Domingo, 19 de Outubro de 2014

VELHICE... dos cartoons da nossa infância. Marceneiro canta Cabelo Branco

O meu filho Alfredo apresentou-me esta  montagem em vídeo,  perguntando-me se eu gostaria de colocar no blogue?... porque não... O Fado e os fadistas têm sentido de humor, os cartoons da nossa infância já velhinhos, lindo.

Alfredo Marceneiro canta, Cabelo Branco é Saudade.

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música: Cabelo Branco
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Alfredo Marceneiro - Gala Prémios Amália Rodrigues 2014

Gala Amália.jpg

PRÉMIO SAUDADE – Lembrar para Honrar

ALFREDO MARCENEIRO

 Alfredo Rodrigo Duarte (Marceneiro, profissão) nasceu em Lisboa no Bairro de Campo de Ourique a 29 de Fevereiro de 1888, só foi registado a 25 de Fevereiro de 1891, e aí veio a falecer a 26 de Junho de 1982.

Alfredo Marceneiro é na realidade uma saudade, mas uma saudade presente, porque sendo tocado e ouvido todos os dias é constantemente recordado.

Foi um purista do fado. Cantava com boa dicção e sabia dividir as orações.

As músicas que compôs são hoje Fados “clássicos”, aceites e cantados por gerações fadistas. Sentia de tal modo o Fado que, dir-se-ia que não era ele que vivia o Fado mas sim, o Fado “o” vivia a ele. Tal como Amália, também ele impôs regras e  inovações. Por exemplo, cantar de pé e à meia-luz, que constituíram na altura uma novidade mas que hoje são quase obrigatórias.

Sempre fortemente solicitado pelas Casas de Fado, onde alcançou grandes êxitos,  e privou de muito perto, e com grande amizade, com os “maiores” da época: o guitarrista Armandinho, Berta Cardoso, Hermínia Silva, Lucília do Carmo, Celeste e Amália Rodrigues, entre outros.

Em 1980 foi reconhecido publicamente com a atribuição da medalha de “Ouro de Mérito da Cidade de Lisboa”, pelo então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Eng.º Krus Abecassis. Em 1984, postumamente, com a “Comenda da Ordem do Infante D. Henrique” pelo Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes.

Alfredo Marceneiro foi, ainda em vida, carinhosamente apelidado de "O Patriarca do Fado", quer pelos seu pares, quer pelos órgãos de informação.

...E que grande homenagem lhe prestou a grande Amália quando lhe afirmou:   “Alfredo…tu és o Fado”.

Vítor Duarte (Marceneiro), neto.

Prémio Saudade - Amália a Marceneiro.jpg

Apreciação do Júri

“Este Prémio foi atribuído pela 1ª vez em 2013 a Hermínia Silva.

Era lógica e natural a sucessão. A escolha recaiu sobre um “ mestre criador”. Autor/compositor, intérprete e “estilista” do Fado. A maior referência masculina do Fado no séc. XX.”

Vítor Duarte Marceneiro

Canta "Bairros de Lisboa"

Letra de Carlos Conde Música Alfredo Marceneiro

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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

AMÁLIA... ser ou não ser Amalista

Destaques:

Ser ou ser «Amalista»!

Os intelectuais não gostam de Fado!...

 

                             Amália a cantar no Luso (anos 40)

 

 

Amália!...

 

 

Noel de Arriaga tinha um amigo, de seu nome Nuno António, é um intelectual, uma autêntica enciclopédia ambulante, mas não gosta de fado. Certo dia, em que se encontravam no café do costume, começaram a divagar sobre diversos temas com era habitual, mas o Noel de Arriaga nem deu pelo passar do tempo, o que acontecia com frequência quando ambos começavam a conversar, mas nesse dia...

Adorava continuar a ouvir-te amigo Nuno António, mas vou... não vale a pena dizer-te onde.

Alguma conquista...

Qual! Conquistado já eu ando por esta comédia da vida... Então?

Vais-te rir. Eu sei que és contra o Fado. Vou ouvir a Amália!

A Amália?! A Amália Rodrigues?!...

Sim, já ouvi....... E vais tu ao Bairro Alto ouvir a Amália! És espantoso!

Serei, Nuno. Não quero discutir. Mas o que hei-de fazer esta noite? E depois... A Amália...

Empresto-te um livro sobre o Fado! Muito interessante! Muito mais útil! Ficarás a saber que o Fado é a canção dos vencidos além de ser, é claro o pior livro desse poeta que podia ser um grande poeta: o Régio...

A canção dos vencidos! Mas, ó Nuno, é tão bom a gente às vezes sentir-se vencido...

 Porque talvez nunca te tivesses sentido vencedor! Nietzche dizia...

Alto! Alto! Deixa lá o que dizia o Nietzche e anda ouvir a Amália...

Ouvir a Amália?! Perder tempo?! Endoideceste!

Mas porquê?! És uma pessoa como outra qualquer!

Sou contra o fado.

Porque nunca o ouviste...

Não interessa sou «á priori» contra o Fado. Não posso, não quero gostar de Fado!

E da Amália?

Nunca a vi!

Vais conhecê-la hoje...

O Fado é, como te disse, a canção dos vencidos. Isto quando é verdadeiro Fado. Aquele que se canta, ou se cantava no tempo da Severa, pela Mouraria com toda a decadência. Com todo o seu «vicio». Mas esse porque é dos vencidos, odeio-o. O outro, o que passou aos salões, deixou de ser Fado para ser ( o que é talvez pior) uma manifestação inferior de arte...

Sabes qual é a origem do Fado? 

Segundo estudos que fiz, deriva das canções que os negros das docas trouxeram de África...

Não ouso duvidar. Mas pago-te o bilhete e vens ouvir a Amália... Fixe?

E se os meus satélites intelectuais me encontram a ouvir o Fado? Que rombo!...

Dizes que fui eu que te arrastei...

Pois bem: vou abrir uma primeira e última excepção! Estás contente?

Vês como por vezes é bom a gente sentir-se vencido?...

E o meu amigo Nuno António foi comigo até ao Bairro Alto. Parecia triste por ter acedido ao meu convite. Ele que saía sempre vencedor das lutas com o mundo e consigo próprio, deixara-se arrastar como qualquer menino fútil! Porque fora aquilo? Não sabia. Sentamo-nos. Subitamente, a luz desce mais. Um foco luminoso perturba a escuridão. Ouvem-se palmas! E os primeiros acordes, numa espiral doirada, deslizam pela sala como ondas de veludo.

            No seu vestido negro, Amália, a os olhos sonhadores, parece o sonho dos seus próprios olhos!

            Em movimentos nostálgicos, transportada a um mundo de sentimento e fadiga, ela vai colorindo de harmonioso ritmo aqueles versos tristes - tristes como as caravelas que nos seus olhos naufragam.

            E a sua voz, onde a fatalidade da Raça parece gravar dolorosos sulcos de serena transição, é como um gorjeio de ave, é como um sonho de amor por outro amor vencido.

            A pouco e pouco a luz tinge de claridade intensa o ambiente festivo do salão. E as pétalas sedentas de uma rosa, lançadas por mão anónima, despedaçam-se contra a fascinação telepática do tablado....

            O meu amigo Nuno António olhou para mim com um ar de horrível indiferença. Era impossível ler-lhe dentro da alma. O Nuno António jazia impenetrável! Apenas à saída lhe perguntei:

Gostaste?

De quê? Da Amália. De que há-de ser?

Da Amália ou dos fados?

De ambas as coisas.

Continuo a ser, por princípio, contra o Fado. Quanto á Amália... No palco todas as mulheres são bonitas...

            E não consegui arrancar-he mais uma palavra. Positivamente, ele não era um... «amalista»!...

Na noite seguinte fui novamente aquele salão do Bairro Alto. A mesma ansiosa expectativa! O mesmo ruidoso triunfo! Depois de eclodir a última palma, olhei em torno de mim. E... podes abrir a boca, leitor fiel e amigo, num grande ah! De justificadíssimo espanto.

Quase a meu lado, o Nuno António, o enciclopédico Nuno António - o queixo apoiado na concha da mão esquerda, arremessava os olhos pelo tablado dentro! Depois, num entusiasmo que eu lhe desconhecia, começou a bater sonoras palmas! E desta vez foi o Nuno António que, num gesto irreflectido fez despedaçar, esquecido da sua integração nos sistemas botânicos, as pétalas sedentas de uma rosa contra a fascinação telepática daquela voz ardente...

in: Voz de Portugal 1954

 

                  Amália no Luso rodeada de amigos e admiradores (anos 50)

 

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Viva Lisboa: Amaliano ou Amalista
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

AMÁLIA... A Voz da Natureza a Voz do Mar

 

 

 

Amália Rodrigues

A Voz da Natureza ... A Voz do Mar

 

 

Que fluido maravilhoso nos fustigou a alma quando mais uma vez ouvimos, agora mesmo, a dulcíssima voz de Amália Rodrigues. O nosso espírito, insatisfeito pelo belo, então, perdia-se no esplêndido ambiente do Café Luso, deste pioneiro dos negócios fadistas que saltou da Avenida principesca para o Bairro Alto, este bairro de tradições, onde se encontra, moderno, convidativo e alindado a carácter, ao pé da nossa porta, numa vizinhança que é assim como que um aconchego de velhos camaradas e amigos.
Rodeada da fina-flor das artes, ciências, letras, de todos, enfim, que gostam do fado castiço e da familiaridade fadista
Amália Rodrigues cantava, mas entregava a alma a cada um dos seus ouvintes, num desdobramento bíblico? Não! Num encantamento mágico de senhora e dona dos melhores acor¬des divinos.
Se já a ouviu, leitor amigo tem de concordar connosco! Ouvir Amália Rodrigues é escutar o lado em tudo quanto ele tem de mais real: sentimento, riqueza expressiva e sensibilidade.
Como foi aquilo, não o sabemos! Não o saberemos, nun¬ca o saberemos. Quem pode entrar nas práticas do destino, quando ele encobre, com seu manto, os eleitos?
Como foi aquilo!
Quanto a nós ela terá aprendido com as ondas do Tejo, que se espreguiçam nas costas desta Lisboa encantada, falan¬do-lhe sempre, cantando-lhe sempre o fado eterno...
Só ali, acamaradando com os longe do mar, aprenderia a escala dos sons fadistas - que não tem escola... porque são vida, porque são inatos...
A voz de Amália Rodrigues é nostálgica como uma ausência, é vibrante como uma lágrima e é saudosa, muito saudosa...
Não há adjectivos que a coloquem acima do seu valor.
Mais uma vez a homenageamos, hoje, conscientes de que a alma do fado está pairando no coração desta fadista que apesar de toda a sua classe artística, tem uma grande virtude feminina: — a modéstia. Sob o seu xaile de cantadeira há uma interrogação. E essa interrogação...
O fluido mágico da sua voz fustigou-nos a alma e deixou-a, a vibrar, mas legou-nos um eco de agradável música. Nesse eco ouvimos alternadamente ora o ciciar do Oceano, no seu mistério intransponível, ora o ruído das ondas a enro¬larem-se sobre as areias — num beijo intraduzível. Ouvimos tudo quanto a natureza nos dá de mais belo: - o mar. E o mar não nos diz os seus segredos... É a natureza em todo o seu mistério. E a voz de Amália Rodrigues é bem a voz da natureza, é, sem dúvida alguma, a voz do mar... É um mistério... um dos maravilhosos mistérios fadistas...

in:Canção do Sul 1941

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Viva Lisboa: in:Canção do Sul 1941
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Amália... A Tua Voz

 

 

 

A Tua Voz Amália

 

A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como  travo de ciúme após o  amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...

Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...

Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, —  bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !

 

Francisco Radamanto

 

 

Amália canta:

Lisboa não sejas Francesa

 

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AMÁLIA E A LENDA

 

Amália e Marceneiro

(Lendas do Fado)

            No nosso tempo, Amália e a sua bonita lenda, constituem o motivo mais grato ao coração sentimental dos portugueses.

            Uma menina,  num bairro popular de Lisboa, frágil como haste duma flor, gorjeia timbres, qual ave de penas. Como esta também, quando as possui, saem-lhe da garganta adolescente os amargores que lhe possam ir no peito.

                        — Se tiveres tanto jeito para as letras como para as cantigas...

                        Era o que a avó lhe dizia. Morreu com 94 anos, e viu que a neta se inclinava mais para as trovas.

                        Ladina e gárrula entrou na escola cedo e saiu cedo. Só o preciso para decifrar os versos das cantigas.

                        Amália é um nome de raiz amorosa.

 

«Amália, sem amor

Não rima...»

 

                        O Tejo glauco e lírico caminha para o mar na sua eterna corrente elegíaca. A cidade é um presépio emaranhado. Manje­ricos e cravos de papel! O pardalito das ruas do seu bairro começa a cantar para os outros e os outros ouvem-na deslum­brados e alguns olhos choram.

                        — Há uma pequena do bairro de Alcantara...

                        De boca em boca, foi assim que a fama começou a correr. Depois...

                        Depois foram as primeiras cantigas públicas. Amália está numa casa entre a-terra-e-o-mar, mas nasceu na Mouraria, junto ao Benformoso, ao pé da Calçada de Santana.

                        Quando tomou parte num concurso da Primavera, organi­zado por um jornal de Fado como o nosso, todas as concorren­tes desistiam  ao ouvi-la. Foi-lhe pedido para que ela abandonasse a competição. Era o primeiro degrau para o seu trono de rainha.

            Nunca mais Lisboa deixou de ouvir os ais das suas cantigas nostálgicas e misteriosas. De retiro em retiro, chega ao teatro, à rádio e ao cinema. Todas as mesas se povoam; as lotações dos espectáculos esgotam-se e as emissões de rádio obtêm o maior sucesso. Duma vez foi ao Porto e veio de lá com o cognome de «Princesinha do Fado». Depois ao Brasil e, na chegada do avião, estavam os produtores à sua espera para assinar contractos dum filme que esgotaria as bilheteiras meses e meses seguidos. As suas canções e os seus fados postos em disco ou película, dão a volta ao Mundo inteiro. Portugal, para se fazer representar numa par­ada artística internacional, envia-a como embaixatriz das nossas cantigas. Madrid, Paris, Roma, Londres, Berlim, Estocolmo — todas as capitais da Europa a aplaudem e a conhecem.

                        Que fluido ou que sortilégio possui a voz de Amália Rodri­gues? Que amplidão sentimental e que força de sedução é capaz de arrastar consigo pobres e ricos, nobres e plebeus, desgraçados ofendidos, tristes e desesperados ou desconsolados?

                        Gentes de todos os matizes e povoados de todas as lingua­gens  a entendem. Ninguém explica mas todos atestam. Ela mesmo não sabe. Canta como os pássaros trinam, como o vento soa ou como a chuva chora. É a linguagem dos eleitos — a graça.

                        Um dos seus poetas dedicou-lhe esta estrofe:

 

                                               «Foi Deus

                                               Que me pôs no peito

                                               Esta voz...»

 

            E assim, as multidões a seguem. Os palcos são pequenos. Os redondéis das praças abrem-se para a multidão ansiosa. Veri­ficam-se os únicos recintos com capacidade para tal. Ela, franzina, silhueta negra, com o coração chagado, as mãos nas franjas do xaile, não tem mais nada do que a sua arte. Afunda-se, perde-se no espaço. Só a voz soa. Canta o lado da Mouraria, em cima dum estrado, entre uma viola e uma guitarra. É uma trágica a desfiar emoções. Nesta simplicidade aterradora está uma força telúrica inexplicável. Fenómeno? Talvez. Na singularidade ímpar da sua pessoa criou-se a sua lenda  a lenda da Amália, a lenda «Amalista».

                        Uma actriz popular, enraizada no Brasil há muito, quando lhe perguntaram a sua opinião sobre Amália, disse:

Esta é que é grande. Canta o Fado e deita-se ás seis da manhã! —

Fadista, grande, a maior fadista!

                        Ganha milhões e troca-os em moedas que espalha como pétalas de flores.

                        Na sua rua, todos estão ansiosos por vê-la quando ela sai. Lisboa adora-a. Portugal idolatra-a. Os presos chamam-lhe con­soladora e os exilados irmã.

Para ser eterna só lhe falta calar-se.

...Calou-se há 10 anos?  Não,   Amália vai cantando, cantando, cantando sempre.

 

 

- EVOCANDO AMÁLIA-

   ( 23-Julho-1920/6-Outubro-2009)

 

            As franjas do teu xaile, cristalinas

            Soletram asas de gaivota em pranto

            E a tua Voz acende mil colinas

            Em fogueiras de Fado do teu Manto...

 

Maria José Praça 

 

AMÁLIA, É FADO

 

Portugal inteiro viu

E uma Lágrima caiu

Foi tão triste a despedida

Já não vais ao Rio Lavar

E Deus Vai-te Perdoar

Que Estranha Forma de Vida

 

Na Rua do Capelão

Confesso, foi Maldição

Esse teu Nome de Rua

Malhoa, na sua vez

E esse, Fado Português

A quem disseste, Sou Tua

 

Eras Casa Portuguesa

Lisboa Não é Francesa

No mundo inteiro tens fama

Ai Mouraria, Madragoa

Foste, Maria Lisboa

E Madrugada de Alfama

 

Eu Queria Cantar-te Um Fado

Como, Tudo Isto É Fado

Foi a Deus que agradeci

A Gaivota, quebrou amarras

Silêncio, trinam guitarras

Disse-te Adeus e Morri

 

Maria de Lurdes Brás (2009)

 

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Domingo, 5 de Outubro de 2014

5 de Outubro de 1143 e 5 de Outubro de 1910

Nasce o Condado Portucalense 

Na verdade, é em 5 de Outubro de 1143, com o Tratado de Zamora e na presença do Legado Pontifício, Cardeal Guido de Vico, que D. Afonso VII de Leão reconhece a existência de um novo Estado, PORTUGAL É em Coimbra... na Igreja Sta Cruz - Panteão Nacional - que se encontra o túmulo do Rei D. Afonso Henriques,  Fundador da Nação Portugal.

 

 

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 
          

 

 

 

 

 

 

  D. Afonso Henriques                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             1ª Bandeira de Portugal                                                                                                                            

A Implantação da República

Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910 alguns militares da Marinha e do Exército iniciaram uma revolta nas guarnições de Lisboa, com o objectivo de derrubar a Monarquia. Juntamente com os militares estiveram a Carbonária e o as estruturas do PRP (Partido Republicano Português).

Na tarde do dia 5 foi proclamada a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa, por José Relvas.

Apesar de alguma resistência e de alguns confrontos militares, o exército fiel à monarquia não conseguiu organizar-se de modo a derrotar os revolucionários. A Revolução saiu vitoriosa, comandada por Machado dos Santos.
O último Rei, D. Manuel II, partiu com a Família Real para a Inglaterra, onde ficou a viver no exílio.

 

 

 

 

Somos todos Portugueses, orgulhosos da nossa história, já tivemos uma Monarquia, República anarca, República de ditadura e agora temos uma República Democrática, será altura de unirmos esforços e de cantarmos senão o mesmo Fado, pelo menos o nosso Fado que nos une independente de politicas destrutivas e absurdas.

Viva Portugal

Vivam todos os portugueses,independentemente dos credos ou convicções.

 

 

 Hino Nacional


A ideia de adoptar uma música como símbolo de um país só surgiu no século XIX. Anteriormente era costume escolher para as cerimónias oficiais um tema composto em honra do rei. No tempo de D. João VI, por exemplo, tocava--se o Hymno Patriótico de António Marcos Portugal.
Em 1834, depois da guerra civil e do triunfo dos liberais, o rei D. Pedro IV aprovou uma lei que declarava uma obra sua - o Hymno da Carta -como hino nacional. Manteve-se em vígor até à queda da monarquia.

 

Hymno Patriótico
Hymno da Carta
António Marcos Portugal


Eis, oh Rei Excelso
os votos sagrados
q'os Lusos honrados
vêm livres, vêm livres fazer
vêm livres fazer


                                  Por vós, pela Pátria
                                  o Sangue daremos
                                  por glória só temos
                                  vencer ou morrer
                                  vencer ou morrer
                                  ou morrer
                                  ou morrer

0  NOSSO  HINO NACIONAL TEM UMA HISTÓRIA
Quando se implantou a República mudaram os símbolos do país. O projecto da nova bandeira desencadeou grandes discussões e apareceram dezenas de propostas. Quanto ao hino não houve dúvidas. Toda a gente aprovou a escolha de A Portuguesa, que já existia e era cantada com fervor em homenagem ao povo português e à História de Portugal. Em 1890, no tempo do rei D. Carlos, os países europeus fizeram uma partilha do continente africano. Portugal pretendia obter todos os territórios entre Angola e Moçambique. A França e a Alemanha aprovaram a ideia, mas a Inglaterra opôs-se porque queria dominar o interior de África desde o Cairo (Egipto) ao Cabo (África do Sul).
Para obrigar Portugal a desistir, lançou um ultimato: ou o governo português mandava retirar imediatamente os exércitos que tinha naquela zona ou declarava guerra a Portugal. Na altura não havia possibilidade de enfrentar um país tão rico e poderoso; a única hipótese era ceder. Foi isso que o rei e os ministros fizeram.
O povo, porém, não aceitou, nem compreendeu e sentiu-se humilhado. Com que direito é que a Inglaterra fazia tais exigências, se os portugueses é que tinham sido os primeiros a navegar e a desembarcar naquelas paragens longínquas? Houve muitas manifestações de rua e muitos artigos nos jornais contra o ultimato, contra os ingleses, contra o governo e contra o rei. Houve quem pusesse a bandeira nacional a meía-haste em sinal de luto.

O compositor Alfredo Keil, indignado também, atirou-se ao piano e compôs uma espécie de marcha militar onde vibrava toda a sua raiva. Depois dirigiu-se a casa do poeta Henrique Lopes de Mendonça, que morava num quarto andar, subiu as escadas esbaforido e pediu-lhe uma letra que encaixasse naqueles acordes e desse voz à revolta que se gritava nas ruas. Trabalharam juntos alguns dias e logo que o poema ficou concluído deram-lhe o nome de A Portuguesa.

A primeira edição da música e texto íoi paga pelos próprios autores. Teve uma tiragem de 1 2 000 exemplares que esgotou imediatamente! A partir de então, nas ruas, nos cafés nos clubes, nos teatros cantava-se a toda a hora: «Heróis do mar, nobre povo...». E era a música de toda a gente. Os revolucionários republicanos tinham--Ihe um apreço especial porque, além do poema lembrar a História de Portugal sem nunca falar no rei, incitava ao combate. No dia 31 de Janeiro de 1891, quando saiu à rua a primeira tentativa de revolução republicana no Porto, os revoltosos berraram A Portuguesa a plenos pulmões. Depois da revolta abafada, a música foi proibida. Mas continuou a ser cantada às escondidas. Alíredo Keil passou o Verão de 1 890 em Vales, perto de Frazoeira. Durante essas férias fez uma adaptação da música para que pudesse ser tocada por uma banda, ninguém, nem ele  sonhava que viria a ser adoptada como Hino Nacional.


A PORTUGUESA

1890 (versão original)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Herois do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!

 

II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!

 

III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!!

 

A PORTUGUESA - HINO NACIONAL

Com  alterações feitas em 1957
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil


I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,

Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

 

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 HINO NACIONAL

 

 

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música: Hino Nacional de Portugal
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