Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

António dos Santos (1919 – 1993)

Nasceu em Lisboa em 1919. Inicialmente fadista jocoso, género que abraçou quando do início de carreira com apenas 15 anos.

Começa a abordar outros géneros de actuar, e sem quase se aperceber antecipa um estilo que nos anos sessenta se tornaria importantíssimo,  começa a cantar poemas, com um estilo nostálgico e dolente, numa abordagem tipo balada coimbrã.

António dos Santos, pelas suas interpretações despretensiosas, mas carregadas de sentimento granjeou muitos admiradores e amigos.

Era proprietário de uma casa típica num recanto de Alfama, “O Cantinho do António”, onde ele actuava para os clientes e amigos que o visitavam, homem afável e simpático era frequentemente visitado pelos fadistas que faziam questão de o abraçar e cantar no seu recinto.

Meu avô nutria por António dos Santos uma grande amizade, indo muitas vezes a Alfama de propósito para o visitar e fazendo questão de o ouvir, pois admirava muito o seu estilo, e porque era sempre muito bem recebido, como não havia guitarrista contratado, pois António dos Santos acompanhava-se a si próprio à viola, foi a única vez que ouvi meu avô cantar em público acompanhado só à viola, pelo próprio António dos Santos.

António dos Santos, punha uma postura inconfundível nas suas actuações, gravou pouco e não deixou seguidores do seu estilo inconfundível.

Faleceu em Lisboa em 1993.

 

António dos Santos 

canta: Partir é Morrer um pouco

Letra de Mascarenhas Barreto

Música de António dos Santos

Video postado no Youtube por Luís Oliveira

 

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Viva Lisboa: Grande Senhor
música: Partir é morrer um pouco
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

El-Rei D. Carlos I, Rei artista e amante do Fado

Dom Carlos I  de seu nome próprio Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga  Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon  e Sax-Coburgo-Gotha, foi o penúltimo Rei de Portugal.

Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda a 28 de Setembro de 1863, era filho do rei Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Sabóia.

Em 1889 subiu ao trono, que ocuparia até sua morte. Cientista, colaborou em investigações oceanográficas. Pintor, suas obras em aquarela e pastel conquistaram prêmios em competições internacionais, sendo considerado um dos mais fortes intérpretes do mar português, o que lhe valeu um lugar de relevo no Museu de Arte Contemporânea. Em seu reinado normalizaram-se as relações anglo-lusas e reataram-se as luso-brasileiras; pacificaram-se os territórios ultramarinos, desde a Guiné até Timor, tendo sido notáveis, sobretudo, os feitos de armas em Moçambique e Angola, e Portugal reconquistou seu prestígio europeu com as visitas do monarca ao estrangeiro e a vinda ao país de chefes de Estado das maiores potências européias, como Eduardo VII da Inglaterra, em 1903; Afonso XIII de Espanha, em 1903; a rainha Alexandra da Inglaterra; o imperador Guilherme II da Alemanha e Emílio Loubet, presidente da República Francesa, em 1905. A fraqueza dos monárquicos e a ousadia crescente dos republicanos, dispostos a derrubar o trono, provocaram campanhas violentíssimas, que estão na origem de seu assassinato. No atentado morreram Dom Carlos e o príncipe herdeiro, Dom Luís Filipe.

Foi também um apaixonado pela oceanografia, tendo adquirido o iate Amélia, destinado às suas campanhas oceanográficas, recriando em muitas telas, muita da vida marítima que observou ao longo da vida.

Tela de D. Carlos I de Portugal

 

 

El-Rei D. Carlos era um apreciador de Fado e chegou a ter lições de guitarra.

Gabriel de Oliveira escreveu o "Fado do Embuçado"  para o repertório de Natália dos Anjos, que música de sua autoria teve um grande êxito, mais tarde é novamente grande êxito cantado por João Ferreira Rosa na música do Fado Tradição.

Mas mais um bonito poema foi criado, lembrando o gosto do rei pelo Fado, desta vez da autoria de  Tó Moliças, que lhe deu o título " Até o Rei ía ao Fado" com música de Carlos Macedo que também o interpreta.

 

Natália dos Anjos canta o Fado do Embuçado na versão original

...Fado "Embuçado" é dedicado a D. Carlos que aprendeu a tocar guitarra e gostava de toiradas e fados
O fado "Embuçado", da autoria de Gabriel de Oliveira, "é uma homenagem ao Rei que ia muito aos fados e tinha até aprendido a tocar guitarra portuguesa com João Maria dos Anjos", disse à Lusa o fadista Miguel Silva, 91 anos, que conviveu com o poeta, falecido em 1953.
O Gabriel de Oliveira, que ficou conhecido aqui na Mouraria [Lisboa] como “Gabriel, marujo” era uma integralista monárquico, e fez o fado para a Natália dos Anjos, que foi sua companheira, cantar, em homenagem ao Rei", disse Miguel Silva.
    O tema "Embuçado" tornou-se conhecido na voz de João Ferreira Rosa, que o começou a cantar em 1962, com música de Alcídia Rodrigues, habitualmente designada como "Fado Tradição".
    "Quem me deu a letra foi a fadista Márcia Condessa e gravei o fado em 1965, e de facto escolhi pela música do fado Tradição", disse João Ferreia Rosa.
    Originalmente, Natália dos Anjos cantava-o na música do "Fado Natália" de autoria de José Marques ‘Piscalarete’.
    O musicólogo Rui Vieira Nery afirmou à Lusa "que há de facto essa tradição oral de que o Rei ia aos fados e há documentação relativamente ao facto de ter aprendido a tocar guitarra portuguesa, ainda na juventude, com João Maria dos Anjos".
    "Sabe-se que o Rei ia muito a patuscadas, nomeadamente para a Costa de Caparica, e neste contacto com as classes populares era natural haver fado", disse Vieira Nery.
    Não há notícia de alguma vez ter tocado guitarra portuguesa em público, adiantou Nery, mas "sabe-se que aplaudiu entusiasticamente o guitarrista Petrolino, quando este actuou na embaixada inglesa em Lisboa, no âmbito da visita de Eduardo VII".
    "Sabe-se também que o próprio Rei chegou a convidar o fadista Fortunato Coimbra para cantar no iate Amélia", acrescentou o musicólogo.
    Nesta altura, explicou o investigador, começa a tornar-se hábito, fadistas populares serem "expressamente convidados para actuarem nos palácios dos condes de Anadia, de Burnay, de Fontalva, de Pinhel, da Torre ou do marqueses de Castelo Melhor para além das casa agrícolas de grandes latifundiários como os Palha Blanco ou Camilo Alves".
    O historiador Rui Ramos salientou à Lusa que o gosto de D. Carlos enquadra-se "numa viragem no fim do século XIX em que se revaloriza o que é nosso, a vida rural, as toiradas, o fado, etc."....
In: Notícia da Lusa/ 28 /01/ 2008
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Viva Lisboa: Fado da Monarquia
música: Fado do Embuçado
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Sábado, 23 de Maio de 2015

FADO - Alma de um povo

 
 
 

 Fado.... a alma de um povo.

 
As viagens encetados pelos portugueses no século XVI, é um paradigma do destino de um povo que partiu durante séculos à procura do desconhecido, que nos criou um modo colectivo de ser e estar no mundo. É um gene da identidade portuguesa.
Naquelas horas da partida para a imensidão gigantesca dos mares, fizeram brotar lágrimas de todas as mães, de todos os pais, de todos os filhos, de todas as esposas, as noivas, os parentes e amigos, que ao dizerem adeus com soluços nos corações, na praia de Belém, que foi apelidada por isso mesmo de “Praia das Lágrimas” confrontavam-se com a descoberta da amargura da ausência.
Foi uma vivência que moldou as almas, era um povo aflito que via partir as naus com as suas gentes, sabe-se lá para onde iam, para o outro mundo ?
  
 
Ó Mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal !
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos, em vão, choraram!
Quantas noivas ficaram por casar,
Para que fosses nosso, ó Mar!
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deu ao Mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o Céu
 
Poema de: Fernando Pessoa
 
É vida , é destino, é Fado, é a alma do nosso povo.
 
Em tão longo caminho e duvidoso,
Por perdidos as gentes nos julgavam,
As mulheres com choro piadoso ,
Os homens com suspiros que arrancavam;
Mães, esposas, irmãs, que o temerosos
Amor mais desconfia, acrescentavam.
A desesperação e frio medo
De já não nos tornar a ver tão cedo
 
Camões, Os Lusíadas, canto IV, 89)
 
AO SABOR DAS ONDAS...
 
 O Fado nasceu no mar

Ao balanço de ondas mil

Por berço teve um navio

Por cobertura um céu de anil

Numa barquinha vogando

Batida pelo luar

Ouvi um nauta cantando

“O FADO NASCEU NO MAR”

 Linhares Barbosa

 

Esta mentalidade, criada de uma vivência bivalente, amargurada por um lado, alegre por outro, isto porque o ritual da partida o medo a tristeza, o espectro da morte, se misturaram com a esperança, o sonho e quanto era maravilhoso estar vivo no regresso,  tais sentimentos moldaram a consciência que se cristalizou na música e no canto, com uma tonalidade própria, inconfundível e original como é a sua matriz..
O Fado é português, é toda uma mentalidade, é toda uma História, se o povo português é o único que canta o Fado, é porque também foi protagonista de uma vivência que mais nenhum povo teve.
 
Notas: In Fado, A alma de um povo M.L.Guerra
           In Fado, Mascarenhas Barreto
 
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015

CARLOS RAMOS - Fadista e Guitarrista

 

Nasceu no bairro de Alcântara   a 10 de Outubro de 1907, e faleceu  em Novembro de 1969.

Desde muito novo corria os locais onde houvesse Fado sempre acompanhado pela sua guitarra, para alinhar na fadistice .

Torna-se profissional em 1944 pela mão de Filipe Pinto e estreia no Café Luso com uma letra do repertório de Alfredo Marceneiro, "Senhora do Monte" com  música deste, e letra de Gabriel de Oliveira, foi decerto este fado que logo no inicio  mais contribui para a sua popularidade, e lhe deu mais nome, o próprio criador do tema, Alfredo Marceneiro o aplaudiu nessa exibição sem qualquer rivalidades, eram dois bons amigos.

Carlos Ramos, não prescindindo dos acompanhadores habituais acompanhava-se sempre tocando a sua guitarra.

Foi como guitarrista muito solicitado no Teatro de Revista. Trabalhou na Tipóia e na Tágide.

Carlos Ramos, era um homem afável, de espírito aberto e gentil, teve e tem grandes admiradores, criou um estilo muito próprio que fez escola, tem muitos seguidores do seu vasto repertório e do seu estilo, tinha uma voz doce, atraente  e sedutora, exprimindo ao cantar tal sentimento,  que tudo aquilo que dizia era  Fado.

Foi proprietário de um restaurante típico no Bairro Alto a que deu o nome de: A TOCA DE CARLOS RAMOS., que foi frequentada por toda as gentes do Fado quer artistas, quer clientes, destaca-se dos seus contratados, Alfredo Marceneiro, de quem era grande amigo,  Maria do Espírito Santo e muitos outros fadistas de nomeada.

Relembremos alguns dos seus êxitos: Não Venhas Tarde. Aquela Feia, Café de Camareiras, Chinelas da Mouraria, O amor é louco, Lisboa é Sempre Lisboa, Biografia do Fado, Anda o Fado noutra Bocas, Tempos Antigos, etc .

Compôs uma música para um fado a que deu o título "Fado Olga"

Tem bem um lugar na História do Fado de dos fadistas.

Vítima de uma trombose ocorrida nos meados dos anos sessenta, terminando assim a sua carreira artística, nessa altura vivia só,  esteve a viver em casa de meu pai e da sua companheira de então,  que o trataram e acarinharam  como se de um familiar se tratasse. 

Carlos Ramos faleu em Lisboa em 1969.

 

 

Carlos Ramos com Fernanda Maria                                              Com Alfredo Marceneiro

 e Mariana Silva

 

 

 

Carlos Ramos

Canta: Biografia do Fado

Letra e música de Frederico de Brito

 

 

 

 

 

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Viva Lisboa: imitado... mas não igualado
música: Biografia do Fado
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

ESMERALDA AMOEDO

Nasceu em Lisboa no Bairro da Mouraria.

Desde muito jovem que  cantou em quase  todas as sociedades de recreio lisboetas.

Foi a vencedora da I Grande Noite do Fado, em 1953,  

Já profissional, figurou nos cartazes de várias revista, tendo actuado ao lado de Ivone Silva, Camilo de Oliveira, António Feyo, Francisco Nicholson, Irene cruz, Manuela Maria, Helena Isabel e Camacho Costa, entre outros.
Esmeralda Amoedo integrou o elenco de várias casas de fado tanto em Lisboa como no Porto, nomeadamente Café Luso, Adega Mesquita, Toca, Painel do Fado e Mal Cozinhado.
Actuou várias vezes no estrangeiro e ao longo de mais de 50 anos de carreira  recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio Carreira pelo Jornal de Notícias e Prémio Neves de Sousa pela Casa da Imprensa que o ano passado a agraciou com um prémio especial.

Editou  um novo CD onde revisita alguns dos seus êxitos, como “É mentira”, e integra o excerto de uma actuação ao vivo, com o título “Fado no S. Luiz”.

© Vítor Duarte Marceneiro

 

Esmeralda Amoedo

canta: Sabe-se Lá

Postado no Youtube por ManuelGuitarrista

 

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Viva Lisboa: Ah! Fadista
música: Sabe-s Lá
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

JOÃO FERREIRA-ROSA

Nasceu em 16 de Fevereiro de 1937

O Fado que mais contribuiu para que fosse mais conhecido,  foi decerto o Fado do Embuçado.

Em 1966 em Alfama, abriu uma casa de Fados  “Taverna do Embuçado”, decorada com uma estilo muito monárquico, em que incluía a bandeira azul e branca, aliás sempre  afirmou ser um monárquico convicto.

Ainda nos anos 60 adquire o Palácio Pintéus, no concelho de Loures, onde se realizaram grandes noites de Fado, muitas das quais assisti, fazendo companhia a meu avô, que João Ferreira-Rosa nunca deixava de convidar, e por quem sempre nutria um carinho muito especial, que era correspondido.

Nutre uma especial paixão por Alcochete,  onde passou a morar nos últimos anos, escreveu um tema sobre a vila, o  “Fado Alcochete”, que canta com a música do  Fado  Balada de Alfredo Marceneiro.

 

 

 


 João Ferreira-Rosa

 canta Um dia qundo isso for

 

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música: Um dia Quando Isso for
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

ROSEBELLE FARIA PAIS

Rosebelle Serra Faria Pais, nasceu em Montemor-o-Novo e aí estuda até ingressar na Escola do Magistério Primário em Évora.

Aos 19 anos inicia a sua vida de professora do ensino oficial.

Colocada na região de Lisboa, exerceu em diversas escolas tendo-se efectivado alguns anos mais tarde, na escola da Malveira da Serra, onde esteve até solicitar a passagem à reforma, aos 54 anos.

Desde criança que adorava cantar. Na escola primária já se “notabilizava” pela facilidade, capacidade vocal e alguma originalidade com que interpretava as canções em voga , de Maria de Lourdes Resende , Júlia Barroso, Maria Clara, Milú e outras cançonetistas de grande popularidade na rádio e nos espectáculos de variedades, que então decorriam pelo país fora.  Colabora em quase todas as festas escolares, constituindo presença obrigatória.

Começa a interessar-se propriamente pelo fado, na altura que frequentava a Escola do Magistério Primário, o que lhe trás uma grande popularidade entre as colegas, pela maneira como “estilava” alguns fados. Uma composição muito apreciada na altura, que era “Oh tempo volta para trás”, que constituía o seu tema preferido na altura. Poucas pessoas do seu convívio de então, não se lembrarão ainda hoje como era irresistível ouvir o seu timbre de vós e o seu estilo muito próprio, na interpretação dessa canção “afadistada”. Por certo que a marcou também, porque daí para a frente, ela começa a seguir o fado com entusiasmo, sobretudo as actuações de uma grande fadista do panorama português, que era a Sr.ª D. Maria Teresa de Noronha. Decora as letras das suas canções, e sente uma grande afinidade com ela porque, o seu timbre de voz e a sua maneira de “estilar”, tinham algo de comum. Cantava o tema, “Rosa Enjeitada “ constituía um dos seus fados preferidos,  e um exercício de estilo, que ela adorava fazer.

Foi interessante sentir, que nesta primeira fase de apego ao fado, mesmo sem o suporte do acompanhamento da guitarra e da viola, pois cantava “à capela”, jamais o ouvi-la, deixou de transmitir momentos de grande emoção.

Uma noite ao comparecer num jantar de aniversário de um familiar, foi surpreendida pela entrada em cena de dois acompanhantes de fado, o guitarra Alcino Frazão e o viola Jorge Fernando. Foi talvez a primeira vez que cantou enquadrada com os sons instrumentais. Ficou encantada, mas ao mesmo tempo sentiu a limitação de uma liberdade de interpretar como habitualmente fazia. 

Depois passou frequentemente a cantar com guitarra e viola, já então como um complemento que achava indispensável à voz.

Os pedidos para participar em festas de amigos, festas de escolas, eventos do sociais do Ministério e organizações religiosas, eram frequentes. Ao mesmo tempo entrando num grupo de amigos, muito ligados ao gosto pelo fado, frequentava jantares, em variados restaurantes de Lisboa e Cascais, onde a pedido quase sempre cantava. No restaurante em Lisboa, denominado “Número Um”, era o que mais assiduamente frequentava. Os melhores amadores de Lisboa por aí passavam. Cantava-se o fado e nos intervalos todos se transformavam em cantores de modas alentejanas.

Gravou, exclusivamente para família e amigos, uma cassete e com os fados da sua preferência.

Faleceu prematuramente e quase inesperadamente, em Agosto de 2004.(*)

Biografia da autoria de seu marido Dr. Francisco Faria Pais

 

Rosebell Faria Pais

Canta: Não Sou Fadista de Raça

 

 

(*)

 

Deus levou-nos a Rosebell

Causou-nos muita mágua

Pôs uma estrela no céu

E uma saudade na terra

 

 

Conheci Rosebelle Faria Pais e o marido no final dos anos noventa, ficámos amigos, unia-nos o Fado e a admiração mútua.

Fui decerto o incentivador das suas idas ao "Número Um", onde tempos antes da sua morte prematura, nos encontrávamos-nos todas as quintas-feiras. Era sempre eu que a desafiava para cantar, e fazia questão de que ela cantasse primeiro, não por qualquer vedetismo, mas porque o seu cantar me inspirava. Foi sempre muito admirada e muito aplaudida, pois era reconhecido  que não imitava ninguém, pois era a sua voz natural, fazia-nos lembrar Maria Teresa de Noronha, com dignidade.

Era casada com  Francisco Faria Pais, médico e também artista, um dos seus  "hobbies" é fazer escultura em barro, um dia em que a Rosebell ainda estava entre nós,  presentearam-me com uma estatueta representando o meu avô e eu em miúdo, que guardo religiosamente.

Que saudades Rosebelle....

Vítor Marceneiro

 

Auguarelas da autoria do Dr. Francisco Faria Pais relebrando as noites de Fado no "NUMERO UM"

 

 

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Viva Lisboa: Que saudades
música: Não sou Fadista de Raça
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Domingo, 10 de Maio de 2015

Vítor Marceneiro - 50 Anos de Fado - Tudo tem um início

Que saudades daquela noite no «Solar da Hermínia», em que cantei pela primeira vez, na presença do meu pai e do meu avô.

 

 O «SOLAR da HERMÍNIA» e a própria Hermínia Silva fazem parte de um dos episódios mais marcantes da minha vida, na relação pai/avô/fado

Corria o ano de 1965, inícios de 1966 , tinha cerca de 20 anos, fiz uma pausa nos bailaricos e outros «poisos» e comecei a frequen­tar o fado amador, que praticamente desconhecia, pois, até essa altura, costumava acompanhar o meu avô e o meu pai às casas tradicionais.

Certo dia, uns amigos convidaram-me para uma noite de fados no Galito, que ficava no Estoril. Lá fui e, como é lógico entre os frequentadores habituais, ao saberem de quem eu era filho e neto, logo pensaram que havia mais um para cantar. Gostei imenso do ambiente e passei a ser frequentador assí­duo. Ali conheci o Pracana, o malogrado Carlos Zel, o Frazão, pai deste, e do saudoso Alcino, que era então um miúdo mas já demonstrava o gosto que tinha pela música e pela guitarra portuguesa (estava sem­pre a dedilhar a guitarra do Inácio, mal este parava de to­car e a poisava), o Valdemar Silva, o saudoso Carlos Barra, a Maria do Carmo «Micá», e tantos outros amadores do Fado, na época.

Ora eu não cantava. Para ser sincero, com muita pena minha, achava que não conseguia e, para «meter água», era melhor estar calado. Isto porque tinha a noção da responsabi­lidade de ser filho e neto de quem era.

Mas a rapaziada estava sempre a apertar comigo (este gajo é filho de fadistas e não canta?), alguns até aventavam a hipótese de que eu não cantava porque tinha a mania de que era bom de mais para cantar ali! Mal sabiam eles a pena que eu tinha de sentir que não era capaz.

Certa noite, por insistência do Zé Inácio, grande executante de viola, mas que, na altura, fazia o acompanhamento à gui­tarra, acompanhado à viola pelo «Pirolito da Ericeira», começa­ram a dedilhar a Marcha do Marceneiro, o Zé Inácio começou a desafiar-me, era no princípio da noite, não havia ainda muitos clientes, timidamente comecei a entoar o poema Amor é Água Que Corre (eu nem calculava que, afinal, sabia o poema todo). Parece que não saiu muito mal, recordo que o tom em que cantei foi (hoje canto em So/); no final, o Zé Inácio disse-me:

- Como vês, é preciso não ter medo, perder a vergonha e, a partir de agora, ir praticando. Tomei-lhe o gosto e, durante algum tempo, só cantava este fado. Foi ainda com a ajuda do Zé Inácio que comecei a ensaiar e a cantar outros poemas, mas cantava sempre letras e músicas do repertório do meu avô.

Uma noite, no fim da fadistice do costume no Galito, o Valdemar Silva, que era conhecido pelo «Chico Fadista» e passou a ser o meu companheiro destas andanças, aceitou o meu convite para irmos até ao Bairro Alto, ter com o meu pai, Alfredo Duarte Júnior, que estava a cantar contratado no «Solar da Hermínia».

Chegámos, as luzes estavam reduzidas, como é costume quando se canta o fado, era o meu pai que estava a cantar, pelo que ficámos logo ali na entrada, sentámos-nos na mesa da Dona Hermínia que, prontamente, com o ar carinhoso e sorri­dente com que sempre me recebia, segredou-me ao ouvido que o meu avô, Alfredo Marceneiro, se encontrava na sala.

            O meu pai termina o fado que estava a cantar e informa os presentes:

            — Senhoras e Senhores, o meu pai, Alfredo Marceneiro, a pedido da Dona Hermínia, vai cantar.

Esta informação foi, de imediato, estrondosa e efusivamente recebida pela assistência, pois era do conhecimento geral, o quanto era difícil convencer Alfredo Marceneiro a cantar.

            O meu avô cantou, julgo que uns três fados, sempre escu­tados num rigoroso silêncio e, no final, vigorosamente aplaudidos.

Ainda com as luzes reduzidas e após uma das entusiás­ticas ovações que o meu avô teve, sublinhada por ditos do tipo «- Ah! Grande Ti' Alfredo», houve um curto espaço de tempo de relativo silêncio e eis que o Valdemar, o «Chico Fadista», se levanta de repente e, com uma voz possante, diz sensivelmente isto:

            - O que vocês não sabem é que aqui o Vitó, neto do Ti Alfredo também canta, e não deixa a família ficar mal!

            Fez-se um silêncio total na sala, eu fiquei sem pinga de sangue! (- Ó Chico, tu és maluco?)

A assistência começou a bater palmas, insistindo para que cantasse, eu nem conseguia levantar-me, olhei de relance para o meu pai e para o meu avô, estavam ambos na expectativa, eu só queria que aparecesse ali um buraco onde pudesse desaparecer. A Dona Hermínia, então, com o seu habitual bom humor, disse-me: «- Vai, filho, não tenhas medo. Quando a música começa, a gente esquece tudo.»

Levantei-me, hesitante, e dirigi-me para junto dos guitarris­tas, pedi que tocassem a «Marcha do meu Avô». Aos acordes iniciais da música, todo eu tremia, mas foi um momento ines­quecível, eu ia cantar à frente do meu pai e do meu avô. E, logo a seguir ao meu avô, era uma grande responsabilidade.

Comecei a cantar e nunca tirei os olhos do meu avô. Este, com o cotovelo sobre a mesa e a cabeça apoiada no braço, de olhos fechados, ouvia-me atentamente. Reparei que trauteava bai­xinho os versos que eu ia cantando e ia acenando com a cabeça.

Quando terminei, o público foi generoso e aplaudiu-me. Dona Hermínia comentou: «- Temos fadista.»

            O comentário do meu avô foi: «- Não está mal, mas tem é que aprender outros versos, para não andar a cantar a mes­ma coisa que eu ando a cantar há mais de trinta anos.» !.

O meu pai avisou-me logo: «- Deixa lá as fadistices, que isto não dá nada, tira mas é o teu curso, e fado, só por desporto.»

Não segui estes conselhos e, sempre que me dão a oportunidade continuo a cantar, nas suas músicas, os versos do seu repertório não enjeitando o “apelido”  MARCENEIRO.

            Com este episódio ultrapassei algumas barreiras que até então julgava intransponíveis, e assim acabava de entrar no Fado, bem ou mal, mais um elemento da família, dando a origem ás “ 3 GERAÇÕES DE FADO de MARCENEIRO”

Gravei em disco e em Televisão com meu avô e meu pai

                      

 

Dueto Avô e Neto

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Viva Lisboa: Recordar é viver
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015

JOSÉ LÚCIO - Musicólogo, investigador e coleccionador de instrumento musicais

José Lúcio Ribeiro de Almeida

Nasceu em Viseu a 29 de Outubro de 1947.

Aos cinco anos começa os estudos com uma professora de piano e aos onze começa a ter lições de Viola e Guitarra Portuguesa.

Dois trabalhos publicados em vinil:” Paisagens Sonoras” e “Tunas e Trupes”.

Assistente e repórter dos seguintes programas de Rádio: “Musicando”, “Café com Leite”, “Sais de Banho”, Rock and Stock“, “Os Cantores da Rádio”, “Rádio Rural”, “Manhãs da Comercial”.

Realizador e apresentador do “Jardim da Celeste”, “Não há duas sem Três”, “Flauta de Pã” e “Meus Caros Amigos”. Director-adjunto da Rádio Renascença.

Na televisão colabora em vários programas: “Berros e Bocas”, “Jornalinho” e “Recreio dos Lisboetas”, ainda na televisão é autor/apresentador das séries infantis sobre construção de instrumentos: “Plim-Plam-Plum” e o “O Sótão do Zé”.

Investigador na área do “FADO”, faz vários Colóquios em Espanha, França e Córsega. Realizou três filmes para o Japão sobre a Guitarra Portuguesa. Aprende a arte de construir e reparar instrumentos com os seguintes construtores: Manuel Cardoso, Domingos Machado, Gilberto Grácio, João Palmeiro, António Guerra, Adelino Vicente e Miguel Rodrigues.

Exposições de instrumentos efectuadas: Óbidos (1985), Beja (1989), Lisboa (1990), Caldas da Rainha (1992), Casa Pimenta em Palmela (1993), Amadora, Casa de Fado a Viela (1994), Ericeira (1996), Sociedade Portuguesa de Autores (1997).

Ao longo da sua carreira de investigador efectua vários colóquios e cursos de construção de instrumentos em escolas secundárias. Inserido nas comemorações de Lisboa 94 realizou um curso de construção de instrumentos com a duração de um ano na Escola António Arroio.

Autor do Livro “Os Sons e Os Tons da Musica Popular Portuguesa”, editado em 1996.

Em 1999, a convite do Instituto dos Resíduos elabora o livro “Um Olhar Musical pelos Resíduos”.

Em 2002 publica o livro “Cordofones Portugueses”.

Em 2007 publica o Livro “O Cavaquinho sem Mestre”.

Possui um património de mais de 500 instrumentos musicais do ambiente tradicional português, bem como um arquivo musical onde figuram 500 discos de 78rpm, 3.000 Lps, 300 singles e Eps.

Recentemente num edifício próprio em Odivelas abriu  um  Espaço Museu com a maioria do seu espólio.

A Câmara Municipal de Odivelas condecorou-o com a Medalha de Ouro da Cidade, pelo seu contributo cultural no País e no Concelho.

 

 

 

À Procura da História do Fado

Quando se anda nestas andanças de estudar o Fado, há mais de 40 anos, fico sempre admirado quando nascem especialista em dados momentos da vida portuguesa. Os meus mestres sempre me disseram que o que custa mais são os primeiros 50 anos. Por respeito aos mestres ainda me faltam mais 19 anos (se lá chegar) para entender qualquer coisa.

Por isso não vou fazer afirmações mas sim perguntas para reflexão.

1- Será que já entenderam que “fado-destino” não tem nada a ver com ”Fado-expressão musical”? Já leram a Triste Canção do Sul de Alberto Pimentel?

Quando ler este livro é bom ter à “mão de semear” a 4ª edição do Dicionário de Lacerda (1874) para comprovar que é verdade a afirmação do autor da Triste Canção do Sul de que é neste dicionário que pela primeira vez aparece a palavra Fado com “expressão musical”.

Sabiam que Luís de Camões utiliza 17 vezes a palavra “fado” nos Lusíadas.

Se quer um exemplo basta ler o canto I, estrofe 28 (Prometido lhe está do Fado eterno…)

Será que Luís de Camões já era Fadista?

2- Porque é que procuram as origens do Fado (expressão musical) na palavra “fado-destino” e não na pessoa que o criou e o cantou (o Fadista)? Quando é que apareceu o Fadista em Lisboa e porquê? Nas fotografias ou desenhos antigos o Fadista aparece sempre a tocar Guitarra Portuguesa. E quando é que apareceu a Guitarra Portuguesa em Lisboa e os “Guitarreiros” que a construíam? Quando é que apareceram os poetas e compositores de Fado?

3- Dizem os mestres na matéria que o Fado é uma canção triste e fatalista. Que tipo de Fado? Conhecem muita música clássica que seja alegre? A música de câmara é alegre? Existem muitas Óperas alegres? Será que todo isto é Fado? A Rebetica (música grega) é uma música alegre, já ouviram? Procurem vídeos desta canção na internet. Será que o Fado tem origem grega?

Para aqueles que gostam de Fado que tal uma leitura dos livros já escritos sobre o assunto. Assim podem formar uma ideia mais clara. Podem ir a Biblioteca Nacional no Campo Grande (Lisboa). Aqui fica a listas dos livros que falam do assunto:

http://www.jose-lucio.com/Fado/Livros.htm

Se tiverem paciência não deixem de consultar na Biblioteca Nacional de Lisboa os três grandes jornais sobre o Fado.

Canção do Sul, 1922 quinzenário com vários directores (António Cardo, Cândido Torrezão…).

 

O Fado, 1º exemplar publicado em 16 de Abril de 1910, semanário, proprietário e director Carlos Harrington.

 

Guitarra de Portugal, que nasceu a 15 de Julho de 1922.

Tri-Mensário de Literatura e Poesia, porta-voz do Fado que tinha com director o grande João Linhares Barbosa.

Estes jornais têm muito assuntos importantes sobre Fado que se lêem bem em 10 anos. Gostar de Fado é aprender a conhecê-lo. E conhecer dá trabalho.

Parabéns ao Vítor Duarte pelo contributo dado ao Fado. É que gostar de Fado não é sinónimo de comprar um CD, beber uns copos em ambientes fadistas ou ser vedeta do Fado. Aprender a gostar de Fado também passa por conhecer um pouco da sua história.

Um abraço a todos aqueles que têm contribuído pela dignidade do Fado

José Lúcio

www.jose-lucio.com

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Viva Lisboa: Grande Musicólogo
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

MÁRCIA CONDESSA

Nasceu em Monção, no Minho, a 28 de Setembro de 1915.

Filha de gente humilde teve que partir ainda nova, para a capital a ganhar a vida.

Trabalha  a servir às mesas, e foi no  Restaurante da Bica onde Márcia Condessa, na altura trabalhava, que por vezes, davam sessões de Fado, e Márcia que tinha uma voz muito bonita, era desafiada para cantar Fados,  cantava também canções galegas, que tinha aprendido quando ainda miúda lá em Monção.

O jornal "Canção do Sul",  em 1938, organiza um  concurso de Fados,   o “Concurso da Primavera”, embora ela não fosse da Bica, mas como era lá que trabalhava, os habitantes  do bairro convenceram-na  a participar em representação do Bairro da Bica.  Márcia Condessa aceita o desafio, conseguiu passar  nas eliminatórias e  chega às finais.

Cada concorrente tinha  que  interpretar dois temas, um era obrigatório ser Fado clássico , mas o outro podia ser fado canção.

No espectáculo  para  encontrar o vencedor, Márcia Condessa  ganha o 1º prémio, por unanimidade. O prémio passava por atribuir o título de «Rainha do Fado - 1938». Foi muito elogiada pelos seus dotes, quer de  dicção, quer pela  expressão “sentimento” que deu na sua actuação.

Com este estrondoso êxito, passa a cantar profissionalmente quer em casas de fado, quer em espectáculos. Teve várias deslocações ao estrangeiro,  no Brasil, esteve cerca de oito meses,  integrada numa companhia de teatro, conjuntamente com Irene Isidro, António Silva e Ribeirinho.

Em 1950, abre o seu próprio restaurante típico, ficava no Nº 38 da Praça da Alegria, a que dá o nome “A Casa da Márcia Condessa”.

Márcia Condessa consegue uma licença especial para estar aberta até às 5 da madrugada, o que lhe proporciona ter um local para onde aflui grande parte quer de clientes, quer de fadistas, após o fecho das  outras casas de fado, que  encerravam cerca das 3 horas da madrugada.

 

    

Copo de Recordação do Restaurante Típico

A Casa da Márcia Condessa,  torna-se um ponto de referência nos circuitos dos mais variados fadistas e seguidores do Fado.

Para além das actuações de Márcia, passaram por aquele espaço a grande maioria dos fadistas da época, Celeste Rodrigues, Alcindo Carvalho, Teresa Nunes, Fernando Farinha, Beatriz da Conceição, Toni de Matos,  o meu pai Alfredo Duarte Júnior, etc.

Meu avô, Alfredo Marceneiro, foi decerto o que mais se destacou,  nutria por ela grande amizade, que era recíproca, já ninguém desconhecia que era por lá que ele acabava a sua noite fadista.

A  grande maioria dos admiradores de Fado e de Marceneiro, sabiam que era quase certo ali o iriam encontrar e  terem o prazer de  ouvir cantar.

Acompanhei-o muitas vezes e assisti  a grandes noites de Fado naquele simpático retiro.  Guardo da Márcia Condessa recordações da sua simpatia e boa disposição,  e em especial,  o carinho que sempre me dedicou.

Nos últimos anos antes de fechar a casa o que aconteceu em 1970, já era muito raro ouvi-la cantar.

Em 1980 esteve presente no S. Luís, quando da entrega da medalha de ouro da cidade de Lisboa,  a meu avô, para homenageá-lo.

Não fez muitas gravações, mas  embora poucas,  para o êxito que teve, algo de bom ficou para a recordar-mos.

Entrou de sua livre vontade para a “Casa do Artista”, para não se sentir só.

Márcia Condessa faleceu a 1 de Julho de 2006. A seu pedido o seu funeral realizou-se na sua terra natal, em Monção.

 

 

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música: Fado do Embuçado
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DIA DO TRABALHADOR - 1º de Maio

DEPOIS DE TANTAS LUTAS, DE VITÓRIAS CONSEGUIDAS, HOJE ESTÁ QUASE TUDO A SER REVOGADO. NESTE DIA DURANTE ALGUNS ANOS A SEGUIR AO 25 DE ABRIL, ESTAVA TODO O COMÉRCIO FECHADO, SÓ ESTAVAM ABERTOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE EMERGÊNCIA. HOJE OS TRABALHADORES DOS SUPERMERCADOS ESTÃO ABERTO. UMA GREVE MARCADA PARA HOJE NÃO VAI SER NOTADA, POIS A MAIORIA DOS TRABALHADORES NÃO SÃO SINDICALIZADOS E MUITOS DELES SÃO TRABALHADORES A PRAZO, E TÊM MEDO _ POIS É COM ESTA CRISE A DEMOCRACIA É O QUE SE VÊ E SENTE. QUE DIA DO TRABALHADOR É ESTE?!!!

Maio 2015.jpg

Neste dia 1º de Maio de 2011, saúdo todos os trabalhadores do mundo.

Passados mais de 100 anos dos acontecimentos que deram lugar à comemoração deste dia, em que muitos homens e mulheres de coragem, perderam a vida para lutarem pelos direitos de todos os trabalhadores, quem diria que este ano, fruto de uma desenfreada ambição capitalista, que responsáveis politicos não souberam travar, milhares de trabalhadores de todo o mundo estão dia a dia a perder o seu emprego, só quem estiver nessa situação poderá saber o quanto sofre.

A minha solidariedade ... Acreditemos que o amanhã será melhor...

 

  Ouvir para lembrar: Vale a pena rever 41 anos depois!!!

 

1º de Maio – Dia Mundial do Trabalhador

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.

Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.

Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

 

Chicago, Maio de 1886 

 

O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos directamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extracção da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.

Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.

Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.

No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.

Os oradores se revezavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pontapeando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direcções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.

A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gangsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.

A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de Junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de Outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

 

Mártires de Chicago:

Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg suicidou-se na prisão.

No dia 11 de Novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se.

 

Spies fez a sua última defesa:

"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é a vossa opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

 

Parsons também fez um discurso:

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Fez um relato da acção dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:

"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objectivo do socialismo".

 

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