Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

JÚLIA MENDES

 Cantadeira e actriz, nasceu em Lisboa (1885­-1911).

Revelando desde pequena especial talento, começou a cantar o Fado pelas ruas de Lisboa enquanto a mãe pedia esmola.
Estreou-se no teatro de revista no Teatro da Trindade, no dia 25 de Dezembro de 1902, numa matinée promovida pela Tuna do Diário de Notícias.
Foi a consolidação de uma carreira iniciada nos teatros de feira, situação que viria a prejudicá­-la junto de alguns empresários, nomeadamente José dos Santos Libório, do Casino de Paris, o qual apesar disso lhe assegurou o primeiro contrato estável, tornando-se desde logo conhecida do grande público pelo seu espírito trocista, ditos brejeiros e capacidade de improviso.
Passou pelo Príncipe Real e pelo teatro Aveni­da. Ficaram célebres as suas participações nas revistas Ó da Guarda!, P'rá Frente, Zig-Zag, ABC e Sol e Sombra.
Menina mimada do povo boémio da época pela beleza da sua voz e dicção claríssima, foi con­siderada Rainha da Revista, chegando a manter um teatro com o seu nome - Salão Júlia Mendes­ na Feira de Agosto.
Desempenhou o papel de Se­vera na ópera cómica do mesmo nome, acompa­nhando-se à guitarra.
Os seus grandes olhos expressivos e alegria na­tural criaram um estilo a que não era alheio, segun­do os críticos da época, uma subtil tendência para o trágico dentro do próprio humor que levaram ao carácter eminentemente popular da sua Severa.
Representou pela última vez, em 1910, na Fei­ra de Agosto, na revista Zig-Zag.
Tal como Maria Vitória desaparecida muito jovem, com ela se formou um dos grandes mitos dos tempos do Fado do início do século.
Em 1969, na Revista Ena, Já Fala, é relembrada por Fernanda Batista, que declamava:
Acabando em apoteoso cantando o Fado ”Saudades da Júlia Mendes”,
cujos autores foram: João Nobre e César de Oliveira, Rogério Bracinha e Paulo Fonseca
© Vítor Duarte Marceneiro

 

Maria da Nazaré canta:

Saudades da Júlia Mendes

 



Saudades da Júlia Mendes

Eu trago a vida suspensa
Das cordas duma guitarra
Mas oiço com indiferença
Quando me veem dizer
Naquela ideia bizarra
De eu não cantar p'ra viver.

 


Ó Júlia
Trocas a vida pelo fado Pelo fado
Esse malandro vadio
Ó Júlia
Olha que é tarde
Toma cuidado
Leva o teu xaile traçado
Porque de noite faz frio
Ó Júlia
Andas com a noite na alma
Tem calma
Inda te perdes p' raí
Ó Júlia
Se estás no mundo vencida
Não finjas gostar da vida
Que ela não gosta de ti.

Não fales coração
Tu és um tonto sem razão
Viver só por se querer
Não chega a nada
Aceito a decisão
Que os fados trazem ao nascer
Todos nós temos que viver
De hora marcada
Se Deus me deu voz
Que hei-de eu fazer
Senão cantar
O fado e eu a sós
Queremos chorar
Eu fujo não sei bem
De quê, do mundo ou de ninguém
Talvez de mim
Mas oiço alguém
Dizer-me assim:

 

Ó Júlia
Trocas a vida pelo fado Pelo fado
Esse malandro vadio
Ó Júlia
Olha que é tarde
Toma cuidado
Leva o teu xaile traçado
Porque de noite faz frio
Ó Júlia
Andas com a noite na alma
Tem calma
Inda te perdes p' raí
Ó Júlia
Se estás no mundo vencida
Não finjas gostar da vida
Que ela não gosta de ti.

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música: Saudades da Júlia Mendes
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2015

JULIETA BRIGUE

Julieta de Sousa Brigue, nasceu em 30 de Dezembro de 1932 em Folques, concelho de Arganil, e veio viver para Lisboa ainda criança.

Começou a cantar em público aos 15 anos e foi ainda na década de 40 que se apresentou a interpretar fados no Clube Radiofónico de Portugal, da Rua Maria Andrade, dirigido por Mário Lisboa, tendo sido a primeira cantadeira, além da própria Amália Rodrigues, a cantar fados desta aos microfones da rádio.

No Clube Radiofónico de Portugal interpretou também outras canções, designadamente do repertório de Maria Clara, acompanhada pela orquestra de Victor Bonjour .

Em 1947 obteve o 2.° lugar no concurso da Grande Noite do Fado, cujo 1.° lugar coube a Isaura Alice de Carvalho, classificação essa controversa, pois o público manifestou-se ruidosamente a favor de Julieta Brigue.

Actuações em festas particulares, em embaixadas, casinos, hotéis e salões aristocráticos, marcaram a vida artística desta cantadeira, que contratada pela antiga Emissora Nacional participou ali em programas de fados, acompanhada pelo grande Raul Néri, tendo ainda actuado em espectáculos dos "Serões para trabalhadores".

Fez parte dos elencos de várias casas de fados, tais como o Faia (logo na inauguração), na Kaverna, no Casebre (de Carlos Barra), no Folclore, no Pátio das Cantigas (de João Braga), na Tia Ló e na Severa, entre outras.

Em 1974 esteve durante 3 meses no Brasil, São Paulo, onde actuou com notável sucesso na Adega Lisboa Antiga, de Joaquim Pimentel, e no programa "Caravela da Saudade" da televisão paulista.

Na RTP (Radiotelevisão Portuguesa) interveio no programa "Fado Vadio".

Participou em espectáculos no Algarve, na Madeira e nos Açores e, em 1981, cantou em Bruxelas num espectáculo da NATO, acompanhada à guitarra por José Pracana e à viola por Segismundo Bragança.

Retirada da vida artística profissional depois de uma carreira de mais de 40 anos, Julieta Brigue continua a cantar e a encantar com a bela voz que tantos êxitos lhe valeu, inclusivamente junto de públicos estrangeiros, mas agora apenas para amigos.

Texto de Eduardo Sucena

 

Julieta Brigue

Canta: Pescador que vais p´ro mar

Eduardo Damas/Manuel Paião

 

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música: Pescador que vais para o Mar
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

EU TENHO UM SONHO

EU AINDA QUERO SONHAR COM UM PAÍS DEMOCRÁTICO E PLURALISTA

cravo-aries.jpg

 

Martin Luther King, foi assassinado vai par 47 anos por  ter tido a ousadia de SONHAR e LUTAR contra uma sociedade racista e intolerante, tiraram-lhe a vida, mas a sua mensagem perdura.

MESMO QUE ISSO LHE CUSTE A VIDA , SEMPRE QUE UM HOMEM SONHA, O MUNDO PULA E AVANÇA

 

  

 

 

 

Manuel Freire canta:

 

Pedra Filosofal

Poema de António Gedeão

Música de Manuel Freire

 

PEDRA FILOSOFAL

 

Eles não sabem que o sonho

É uma constante da vida

Tão concreta e definida

Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta

Em que me sento e descanso

Como este ribeiro manso

Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos

Em que verde e oiro se agitam

Como estas aves que gritam

Em bebedeiras de azul

 

                                                                 Eles não sabem que o sonho

                                                                 É vinho, é espuma, é fermento

                                                                 Bichinho alacre e sedento

                                                                 De focinho pontiagudo

                                                                 Num perpétuo movimento

 

 

Eles não sabem que o sonho

É tela, é cor, é pincel

Base, fuste ou capitel

Arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral

Contraponto, sinfonia

Máscara grega, magia

Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante

Rosa-dos-ventos, Infante

Caravela quinhentista

Que é Cabo da Boa Esperança

Ouro, canela, marfim

Florete de espadachim

Bastidor, passo de dança

Columbina e Arlequim

Passarola voadora

Pára-raios, locomotiva

Barco de proa festiva

Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar

Ultra-som, televisão

Desembarque em foguetão

Na superfície lunar

 

                                                         Eles não sabem nem sonham

                                                         Que o sonho comanda a vida

                                                         Que sempre que um homem sonha

                                                         O mundo pula e avança

                                                         Como bola colorida

                                                         Entre as mãos de uma criança

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Ermelinda Vitória

 

ERMELINDA VITÓRIA, nasceu em Lisboa no bairro da Mouraria, em 1892.

Viveu durante algum tempo em Setúbal.  Aos nove anos já cantava ao lado do velho fadista Calafate.

Em dada fase da sua vida andou a cantar pelas ruas com cegos, mas veio a tornar-se depois uma das primeiras cantadeiras do seu tempo sendo muito apreciada pelos assíduos  do fado nos anos 20 e 30 do século passado.

Tomou parte em descantes com cantadores afamados, como Jorge Cadeireiro, Júlio Janota, Carlos Harrington, Ginguinha, António Rosa, Armando Barata, António Lado, Fortunato Coimbra e outros. Cantou na maior parte dos retiros de Fado da época, Bacalhau, Ferro de Engomar, José dos Pacatos, Perna de Pau, da Fonte do Louro e Quinta da Montanha.

Nunca faltava nas esperas de toiros em Vila Franca de Xira e na Azambuja.

Foi uma das primeiras fadistas a profissionalizar-se. Em 1928, actuou no Salão Jansen, no Solar da Alegria,  nos teatros Ginásio, S. Luís, Maria Vitória, Apolo, Trindade e Capitólio, e ainda nos teatros de província.

Foi companheira do violista Georgino de Sousa. Teve a sua festa de homenagem em 1930 no Salão Jansen.

Gravou discos, cantou em directo na Rádio Luso, na Rádio Peninsular.

Depois decaiu, ficando numa situação difícil de sobrevivência, mas passou a ser solidáriamente protegida, pela sua colega e amiga Maria Emma Ferreira, tendo vivido até cerca dos 90 anos de idade.

Um dos fados  da sua criação que obteve maior sucesso foi "Meu Portugal" de autores desconhecidos,  e “O Fado Altaneiro” com letra de Carlos Conde na música do Fado Mouraria:

  © Vítor Duarte Marceneiro

                                          

 

O FADO ALTANEIRO

 

Cantar o Fado altaneiro,

                                           Erguê-lo como um padrão,

                                           É ter Portugal inteiro

                                           Metido no coração.

 

Há quem me ponha em baixeza

E me tenha censurado

Por eu ter cantado o Fado

Sendo mulher portuguesa;

Porém, a nobre defesa

Para o dito traiçoeiro,

É ter por forte guerreiro

O som do Fado imortal,

E por todo o Portugal

Cantar o Fado altaneiro.

 

                                           Uma guitarra a gemer

                                           Por alguém ao Fado atreito,

                                           Geme a aquecer-nos o peito

                                           Para também se aquecer.

                                           Quero cantar e viver

                                           Nesta sonhada ilusão,

                                           Porque o Fado é a canção

                                           Calmante de quem padece,

                                           Rezá-lo como uma prece,

                                           Erguê-lo como um padrão.

 

Assim, nas notas bem-vindas,

Onde vibram mocidades,

Quero cantar as saudades

Doutras saudades infindas;

Desprezar as mal-avindas

Línguas do povo embusteiro,

Porque ter o lisonjeiro Fado

profundo e dolente,

Não é ter alma somente,

É ter Portugal inteiro.

 

                                            Cantar o Fado que encanta

                                             Desde o mais sábio ao mais rude,

                                             É ter a santa virtude

                                             Sobre a virtude mais santa.

                                             Toda a mulher que não canta

                                             Por devaneio ou paixão,

                                             Perde toda a sedução,

                                             Toda a ternura e valor

                                             Por não ter um puro amor

                                             Metido no coração.

 

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

ERCÍLIA COSTA - 1902 - 1985

 

Nasceu na  Costa da Caparica, filha de pescadores, Ercília Costa iniciou-se na música quase por acaso. Sem ter prévia experiência musical ou artística, apenas motivada pelo gosto de cantar, ainda adolescente apresentou-se no Conservatório de Lisboa em resposta a um anúncio, para encontrarem cantores para uma récita a realizar no Teatro de São Carlos. Ercília foi apurada, mas a representação acabou por não se fazer.

O actor Eugénio Salvador, ouve-a nas provas do Conservatório, a sua voz agrada-lhe  e  logo a  convida para fazer parte do elenco da companhia do Teatro Maria Vitória, onde actuou ao lado das maiores vedetas do palco da altura, como Luísa Satanella e Beatriz Costa.

Dotada de uma voz privilegiada, com certo acento dramático, bem cedo conquistou posição invejável a interpretar o fado. Tornar-se-ia verdadeiramente popular como fadista, actuando em muitos retiros e nas mais importantes casas típicas da altura.

A sua estreia como profissional foi no retiro Ferro de Engomar, onde lançou a moda do xaile negro que as fadistas ainda hoje usam, chamavam-lhe então a “Sereia Peregrina do Fado” e também a “Santa do Fado” (por cantar de mãos postas em gesto de oração).

Em 1931 entra na revista "O Canto da Cigarra", levada à cena no Teatro Variedades, onde tem um êxito estrondoso com o “Fado Lisboa” com letra de Álvaro Leal e música de Raul Ferrão.

Em 1932 desloca-se à Madeira e aos Açores com João da Mata, Armandinho e Martinho d'Assunção.

Em 1936 vai ao Brasil com a Com­panhia de Vasco Santana e Mirita Casimiro, de que foi primeira figura de cartaz, obtendo enorme sucesso, pelo que no seu regresso a Portugal foi distinguida com homenagens realizadas uma no salão de chá do Café Chave d' Ouro e outra no Retiro da Severa.

Realiza vários espectáculos no estrangeiro, França em  1937,  EUA em 1939 acompanhada por Carlos Ramos, onde cantou no pavilhão português da Feira Internacional de Nova Iorque.

Participou igualmente em alguns filmes, e, caso raro, chegou a compor algumas das suas criações mais célebres, como o Fado da Mocidade ou O Filho Ceguinho (conhecido como o Menor da Ercília).

Voltou ainda ao Brasil (onde permanece quinze meses seguidos) na época de 1945-46, integrada na Companhia Alda Garrido.
Depois de participar em 1951 no filme Madragoa e de algumas actuações pontuais em espectáculos de beneficência, abandonou a carreira para se dedicar ao seu casamento, sem nunca ter cedido à tentação de regressar ao palco.

Em 1972 Ercília Costa gravou o seu último disco com o título de “Museu do Fado”, incluindo alguns dos seus maiores sucessos.

Tentam fazer-lhe uma festa de despedida, mas não aceitou, alegando que algum dia podia precisar de voltar.... Mas tal não aconteceu.

Ercília Costa foi uma das grandes cantadeiras de fado da primeira metade do século XX. O seu nome é hoje pouco recordado, pois as gravações que realizou são anteriores aos anos cinquenta, altura em que se começou a popularizar o disco gravado, mas no seu tempo foi uma vedeta acarinhada pelo público e foi certamente, antes de Amália uma das fadistas mais internacionalizadas.

Do seu vasto reportório relembramos os fados: Meu Tormento, Saudades Que Matam, Pobreza Envergonhada, Pesar Profundo, Divina Graça, Amor de Mãe, O Meu Filho, Rosas, A Minha Vida, Fado Tango, Fado Sem Pernas, Fado Dois Tons, Fado Corrido, Fado Aida, Fado Ercí1ia, Negros Traços, Desilusão, Um Desgosto, Padre­-Nosso Pequenino, Juro, Fado da Amargura, e as desgarradas com o Dr. António Menano e Fado da Mouraria também à desgarrada com Joaquim Campos.

 

FADO DA AMARGURA

 

Letra de João da Mata

Repertório de Ercília Costa

 

  I

  Que tristeza

  Deus me deu,

  Não existe, com certeza,

  Ninguém mais triste do que eu.

  Com descrença

  Vou cantando

  Minada pela doença

  Que aos poucos me vai matando.

  Cantar; cantar;

  Versos de amor; de prazer;

  Oh! Quem me dera poder

  Cantá-los sem me esforçar.

  A toda a hora

  Sinto minha alma doente

  Pois não sou, infelizmente,

  A mesma que fui outrora.

 

                                                                   II

 

                                            Que saudade, Que amargor;

                                            Dos tempos da mocidade

                                            Feitos de sonho e de amor!

                                            Sonho lindo,

                                            Doce e brando

                                            Outrora cantei sorrindo

                                            Mas hoje canto chorando...

                                            Ai! Se eu pudesse

                                            Gozar saúde outra vez

                                            Ao bom povo português

                                            Cantaria numa prece,

                                            Agradecendo

                                            À gente que é tão amiga

                                            Desta infeliz rapariga

                                            Que vai cantando e morrendo.

 
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Viva Lisboa: Saudades leva-as o vento
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

DEOLINDA RODRIGUES

 

Deolinda Rodrigues Veloso nasceu em Lisboa, em Telheiras a 30 de Dezembro de 1924,

Foi na Sociedade de Recreio União Familiar de Telheiras que dá os seus primeiros passos como cantora de fados, ainda criança.

Em 1944 ganhou um concurso  organizado pelo Diário Popular, denominado “Concurso da Primavera” tendo ficado em 2º Lugar. É nesta altura que chama a atenção ao empresário José Miguel, que a contrata para o “Retiro dos Marialvas”, cantou ainda no Casablanca.
A partir de então levou a sua voz à rádio, ao teatro de Revista, à televisão e ao cinema.
Participou em diversos filmes, desde “Cantiga da Rua” (1950), “O Passarinho da Ribeira” (em 1960), passando por “O Noivo das Caldas” com António Silva (1956) e “Madragoa” e (1952).

No teatro de revista estreou-se no Teatro Apolo com a peça “Cartaz da Mouraria”, ao lado de Hermínia Silva e Barroso Lopes. Actuou, ainda, em diversas operetas.
Participou regularmente nos programas da Emissora Nacional.

Também para a RTP, Deolinda teve diversas aparições.
Fez várias digressões por Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Brasil, e ainda nas antigas colónias de Angola e Moçambique.

Cantou em quase todos os restaurante típicos, locais onde ainda hoje afirma, serem o melhor ambiente para cantar o Fado.

Em 1996 participou na telenovela “Vidas de Sal”.

Comemorou os 60 anos de carreira em 2005 com um espectáculo no Fórum Lisboa.
Foi-lhe atribuída a Medalha Municipal de Mérito, Grau Prata.

Faleceu em Lisboa na Casa do Artista onde estava alojada no dia 11 de Outubro de 2015.

 

 

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música: Minha Filha
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

FERNANDO MACHADO SOARES

Cantor e compositor da canção coimbrã, juiz de Direito, juiz Desembargador e juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Nasceu na Ilha do Pico, Açores a 3 de Setembro de 1930. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Considerado uma das melhores vozes de sempre e dos melhores compositores da canção Coimbrã, a par de nomes como José Afonso, Luiz Góes ou Fernando Rolim. Estudioso dos clássicos de Coimbra, neles procurou diferenciar as raízes étnico-folclóricas da canção de Coimbra, para, sem copiar, relançá-las ou recriá-las em moldes actualistas, capazes de sensibilizar as novas gerações, com base nas experiências de Edmundo Bettencourt e Artur Paredes. Com o impacto das suas interpretações e o enorme poder de comunicação, gravou vários discos, ainda como estudante. Após uma série de actuações em Bruxelas, foi contratado pela Philips para gravar um LP com vista a um lançamento internacional. Por motivos de saúde na altura das gravações, foi substituído por Luiz Góes. Alguns dos temas gravados são da autoria de Machado Soares, como o Fado do Estudante (Fecha os Olhos de Mansinho), Toada Beira (Abaixa-te ó Serra d'Arga), Cantares do Penedo e Canção Açoriana (O Meu Bem Se Tu Te Fores), sendo esta muitas vezes aproveitada por outros cantores. Ainda como estudante, actuou de Norte a Sul de Portugal e em quase todos os países da Europa, no Brasil e em África. Participou no filme Rapsódia Portuguesa. Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua actividade artística, tendo no entanto acompanhado o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos, onde cantou com êxito em cidades como Nova York (Lincoln Center), Boston, Chicago ou Atlanta, tendo participado num programa televisivo da NBC. Após Abril de 1974, veio trabalhar para os tribunais de Lisboa e arredores (Almada e Seixal), tendo recuperado definitivamente a vida artística. Actuou de novo em muitos pontos de Portugal, cantou na Alemanha, Itália, Estados Unidos da América. Venezuela, Rússia e outros. Em 1976 a Polygram gravou em disco a primeira parte do CD Coimbra Tem Mais Encanto (10 temas) com o título Fernando Machado Soares, no qual interpreta, Balada da Despedida (Coimbra Tem Mais Encanto), letra e música de sua autoria, O Fado dos Passarinhos (Passarinho da Ribeira), de António Menano e Alberto Menano, Canção das Lágrimas, de Armando Góes, Fado da Mentira, de António Menano e António Menano/F Machado Soares, Rosas Brancas, de António de Sousa, Vira de Coimbra (Popular), O Meu Menino, de Alexandre Resende, Santa Clara, de Angelo de Araújo,Fado das Andorinhas, de António Almeida d'Eça, Fado Corrido (popular), Canto de Amor e de Amar, letra de Ana Costa Nunes/Luís de Camões/F. Machado Soares e música de Fernanndo Machado Soares, Serra d'Arga (Popular) e F. Machado Soares, Balada de Outono, de José Afonso, Maria, de Angelo de Araújo, Maria Faia (Popular), Foi Deus, de Alberto Janes, homenagem a Amália Rodrigues pelos 50 Anos de Carreira Artística, Estrelinha do Norte, de A. Jardim e Fado Resende, de Alexandre Resende. Fernando Machado Soares compôs os arranjos do 3º tema, Angelo de Araújo do 8º, António Portugal do 10º e dos restantes José Fontes Rocha. A produção foi de José Luís Gordo na I parte, na II parte (8 temas), gravado em 1988, a produção foi de João Calado. Foi acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e à viola por Durval Moreirínhas. Em 1987 actuou em Toronto, Paris (Olympia), em S. Paulo, no Rio de Janeiro e noutras cidades. De salientar o recital que realizou em 18 de Março de 1987 no Grand Auditoire da Radio France, gravado e editado em compacto disco em Paris pela Ocara (Radio France), cuja apresentação teve lugar a 18 de Outubro de 1988, quando realizou novo recital na Ópera de Bordéus. Nesse ano recebeu o Prémio Popularidade da Casa da Imprensa. Cantou na RTP com Amália Rodrigues. Depois disso realizou quatro recitais no Thêatre de Ia VilIe, em Paris. Em 1994 gravou na editora francesa Auvidis (Ethnic) um CD com o título Le Fado de Coimbra, acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e Ricardo Rocha, e à viola por Durval Moreirinhas. Com literatura em francês e inglês, nele interpretai Ilha e o Sonho, de F Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Senhora d'Aires, popular e arranjos de F. M. Soares, Elegia, popular e música dejosé Afonso, com arranjos de  Fontes Rocha e F. Machado Soares, Santa Luzia, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha que interpretou Variações em Lá Menor, Teu Nome, de F. Machado Soares, com arranjos de José Fontes Rocha, Balada Para Uma Vida, de F. Machado Soares e arranjos de  Fontes Rocha, Noites de Festa, de F. Machado Soares e arranjos de  Fontes Rocha, Balada de Outono, de José Afonso e arranjos de  Fontes Rocha, Canção de Alcipe, Trova do Vento Que Passa, de Manuel Alegre e António Portugal, que compôs os arranjos, Fado Mentira, e de António Menano e António Menano/F. Machado Soares. Após a morte de Amália Rodrigues, da qual tinha sido bastante amigo, foi eleito Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Amália Rodrigues.

Actualmente esta´retirado.
in: Programa I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues

 

Fernando Machado Soares

Canta: Despedida

Fado de Coimbra de sua autoria

 

 

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música: Fado da Despedida
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