Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

João Silva Tavares - Dramaturgo, Poeta e Escritor - autor da Casa da Mariquinhas

 

Nasceu em Estremoz a 24 de Junho de 1893, onde passou a sua infância e parte da adolescência. Aos 13 anos descobre-se poeta, tendo publicado o seu primeiro livro de versos Nuvens aos 18 anos.

A sua vida literária virou-se predominantemente para a poesia, mais de quatro dezenas de obras poéticas publicadas. Mas também dedicou muito do seu tempo e imaginação ao teatro. Escreveu mais de nove dezenas de peças, entre dramas, comédias e farsas. Mas foi no teatro ligeiro (opereta e revista) onde melhor se encontra, pelo tom popular que empresta a quase tudo o que escreve. Na sua vasta obra assinalamos ainda duas novelas, algumas crónicas, estudos históricos e biografias.

Foi durante cerca de trinta anos chefe da Secção de Coordenação de Programas da Repartição dos Serviços de Produção da Emissora Nacional. Aqui desenvolveu intensa actividade, dinamizando programas ligados à poesia e ao teatro. No seu testamento deixou como legado à Biblioteca de Estremoz mais de uma dezena de manuscritos das suas obras, um bronze, uma tela e as insígnias das condecorações com que foi distinguido.

Embora haja quem não dê grande destaque à sua obra para o Fado, ele foi um grande poeta, com alma bem fadista, lembremo-nos de algumas das suas criações, que foram grande êxito para os repertórios de Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro.

Para Amália Rodrigues, Céu da Minha Rua, Elogio do Xaile, Que Deus me perdoe, etc.

Para Marceneiro, A Casa da Mariquinhas, Mariquinhas 50 Anos depois e Fado da Balada.

João Silva Tavares morreu em 3 de Junho de 1964


Alfredo Marceneiro canta:

A Casa da Mariquinhas


 

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Sábado, 26 de Outubro de 2013

JOANA AMENDOEIRA

Nasceu em Santarém a 30 de Setembro de 1982. Em 1994 concorre pela primeira vez na Grande Noite do Fado de Lisboa, e embora não ganhe, recebe os maiores elogios do público e júri presentes. Em 1995, volta a participar, mas no Porto, onde ganha o primeiro prémio de interpretação feminina. A partir desse ano inicia uma actividade regular com espectáculos por todo o País. Em 1998 desloca-se pela primeira vez ao estrangeiro, onde actua no âmbito do evento "Dias de Portugal", organizado pelo ICEP na cidade de Budapeste (Hungria). Ainda no mesmo ano grava o seu primeiro álbum, intitulado "Olhos Garotos". O espectáculo com Carlos do Carmo, no auditório do Rádio Alfa em 1999, em Paris, possibilita-lhe outros concertos em África, Budapeste e Brasil onde actua no âmbito dos “500 anos da descoberta do Brasil”. Em 2000 edita o segundo álbum "Aquela Rua", que recebe as melhores referências da crítica especializada. Inicia uma colaboração regular com o "Clube de Fado", uma das mais prestigiadas casas de Fado de Lisboa, onde faz parte do elenco local. Em 2001 volta ao estrangeiro, com actuações na Holanda (Kleine Komedie), Itália (Instituto Português de Santo Agostinho), Alemanha (Festival de Canções de Verão), Hungria (a convite do ICEP), Brasil (Hotel Vila Galé), U.S.A. (Comunidade Portuguesa de São José da Califórnia) e França (Comunidade Portuguesa de Lyon). Foi convidada a ir ao Japão, para uma digressão de 23 dias. Actua na prestigiada sala Muziekcentrum Vredenburg, em Utrecht (Holanda), na carismática Sale Jacques Brel, em Fontenay (França) e no Centro Cultural Dom em Moscovo. Em Portugal, é convidada para as mais prestigiadas colecções discográficas nacionais, como Novas Vozes, Novos Fados da EMI/VC, Nova Biografia do Fado da EMI/VC, tendo paricipado no disco de homenagem a Moniz Pereira, para a "Universal", assim como na banda sonora da série Jóia de África. Em 2003, lançou o seu terceiro álbum “Joana Amendoeira” trabalho que teve reconhecimento imediato por toda a comunidade fadista, crítica especializada e pelo público. O seu reconhecimento quer nacional quer no estrangeiro, leva-a a ser convidada para actuar nas feiras profissionais de “World Music”, como o Mercat de Musica Viva de Vic 03 (Espanha) e a Strictly Mundial 05 (Canadá). É-lhe atribuído o Prémio Revelação 2004 da Casa da Imprensa.

Na Arena de Portimão, no mês de Novembro de 2007, Joana Amendoeira, Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola de fado), Paulo Paz (contrabaixo) e Filipe Raposo (acordeão) encontraram-se numa reflexão em redor do repertório da fadista para uma actuação com a Orquestra do Algarve. O resultado foi um dos espectáculos mais emblemáticos da história da sua vida. Surgiu a ideia de criar um ensemble para se juntar à voz de Joana Amendoeira e ao seu quarteto, formando assim um espectáculo com arranjos de João Godinho, que viria a estrear na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, em Lisboa,

no âmbito da Festa do Fado, em Junho de 2008.

Deste espectáculo surgiu o sexto disco da fadista “Joana Amendoeira & Mar Ensemble”, desta vez gravado e filmado para se tornar num disco ao vivo com oferta de DVD.

O "Mar Ensemble", criado especificamente para este espectáculo, com a direcção de Paulo Moreira (violoncelo), contou com a presença de António Barbosa (primeiro violino), Paula Pestana (segundo violino), Ricardo Mateus (viola d’arco), Maria Rosa (flauta), Rui Travasso (clarinete), Carlos Alberto (trompete) e João Carlos (trompa). Filipe Raposo, um dos mais conceituados músicos da actualidade, juntou o seu acordeão ao trio de fado que desde sempre tem vindo a acompanhar a fadista pelos quatro cantos do mundo.

Em 2008, grava o seu novo disco “Joana Amendoeira & Mar Ensemble” (em formato CD/DVD) ao vivo na 5ª edição da Festa do Fado na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, realizada no dia 21 de Junho. Em Março de 2009, a Fundação Amália Rodrigues atribuir ao álbum o prémio de “Melhor Disco de Fado de 2008”.

Após o lançamento do disco, seguiram-se os concertos em salas prestigiadas do circuito da world music: Bélgica, Egipto, Estónia, França, Grécia, Holanda, Itália, Lituânia e Índia.

Em Abril 2010 no grande auditório do centro cultural de Belém deu o concerto do lançamento do seu novo álbum de estúdio.

Últimamente muito pouco se tem falado desta linda fadista.


Joana Amendoeira canta:

Sopra o Vento de Fernando Pessoa

 

 

 

Nota: mais uma vez lamento não poder divulgar os merecidos “méritos” aos autores do Vídeo-Clip, pois não consegui informações.

Quero também anotar, que nestes  trabalhos que venho a publicando no blogue, que nas investigações que efectuo, na maioria dos casos, ninguém menciona os autores, o que é grave e deselegante.


OS AUTORES SÃO PARTE INTEGRANTE DA COMPONENTE QUE PROPORCIONA AO ARTISTA OS SEUS ÊXITOS

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Viva Lisboa: Força Joana
música: Sopra o Vento
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Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013

HERMÍNIA SILVA - Recordação e Homenagem

 LEMBRAR A GRANDE HERMINIA SILVA

Faz 20 anos que Hermínia Silva nos deixou. Faleceu  no dia 13 de Junho de 1993, dia de Santo António. Estará sempre nos nossos corações, e de certeza no futuro, as novas gerações ainda falarão muito desta grande mulher, que está na história do Fado e do Teatro de Revista por mérito próprio. 

 

Este página  é baseado no livro biográfico da autoria de Vítor Duarte Marceneiro  e está protegido por "Copywrite" estando devidamente registado na S.P.A. e no I.G.A.C.

São permitos excertos do mesmos, que visem a divulgação da biografada e seja referida a fonte.

 

A RAZÃO DUMA PAIXÃO 

 

Só de há alguns anos para cá me apercebi que o Fado é um estado de alma, é paixão. Desde muito novo que o adoro e cultivo, mas à medida que vou amadurecendo, dou por mim a venerá­‑lo cada vez mais. Lembro coisas do «fado» e de Fado, que durante muito tempo parecia que nada me diziam, estavam adormecidas, mas que agora me vêm à memória, em catapulta desenfreada, e penso... Tanto tempo que eu perdi.

Reuni neste livro, a que dei o título de Recordar Hermínia Silva, tudo o que sobre ela consegui recolher, com o in­tuito de fazer história sobre essa mulher, que era povo, foi amada e ovacionada, mas manteve­‑se sempre simples e despreten­siosa. Era dotada de um dom especial, que só muito poucos têm, de cantar e representar muito bem, era um representar que não se estuda no «Conservatório», com a sua voz bem castiça dava um cunho muito pessoal às suas interpretações que deliciavam a quem a escutava, quer no fado tradicional, quer no fado revisteiro, mas na revista para além de cantar interpretou figuras e «meteu buchas» que fizeram o delírio de milhares de espectadores.

Obrigado Hermínia Silva por tudo que deu ao Fado, ao Teatro de Revista, ao Povo Português.

 

Vítor Duarte Marceneiro

2003

 

PREFÁCIO 

 

É tão raro alguém dedicar tempo, afinco e talento a elaborar uma monografia sobre uma figura do Fado que, quando tal acontece, a comunidade fadista e todos quantos prezam os nossos valores culturais de raiz ficam devedores de um es­forço que não é fácil, não é breve, não é ligeiro e, as mais das vezes, não é compreendido.

Vítor Duarte, com este seu livro sobre Hermínia Silva, é credor dessa dívida, a vários títulos.

Primeiro, porque já nos tinha brindado com dois volumes sobre o seu avô, o cantador e compositor de Fado mais marcante de todos os tempos: Alfredo Duarte, o Marceneiro. Primorosos de sentido de evocação, riquíssimos de fotografias, caricaturas, entrevistas, registos sonoros (o primeiro), ficam esses dois livros como um importante legado para o Futuro, marcado por uma incomensurável ternura e admiração de neto, por um sentimento autêntico de fadista que o Vítor também é, filho e sobrinho de fadistas, último elo de uma dinastia de nomes inesquecíveis (enquanto os seus jovens filhos não mostrarem, um dia, os dotes).

Mas as más línguas – e se as há, no Fado! – diriam aqui que não admira, era neto, estava bem colocado, aproveitou o espólio da família. Como se isso diminuísse o mérito da tarefa e o valor do legado.

Porém, Vítor Duarte, Marceneiro, sim, porque trabalha, não no ofício mas na palavra e na imagem, em prol da canção popular lisboeta (para além de cantar cada vez com mais maturidade e declamar como poucos), vem agora calar para sempre quaisquer más línguas. Nenhum laço familiar o ligava a Hermínia Silva. Apenas o mesmo sentir fadista que o fazia reconhecer nela a incomparável intérprete que era. Apenas a mesma ternura, expressa no episódio — que bem contado! — de ter sido no Solar da Hermínia que cantou em público pela primeira vez, tremendo diante do avô, do pai e... da dona da casa. Apenas a revolta incontida por pouco ou nada se ter escrito sobre um vulto tão importante e tão esquecido. Apenas aquele arregaçar de mangas e meter mãos à obra, tão pró­prios do Vítor quando sente que é preciso. E este «apenas» encerra horas e horas de escrita, a martelar no computador; dias inteiros na Biblioteca Nacional, a consultar velhos jornais; telefonemas a meio mundo, para obter mais uma fotografia, mais um dado em falta, mais uma data, mais um nome de uma revista do Parque Mayer, de um compositor, de um poeta; uma eternidade, a reorganizar sucessivamente todo o material entretanto conseguido.

Esse «apenas» está aqui, pronto e acabado, servido pelo Vítor Duarte com a sua habitual modéstia, por uns quantos euros.

Já lhe agradeci.

 

Daniel Gouveia 

Outubro/2003

 

BIOGRAFIA DE HERMÍNIA SILVA

 
Hermínia Silva nasceu às 18 horas do dia 23 de Outubro de 1907, no Hospital de São José, freguesia do Socorro, era filha de Josefina Augusta, que morava à data do parto na Rua do Benformoso, 153, no 1.º andar, freguesia dos Anjos, em Lisboa. (1)
 
(1) Conforme Acento de Nascimento n.º 704, do ano de 1907, na 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa.
Sua mãe, chamava-se Josefina Augusta, era natural de Samora Correia. Teve uma irmã mais velha que tinha o nome de Emília e um irmão que se chamou Artur Moreira.
 
É com palavras da própria Hermínia, com a sua simplicidade, a sua graça no jeito tão pitoresco que ela tinha a exprimir­‑se, que aqui se transcreve parte da sua biografia:
Julgo que nasci numa casa ali para os lados do Campo de Santana (2), numa travessa, cujo nome não recordo, e não recordo porque saí de lá apenas com oito meses. A verdade é que não tenho quaisquer recordações do tempo que mediou entre o meu nascimento e a idade escolar, mas creio que fui uma criança absolutamente normal, com todas as gracinhas, «perrices» e evoluções que são comuns a todas as crianças normais.
No entanto, recordo que me con­taram que quando tinha oito meses caí da varanda à rua. Mas eu explico como isso foi e como é possível eu ainda aqui estar a falar sobre a minha infância.
Ora, na casa onde nasci, havia uma va­randa, na qual eu brincava habitualmente, que, por segurança, estava protegida por uma rede. Porém, um dia, por qualquer razão, que ignoro, alguém tirou a rede e eu, na minha «gatinhice», enfiei pelas grades e fiz um «voo pi­cado» até à rua… bom, até à rua não, porque tive a sorte de cair na giga de uma mulher que vendia hortaliça e que, providencial­mente, passava nessa al­tura debaixo da varanda.
Logo um senhor, que passava por ali na ocasião, agarrou em mim e levou­‑me para o Hospital. Cheguei lá e... pasmem, verificaram que não tinha nem uma beliscadura. E eu, muito sossegadinha, não chorava nem nada.
Deram­‑me, depois, lá no Hospital, uma colher de cerveja preta e trouxeram­‑me finalmente de volta a casa, onde todos se encontravam mui­to aflitos,... Mas cair de um segundo andar à rua, apenas com oito meses, e nada sofrer, hem?! Ao menino e ao borracho…
Este é, segundo julgo, o único episódio fora do vulgar da minha infância, já que não tenho ideia ouvir falar em mais nada.
Como consequência dessa queda da janela à rua, veio uma mudança de resi­dência. Minha mãe, impressionada com o acidente, não quis continuar naquela casa e, assim, mudámo­‑nos para o Castelo.
 
(2) Hermínia faz esta afirmação sobre o seu nascimento em entrevista ao jornal Trovas de Portugal, de 30 Julho de 1933, onde, na página seis, Hermínia escreve pela pena do jornalista: — Sou de Lisboa, freguesia do Socorro, e criei­‑me no Castelo de S. Jorge!
No Álbum da Canção, datado de 1965, fala do local do seu nascimento, mas sem muita clareza: — nasci numa travessa da qual não me lembro o nome, ali ao “Campo de Santana”.
Em 1980, quando da festa da entrega da Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, Hermínia Silva é entrevistada para a RTP e diz que nasceu na «Rua das Flores» que ficava junto à Travessa Conde de Avintes, e que era perto do local onde morava o Armandinho. Ora este local situa­‑se na freguesia de S. Vicente de Fora e há lá uma Travessa das Flores e não Rua das Flores.
 
Desde que me entendo que gostei de cantar. E o fado, cantava­‑o a todo o mo­mento, e por toda a parte: na rua, em casa, na escola, desde que aos seis anos comecei a frequentar a escola, que ficava ali na Rua da Madalena, mesmo em frente da igreja.
Ora lá na escola, por vezes, havia umas festas nas quais tomavam parte algumas meninas que sabiam cantar. Eu deixava­‑me ficar muito caladinha quanto aos meus «méritos», pois tinha vergonha de os reve­lar. Até que um dia, quando se preparava uma dessas festas, uma das minhas colegas dirigiu-se à mestra e, apontando-me, revelou:
— Minha Senhora, esta menina canta muito bem!
Claro está que a professora quis, imediatamente, avaliar as minhas possibilidades e mandou-me cantar uma música que eu soubesse bem. E eu «desatei» logo a cantar um fado, daqueles bem fadistas.
A professora ao ouvir-me cantar o fado levou as mãos à cabeça e, fazendo um gesto negativo, declarou:
—  Ai. Esta menina! Não… Fado não!
Depois, talvez por ver a decepção estampada na minha cara, incitou-me a cantar outra «moda» que eu soubesse. Cantei, ou melhor, comecei a cantar uma canção que sabia também, mas o pior é que mesmo a canção, na forma como eu cantava e na minha voz, soava como fado. E, de novo, a senhora me interrompeu, repetindo, um tanto ou quanto escandalizada:
—  Não, fado não… Esta menina não pode cantar na festa! As meninas não cantam fado!
Escusado será dizer que fiquei com uma grande «pinha», pois cantar já era para mim uma paixão.
E começava também já a despontar em mim o desejo de representar. E chorei que me fartei.
Mas a vida continuou e eu sempre cada vez mais possuída por aquela verdadeira paixão que era para mim o cantar. E sempre que podia lá estava eu de «boca aberta» quer fosse em casa, quer fosse nas casas de pessoas amigas que me convidavam, de vez em quando, a cantar um «fadinho», quer fosse em festas particulares, onde me chamavam de propósito para eu «botar» cantiga, porque achavam que eu tinha «jeitinho».E eu ia sempre cantando e sempre a pensar no Teatro, pois nesse tempo não havia casas típicas e eu para as tabernas não ia… claro que não ia.
Até que um dia…
Estava eu em casa da minha irmã Emília (3), que morava ali em Entre Muros do Mirante, quando casualmente passou o Armandi­nho, que morava para aqueles lados e me ouviu cantar. Ou melhor, ouviu uma voz, vinda da­quele prédio. Então, subiu as escadas, bateu a porta e perguntou à minha imã, que foi quem abriu:
—  Não é aqui que está uma pequena a cantar?
—  É, é. É a minha irmã — re­plicou.
—  Que idade tem ela?
—  Olhe, tem doze anos.
—  Chame­‑a lá, faz favor — vol­veu Armandinho, cada vez mais interessado.
A minha irmã, que sabia o quanto eu era acanhada, volveu:
—  Ai, ela não vem.
—  Chame­‑a lá — insistiu o grande Armandinho. — Olhe que ela tem uma bonita voz. Uma voz muito engraçada. Ora cha­me­‑a lá. Que eu arranjo já um contrato para ela ir gravar um disco ao «Valentim de Carvalho».
A minha irmã sorriu, pouco convencida, e explicou a Armandinho:
—  Ai, ela não vai. A minha mãe não deixa.
Porém, o famoso guitarrista não se deixou con­vencer com aquela primeira negativa da minha irmã.
 
(3) Hermínia refere que a irmã vivia ali «Entre Muros do Mirante», à Graça, e provavelmente passava por este local quando ia para casa da irmã. Quanto à sua alusão a Rua das Flores, e como já acima referi, será lógico ser Travessa das Flores, que fica na freguesia de S. Vicente de Fora.
 
Gostara, sinceramente, da minha voz, da ma­neira como eu interpretava o fado e não estava disposto a desistir assim às primeiras. E então pediu licença para entrar, para falar directamente comigo.
Escusado será dizer que eu, que estivera a ou­vir toda a conversa, apareci nesse instante e, então, Armandinho dirigiu­‑se­‑me:
—  Então, não quer vir cantar?
Eu claro que queria cantar, já que cantar era, pode dizer­‑se, a mi­nha vida.
Mas a verdade é que fi­quei muda e o malogrado artista prosseguiu:
—  Ora vá, venha gravar um disco. Olhe, nós agora até vamos a Berlim, com o Menano e a Ercília Costa, e a menina também podia ir.
Talvez por julgar que me encon­trava a sonhar, a verdade é que per­maneci muda como um penedo, enquanto o meu interlocutor, certamente para me entusiasmar, ia pros­seguindo, tentador:
—  Vá, venha que faz um «vistaço». Venha lá gravar um disco. Então não quer ir connosco cantar? Então não quer ir para o Teatro?
É claro que, se eu tinha imensa vontade de ir para o Tea­tro, naquela altura, ainda fiquei com mais. Mas não fui. Não fui com o Armandinho. Sim, não ia assim para Berlim. De maneira nenhuma...
Mas as coisas da vida nem sempre cor­rem à medida dos nossos desejos, e o mundo dá muitas voltas.
Chegou a altura em que tive necessidade de ir aprender um ofício e empreguei­‑me como aprendiza de modista. No en­tanto, o meu pensamento estava sem­pre no Teatro e no Fado. E continuei a cantar, quer pelos bailaricos, quer em festas particulares, para as quais estava sempre a ser chamada. E eu ia sempre, pois o que eu queria era cantar…
  
EU, QUE NÃO SOU NADA DRAMÁ­TICA,
FUI AMADORA DRAMÁTICA…
 
Em 1925, sempre norteada pelo grande amor que dedicava ao Teatro, inscrevi­‑me como ama­dora dramática no «Grupo dos Leais Amigos», ali ao pé da igreja de S. Vicente. O que eu queria era representar e tanto assim que representei coi­sas dramáticas, eu que não sou nada dramática... Mas tal era a fúria de ser artista... que tudo me servia.
Em 1926, representei e cantei no antigo Teatro Gil Vicente, à Graça. Foi ali que, certo dia, apareceu um senhor que era escritor, Artur Vítor Machado de seu nome. Esse senhor levou­‑me à presença do pai, o maestro A. Júlio Machado, que era empresário, e foi logo assim, que ainda nesse ano me levou numa tournée à província.
Era tal a minha gana de vencer, que me comportei de tal modo que, no início desse giro artís­tico, o meu nome figurava nos cartazes em último lugar e quando regressámos eu era já a primeira figura.
Terminada essa tournée que foi, pode dizer­­‑se, o início da minha carreira como profissional, fui trabalhar para um cinema, ali à Esperança, o «Malacaio». O contrato por oito dias que me fizeram era para cantar fados no final da exibição dos filmes.
Mas a verdade é que o público me dispensou tantas gentilezas, me acolheu e adoptou com tanta e tão grande simpatia, que esses oito dias se transfor­maram, quase sem que déssemos por isso, em dois anos.
É verdade: durante dois anos consecutivos actuei no «Malacaio» em final de festa. E sempre com o pleno agrado do público frequentador da­quele cinema que não me regateou o seu apoio e os seus aplausos. Ainda hoje conservo no coração a simpatia daquele pú­blico. Foi Rui Metelo, um empresário muito co­nhecido na época, que me proporcionou esse contrato.
 
O PARQUE MAYER
 
Quando finalmente deixei de cantar no «Malacaio», fui para o Parque Mayer. Ali os estabelecimentos de far­turas tinham, ao tempo, grande clientela, estavam em voga. Ali se cantava o fado. Pode dizer­‑se que essas casas foram as percursoras das casas típicas que hoje conhecemos.
Ora, quando fui para o Parque Mayer, era contratada pelo «Valente das Farturas». Este contrato, tal como acontecera com o cinema da Esperança, era por oito dias. Mas tal como aconteceu no «Malacaio», esses oito dias prolongaram­‑se por mais dois anos.
Nessa altura, eram frequentadores assíduos no «Valente das Farturas» a grande maioria dos artistas de então, que trabalhavam nos Teatros do Parque Mayer. Muitos deles já iam lá especialmente para me ouvirem, pois gostavam da minha maneira de cantar. O meu salário então já era de cinquenta e cinco escudos diários, o que para o tempo era um grande cachet, mesmo tendo em consideração que chegava a ter seis sessões diárias.
Entre os muitos artistas que fre­quentavam assidua­mente o «Valente das Farturas», que se tornara o palco onde eu dava livre curso ao meu íntimo desejo de cantar, contavam­‑se dois artistas de grande cartel na época, que trabalhavam no Teatro Maria Vitória, que eram o Alberto Ghira e a Hortense Luz, e certo dia vieram falaram comigo, convidando­‑me a ir para o teatro. Mas eu ganhava ali muito bem, embora o teatro fosse a minha grande paixão, eu não ia trocar o certo pelo duvidoso. Foi, pois, embora contrariada, que lhes disse que não acei­tava.
O Alberto Ghira ainda voltou a insistir, mas continuei a recusar, com o mesmo fundamento de que me sentia ali bem e ganhava uma pequena fortuna, mas disse logo que no dia em que deixar de trabalhar aqui irei para o Teatro, se ainda me quiserem lá.
E, assim, se gorou a primeira grande oportuni­dade­ para eu entrar para o Teatro de Revista e dele fazer o centro da minha actividade artística.
Como já tive oportunidade de frisar, também no «Valente das Farturas», tal como acontecera, ante­riormente, no Cinema em que actuei em fim de festa, mantive­‑me dois anos consecutivos, merecendo sempre, devo reconhecê­‑lo, o carinho do público, que aliás eu fazia por manter, dando tudo quanto tinha dentro de mim, sempre que cantava, o que acontecia, como também já disse, muitas vezes em cada dia.
 
Mas certo dia tive mesmo que parar de cantar, porque tive uma grande constipação nas cordas vocais que me pôs bastante «à rasca», durante mais de um ano. Foi com imensa tristeza, pois como já sabem, o cantar era o maior gosto da minha vida, e além disso tinha passado a ser a minha fonte de subsistência (4).
  (4) Estava­‑se em finais de 1926 e Hermínia estava grá­vida; seu filho Mário Silva vem a nascer em 9 de Abril de 1927.
 
 
 
 POR FIM O TEATRO DE REVISTA
 
Quando, finalmente, recuperei da doença, roidinha de sau­dades de cantar e do contacto com o meu querido público, que sempre me acarinhara, fui trabalhar para uma Sociedade de Recreio que, se não estou em erro, era o «Comando-Geral». Foi aí que, certo dia, o co­nhecido empresário Ma­cedo e Brito me abor­dou, dizendo­‑me que, conhecendo o meu valor achava que eu devia voltar era a cantar. Prometeu­‑me que me ia arranjar uma entrevista com o empresário de teatro António de Macedo.
Passados poucos dias confirmou­‑me a marcação da entrevista; fiquei entusiasmada, não podia perder esta nova oportunidade de ingressar no Teatro, que era o sonho doirado da minha vida, e logo fui falar com o António Macedo, que me contratou imediatamente, para actuar em fim de festa, cantando fados — claro está — na opereta «Fonte Santa» (1932).
O público voltou a corresponder inteiramente, aplaudindo­‑me com simpatia, e foi graças a esse mesmo público que, logo de seguida, fui contratada para fazer uma revista, que se intitulava Feijão­‑Frade (1933), que era um original de Xavier de Magalhães, Almeida Amaral e Fernando Santos. E esta foi a primeira revista em que eu entrei.
Foram assim na realidade os meus primeiros passos a sério com o teatro de revista, e a verdade é que, sem vai­dade, fiz um autêntico brilharete.
De então para cá tomei parte em inúmeras revistas, assim como numas quantas operetas, e até em peças declamadas.
A minha carreira continuou, felizmente, com grandes êxitos, que, certamente, eu não merecia, mas o público me quis oferecer.
Também actuei nos estúdios da RTP, a última vez foi num dos episódios da série Os Três Saloios, protagonizada por Raul Solnado, Humberto Madeira e Emílio Correia, três valores do nosso teatro ligeiro.
E devo confessar que gostei.
Tive, ao longo da minha carreira, como é natural, muitas e variadas pro­postas para ir ao estrangeiro, mas como sou multo «pegada» a isto.
Tenho muita relutân­cia em sair de Portugal, eu ainda nem sequer visitei as províncias ultramarinas, apesar dos muitos convites que para o efeito me têm endere­çado e do grande desejo que te­nho de as conhecer.
—  Fui ao Brasil, onde me demorei o menos tempo possível, aos Açores e à Madeira, onde fiz uma curta série de espectáculos.

 

Herminia Silva desde a sua estreia em 1932, participou em 13 operetas, 37 revistas, 2 peças declamadas e ainda em 5 filme e vários programas de televisão.

 

Conclusão do autor:
 
Hermínia, sem sombra de dúvidas, nasceu a 23 de Outubro de 1907, no Hospital de S. José, freguesia do Socorro, em Lisboa.
O episódio que contou sobre ter caído da janela à rua refere­‑se decerto à rua onde sua mãe morava quando do seu nascimento, Rua do Benformoso, 53, 1.º, freguesia dos Anjos, em Lisboa.
Tudo leva a crer que sua irmã morava na Travessa das Flores, freguesia de S. Vicente de Fora, em Lisboa, enqua­drando­‑se assim com toda a lógica o episódio em que conta como o guitarrista Armandinho a ouviu cantar.
 
 
 Hermínia Silva com Alfredo Marceneiro
 

Herminia Silva canta: Fado da Sina do Filme "O Ribatejo"

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Viva Lisboa: Herminiesco
música: Fado da Sina
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Sábado, 19 de Outubro de 2013

ANTÓNIO MOURÃO

FALECEU VÍTIMA DE DOENÇA PROLONGADA O ARTISTA/CANÇONETISTA ANTONIO MOURÃO

PRESTO-LHE A MINHA HOMENAGEM, E REALÇO A DIGNIDADE, COMO SE RETIROU DA VIDA ARTÍSTICA.

A 18 de Outubro de 2013


 

Nasceu em Sarilhos Grandes - Moita a 5 de Junho  de 1935.

Parece destinado a uma vida de operário, mas o seu gosto pelo canto, leva-o a aproximar-se do mundo do espectáculo em Lisboa, como gosta muito de Fado,  passa a frequentar os locais onde o mesmo se canta, em especial a Parreirinha de Alfama. Uma noite começa a cantar espontaneamente e foi um sucesso,  Argentina Santos logo o contrata.

Mais tarde é contratado pelo fadista Sérgio para actuar na Viela.

Em 1964 grava um disco que é muito tocado na rádio, o que o torna bastante conhecido do público.
Em 1965 no teatro Maria Vitória, estreia-se na revista “E Viva o Velho” e canta o tema «Ó Tempo Volta p'ra Trás», o êxito da canção e da sua interpretação levará verdadeiras excursões de todo o país ao Parque  Mayer, tendo a revista lotações esgotadas durante meses. 
Grava o tema em disco que obtém também  um  grande êxito e um elevado número de vendas, cantou e gravou outros grandes êxitos como Chiquita Morena, Meu Amor, Meu Amor, etc

De personalidade tímida e reservada, António Mourão será sempre recordado um dos grandes ícones, do Fado da canção e do teatro de revista dos anos sessenta.

Quando abandona o teatro passa  a cantar só em espectáculos.

Actualmente está retirado e é residente na Casa do Artista


 

 

Poema a António Mourão

por: Carlos Conde

 

António Mourão - voz de oiro

Que o povo ouve com agrado,

É mais um raro tesoiro

No panorama do fado.

 

Se na canção é melhor,

Então atingiu o fim,

E é mercê do seu valor

Que hoje sobe ao "Galarim".

 

P'ra subir mais nada resta

Nesta senda de vai-vens,

Já pôs a canção em festa

E o fado de parabéns.

 

 António Mourão 

canta um poema de sua autoria e música de Ferrer Trindade

Aquilo que eu canto é Fado

Video-Clip postado pelo meu amigo Américo no Youtube

 

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Viva Lisboa: Saudades
música: Aquilo que eu canto é Fado
publicado por Vítor Marceneiro às 18:00
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Eugénio de Sá - Poeta

Manuel Eugénio Angeja de Sá, nasceu a 29 de Março de 1945, no típico bairro da Ajuda, em Lisboa.

 

Notas biográficas pelo próprio: 

Lisboa está-me nas veias, tal como a literatura e a poesia, que sempre me cativaram o espírito.

Por circunstâncias da vida familiar, cedo conheci Sintra, onde vivi e estudei durante toda a fase do ensino secundário. Uma vila encantada, que ainda hoje visito regularmente.

A frequência do Instituto Comercial levou-me ao quotidiano da capital, até que chegou o tempo de cumprir o serviço militar na Força Aérea Portuguesa, corria então o ano de 1962.

Hábitos de leitura, a que uma avó querida não é alheia, dotaram-me de vontade e gosto pelo conhecimento.

Trabalhei 37 anos em diferentes Órgãos de Comunicação e em duas Agências de Publicidade multinacionais. Toda uma vida profissional rica em experiências e relacionamento humano.

O deslumbramento pela poesia chegou em 1968, trazida num livrinho que recebi das mãos de José Saramago, então colaborador do Jornal A Capital, onde iniciei a minha actividade de comunicador, a que me dediquei largos anos. Todavia, só em 1999 comecei a escrever poesia.

Dos últimos cinco anos, quatro foram passados na América do Sul (Brasil e Colômbia), onde reuni material e experiência para escrever um livro. Provavelmente será um livro de crónicas, género literário onde estou mais à vontade, e que me permita reunir num único volume um conjunto de textos escolhidos que abordam o comportamento humano face às várias culturas  que conheci na Europa, em África e na América do Sul.

Em Abril de 2011 regressei definitivamente a Portugal.

 É Membro Efectivo da APP – Associação Portuguesa de Poetas  e da AVBL - Academia Virtual Brasileira de Letras.

 

Para contactar Eugénio de Sá:                                                                                                                                                             

e-mail: eugesa@zonmail.pt

https://www.facebook.com/eugenio.sa.9

A NOITE DE LISBOA

Prosa de Eugénio de Sá

Voz: Luís Gaspar (Estúdios Raposa)

Video Clip VDM



 

 

A noite de Lisboa
Por: Eugénio de Sá

 


Fosforejam, na noite, os olhos de Lisboa.
Do seu ventre fadista
nascem os primeiros acordes das guitarras.
Nas suas artérias nobres,
que outrora conheceram o passeio alegre
de tantos poetas e escritores,
hoje manda o silêncio.
Não se ouvem já os ecos da tertúlia da Brasileira,
da sonora gargalhada de mestre Almada Negreiros,
dos passos tímidos do grande Fernando Pessoa,
da algazarra de Cardoso Pires
e dos seus amigos marialvas, a saltitar de bar em bar.
Alcântara, Cais do Sodré... ali ainda cheira a Tejo,
a cacilheiros, a maresia, a saudade.
Ali, as memórias vogam sobre as águas
daquele Tejo que conheceu tempos melhores,
de varinas, de peixe, da Ribeira...
de gente mais feliz,
que gostava de acabar a noite a saborear-lhe o cacau!
Ah; Lisboa alvissareira, bem disposta,
cruzada pelos pregões
das sardinhas, das favas, das castanhas, dos jornais....
que foi que te fizeram?
- Quem te silenciou o encanto da vida?
- Quem te baixou à condição única de comerciante,
que até o fado vendes a quem o quer comprar?
- Quem te mandou cumprir o único papel que decoraste;
o turístico, atenta e veneradora,
a cobrar uns quantos euros pela visita ao castelo?
Não que de condenável nada tenha essa atitude...
Mas só essa?
Bem, verdade se diga, tens muito mais para oferecer;
a tua belissima e ancestral monumentalidade,
os teus museus…
e os tipicos elevadores que levam aos deslumbrantes miradouros
que pasmam e enchem cada alma que lhes aflora os varandins…
E com os rubros alvores da madrugada vão-se calando, aos poucos,
as guitarras e as vozes dos fadistas,
e o teu fado, agora qualificado de Património Imaterial da Humanidade,
deita-se no respeitável aconchego das vielas,
até que a noite volte de novo a despertá-lo.


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Viva Lisboa: Viva Lisboa
música: A Noite de Lisboa
publicado por Vítor Marceneiro às 10:51
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Domingo, 13 de Outubro de 2013

Entrevista na RTP - Memória - Vítor Marceneiro & Armindo Rosa

Maria João Gama entrevista na RTP Memória no programa Há Conversa, emitido no dia 11 de Outubro de 2013, Vítor Duarte Marceneiro, neto de Alfredo Marceneiro e Director Executivo da Associação Cultural de Fado "O Patriarca do Fado" e Armindo Rosa,  Presidente da Direção da mesma associação.


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Viva Lisboa: Brioso da minha origem
publicado por Vítor Marceneiro às 17:17
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Quarta-feira, 9 de Outubro de 2013

Lisboa no Guinness - Projecto

1.000390 (Um milhão e trezentos e noventa) entradas no blogue LISBOA NO GUINNESS com uma média de 346 páginas visitadas diariamente que perfaz um total 346.000.000. Contagem iniciada em 9 de Abril de 2007 até hoje 9 de Outubro de 2013. Este blogue foi visto em todos os continentes.


Vítor Duarte é fadista amador, mas no que diz respeito à escrita considera-se um profissional. "Sou a pessoa que mais escreveu sobre fado em todo o mundo", garante. Refere-se ao blogue "Lisboa no Guiness" (só com um "n"), que mantém desde2007. Principal objectivo: "Divulgar o fado, fazer intervenção cívica e, acima de tudo, ajudar a candidatar Lisboa ao Livro Guinness dos Recordes como a cidade mais cantada do mundo." Dito de outro modo: "Se há tanta coisa no Guinness e se eu sou um apaixonado por Lisboa e poesia, porque é não haveria de fazer isto?".

Neto de Alfredo Marceneiro (1891- 1982),Vítor Duarte tem 66 anos, nasceu em Alcântara e vive no Cadaval. Adoptou, tal como o avô, a alcunha Marceneiro. Hoje tem um filho de 12 anos chamado Alfredo. Em 1995 publicou a biografia Recordar Alfredo Marceneiro.

Em conversa telefónica com a Time Out, num estilo palavroso e incansável, Vítor Duarte conta que Lisboa é a sua grande paixão. "E como uma mulher muito linda a quem os poetas dedicam poemas de amor." A infância passada em Campo de Ourique, sob o olhar atento do avô fadista, terá forjado a paixão.

Garante que a candidatura ao Guinness já foi aceite, mas ainda não produziu efeitos porque não há concorrentes. "Se me candidato a um recorde, tenho de ter outra pessoa que se proponha ultrapassar-me. Como isso ainda não aconteceu, aguardo o reconhecimento deste recorde."

Os critérios de Vítor Duarte para fazer de Lisboa recordista são talvez extravagantes, mas são os dele. "Por cada poema para fado que inclui a palavra Lisboa, há uns 20 que falam da cidade sem referirem o nome e eu só incluo aqueles que dizem Lisboa explicitamente. Mas não me interessam só os poemas que foram musicados para fado, as letras soltas também contam. Todos os dias me enviam poemas e além disso a palavra 'cantar' aplica-se tanto à música como à leitura de poesia." Percebe-se? "Tenho milhares de poemas potenciais e neste momento transcrevi 533, dos quais 393 são fados. Se alguém quiser bater este recorde, estou em condições de responder com milhares de poemas."

Já teve mais de 716 mil visitantes únicos no blogue. E se a paciência não lhe faltar, há-de conseguir o recorde que lhe dá alento.

In: Time Out Entrevista de Bruno Horta 16 de Novembro de 2011

 

Lisboa irá para o Guiness de certeza absoluta, volto a lembrar como tudo começou...
 
 A Proposta

 GUINESS RECORDS

      “Lisboa a Cidade mais cantada do Mundo”

 

Pesquisa e recolha do maior número possível de Letras de Fado, poemas e prosas sobre LISBOA, sendo que se crê que o maior contributo vem dos poetas e letristas de Fado.

Iniciar o processo de candidatura ao Guiness BooK of Records, sabendo-se que esta iniciativa/modalidade é original no Guiness.

Lisboa ao fazer parte do Guiness Book terá uma divulgação em milhões de pessoas.

 

METODOLOGIA:

 1º Serão compiladas as Letras de Fado sobre LISBOA devidamente identificadas;

  • ·         Autor da Letra
  • ·         Autor da música
  • ·         Registo na SPA se existir
  • ·         Nome do intérprete criador e de outros executantes
  • ·         Gravação fonográfica
  • ·         Programa de Televisão

 

2º Serão compilados os poemas sobre Lisboa, que se desconheça se foram ou não cantados ou gravados.

 

3º Serão compiladas as Letras das Marchas Populares, em que entre a palavra LISBOA

  • ·         Autor da Letra
  • ·         Autor da música
  • ·         Registo na SPA se existir
  • ·         Bairro Executante
  • ·         Ano da Exibição
  • ·         Gravação se existir

 

4º Serão compilados todos os poemas, sonetos prosas sobre LISBOA que se encontrem.

 Será necessário um exaustivo trabalho de pesquisa, passagem a sistema informático, e ficará assim também uma valiosa base de dados sobre este património cultural sobre LISBOA. (Consulta acessível ao público na Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa)

 

Poderá ser elaborado um livro com as Letras mais emblemáticas, traduzidas para Espanhol e Inglês, e dar oportunidade a alguns “pintores aguarelistas” de rua para ilustrarem o mesmo com trabalhos seus também sobre LISBOA. (Venda na Biblioteca Municipal e Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa e outros.)

 Esperamos que outras cidades após esta iniciativa de Lisboa, nos venham tirar o “Recorde” o que só é publicado no ano seguinte, assim na primeira apresentação apresentaremos um número considerável de Letras, mas ficando com uma reserva para podermos contra-atacar.

Dado que nos últimos anos poucos poemas sobre Lisboa tem surgido e estes muito pouco divulgados, seria interessante e estimulante para os poetas, a CML, organizar um concurso para incentivar a criação de letras de fado, poemas, prosas ou sonetos tendo como mote a Cidade de Lisboa. (por ex: seria constituído um Júri para escolher as cinco (ou mais) dos melhores trabalhos entre todas as modalidades, e poderia ainda vir a dar lugar a um Espectáculo (p.e. no S. Luís), e se possível seriam publicadas em livro a editar pela CML.

 Um dos Fados considerado unanimemente por todos os Fadistas e público em geral é Letra de Artur Ribeiro, que é autor de muitos outros fados, e por diversas razões nunca foi devidamente homenageado, pelo que seria uma “ Acção de Grande Cariz Popular” ser o mesmo agraciado a título póstumo pela CML. (ex. medalha de ouro da Cidade ou o nome de uma rua)

Mas para a EGEAC não tem interesse!

 

Resposta da Vereadora da Cultura  da C.M.L. Drª  Maria Manuel Pinto Barbosa, após várias reuniões em que o projecto foi bastante apreciado.

 

 

 

 

Passados dois meses escreve-me a EGEAC:

 

 

 

Mas em 2006 por ordem do então Presidente da C.M.L  Prof. Cardona Rodrigues o Dr. José Amaral Lopes á altura Vereador da Cultura aprovou o projecto

 

 

No mês de Junho tenho uma reunião com   o então Vereador da Cultura Dr. José Amaral Lopes, a quem expus o projecto, relatando-lhe os contactos já havidos.

Após mais alguns detalhes solicitados, o sr. Vereador elogia a ideia, e de imediato  a aprova,   nomeando a sua assessora, Dr.ª Paula de Carvalho, para dar seguimento ao projecto, enviando-o para a EGEAC.  

Sugeri  que o projecto fosse acompanhado pela Dr.ª Sara Pereira,   que aceitou, após conversa telefónica que com ela mantive.

A ajuda pecuniária  acordada seria paga mensalmente e durante  6 meses de trabalho de pesquisa, seguindo-se a recolha e registo de uma base de dados. Foi acordado que devido à grande quantidade de dados que se esperavam encontrar, o prazo poderia ser insuficiente, pelo que poderia vir a ser renovado.

Embora já tivesse sido  dada luz verde pelo senhor Vereador, que era simultaneamente Presidente da EGEAC.,atingimos, o fim do ano, sem que o projecto avançasse.

Ora, nesta altura já todos os órgãos de informação tinham publicitado o projecto, através duma entrevista dada por mim à agência LUSA, conduzida pelo jornalista Nuno Lopes, assim como, já tinha estado presente no programa da Fátima Lopes na SIC. A publicidade dada ao assunto, motivou, que tivesse recebido várias mensagens de incentivo, sobretudo, de apreciadores de Lisboa e do Fado, assim como esteve na origem de ter sido convidado pela direcção do Sapo, para dar inicio a um blogue sobre o assunto, ficando desde logo registado como “Lisboa no Guiness”.

Antes mesmo do contrato assinado, e de ter recebido qualquer remuneração, entreguei no Museu do Fado um DVD, com os seguintes dados: Registo de Poemas de Fado de Lisboa, "350 de A a Z" e ainda Registos de Fado de temas gerais, incluindo grande parte do repertório de Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Fernando Farinha e muitos outros, num total de 315 registos de "A a Z". Aliás na altura os temas de Lisboa foram aqui publicados.

O próprio vereador, e alguns orgãos de informação, e eu próprio, questionámos a Dr.ª. Sara Pereira,   sobre o andamento do projecto, que informou, faltarem resolver, apenas, alguns pormenores de carácter burocrático.

No início de Janeiro de 2007 comecei a publicação do blogue, tendo continuado a trabalhar nas pesquisas e recolhas.

Em Março ou Abril de 2007, assinei um contrato no Museu do Fado, tendo-me sido paga a quantia acordada, mas, sem que até hoje tenha recebido cópia do contrato, e o que lamento, nunca tenha conseguido ser recebido pela Dr.ª Sara Pereira, a despeito, das várias tentativas que efectuei.

Termino este comentário, com a satisfação de ver visitado o meu blogue de minha iniciativa pessoal, que penso, muito ter contribuído para a divulgação dos fadistas, do  Fado e de Lisboa. Sinto também do mesmo modo, grande satisfação, pela autoria dos livros biográficos de meu avô e de Hermínia Silva. 

 

Mas entretanto começa o escândalo do Filme Fados,  o célebre "Roubo do Fado Versículo". E quem diz as verdades a desmascarar as mentiras do Carlos do Carmo, o prémio Goya, a estreia no Olympia, etc.  É "persona non grata" 

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Viva Lisboa: Lisboa no Guinness - Projecto
música: Lisboa no Guinness - Projecto
publicado por Vítor Marceneiro às 20:00
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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2013

Lisboa em Azulejo de José Maria Graça Pires - Poeta Popular

O autor destes lindos versos sobre Lisboa, gostaria de os saber cantados e se possivel gravados, quem assim o desejar é só consultar o poeta.

 

 

titulo: Lisboa em azulejo registado na SPA

autor: jose m.g.pires@gmail.com

tlm: 967 757 892

 

Lisboa em Azulejo

Versos de: José Maria Graça Pires


Lisboa pró mar debruçada

É lágrima dor de partida

Desse barco que sem chegada

Esperança a tem perdida

 

No cais a gaivota voa

Ao nascer do novo dia

Já rompe entre a névoa

Linha de vida fugidia

 

A chuva na calçada turva

Por entre as pedras em veias

O eléctrico sobe, curva

Na linha moí as areias

 

Em azulejo te vou pintar

Lisboa, branco, preto, cinzas

És poema nobre de cantar

Tua gente a valorizas

 

Qualquer um te vem amar

Com o Tejo a teu lado

E mais te embala o mar

Na hora de cantar o fado

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Viva Lisboa
música: Poema Lisboa em Azulejo
publicado por Vítor Marceneiro às 10:45
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Domingo, 6 de Outubro de 2013

AMÁLIA RODRIGUES - A DIVA

Faz hoje 14 anos que

AMÁLIA RODRIGUES

A 6 de Outubro de 1999 que se ausentou, em corpo, porque a sua imagem e o seu espírito, estará sempre nos nossos pensamentos

 


 Foto montagem de Vítor Marceneiro

 

Amália está sepultada no Panteão Nacional.

A grande senhora do fado, a mulher do povo, a voz de Portugal está desde o dia 8 de Julho de 2001, na sua última morada. 

Os seus restos mortais foram depositados na Sala de Língua Portuguesa, junto a figuras célebres da nossa cultura como Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco e João de Deus.

As opiniões sobre a trasladação dos restos mortais de Amália do cemitério dos Prazeres foram contraditórias, há quem advogue, que como "Amália é do povo, devia estar junto do povo", outros que "Amália deve ir para o Panteão por ser um símbolo de Portugal".

O que é certo é que mais uma vez não foi o povo que decidiu!


É SEMPRE TRISTONHA E INGRATA
QUE SE TORNA A DESPEDIDA

DE QUEM TEMOS AMIZADE
MAS SE A SAUDADE NOS MATA
EU QUERO TER MUITA VIDA
PARA MORRER DE SAUDADES

 

 

Obrigado Amália por tudo o que nos deste

Geração de Marceneiro

 

A NOSSA AMÁLIA E O POVO

 

A nossa Amália morreu

Nosso Povo estremeceu

Com tanto calor e frio

No céu entrou uma Fada

E uma canção magoada

Povo que Lavas no rio.

 

                                                     As avenidas e estradas

                                                     E as pedras das calçadas

                                                     Ficaram todas unidas

                                                     Os rapazinhos choraram

                                                     As andorinhas voltaram

                                                     Sempre de luto vestidas.

 

Os carpinteiros a correr

Foram todos para fazer

As tábuas do seu caixão

Os Anjinhos se juntaram

Os Santinhos se prostraram

Até Deus pediu perdão.

 

                                                      Desde a Rua de São Bento

                                                      Povo Unido, num lamento

                                                      Choravam lágrimas e prantos

                                                      Peregrinos de sandálias

                                                      Consagraram nossa Amália

                                                      E os Poetas eram tantos.

 

A Cidade de Lisboa

Desde Alfama à Madragoa

Desde a Estrela ao Rossio

Varinas de sete saias

Vê lá meu Povo não caias

Povo que Lavas no rio.

 

Poema de: Manuel Luis Caeiro de Pavia


A Tua Voz Amália           

A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como travo de ciúme após o amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...
Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...
Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, — bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !
 Francisco Radamanto
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Viva Lisboa: Amália ... A DIVA
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2013

Vítor Marceneiro - RECADO Á TROIKA

Vítor Duarte Marceneiro canta.

Sangue de Heróis

Letra de Carlos Conde

Música de Alfredo Marceneiro



 

Este poema é da autoria de Carlos Conde, grande poeta (fazia questão de ser apelidado de poeta popular e assim ficou para a história numa placa toponímia numa rua de Lisboa no bairro de Campolide),.

 

Foi conhecido também por ser um democrata, como dizia Alfredo Marceneiro, era um poeta do "reviralho".

 

Nos anos Trinta no inicio da 2ª Guerra Mundial, as tropas de Hitler, mesmo tendo aceito Portugal como país neutro, cobiçava as então nossas províncias ultramarinas e as ilhas.

 

Foi  um poema "revolucionário",  também assim  o entendi quando o gravei em 1993, mas foi logo censurado pela Emissora Nacional,  e facto curioso,  também considerado reaccionário e pró-colonialista, porque causa da estrofe "Portugal não cede um palmo de terra".( Ver crónica em http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/102684.html)

 

 Enfim mudam-se os tempos, mudam-se os pensamento e hoje penso que é uma boa  mensagem para as "TROIKAS DESTE MUNDO" e para os simpatizantes deles, que por cá andam ao "TACHO".


 

SANGUE DE HERÓIS

 

Letra de Carlos Conde

Música de Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)

 

 

Se é de longe que tu vens

D´um país onde se abraça

O amor, a fé a nobreza

Podes entrar porque tens

Um abrigo em cada lar

 Um lugar em cada mesa

 

Mas se trazes a divisa 

De te impor de interceder

Por favor deixa-nos sós

O meu país não precisa 

Que outros venham resolver 

A questão que há entre nós

 

Se vens com torvo ideal 

Ou com o fito de 

Leva contigo os maus trilhos 

E diz lá que Portugal 

Não vende um palmo de terra 

Nem vende a honra dos filhos 

 

Diz ao mundo, grita aos sóis

Enche os céus da nossa glória 

Num clarão vasto e fecundo 

Que só com sangue de heróis 

Portugal ergueu a história 

Nas cinco parte do mundo 


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Viva Lisboa: Portugal Independente já
música: Sangue de Heróis recado á Troika
publicado por Vítor Marceneiro às 21:00
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