Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

SINOS DE LISBOA

  

  

 SINOS DE LISBOA

 Por: Silva Tavares

 

Sinos de Lisboa!

Vozes de piedade!...

Como todos nós, nesta transitória vida

que, mal soa se apaga - em verdade,

cada um de vós tem a sua história.

 

São Domingos, Madre Deus, São Lourenço

— todos, rua em rua!...

Vibrai!... Que vos dá do cão que vos ladre,

com a falta de senso com que ladra à lua?..

Vibrai... Deixai lá!

 

Nos sinos de São Vicente de Fora,

a glória prevista por Afonso - ecoa.!

— Voz da Fundação, atesta e memora

a dura conquista da nobre Lisboa.

 

Nos sinos plangentes da Conceição Velha,

sente-se o registo que em bronze proclama,

de entre cinzas quentes, a extinta centelha

dos freires de Cristo e os fastos de Alfama!

 

E os sinos da Sé? Que forte rebate!...

Bem surdos sereis se os não distinguis,

divulgando a Fé, chamando ao combate,

proclamando reis — sonoros, febris!

 

Longe, vagamente, dou p 'los de Belém,

como quando as velas demandavam Goa!

Como quando a gente de prole e de bem,

ficava por elas rezando, em Lisboa!

 

E oiço os de São Roque, na eterna velada

de um áureo passado!

Oiço-os e pressinto seu alegre toque,

saudando a chegada do coche doirado de Dom João V.

 

Mais triste de ouvir é o vosso dobrar,

sinos da Memória! Soa a vendaval!...

Teima em repetir, com voz de assustar,

a trágica história Távoras-Pombal!...

 

 Os sinos da Graça

— que evocam o vulto de Albuquerque

— dão lampejos escassos do fervor da Raça,

no seu velho culto pela procissão do Senhor dos Passos.

 

E ali nos da ermida da Saúde, à -Guia,

passa — cm voz quente de sinceridade­

não sei que outra vida de outra Mouraria,

da qual inda há gente que sente saudade!

 

Mas hoje — mal fora

só estar memorando! ­não são menos belas

as vozes dos sinos de Nossa Senhora de Fátima,

quando pairam sobre as velas votivas e os hinos!

 

Se não envelhece dos outros a voz,

na destes, tão nova, por que não havia

de ir a viva prece, que é de todos nós,

numa clara prova da Fé de hoje em dia ?

 

Porque não havia de ir, no sobressalto

trémulo de um sino, pousar, sem labéu,

aos pés de Maria?  E vai ! Vai, tão alto,

que o nosso destino se grava no Céu!

 

 

 

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2015

Porta de S. Vicente ou da Mouraria

Porta de S. Vicente ou da Mouraria

2-A26492-Poço do Borratém-Arco M. do Alegrete.jp

 A 1 de Setembro de 1373 grande parte da população arregaçava as mangas, e metia mãos à obra para construir a nova muralha de Lisboa.

D. Fernando e o conselheiro Ares de Almada observavam escrupu­losamente o critério seguido na escolha dos locais em que, aos poucos, se iam rasgando as portas e os postigos da muralha.
Uma delas devia dar passagem ao povo que visitava a Mouraria, o bairro que os mouros ocupa­vam fora de portas desde a conquista da cidade.
Seria a porta da Mouraria ou de S. Vicente, de acordo com a lenda que conta ter sido aquele local, em termos alagadiço, aonde tinham dado à costa os restos mortais do santo dentro de uma caravela cheia de corvos.
 

 

Imagem que representa o corpo de S. Vicente no barco, com os corvos a guardá-lo,  conforme a lenda.

Os corvos faziam parte do logotipo da cidade de Lisboa, até que foi mudado pelo ex-presidente da câmara Santana Lopes.

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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

Fados do meu Fado...As estrelas do meu menino

Quando minha mãe faleceu tinha eu de 5 para 6 anos, e fui morar com os meus avós paternos, a avó Judite e o avô Alfredo.

O meu avô acompanhou Vitó com 6 anos.jpga minha mãe na fase da doença e tinha um carinho muito especial por ela, era como uma filha para ele e para a minha avó.

Como é de calcular no início da mudança,  eu era uma criança  com momentos de muita tristeza e melancolia, mas meu avô acarinhava-me muito, e acima de tudo fazia diálogos comigo, o que se prolongou até à minha saída de casa, foram estes diálogos e o meu espirito  de curiosidade, que contribuiram para que eu possa nestas páginas, contar com fidelidade o que me ensinou e relatou sobre a vida, e a sua experiência no Fado.

Num certo dia eu estava taciturno e lembro-me do meu avô logo que se apercebeu, começou por me dizer:— Oh! Vitó, nas estejas com esse olhar mortiço, tens os olhos da tua mãe, que eram muito bonitos.

Nunca mais me esqueci, pois logo de seguida disse-me estes versos:

 

Tua mãe quando nasceste
Viu cair duas estrelas
Foi  apanhá-las, e fez-te
Teus lindos olhos com com elas
 
Há uns anos atrás, contei com emoção este episódio ao meu amigo, o poeta Carlos Escobar, que glosou a quadra, que eu nunca soube se foi inspiração do meu avô, ou era alguma quadra de um autor que ele tinha em mente.
 

 AS ESTRELAS DO MEU MENINO

 
TUA MÃE QUANDO NASCESTE
VIU CAIR DUAS ESTRELAS
FOI APANHÁ-LAS, E FEZ-TE
TEUS LINDOS OLHOS COM ELAS
 
                                         QUEM O DISSE JÁ PARTIU
                                         DISSE-O COM AR MENINEIRO
                                         E QUANDO O DISSE ELEGEU
                                         DESCENDÊNCIA... MARCENEIRO
 
INDA MUITO PEQUENINO
O PETIZ NÃO PERCEBEU
MAS SOUBE LOGO MENINO
QUE HAVIA ESTRELAS NO CÉU
 
                                       REPAROU NUMA, BRILHANDO
                                       E O AVÔ TAMBÉM OLHOU
                                       E DE MÃOS DADAS ANDANDO
                                       SORRIU, PENSOU E CALOU
 
E NÃO DISSE AO SEU MENINO
QUE NAS ESTRELAS ALÉM
NUM PONTINHO PEQUENINO
ESTAVAM OS OLHOS D' MÃE
 
Autoria de Carlos Escobar para o Vitor Duarte

      Foto de minha mãe Mariete Duarte          Vitor Duarte aos 18 meses
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“È TÃO BOM SER PEQUENINO”
 
Letra de: Carlos Conde
 
É tão bom ser pequenino
Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós
 
                                          A velhice traz revés
                                          Mas depois da meninice
                                          Há quem adore a velhice
                                          Para ser menino outra vez
                                          Ser menino que altivez
                                          De optimismo e desatino
                                          Ver tudo bom e divino
                                         Tudo esperança, tudo fé
                                          Enquanto a vida assim é
                                          È tão bom ser pequenino
 
Ver tudo com alegria
Sem delongas sem demoras
Viver a vida numa hora
Eternidade num dia
Ter na mente a fantasia
Dum bem que ninguém supôs
Ter crença sonhar a sós
Com a grandeza deste mundo
E para bem mais profundo
Ter pai, ter mãe, ter avós
 
                                        Ter muito enlevo a sonhar
                                         Acordar e ter carinho
                                        Ter este Mundo inteirinho
                                         No brilho do nosso olhar
                                         Viver alheio ao penar
                                         Deste orbe torpe ferino
                                        Julgar-se eterno menino
                                        Supor-se eterna criança
                                        E num destino sem esperança
                                        Ter esperança no destino
 
Oh! Desventura, Oh! Saudade
Causas da minha inconstância
Dai-me pedaços de infância
Retalhos de mocidade
Dai-me a doce claridade
Roubando-a ao tempo atroz
Eu queria ter a minha voz
Para cantar o meu passado
E é tão bom cantar o fado
E ter quem goste de nós

 

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Viva Lisboa: Recordar é viver
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