é conhecida pela sua eficácia no tratamento de doenças dos olhos. Neste bairro, eram frequentes os pregões dos aguadeiros, na sua grande maioria Galezes, que enchiam as ruas de sons e de presença humana. Em Lisboa, a falta de água era frequente. As bicas e fontes eram habitualmente locais de encontro.

Nota: Foto de Dias dos Reis e texto retirado da internet

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Porta de S. Vicente ou da Mouraria

A 1 de Setembro de 1373 grande parte da população arregaçava as mangas, e metia mãos à obra para construir a nova muralha de Lisboa.
D. Fernando e o conselheiro Ares de Almada observavam escrupu­losamente o critério seguido na escolha dos locais em que, aos poucos, se iam rasgando as portas e os postigos da muralha.
Uma delas devia dar passagem ao povo que visitava a Mouraria, o bairro que os mouros ocupa­vam fora de portas desde a conquista da cidade.
Seria a porta da Mouraria ou de S. Vicente, de acordo com a lenda que conta ter sido aquele local, em termos alagadiço, aonde tinham dado à costa os restos mortais do santo dentro de uma caravela cheia de corvos.
 

 

Imagem que representa o corpo de S. Vicente no barco, com os corvos a guardá-lo,  conforme a lenda.

Os corvos faziam parte do logotipo da cidade de Lisboa, até que foi mudado pelo ex-presidente da câmara Santana Lopes.

 

 

O corpo de S. Vicente, diácono de Saragoça, martirizado em Valência durante as perseguições de Diocleciano, no ano de 303, foi trazido para Sagres pelos moçárabes de Espanha, onde permaneceu até 1173. Nesse ano, por iniciativa de D. Afonso Henriques, os ossos do santo são trasladados para Lisboa, num acto político e religioso de grande transcendência, pois a presença das relíquias do santo, que haviam resistido a todas as tentativas dos romanos para as destruírem, iriam conferir à Cidade o dom da perenidade.

Figuram, por isso, nas armas de Lisboa, dois corvos pousados numa caravela, um à proa outro à pôpa, em atitude vigilante, os quais, segundo a lenda, acompanharam o corpo do santo durante toda a viagem, de Sagres até Lisboa.

S. Vicente foi, desde então, reconhecido como padroeiro da cidade. Com culto estabelecido há centenas de anos, tem a sua figura representada nos Painéis de Nuno Gonçalves, também chamados de S. Vicente.

 

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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O TIMPANAS - Restaurante Típico de Fado

Renascimento Fadista

 

As noites de "Fado à Roda",  iniciadas na passada sexta-feira dia 17, continuam.
A ideia que está na base da iniciativa, teve óptima aceitação: todos os presentes - e foram muitos - reconheceram  que aconteceu Fado, o que nos orgulha e dá alento para continuar; assim,  a próxima sessão será sexta-feira dia 24 continuando nas seguintes.
Vítor Duarte Marceneiro mantém-se como convidado desta iniciativa, juntando-se ao excelente elenco fixo da casa.

 

Fadistas:

 

                        Celeste Maria

                        Cristiano Pereira

                        Helder Santos

                        Isabel Pinheiro

                        Yola Dinis

 

Músicos:

 

Guitarra portuguesa        - Hugo Edgar

Viola acompanhamento - Paulo Feiteira

 

Gostará de ver também, danças e cantares  de folclore português, dirigido pelo dançarino Joaquim Pinto.

 

 ... e obviamente quem nos der o prazer de aparecer,  e,  se cantar...  (a banza é sua) teremos muito gosto em escutar. O nosso Fado felizmente para além dos profissionais, tem a componente, que muitas canções do mundo não têm, ou seja, quem tem alma fadista, mesmo que seja amador,  canta-o e bem... porque o faz com amor.

 

Fadista (tão fadista é o que canta como aquele que o sabe ouvir), aparece e «traz outro amigo também».

 

Rua Gilberto Rola, 22-24 (Alcântara) 1305-156 Lisboa
Telf. (+351) 213906655 * Fax. (+351) 213972431
URL:www.timpanas.pt * Email: timpanas@timpanas.pt

 

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 18:00
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Ruca Fernandes

  

Ruca Fernandes nasceu em Leiria onde viveu durante a infância e adolescência.

O seu pai, médico pediatra, que reside, e exerce em Leiria, nos tempos livres, ao tocar piano e acordeão,  incentivou-o a cantar e passaram a animar as festas da família e amigos.
Frequentou o Grupo Coral do Orfeão de Leiria onde aprendeu algumas técnicas do canto.

Cantava nos pátios do Colégio Nossa Senhora de Fátima a pedido dos colegas e das religiosas.
Cantou pela primeira vez com 10 anos a “Avé Maria "de Schubert no casamento de amigos na Basílica de Fátima e em Tavira ganhou uma lata de sardinhas num concurso de música por interpretar o mesmo tema à capela.
Cedo começou a gostar de Fado, sendo a "Moda das Tranças Pretas", o primeiro Fado que interpretou.

Estreou-se em público em 2006 no Bairro Alto em Lisboa.
Em 2007 foi apurado para a 56ª Grande Noite de Fado de Lisboa e venceu o Concurso de Fado Amador da Cidade da Costa da Caparica.
Em 2008 foi convidado para padrinho do Movimento Socio Cultural Renovar a Mouraria e ganhou o Concurso de Fado  de Odemira.
Ruca Fernandes 
Recentemente gravou o seu primeiro trabalho discográfico que será apresentado na:

 

Biblioteca-Museu República e Resistência  em Lisboa,  hoje dia 24 de Abril às 18h30, com a presença de Carlota Fortes, Vítor Duarte Marceneiro e Cristiana Vanessa Pereira.

 

Ruca Fernandes

canta: O Menino que eu não fui

Letra de Mário Raínho

Música: João Maria dos Anjos

 

 

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música: O Menino que eu não fui
publicado por Vítor Marceneiro às 17:30
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Sábado, 18 de Abril de 2009

O FADO... é a ALMA do nosso povo...

                                              O Fado nasceu no mar
                                              Ao balanço de ondas mil
                                              Por berço teve um navio
                                              Por cobertura um céu de anil
                                              Numa barquinha vogando
                                              Batida pelo luar
                                              Ouvi um nauta cantando
                                             “O FADO NASCEU NO MAR”
                                              E mal a gente põe os pés
                                              Nos sobrados do convés,
                                              Levamos da terra a imagem
                                              e a cantar, toda a viagem
                                              O Fado, de lés-a-lés!
 
In Ao sabor das ondas – Linhares Barbosa
 
 

 Fado.... a alma de um povo.

 
As viagens encetados pelos portugueses no século XVI, é um paradigma do destino de um povo que partiu durante séculos à procura do desconhecido, que nos criou um modo colectivo de ser e estar no mundo. É um gene da identidade portuguesa.
Naquelas horas da partida para a imensidão gigantesca dos mares, fizeram brotar lágrimas de todas as mães, de todos os pais, de todos os filhos, de todas as esposas, as noivas, os parentes e amigos, que ao dizerem adeus com soluços nos corações, na praia de Belém, que foi apelidada por isso mesmo de “Praia das Lágrimas” confrontavam-se com a descoberta da amargura da ausência.
Foi uma vivência que moldou as almas, era um povo aflito que via partir as naus com as suas gentes, sabe-se lá para onde iam, para o outro mundo ?
  
                         Ó Mar salgado, quanto do teu sal
                         são lágrimas de Portugal !

 

                         Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
                         Quantos filhos, em vão, choraram!
                         Quantas noivas ficaram por casar,
                         Para que fosses nosso, ó Mar!
 
                         Valeu a pena? Tudo vale a pena
                         Se a alma não é pequena.
                         Quem quer passar além do Bojador
                         Tem de passar além da dor.
                          Deu ao Mar o perigo e o abismo deu,
                          Mas nele é que espelhou o Céu
 

Poema de: Fernando Pessoa

 
É vida , é destino, é Fado, é a alma do nosso povo.
 
                             Em tão longo caminho e duvidoso,
                             Por perdidos as gentes nos julgavam,
                             As mulheres com choro piadoso ,
                             Os homens com suspiros que arrancavam;
                             Mães, esposas, irmãs, que o temerosos
                             Amor mais desconfia, acrescentavam.
                             A desesperação e frio medo
                             De já não nos tornar a ver tão cedo
 
Camões, Os Lusíadas, canto IV, 89)
 
Esta mentalidade, criada de uma vivência bivalente, amargurada por um lado, alegre por outro, isto porque o ritual da partida o medo a tristeza, o espectro da morte, se misturaram com a esperança, o sonho e quanto era maravilhoso estar vivo no regresso,  tais sentimentos moldaram a consciência que se cristalizou na música e no canto, com uma tonalidade própria, inconfundível e original como é a sua matriz..
O Fado é português, é toda uma mentalidade, é toda uma História, se o povo português é o único que canta o Fado, é porque também foi protagonista de uma vivência que mais nenhum povo teve.
 
Notas: In Fado, A alma de um povo M.L.Guerra
           In Fado, Mascarenhas Barreto
 

 

                                         O FADO É PORTUGUÊS

  

                       O Fado é tão português, que, de arnês,

                                     bateu-se em Fez;

                                     esteve em Alcácer-Quibir;

                                     arrostou o mar profundo

                                     e ao Mundo

                                     deu novo Mundo,

                                     na senda de Descobrir!

                                     Esteve em Malaca e Ormuz

                                     e, à luz do signo da Cruz,

                                     construiu impérios novos;

                                     da Guiné até Timor,

                                     com ardor,

                                     foi defensor

                                     do Destino doutros povos!

                                     Fê-lo Deus aventureiro:

                                     foi guerreiro

                                     e marinheiro;

                                     missionário, ou de má-rês

                                     e — vá ele p' ra' onde for —

                                     ­cante a dor,

                                    ou cante o amor,

                                     o que canta é Português!

Poema de: Mascarenhas Barreto  

 

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 19:31
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Lisboa a cidade mais linda e mais cantada...

Poema e voz de Euclides Cavaco
Realização de Vítor Duarte Marceneiro

 

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

RICARDÃO - Fado Humorístico

Américo Augusto da Conceição Ricardo, que adoptou como nome artístico, RICARDÃO, nasceu em Lisboa na freguesia do Socorro, a 22 de Junho de 1951.
Muito jovem foi com os pais para Angola, onde cresceu e se fez homem.
Muito cedo sentiu vocação para a música, tendo começado  por aprender a tocar viola.
Aos catorze anos, forma o seu primeiro conjunto, actuando em festas e animação de bailes, tendo prosseguido,  com outros grupos, como, A Teima, Windies, Blue River etc.
Em 1975 regressa a Portugal, e em 1980 iniciou a carreira como entertainer em bares e festas, conhecendo o Milo do “Duo Ouro Negro”,  de quem se torna amigo,  passando a actuar no bar deste, o “HIT” , situado na Rua Antero de Figueiredo, a Alvalade.
Mas os espectáculos não foram a sua actividade principal, pois em 1977 concorre, e é aceite para os quadros da PSP, onde se manteve no departamento de "Investigação Criminal”, até há bem pouco tempo.
Actualmente é gerente de numa cadeia de restaurantes.
Ricardo sempre gostou de Fado, como pessoa bem disposta e divertida que é,  começa  em tom de brincadeira a cantar nas músicas do Fado clássico, alguns temas de Fado humorístico, que têm tal aceitação, que começa a ser muito solicitado para os cantar, o  que o leva a escrever inclusive alguns poemas deste género, como, O Cume da Serra, Os Dois Amigos, Fado do Adivinho, Bairro Catita, etc. Está inscrito na SPA.
Participou no “1º. Festival de Interpretes do Fado da RTP em 1994” tendo chegado à final, com o Fado humorístico  “ O Adivinho”, que se realizou no Coliseu do Porto. Nesta final fica classificado para ser um dos artistas que será exibido no programa gravado da RTP, mas dois membros do júri, (Rosa Lobato Faria e Carlos do Carmo) com influência na produção, conseguem (à boa maneira dos censores defensores dos bons costumes! )  que não este tema não fosse exibido ao púbico televisivo,  mas sim,  um outro que consideraram menos (chocante!) …
Participou em espectáculos da Feira Popular, que eram então apresentados por Luís Pereira de Sousa e Carlos Ribeiro.
Ganhou Menção Honrosa, num “Festival de Humor da Inatel”, onde Juca Chaves,   esteve também como participante, tendo sido apelidado por muitos admiradores,  a partir dessa altura,  como,  o Juca Chaves português.
Grava o seu primeiro disco com o título “Anedotas com Violão”.
Participou no Big Show Sic, quando do lançamento do seu segundo disco “Humor de Ricardão”, tendo mais tarde lançado o seu primeiro CD, com o título  “Fado Humorístico”.
Participou em vários espectáculos com a maioria dos cantores e artistas do nosso País.
Foi convidado especial no programa “A Vida é Bela” da TVI, interpretando o sketch de,  “Dr. Amor”.
Foi convidado do programa “Levanta-te e Ri” da SIC.
Nos anos oitenta,  pelo Carnaval,  a Adega Machado, para animar os intervalos,  nas noites de Fado, convidou vários anos o RICARDÃO, que se tornou amigo de meu pai Alfredo Duarte Júnior, que ali estava contratado, para participar com o seu número de “BandaRicardão”.
Continua a participar e a realizar espectáculos com a sua “BANDARICARDÃO” como animador e pivot.
Ricardão fez questão de me afirmar, que nunca se tinha intitulado fadista,  e que nutria o maior respeito e admiração pelo Fado, e por todos os seu interpretes. Manifestou-me também, o seu orgulho por ter trabalhado com grandes nomes do Fado, tendo referido, o meu  pai, “o que muito agradeço”. Ha ! sinto-me completamente fora de moda...porque, raramente se ouve Fado humorístico. (transcrição integral da sua afirmação)
bandaricardao@netcabo.pt
 

Vítor Marceneiro

Fado do Adivinho

Letra de: Ricardão

Música: Fado Tradição

(O tal  tema, que escandalizou os tais...)

 

 

 

 

 

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música: Fado do Adivinho
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Sábado, 11 de Abril de 2009

PÁSCOA FELIZ 2009 - Ovo de Colombo e Saca-Rolhas

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

ALFREDO DUARTE JÚNIOR - Marceneiro II

Recebi hoje um mail, que encheu a minha alma de alegria e os meus olhos de lágrimas,  foi-me enviado por um admirador de meu pai, Américo Santos Pereira, fadista de alma e coração, nasceu em Lisboa, mas radicou-se em Vila Nova de Cerveira.  Comunicava-me que tinha realizado um video-clip do meu saudoso pai, e que o tinha publicado no youtube.  Estou aqui a apresentá-lo, agradecendo do fundo do coração,  esta sua oferta.

Vitor Marceneiro

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Viva Lisboa: Orgulhoso das minhas origens
música: A Moleirinha
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

A CASA DA MARIQUINHAS- ALFREDO MARCENEIRO e VÌTOR MARCENEIRO

A CASA DA MARIQUINHAS

Foram muitos os temas que Alfredo Marceneiro cantou, mas, de entre todos eles, houve um que teve  grande êxito com versos  da autoria do grande jornalista e poeta Silva Tavares e que foi, aliás, considerado o "ex-libris" das suas criações, " A Casa da Mariquinhas".
 Todos os que o escutavam, eram unânimes em afirmar que os versos que Silva Tavares escreveu, quando cantados pelo Alfredo, "viam imagens reais". Marceneiro, numa ideia genial, decide  demonstrar a todos que, também no seu ofício, é um mestre e na escala de 1/10 constroi em madeira a Casa da Mariquinhas, recriando todos os pormenores que são descritos nos versos do fado.


 "CASA DA MARIQUINHAS"

 

                                         É numa rua bizarra 
                                         A casa da Mariquinhas
                                         Tem na sala uma guitarra
                                         Janelas com tabuínhas.

 

Vive com muitas amigas
Aquela de quem vos falo
E não há maior regalo
De vida de raparigas
É doida pelas cantigas
Como no campo a cigarra
Se canta o fado á guitarra
De comovida até chora
A casa alegre onde mora
É numa rua bizarra

 

                                                 Para se tornar notada
                                                 Usa coisas esquisitas
                                                 Muitas rendas, muitas fitas
                                                 Lenços de cor variada
                                                 Pretendida e desejada
                                                 Altiva como as rainhas
                                                 Ri das muitas, coitadinhas
                                                 Que a censuram rudemente
                                                 Por verem cheia de gente
                                                 A casa da Mariquinhas

 

É de aparência singela
Mas muito mal mobilada
No fundo não vale nada
O tudo da casa dela
No vão de cada janela
Sobre coluna, uma jarra
Colchas de chita com barra
Quadros de gosto magano
Em vez de ter um piano
Tem na sala uma guitarra

 

                                                  Para guardar o parco espólio
                                                  Um cofre forte comprou
                                                  E como o gás acabou
                                                  Ilumina-se a petróleo
                                                  Limpa as mobílias com óleo
                                                  De amêndoa doce e mesquinhas
                                                  Passam defronte as vizinhas
                                                  Para ver oque lá se passa
                                                  Mas ela tem por pirraça
                                                 Janelas com Tabuinhas

 

O tema  " A Casa da Mariquinhas ", teve tal êxito, que levou  outros poetas a se basearem nele, Linhares Barbosa, Carlos Conde e Dr. Lopes Victor,  compondo outras versões igualmente cantadas por Marceneiro:

O poeta João Linhares Barbosa, escreveu:


O LEILÃO DA MARIQUINHAS

 

                                        Ninguém sabe dizer nada
                                        Da famosa Mariquinhas
                                        A casa foi leiloada
                                        Venderam-lhe as tabuinhas

 

Ainda fresca e com gagé
Encontrei na Mouraria
A antiga Rosa Maria
E o Chico do Cachené
Fui-lhes falar, já se vê
E perguntei-lhes, de entrada
P´la Mariquinhas coitada?
Respondeu-me o Chico: e vê-la
Tenho querido saber dela
Ninguém sabe dizer nada.

 

                                                  E as outras suas amigas?
                                                  A Clotilde, a Júlia, a Alda
                                                  A Inês, a Berta e a Mafalda?
                                                  E as outras mais raparigas?
                                                  Aprendiam-lhe as cantigas
                                                  As mais ternas, coitadinhas
                                                  Formosas como andorinhas
                                                  Olhos e peitos em brasa
                                                  Que pena tenho da casa
                                                  Da formosa Mariquinhas.


Então o Chico apertado
Com perguntas, explicou-se
A vizinhança zangou-se
Fez um abaixo assinado,
Diziam que havia fado
Ali até de Madrugada
E a pobre foi intimada,
A sair, foi posta fora
E por more de uma penhora
A casa foi leiloada.

 

                                                 O Chico foi ao leilão
                                                 E arrematou a guitarra
                                                 O espelho a colcha com barra
                                                 O cofre forte e o fogão,
                                                 Como não houve gambão
                                                 Porque eram coisas mesquinhas
                                                 Trouxe um par de chinelinhas
                                                 O alvará e as bambinelas
                                                 E até das próprias janelas
                                                 Venderam-lhe as tabuinhas
.

 

 

Nota:ver o restante batando clicar na foto de Marceneiro no lado direito desta página ou em:

 
http://alfredomarceneiro.blogs.sapo.pt
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música: A Casa da Mariquinhas e o Leilão da Mariquinhas
publicado por Vítor Marceneiro às 10:31
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Sábado, 4 de Abril de 2009

Coimbra - Fado de Coimbra

Coimbra - Na Hora da Despedida

Canta: Fernando Machado Soares

Autor da letra e música

Video-Clip realizado por José Manuel Pedrosa Moreira

Fotos de Daniel Tiago

 

Canção de Coimbra: Um Canto de Rua


É voz corrente considerar o chamado fado de Coimbra oriundo do Fado de Lisboa. Tal origem seria, talvez, inquestionável, se tudo o que se fez (e se tem feito) em Coimbra - ao nível da sua música tradicional, se limitasse única e exclusivamente ao Fado, se é que este, efectivamente, existe em Coimbra.
Todavia, a música tradicional de Coimbra não se esgota naquilo que se designa de "Fado de Coimbra". As danças e os Cantares populares, assim como todo um conjunto de representações etno-musicais em tomo das fogueiras de S. João, bem como, as canções de trabalho, os cânticos de embalar, as cantigas de amar e as serenatas, constituem um repertório ímpar na vivência espaço-temporal da música tradicional da cidade, que nada tem a ver com o universo fadístico. Dizer-se, pois, que a Canção de raiz Coimbrã é o "Fado de Coimbra", está muito longe de ser verdade.
Coimbra sempre foi um caldeirão cultural, fruto da convivência entre duas culturas: a popular e a erudita. A existência, entre os séculos XII e XIV, de uma rica cultura erudita ficou a dever-se ao facto de, na cidade, viverem várias minorias étnicas e sociais, assim como grupos sócio-profissionais, que desenvolviam as suas respectivas culturas específicas, onde o lúdico-musical estava presente para ocupação dos seus tempos livres. Por outro lado, devido à sua situação geográfica de cruzamento e de passagem de viajantes, jograis, peregrinos e estudantes, a cidade acabava por ser um local privilegiado para uma vivência quotidiana com base nas feiras, romarias e outros eventos similares, onde se faziam notar as várias influências culturais. Igualmente havia um fluxo humano do campo para a cidade, não só para a venda de produtos, mas também, na procura de melhores condições de trabalho. Com este povo vinham os seus cantares. Paralelamente, a pequena nobreza rural instala-se na cidade, trazendo consigo as expressões musicais que a caracterizavam. A co-habitação de dois imaginários (o campesino e o citadino) tomou-se inevitável. E o mercado urbano, as feiras e as "romarias acabaram por ser os locais privilegiados para o intercâmbio etno-musical entre diferentes gentes e factor de difusão de práticas culturais que fortaleceram e desenvolveram o relacionamento entre duas culturas musicais: a da cidade e a rural.
É em plena praça pública que a cultura popular e erudita marcam ponto de encontro, onde os cantares de origem aristocrática se misturam com músicas e danças populares. Aliás, desde sempre que uma poesia culta e uma poesia culta e uma outra popular se influenciaram mutuamente. Basta ver que há características populares nos cantares trovadorescos, bem como, canções e trovas eruditas que foram modificadas e absorvidas pelo filão popular, juntando-se às cantigas de amor e trabalho, canções satíricas e do dia-a-dia, reforçando, assim, o repertório do Cancioneiro Popular.
Deste convívio entre diferentes gentes nascerá, e se afirmará através dos tempos, uma valência etno-cultural de identidade regional e local muito própria: um folclore urbano! Ou melhor: o filão popular da música de raiz coimbrã, com as suas manifestações emo-musicais, desde as danças e cantares regionais e locais até às cantigas, marchas, danças de roda com mandador, e serenatas populares. E, de uma maneira geral, todas estas expressões musicais se desenvolviam ao ar livre.
Paralelamente a este filão popular, um outro se desenvolvia também: o filão académico, com as suas manifestações musicais (reveladoras de uma postura erudita quanto ao evoluir do discurso poético-musical ao longo dos tempos), mas de forte influência urbano-popular, onde se destacam as estudantinas, o cantar brejeiro e as serenatas.
Sabe-se, aliás, que pelo menos, desde o século XVI, era hábito os estudantes de Coimbra cantarem e tocarem, noite dentro, pelas ruas da cidade. Prova factual é a missiva que o rei D. João III envia ao então reitor da Universidade, a 20 de Junho de 1539, dando conta da necessidade em se pôr fim à algazarra e às cantorias que os estudantes faziam até altas horas da noite, já que eram muitas as queixas dos habitantes da velha urbe. Se seria um Canto Serenil (única e exclusivamente de cortejamento por uma mulher), não o podemos, seguramente, afirmar; mas que era um canto de rua, disso não restam dúvidas.
Sabe-se, também, que no ambiente académico do século XVIII, os estudantes cantavam miles trovas, e que, na Coimbra daquele tempo, era hábito cantarem-se canções de amor e cantigas populares, reflexo de um salutar intercâmbio entre o duplo filão desta Canção que, e muito bem, chegou aos nossos dias.
Pese embora, os serões de então, quer da aristocracia como da burguesia, serem preenchidos com minuetes, rondós, romances e modinhas, onde o acompanhamento era feito, primeiramente a cravo e, mais tarde, ao piano, era, todavia, na rua, que esta cultura aristocrática e burguesa se cruzava com os cantares regionais e locais. E é na rua que a serenata ganha ascendente.
Ora, tudo isto diz respeito a um tempo anterior ao aparecimento do Fado em Portugal - que ocorre no 1º quartel do século XIX. Fado que ao difundir-se pelo país, nunca chegou a dominar os cancioneiros populares de cada região, ou o tipo de música que então se cantava e tocava no ambiente aristocrático e burguês das cidades; e tudo isto tem em conta uma característica que ainda. hoje perdura na Coimbra do século XXI: a Canção de raiz coimbrã filão popular e académico, é, essencialmente, um Canto de Rua, embora possa ser interpretada em espaços fechados - que não Casas de Fado (prática nocturna ligada ao Fado de Lisboa, mas que nada tem a ver com os hábitos musicais de Coimbra e com a génese, evolução e imaginário da sua Canção).


In: www.capasnegras.com texto de Jorge Cravo

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música: Coimbra na Hora da Despedida
publicado por Vítor Marceneiro às 16:43
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