Sábado, 26 de Abril de 2014

GABRIEL DE OLIVEIRA - Poeta Popular

 

 Terá nasci­do em 1891, e provavelmente em Lisboa.

Mor­reu na Figueira da Foz em 1953.

Em 1909 assentou praça na Marinha de Guer­ra como aluno, tendo completado o curso de arti­lheiro. Combatente da Primeira Guerra Mundial co­mo artilheiro, foi condecorado com a medalha da Vitória. A sua alcunha de marujo sur­ge, pois, da sua profissão.
De estatura imponente e grande valentia, par­ticipou activamente no apoio a Sidónio Pais,fa­zendo comícios no Largo da Guia, na Mouraria. Terá mesmo posto ao serviço deste político alguns barcos, o que lhe valeu outra alcunha, a de maru­jo almirante. Mais tarde entra para a Intendência, onde exerce as funções de fiscal.
Manteve uma longa ligação com a cantadeira Natália dos Anjos, das suas composições contam-se algumas das mais clássicas letras do repertório fa­dista como é o caso de Igreja de Santo Estêvão, pa­ra ser cantado por Joaquim Campos (com o qual frequentemente trabalhou) na famosa composi­ção deste Fado Vitória, e Café das Camareiras, com letra e criação de Alfredo Marceneiro a quem tam­bém se deve a música para Senhora do Monte, que após ter sido um sucesso na voz de Marceneiro, o foi igualmente na interpretação de Carlos Ramos. Ainda para música de Marceneiro (a Marcha do Alfredo), escreveu Há Festa na Mouraria, criado por este,  e que teve grande  êxi­to também cantado por Amália, gerador de outros temas como «a Rosa do Capelão», «a procissão da Senhora da Saú­de», entre outros.
Inspirando-se  alegadamente ao gosto do rei D. Carlos pela guitarra e pelo Fado, escreveu  a letra do Fado, O Embuçado. Ori­ginalmente criado por Natália dos Anjos, a músi­ca foi composta pelo guitarrista José Marques Pis­calarete, que lhe deu o título de Fado Natália que, como tema musical, entraria igualmente no reper­tório fadista com outras letras. Os restos mortais de Gabriel de Oliveira re­pousam na Cripta dos Combatentes da Grande Guerra, em Lisboa.
 © Vítor Duarte Marceneiro
Alfredo Marceneiro
Fala de Gabriel  de Oliveira
 

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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

HÁ FESTA NA MOURARIA- Um título.. Dois Autores

 

 

Quadro do Mestre Real Bordalo - Arco do Alegrete e Palácio do Marquês do Alegrete - Portas da Mouraria

 

A quem estiver nteressado, vou tentar resolver a “confusão” que existe à volta do Fado:

«HÁ FESTA NA MOURARIA».

 

Nos meados dos anos 20 do século passado, Gabriel de Oliveira -   O Poeta Marujo – escreve uma letra de fado com o título:  SENHORA DA SAÚDE, que dá em primeira mão a Alfredo Marceneiro, para o seu repertório, que este,  a canta com a música “A Marcha do Marceneiro” , como ele próprio o afirmou.

 

SENHORA DA SAÚDE

 

Poema: Gabriel de Oliveira

Música: Alfredo Marceneiro

 

Há festa na Mouraria,
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde.
Até a Rosa Maria,
Da Rua do Capelão,
Parece que tem virtude.

 

                                            Naquele bairro fadista,

                                            Calaram-se as guitarradas.

                                            Não se canta nesse dia;

                                            Velha tradição bairrista:

                                            Vibram no ar badaladas

                                             Há festa na Mouraria

 

Colchas ricas nas janelas,
Pétalas soltas no chão,
Almas crentes, povo rude.
Anda a fé pelas vielas,
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde.

 

                                             Após um curto rumor,
                                             Profundo silêncio pesa,
                                             Por sobre o Largo da Guia.
                                             Passa a Virgem no andor,
                                             Tudo se ajoelha e reza,
                                             Até a Rosa Maria.

 

Como que petrificada,
Em fervorosa oração,
É tal a sua atitude,
Que a rosa já desfolhada,
Da Rua do Capelão,
Parece que tem virtude.

 

 

 

Amália canta  e grava a que a versão a que dão o título,  Há Festa na Mouraria, em vez de Senhora da Saúde, que esta sim, são de versos de Gabriel de Oliveira, também  na música da Marcha de Alfredo Marceneiro.

Mais fadistas o começam a cantar, mas como Gabriel de Oliveira, não se faz sócio da Sociedade de Autores, consequentemente não há registo, pelo que o título passa a ser por desconhecimento dos actuantes, alterado, (fenómeno que ainda hoje acontece, quer com  poemas quer com  músicas), e passa a ser conhecido por “Há Festa na Mouraria” Em 1933 Alberto Costa canta este tema todas as noites, no Teatro Maria Victória, onde obtém grande êxito.

No final dos anos vinte do século passado é registado na Sociedade de Autores um poema com o título de Há Festa na Mouraria, um glosamento da primeira sextilha da versão de Gabriel de Oliveira, da autoria de António Correia Pinto de Almeida, que usa o pseudónimo de António Amargo, amigo de Gabriel Araújo, que também ofereceu a Alfredo Marceneiro, para o seu repertório, propondo a música para sextilhas,  da autoria de Jose Marques (Piscalarete) (autor do Fado triplicado), mas que Marceneiro decide gravar na sua marcha.

 

 

HÁ FESTA NA MOURARIA

 

 

Letra de: António Amargo

Música de Alfredo Marceneiro

 

                                         Desde manhã os fadistas

                                         Jaquetão calça esticada

                                         Se aprumam com galhardia

                                         Seguem as praxes bairristas

                                         É data santificada

                                         Há festa na Mouraria

 

Toda aquela que se preza

De fumar falar calão

Pôr em praça a juventude

Nessa manhã chora e reza

É dia da procissão

Da Senhora da Saúde

 

                                         Nas vielas do pecado

                                         Reina a paz tranquila e santa

                                         Vive uma doce alegria

                                         À noite é noite de fado

                                         Tudo toca tudo canta

                                         Até a Rosa Maria

 

A chorar de arrependida

A cantar com devoção

Numa voz fadista e rude

E aquela Rosa perdida

Da Rua do Capelão

Parece que tem virtude

 

Nos anos sessenta a editora “Valentim de Carvalho” produz o LP “Há Festa na Mouraria” em que Alfredo Marceneiro grava o poema, da autoria de António Amargo, porque embora ele fosse o criador  da versão de Gabriel de Oliveira, como já se explicou, esta já tinha sido gravada por Amália Rodrigues e outros, e Marceneiro não quer gravar o que os outros já gravaram.

Em 1995 no meu livro mono-biográfico Recordar Alfredo Marceneiro, o poema que transcrevo é o tema de António Amargo, que ele na realidade gravou.

Acontece que há registos, em que se canta os versos de Gabriel de Oliveira, e que os créditos são dados a António Amargo!, e vice-versa

Posso afirmar com bastante credibilidade, que António Amargo, em nada contribuiu  para esta confusão, a razão principal, tem a ver  com de Gabriel de Oliveira, que  não ter registado a sua versão.

António Amargo, foi poeta e escritor, faleceu em 1933, é de salientar que era muito, quer de Gabriel de Oliveira, não existiu nenhuma quezília entre eles, e foi também amigo de Alfredo Marceneiro.

 

 

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

PÁSCOA FELIZ

PÁSCOA FELIZ

SEJAMOS FRATERNOS E SOLIDÁRIOS

 

 

O Que é a Páscoa?

 

O tempo pascal compreende cinquenta dias (em grego = "pentecostes"), vividos e celebrados como um só dia: "os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição até o domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande domingo" .

O tempo pascal é o mais forte de todo o ano, inaugurado na Vigília Pascal e celebrado durante sete semanas até Pentecostes. É  a Páscoa (passagem) de Cristo, do Senhor, que passou da morte à vida, a sua existência definitiva e gloriosa. É a páscoa também da Igreja, seu Corpo, que é introduzida na Vida Nova de seu Senhor por emio do Espírito que Cristo lhe deu no dia do  primeiro Pentecostes. A origem desta cinquentena  remonta-se às origens do Ano litúrgico.

Os judeus tinha já a "festa das semanas", festa inicialmente agrícola e depois comemorativa da Aliança no Sinai, aos cinquenta dias da Páscoa. Os cristãos organizaram rapidamente sete semanas, mas para prolongar a alegria da Ressurreição e para celebrar ao final dos cinquenta dias a festa de Pentecostes: o dom do Espírito Santo. Já  no século II temos o testemunho de Tertuliano que fala que neste espaço de tempo não se jejua, mas que se vive uma prolongada alegria.

A liturgia insiste muito no carácter unitário destas sete semanas. A primeira semana é a  "oitava da Páscoa', em que já por irradiação os baptizados na Vigília Pascal, eram introduzidos a uma mais profunda sintonia com o Mistério de Cristo que a liturgia celebra. A "oitava da Páscoa" termina com o domingo da oitava, chamado "in albis", porque nesse dia os recem baptizados deporiam em outros tempos as vestes brancas recebidas no dia de seu Baptismo.

Dentro da Cinquentena celebra-se a Ascensão do Senhor, agora não necessariamente aos quarenta dias da Páscoa, mas no domingo sétimo de Páscoa, porque a preocupação não é tanto cronológica mas teológica, e a Ascensão pertence simplesmente ao mistério da  Páscoa do Senhor, e  conclui tudo com a vinda do Espírito  em Pentecostes.

A unidade da Cinquentena que dá também destacada pela presença do Círio Pascal aceso em todas as celebrações, até o domingo de Pentecostes. Os vários domingos não se chamam, como antes, por exemplo, "domingo III depois da Páscoa", mas "domingo III de Páscoa". As celebrações litúrgicas dessa Cinquentena expressam e nos ajudam a viver o mistério pascal comunicado aos discípulos do Senhor Jesus.

As leituras da Palavra de Deus dos oito domingos deste Tempo na Santa Missa estão organizados com essa intenção. A primeira leitura é sempre dos Actos dos Apóstolos, a história da igreja primitiva, viveu e difundiu a Páscoa do Senhor Jesus.

A segunda leitura muda segundo os ciclos: a primeira carta de São Pedro, a primeira carta de São João e o livro do Apocalipse.

 

 

 

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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

MARTINHO d´ASSUNÇÂO Jr. - Violista de Fado

 

 

 

Nasceu em Lisboa,  no ano de 1914, era filho de Martinho d´Assunção, que foi cantador e poeta, o que levou a que seu filho fosse criado no meio fadista. Martinho da Assun­ção Jr. aprendeu a tocar guitarra, bandolim e vio­lino, acabando por se decidir pela viola. Aluno de João da Mata Gonçalves, substituiu o seu mestre em 1926, apenas com 12 anos, em Setúbal, naque­le que foi o seu espectáculo de estreia, onde acom­panhou Armandinho. Aprendeu a tocar guitarra clássica com o professor espanhol Agostin Rebel Fernández.

Tocou ao longo da vida em muitos locais co­mo o Salão Jansen, Bar Avenida, Solar da Alegria, Café Mondego, Mirante, Estribo, Luso, A Toca, Lis­boa à Noite e O Faia.

Em 1932, acompanhou Armandinho numa digressão pelos arquipélagos da Madeira e dos Açores, juntamente com Ercília Costa e João da Mata. No ano seguinte, actuou em Angola, Mo­çambique e ex-Rodésia do Norte, com Armandi­nho, Berta Cardoso, Madalena de Melo e João da Mata.

Em 1937 e 1938 dirigiu um conjunto de gui­tarras que tinha como elementos Constança Ma­ria (voz), José Duarte Costa (viola), Francisco Carvalhinho e Fernando Freitas (guitarras). Em 1942, actuou no Casablanca (Parque Mayer) in­tegrado no Conjunto Artístico Português, junta­mente com Jaime Santos, Fernando Freitas (am­bos guitarristas), Miguel Ramos e Freitas da Silva (violistas), e mais tarde com Alberto Correia (violista), Jaime Santos e António Couto (guitar­ristas).

Entre 1951 e 1953 participa no elenco dos Companheiros da Alegria, de Igrejas Caeiro e Elvi­ra Velez. Ainda 1953, regressa a África com Maria Pereira e Carvalhinho.

Compôs várias músicas, como Fado Faia  (com letra de Linhares Barbosa); Bom Dia Meu Amor (letra de Vasco de Lima Couto); Uma História (letra de Aníbal Nazaré); Fado do Chiado (letra de José Carlos Ary dos Santos); Casinha de um Pobre e Fado Corridinho (letras de Frederico de Brito), Restos de Mouraria, para o poema com o mesmo título de Carlos Conde para o repertório de Alfredo Duarte Jr.

Admirador confesso de Andrés Segovia, dotado de uma técnica e de um bom gosto imenso, pelo que foi considerado o maior violista português, interpretava também temas eruditos actuando algumas vezes como solista clássico. Dedicou-se ao ensino de viola, tendo igualmente nesta área exercido uma significativa influência no meio fadista,  era afectuosamente tratado por professor Martinho, pela comunidade fadista..

Martinho d´Assunção, faleceu em Lisboa em 1992.

A sua geração (musical) continua na pessoa de seu neto Vital d´Assunção, que também toca viola, não descurando o legado do avô.

 

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Domingo, 13 de Abril de 2014

FUI Á FEIRA DA LADRA

 

 

 

Vítor Duarte aos 6 anos de idade

 

Tinha eu uns seis anos de idade, quando num Sábado o meu pai me foi buscar a casa dos meus avós para me levar a conhecer a Feira da Ladra. Nessa época meu pai já tinha abraçado a profissão de "Artista de Variedades – Fadista", mas estava no início, o que ainda não lhe dava estabilidade económica. Com o falecimento precoce de minha mãe, passei a viver com os meus avós, na Rua da Páscoa, a Santa Isabel – Campo de Ourique.

Fomos a pé até ao Largo do Rato, descemos a Rua de S. Bento e, quando íamos a meio da Av.ª D. Carlos I, comecei a chorar porque me doíam muito os pés; tinha calçado nessa altura umas botas de carneira com sola de pneu, boas para jogar à bola, mas para caminhadas pareciam ser feitas de chumbo. Meu pai ficou um pouco arreliado, pois estava a fazer planos para irmos até ao Campo de Santa Clara a pé, e logo me disse:

– Lá vamos ter que gastar catorze tostões em dois bilhetes de eléctrico para a Graça.

                       

 

 

Carro Elécrico aberto anos 50

Chegámos a Santos e apanhámos o eléctrico, tal como o da foto acima (eléctrico aberto). Lembro-me que enjoei um pouco, pois o meu pai disse-me:

– Eh pá, estás amarelo, não vomites no carro – e passou-me para o topo do banco, onde era totalmente aberto, agarrando-me o braço com força para eu não cair.

Lá chegámos e entrámos para o recinto, pelo lado da Rua da Voz do Operário.

                     

 

 

 

                                    Foto do ambiente da Feira da Ladra, anos 50

 

Aquilo era um mundo fantástico para mim (tantas coisa giras); algumas eu nem sabia para que serviam, mas meu pai era frequentador e já ia com a ideia fixa do que queria comprar: uma grafonola! Fomos ao poiso do homem que ele sabia ter uma para vender, embora avariada. Na semana anterior já tinha tentado negociar um bom preço, mas não conseguiu. Com a minha presença (talvez para puxar ao sentimento) e batendo no argumento de que a corda estava partida e talvez nunca fosse possível arranjá-la, lá a comprámos por 20$00, incluindo uma caixa de agulhas e um disco de massa da "Voz do Dono" com dois temas de Maria Alice (que mais tarde veio a ser mulher de Valentim de Carvalho).

Tentámos, nos vários comerciantes, arranjar um disco do meu avô para lhe fazer a supresa, mas em vão; os discos de "Marceneiro" ainda eram preciosidades, raras de mais para aparecerem por ali.

Com o meu pai a transportar a grafonola, que depois de fechada parecia uma mala e tinha uma pega, começámos a descer em direcção à Av.ª 24 de Julho, para nos irmos embora. Ao passarmos junto ao gradeamento que dá para o Hospital da Marinha, havia um homem a vender calçado usado, mas com bom aspecto e muito bem engraxado. Os meus olhos fixaram logo uma botas de cano alto (à cow-boy). Pedi ao meu pai para ir ver se eram da minha medida, calcei-as e recordo que estavam um pouco compridas. Mas o homem disse logo que era a minha medida e que tinham solas novas, estavam muito baratas, só 15$00. Ó paizinho, compre, para eu levar para a escola (eu entrava em Outubro desse ano de 1952 para a 1ª Classe, nas Oficinas de S. José, aos Prazeres).

– São caras e o pai só tem... – e levou a mão ao bolso, mostrando 8$60.

O homem, com a sua lábia de vendedor, disse-lhe:    

– Estas botas, por 15$00, são um pechincha... Mas como o miúdo está aí tão triste, dê cá isso e leve lá as botas.

Mesmo antes que meu pai dissesse algo, embrulhou-as em papel de jornal, atou-as com uma guita, à volta. Eu agarrei-as logo, pois o meu pai, carregado com a grafonola, ainda podia dizer que não, o que não aconteceu. Lá deu o dinheiro ao homem e – meu Deus, como hoje recordo (sem pieguices ,mas com uma lágrima no olho) – que alegria!

Começámos a descer para a 24 de Julho, quando o meu pai se volta para mim e a rir diz:

– O menino Vitó levou a sua avante, mas esqueceu-se de uma coisa: o pai não tem mais dinheiro e agora temos que ir para casa a pé; e olha que não te posso ajudar porque a grafonola ainda é pesada.

– Ó paizinho, não há problema; eu aguento.

– Sempre quero ver isso – retorquiu ele.

Chegámos ao Cais do Sodré e eu derreado, já não conseguia dar mais um passo. Meu pai, a quem também já doía o braço de carregar a grafonola, poisou-a no chão, junto a uma parede, sentou-me em cima dela, disse-me que não saísse dali porque ia ao bar da gare dos comboios, ver se estava lá alguém conhecido.

Fiquei ali e, passados uns minutos, o meu pai aparece com uma sandes de torresmos e um pirolito. Fiquei deliciado, porque já havia um bom bocado que tinha fome e sede, mas não tinha dito nada para não complicar ainda mais a situação. Então, ele disse-me:

– Bem, espero que tenhas aprendido a lição; mas como o pai ainda descobriu aqui no fundo do bolso uns trocos, que deram para as sandes e ainda nos sobrou 2$00, assim podemos ir de eléctrico até ao Rato.

Calculem o alívio e alegria quando ouvi esta novidade, e lá fomos os dois a rir às gargalhadas para a paragem do eléctrico.

Foi um dia em cheio (que saudades, pai)...

Mal chegámos a casa, o meu avô começou logo meter-se com o meu pai, em ar de troça:

– Uma grafonola... e avariada!

– Deixe estar, que eu e o Vitó arranjamos isto – dizia o meu pai.

Claro que eu não percebia nada daquelas coisas, mas recordo ter ficado todo orgulhoso com o comentário. No futuro viria a ter esse jeito para as máquinas e ferramentas, mas meu pai era um grande “engenhocas”, lá em casa arranjava tudo.

Limpámos muito bem a caixa, que estava um pouco mal tratada, e meu pai desmontou o engenho de corda. Lembro-me que era parecido com a corda dos relógios de sala e – vejam a nossa sorte – a corda não estava partida, tinha-se solto o engate da ponta, que prendia ao sistema de fixação do enrolamento. O meu pai todo contente só dizia:

– Eu sabia, eu sabia!

Após a montagem, com a família toda à volta do engenho posto em cima da mesa de jantar, o meu pai dá à corda, destrava a pequena alavanca e o prato começa a rodar. Foi uma proeza saudada com grande algazarra e alegria. Logo o meu avô deu o dito por não dito:

– Já podemos tentar arranjar uns discos meus.

Entretanto, meu pai monta uma agulha, dá à corda (avisa-nos que não se deve rodar até prender, pois pode partir a corda ou voltar a soltar-se o engate) e põe o disco da Maria Alice. Foi, decerto, o primeiro disco que ouvi na minha vida, de tal forma que ainda hoje me lembro do fado na totalidade:

 

Acredita meu amor

Quando te vou visitar

Às grades dessa prisão

Sufocada pela dor

De te ver assim penar

Estala meu coração

 

Por mim mataste um rival

És agora condenado

Ao degredo por castigo

Mas juro por amor fatal

Não vai meu corpo a teu lado

Mas vai minha alma contigo

 

 

 

Grafonola - Gramaofone idêntico ao que comprámos na Feira da Ladra

 

Depois, tomámos o gosto à grafonola e o primeiro disco do meu avô que arranjámos foi da “ODEON”, com os temas, "Amor de Mãe" e "Os Olhos". Como sabem, as grafonolas não tinham uma velocidade constante, e então o meu avô, quando se ouvia, exclamava:

– Então não é que até parece que tenho voz de mulher!!

                                   

                            

 

Disco de Grafonola 78 r.p.m

 

Mas voltemos às botas. Conforme tinha sido combinado, eram para estrear no primeiro dia de aulas, e assim foi, penso que a 6 ou 7 de Outubro. Nesse dia chovia torrencialmente, as botas vinham mesmo a calhar.

Ao fim do dia cheguei a casa desolado e com os pés todos molhados, pois as solas estavam todas desfeitas: eram de cartão colado sobre a sola inicial já gasta, muito bem pintadas, com anilina preta e graxa, o que lhes dava aquele aspecto consistente e novo! Fartei-me de chorar com o desgosto, mas mais tarde até rimos, porque nos lembrámos de como fora o negócio e, afinal, os enganados fomos nós. Pediu-se orçamento ao sapateiro, mas a minha avó disse logo que não se podia agora estar com aquela despesa, as solas e a mão-de-obra custavam quase 30$00 (o meu avô, naquela altura, ganhava 50$00 por noite e o meu pai, quando arranjava para cantar, não ganhava mais do que 20$00 a 25$00 por noite).

Ora, a solução acabou por ser uma alegria e um orgulho para todos nós, isto porque o meu bisavô (pai do meu avô Alfredo) era sapateiro e o meu avô, nos intervalos da escola, até o pai morrer, foi aprendendo o oficio e dando uma ajuda no trabalho. Como o meu avô era habilidoso, desembaraçava-se bem; comprou num armazém, em S. Paulo, um bocado de sola que lhe custou 6$00 ou 8$00 e, como tinha as ferramentas da arte de sapateiro que tinham sido do pai – as formas, sovelas etc. – foi ele próprio que me colocou as solas nas botas, botas que usei enquanto me serviram. Creio que ainda acabaram por levar umas solas de borracha.

Desculpem estes desabafos/recordações dos meus Fados!

 

Vítor Duarte Marceneiro

 

 

Quadro a óleo do Mestre Real Burdalo

«Feira da ladra 1998»

                   

 

 

 

                

                                      A Feira da Ladra

 

Repertório de Fernando Maurício

Letra de: Carlos Conde

Música - Raul Pereira

 

Fui à Feira da Ladra, a mais bizarra

Das Feiras com a marca do passado,

E vi num ferro-velho uma guitarra

De tampo, sujo, negro, desgrudado!

 

No fundo uma etiqueta já sem cor

Ocultava um retrato que ficou

E que era de um famoso tocador

Que a morte há muitos anos já levou!

 

Quatro cordas em rugas de cantigas

Se mais nada fizessem recordar,

Lembravam quatro décimas antigas

A volta de uma quadra popular!

 

Comprei aquela jóia que se enquadra

Em tudo o que são velhas raridades,

I´nda é preciso haver Feira da Ladra

P'ra nos mostrar o preço das saudades

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Viva Lisboa: Recordar o passado rumo ao futuro
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Sábado, 5 de Abril de 2014

Júlio Gomes - Viola de Fado

 

JÚLIO GOMES, nascido na freguesia de Santa Isabel, de Lisboa, em 14-3-1912, desde muito jovem que demonstrou aptidão para a música, decerto influenciado por seu pai que tocava guitarra .
Mas a sua escolha é a viola, que passa a aprender, sem lições, apanhando as músicas de ouvido, treinando até tocá-las.
Como todos quase os músicos da época, antes de dedicar a sua vida em exclusivo á música tem outra actividade, escriturário na CP, onde permanece, não deixando de actuar como violista, como segunda ocupação.
No inicio dos anos quarenta do século anterior, actua na Emissora Nacional., fazendo parte do conjunto de guitarras de Raul Nery, onde se manteve cerca de uma década. Com o conjunto de Raul Nery participou em espectáculos, acompanhando Amália, na Roménia, Rússia, Leninegrado,. Estados Unidos da América, Canadá, França, Itália, etc.
Júlio Gomes também participou no primeiro programa experimental da RTP na Feira Popular de Palhavã (1956).
Fez também parelha com outros guitarristas de nomeada, como Casimiro Ramos, Jaime Santos, Domingos Camarinha e Carlos Gonçalves, etc.
Foi casado com a fadista Natalina Bizarro
Actuou em quase todas as casas de Fado da sua época, assim como artistas de nomeada, era um bom amigo quer de meu avô, quer de meu pai.
 
 
1ª foto: Conjunto de guitarras de Raúl Nery, com Raúl Nery, Fontes Rocha, Júlio Gomes e Joel Pina.
2ª foto: Fontes Rocha e Júlio Gomes acompanhado Fernando Farinha.
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MARIA ALBERTINA

Maria Albertina Soares de Paiva, nasceu em Ovar no ano de 1909.

Maria Albertina quando jovem ainda na terra natal cantava Fado de Coimbra.

É em Lisboa que inicia a sua carreira artística, descoberta pelo Maestro Macedo de Brito, que apadrinhou a sua entrada no Teatro Maria Vitória, onde se estreou em 1931 na opereta “História do Fado”, ao lado de Berta Cardoso e Maria das Neves.

È convidada para fazer parte do cartaz na “Grandiosa Festa do Fado” em homenagem ao popular poeta João da Mata, que se efectuou no Salão Jansen em 7 de Fevereiro de 1931.

Em 1933 tem uma intervenção no filme “Canção de Lisboa”, cantado o “Fado dos Beijos Quentes”.

Em 1934 na revista “Vista Alegre” faz o quadro do Malhoa com Carlos Ramos

Ainda em 1935, o seu maior sucesso é o “Fado da Sardinha Assada”, da revista de com o mesmo nome, seguiram-se revistas como: Viva a Folia, Feira de Agosto, Olaré quem Brinca o Liró.

Fez ainda as operetas “ O Miúdo do Terço, “Coração de Alfama” e “Nazaré”.

Em 1941 entra na Grande Marcha de Lisboa.

Em 1943 é cabeça de cartaz na revista “O Dia da Espiga”,

Abandona a revista e passa a cantar nas casas típicas, intercalando com algumas saídas ás Ilhas e ao estrangeiro, Espanha, Brasil, Argentina, E.U.A., Canadá.

Representou o folclore português na Grande Exposição Internacional de Paris.

Ainda em Paris no Restaurante Típico da Clara d´Ovar, tem um êxito estrondoso.

Actua na”Festa de Despedida de Alfredo Marceneiro” levada a efeito no S. Luís em 25 de Maio de 1963.

Sendo uma apreciada fadista, fez durante 20 anos parte do elenco da casa de fados de Lucília do Carmo, “O Faia”

O seu repertório para além do folclore incluía Fados como: Chico da Mouraria, Sou Fadista, Duas Gémeas, Fado Albertina, Fado Luso, Belos Tempos Outrora
Mãe do popular locutor de rádio e televisivo Cândido Mota, que é decerto um dos nossos mais brilhantes locutores, o Cândido não canta o Fado, mas tem uma “Alma Fadista”

Maria Albertina, faleceu em Lisboa a 27 de Março de 1985

 

 

O FADO DA SARDINHA ASSADA

 

                                                      I

 

                                                      A bela sardinha assada

                                                      Um dia, fora de portas,

                                                      Foi pelo povo coroada

                                                      Como a rainha das hortas.

 

Nas feiras e ramboiadas

Faz boca à pinguinha; e os pilhas,

Pelas sardinhas assadas,

Até vão p' ra Cacilhas!

Basta só uma sardinha

Uma guitarra, uma trova,

P'ra apanhar uma tosguinha

Daquelas de caixão à cova.

 

                                                       II

 

                                                       Com pimentos à mistura

                                                       A murraça até desanda

                                                       Que a gente vai de banda!

                                                       E apanha uma grossura!

 

Sardinha assada tem fama

De ser petisqueira chalada,

Mas assim que ela se escama,

Muita vez há chapada!

As vezes se está com a telha,

Ao ver a gente com fome

Dá quatro pulos na grelha,

Deixa-se arder... ninguém a come!

 

Maria Albertina

Canta: Meu Filho

Video clip de TiaMacheta

 

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Viva Lisboa: Já ninguém se lembra?
música: Meu Filho
publicado por Vítor Marceneiro às 17:00
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

JULIETA ESTRELA

 

 

Julieta da Ascenção Estrela de Castro, nasceu em Lisboa em 1938, e viveu a sua infância no Bairro de Santa Catarina. Desde muito pequena mostra gosto pelo canto e em especial pelo Fado. Em 1955, com 16 anos venceu o concurso Rainha das Cantadeiras, ex-aequo com Florinda Maria, patrocinado pelo jornal "A Voz de Portugal". Em 1957 estreou-se profissionalmente num dos mais conceituados espaços fadistas de Lisboa, o Restaurante Típico o Luso, ao Bairro Alto. Início de um percurso que a levou a actuar em várias outras casas de fado, tanto em Lisboa como no Porto, . A Emissora Nacional a convida-a integrar os seus quadros artísticos, (1959 a 1968), tendo ainda participado em outros programas radiofónicos. Em 1958, grava os primeiros discos que alcançam êxitos, tanto em Portugal, como no estrangeiro, com temas como "Rainha do meu lar", "Ser fadista" ou "Sei lá, sei lá", etc. 1960 é cabeça de cartaz nos Casinos da Póvoa do Varzim e de Espinho Em 1967 é contratada para a inauguração do “Restaurante Típico A Guitarra da Madragoa” Em 1968 é convidada a actuar na Africa do Sul, para a comunidade de portugueses onde merece o agrado de todos. Nos anos setenta dedica-se mais à família e faz o interregno nas actuações, mas começa a interessar-se pelo estudo do Fado nas suas vertentes histórica e literária. Em 1994, conjuntamente com seu marido o investigador Dr. Luís de Castro, são os impulsionadores da criação da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, de que é actualmente presidente. Em 1998, a quando da fundação do Museu do Fado, em Lisboa, é convidada para consultora, faz também parte dos consultores para a candidatura do Fado a Património Cultural Intangível da UNESCO. Ainda no Museu do Fado dirige o gabinete de ensaios de fado, onde procura transmitir aos mais novos a sua experiência e conhecimentos. É proprietária do “Restaurante Típico FADO MAIOR” no bairro histórico de Alfama, onde actua todos os dias com outros fadistas seus convidados.

 

Julieta Estrela canta

Não Digas Adeus

Letra de: Domingos Silva e Música João Maria dos Anjos

Um video Clip de James Coy

 

 

Julieta Estrela actuando no seu Restaurante "Fado Maior"

 

 

 

LISBOA PEQUENINA

 Repertório de Julieta Estrela

Letra de: Francisco Radamanto

Música de Amadeu Ramin

 

                                          Lisboa pequenina, ó meu amor

                                          Lisboa popular sempre garrida

                                          Tu és quem dá ao fado este sabor

                                          Tão doce e tão amargo como a vida

 

 

Gosto de ti, Lisboa pequenina,

Porque és heróica, humilde e leveirinha

E tens a graça ingénua de menina

Que vai pousar num trono de rainha

 

                                          Lisboa pequenina, ó minha amada

                                          Dos bairros onde o povo sofre e ama

                                          Da Mouraria antiga e destroçada,

                                          Do Bairro Alto, e da velhinha Alfama

 

Foi contigo, Lisboa pequenina

Que aprendi a cantar esta canção

Este fado, que a vida só destina

A quem tem cá por dentro, um coração

 

                                          Lisboa pequenina, o meu encanto,

                                          Voz de guitarra maviosa e fina

                                          Por ti eu peço a Deus, neste meu canto

                                          Que te abençoe, Lisboa pequenina!....

 

 

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Viva Lisboa: Grande Fadista
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2014

MARIA DE LURDES RESENDE

Nasceu no Barreiro em 29 de Janeiro de 1927.

Começou por cantar na Rádio Graça e em 1945 estreia-se na Emissora Nacional.

Em 1948 recebeu o Prémio de cançonetista no Concurso de Artistas Ligeiros da Rádio.

Em 1950 actua em Paris, no âmbito do Plano Marshall.

Grava músicas de sabor folclórico da autoria do maestro Belo Marques.

Em 1952 desloca-se ao Brasil onde actua nas principais estações de rádio e televisão.

Em 1955 obteve a vitória no prémio da Canção de Sucesso, realizado em Génova, com a canção "Alcobaça", com letra de Silva Tavares e música do maestro Belo Marques.

Ainda em 1955 é eleita "Rainha da Rádio" num concurso promovido pela revista Flama.

Em 1956 é "Rainha do Espectáculo" num concurso da revista Plateia.

Em 1957 participa na primeira emissão da RTP. Concorre ao II Festival da Canção Portuguesa, realizado no Porto, com "Amar É Sina". Grava "O Papá e a Mamã" e "Carnaval do Estoril" com António Calvário.

Em 1962 vence novamente o título de Rainha da Rádio. Vence também o Prémio de Imprensa deste ano.

Em 1964 estreia-se como apresentadora de TV, ao lado de Artur Agostinho, num concurso da RTP.

Em 1966 recebe os lº e 2° prémios do Festival Internacional da Canção, realizado em Toronto, no Canadá.

Em 1967 fica em  3º lugar no Festival RTP da Canção de 1967 com "Não Quero O Mundo". É eleita "Maior Cançonetista Portuguesa" pela Imprensa de Angola, ainda em 1967 grava "Natal Branco" (versão portuguesa de "White Christmas") num EP da Marfer que também incluía Artur Garcia (com os temas "Adeste Fideles" e "Sinos de Natal") e Mara Abrantes com "Noite Feliz".  Grava um Ep para a Marfer com temas de Deniz Manuel. O disco inclui os temas "Canção Da Minha Esperança", "Sempre A Sorrir", "Onde O Céu É Mais Azul" e "Noite Sem Estrelas".

Em 1970 recebe a Comenda da Ordem de Benemerência, por ocasião dos seus 25 anos de carreira. Protagoniza ainda a peça "Um Chapéu de Palha de Itália" do TEC.

Em 1993 a EMI-Valentim de Carvalho editou uma compilação com os temas "Canção de Peniche", Margarida", "Amar é sina",Só soube escrever saudade", "Onde o sol é oiro", "Passagens desta vida", "Não percas a esperança", "Não sei para quê", "O papá e a mamã", "Primavera em Paris", "Contra a maré", "Não, não e não","Portugal numa canção", "Folhas secas", "Tudo pode acontecer na primavera". "Canção das praias", "Agora que te encontrei", "Dorme em meu peito amor", "Menina de Paris" e "Puxa a rede".

Em 1995 foi homenageada em Alcobaça por ocasião dos seus 50 anos de carreira.

Recebeu as Medalhas de Prata das Câmaras Municipais do Barreiro, Alcobaça e Lamego e também a Medalha de Ouro da Câmara Municipal do Barreiro.

 

 

 

Maria de Lurdes Resende canta: Porto Monumental

Video-Clip realizado por José Pedrosa

 

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Viva Lisboa: VIVA o PORTO
música: PORTO MONUMENTAL
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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