Sábado, 30 de Junho de 2012

FADOS - Largo da Igreja de Santa Isabel



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Domingo, 24 de Junho de 2012

Paulo Valentim - Guitarrista e Artista Plástico

 

Paulo Valentim Ribeiro de Almeida, mais conhecido por Paulo Valentim, nasceu em Lisboa em 9 de Dezembro de 1964.

Guitarrista de Fado, compositor, letrista e artista plástico.

Inicia a sua formação com Octávio Sérgio (musico de Coimbra, acompanhantede José Afonso).

Mais tarde, enceta aproximação à música de Lisboa e integra-se no meio fadista.

Acompanha quase todos os fadistas profissionais, incluindo Amália numa pequena festa particular na ilha da Madeira.

Participa em vários concertos de Simone de Oliveira, e em várias sessões de poesia com Rui de Carvalho, Eunice Muñoz e Lourdes Norberto.

Colabora com Dulce Pontes em alguns dos seus espectáculos.

Como musico participa em várias peças teatrais, destacando-se, “Maldita Cocaína”(Filipe lá Féria)“Passa por mim no Rossio”( Filipe lá Féria),” Dois actores um texto e uma conversa”(Varela Silva, Curado Ribeiro e Rui de Carvalho), “Judite nome de guerra”(João Grosso) e “Olhos nos Olhos” (Lourdes Norberto).

Paralelamente à actividade de acompanhador, desenvolve a sua intervenção como compositor e assim compõe para fado, teatro, cinema e dança. “Passa por mim no Rossio” (Teatro),”Três actores um texto e uma conversa” (Teatro), Teatro de Revista, “Noventa e oito octanas” (cinema),”Cais de Alcântara” (bailado), “Olhos nos Olhos” (Teatro) foram alguns dos projectos artísticos em que colaborou como compositor.

Recentemente compôs, em parceria, a música para o espectáculo “Fado – História de um Povo”, em cena no Casino Estoril.

Júri do concurso televisivo “Nasci para o fado”.

Detentor de uma carreira internacional com mais de vinte anos, actuou nas mais importantes salas de espectáculo do mundo.

Tocou entre outros para Kátia Guerreiro, Fernando Maurício, Maria da Fé e Mafalda Arnauth, foi com esta fadista com quem desenvolveu por ultimo, um trabalho constante e permanente, tendo  composto para esta fadista os seus alguns dos seus maiores sucessos. “Segredos” e “Pranto de amor ausente”.

Por convite da Presidência da Republica, participou nas embaixadas culturais de três visitas de estado.

Tem ainda uma vasta colaboração com as Marchas Populares de Lisboa, para onde compõe desde o ano 2000, tendo ganho vários primeios prémios prémios. 

È membro da SPA com registo de mais de 400 obras nas áreas da música e artes plásticas.

Também acompanhou o autor deste blogue, que o conhece desde o inicio da sua carreira no Fado.


 Texto de Bruno Saavedra

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012

Vitor Marceneiro Canta em Paris

 

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Terça-feira, 19 de Junho de 2012

MIGUEL TORGA

Adolfo Correia Rocha, São Martinho de Anta  ( adoptou o pseudónimo de Miguel Torga), nasceu  a  12 de Agosto de 1907,  no concelho de Sabrosa (Alto Douro), foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.

Filho de gente humilde, trabalhadores do campo, frequentou brevemente o seminário.

Em 1920, com doze anos,   emigrou para o Brasil, para trabalhar na fazenda do tio, na cultura do café. O tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado.

Em 1925 regressa a Portugal.

Em 1927 é fundada a revista Presença de que é um dos colaboradores desde o início.

Em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro, "Ansiedade", de poesia.

É bastante crítico dapraxe e tradições académicas, e chama depreciativamente "farda" à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra. 

Em 1933 concluiu a formatura em Medicina, com apoio financeiro do tio do Brasil e exerceu no início, nas terras agrestes transmontanas, de onde era originário e que são pano de fundo da maior parte da sua obra.

Em 1939 fixa-se em Coimbra e exerce medicina, e é a partir desta cidade que escreve a rande maioria dos seus livros

 

A obra de Torga tem um carácter humanista,  criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da natureza, sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência, para ele, só a humanidade seria digna de louvores, de cânticos, de admiração,  (hinos aos deuses, não...os homens é que merecem, que se lhes cante:  a virtude/bichos que cavam no chão/actuam como parecem/sem um disfarce que os mude).

Para Miguel Torga  o homem, limitado, finito, condicionado, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte é também capaz de criar, e é sobretudo capaz de se impor à natureza, como os trabalhadores rurais transmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras, e é com essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a natureza mau grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, no ver de Torga fazem do homem, único ser digno de adoração.

Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, foge dos meios das elites pedantes, mas dá consultas médicas gratuitas a gente pobre e é referido pelo povo como um homem de bom coração e de boa conversa. Foi o primeiro vencedor do Prémio Camões.

Miguel Toga faleceu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995


 

Anjos - Almirante Reis dia de nevoeiro

Auguarela de  Meste Real Bordalo

 

LISBOA

 

Poema de: Miguel Torga

 

A luz vinha devagar

Através do firmamento...

Vinha e ficava no ar,

Parada por um momento,

A ver a terra passar

No seu térreo movimento.

 

                                        Depois caía em toalha

                                        Sobre as dobras da cidade;

                                        Caía sobre a mortalha

                                        De ambições e de poalha,

                                        Quase com brutalidade.

 

O rio, ao lado, corria

A querer fugir do abraço:

Numa vela que se abria,

E onde um sorriso batia,

O mar já era um regaço.

 

                                          Mas a luz podia mais,

                                          Voava mais do que a vela;

                                          E o Tejo e os areais

                                          Tingiam-se dos sinais

                                          De uma doença amarela.

 

Ardia em brasa o Castelo,

Tinha febre o casario;

Cada vez mais nosso e belo,

O profeta do Restelo

Punha as sombras num navio...

 

                                           Nas casas da Mouraria,

                                           Doirada, a prostituição

                                           Era só melancolia;

                                           Só longínqua nostalgia

                                           De amor e navegação.

 

Os heróis verdes da História

Tinham tons de humanidade;

No bronze da sua glória

Avivava-se a memória

Do preço da eternidade.

 

                                           Nas ruas e avenidas,

                                           Enluaradas de espanto,

                                           Penavam, passavam vidas,

                                           Mas espectrais, diluídas

                                           Na cor maciça do encanto.

 

E a carne das cantarias,

Branca já de seu condão,

Desmaiava em anemias

De marítimas orgias

De um fado de perdição.

 

 

 


 

FADO

 

Poema de Miguel Torga

 

Tem cada povo o seu fado

Já talhado

No livro da natureza.

Um destino reservado,

De riqueza

Ou de pobreza,

Consoante o chão lavrado.

 

E nada pode mudar

A fatal condenação.

No solo que lhe calhar,

A humana vegetação

Tem de viver, vegetar,

A cantar

Ou a chorar

Às grades desta prisão.

 

                                              No livro da natureza.

                                              Um destino reservado,

                                              De riqueza

                                              Ou de pobreza,

                                              Consoante o chão lavrado.

 

                                              E nada pode mudar

                                              A fatal condenação.

                                              No solo que lhe calhar,

                                              A humana vegetação

                                              Tem de viver, vegetar,

                                              A cantar

                                             Ou a chorar

                                             Às grades desta prisão.

 

 

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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Vítor Duarte Marceneiro - Fados na FNAC dia 16 Junho

 

 

Vítor Duarte  Marceneiro canta:

Amor é Água que Corre

Sic - 1994

 

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música: Amor é Água que Corre
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

RAUL NERY - Guitarrista

O FADO ESTÁ DE LUTO, faleceu hoje com 91 anos, o Engº Raul Nery, á família enlutada, as minha sinceras condolências.

Raul Filipe Nery nasceu em Lisboa na freguesia de Santa Engrácia, em1921.

Desde muito novo que mostrou vocação para a música, aprendeu bandolim, e mais tarde passou a receber lições de guitarra do pai de Salvador Freire. Aos nove anos de idade apresentava-se já a tocar esse instrumento em público.
A partir de então, actuou em festas como amador e frequentou o meio do fado, tendo nessa fase acompanhado em vários espectáculos a cantadeira Ercília Costa.
Em 1938, com 17 anos, tocou no Retiro da Severa com Armandinho, Abel Negrão e Santos Moreira, na altura em que lá começara a cantar Amália. Acompanhou depois no teatro as vozes de diversos artistas, entre os quais Estêvão Amarante, Berta Cardoso e Hermínia Silva.
Paralelamente ia estudando e acabou o curso de agente técnico de engenharia quando a sua reputação como guitarrista estava já firmada.
Com Santos Moreira (Viola) acompanhou durante alguns anos Amália Rodrigues em espectáculos no País (continente e ilhas), em Angola, Moçambique, Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Suíça, Itália, Holanda, Bélgica, Roménia, Estados Unidos, Canadá, Brasil e no antigo Congo Belga.
Posteriormente sucedendo a Fernando de Freitas, foi durante vinte anos o guitarrista de Maria Teresa de Noronha nas actuações desta na Emissora Nacional e em festas particulares, emparceirando com o violista Joaquim do Vale (Covinhas).
Em 1959  formou um conjunto de guitarras e violas que integrava Fontes Rocha, Júlio Gomes e Joel Pina, que acompanhou Maria Teresa de Noronha em es­pectáculos na Inglaterra e no Brasil, e actuou durante 12 anos num programa quinzenal de guitarra da Emissora Nacional, tendo gravado discos com variações sobre fados e rapsódias de música popular.
Raul Nery, dis­tinguiu-se também como solista e gravou um disco de música popular por­tuguesa acompanhado por orquestra.
Actuou em restaurantes típicos - Café Luso (da Travessa da Queimada) e Adegas Machado e Mesquita -, retirou-se cedo da actividade, mas foi considerado como um dos maiores executantes de guitarra portuguesa.
Acompanhou em gravações, as vozes de Adelina Ramos, Lucília do Carmo, Estela Alves, Ada de Castro, Maria da Fé, Teresa Tarouca, Teresa Silva Carvalho, Carlos Ramos, Fernando Farinha, António Mourão, João Ferreira Rosa, João Braga e D. Hermano da Câmara.etc.
Tem um filho, Rui Vieira Nery, que não canta nem toca mas é um grande investigador e historiador de Fado da actualidade, e uma filha, Teresa Nery que é médica anestesista na Faculdade de Medicina de Lisboa.
 Faleceu em Lisba a 14 de Junho de 2012

         

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

MÁRIO RAINHO

Os seus  poemas  têm sido gravados, e são cantados todas as noites, pelas mais diferentes vozes, dos consagrados,  quer de profissionais como os amadores.

Entre os inúmeros músicos que compuseram para os seus poemas, saliente-se José Fontes Rocha que muito admirava e que, Mário Rainho afirma: "com tantas geniais músicas vestiu os meus versos".

A formação de Mário Rainho foi feita na vivência fadista, mas passa também pelos estudos que realizou nas ordens religiosas Dominicana, Franciscana, e Jesuíta. Talvez por isso tenha escrito, para Fernando Maurício, falecido em Julho de 2003, um dos grandes nomes que mais o marcou, seu companheiro de várias fadistagens e amigo, esta quadra:


 

Cada verso é uma oração

Um Padre Nosso rezado

E na minha Confissão

Vão as rimas do meu fado

 

 

 

 

Profissionalmente destaca-se com os poemas que escreveu para fados e canções; a estreia como autor teatral no Teatro Villaret, com a revista “Ora Bate, Bate Manso”; como co-autor com Henrique Santana, Eduardo Damas e Carlos Ivo da revista “Quem Tem ECU Tem Medo”, no Teatro Maria Vitória; autor, com Francisco Nicholson, Nuno Nazareth Fernandes, Gonçalves Preto e Marcelino Mota, da revista “Lisboa Meu Amor” no Teatro ABC, bem como a revista “Mamã Eu Quero”. Voltando ao Teatro Maria Vitória, foi autor e chefe de parceria das seguintes revistas: “Ora Bolas Pró Parque”, “Aqui Há Muitos, Gatos”, “Ó Trolaré, Ó Troilará” e “Tem a Palavra a Revista”.

 

A partir de 2000 foi co-autor, chefe de parceria e encenador das revistas: “2001, Odisseia no Parque”, autor único, “Lisboa Regressa ao Parque”, “Vá P’ra Fora ou Vai Dentro”, “Arre Potter que É Demais!” e “A Revista É Linda!”. Em 2010 foi co-autor com Francisco Nicholson da Revista "Vai de em@il a Pior". No que toca à televisão, foi co-autor dos programas: “Quem Casa Quer Casa!”, “Ora Bolas Marina”, “Marina Dona Revista” e “Bora lá Marina”.

 

Escreveu ainda, em parceria com Filipe La Féria, para a RTP, o programa televisivo “Cabaret”.

 

Como poeta, Mário Rainho é cantado por nomes do fado e da música ligeira como Ada de Castro,Alice Pires, Ana Moura,Anita Guerreiro,António Zambujo, Beto, Carlos Zel, Cidália Moreira, Fernando Maurício, Filipa Cardoso, Joana Amendoeira, Jorge Fernando, José Manuel Barreto,Lenita Gentil, Mafalda Arnauth, Marco Oliveira, Maria Armanda, Maria da Fé,Maria da Nazaré,Mariza, Raquel Tavares,Ricardo Ribeiro, Rodrigo, Vasco Rafael, entre muitos outros.

 

Em 1999, foi distinguido como melhor autor com o Prémio Pateota, no mesmo ano, ainda, recebe as Máscaras de Ouro do Teatro Ligeiro. Em 2001 volta a ser considerado o melhor autor e distinguido de novo com o Prémio Pateota. Pelo seu trabalho, foi o primeiro poeta vivo, a ser homenageado pela Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa e pela Câmara Municipal de Lisboa. Em Novembro de 2006 recebeu, no Teatro São Luiz, o prémio Melhor Poeta do Ano da Fundação Amália Rodrigues. Em 2007 faz direcção de actores na série O Quinto Poder para a Rede Record produzida pela ProImage 7.

In: Programa da II Gala dos Prémios Amália Rodrigues e Wikipédia

 

 

A VOZ DA AMÁLIA

 

Poema de Mário Rainho

 

Nossa Senhora do Fado

Chamou-te Ary com ternura.

Já não estás ao nosso lado

"Ó meu limão d'amargura"!

 

Mas que nome te hei-de dar?

- "Ao poeta perguntei" -  ­

"Gaivota", ou "Canção do Mar"?

"Não sei, não sabe ninguém"!

 

Partiu e deixou-nos sós,

A voz d'Amália.

Da terra subiu aos céus

A voz d'Amália.

Partiu mas ficou em nós

A voz d'Amália.

Partiu sem dizer adeus,

"Foi por vontade de Deus"…

Ai! A voz d'Amálial

 

"Se uma gaivota viesse"

Do céu, em desassossego,

O desenho que fizesse

Talvez fosse um barco negro.

 

Onde à proa a tua voz,

Que ao cais de outrora se amarra,

Talvez chorasse por nós:

"Meia-noite e uma guitarra".

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