Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

ALFREDO MARCENEIRO- 25 de Fevereiro 1891 - Na realidade 29 de Fevereiro 1888

Alfredo+Marceneiro+alfmarceneiro.jpg

 

Após aprofundada investigação, posso afirmar, sem sombra de dúvidas que,  Alfredo Marceneiro na realidade nasceu  a 29 de Fevereiro de 1888, que foi ano  bissexto, mas só foi registado a 25 de Fevereiro de 1891

Com base no registo Alfredo Marceneiro, comemora-se   122 anos  do seu nascimento, mas em termos reais são na relidade 125 anos.

 

 

 

 

Se os prosélitos do Fado entenderem devotar uma longa noite à sua bandeira,  a de Alfredo Marceneiro, que seja o 25 de Fevereiro pois, sem dúvida, no ano de 1891 nasceu (foi registado) o seu mais louvado príncipe, tão igual ao Povo que com ele se confundiu amavelmente.

 

Alfredo Marceneiro canta

È TÃO BOM SER PEQUENINO

de Carlos Conde

 

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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

"Ti" ALFREDO MARCENEIRO - pela memória de seu neto Vítor Duarte

 

Jornal I - informação.  Edição fim-de-semana,integra a revista  "NÓS Melancólicos Nº 46 -20/21 Março de 2010"

Texto de Maria Ramos Silva Fotos de José Miguel Soares

  

De avô para neto, a história é de canção. e de família. A viagem pelo ADN Marceneiro é um passeio por gerações que não esquecem o homem do lenço, do boné, do cigarro pendurado na boca com carisma e do discurso castiço. Ti Alfredo pela memória de Vítor Duarte

  

A plateia do extinto Solar da Hermínia tranca-se num reverente silêncio. O avô canta. O desfecho não traz surpresa. As palmas enchem a sala rendida à voz e à guitarra. A maior novidade do serão é anunciada pela boca do amigo Chico Fadista. "Mas vocês não sabem que existe uma terceira geração, aqui o Vítor também canta," O burburinho volta a perder potência e Vitó puxa dos desconhecidos galões. Ainda com as luzes em baixo, nessa passada artística em que os parentescos sucumbem às críticas sérias, o avô solta o veredicto, orgulhoso mas retorcido. "Pois, não está mau. É pena é andar a cantar a mesma coisa que eu ando a cantar há 30 anos! Arranje repertório."
Ao seu jeito sui generis concede o primeiro elogio ao neto. Outros duetos entre Vítor Duarte e o castiço companheiro do boné e do lenço se seguiriam, com o temperamento do veterano sempre a ser cozinhado em lume alto. "Aconteceu cantarmos os dois e ele interromper a meio. 'Estou cansado, já não me apetece. Esqueci-me dos versos. ‘ Quem começava? Claro, abre o avozinho.
Depois, era só agarrar." Numa actuação em Cascais, já com impressionantes 89 anos, exibe o cabelo negro integral que dispensava truques de pintura e os óculos escuros que se encaixaram na cara depois da operação às cataratas. A idosa voz que dá a deixa não vacila. O corpo hirto, falsamente negligente e distante das atenções, encosta-se à parede. Uma das mãos, escondida nos bolsos, continua a inibir movimentos desnecessários do tronco. Ti Alfredo, que o ofício de Marceneiro acabou por baptizar em pia popular, disfarça entre os restantes cinco dedos um lenço que aproxima discretamente dos cantos da boca. Um pormenor delicioso. "Colava a placa com marmelada, e esta começava a derreter!"
A vida de fadista não abundava em açúcar. A conversa do fado nem sequer vagueava pelos corredores do lar. Não valia fortunas e via a saúde empenhada pelas madrugadas fora. Uma criança lá em casa a cantar? "Nem pensar nisso. O fado, andar na noite, não dá nada", dizia. Mas pelo menos uma das etapas do percurso era canja. Canja com arroz.
A iguaria que lhe confortou o estômago durante 60 anos sempre que chegava a casa vindo da noite, partilhada com os fiéis escudeiros. "Quem o levasse encostava o carro e ia comer uma sopinha com ele. Era uma alegria poderem dizer "fui a casa do Ti Alfredo!" As fotos glamorosas dos anos 50 imortalizaram a imagem de marca: o cigarro High Life a fazer cama entre os lábios. Os posters e a caricatura mais emblemática, assinada por José Pragana, resistem na parede da casa de Vítor, no Sobral de Monte Agraço. Pelas 70 primaveras, por ordem do médico, Alfredo enterra a nicotina de vez. Morcego por sina e por gosto, passa a viver em pleno dos banhos de Lua quando se reforma do estaleiro naval, em 1945. O avozinho já leva mais de meio século nas pernas. O lenço que dá estilo ao pescoço e o boné enfiado são mais do que acessórios de moda pessoal – protegem a garganta e a cabeça que já não vão para novas, mas que continuam a frequentar o barbeiro por baixo do desaparecido Clube Ritz quando já passam das duas da matina. "Veja lá se o sol não lhe vai fazer mal", atirava o neto quando se passeavam às claras. "Sempre usou a mesma roupa de Inverno e de Verão. Mas no Inverno vestia ainda a gabardina. E usava sempre o lenço quando saía de casa. Começou a cantar com o lenço cruzado." A glória e queda de um homem contam-se ao ritmo do taxímetro. Os motoristas de praça são marco importante na sua longevidade e garantia de segurança nas incursões nocturnas. Briosos de carregar o fadista no banco de trás, desunham-se por uma viagem com Marceneiro e enterram o machado de guerra mal avistam a criatura. "Eram homens de bairro que não o deixavam sentir-se sozinho. Um dia na Rua das Taipas, às duas e tal da manhã, um táxi vê que é o Ti Alfredo. Quando pára e pergunta se quer boleia três táxis enfaixam-se uns nos outros. Começa grande discussão até verem que era ele. Ficou tudo bem." Da morada na Rua da Páscoa, em Campo de Ourique, desce à Igreja de Santa Isabel e vem a pé até ao Largo do Rato. Entra no carro e em dois tempos o conhecem, lançando um "boa noite, Ti Alfredo". "Nem punham o contador a marcar. 'Olhe, meu querido, vamos para o Bairro Alto mas vais pela Praça das Flores', pedia ele. Era para que a bandeirada não fosse pequena. Dava-lhes 20 escudos no final, mesmo que a corrida fosse só cinco." Em 1979, a ausência de réplica do condutor confere o receio do mestre. As gerações sucedem-se e com elas a memória perde forças para o anonimato completo. Já ninguém responde ao cumprimento. "Entra num táxi, diz boa noite, e nada. 'Viste? Estou lixado. ‘ Os seus antigos companheiros da noite já não existiam para o segurar." Alfredo só permanece sem sair de casa um ano antes de morrer, quando sente um fraquejar numa perna. Despede-se em Junho de 1982, com 94 anos, idade actualizada pelas buscas do neto que lhe situou o verdadeiro ano do nascimento em 1888. Vítor, que chegou há pouco do Canadá onde actuou para portugueses, recupera estas e outras biografias do fado em lisboanoguiness.blogs.sapo. pt, projecto criado em 2007 com o objectivo de tornar a capital portuguesa recordista do mundo enquanto a mais cantada. "Muitos poemas falam de uma mulher, a mulher Lisboa." Dedica-se ainda à investigação, num trajecto pelas memórias do fado e dos seus intérpretes ao longo dos anos, graças a muito know-how a partir da recordação, recapitulando a vida e obra dos "peões" do fado. "Encontro dados daqui, jornais antigos ali, pessoas que conheceram, etc. Estava lá sem saber que estava a assistir à história." Pouco se fazendo escutar, uma recalcada veia de actor latejou na família. O avô, personagem em tamanho grande já de si, chega a entrar na peça Fado, no Coliseu. Goza ainda de um breve apontamento, agora a cantar, num filme de António Lopes Ribeiro, nos anos 30. "Também acabei por não ser actor. Fiz apenas teatro na escola e na General Motors, mas mais tarde como realizador vivi um pouco esse papel. Há uma extroversão e um gosto." O gosto, agora pelo fado, ganhou força anímica entre a juventude de hoje, mercê de uma cultura linguística mais depurada. "As pessoas nunca deixaram de gostar de ouvir a guitarra, independentemente de gostar ou não de fado. Mas as letras ou não eram ouvidas ou achavam que era a história da desgraçadinha, quando esse não é o fado do Marceneiro." Só pelos 23 anos o próprio Vitó, seguidor da pop dos Shadows e dos Beatles, se deixou embalar pela canção, vencendo os preconceitos próprios da idade. "Até então era altamente contestatário. Ele discutia comigo. 'Este neto falta ao respeito ao avô! ‘ Também o picava. 'Brevemente vou ser engenheiro de máquinas', dizia-lhe eu. E ele respondia: 'Você que anda lá a estudar para engenheiro diga-me lá o que quer dizer boninas?"
"Sete colinas são teu colo de cetim Onde as casas são boninas espalhadas em jardim" (Lisboa Casta Princesa, Álvaro Leal/Raul Ferrão)
Vítor lá engolia os espinhos das flores. Com 12,13 anos, poemas como os de Henrique Rego, mais tarde classificados como "fabulosos", desatinavam a sua consciência revolucionária. "Vinha de um bairro operário em Alcântara. 'Bailar à mercê? Nunca vou bailar à mercê de ninguém! Disse logo. Foi uma grande luta e tanto que tenho bailado." Filho de uma costureira que morreu jovem, aos 25 anos, e do "fadista bailarino" Alfredo Duarte Júnior, antigo pintor de automóveis da General Motors, onde também vem a trabalhar, mandava em homens com idade para serem seus pais. Quando já se encontra na Fiat, o então gerente oficial conhece dois responsáveis pelo Hotel Eduardo VIL Pela amizade vêm a saber que é neto de Alfredo. Com 21 anos, começa então a desatar a voz para o fado, com carregada herança nas costas. "Passei a ir para o Galito, em Cascais, onde estava o Zé Inácio (*), que fora porteiro da Adega Machado, o Carlos Zel, etc. Não tinha aspecto mas tinha palheta. Nunca tinha tentado cantar e sentia o peso, o que o meu pai passara por ser filho do Marceneiro. Entrava no Bairro Alto e todos o conheciam. Lá cantei um fado sem saber que cantava." Depois da tropa gravou sozinho e com o avô. Trabalhou em laboratório de fotografia e realizou publicidade. Em 1979 produziu o filme que reuniu as três gerações de fado da família. Foi casado 27 anos com uma prima em segundo grau, com quem teve um filho, que a morte cedo levou. Da actual relação nasceram dois meninos, uma tardia quarta geração que vive o apelido com entusiasmo, entre sete bisnetos do mestre, "Tenho um jeito Marceneiro mas não sou o meu avô. Quem diz que o imito é cretino, porque é impossível imitá-lo. Agora, tenho o ADN do meu avô, é óbvio. Fecho os olhos e sei que ali o meu avô dava aquela voltinha." Vítor, com 64 anos, recorda com saudade a cultura peculiar do avó, de quem escreveu a biografia. Aquele saber à margem dos livros que se fecharam na quarta classe, de quem falava e escrevia com tento pontuado com a sua devida asneira, sem beliscar a língua e insistindo nos acentos tónicos, desafiando a fleuma dos interlocutores durante as entrevistas. Era preciso saber levar e saber escutar. O fadista não gostava de respostas sincopadas. E zelava por algum purismo. "Não sendo um homem retrógrado, no fim até era bastante progressista, nalgumas coisas era retrógrado como eu sou. Se me perguntarem hoje se o fado evoluiu, é claro que evoluiu, mas há uma evolução que vai até um determinado ponto e produção, que eu contesto. Por exemplo, quanto mais simples for tocado o célebre fado menor, à antiga, mais valor tem."
Do Bairro Alto até à Márcia Condessa, na Praça da Alegria, os argumentos ferviam entre gerações. Discutiam de tudo. "Tinha mais a ver com o meu avô do que com o meu pai. Fui criado com ele. Ensinou-me para nunca andar com nenhuma mulher do fado. Era lowprofile. Aliás, a ele nunca lhe conheceram namorada." Nem grande moléstia provocada pelo crivo da censura, ainda que as letras previamente aprovadas tivessem que andar num livrinho debaixo do braço quando ia actuar. Alfredo levava Vítor à revista e ao fabuloso circo no Coliseu, onde engrossavam a chamada claque. A vida não era fácil e com estes bilhetes dados bastava a obrigação de arrancar com as palmas. "A sua própria forma de estar no fado levou a que nunca se conseguisse fixar muito numa casa, daí que mais tarde diziam que andava às esmolas. Não era. Havia era muita gente que para o ouvir o gratificava.” Alfredo só não podia ouvir falar em grandes deslocações. "Nunca quis ir para fora de Lisboa, muito menos para fora de Portugal." Inventava histórias e mais histórias para não arredar pé. Em 1976 desafiaram-no para uma ida ao Coliseu do Porto – Ofereciam alto cachet e punham Mercedes e alojamento à disposição. "Às tantas pergunta-me quantas pessoas leva o Coliseu. 'Umas mil, Ti Alfredo.' Chamou-me aparte. 'Já viste? 200 contos, mais despesas, mesmo que os gajos queiram dar 50 gansos [escudos] para ver a minha tromba multiplica. É tanga! Depois não nos pagam.' Mil e um pretextos arranjados – Arranjadinhos como a merenda que levava consigo: uma carcaça com pastelinhos de bacalhau. Chegavam a ser dez, os comensais espontâneos que disputavam um bocadinho, só pelo prazer de provar a especialidade da mulher, a tia Judite, por quem se enamorou certo dia num baile na Fonte Santa.

(*) Na realidade José Inácio, que era um extraordinário Viola de acompanhamento de Fado, no Galito, tocava guitarra,  e à viola estava o "Pirolito da Ericeira" este sim,  tinha sido porteiro na Adega Machado, este  lapso, a que jornalista é alheia, é da minha responsabilidade pois com o entusiasmo de falar destes acontecimentos poderei tê-la induzido em erro.

 

Considero esta entrevista, na óptica do trabalho da jornalista, muito bem feita e de um rigor exemplar.  Permitam-me destacar que,  Maria Ramos Silva, no decorrer da entrevista me ia fazendo perguntas/reparos muito objectivos às minhas explicações, tendo eu feito uma observação elogiosa aos seus conhecimentos de "Marceneiro" e do Fado, respondeu-me: — Vítor, para além de outras fontes, eu sou visitante assídua dos seu blogue. Fiquei muito "orgulhoso". 

 

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Viva Lisboa: Orgulho nas origens
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

ADA DE CASTRO

 

 Ada Antunes Pereira nasceu na freguesia do Castelo o que a levou a adoptar o nome artístico de Ada de Castro, sinónimo do seu bairro de berço.

 O seu percurso artístico começou quando se tornou actriz amadora no Grupo da Juventude Operária Católica. Nos palcos do teatro Ada de Castro cantava e interpretava os números de Hermínia Silva, que era para si a “referência e fadista preferida”. 

Num ensaio de uma destas revistas amadoras, a locutora Julieta Fernandes ao ouvi-la cantar surpreendeu-se com a sua voz e convidou-a para actuar num programa da Rádio Graça. Seguiram-se 20 dias de actuação na Nau Catrineta e a formalização do pedido de carteira profissional.
A 13 de Março de 1960 Ada de Castro fez a sua estreia como fadista profissional no restaurante Faia, casa típica onde permaneceu durante ano e meio. Desta forma, deixou de cantar os fados de Hermínia e passou a escolher o seu próprio repertório. Conta a própria Ada de Castro que foi “o Ti Alfredo, foi ele que me deu a primeira letra e me ensinou a cantar o meu primeiro fado castiço, o Fado Tango.”
Apesar da profissionalização ser uma decisão difícil para Ada de Castro, por a sua família não concordar que cantasse Fado, no universo fadista recebeu o maior apoio e chegou mesmo a ter duas madrinhas artísticas – Hermínia Silva e Maria José da Guia, as quais, em diferentes ocasiões, colocaram sobre os seus ombros o simbólico xaile fadista.
Ada de Castro não actuou em muitas casas de Fado, depois do Faia fez uma breve passagem pela casa de Carlos Ramos, A Toca, e, em substituição da fadista Fernanda Peres, estabeleceu-se no restaurante Folclore ao longo de 12 anos, entre 1961 e 1973. Posteriormente fez também parte do elenco do Sr. Vinho durante 12 anos.
Após a sua estreia profissional, Ada de Castro prestou provas na Emissora Nacional e passou a integrar a programação em directo, dos serões para trabalhadores, bem como a dos chamados programas de cabine, onde as actuações eram previamente gravadas. Foi também através da Emissora Nacional que gravou o seu primeiro disco, em 1961.
Com a editora Alvorada trabalhou durante 7 ou 8 anos, depois passou pela Valentim de Carvalho, Philips, Estúdio, Movieplay e Ovação. Ada de Castro gravou, ainda, um disco na Holanda, editado pela Polydor naquele país.

 Na sua vasta discografia incluem-se 25 LP´s, 80 singles e EP´s, reedições em CD e participações em várias colectâneas. Dos seus inúmeros sucessos destacam-se temas como "Rosa Caída", "Cigano", "Gosto de tudo o que é teu" ou "Deste-me um cravo encarnado". Ada de Castro foi também uma das mais carismáticas madrinhas das Marchas Populares dos principais bairros de Lisboa e, naturalmente, no seu repertório encontram-se interpretações de temas das Marchas Populares. O seu repertório está disponível em mais de 500 faixas gravadas, entre fados, marchas e fado-canção. 

Numa breve passagem pelos palcos do teatro de revista, a convite de Milton e de Eduardo Damas, estreou-se no Teatro Maria Vitória, na peça "Tudo à Mostra" (1966), onde cantou os temas "Na Hora da Despedida" e "Fado da Guerra". Ao longo das décadas de 1960, 70 e 80, para além de ser presença nos elencos das casas de Fado de Lisboa, Ada de Castro conciliou essas actuações com outras apresentações, nomeadamente no Mercado da Primavera (depois chamado Mercado 25 de Abril), onde actuava num restaurante e num barco; ou noutros restaurantes, como a Varanda do Chanceler e a Varandinha; chegando a cantar 4 ou 5 vezes numa noite. Nos meses de Abril A Setembro a fadista integrava, ainda, a programação “Alfama à Noite”, organizada pelo SNI, onde cantava dois fados na escadaria da Igreja de Santo Estêvão e depois fazia nova actuação no coreto do Largo da Palmeira. Fez estas actuações durante 5 anos.
Ada de Castro apresentou-se com regularidade em programas televisivos, nos casinos e salas de espectáculos espalhadas pelo país e, internacionalmente, efectuou inúmeras deslocações em representação de Portugal, através do SNI (Secretariado de Informação Nacional), bem como actuações junto das diversas comunidades portuguesas.
Acrescente-se que a fadista actuou profissionalmente, em espectáculos ao vivo e programas de televisão, em países como: Espanha, Austrália, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Holanda, Japão, China, França, Itália, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Canadá e toda a antiga África portuguesa. No Mónaco fez uma actuação para a família do príncipe Rainier nos jardins do Palácio Grimaldi. Em 1968, fez uma tournée de mais de 5 meses por todos os Estados brasileiros, a convite do governo daquele país.
Congratula-se por ter conhecido, convivido e cantado com os melhores fadistas, das chamadas décadas áureas do Fado, época de "grandes fadistas e excelentes repertórios". Ada de Castro menciona Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Manuel de Almeida, Tristão da Silva, Fernanda Maria, Maria José da Guia, sem esquecer aquela que denomina sua fonte de inspiração: Hermínia Silva. Também o acompanhamento é digno de nota, uma vez que foi acompanhada por nomes conceituados como António Chainho, José Maria Nóbrega, José Fontes Rocha ou Pedro Caldeira Cabral.
Para Ada de Castro “O Fado não é aquilo que se canta, o Fado está na garganta de quem o canta porque se eu quiser cantar uma canção, ela sai sempre Fado”. Essa sua forma característica e individualizada de interpretação resultou na atribuição de prémios como o de"Melhor Fadista da Quinzena" (1962), por votação do público para o programa da RTP “Eleitos da Quinzena”; o "Óscar para Melhor Fadista do ano" (1967), atribuído pela Casa da Imprensa ou o de "Melhor Fadista do Ano" (1982), pela Revista Nova Gente. Foram-lhe também entregues pelo Rádio Clube Português vários “Elefantes de Ouro” e um “Microfone de Prata”. Ada de Castro classificou-se em 10º lugar no "Disco de Ouro" e, por duas vezes, em 9º lugar no "Concurso Rainha da Rádio e da Televisão".

In: Museu do Fado

 

Ada de Castro

Canta: Deste-me um Cravo Encarnado

 

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Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

FERNANDA MARIA

Maria Fernanda Cavalheira dos Santos (Fernanda Maria), nasceu em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1937, Embora seus pais vivessem na Mouraria, foi registada na freguesia do Socorro, isto porque, sua mãe teve um principio de parto difícil e teve que ser internada no Hospital de S. José, e foi aí que ela nasceu.
Os pais gente humilde e de poucos recursos financeiros, viviam com muitas dificuldades, a mãe tinha que trabalhar e já desde muito pequena ficava em casa e como tinha muito jeito para cantar, fazia o regalo das vizinhas.
O seu gosto por cantar estava ligado ao Fado, era a musica que mais ouvia na rádio, aprendia as letras e logo as cantava, o seu ídolo era Amália Rodrigues a quem ouviu cantar o Fado “Maria Severa”, que foi o primeiro Fado que cantou com acompanhamento de guitarra e viola.
Ao doze anos como era hábito na altura depois de acabar a escola primária, decide procurar emprego e é admitida como empregada de mesas na Parreirinha de Alfama, onde o seu jeito para cantar não passa despercebido e é rara a noite que não canta, sendo sempre muito aplaudida.
Aos 15 anos decide concorrer ao quadro de artistas da Emissora Nacional, ficou apurada mas teve de deixar o emprego na Parreirinha de Alfama, e esteve durante cinco anos em exclusivo para a E.N.
Fernanda Maria foi sempre muito chegada à mãe e como esta ficou sozinha, decide ficar com ela a seu cargo e tem necessidade de arranjar outro emprego para fazer face às despesas. Como já tem um currículum apreciável, apresenta-se e é contratada para o elenco na “ A Severa” no Bairro Alto, ao lado de Alfredo Duarte Júnior, Saudade dos Santos e outros.
Grava vários discos a solo e grava à desgarrada com Alfredo Duarte Júnior e com Alfredo Marceneiro, que foram, e ainda são, grandes êxitos.
Foi convidada como atracção para o Teatro ABC, e fez vários programas para a RTP e continua a ser solicitada pela Emissora Nacional.
Em 1964 é agraciada pela Casa da Imprensa como a “Melhor Fadista do Ano”.
Realiza um dos seus sonhos,  ser proprietária de um restaurante típico,  e assim abre no Bairro Alto o “Lisboa à Noite”.
Fernanda Maria foi casada com o empresário Romão Martins, que infelizmente já não está entre nós.
Fernanda Maria, voz nostálgica, impregnada de sentimento, de saudade, de tragédia e nostalgia, voz que chega aos nossos corações, pois é também uma voz bem timbrada que nos atrai e seduz, é uma mulher com garra e convicções, é bem uma “Castiça Cantadeira de Fados” qualidades que infelizmente vem sendo difícil de encontrar, porque a Alma de Cantadeira de Fados, não é um exercício nem uma aprendizagem, é um dom que Deus dá,  a alguns.
Tenho o grato prazer de conhecer Fernanda Maria desde miúdo, foi a par com mais duas ou três grandes “Senhoras do Fado” hoje “DIVAS”, que me marcaram na minha infância, e que perdura até hoje

  

 Fernanda Maria

Canta: Não passes com ela à minha rua

Fado Alberto

 

 

 

Fernanda Maria

Poema de Carlos Conde

 

Quando a Fernanda Maria

Canta o que sabe cantar,

Pôe na voz toda a magia

Que o fado tem p´ra nos dar!

 

E ao coar pela garganta

Essa toada dolente,

Sabe sentir o que canta

Porque só canta o que sente!

 

P´la voz que a todos seduz

Tem o nome consagrado,

De uma estrela que reluz

No firmamento do Fado!

 

 

 

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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016

O Carnaval

O CARNAVAL EM PORTUGAL

No calendário cerimonial anual português, o Carnaval é um dos mais importantes "ciclos" festivos. Assume particular destaque atualmente nos meios urbanos, mas possui, ao mesmo tempo, ainda características muito próprias nos meios rurais tradicionais. Aqui é anunciado, por exemplo, ainda antes dos três dias que decorrem entre o Domingo Gordo e a Terça-Feira Gorda, por celebrações preparatórias, dir-se-ia, como, por exemplo, as dos "dias dos compadres e das comadres". Os antropólogos conotam a estas celebrações rituais de glorificação do próprio grupo sexual no respetivo dia - homens na quinta-feira dos compadres e mulheres na quinta-feira das comadres (esta tradição é muito forte em Lazarim, Lamego). As troças (com uso de chocalhos, como no Alto Alentejo), perseguições e solidariedade dentro de cada grupo (no dia das comadres, até as mães são "contra" os filhos varões e os pais, no dos compadres, "contra" as filhas", por exemplo) são as marcas visíveis destes festejos, para além da exibição de bonecos jocosamente alusivos ao "outro sexo" nos dias de cada grupo (compadres ou comadres). Cotejos próprios de cada grupo ou casamentos fictícios, por sorteio, ocorrem em certas regiões, como no Alentejo. Outras regiões há em que as mulheres dão aos homens uma refeição melhorada, no dia das comadres, retribuindo os compadres, no seu dia, aquele favor culinário.Quanto ao Carnaval propriamente dito, os seus rituais são mais ou menos comuns a todo o País, à exceção dos "cardadores" de Ílhavo ou das danças de Carnaval na ilha Terceira, Açores. As características comuns do Carnaval em Portugal são essencialmente quatro:

- ausência completa de restrições alimentares quantitativas e qualitativas, com a ingestão de carnes de toda a espécie, desde a orelheira no Norte ao galo em outras regiões, para além das sobremesas da quadra como o arroz doce e as filhoses. Os bodos são um exemplo festivo desta componente alimentar. Os excessos alimentares carnavalescos são entendidos, por outro lado, como contraponto aos jejuns e abstinências quaresmais.- uso de máscaras, essenciais nos festejos mas sem relação alguma com rituais específicos, como noutras regiões da Europa (Veneza, Colónia...)

- exibição e destruição de manequins/bonecos de tipo burlesco, com carácter jocoso, visível nas paródias aos enterros (como o do "João").

- As "pulhas" carnavalescas, ou sátiras de acusação e provocação, direta e humorística, por vezes com tom ofensivo.

Estas três últimas constantes revelam outra oposição - a da transversão ou subversão momentâneas da ordem normal (sem desacatos organizados), licenciosidade, certa rutura, excessos - à Quaresma, tempo de rigor e disciplina, contenção e discrição. Estas características podem ser vistas também numa perspetiva de comemoração da transição entre dois ciclos, o do inverno e o da primavera, com o Carnaval a antecipar os rituais ligados a ideias de regeneração da fertilidade ou de retorno à abundância, as quais marcam as cerimónias do ciclo primaveril. Os mais conhecidos carnavais de Portugal são os de Loulé, Ovar, Torres Vedras, Canas de Senhorim, Madeira, Alcobaça ou da Mealhada, alguns mesclados com tradições importadas - do Brasil ou de Itália - mas espontaneamente assimiladas pelos foliões portugueses e perfeitamente enquadradas no carácter de liberdade e animação popular.

In: Infopedia

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