Terça-feira, 29 de Julho de 2014

MARIA DO CARMO (Alta)

Nasceu em Moura em 1885 e faleceu em Lisboa em 1964. De nome completo Maria do Carmo Fontes Páscoa Bernardo, foi a eleva­da estatura que lhe proporcionou a alcunha que a celebrizou, imposta também para a distinguir da sua contemporânea Maria do Carmo Torres.

Filha de lavradores, deixou Moura com 3 anos e mudou-se para Lisboa com a família, onde foi aprendiza de camiseira na casa Ramiro Leão e mais tarde costureira com atelier próprio. Teófilo Braga, que habitava na residência frente à sua, es­timulou-a a cantar canções populares.

Com apenas 11 anos, foi uma das primeiras fadistas a cantar em retiros fora de portas.

A partir de 1918 dedicou-se mais ao Fado, nunca abandonando a sua profissão. O prestígio como cantadeira ligado à sua personalidade orga­nizada e empreendedora, levou-a a fundar o res­taurante Ferro de Engomar que geriu em conjun­to com Alberto Costa. Foi talvez o primeiro restaurante com elenco privativo, onde se cantava o Fado (às segundas, quintas e sábados) e onde acorriam figuras importantes de Lisboa.

Por vezes acompanhava-se à guitarra, instru­mento que aprendera a tocar com um tio. Apre­sentou-se praticamente em todos os recintos de Fado de Lisboa (Águia Roxa, Caliça, Pedralvas, Nova Cintra, Magrinho, Manuel dos Passarinhos, Bacalhau, Perna de Pau, Quebra-Bilhas, Tia Ele­na, Montanha, Charquinho, José dos Pacatos), efectuando algumas digressões ao Brasil, no­meadamente em 1920, onde permaneceu dois anos e meio. De regresso a Lisboa, preocupou-se em reorganizar o seu atelier, não descurando o Fado. Voltou ao Brasil em 1926 e apresentou-se no Cinema Central do Rio de Janeiro.

Em 1931 integrou o elenco da opereta História do Fado, apresentada pela  companhia Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória, juntamente com Ercília Costa, Maria Alice, Maria Albertina e       Al­berto Costa. Ainda com esta companhia, desem­penhou o papel de Cesária na opereta Mouraria, no Coliseu dos Recreios.

 Fez várias parcerias com Alfredo Marceneiro (ver foto anexa)

 

 

Maria do Carmo fez parte de uma “troupe” cómi­ca tauromáquica de nome Charlot, Max e D. José, com a qual cantou durante três anos em muitas das praças de toiros do país.

Embarcou novamente para o Brasil em 1934, como figura principal da Embaixada do Fado, que integrava nomes como o guitarrista Armando Freire (Armandinho) o violista Santos Moreira, Maria do Carmo Torres,  Filipe Pinto e Joaquim Pimentel.

Formou o Grupo Artístico de Fados Maria do Carmo, que integrava Manuel Cascais, Cecília d´Almeida,  José Marques e Armando Machado.

Alguns dos Fados do seu repertório mais conhecidos foram, Fado Maria do Carmo, Beijos Venenosos, sendo uma das suas criações o bonito poema de João Linhares Barbosa, “É Tão Bom Ser Pequenino”

 

É TÃO BOM SER PEQUENINO

 

Letra de: João Linhares Barbosa

Música: Fado Corrido

 

É tão bom ser pequenino,

Ter pai, ter mãe, ter avós,

Ter esp'rança no Destino

E ter quem goste de nós.

 

Vem cá, José Manuel!

Dás-me a graciosa ideia

De Jesus na Galileia

A traquinar no vergel.

És moreninho de pele

Como foi o Deus Menino.

Tens o mesmo olhar divino;

Ai que saudades eu tenho

 Em não ser do teu tamanho!

É tão bom ser pequenino.

 

Os teus dedos delicados                                                

Nas tuas mãos inquietas

Lembram-me dez borboletas

A voejar nos silvados.

Fui como tu, sem cuidados,

Também corri veloz;

Vem cá, falemos a sós

Do caso sentimental,

Que eu vou dizer-te o que vale

Ter pai, ter mãe, ter avós.

 

Ter avós, afirmo-to eu,

— Perdoa as imagens minhas­

É ter relíquias velhinhas,

E ter mãe é ter o céu;

Ter pai, assim como o teu,

Que te dá o pão e o ensino,

É ter sempre o Sol a pino

E o luar com rouxinóis,

Triunfar como os heróis

Ter esp' rança no Destino.

 

Sabes o que é a esperança.

O sonho, a ilusão, a fé?

Sabes lá o que isso é

Minha inocente criança.

Tu és fonte na pujança

E o rio que chegou à foz;

Eu sou antes, tu após,

Ai que saudades, saudades,

A gente a fazer maldades

E ter quem goste de nós.

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Fadistas de antigamente
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

João Baptista-Lopes - FADISTA E POETA

 João Baptista-Lopes, nasceu em Ourém no distrito de Santarém em 23 Julho de 1945, mas ainda muito jovem foi morar para Lisboa,.

 Cedo se sentiu atraído pelo Fado, o que o levou a frequentar os retiros fadistas amadores e não só.

Numa noite na  Restaurante Típico da Márcia Condessa que ficava na Praça da Alegria, local que frequentava  com frequência,  numa noite, foi  incentivado pelos amigos  e pela proprietária a cantar,  agradou, tomou-lhe o jeito, e a partir  desse dia, nunca mais parou.

Cantou no Galito no Estoril, em Cascais, no Picadeiro no Arreda e no Kopus-Bar, em Lisboa no Senhor Vinho, no Ardinita, Pátio das Cantigas, Tia Ló, Embuçado, etc, assim como no Porto,  passou pela Candeia e no Mal-Cozinhado, um pouco por todo o país e até no estrangeiro,  estas andanças no meio fadista levou a conviver e a cantar ao lado de figuras como Alfredo Marceneiro, Manuel de Almeida, Rodrigo, Carlos Zel, Vasco Rafael, António Melo Correia, Natália dos Anjos, Ada de Castro etc.

Cumpriu o serviço militar na Guiné, tendo sempre colaborado nos eventos musicais ali organizados.

Em 1973, o empresário Carlos Lacerda, locutor no Rádio Clube Português e também produtor na etiqueta Alvorada,  convida-o a  gravar  um EP, no qual cantou cantou  poemas dos escritores Mário Cláudio e João Barge.

 

 

 

João Baptista-Lopes, escreve poemas para Fado,  alguns deles já gravado por si e por outros fadistas, assim como há bem pouco tempo editou um livro com o título "Ourém a preto e branco - Anos 50 em Sextilhas", trata-se de um livro em que relata as suas memórias na terra que o viu nascer, sendo que o mesmo é escrito (versejado) em sextilhas, e tudo levar a crer, que não fica por aqui, já está outro livro em projecto.

Radicou-se na Suíça, onde ainda vive há mais de 20 anos, e onde,  sempre que pode canta e enaltece o Fado, organizando também,  espectáculos de Fado em que convida fadistas e músicos de Portugal.

Recentemente gravou um CD  a que deu o título "40 Anos de Fado", com 14 poemas inéditos de sua autoria para músicas de fados tradicionais.

 

Poema de João Batista-Lopes  a homenagear Alfredo Marceneiro:

 

 

Simplesmente  « VERSÍCULO »

 

 

 

Há frases que nos ficam na memória,

 

mesmo que cem anos nós vivamos !

 

Delas fazemos, às vezes, nossa história,

 

com elas, revivemos, recordamos !

 

 

 

Cada poesia tem sempre o seu segredo,

 

para que os versos não sejam todos maus…

 

Como me disse um dia o Ti Alfredo:

 

- Fazer versos, não é fritar carapaus !

 

 

 

Ele, que dos “reis”, foi Rei, foi Ás,

 

o  “trono” partilhou humildemente,

 

sem nada nem ninguém, deixar p’ra trás,

 

ensinou o seu fado a toda à gente !

 

 

 

Recordar o seu discurso, é um regalo !

 

É prolongar esses serões pela vida além…

 

- O poeta escreveu : “calou-se o galo”

 

e a gente, rico filho, cala-se também

 

 

 

Contigo,Ti Alfredo, eu aprendi,

 

(Mesmo se por minha culpa pouco sei…)

 

Mas sei que é meu este “versículo” que escrevi,

 

P’ro TEU “VERSICULO” qu’em minha alma cantarei !

 

 

 

©João Baptista-Lopes

 

 

Nota: Somos amigos há muitos anos, já estive a seu convite a cantar na Suiça na cidade onde mora. Estive no seu casamento em Ourém e fiz um filme de recordação.

Tivemos  nos anos 70 de século XX na Rinchoa - Vira do Minho, uma noite de Fados, com uma grande cena de "porrada" que nunca mais esqueço, um dia irei aqui contar.

João Baptista-Lopes, hoje faz 69 anos, um abraço João.

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Bom amigo, Grande Fadista
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 22 de Julho de 2014

LEONOR DUARTE

LEONOR DUARTE

Natural de Lisboa, foi esposa do cantador Júlio Duarte e cunhada de Alfredo Duarte “Marceneiro”

Dotada duma excelente voz, dava tal senti­mento nos versos que cantava, aliada a uma excepcional dicção, que em bem pouco tempo impôs o seu nome do can­tadeira de Fado. Estreou-se a cantar o Fado no posto emissor de Abílio Nunes dos Santos, agradou de tal modo, que foi imediatamente contratada para gra­var em disco os seguintes fados: «Os pequeninos., «A Pastora», «Fado Aida», «0 teu olhar», «Desgarrada de Amor» (com o cunhado Alfredo Duarte “Marceneiro” e «A morte da Pastora».

Foi autora da música do Fado Os Pequeninos, que teve um grande sucesso. Cantou várias vezes, por es­pecial deferência no Solar da Alegria com o marido Júlio Duarte, (quando da gerên­cia de Alberto Costa), em festas de beneficência, tendo tomado parte também em diversos espectáculos, quase sempre na companhia do marido ou do cunhado.

Da sua curta mas brilhante carreira como cantadeira de Fados, a noite que mais a emocionou foi a da sua despedida, em 20 de Agosto de 1932, que coincidiu com a na festa artística de seu marido, no Café dos Anjos, em que o pú­blico lhe tributou uma calorosa e prolongada ovação que muito a sensibilizou.

Leonor Duarte abandonou a sua carreira para se dedicar exclusivamente á educação de suas filhas, Júlia e Aida.

 

 

"Os Pequeninos”

Letra de Fernando Teles

Música de Leonor Duarte

 

Descalços, quase nus, por trágicos caminhos,

Soluçantes de dor, ao sol, à chuva, ao vento,

Os pequeninos vão, como as aves sem ninhos,

Seguindo uma odisseia, atroz de sofrimento.

 

                   Em vasos de alabastro, as rosas mais os lírios

                   Trajam de fina gala e pompas bem vistosas,

                   E há criancinhas, céus! Que bárbaros martírios,

                   Na mísera nudez, descalças, andrajosas.

 

Como bênçãos de paz, há músicas de luz,

Noites lindas d'amor, noites calmas e belas,

Caminham tiritando os pobres seminus.

Sob os beijos de luz. das pálidas estrelas

 

 

Disco de Massa 78 rpm

Etiqueta Odeon

refª A 187230 a

Leonor Duarte canta

FADO AIDA

Letra de Carlos Conde

Música de Alfredo Duarte

 

e

 

O TEU OLHAR

Letra de Henrique Rego

Música de António Machado

 

Foi acompanhada por

Guitarra: José Marques

Viola: Georgino

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Raízes do fado
publicado por Vítor Marceneiro às 14:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Domingo, 20 de Julho de 2014

JÚLIO DUARTE - Irmão de Alfredo marceneiro

JÚLIO DUARTE

Como seu irmão Alfredo Duarte «Marceneiro» Júlio Duarte pertenceu a um núcleo de fadistas que sabiam ser fadistas, que cantava o Fado amando-o, merecendo o apreço do público e dos seus colegas.

Nasceu em Lisboa, na Freguesia de Santa Isabel, e é manufactor de calçado. Até casar viveu sempre com a mãe e os seus irmãos, tendo pelo irmão mais velho, o Alfredo, uma admiração muito especial, considerava-o como um pai.

Tinha apenas 14 anos quando começou a cantar o Fado, estreando-se no Centro Republicano Miguel Bombarda, sendo muito solicitado para actuar em academias de recreio, festas de caridade e e actuou em quase todos os retiros da época. Actuou no antigo Teatro Étoile , na calçada da Estrela, fazendo números de variedades com a pequenina actriz Hortense de Castro.

Torna-se profissional em 1928. Cantou-o então, nas cervejarias Boémia, Cervejaria Jansen , Rosa Branca, Chagas, Vitória, Cafés Portugal, Sul-América , Anjos, Julio das Farturas, Solar da Alegria (quando da gerência. de Alberto Costa), Salão Artístico de Fados, teatros Capitólio e Joaquim d'Almeida , nos clubes Tauromáquico, Olímpia, Montanha, Patos, Alhambra, e nos. Cinemas Europa, Jardim-Cinema , Cine Paris e Royal . Percorreu as províncias, cantando nos te­atros de Évora, Barreiro, Seixal, Montijo. Setúbal, Torres Vedras, Malveira, Quinta do Anjo, Torres Novas, Caldas da Rainha, Mafra, Cadaval, Figueira da Foz, Abrigada, Cascais, Estoril, Moita, Parede, Paço d' Arcos, Alenquer, Feliteira, Merceana e Benavente.

Cantou nas casas fidalgas do Conde da Torre e Conde de Sabrosa, nas herdades do opulento lavrador Palha Blanco.

Tal como o seu irmão Alfredo, foi autor de várias músicas para Fados, “Combatentes”, “Crença”, “Fado da Paz”, “Fado da Aldeia” (gravado por Ercília Costa), “Fado Marcha”, “Lágrimas”, (gravado por Maria do Carmo), e ”Fado Luso”.

Da sua carreira de cantador, há uma tarde que Júlio Duarte gravou na memória, por assinalar um dos seus maiores êxitos, foi em Vila Franca de Xira, no Retiro Botão de Rosa, onde cantou ao lado de Júlio Proença, Estanislau Cardoso e João Maria dos Anjos, forma acompanhados pelo guitarrista e cantador Carlos Ramos e á viola por Armando Machado, e também uma cena que se passou nessa altura.Encontravam-se ali dois detractores do Fado, comba­tendo-o grosseiramente. Então, bastante enervado, tanto ele como os seus colegas, começaram a cantar, sendo de tal modo aplaudidos por toda a assistência que enchia a casa, que aqueles tiveram de retirar-se vexados e... ven­cidos. Foi uma tarde de triunfo.

Por último, Júlio Duarte actuava no Retiro da Severa, Solar da Alegria, Cafés Gimnasio, Luso e Mondego, Foi também muito solicitado para actuar na rádio, Emissora Nacional, Rádio Luso, Rádio Graça e Rádio Peninsular.

Cantou muitas vezes com o irmão, que só se profissionalizou mais tarde, embora tendo a fama que se sabe, mas já não assistiu a esse acontecimento, pois faleceu prematuramente.

Júlio Duarte, foi casado com uma fadista de renome na época, Leonor Duarte, de quem teve duas filhas, a Júlia e a Aida.

Júlio Duarte tem no seu repertório as seguintes sextilhas do poeta popular João de Sousa (Bacalhau), que ele cantanva com inexcedível sentimento no “Fado Marcha Pedro Rodrigues”

 

                                         INGENUIDADE

 

Um dia, uma criança
Teve a genial lembrança
Que aqui lhes vou contar:
Muito embora pequenino,
Ele tinha muito tino,
Mas era raro brincar.
                                 Havia no seu quintal
                                 Uma árvore e, por sinal,
                                 Um melro fez lá o ninho...
                                 E lembrou à criancinha,
                                 Com um carrinho de linha,
                                 Trepar lá acima, sozinho.
A mãe bem o procurou,
Porém não o encontrou,
E após tê-lo chamado,
Então, um grito ela ouviu,
O garotinho caiu
Cá em baixo inanimado.
                                  Prestes a deixar o mundo,
                                  O garoto moribundo,
                                  Com a palidez do mármore,
                                  Disse: Não foi pelo ninho,
                                  Foi p'ra salvar o paizinho.
                                  Que subi aquela árvore.
«Ainda me lembro bem
Do doutor ter dito á mãe,
Que com custo a prevenia,
Que, quando as folhas caíssem
E a nossa árvore despissem,
O meu paizinho morria.
 
                                  Por isso levei as linhas,
                                  P´rás prender, bem prendedinhas,
                                  E todas elas atei;
                                  Ele agora já não morre
                                  Anda, vai-lhe dizer, corre,
                                  Que eu morro, mas que o salvei!
 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Raízes do fado
publicado por Vítor Marceneiro às 20:00
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

CARLOS MANUEL PROENÇA

Tem 40 anos, só se conhece com a viola pois cresceu sempre com ela. Desde que lhe ofereceram uma aos cinco anos, começou a tocar por instinto e assim continuou, entre tertúlias de amigos. Filho de Maria Amélia Proença começa por acompanhar a mãe, chama a atenção e surgem os convites para tocar em casas de fado. Tocou em várias, Clube do Fado é onde se encontra actualmente. Vários foram os fadistas que acompanhou; desde a sua mãe Maria Amélia Proença,   Camané (Prémio Amália Rodrigues Melhor Fadista/2005), Carlos do Carmo, Mísia, Aldina Duarte, Pedro Moutinho, Joana Amendoeira ou António Zambujo (Prémio Amália Rodrigues Melhor Fadista/2006), entre muitos outros.

Como acompanhante tem pisado os mais distintos e conceituados palcos, refira-se o Queen Elizabeth Hall ou o Concertgebouw, e festivais internacionais, cite-se o de Macau.

Carlos Manuel Proença, galardoado em 2006 pela Casa da Imprensa com o Troféu Francisco Carvalhinho, cedo se distiflguiu pela capacidade técnica e inovação, paralelamente a uma grande entrega em cada acompanhamento ou numa guitarrada.

Autor de temas como "Outro sentido" integrado no mais recente álbum de António Zambujo, Carlos Manuel Proença tem também assumido também as funções de produtor de álbuns, casos do mais recentes de Pedra Moutinho e de Maria Amélia Proença, "Fados do meu fado", ou de Joana Amendoeira "À flor da pele", arranjador, e director musical no mais novo álbum de Aldina Duarte, "Mulheres ao espelho".

Em 2008 é galardoado como “Melhor Instrumentista” na III Gala dos Prémios Amália Rodrigues.

 

In: Programa III Gala dos Prémios Amália Rodrigues

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Grande músico
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

José Manuel Neto - Guitarrista

José Manuel Neto nasceu em Lisboa a 29 de Outubro de 1972. Começou a tocar guitarra portuguesa com apenas 15 anos e destaca-se, entre os jovens intérpretes, como um dos instrumentistas mais requisitados no acompanhamento de fadistas, em espectáculos e gravações de discos.

Filho da fadista Deolinda Maria, José Manuel Neto cresceu em ambiente propício ao desenvolvimento do seu talento, tendo como referências os maiores nomes do universo fadista, caso de Carvalhinho, José Nunes, Jaime Santos e Fontes Rocha. Aprendeu ao lado de outros guitarristas e desenvolveu o seu estilo próprio “marcado pela fluidez, versatilidade e simplicidade frásica que caracteriza a melhor música popular” (cf. Programa “Antena Portuguesa”, Cinema São Jorge, 2009).

José Manuel Neto aprendeu a tocar guitarra portuguesa como autodidacta e, na década de 1990, deu início ao seu percurso profissional acompanhando diversos artistas nas casas de fado. Foi neste ambiente que a sua interpretação ganhou amadurecimento, o que o fez manter-se vários anos nos elencos de espaços tão conceituados como a Viela, o Sr. Vinho, a Taverna do Embuçado ou o Faia.

O guitarrista integra-se nesta “nova geração de instrumentistas de Fado com uma formação musical muito ampla, capaz de lhes permitir uma visão alargada do potencial dos seus instrumentos tanto no plano do repertório solístico como no das práticas de acompanhamento.” (cf. Rui Vieira Nery, “Para uma História do Fado”: 272).

O domínio musical que caracteriza o seu trabalho é reconhecido. José Manuel Neto demonstra-o em palco e em edições discográficas com os mais diversos artistas, mas é, evidentemente, no Fado que as suas prestações são mais numerosas.

Em 1993, José Manuel Neto gravou o seu primeiro disco com Mísia. O registo “Fado”, editado pela BMG, abriu-lhe caminho para gravar com um elevado número de fadistas, dos quais destacamos: Argentina Santos (“Argentina Santos”, 2003), António Zambujo (“O Mesmo Fado”, 2002; “Outro Sentido”, 2007), Camané (“Esta coisa da Alma”, 2000; “Pelo Dia Dentro”, 2001; “Como sempre… Como Dantes”, 2003, com edição em CD e DVD; “Sempre de Mim”, 2008); Carlos do Carmo (“Ao vivo no Coliseu dos Recreios: 40 anos de Carreira”, 2004; “Fado Maestro”, 2008), Ana Moura (“Aconteceu”, 2004) e Pedro Moutinho (“Encontro”, 2006 e “Um Copo de Sol”, 2009).

Apesar de se ter iniciado no acompanhamento de fadistas, nas casas de fado, a sua colaboração com estes e outros artistas estendeu-se à apresentação em palco, realizando numerosas digressões em território nacional e estrangeiro, em espectáculos de grandes nomes do universo fadista como Carlos do Carmo, Camané, Ana Moura, Aldina Duarte, Cristina Branco ou Mísia.

José Manuel Neto não tem ainda nenhum disco editado em nome próprio, mas no decorrer deste ano (2009) irá apresentar no Cinema São Jorge um espectáculo de título “O Som da Saudade”, onde interpretará melodias que tem vindo a compor ao longo dos anos, um conjunto de temas “assente na música de raiz portuguesa onde se mistura o fado e a música tradicional, enriquecida de uma complexidade harmónica que abre as portas ao improviso e às liberdades poéticas” (cf. Programa “Antena Portuguesa”, Cinema São Jorge, 2009).

Em 2004 a Casa da Imprensa entregou-lhe o “Prémio Francisco Carvalhinho”, atribuído ao melhor instrumentista, durante o espectáculo da Grande Noite do Fado desse ano.

A Fundação Amália Rodrigues distinguiu-o em 2008 com o “Prémio Melhor Instrumentista”, reconhecendo-o como um dos grandes expoentes da interpretação da Guitarra Portuguesa.

Selecção de fontes de informação:

AAVV, 2009, “Antena Portuguesa”, programa do espectáculo, Cinema São Jorge;

Nery, Rui Vieira, 2004, “Para uma História do Fado”, Corda Seca/Público.

In: www.museudofado.pt

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Grande músico
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
Sábado, 12 de Julho de 2014

TRÊS GRANDES COMPOSITORES DE FADO TRADICIONAL - MARCENEIRO - ARMANDINHO JOAQUIM CAMPOS

                                                  

Armandinho

          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marceneiro                                                                                                           Joaquim Campos

Título da Música Autor
Fado Aida Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Alexandrino Eu lembro-me de ti Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Alexandrino Bêbado Pintor Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Bailado (dos Olhos Fatais) Alfredo Duarte Marceneiro
Fado dos Olhos Fatais Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Bailarico Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Balada Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Cabaré Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Cravo ( dos Cravos) Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Cuf Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Larangeira Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Louco Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Marcha do Marceneiro Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Maria Marques Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Mocita dos Caracóis Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Odéon Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Pagem Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Pierrot Alfredo Duarte Marceneiro
Fado Alexandrino Antigo Armando Augusto Freire
Fado Alexandrino do Armandinho Armando Augusto Freire
Fado Alexandrino do Estoril Armando Augusto Freire
Fado da Adiça Armando Augusto Freire
Fado Ciganita Armando Augusto Freire
Fado das Varinas Armando Augusto Freire
Fado Manganito Armando Augusto Freire
Fado Mayer Armando Augusto Freire
Fado S. Miguel Armando Augusto Freire
Fado S. Romão Armando Augusto Freire
Fado Amora Joaquim Campos
Fado Aurora Joaquim Campos
Fado Estela Joaquim Campos
Fado Puxavante Joaquim Campos
Fado Rosita Joaquim Campos
Fado Victória Joaquim Campos

Fado Tango         

              Joaquim Campos

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Grandes Fadistas
publicado por Vítor Marceneiro às 21:00
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

JORGE SILVA - Fadista Guitarrista


Nasceu num dos bairros mais castiços de Lisboa,  o Bairro Alto.

Desde muito jovem se afirmou fadista por vocação e devoção.

Estreou-se em 1949 no célebre Café Luso, tendo sido apadrinhado pelo consagrado fadista da velha guarda,  Filipe Pinto.

Entrou num concurso de Fados, cantou lado a lado e  em despique com Tristão da Silva, Fernando Farinha, Alberto Costa e outros grandes fadistas da época, tendo finalizado com unanimidade vencedor.

Cantou na Emissora Nacional e nas rádios existentes, também actuou na RTP.

Jorge Silva teve um repertório muito próprio,  com versos de Américo Marques dos Santos, Linhares Barbosa, Pedro Homem de Melo e muitos outros.

Tal como Carlos Ramos, foi na sua época dos poucos fadistas que também se acompanhavam musicalmente tocando guitarra.

Infelizmente não consegui nenhuma gravação sua em disco, mas descobri este video que passou na RTP-Memória,  e que vos apresento.

Ainda  me recordo de o ter ouvido cantar,  era eu muito miúdo, era uma  pessoa afável e muito considerado pelos colegas,  foi  companheiro e amigo  quer de meu pai,  quer de meu avô.

 

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Grande Fadista
música: Maria na Quinta Feira
publicado por Vítor Marceneiro às 21:30
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Clique aqui para se inscrever na
Associação Cultural de Fado

"O Patriarca do Fado"
Clique na Foto para ver o meu perfil!

arquivos

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Site Portugues
Aguarelas gentilmente cedidas por MESTRE REAL BORDALO. Proibida a sua reprodução

tags

10 anos de saudade

2008

50 anos de televisão

ada de castro

adega machado

adelina ramos

alberto ribeiro

alcindo de carvalho

alcino frazão

aldina duarte

alfredo correeiro

alfredo duarte jr

alfredo duarte jr.

alfredo duarte júnior

alfredo marcemeiro

alfredo marceneiro

alice maria

amália

amália no luso

amália rodrigues

américo pereira

amigos

ana rosmaninho

angra do heroísmo

anita guerreiro

antónio dos santos

antónio melo correia

antónio parreira

argentina santos

armanda ferreira

armandinho

armando boaventura

armando machado

arménio de melo - guitarrista

artur ribeiro

árvore de natal

ary dos santos

aurélio da paz dos reis

avelino de sousa

beatriz costa

beatriz da conceição

berta cardoso

carlos conde

carlos escobar

carlos zel

dia da mãe

dia do trabalhador

euclides cavaco

fadista

fado

fado bailado

fados da minha vida

fados de lisboa

feira da ladra

fernando farinha

fernando maurício

florência

gabino ferreira

guitarra portuguesa

guitarrista

helena sarmento

hermínia silva

herminia silva

joão braga

josé afonso

júlia florista

linhares barbosa

lisboa

lisboa no guiness

lucília do carmo

magusto

manuel fernandes

marchas populares

maria da fé

maria josé praça

maria teresa de noronha

max

mercado da ribeira

miguel ramos

noites de s. bento

oficios de rua

óleos real bordalo

paquito

patriarca do fado

porta de s. vicente ou da mouraria

pregões de lisboa

raul nery

real bordalo

santo antónio de lisboa

santos populares

são martinho

teresa silva carvalho

tereza tarouca

tristão da silva

vasco rafael

vítor duarte marceneiro

vitor duarte marceneiro

vítor marceneiro

vitor marceneiro

zeca afonso

todas as tags