Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Fernanda Batista - Actriz e Fadista

Fernanda Baptista nasceu em 1920. Já com dez anos o seu amor pelo teatro era bem visível: a jovem Fernanda adorava mascarar-se e entrara já em peças infantis.

Foi como fadista que se revelou publicamente, no Café Luso, pela mão de Filipe Pinto, no início dos anos quarenta, abandonando a sua carreira de modista.
A sua estreia profissional ocorreu em 1945, na sequência de um convite do maestro João Nobre para participar na revista Banhos de Sol, substituindo Leónia Mendes. Foi apenas a primeira de mais de trinta revistas em que participou.

Um dos seus maiores sucessos foi em 1969 na revista “Ena Pá Já Fala” com o fado Saudades da Júlia Mandes, entre outros êxitos contam-se o "O fado está-lhe nas veias", "Ai, ai, Lisboa", "Fado para esta noite", "Trapeiras de Lisboa", "Fui ao baile", "Fado das sombras", "Um fado para Stuart" e "Fado da carta", etc.

A sua gravação mais recente é de 1981, "Meus amigos, isto é fado", um êxito seu na revista "Dentadinhas na maçã" no Teatro Laura Alves, em Lisboa, em 1974.

Actuou também no Brasil, em Angola e na Argentina e, em 1968, viajou até aos Estados Unidos.

Ao longo de 56 anos de palcos, Fernanda Baptista participou em mais de 45 espectáculos de revista e opereta.

Fernanda Baptista integrou recentemente o elenco do musical de Filipe la Feria "A Canção de Lisboa".

"Fernanda Baptista é um exemplo de longevidade do êxito.

Em 2003 o Presidente da República condecorou-a com a Ordem de Mérito.

Fernanda Batista faleceu em Lisboa no dia 25 de Julho de 2008

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Grande Mulher
publicado por Vítor Marceneiro às 13:17
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Francisco Faria Pais - Médico & Artista Plástico

 

 

Francisco Faria Pais ,nasceu em Portalegre.

Veio para a capital e licenciou-se em medicina e cirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Foi assistente da cadeira de Química Fisiológica da mesma Faculdade.

Dedicou-se  e fez vida profissional na especialidade de Estomatologia ,  tendo sido um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-Facial ,  onde desempenhou os lugares de Secretário Geral , Vice-Presidente  da Direcção e Presidente da Assembleia Geral.

É membro da  Academia Portuguesa da Medicina Dentária.
Há cerca de  quarenta anos que tem como "hobby" a pintura em tela a escultura em cerâmica, tendo já participado em mais de 26 exposições do Norte ao Sul do país.
Executou uma serie de Imagens Marianas em terracota policromada, que apresentou em duas  exposições, fazendo algumas delas parte actualmente do património de algumas Igrejas.
Admirador incondicional da Obra de Rafael Bordalo Pinheiro , dedicou-se a partir duma certa altura , à caricatura em cerâmica , realçando sobre tudo o aspecto gestual e postural das personagens que lhe servem de modelo, pelo que muitas dessas figuras representadas , comportam apenas aspectos  parciais do seu todo.
Adepto fervoroso do Fado, foi casado com  Rosebele Faria Pais, que embora amadora, cantava  muito bem o Fado, que infelizmente já não está entre nós. (http://lisboanoguiness.com/299560.html)

É  com base no Fado, que dedicado grande parte da sua criatividade  de caricaturista , modelando um conjunto de gestos e posturas de figuras de relevo do actual e remoto Fado.

É desde a primeira hora, sócio fundador da Associação Cultural de Fado "O Patriarca do Fado", tendo já e feito e oferecido á associação, duas estatuetas em cerâmica de Alfredo Marceneiro e agora o seu busto em tamanho real.

 

Depoimento sobre a sua obra

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Muito Honrado com este amigo
publicado por Vítor Marceneiro às 08:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

ALFREDO MARCENEIRO - Deixou-nos há 32 anos

 E DEUS LHE DEU A GRAÇA E A ALEGRIA,  DE TER MORRIDO NA SUA FREGUESIA, COMO UM SOLDADO MORRE NO SEU POSTO

 

 

Alfredo Marceneiro faleceu na sua casa  pelas sete horas da manhã do dia 26 de Junho de 1982, contava 91 anos. (*)
O seu corpo esteve em câmara ardente, na Igreja de Santa Isabel, sendo apostas na urna a Bandeira Nacional e a bandeira da cidade de Lisboa por iniciativa do, então, Presidente da edilidade Engº Krus Abecassis e ainda uma guarda de honra permanente prestada pelos Soldados da Paz do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa.
 O Padre designado para fazer as exéquias do funeral de Alfredo Marceneiro desconhecia de todo a sua obra, mas impressionado com os milhares de pessoas presentes no velório, quis esclarecer-se sobre a sua figura. Levou a noite a escutar o José Pracana e este tão eloquentemente lhe falou do seu querido amigo "Ti Alfredo", que no dia do funeral,  o Padre ao dizer a Missa de Corpo Presente, ele próprio com as lágrimas nos olhos enalteceu a sua imagem de lisboeta e fadista, amante da sua cidade e da sua freguesia E a todos supreendeu, quando recitou os versos que Marceneiro tantas vezes cantou:

 

Alfredo Marceneiro canta:

A Minha Freguesia

 

Se os cantadores todos, hoje em dia
Ruas e bairros cantam, de nomeada
Eu cantarei á minha freguesia
A de Santa Isabel tão afamada

 

Freguesia gentil que não tem par
É talvez de Lisboa, a mais dilecta
De D. Diniz, a rua faz lembrar
O esposo de Isabel o Rei poeta

 

Lembra a Rainha Santa, quando vinha
Transformar o pâo em rosas, com fé tanta
Ela que Santa foi, menos Rainha
Mas foi entre as Rainhas, a mais Santa

 

Poetas e literários, foram seu
Ilustres moradores, geniais
Como Almeida Garrett, João de Deus
Teófilo, Junqueiro e outros mais

 

Freguesia onde enfim, moro também
Onde sempre pisei honrados trilhos
Nela casou a minha querida mãe
E nela é que nasceram os meus filhos

 

Que Deus me dê a graça, a alegria
Na vida tão cheínha, de desgostos
A vir morrer na minha freguesia
Como um soldado morre no seu posto

 

Assim, até na sua morte o Fado acontecia. Cumpriu-se o desejo que Alfredo Marceneiro cantava nos versos escritos pelo poeta Armando Neves.
É de realçar, que não havendo espaço no talhão dos artistas no Cemitério dos Prazeres, a Câmara Municipal de Lisboa, disponibilizou um gavetão perpétuo para repouso dos seus restos mortais.
 Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre que apesar de ser proibido se efectuou a pé, numa sentida manifestação de pesar desde Santa Isabel até ao Cemitério dos Prazeres.   Guitarristas dedilharam os seus instrumentos, durante todo o percurso, " a sua Marcha" em tom dolente e magoado, que mais parecia um choro de guitarras.
O Povo de Campo d´Ourique estendeu colchas nas janelas, numa homenagem singela ao homem simples do seu bairro.

Todos os orgãos de informação se referiram á efeméride, com títulos de destaque.

 (*) 91 anos em termos de registo de nascimento, masa na realidade tinha 94 anos

 

Chorai Fadistas, chorai...
A morte de Alfredo Marceneiro
— A GRANDE LENDA DO FADO
in Diário de Notícias

 

« Ti Alfredo » deixou-nos

Morreu O REI do FADO.

Morreu aquele a quem apelidaram de
—PATRIARCA do FADO

 

Marceneiro morreu, o fado de luto

Morreu Alfredo Marceneiro
— O MONSTRO do FADO

 

Guitarras choraram por Alfredo Marceneiro
in Correio da Manhã

 

Morreu Alfredo Marceneiro...
 O Fado lisboeta está de luto.
in O Dia

 

De todos os jornais diários que se referiram á efeméride  destaco o artigo assinado pelo jornalista e poeta Fernando Peres que foi seu grande amigo e admirador:

 

GUITARRAS CHORAM NO FUNERAL DE MARCENEIRO
in A Capital


"Não sabemos de quem teria sido a ideia mas não é difícil adivinhá-lo: José Pracana tem alma de poeta e uniu-o sempre ao ti Alfredo uma amizade filial. Talvez pela primeira vez, desde a saída do corpo até ao cemitério dos Prazeres, guitarras e violas choraram o que deixa insubstituível um lugar e foi um intérprete ímpar de várias gerações. Apenas melodias suas foram escutadas por gente que se espalhava pelas janelas para assistir ao cortejo enorme e ouvir um coro imenso de vozes de que Alfredo Duarte (o Marceneiro para toda a gente) era autor e andam na boca de toda a gente.
Esta é uma verdade indesmentível. Se reflectirmos, podemos concluir que a vida e a morte constituem os círculos viciosos do tempo.
A hora que se viveu é uma hora morta. Aquilo que hoje é emoção violenta, constitui amanhã, uma sensação esquecida.
Devemos insistir: esta é uma verdade indesmentível pois existe dentro de cada homem uma tragédia que ele ignora e uma comédia que ele vive. Algumas vezes, a tragédia é caricata ridícula, dá vontade de rir. Mas nunca ninguém riu da tragédia que consigo arrasta. É que a dor é um sinal da vida. Na realidade, só vive quem sabe sofrer...
Por isso ti Alfredo não sofre sózinho. Consigo leva um bocadinho do coração de todos nós. Os ídolos do fado são ídolos do povo. E um desses foi esse extraordinário Alfredo Marceneiro, decano dos intérpretes portugueses e, talvez, mundiais. Quase todos choraram quando foi o «momento da despedida». Mas homens como o ti Alfredo não morrem, nunca. Faltou a madrugada, substituída por um Sol radioso. Mas tudo teve expressão e significado. Valeu pela intenção valiosa e espectacular (houve quem  estivesse de muletas). Se era preciso, foi a consagração de um grande fadista. Quantos o acompanharam, e entre eles o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Leonor Beleza, constituíram um público, sem distinção de classes ali acorrendo a acenar o seu adeus ao maior intérprete da canção, nascida não se sabe onde ecoou em vozes doridas e viciosas nas betesgas das ruelas de Lisboa. Depois, ganhou raça em gargantas aristocráticas e hoje corre mundo na névoa das «boites».
De facto, passam tristezas a desfazer-se e o vento arrasta-se, lentamente, com vagares de cansaço. Já se feriram alegrias em vibrantes risos. Uma lágrima indiscreta espreita um sorriso.
Não o disse? «Felizes os que sabem, colhendo beleza e poesia, refugiar-se em recordações purificadas da mesquinhez do mundo. Felizes os que  são sabem, colhendo inspirados pelo amor, para quem o poente é sempre uma rosa e o azul tem transparências». Teve a sua companheira — a tia Judite — ao seu lado até ao último momento. Mãe dos seus filhos teve até ao final um gesto de amor. «Felizes os que sabem andar feliz o coração no espaço infinito, entre orações, bençãos e perdão. Felizes os que sabem demorar o perfume que o amor deixou».
Lá estiveram os seu amigos. O infalível Júlio Amaro (como podia ele faltar?). E sabe uma coisa? Foi uma manifestação de ternura, neste mundo de egoísmos, cada vez mais fracas.
 Ti Alfredo, até qualquer dia..."

 

Na Revita "MAIS"  de 2 de Julho de 1982, destaca-se aqui o seu editorial e dois artigos da autoria de grandes jornalistas.

 

UM SILÊNCIO NO FADO

"Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito, no último fim-de-semana.
Morrera Alfredo Marceneiro ou, se preferirem ele mudara de "poiso" para parte incerta onde, afinal, todos acabaremos por beber do mesmo copo — como ele continua, certamente a fazer.
Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito no último fim-de-semana.
Um silêncio de guitarras e violas, um silêncio de gargantas vazias, um silêncio cúmplice de cantos impossíveis.
Alfredo Marceneiro "diz" agora ali mesmo, ao virar desta esquina, todos o sabemos. Por isso aqui estamos prontos a escutá-lo naqueles que o testemunharam, naqules que o viveram e conviveram.
Prontos, não a consagrá-lo (que é lá isso?) mas a guardá-lo, nosso."

"MARCENEIRO" — exemplo do fado autêntico

"Sim, é uma verdade indesmentível: os ídolos do Fado são os ídolos do povo. E Alfredo Marceneiro, o «maior» do Fado tinha em si qualquer coisa de indefinível, de boémia atrevida e palpitante a confundir-se com uma ingenuidade quase infantil. Como era ele, afinal?
Igual a si próprio: rezingão e pitoresco, com a sua madeixa preta, a testa enrugada, matendo ao pescoço o lenço de seda com um nó mal-humorado. Como cantava? Como ninguém: com voz saturada de sensibilidade, uma voz popular e instintiva intérprete como nenhuma outra, da pobreza feliz da cidade e a pesia do seu povo. No Fado, soube sempre poetizar Lisboa. E, por isso, talvez, já não pertence apenas ao Fado e aos que o admiram — é património de Lisboa.
A cidade vai perdendo as suas figuras típicas. Mas ainda tinha em Alfredo Marceneiro um exemplo do Fado autêntico, nascido não se sabe onde mas que vivia na sua alma. Ele possuía a reforma do ofício que foi durante anos um apelido. Chamava-se Alfredo Rodrigo Duarte, o «Marceneiro» para quase todos, «Ti Alfredo» para os fadistas e para os amigos. Andou a roçar os noventa e era ainda uma figura da noite lisboeta. Raros o viram de dia e sempre por ocasiões graves. De resto era a noite que o trazia, envolvendo-o nas suas sombras de mistério. E, parecia conservar nos lábios uma saudade e um beijo quando chegava e dizia: «boa-noite». Sim, era a noite quem o trazia pois é de noite que ele vivia no mundo onde ganhou fama e glória. A sua ronda diária pelas casas típicas (a terminar sempre madrugada alta) era já talvez, uma necessidade de se sentir estimado, acarinhado, vivo para os que lhe queriam bem. O Fado, a sua segunda vida foi,  afinal, a sua vida inteira."

Assina: Fernando Peres

 

E ainda na Revista Mais um artigo de Miguel Esteves Cardoso

 

Ao fadista, Alfredo Marceneiro,

bem ido e bem vindo,

por,ocasião do fim da sua primeira vida (1891 - 1982)

 

"Se, como escreveu D.H. Lawrence, a morte é a única pura e bela conclusão de uma grande paixão, então a morte do fadista Alfredo Marceneiro é, também ela, um acto de paixão.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morreram os outros homens.
A morte não o surpreende nem o leva — é ele que a chama e a ela se entrega. Porque ser fadista é atiçar, cortejar, pedir a morte desde o primeiro momento em que o Fado lhe nasce na voz. Um fadista, ao morrer, vê a sua arte a atingir o ponto máximo de perfeição.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morrem os outros homens.
Ele trata a morte por tu. Conhece-le os jeitos e as manhas e só pode ter por ela o respeito que se tem por aquilo que conhecemos de gingeira: é gingão com ela, mas tem-lhe amor. Ou não fosse todo o Fado um fingimento da morte e todo o fadista um fingimento da vida
E é um Fado.
E é uma morte
E é uma saudade, e um destino. Ou não fosse a saudade, como memória do bem que jamais regressará, no qual que nunca desaparecerá, uma espécie de morte. O mesmo, em vida que ver morrer. Ou não fosse o destino, como pressentimento sem recuo nem apelo, uma espécie de preparação para a morte. O mesmo, em vida, que ver-mo-nos morrer.
E é um Fado
E é uma morte.
Pela saudade, o fadista pôde saborear a morte que lhe sobe do peito pela garganta, até à boca. É talvez um amargo e doce paladar — terá concretiza algo a ver com amêndoas cruas, caroços de cereja, vinho acre.
Pelo destino, o fadista faz no peito a cama á morte e o aroma desses lençóis  sobe pela garganta até à boca e tem o cheiro de uma mortalha lavada nas lixívias pungentes da vida.
E é só um Fado.
É afinal apenas uma Morte.
Mas que sentido teria celebrá-la e senti-la senão com sua própria língua, a do Fado e da Morte ? A morte de um fadista, a morte de Marceneiro, só pode ser celebrada e sentida na voz de outro fadista. Não pode ser escrita, não consente ser lida.
Porque o Fado precisa dos seus fadistas mortos, das suas lendas e lugares. No Fado, o luto continua. Deste modo sempre. Ou há alguém que disputa a lenda e o lugar da Severa ? Ou há alguém que duvide que, como morto. Marceneiro servirá o Fado como o não pôde servir nos últimos anos da sua vida ?
E é outro Fado.
E é nenhuma Morte.
Ao morrer, Marceneiro inicia uma outra carreira no Fado. Tão bela e importante como aquela que findou. Será furiosamente lembrado, mistificado, transformado em voz. Porque é uma das bonitas qualidades do Fado: o Fado nunca esquece. Agora é que Marceneiro começará a viver, porque já está morto, reconciliado com o seu destino de homem, preparado para a sua missão de reminiscência e saudade.
E é este o verdadeiro Fado.
E é esta a verdadeira Morte.
Porque os fadistas não morrem como os outros homens.
Melhor: nem sequer morrem. Toda a vida anseiam morrer. De amor e paixão, de cio e da saudade. Sem respeitar a vida, que é coisa que vem e que passa, senão daquilo que a vida tem de transportadora. Transportadora da imagem e do desejo das coisas que se amaram, e que nela se guardam, tão brancos como no dia que nasceram,os vícios da alma, os vícios do corpo.
E é assim um bonito Fado.
E não é assim uma feia Morte.
Ou não haja alguém que ponha em causa que um fadista não é um homem que, ora em ora, canta o Fado. Não existe esse bicho: o fadista em tempo parcial. Cantar o Fado é apenas um momento na vida de um fadista, tão natural como abrir as janelas de manhã, tão normal como as tarefas do dia-a-dia. E as tarefas do noite-a-noite, as rondas, as batalhas, os amores, os vinhos, os amigos, os trabalhos, misturam-se com o canto e — nos grandes fadistas, como o Marceneiro — entram pelo canto adentro e tudo encharcam para que a voz depois dê vazâo à paixão, dê cor à dor, dê despejo ao desejo.
È isto o dito Fado.
Bendito Fado, para além da Morte.
Alfredo Marceneiro foi esse fadista em que o Fado, como mero canto, era indissociável do Fado, como mera vida. Mas se dantes não havia realidade que podia com o arroubo de lembrar — o Fado é uma perpétua reconstrução do passado, sabendo sempre que nunca o poderá reconstruir a tempo de evitar o futuro — se dantes não havia Marceneiro—homem que podia com o esplendor de Marceneiro—mito; agora, agora e durante os muitos anos que só o Fado guarda contristadamente faz enternecer, Marceneiro pertence todo ao Fado como nem ele em vida, conseguiu pertencer.
E é Fado
E deixa de ser Morte
Digamos só: Olá Alfredo Marceneiro, é bom tê-lo outra vez entre nós.

Assina: Miguel Esteves Cardoso

 

Imagem do Cortejo que acompanhou a pé, em marcha lenta, ao som das guitarras, Marceneiro até à sua sepultura

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 21:01
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

ALICE AMARO

 

 

 

Nasceu em Lisboa no bairro de Alfama em 1936.

Desde muito jovem que gostava de cantar.

Nunca se intitulou a si própria fadista, pois foi  sobretudo conhecida pelas suas interpretações de marchas populares.

Com uma inconfundível cabeleira loura, tinha uma voz muito bonita e era uma pessoa de fácil trato,  cantora muito comunicativa, Alice Amaro veio a conquistar um público fiel ao longo dos anos sessenta, cativado pelo modo alegre e desinibido como actuava.

Foi no Centro de Preparação de Artistas de Rádio, dirigido por Motta Pereira, que desenvolveu os seus dotes de artista.
Gravou vários discos, em que para além das marchas populares, se destacam os temas
Triste Sino, Bom Dia Lisboa, Simpatia, Vaidosa, Alfacinha de Gema, Lisboa dos Milagres, Tic Tac do Amor, A Rua do Zé Ninguém
.

 

 Alice Amaro canta:

QUANDO O ALTO PINA PASSA

 Letra de: Silva Nunes

Música: Jorge Ávila

 

 

 

  

Lisboa vem à janela

 

 

Olha a marcha, vem com ela

Lisboa vem ver num trono

Um Santinho que é o meu patrono

 

O bairro aonde eu moro

Tem lá tudo que eu adoro

Lisboa cantando de novo

Traz o Alto Pina na boca do povo

 

Refrão

 

O Alto Pina faz um vistão

De cravo ao peito e arraiais no coração

O Alto Pina por brincadeira

Diz que ao passar põe a cantar Lisboa inteira

 

Lisboa quem foi que disse

Que ir na marcha é tolice

A marcha tem luz aos molhos

E fogueiras nos teus lindos olhos

 

Cantiga que o povo canta

Põe a alma na garganta

Lisboa gaiata ladina

Não há melhor marcha

Que a do Alto Pina

 

Refrão

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Bairrista
música: Quando o Alto Pina Passa - Canta Alice Amaro
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

RUI DE MASCARENHAS

 

 

Rui Pinho Ferreira (o cançonetista Rui de Mascarenhas),  nasceu a 14 de Dezembro de 1929 em Vila Pery -  Moçambique, onde viveu até à idade de cinco anos.

Devido à vida profissional de seu pai , oficial do Exército, veio  para a Metrópole, e em 1946 para  São Miguel nos Açores, onde  acabou o curso dos liceus no Liceu Nacional Antero de Quental, estava planeado que viesse cursar arquitectura e assim ingressou na Escola de Belas- Artes em Lisboa.

Em 1950 concorreu a um campeonato musical chamado “Aja”, tendo alcançado o primeiro lugar, e é assim que, em 1951, Rui de Mascarenhas desiste de arquitectura e abraça a carreira de cantor profissional.

Foi aberto pela Emissora Nacional  um concurso para fadistas, cantores, cançonetistas e conjuntos vocais, Rui concorreu e conquistou o primeiro lugar, foi contratado, onde se manteve no elenco como cançonetista durante cerca de 6 anos.

Rui de Mascarenhas, que gravou na Europa, Canadá, América, Texas, Brasil, em  1952 no Brasil, esteve integrado nos “Companheiros da Alegria”, programa que era coordenado pelo actor Igrejas Caeiro.

Fez vários espectáculos nas ilhas, mas em  São Miguel, era muito solicitado e aplaudido,  contava com inúmeras amizades, que datavam desde o seu tempo em que lá viveu e estudou.

Em 1959 o cantor foi viver para França onde permaneceu cerca de quatro anos, depois transferiu-se para Espanha, passando a residir desde 1964 em Nova Iorque, mas deslocava-se com frequência a Portugal.

Em Montreal no Canadá,  foi convidado para integrar o elenco da companhia que levou à cena no maior teatro daquela cidade, a opereta “Viúva Alegre”, em que ele era o único artista estrangeiro.

Faleceu a 22 de Fevereiro de 1987, em vésperas de regressar aos palcos portugueses, no antigo Jardim Cinema pela mão de José Nuno Martins.

Conheci o Rui de Mascarenhas no Galito em Cascais, no inicio das minhas "fadistices" era uma homem muito afável e simpático.

Rui de Mascarenhas

canta: Os Pauliteriros de Miranda

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Recordar
música: Pauliteiros de Miranda
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
Sábado, 14 de Junho de 2014

SANTOS POPULARES - Arraiais e Marchas Populares

Lá vai Lisboa - canta Maria José Valério 

MARCHAS POPULARES - ORIGENS
 
As “Maias”, originaram as festas dos três Santos Populares, Santo António, S. João e S. Pedro.
Eram as “Maias” cantos litúrgicos dedicados no mês de Maio, à Virgem Maria, Porém, tendo-se adulterado o seu carácter religioso, com povo a fazer bailados  nas ruas das cidades, forma consideradas pagãs e assim, foram proibidas no século XIV, por ordem de El-Rei Dom João I. O povo que sempre gostou de cantar e bailar, passou todavia, a celebrar outra festa, oriunda da bênção dos primeiros frutos, em Quinta-Feira de Ascensão de Jesus Cristo: o “Dia da Espiga”, o povo vai aos campos para recolher, raminho de oliveira, rosmaninho, malmequer, papoila e trigo. Ainda hoje na «Quinta-Feira da Espiga»,  há esta tradição chegando a haver vendedores de rua a vender o “Raminho da Espiga” e que segundo a tradição é guardado em casa até ao ano seguinte.
Por meados do século XVIII,  os franceses durante o período napoleónico, iniciaram  a moda de dançar as marchas militares,  realizavam em Junho para celebrar a tomada da Bastilha a que chamavam “marche aux falambeaux ” em que o povo desfilava com uns archotes acesos na mão.
Este costume foi adoptado pelos portugueses que lhes passaram a chamar “Marcha ao flambó" (portanto adaptação do termo francês), só que nós os portugueses substituímos os «archotes revolucionários dos franceses» por "balões de papel" e "fogo de artificio", que  tinham sido costumes trazidos da China no século XVII, e que jà eram usados nos arraiais e feiras por todo o País, e assim  as antigas danças e cantares de "Maio à Virgem Maria"  que  entretanto tinham sido proibidas foram transpostas para o mês de Junho, passando a celebrar-se as festas dos «Santos Populares»,  “Santo António, São João e São  Pedro “.
Lisboa veste-se de cravos rubros que são esplendor em Junho festivo, de vasos com manjericos nas janelas, sendo costume colocar na copa do manjerico, um cravo encarnado com uma bandeirinha hasteada com uma quadra popular escrita.
 
Se eu fosse o cravo vermelho
Que trazes sobre o teu peito
Por muito que fosse velho
Não te guardava respeito
 
Cravo manjerico e vaso
E uma quadrinha singela
Tudo lhe dei... Não fez caso!...
Pronto! Não caso com ela
 
Ateia-se uma fogueira  para assar as sardinhas,  e os rapazes e raparigas saltam e bailam á sua volta até ao raiar do dia.
A alcachofra brava, também tem o seu simbolismo nestas festividades, quem queria saber se era correspondida/o no amor pelo namorado, devia chamuscar na fogueira, a alcachofra em flor, e se a mesma  passados alguns dias voltasse a florir, era sinal que o amor era sincero e daria em casamento.
Sobre o saltar à fogueira, houve também muita inspiração para versos mais “malandrecos”
 
Ou ela não usa calças
Ou as tem na lavadeira
Dei por isso ontem à noite
Quando saltava à fogueira
 
As Marchas têm um ritmo diferente do Fado: mais cadenciado, mais vivo e de métrica poética menos uniforme, sempre enriquecida pelo «estribilho» , o refrão no Fado, mas arcos, balões, cravos manjericos, alcachofras, fogueiras e danças não deixam de ser motivos de inspiração para os letristas de Fado.
Consulta: Fado- Mascarenhas Barreto

 

Amostra dos trajes dos Padrinhos das Marchas

 

 

 

Letra de: Silva Tavares

 

               OS SANTOS POPULARES

 

 

O mês de Junho é o coração do ano

que ora canta, ora sofre, ora perdoa.

Um coração que desde há muito irmano

ao coração do povo de Lisboa.

 

 

                           Que espanta, pois, que os dois se queiram bem?

                           O idílio nada tem de singular

                           e, assim que Junho lá vem,

                           lá vai Lisboa a cantar!

 

Canta nos mastros e festões que à toa

documentam a ingénua fantasia

da gente boa da Madragoa,

de Alfama, do Bairro Alto e Mouraria.

 

                          Canta no tom dolente e pedinchão

                          dos garotos do bairro - e quantos há,

                          Santo Deus! - que nos barram o caminho

                          de bandeja na mão:

                          — « meu senhor, dê cá um tostãozinho

                          p'ró Santo António! Meu Senhor... dê cá!»

 

Canta nas alcachofras que se queimam

e, depois de ficarem qual tição,

vão espetar-se na terra — a ver se teimam

em reflorir ou não!...

 

                        Canta em ingénuas tradições caseiras;

                        em mil superstições e mil caprichos: ´

                        — No verde manjerico, nas fogueiras,

                        nas cornetas de barro, nos cochichos!

 

Nas bichas de rabiar, entre o clamor

estouvanado da histérica donzela;

nas bombas que rebentam com fragor;

na luz viva do fósforo de cor

que se acende à janela!

 

                       No balão de papel, cheio de fumo,

                      que, verdadeira imagem da ilusão,

                      domina o espaço e sobe e vai, sem rumo,

                      até extinguir-se a chama — o coração!

 

Canta nos bailaricos do mercado,

e nas sinas compostas a granel,

e nos trilos do grilo encarcerado,

e nas quadras dos cravos de papel!...

 

                      Quando virdes passar festivos arcos

                      de que pendam balões, simbolizando

                      velhas fachadas, monumentos, barcos

                      — é Lisboa que passa e vai cantando!

 

Canta p'lo Santo António, p'1o São João

e p 'lo São Pedro, enfim, num testemunho

fervente do seu culto à tradição

e num último adeus ao mês de Junho!

 

                     Tão velho afecto será sempre novo,

                      enquanto aos dois restar sombra de alento:

                      — Se Junho é cem por cento o mês do povo,

                      Lisboa, em Junho, é, povo cem por cento!

 

 

 

 

Evocação da Marchas Populares de 1955

 

 

 

Grande Marcha de Lisboa 1955

 

LETRA DE; Silva Tavares  Música de: João Andrade Santos

 

É Lisboa! Venham vê-la !

São de sonho as graças que encerra!

Só Deus sabe se foi estrela

E baixou lá do Céu à terra

 

Pôs craveiros à janela;

No amor é leal, ardente.

A falar — não há voz mais bela !

A cantar — não há voz mais quente !

 

 ESTRIBILHO

 

Esta Lisboa bendita,

Feita cristã p'ra viver,

É a menina bonita

De quem tem olhos p'ra ver!

 

Moira sem alma nem lei,

Quis dar-lhe o céu cor e luz.

E o nosso primeiro rei,

Deu-lhe nova grei

E o sinal da cruz !

 

Nas airosas caravelas,

Tempo após, com génio profundo.

Cruz sangrando sobre as velas

—    Portugal dilatou o mundo !

—     

E a Lisboa ribeirinha.

Ao impor sua cruz na guerra,

Foi então a gentil rainha

Ante a qual se curvou a Terra.

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Lisboa amada
música: marchas Populares
publicado por Vítor Marceneiro às 07:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

Portugal o Mar e o Fado

O Fado nasceu no mar

Ao balanço de ondas mil

Por berço teve um navio

Por cobertura um céu de anil

Numa barquinha vogando

Batida pelo luar

Ouvi um nauta cantando

 

                                                              “O FADO NASCEU NO MAR”

                                                               E mal a gente põe os pés

                                                               Nos sobrados do convés,

                                                               Levamos da terra a imagem

                                                               e. a cantar, toda a viagem

                                                               O Fado, de lés-a-lés!

In Ao sabor das ondas – Linhares Barbosa


Fado.... a alma de um povo.

As viagens encetados pelos portugueses no século XVI, é um paradigma do destino de um povo que partiu durante séculos à procura do desconhecido, que nos criou um modo colectivo de ser e estar no mundo. É um gene da identidade portuguesa.

Naquelas horas da partida para a imensidão gigantesca dos mares, fizeram brotar lágrimas de todas as mães, de todos os pais, de todos os filhos, de todas as esposas, as noivas, os parentes e amigos, que ao dizerem adeus com soluços nos corações, na praia de Belém, que foi apelidada por isso mesmo de “Praia das Lágrimas” confrontavam-se com a descoberta da amargura da ausência.

Foi uma vivência que moldou as almas, era um povo aflito que via partir as naus com as suas gentes, sabe-se lá para onde iam, para o outro mundo ?

 

                   Ó Mar salgado, quanto do teu sal

                    são lágrimas de Portugal !

                    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

                    Quantos filhos, em vão, choraram!

                    Quantas noivas ficaram por casar,

                    Para que fosses nosso, ó Mar!

                    Valeu a pena? Tudo vale a pena

                    Se a alma não é pequena.

                    Quem quer passar além do Bojador

                    Tem de passar além da dor.

                     Deu ao Mar o perigo e o abismo deu,

                     Mas nele é que espelhou o Céu

 

Poema de: Fernando Pessoa

 

É vida , é destino, é Fado, é a alma do nosso povo.

Em tão longo caminho e duvidoso,

Por perdidos as gentes nos julgavam,

As mulheres com choro piadoso ,

Os homens com suspiros que arrancavam;

Mães, esposas, irmãs, que o temerosos

Amor mais desconfia, acrescentavam.

A desesperação e frio medo

De já não nos tornar a ver tão cedo

 

Camões, Os Lusíadas, canto IV, 89)

VASCO DA GAMA

Esta mentalidade, criada de uma vivência bivalente, amargurada por um lado, alegre por outro, isto porque o ritual da partida o medo a tristeza, o espectro da morte, se misturaram com a esperança, o sonho e quanto era maravilhoso estar vivo no regresso,  tais sentimentos moldaram a consciência que se cristalizou na música e no canto, com uma tonalidade própria, inconfundível e original como é a sua matriz..

O Fado é português, é toda uma mentalidade, é toda uma História, se o povo português é o único que canta o Fado, é porque também foi protagonista de uma vivência que mais nenhum povo teve.

Notas: In Fado, A alma de um povo M.L.Guerra

           In Fado, Mascarenhas Barreto

AMÁLIA RODRIGUES canta:

Fado do Marujo Português

Letra de Linhares Barbosa e música de Artur Ribeiro

 

                                       

O FADO É PORTUGUÊS

 

O Fado é tão português, que, de arnês,

bateu-se em Fez;

esteve em Alcácer-Quibir;

arrostou o mar profundo

e ao Mundo

deu novo Mundo,

na senda de Descobrir!

Esteve em Malaca e Ormuz

e, à luz

do signo da Cruz,

construiu impérios novos;

da Guiné até Timor,

com ardor,

foi defensor

do Destino doutros povos!

Fê-lo Deus aventureiro:

foi guerreiro

e marinheiro;

missionário, ou de má-rês

e — vá ele p' ra' onde for —

­cante a dor,

ou cante o amor,

o que canta é Português!

Poema de: Mascarenhas Barreto

 

 

AMÁLIA  RODRIGUES canta:

Fado Português

Letra de José Régio e música Alain Oulmain

Contacto com o autor: clicando aqui
música: Fado Marujo Português, Fado Português
publicado por Vítor Marceneiro às 09:50
link do post | comentar | favorito
Sábado, 7 de Junho de 2014

VÍTOR DUARTE MARCENEIRO - Resposta a um inquérito

 

 

 

 

Pediram-me para um trabalho na Faculdade que respondesse a um inquérito.

Na realidade eu não sou a pessoa mais indicada para responder a este inquérito, visto não ser um “fadista/cantor/profissional.

A minha ligação ao Fado vem por herança de família, cantar pela primeira vez foi um devaneio, mas como vivi desde muito jovem ao lado do maior fadista de todos os temos , do qual sou o seu biógrafo, continuei a  investigar e relembrar os intervenientes que viveram o Fado, e por vezes gosto de cantar “talvez porque como diz o dito popular … filho de peixe sabe nadar.

E porque ainda continuo a escrever sobre o assunto, e a debater muitas teorias estas,  perguntas não têm muito a ver com a minha concepção sobre o Fado (*), mas vou tentar responder.

(*) Eu ecrevo Fado com letra grande.

 

Perguntas aos fadistas

  1. 1.    O que é para si o fado? Um estado de Alma
  2. 2.    Há quanto tempo canta? Há cerca de 45 anos
  3. 3.    Faz do fado profissão? Não
  4. 4.    O que sente quando canta fado? Depende do ambiente, quem toca e do comportamento de quem houve, se tudo se conjuga... Sinto-me feliz.
  5. 5.    Que géneros de música ouve? Jazz – Blues e Fado
  6. 6.    O fado além de música é... O poema
  7. 7.    Que tipo de fado canta? E o que canta é o que mais gosta de ouvir também? Fado clássico na música, no poema,  e o tema amor ou a critica social
  8. 8.    Como fadista, como define:

a)   Voz .. Não é o mais importante

b)   Viola .. O instrumento que marca o compasso

c)   Guitarra.. O instrumento que nos dá a melodia

d)   Vestido preto.. Sóbrio, e tem uma história que está deturpada

e)   Xaile.. Hoje em dia um adorno, que muita gente que o usa não sabe porquê

f)     O corpo como deve estar? Depende se é ensaiado ou se é uma forma de estar própria de cada um quando está a cantar/comunicar

  1. 9.    Porque é que acha que se liga sempre tristeza ao fado? É uma tese que estou  a aprofundar e não é assim tão linear.
  2. 10.                   Como surgiu a paixão pelo fado? Factor genético, influência de quem me criou.
  3. 11.                   Porquê o fado?  È uma expressão musical única no mundo.
  4. 12.                   Opta pelo preto no fado? Se não: porque acha que tanta gente opta por essa cor no fado? Eu não opto, mas há quem opte, mais as mulheres, mas outra formas de expressão musical também o usam, o  preto é sempre elegante.
  5. 13.                   Canta coisas suas próprias ou de outros fadistas conhecidos? Fados que me dizem algo do repertório de meu avô e de meu pai. Tenho vários Fados,  que foram feiro para mim, e  que  nasceram de uma empatia do poeta com a minha maneira de ser.
  6. 14.                   Qual o fadista que mais admira e porquê? Alfredo Marceneiro… meu avô e Alfredo Duarte Jr, mau pai, é óbvio, nos homens, nas mulheres, Amália, Beatriz da Conceição e Fernanda Maria, mas muitas mais.
  7. 15.                   “Pertence” a alguma casa de fado? Qual? Não
  8. 16.                   Que temas mais canta no fado? (saudade, ciúme, problemas sociais, religião, História de Portugal..) Conceitos, que engloba tudo o que nos rodesi na vida.
  9. 17.                   Acha que o fado já não é ligado à vida boémia como era antigamente? Teria que falar do que era a “boémia” do antigamente e a “boémia” de hoje.
  10. 18.                   Como acha que os não-fadistas olham para o fado? Acha que dão valor em Portugal e que se ouve fado? Goste-se ou não,  o que conta hoje é que está a dar… e muito do que para aí se canta nada tem de fado. Até é chique! E quem cria os ídolos são os “lobbies”, mas decerto há quem não suporte ouvir Fado.
  11. 19.                   O que acha ter de fadista tradicional e fadista de nova era? Não sei responder, ainda estou a definir o contraste tradicional/nova era. Mas uma coisa eu sei, que no inicio o Fados não tinha profissionais, eram amadores, cantavam por gosto e paixão.
  12. 20.                   Acredita na introdução de outras sonoridades, músicas populares de outros lugares? Tudo deve evoluir, mas com harmonia e senso. Mas todos os géneros musicais podem ter improvisos, mas o inicial/verdadeiro, será sempre o autêntico.
  13. 21.                   E acredita na introdução de novos instrumentos além das guitarras no fado? Porque não, mas já não é Fado, são derivados.
  14. 22.                   O fado faz grande parte do seu dia-a-dia? Na escrita e na análise da palavra “Fado” como conceito de .. Fado = vida= destino= etc.. É Um Estado de Alma.
  15. 23.                   Quando ouve algum fado, o que lhe faz gostar/não gostar dele? Tem muito a ver com a sonoridade,  o que os versos dizem,  com o poema, com a dicção, a interpretação e o falar bem português e acima de tudo perceber bem as palavras, senão é uma "estopada".
  16. 24.                   Como fadista, tem manhas para cantar, truques com a voz, etc? Quais? Não
  17. 25.                   Que tipos de locais frequenta no seu dia-a-dia? De Fado nenhuns, vivo numa vila que não tem  nada para frequentar.
  18. 26.                   Há inimigos dentro do fado? Se há…Eu que o diga, hoje só conta o protagonismo e os "lobbies", não esquecendo os lambe-botas.
  19. 27.                   Como define o fado que se produz hoje? Perdeu-se características do fado de antigamente ou ganhou-se? Ganham dinheiro., mas a popularidade de muitos é efémera… ando a analisar  para escrever  sobre esse fenómeno, mais de 80% não é Fado é um produto que se vende porque está na moda, mas um poema de Fado tem que ter uma "história" um sentimento, e há regras nas métricas, quer seja em quadras, sextilhas, quintilhas ou decassílabos.
  20. 28.                   Na sua opinião, o que canta o fado? A Vida, o Fado é vida, é destino, é UM ESTADE DE ALMA.
  21. 29.                   Como é para si um bom cantador de fado?  Conheço, grandes fadistas, que nem são conhecidos, não fazem parte do “lobbie” , mas um bom cantador é aquele que canta com sentimento,   que consegue colocar a sua voz harmoniosamente no meio do som dos instrumentos.
  22. 30.                   Reconhece a sua vida no cantar de outros fadistas? Há decerto uma influencia do meu avô, no cantar e dizer os versos, mas os gestos são do meu pai.
  23. 31.                   Sente-se numa vida à parte enquanto fadista, do  que as outras pessoas comuns que não vivem de nem e  para o fado? Nunca pensei nisso, mas vou pensar sobre esta questão pertinente...
Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Fado Estado de Alma
publicado por Vítor Marceneiro às 14:08
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Tó Moliças - Poeta e músico de Fado

António Pires da Ascensão (Tó Moliças), nasceu na Aldeia da Ponte no distrito da Guarda, a 31 de Maio de 1937, tinha 77 anos.

 

FALECEU HOJE DIA 2 DE JUNHO, O MÚSICO E POETA TÓ MOLIÇAS.

O FADO ESTÁ MAIS POBRE.

 

 

 

Tó Moliças, foi empresário do Clube Amália, em Cascais na Quinta da Bicuda, tocava viola-baixo e para além de muitos fadistas acompanhou Amália em várias digressões, era também poeta, com  poemas muito apreciados e  cantados por vários fadistas.

Este Video-Clip que eu realizei em 2012,  na Adega do João na Loubagueira, com José Luis Nobre Costa, Jaime Santos Jr., e Tó Moliças, que hoje volto a apresentar, é o meu tributo á sua memória.

Já lá estão, algures onde Deus tudo determina, os intervenientes,  José Luís e o Tó Moliças, paz ás suas almas.

Que Deus nos dê muitos anos de vida aos que cá ficamos, porque deles não nos esqueceremos.

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Poeta e músico
música: Variações
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
link do post | comentar | favorito
Clique aqui para se inscrever na
Associação Cultural de Fado

"O Patriarca do Fado"
Clique na Foto para ver o meu perfil!

arquivos

Dezembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Aguarelas gentilmente cedidas por MESTRE REAL BORDALO. Proibida a sua reprodução

tags

10 anos de saudade

2008

50 anos de televisão

ada de castro

adega machado

adelina ramos

alberto ribeiro

alcindo de carvalho

alcino frazão

aldina duarte

alfredo correeiro

alfredo duarte jr

alfredo duarte jr.

alfredo duarte júnior

alfredo marcemeiro

alfredo marceneiro

alice maria

amália

amália no luso

amália rodrigues

américo pereira

amigos

ana rosmaninho

angra do heroísmo

anita guerreiro

antónio dos santos

antónio melo correia

antónio parreira

argentina santos

armanda ferreira

armandinho

armando boaventura

armando machado

arménio de melo - guitarrista

artur ribeiro

árvore de natal

ary dos santos

aurélio da paz dos reis

avelino de sousa

beatriz costa

beatriz da conceição

berta cardoso

carlos conde

carlos escobar

carlos zel

dia da mãe

dia do trabalhador

euclides cavaco

fadista

fado

fado bailado

fados da minha vida

fados de lisboa

feira da ladra

fernando farinha

fernando maurício

florência

gabino ferreira

guitarra portuguesa

guitarrista

helena sarmento

hermínia silva

herminia silva

joão braga

josé afonso

júlia florista

linhares barbosa

lisboa

lisboa no guiness

lucília do carmo

magusto

manuel fernandes

marchas populares

maria da fé

maria josé praça

maria teresa de noronha

max

mercado da ribeira

miguel ramos

noites de s. bento

oficios de rua

óleos real bordalo

paquito

patriarca do fado

porta de s. vicente ou da mouraria

pregões de lisboa

raul nery

real bordalo

santo antónio de lisboa

santos populares

são martinho

teresa silva carvalho

tereza tarouca

tristão da silva

vasco rafael

vítor duarte marceneiro

vitor duarte marceneiro

vítor marceneiro

vitor marceneiro

zeca afonso

todas as tags