Terça-feira, 29 de Março de 2016

ACORDO ORTOGRÁFICO... ou será TORTOGRÁFICO !!!

O AUTOR DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA  " a mutilação da ESCRITA portuguesa" 

 O ACORDO ORTOGRÁFICO

 

Escrevia em 1986 Miguel Esteves Cardoso

 

 

 O Acordo Tortográfico

Como os filólogos da República da Guiné-Bissau não puderam estar presentes na recente reunião para o Novo Acordo Ortográfico, estamos todos à espera da sua ratificação para saber como é que nós, os Portugueses, vamos escrever a nossa própria língua. E esta? De qualquer modo, os grandes peritos de São Tomé e Príncipe, de Angola, do Brasil e dos outros países de «expressão oficial portuguesa» já se pronunciaram. A República da Guiné-Bissau, porém, também terá a sua palavra a dizer. Muito provavelmente, uma palavra escrita à maneira deles; mas não faz mal. Nas palavras de Fernando Cristóvão, 1986 é o ano que marca a nascença da lusofonia. A grandiosa lusofonia está, obviamente, acima da mera língua portuguesa.

 

A lusofonia é uma espécie de estereofonia, só que é melhor. A estereofonia funciona com dois altifalantes, enquanto a lusofonia funciona com mais de cem milhões. Para mais, os falantes da lusofonia têm a vantagem de ser feitos na África e na América do Sul, o que lhes confere uma sonoridade nova e exótica. Para instalar uma aparelhagem lusofónica devidamente apetrechada, são necessários complicados componentes tupis, quimhomguenses, umbandinos e macuas. Enfim, coisas que não se fabricam na nossa terra. A partir de 1986, todos os povos a quem uma vez chegou a língua portuguesa podem contar com um lusofone em casa. Um lusofone é um aparelho que permite a qualquer indígena falar e escrever perfeitamente esta nova e excitante língua, que poderá passar a chamar-se o brutoguês.

 

Para haver lusofonia, nada pode ser como dantes. Os Lusíadas passarão a conhecer-se por Os Lusofoníadas. Se dantes havia a língua portuguesa e a sua particular ortográfica, agora passa a haver a língua brutoguesa e a sua ainda mais particular tortografia. A tortografia, conforme se estabeleceu no Acordo Lusofónico de 1986, consiste em escrever tudo torto. As bases da tortografia assentam numa visão bruta da fonética. Por outras palavras, se a lusofonia é uma cacofonia de expressão oficial brutoguesa, a tortografia consiste fundamentalmente no conceito da cacografia. Dantes, cada país exercia o direito inalienável de escrever a língua portuguesa como queria. As variações ortográficas tinham graça e ajudavam a estabelecer a identidade cultural de cada país. Agora, com o Acordo Tortográfico, a diferença está em serem os Portugueses a escreverem como todos os outros países querem. Como todos os países passam a escrever como todos querem, nenhum país pode escrever como ele, sozinho, quer.

 

As ortografias tupis e crioulas, macumhenses e fanchôlas passarão a escrever-se direito por letras tortas. O Prontuário passa a escrever-se «Prontuario», rimando com «desvario» e «CUF-Rio». O Abecedário passa a escrever-se «Abecedario», em homenagem a Dario, grande Imperador da Pérsia, que, por sua vez, se vai escrever «Persia», para rimar com «aprecia», já que qualquer persa aprecia uma homenagem, mesmo que seja só uma simples omenagem. Já dizia acentuadamente Fernando Pessoa que «a minha pátria é a língua portuguesa». Agora passa a dizer desacentuadamente «a minha patria é a lingua portuguesa», em que «patria» deixa de ser anomalia e «lingua» é mesmo assim, nua e crua.

 

Será possível imaginar os ilustres filólogos de Cabo Verde a discutir minúcias de etimologia grega com os seus congéneres de Moçambique? Imagine-se o seguinte texto, em que as palavras sublinhadas serão obrigatoriamente (para não falar nas grafias facultativas) escritas pelos Portugueses, caso o Acordo seja aprovado: «A adoção exata deste acordo agora batizado é um ato otimo de coonestação afrolusobrasileiria, com a ajuda entreistorica dos diretores linguisticos sãotomenses e espiritossantenses. Alguns atores e contraalmirantes malumorados, que não sabem distinguir uma reta de uma semirreta, dizem que as bases adotadas são antiistoricas, contraarmonicas e ultraumanas, ou, pelo menos, extraumanas.

 

«No entanto, qualquer superomem aceita sem magoa que o nosso espirito hiperumano, parelenico e interelenico é de grande retidão e traduz uma arquiirmandade antiimperialista. Se a eliminação dos acentos parece arquiiperbolica e ultraoceanica, ameaçando a prosodia da poesia portuguesa e dificultando a aprendizagem da lingua, valha-nos santo Antonio, mas sem mais maiúscula.» A escrever «O mano, que é contraalmirante, não se sabe mais nada, mas não e sobreumano»? O que é que deu nos gramáticos de além-mar (ou escrever-se-á alemar?)? A tortografia será uma doença tropical assim tão contagiosa?

 

Os Portugueses, no fundo, assinaram um Pacto Ortográfico que soube a Pato. Ninguém imagina os Espanhóis, os Franceses ou os Ingleses a lançarem-se em acordos tortográficos, a torto e a direito, como os Portugueses. Cada país – seja Timor, seja o Brasil, seja Portugal – tem o direito e o dever de deixar desenvolver um idioma próprio, Portugal já tem uma língua e uma ortografia próprias. Há já bastante tempo. O Brasil, por sua vez, tem conseguido criar um idioma de base portuguesa que é riquíssimo e que se acrescenta ao nosso. Os países africanos que foram colónias nossas avançam pelo mesmo caminho. Tentar «uniformizar» a ortografia, em culturas tão diversas, por decretos aleatórios que ousam passar por cima dos misteriosos mecanismos da língua, traduz um insuportável colonialismo às avessas, um imperialismo envergonhado e bajulador que não dignifica nenhuma das várias pátrias envolvidas. É uma subtracção totalitária.

A ortografia brasileira tem a sua razão de ser, e a sua identidade própria. Quando lemos um livro brasileiro, desde um «Pato Donald» ao Guimarães Rosa, essas variações são perfeitamente compreensíveis. Até achamos graça, como os Brasileiros acham graça à nossa. Tentar «uniformizar» artificialmente a ortografia, para além das bases mínimas da Convenção de 1945, é da mesma ordem de estupidez que pretender que todos aqueles que falam português falem com a pronúncia de Celorico ou de Salvador da Bahia. É ridículo, é anticultural e é humilhante para todos nós. Se não tivessem já gozado, era caso para mandá-los gozar com o Camões.

 

Imaginem-se os biliões de cruzeiros, escudos, meticais, patacas e outras moedas que vai custar a revisão ortográfica de todos os livros existentes. Imagine-se o distanciamento escusado que se vai causar junto das gerações futuras, quando tentarem ler escorreitamente os livros do nosso tempo. Sobretudo, imagine-se a desautorização e a relativização que o acordo implica. Amanhã, uma criança há-de escrever esperanssa e quando for chamada à atenção, dirá «Tanto faz, que estão sempre a mudar, e qualquer dia desaparecem os cês cedilhados». Ou responderá, muito simplesmente: «Pai, mas é assim que se escreve em Cabo Verde!»

 

A língua portuguesa nasceu do latim – toda a gente sabe. Um dia, a língua brasileira, e a língua são-tomense, e a língua angolana serão também línguas novas e fresquinhas que nasceram da língua portuguesa. Ninguém há-de respeitar menos a língua por causa disso. (Nós também não desrespeitamos o latim.) As línguas são indissociáveis das culturas e das histórias nacionais, e elas são diferentes em todos os países que hoje falam português à maneira deles. A maneira deles é a maneira deles, e a nossa é a nossa. A única diferença é que Portugal já há muito achou a sua própria maneira, tanto mais que a pôde ensinar a outros povos, e é um ultraje e um desrespeito pretender que passemos a escrever como os Moçambicanos ou como os Brasileiros. Eles são países novinhos. Nós somos velhinhos. E não faz sentido ensinar os velhinhos a dizer gugudadá, só para que possam «falar a mesma língua» que as criancinhas.

 

Sem império, Portugal tem ainda a dignidade de ter sido Império. Mas há um feitio mesquinho que se encontra em muitos portuguesinhos de meia-tigela, que consiste em ter medinho que as ex-colónias se esqueçam de nós. Estes acordos absurdos são sempre «ideia» dos Portugueses, armados em donos de uma língua. A verdadeira dignidade não é essa – é soltar a língua portuguesa pelo mundo fora, já que a sua flexibilidade é uma das suas maiores riquezas. Aquilo que já aconteceu – haver um português brasileiro, um português angolano, um português indiano – é prova gloriosa disso. Mas quando os Portugueses desejam meter-se na vida linguística dos outros, é natural que os outros também se metam na nossa. Os próprios participantes deste último Acordo parecem ter perdido completamente a cabeça, aceitando normas ortográficas disparatadas para a língua portuguesa de Portugal. Sem ingerências da nossa parte, seriam inaceitáveis as ingerências dos outros. O Acordo agora proposto ao Governo – que o Governo deveria ler muito cuidadosamente, antes de consigná-lo, entre saudáveis gargalhadas, ao caixote de lixo da história – é uma mistura diabólica e patética de extremo relaxamento ortográfico («Tudo vale, seja na Guiné, seja em Loulé») e de inadmissível sobranceria cultural («Tudo vale, mas nós é que temos de dar o aval»). Faz lembrar aqueles miúdos que dizem «Eu faço o que vocês disserem, desde que eu possa ser o chefe».

 

Dizem que é «mais conveniente». Mais conveniente ainda era falarmos todos inglês, que dá muito mais jeito. Ou esperanto. Dizem que a informática não tem acentos. É mentira. Basta um esforçozinho de nada, como já provaram os Franceses e já vão provando alguns programadores portugueses. Dizem que é mais racional. Mas não é racional andar a brincar com coisas sérias. A nossa língua e a nossa ortografia são das poucas coisas realmente sérias que Portugal ainda tem. É irracional querer misturar a política da língua com a língua da política.

O que vale é que, neste mesmo momento, muitos Portugueses – escritores, jornalistas e outros utentes da nossa língua – estão a organizar-se para combater esta inestética monstruosidade. Que graça tinha se se fizesse um Acordo Ortográfico e nenhum português, brasileiro ou cabo-verdiano o obedecesse. Isso sim, seria um acordo inteligente. Concordar em discordar é a verdadeira prova de civilização.

 

O Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa é uma pequena instituição nobre dos nossos dias, hoje ameaçada de perder três acentos de uma só penada pseudo-legislativa. Por trás das indicações úteis do Prontuário estão os labores recentes de grandes heróis nacionais como o Professor Rebelo Gonçalves e o Professor Gonçalves Viana. Os dois mais importantes livros do primeiro (o Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa e o Vocabulário da Língua Portuguesa), bem assim como as obras anteriores do segundo (a Ortografia Nacional e o Vocabulário Ortográfico e Remissivo) são peças fundamentais de qualquer biblioteca.

 

Dos dois autores do Prontuário, Magnus Bergström e Neves Reis, é o primeiro o mais misterioso. Circulam a respeito dele lendas importantes. Para uns, será um sábio islandês, isolado nalguma remota ilha polar, estudando afoitamente o emprego do hífen e as razões que levaram os gramáticos portugueses a abolir o trema. Para outros, Magnus Bergström é o pseudónimo de algum ilustre estudioso português, ansioso por não ver o seu nome académico associado a um mero prontuário.

 

Seja como for, o Prontuário editado pela Editorial Notícias tem conseguido levar a melhor sobre os rivais, num campo onde os Portugueses sempre foram bons e aplicados. Quando aparecer, o Prontuário Tortográfico e Guia do Linguajar Brutoguês, o nosso Prontuário acentuadamente nosso há-de lhe limpar sumariamente o sebo.

Miguel Esteves Cardoso

Nota: Quem sou eu para opinar, mas esta "análise" do Dr. Miguel Esteves Cardoso, dá muito que pensar,  até a um eletrado como eu... e como vai ser com as letras (poemas) do Fado?

O destaque e o sublinhado não está no texto original, foi da minha lavra, com a intenção de dar maior destaque ao "absurdo"!!

Nota: Esta página foi publicada pela primeira vez em 20 de Dezembro de 2011

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Domingo, 27 de Março de 2016

DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 de Março de 2016 - LEMBRAR....O Maria Vitória, o que se passa

Isto publiquei em Julho de 2011... houve algum seguimento? Amigo Helder Freire, algo vai mal também do vosso lado? Tudo me leva a crer que é mais importante o protagonismos de algumas pessoas (sempre os mesmos) do que avançar com a recuperação..!!??
 
Fórum Cidadania defende Maria Vitória como "templo da revista"
Lisboa, 25 Jan (Lusa) - O Fórum Cidadania Lisboa apresentou ao concurso de ideias para o Parque Mayer um projecto que prevê a manutenção do Maria Vitória como teatro para revista e a transformação do Palacete Ribeiro da Cunha num hotel de charme.
    O prazo para entrega de candidaturas para o concurso de ideias do Parque Mayer e zona envolvente promovido pela Câmara de Lisboa termina hoje, e a partir dos melhores projectos será elaborado o plano de pormenor para a zona.
    A proposta da associação de cidadãos Fórum Cidadania Lisboa prevê a demolição do teatro ABC , a totalidade dos restaurantes, os acrescentos ao teatro Capitólio, o anexo que tapa a fachada sul do Teatro Maria Vitória e o antigo guarda-roupa Paiva.
   
O Fórum Cidadania Lisboa defende a reabilitação do Capitólio, segundo o projecto original do arquitecto Cristino da Silva, preparado para projecção de Cinema, avançando com a possibilidade de instalação de um núcleo do Museu de Cinema (Cinemateca).
    O Teatro Variedades é visto como uma boa “sala polivalente, preparada para teatro, concertos de jazz, ensaios da Companhia de Bailado de Lisboa, locais de ensaios de coros”.
    O Teatro Maria Vitória deve, segundo o Fórum Cidadania Lisboa, manter-se como “templo da revista”, “100 por cento afecto ao teatro de revista”. 
 
   A associação propõe que seja instalada no Parque Mayer uma “loja âncora multimédia/livraria” para o local do teatro ABC .
    Na zona ocupada pelo guarda-roupa Paiva, é proposta a instalação de galerias de arte.
    Para o Palacete Ribeiro da Cunha, na zona envolvente ao Parque Mayer, a associação defende a “abertura de um hotel verdadeiramente de ‘charme’, sem esventramento dos jardins”.
    Este palacete está em processo de classificação no IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico), e já está abrangido pela Zona Especial de Protecção da Mãe de Água e do Jardim Botânico.
    O Fórum Cidadania defende a “construção de um parque de estacionamento subterrâneo no actual parque à superfície da Rua do Salitre, com capacidade para 300 viaturas, e estacionamento à superfície, com plantação de árvores em caldeira”.
    A associação é contra a construção de um parque de estacionamento da Avenida da Liberdade, à entrada do Parque Mayer, como é defendido no PUALZE ( Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente), nem no próprio recinto.
    Segundo o Fórum Cidadania há “três perigos potenciais” de fazer um estacionamento subterrâneo no Parque Mayer: “o cruzamento do túnel ferroviário do Rossio, a existência de lençóis freáticos e impacto nas espécies do Jardim Botânico”
Lusa - ACL .
 
Provavelmente, alguém falou também em criar um espaço para dar "Fado", mas como o espaço que restava era minúsculo , ficava junto aos urinóis , acharam por bem nem  sequer o referir. Outros terão levado em consideração que, o Fado poderia trazer ao novo espaço mais sofisticado, "a ralé" que "bate o Fado", isto em relação ao Fado na sua vertente original, ou ainda àqueles que com eu,  se lembram das farturas, das barracas dos tirinhos e dos carrosséis , etc. 
Em relação ao Fado dos "concertos" encaixa-se perfeitamente ao lado do Jazz, nos Bailados, no Flamenco e nos Fados do "investigador!!!" de Fado,  Carlos Saura, e do cantor Carlos do Carmo (veja-se a sua obra prima no filme Fados)

Nota: Este texto é pura ficção , qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência e, é da minha inteira responsabilidade — Vítor Duarte Marceneiro — obviamente que estou solidário com a recuperação do Parque Mayer, mas não haver uma referência ao Fado, na utilização dos espaços, dá-me vontade de.... não digo mais nada

 

           

           

 

 

Recordamos mais uma vez quem foi Maria Vitória

 

MARIA VITÓRIA, foi outra artista do teatro idolatrada pelo público e que tam ­bém se acompanhava à guitarra. Nasceu em Málaga em 3-3-1888, mas veio em criança com a mãe para Lisboa, cidade onde foi educada num convento de freiras.

Com uma bonita figura, morena, olhos e cabelos negros, estava, porém, talhada para uma vida turbulenta e efémera, tal como Júlia Mendes, devido ao seu temperamento em que sentimentalismo e sensualidade se misturavam, prevalecendo sobre os princípios em que se iniciara. Optando pelo caminho da boémia, do desregramento, vivendo dema­siadamente depressa, sacrificou a sua juventude generosa imolando-se aos 27 anos quando se encontrava no apogeu de uma prometedora carreira de actriz e de fadista.

Andou pelas feiras em pândegas e noitadas até que surgiu a cantar o fado na taber­na Flor da Boémia, da Travessa da Espera, n.o 11, de que era proprietário um tal Joaquim Rato, que foi um dos seus vários amantes. E logo aí deu origem a um drama, porquanto um filho do Rato, apaixonando-se por ela e não sendo correspondido, viria a morrer tuberculoso.

Criando à sua volta uma roda de admiradores, Maria Vitória estrear-se-ia como actriz em 1908 no Casino de Santos, donde transitou para o Salão Fantástico e daí para o Teatro da Rua dos Condes, à porta do qual foi protagonista de uma célebre cena de ciúmes em que a rival, outra actriz então em voga, lhe sofreu os desabrimentos de mu­lher temperamental e impulsiva.

Contratada pelo empresário Luís Galhardo, actuou, em 1913, na revista "O 31", levada à cena no Teatro Avenida, onde desempenhou os papéis de Estúrdia, de Alzira Fadista (3) e de Guines do dueto Arco de Santo André. O seu grande sucesso foi, então, o Fado do 31, cuja popularidade transpôs as fronteiras e se estendeu até à Espanha.

Minada pela tuberculose, depois de uma breve passagem pelo Caramulo donde fugiu para voltar para o teatro, Maria Vitória, cuja carreira teatral não foi além de sete anos, viria a falecer na sua residência da Rua de Nova da Piedade, n.o 1-r/c, em 30-4-1915, sendo inumada no cemitério de Benfica.

Desaparecida do palco da vida, com o decorrer do tempo ela havia de se transfor­mar numa figura lendária, celebrada como actriz (que deu o nome a um teatro do Parque Mayer, inaugurado em 1922) e como fadista afamada (a quem o cantador Francisco Viana dera em 1908 lições de canto), intérprete de fados que tiveram enorme audiência.

Entronizada como cantadeira que deu brado teve, naturalmente, o seu Fado Maria Vitória, com letra de Pereira Coelho e música de Alves Coelho, os mesmos autores do Fado do 31.

Na reabertura em Fevereiro de 1990 , o teatro foi acossado por um violento incêndio, que o  destruiu. Na inauguração a figura de Maria Vitória foi recriada por Marina Mota.

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Sexta-feira, 25 de Março de 2016

Alfredo Marceneiro - Fado Larangeira

DEPOIS DE TE BEIJAR, A BOCA PURPURINA

UM NOME ALI GRAVEI, O TEU NOME ... MARIA

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Alfredo Marceneiro canta Fado Laranjeira

letra de Júlio César Valente e música  (Fado Laranjeira) de Alfredo Marceneiro

 

 

.

"LARANJEIRA FLORIDA"

 

Letra de: Júlio César Valente

Música: Fado Alexandrino Laranjeira de Alfredo Marceneiro

 

 

Em tenra a laranjeira

Ainda pequenina

Onde poisava o melro

Ao declinar do dia

Depois de te beijar

A boca purpurina

Um nome ali gravei

O teu nome Maria

 

Em volta um coração

também com arte e jeito

Ao circundar teu nome

A minha mão gravou

Esculpi-lhe uma data

E o trabalho feito

Como selo de amor

No tronco lá ficou

 

Mas no rugoso tronco

Eu vejo com saudade

O símbolo do amor

Que em tempos nos uniu

Cadeia de ilusões

Da nossa mocidade

Que o tempo enferrujou

E que depois partiu

 

E à linda laranjeira

Altar pregão d´amor

Que tem a cor da esperança

A cor das esmeraldas

Vão as noivas colher

As simbólicas flores

Para tecer num sonho

As virginais grinaldas     

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Alfredo Marceneiro - Oh! Águia

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Alfredo Marceneiro canta:

OH! ÁGUIA

Poema de Henrique Rego - Musica Armandinho

 

 

" OH ÁGUIA "

 

Letra de Henrique Rego -  Música de Armandinho

Oh águia que vais tão alta

Num voar vertiginoso

Por essas serras d´além

Leva-me ao céu, onde tenho

A estrela da minha vida

A alma da minha mãe

 

Loucos sonhos juvenis

Fervilham na minha mente

Que me fazem ficar chorando

Quando tu águia imponente

Te vejo transpor voando

As serras e os alcantis

 

Quando te vejo voar

Pelo vasto firmamento

Sobre as campinas desertas

Com profundo sentimento

Tu em meu peito despertas

Sonhos que fazem chorar

 

Oh velha águia altaneira

Vem aliviar-me, vem

Do mal que me vem o ferir

Vê se ao céu, me transportas

Para de beijos cobrir

A alma de minha mãe

 

 

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Alfredo Duarte Júnior - Filho de Marceneiro - Fadista Bailarino

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Alfredo Duarte Jr. canta Um Resto de Mouraria

Letra de Carlos Conde

Música de Martinho D´Assunção

 

 

 

 

UM RESTO DE MOURARIA

 

Autor da Letra: Carlos Conde

Autor da Música:       Martinho d'Assunção

Intérprete: Alfredo Duarte Júnior

 

Daquela viela antiga

De bairro mal afamado

Vinha um resto de cantiga

E um vago sabor a fado

 

E vi de longe, da esquina,

Uma imagem de Jesus,

Uma luz de lamparina

E uma sombra aos pés da cruz.

 

O fado era a saudade, era uma reza,

E a voz um precipício de tristeza.

Era a amargura a cantar,

Era a voz da nostalgia

A chorar

P’la Mouraria.

 

Banco de pinho a um lado,

De outro lado um canapé

E um Cristo crucificado

Iluminado p’la fé.

 

Meu olhar turvou de pranto,

Era tudo quanto via

Naquele velho recanto

De um resto de Mouraria.

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Segunda-feira, 21 de Março de 2016

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE - Elemento essencial da defesa do ambiente

NUNCA É DEMAIS LEMBRAR... Vem aí o verão... como vai ser?

ORAÇÃO DA ÁRVORE

 

Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal, olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de Inverno;
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de Agosto;
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
A t á bua  da tua mesa, a cama em que tu descansas
E o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada,
A madeira do teu berço, o aconchego do teu caixão.
Eu sou o pão da bondade e a flor da Beleza.
TU QUE PASSAS, OLHA-ME E NÃO ME FAÇAS MAL.

     

 

 

Poema de Veiga Simões, Arganil, Maio de 1914

VideoClipe: Realização Vítor Duarte Marceneiro

Poema dito por Vítor Duarte Marceneiro

Figurantes: Alfredo Duarte e Beatriz Duarte (4ª Geração de Marceneiro)

Ideia recolha de fotos na net: Alfredo Duarte

Palavras ditas por: Vitor Duarte Marceneiro

Música: Fado Ana Maria de Alfredo Marceneiro

Interprete: Arménio de Melo à Guitarra. Viola Jaime Santos, Viola Baixo José Elmiro



É justo relembrar El Rei D. Dinis, O Lavrador, que no meu tempo da primária. tinhamos que saber, que entre vários feitos, mandou plantar o pinhal de Leiria, parece que hoje não é importante, mas esta ideia do meu filho Alfredo, serviu também para eu  lhe falar deste nosso rei, porque na escola ainda não falaram "destas coisas"!

 El Rei D. Dinis, foi um dos mais marcantes vultos do Portugal medieval. Protector da agricultura, mandou plantar  o pinhal de Leiria e povoou o litoral. Criou a Universidade e abriu horizontes culturais à Nação. O rei “Trovador”, famoso pelas suas românticas cantigas de amigo, foi uma espécie de inventor da elegância. Destacou-se a escrever e tornou o português na língua oficial do País. Rei poeta, cortejou as artes.

  

Pinhal de Leiria

 

 Nota: Este tema já teve uma página neste blogue em 15 de Outubro de 2008

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Domingo, 20 de Março de 2016

Vítor Duarte Marceneiro... Diz Janela da Vida de Carlos Conde

Vítor Duarte Marceneiro, diz o poema "Janela da Vida" da autoria de Carlos Conde, com fundo musical da Fado Viela de Alfredo Marceneiro. Foi gravado em 1994 no 1º aniversário da SIC.

Este poema foi feiro para o repertório de Alfredo Marceneiro em 1926, mas foi proibido pela censura.

 

"JANELA DA VIDA"

Letra de: Carlos Conde
Música: Marcha de Alfredo Marceneiro

 

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Sábado, 19 de Março de 2016

DIA DO PAI- FADOS DA MINHA VIDA

FADO é sorte, desde o berço até à morte

ninguém foge por mais sorte

ao destino que Deus quis.....

(Silva Tavares)

Alfredo Rodrigo e Eu.jpg

Eu com o meu falecido filho Alfredo Rodrigo Duarte

Que Deus me o levou em Setembro de 1995

 Saúdo todos os pais do mundo, hoje é um dia de alegria, mas  para muitos  pais, o  coração chora e sorri, chora quem tem a dor de ter perdido um filho, e sorri, qquem têm a bênção de ter outros,  que neste dia lhe darão uma  lembrança, que por mais simples que seja,  nos enche de felicidade  e orgulho. 

Tive um filho

Deus levou-mo

Fez-me guerra

Pôs uma estrela no céu

E uma saudade na terra

(Carlos Conde)

Este é um dia em que recordo com saudade, e lágrimas nos olhos, o meu pai, o pai do meu pai, e o meu filho, que Deus me levou... Três Alfredos da minha vida... do meu Fado...

Mas Deus que tudo destina... tirou-me com uma mão... mas deu-me com a outra.... deu-me outro Alfredo e uma Beatriz... mas no meu coração está sempre  um lugar guardado, com a recordação daquele, que em vez de me ver partir...partiu.

Mas mais logo,  terei a alegria dos meus dois filhinhos, o Alfredo e a Beatriz,  me trazerem a sua prendinha, será decerto aquele cartãozinho com pinturas que as suas infantis fantasias idealizam, mas que têm sempre escrita,  a frase sentida e sincera, como só as crianças  sentem... És o melhor pai do mundo!!, tal como no passado tive, e que guardo com muito amor.

 

 Vito&Filhos.JPG

Os meus filhos Alfredo e Beatriz

Alfredo Rodrigo Duarte II ( 1971- 1995 )

 

Os meus saudosos e chorados Alfredo´s

Alfredo Figueiredo Duarte  (1924 - 1999)

Alfredo Rodrigo Duare I (1891 - 1982

Alfredo Rodigo Duarte II (1971- 1995)

 

               MANUEL DIAS canta uma criação de Maria Emília Ferreira

AMOR DE PAI

Letra de: Armando Neves

Música de: Franklim Godinho

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Sábado, 12 de Março de 2016

O Fado de Cada Um - Cinema Paris e como conheci Amália

 

Cinema-Paris.1_thumb.jpg

 

A primeira vez que entrei numa sala de cinema, foi para ver o filme, História de uma Cantadeira interpretado por Amália Rodrigues, o filme estava em exibição no Cinema Paris, à Estrela ( o edificio ainda lá está, embora em ruinas), quem me levou foi  minha tia Aida, naquele tempo os miúdos desde que acompanhados por um adulto, não pagavam bilhete, mas teriam que ficar sentados ao colo do adulto, se a lotação estivesse esgotada.

 

Vítor Marceneiro aos 6 anos

 


Tinha cerca de 6 anos e recordo que  fartei-me de chorar, é que  minha mãe tinha falecido há relativamente pouco tempo, e aquela "linda senhora do filme", fez-me recordá-la,  vendo a foto de minha mãe, poder-se-à entender como para uma criança haviam tais parecenças, minha mãe tinha falecido há pouco menos de um ano, tinha 25 anos de idade e foi a trazão porque fui viver com os meus avós.

 

 

Mariete Duarte mãe de Vítor Marceneiro

 

Passado que foram alguns meses, venho a conhecer a tal "linda senhora!", e pasme-se,  ela era uma grande amiga do meu avô,  foi numa manhã em que ela após uma das muitas noites  de Fado que estiveram juntos,  Amália deu-lhe uma boleia  para casa,  ía sempre cumprimentar a minha avó  e acabava  também por ficar a comer uma sopa da "Ti Judite, pois é,  a tal senhora era a saudosa Amália Rodrigues. 

 

Apontamento retirado do filme

História de uma Cantadeira

Amália canta "O Fado de Cada Um"

 

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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Fados do meu Fado - O Bairro onde nasci..ALCÂNTARA

Vitor na Puberdade.jpg

 Foto da minha juventude ao meu lado esquerdo o Zézinho e ao meu lado direito o Fernandinho eu era o Vitó

Fados do meu Fado

Meu avô conheceu a minha avó no Bairro de Alcântara

Meu pai conheceu a minha mãe no Bairro de Alcântara, pois minha mãe era natural de Alcântara

Meus pais casaram no Bairro de Alcântara na Igreja de S. Pedro de Alcântara

Eu nasci no Bairro de Alcântara,  na Rua Possidónio da Silva, mais conhecida pela Fonte Santa, fui baptizado na Igreja de S. Pedro de Alcântara.

Fiz o Curso Industrial na Escola Marquês de Pombal em Alcântara.

O meu primeiro emprego aos 17 anos foi na General Motors Lisboan, ficava na Rua da Cozinha Económica, em Alcântara.

Actualmente vivo no Cadaval, mas, sempre com saudades da minha Lisboa e da minha freguesia, gostaria, tal como meu avô idealizou, o poeta escreveu e a DIVINA PROVIDÊNCIA, lhe concedeu.

 

QUE DEUS ME DÊ A GRAÇA, A ALEGRIA

NESTA VIDA TÃO CHEÍNHA DE DESGOSTOS

A IR MORRER NA MINHA FREGUESIA.... ALCÂNTARA

 EU AMO LISBOA

Poema dito por Luís Gaspar


 

O MEU BAIRRO... ALCÂNTARA

Alcântara é uma freguesia portuguesa do concelho de Lisboa, o seu nome deriva do árabe al-qantara, que significa "ponte", assim se chamava a ponte que atravessava a ribeira nessa área, que acabou por se chamar ribeira de Alcântara.

Alcântara era, no início do séc. XX, um dos principais bairros republicanos que conspirava contra a monarquia e onde se planeavam formas de instaurar uma república. Após a Proclamação da República Portuguesa, em 1910, as greves sucederam-se umas às outras devido a grandes conflitos sociais. Alcântara, já durante a ditadura salazarista, continuava a albergar grupos revolucionários, reprimidos pelo Regime.

Durante o séc. XX muita coisa mudou em Alcântara, que muito influenciou o futuro da freguesia, destacam-se a arborização do Parque Florestal de Monsanto (1937); a construção do Bairro do Alvito (1936 - 1937), da Estação Marítima de Alcântara (1943), da Avenida de Ceuta (1944 - 1951) e do Pavilhão da FIL (1957); a inauguração do Estádio da Tapadinha (1945), entre outros.

 

A Igreja de São Pedro em Alcântara, situa-se na freguesia de Alcântara, no concelho de Lisboa, na Calçada da Tapada.

Esta igreja paroquial, foi erigida em 1782, tem traços semelhantes á Basílica da Estrela, embora de dimensões mais reduzidas.

São Pedro de Alcântara, de nome verdadeiro Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcántara, Extremadura, 1499 — Arenas de San Pedro, Castela e Leão, 18 de Outubro de 1562) foi um frade franciscano espanhol.

Nasceu no seio de uma família nobre. Estudou Direito na Universidade de Salamanca, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no convento de São Francisco de los Majarretes, perto de Valência de Alcântara, onde toma o nome de frade Pedro de Alcântara.

Viajou até Portugal para reformar uma das Províncias Franciscanas da altura. Estabeleceu-se na Serra da Arrábida, no século XVI, sendo bastante apreciado pelo rei D. João III. Fundou uma série de mosteiros para os chamados Arrábidos (ou Capuchos, noutras zonas do país). Escreveu toda a regra da comunidade em Azeitão. Mais tarde os Arrábidos foram colocados no Convento de Mafra por D. João V. Acabaram por ser expulsos quando da implantação do Liberalismo e foram reintegrados na Ordem Franciscana.

 

Escreveu o "Tratado da Oração e Meditação".

Foi beatificado pelo papa Gregório XV em 1622 e canonizado por Clemente IX em 1669.

 

 

A aparição de João Capistrano a Pedro de Alcântara. Luca Giordano

 

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Terça-feira, 8 de Março de 2016

ALFREDO MARCENEIRO - Despedida

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" DESPEDIDA "

 

Letra de: Carlos Conde

Música:: Fado Cravo de Alfredo Marceneiro

                                           

É sempre tristonha e ingrata

Que se torna a despedida

De quem temos amizade

Mas se a saudade nos mata

Eu quero ter muita vida

Para morrer de saudade

 

Dizem que a saudade fere

Que importa quem for prudente                                                                         

Chora vivendo encantado

É bom que a saudade impere

Para termos no presente

Recordações do passado

 

É certo que se resiste

Á saudade mais austera

Que á ternura nos renega

Mas não há nada mais triste

Que andar-se uma vida á espera

Do dia que nunca chega

 

Só lembranças ansiedades

O meu coração contém

Tornando-me a vida assim

Por serem tantas as saudades

Eu dou saudades  alguém

Para ter saudades de mim

 Alfredo Marceneiro canta: DESPEDIDA

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Domingo, 6 de Março de 2016

ADEGA MACHADO - Armando Machado e Maria de Lourdes Machado

O violista Armando Machado nasceu em Lisboa, em 1899, cidade onde veio a falecer em 1974.

Começou a tocar viola nos solares e nas festas em Lisboa e arredores.
Em  1924 profissionaliza-se, tendo tocado praticamente em todos os recintos com Fado da época.
Em 1937 fundou a Adega Machado no Bairro Alto, que foi a segunda casa do género no bairro, mas a primeira a dar espectáculos diários.
Foi autor de vários temas musicais para Fado, tais como, Fado Súplica, Fado Cunha e Silva, Fado Licas, Fado Maria Rita, Fado Lourdes e o celebre Bolero Cigano da Fronteira.
Conheceu e casou-se com uma linda moça, Maria de Lourdes, deprofissão  enfermeira, natural de Lisboa, onde nasceu em 1915, na freguesia do Socorro, tendo falecido também em Lisboa em 1999.
Maria de Lourdes Machado e Armando Machado, tiveram 5 filhos, 4 rapazes e uma rapariga, o Armando José (Licas) que era afilhado do Gonçalves dono do “ O Ginjal” a Maria Rita, era afilhada da Amália, o Filipe teve como padrinho Filipe Nogueira (pai) e o Carlos Manuel foi apadrinhado por Adelina Ramos e seu marido, o António Tomaz Machado, (o Tricas para a família e amigos) era afilhado do artista plástico Tomaz de Melo (TOM) e também da Amália.
Maria de Lourdes Machado abandona a sua carreira de enfermeira para cuidar dos filhos e fica também, ao lado do marido na gerência da Adega Machado, tendo começado a cantar Fado, logo com grande sucesso, pois tinha uma bonita voz, presença e cantava muito bem.
Quando o seu filho mais velho o Armando José (apelidado carinhosamente como Licas), foi mobilizado para o Ultramar, Maria de Lourdes pede a João Linhares Barbosa, que lhe escreva um poema que exprima a sua dor de mãe, que teve o título de (Fé e Coragem Meu Filho). O pai Armando Machado faz a música já referida, Fado Licas.
Armando Machado e Maria de Lourdes foram grandes amigos de meu avô, tendo sido padrinhos de baptizado do meu tio mais velho, Rodrigo Duarte.
Na Adega Machado cantaram todas as gerações de Marceneiro. Houve muitas noites que chegámos a cantar os três, eu, o meu pai, e o meu avô, o dueto “A Lucinda Camareira”, com grande agrado dos presentes, que nos distinguia com  calorosas ovações.
A Adega Machado foi a última casa onde meu pai cantou contratado e lá se reformou.
Pela Adega Machado, passaram praticamente todos os grandes nomes do Fado, quer fadistas quer tocadores.
Eu desde muito miúdo que conheço a Adega Machado, fui sempre muito acarinhado por toda a família, que dedicava também grande carinho a meu avô, que  era visita diária da casa.
Estive contratado cerca de um ano como segunda ocupação, e era uma das casas que mais frequentava com os meus amigos.
A Adega Machado que tem as suas paredes praticamente forradas com fotos das figuras de relevo de Portugal e de todo o mundo que por lá passaram, o que a torna num autêntico museu de recordações de Fado. Este trabalho iniciou-se pelas mãos de Maria de Lourdes, que possuía um grande sentir iconográfico.
Vitor Duarte Marceneiro
(Publicado pela 1ª Vez em Outubro de 2009)

Nota: Na foto no inicio do texto do lado esquerdo, pode ver-se  Alfredo Marceneiro a cantar na Adega Machado, com o Armando Machado a acompanhá-lo em viola-baixo.

Capa do Disco Alvorada em que Maria de Lourdes canta o Fado "Fé e Coragem Meu Filho" com letra de João Linhares Barbosa e música de seu marido Armando Machado.

 

 Pequeno Album de Recordações

Foto 1- Florinda Maria, Amália e Alfredo Duarte Jr.

Foto 2 - Filipe Machado ao lado de Florinda Maria aniversariante

Foto 3 - Dia de Reis o célebre bolo com a prensa de um machadinho em ouro, frente ao bolo Beatriz Costa, á dtª Maria de Lourdes Machado, Ada de Castro e Florinda Maria, atrás Alfredo Duarte Júnior e os músicos da casa

Foto 4 - Vítor Duarte, Carlos Lopes, António Machado (Tricas) e Vítor Ferrari

Foto 5 - Capela fotógrafo do Record, Vitor Duarte e Vítor Ferrari

 

JORNAL A CAPITAL - REPORTAGEM DE UMA NOITE  DE FADOS NA

ADEGA MACHADO

 3 GERAÇÕES DE FADO

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música: Fé e Coragem Meu Filho
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Sábado, 5 de Março de 2016

EDUARDA MARIA

Eduarda Maria, foi casada com o filho mais velho dos donos da Adega Mesquita, consequentemente lá actuou vários anos até que enviuvou. Cantou noutros recintos de Fado, mas foi na Tipoia que mais tempo se manteve. Mais tarde  casou com um minhoto chamado Veloso, que era à altura dono dos Grandes Armazéns do Minho, de quem teve vários filhos, espero ainda vir a  encontrar  algum deles, e  que possua  espólio da mãe.

Compraram uma quinta na Rinchoa, onde passou a haver Fados, chamava-se Vira do Minho, local onde passei noites de Fado fabulosas, na  companhia  de meu  meu avô e muitos mais amigos, guardo na memória, acontecimentos bizarros,  que mais tarde falarei, pois foram histórias de Fado bem castiças com o meu amigo João Baptiata Lopes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto de Eduarda Maria com Alfredo Marceneiro na Adega Mesquita

 

Eduarda Maria canta:

Carta a Maria

Letra Manuel Casimiro
Música Carlos da Maia

 

 

 

 

  

 

 

Nota: Publicado primeiramnte em 5 de Setembro de 2008- Ver comentários de amigos e familiares

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música: Carta a Maria
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Quinta-feira, 3 de Março de 2016

DEOLINDA MARIA - Cantadeira de Fados

 

 

 

Deolinda Gomes Martins,  (Deolinda Maria) nasceu em Lisboa na freguesia da Penha de França a 5 de Dezembro de 1939.

Desde muito jovem que começou a cantar o Fado, foi madrinha da Marcha do Alto Pina.

Cantou em diversas casa de Fado (Restaurantes Típicos), Adega Mesquita, Adega Machado, Timpanas, A Severa e Café Luso, chegou a abrir um pequeno restaurante no Bairro Alto “ A Rata”, que era muito frequentado pelos seus colegas, meu pai Alfredo Duarte Júnior era frequentador assíduo.

Fez alguns programas para a RTP, gravou vários disco de Fado quer a solo, quer à desgarrrada, alguns temas eram de sua autoria, porque tinha gosto em escrever poemas para Fado, também gostava de cantar folclore português.

Era mãe do guitarrista José Manuel Neto e avó da jovem, Ana Mafalda que também canta o Fado e venera a recordação da avò

Faleceu a 30 de Maio de 2008 com 69 anos

 

 

Deolinda Maria canta " Sou Feliz Cantando o Fado"

 

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Viva Lisboa: deixou uma geração
música: Sou Feliz Cantado o Fado
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Terça-feira, 1 de Março de 2016

CORINA FREIRE

Corina Carlos Freire

Nasceu em Silves em 1897 e faleceu em Lisboa em 1975.

O meio teatral lisboeta, acanhado por natureza, sempre foi sensível a algum elogio vindo do estrangeiro, que logo se apressa a exagerar. Pode, portanto, fazer-se uma ideia do reboliço que causou a notícia de uma actriz das revistas do Parque Mayer ter saído vencedora do concurso ' 'le plus beau sourire de Paris''. Nunca se soube ao certo a importância de tal competição, sabia-se, e era mais do que suficiente, que a vencedora fora a Corina, que daí por diante passou a usar o epíteto nos cartazes, à laia de cognome, quer em francês quer em português.

Quando, em 1927, se estreou na revista “Rosas de Portugal”, alcançando tremendo êxito com “As Giestas”, uma canção que ainda não foi esquecida, Corina Freire não era uma desconhecida, pois desde o início da década se apresentava, como cantora lírica e folclórica, em festas e recitais. Muito elegante, com um ar moderno, o cabelo curtíssimo colado à cabeça em pastas, era uma mulher luxuosa, apta ao uso de diamantes e plumas, com uma voz mais educada do que o comum revisteiro, a quem o sucesso foi fácil. Em “A rambóia” (1928), usando com desenvoltura os belos vestidos desenhados por José Barbosa, lança outra canção de estalo, “ As camélias”.

Por esse tempo, surgira o sonoro e a Paramount teve a ideia de fazer o mesmo filme com artistas de vários países. Assim, foi Corina chamada a

Paris, em 1930, sendo a protagonista de “A Canção do Berço” (Alberto Cavalcanti, 1930) e “A mulher que ri” (Jorge Infante, 1931). Não foram grandes êxitos mas aumentaram o prestígio nacional da actriz e relacionaram-na com o meio artístico parisiense.

De volta à revista, Corina faz-se empresária, de sociedade com António de Macedo, e partilha com Beatriz Costa o triunfo de um espectáculo que fez história, “O Mexilhão” (1931). Nessa revista, cada vez mais chique, cantava com Francis um dueto que caiu no goto do público, “Teodoro Não Vás ao Sonoro”, alegre comentário à loucura do cinema falado.

Em 1934, exibe-se em Paris num espectáculo de propaganda, com Francis e Ruth. Surge, então, um contrato para o Casino de Paris. Corina agrada, vem o concurso do sorriso e novo contrato, em 1935, para a revista “Parade du monde”, em que vedetas de vários países rodeavam Maurice Chevalier. Mantém-se dez meses em cena.

Aureolada pela fama de estrela parisiense, Corina Freire volta a Lisboa, em 1936, apresentando a revista “Arca de Noé”, procurando impor-se como vedeta-empresária de "féeries". Mal orientada, a sua actuação não será bem sucedida. “Balancé” (1937) ainda se aproximará do êxito, mas Portugal está na moda (1937) ficará apenas alguns dias em cena. Abandonando a aventura empresarial, tem aparições de reduzido interesse em “Pega-me ao colo” e “Rua da paz”, ambas em 1938. A sua carreira, ruidosa e elegante, tem o seu final em Lisboa com a revista “O mar também tem amantes” (1939), outro fracasso.

 

O nome tão falado de Corina permite-lhe ainda percorrer a província, à frente de modestíssimas companhias, com revistinhas onde cantava invariavelmente “As Giestas” e “Aí Camélias”, numa tentativa de reavivar o passado.

 

Definitivamente retirada por meados da década de 40, dedica-se ao ensino do canto, ajudando a singrar vedetas da canção, como António Calvário, e compondo algumas melodias.

 

In:A Revista Á Portuguesa de Vítor Pavão dos Santos

In: Lisboa no Guinness 2011-03-28

 

 Video-Clip de: Era do Gramofone

 

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