Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

CARLOS BAJOUCA - ESCULTOR ANGOLANO

ESCULTURA EXPOSTA NA AVENIDA PRINCIPAL DE SINTRA

DO ESCULTOR CARLOS BAJOUCA

HOMENAGEM AO FADO E À GUITARRA PORTUGUESA

Escultura de Carlos Bajouca1.jpgEscultura de Carlos Bajouca2.jpg

Na obra exposta em Sintra, uma Homenagem ao Fado e à Guitarra Portuguesa, o seu autor Carlos Bajouca,  fez questão de inserir na escultura para a posteridade,  alguns nomes que na sua opinião muito contribuiram para a divulgação do Fado:

Amália, Ana Moura, Carlos do Carmo, Alfredo Marceneiro, Cuca Roseta, Camané, Carminho, António Pinto Basto, Dulce Pontes, Hermínia Silva, João Braga, Almeida Santos, Celeste Rodrigues, Zeca Afonso, Lenita Gentil, Cidália Moreira, Carlos Zel, Chainho, Carlos Paredes, António Zambujo, Vicente da Câmara, Simone de Oliveira, Tristão da Silva, Teresa Tarouca, Rodrigo, Vitor Marceneiro, Mariza, Mafalda Arnault, Maria da Fé, Maria José Valério, Maria Armanda, Margarida Guerreiro, Pedro Moutinho, Paulo de Carvalho, Nuno da Câmara Pereira, Jorge Fernando, José da Câmara, Katia Guerreiro, Helder Moutinho, Ada de Castro, Adriana Marques, Anita Guerreiro,, António Mourão, Frei Hermano da Câmara, Fernanda Maria, Florência, são artistas que faço referência nesta minha obra e que ajudaram a elevar o Fado a Património da Humanidade.

 

carlos Bajouca.jpg

 

Carlos Bajouca, nasceu em Angola na província do Lobito em 1955.

Fez a sua formação académica em Lisboa, para estudar Belas Artes, tendo frequentado o Centro Internacional de Escultura.

Diversas são as suas participações em mostras de arte desde 1980 estando representado em diversas colecções a nível nacional e internacional. Possui um vasto curriculum e encontra-se representado com escultura pública em diversas localidades por todo o país. Em 1989 inaugura o seu atelier..

O corpo e a sua sensualidade, são fonte de inspiração do escultor, estando sempre presentes na sua obra, tal como nos faz recordar com a sua frequente afirmação:

 

“ADORO LAMBER A VIDA COM OS OLHOS”

 

NOTA:

Somos amigos há mais de 20 anos, Carlos Bajouca era sócio da Sistema J, a editora que me apoiou na publicação do meu primeiro livro biográfico do meu avô  “Recordar Alfredo Marceneiro”, recordo que as sua opiniões nas negociações,  foram muito preponderantes  para a sua concretização.

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Jorge Costa - Pateo Marialva onde o Fado acontece

Foi em Maio de 2009 que fui ao retiro particular de Jorge Costa, onde fui muito bem recebido, hoje vou lá voltar acompanhado pelos meus amigos Helder do Ó e Albano Pinto.

 

Jorge Costa, é natural de Palmela.

Desde muito jovem que se sentiu atraído pelo Fado e especialmente pela sonoridade da guitarra.

Aos 15 anos, porque seu pai não tinha possibilidades financeiras de lhe comprar uma guitarra para começar a aprender, encheu-se de brio e com muita habilidade construiu ele próprio o instrumento com que se iniciou.

Começou a cantar e a tocar em público, aos 22 anos, sempre como amador, uma vez que a sua  profissão é a de estofador.

Esta sua paixão pelo Fado leva-o a formar uma tertúlia fadista numa sua propriedade, em Fernão Ferro, a que deu o nome de “Pateo Marialva”, desde há cerca de trinta anos, que reúne às quartas-feiras, amigos e convidados,  numa “almoçarada” que se prolonga pela tarde fora, regada com muito Fado, e não só…

Por esta tertúlia através dos anos já passaram muito fadistas, quer amadores, quer profissionais.

Transmitiu aos seus filhos o gosto pelo Fado, tendo um filho, o Sandro Costa, que é já guitarrista profissional, estando actualmente contratado pela Taverna Del´Rei, acompanhando com frequência em espectáculos, a Cidália Moreira. Tem ainda um outro filho, o Miguel Angelo Costa, que tal como ele é estofador, mas que também toca, e muito bem, viola acompanhando Fado.

Tive o prazer de ser seu convidado, e fiquei “estupefacto” com o seu retiro… que se considerar-mos o Café Luso a “Catedral do Fado”, este seu cantinho é bem uma “Capelinha do Fado”…

Fui presenteado com uma medalha, como recordação, e tive também o grato prazer de saber que é grande admirador de meu pai.

Ah! Fadista.

Jorge Costa e Vítor Marceneiro

 

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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Casimiro Ramos, Guitarrista e Miguel Ramos, Violista - "Os Pinoia"

Casimiro Ramos, nasceu em Lisboa  no bairro da Ajuda, a 16 de Fevereiro de 1901.

Começou desde novo a ouvir guitarradas, seu pai Francisco Ramos, tocava guitarra num conjunto de então,  e ele e o irmão mais novo, o Miguel assistiam entusiasmados aos ensaios,  e como diz o povo — Quem semeia colhe os frutos — e eles cedo começaram  a gostar de música e a aprender, o Casimiro escolheu a guitarra e o Miguel a viola.

Esta família teve a alcunha  de “Pinoia”, daí nasce o tema que mais tarde Casimiro Ramos compõe, O Fado Pinoia.

Começaram por tocar em verbenas e festas em colectividades, mas logo foram solicitados para actuarem em diversas casas de fado, no antigo Café Luso na década de trinta, fazendo parelha com o irmão Miguel Ramos.

Trabalhou em vários eventos com Adelina Ramos, donde nasceu uma grande amizade,  ficando contratado, no Restaurante Típico, desta,   A Tipóia, no bairro alto,  onde se manteve por mais de 20 anos.

Em 1933 participa no filme “A Canção de Lisboa”, com Beatriz Costa e Vasco Santana. Em 1934, merece o destaque na primeira página da “Guitarra de Portugal” quando da sua ida ao Brasil, com Maria Albertina, onde já tinha actuado,  fazendo então  parelha com o violista Armando Silva,  integrando o elenco da Companhia de José Loureiro, com Estevão Amarante, Adelina Abranches, Maria Alice, Maria Sampaio e Lina Demoel e  o cantador Manuel Cascais.

Em Abril de 1934 os colegas e amigos organizam-lhe uma merecida festa  de homenagem na Cervejaria Jansen,  estiveram presentes, Maria Albertina, Maria do Carmo, Maria do Carmo Torres, Maria Emília Ferreira, Joaquim Pimentel, Filipe Pinto, Artur Pinha, Alfredo Marceneiro com o seu irmão Júlio Duarte e a cunhada Leonor Duarte, entre outros grandes nomes da época.

Casimiro Ramos, era um homem solidário e amigo do seu amigo, organizava com frequência espectáculos de beneficência ou de homenagem a outros colegas, nunca descurando a defesa dos direitos dos artistas de Fado.

Meu avô Alfredo Marceneiro nutria por ele e pelo irmão uma grande amizade, que era retribuída, é neste convívio que nasce o Fado Margaridas (*), bem ao estilo de Marceneiro e que ele interpreta e grava.

Em 1938, na reabertura do recinto que par muitos foi uma «Catedral do Fado», o Solar da Alegria, sob a direcção artística de Filipe Pinto, Casimiro Ramos integra o conjunto dos músicos,  guitarristas e violistas, ao lado de Armando Machado, Fernando Freitas e Martinho d´Assunção.

Casimiro fazia muitos espectáculos e gravações em parceria com o irmão violista,  Miguel Ramos.

Na década de cinquenta , não só acompanhou inúmeros cantadores e cantadeiras de fado, com também gravou e fez espectáculos e digressões.

É autor de célebres composições musicais, a famosíssima variação à guitarra, “Nocturno”, são ainda de sua autoria: “Fado da Fé”, “Fado Maria Emília”, “Fado Pinóia”, “Fado Três Bairros”, "Fado Amélia Martins"; "Apolo"; "Rainha Santa"; "Terezinha"; "Alice", "Fado do Rio", "Lolita", entre outros. Musicalmente, as suas composições figuram em gravações de gerações de fadistas; Ada de Castro, Adelina Ramos, Alfredo Marceneiro, Alfredo Duarte Júnior, Carlos do Carmo, Fernanda Maria, Maria da Fé, Manuel de Almeida, Alice Maria, e muitos mais.

Casimiro Ramos faleceu em Lisboa, a 29 de Abril de 1973.

(*) O Fado Margaridas tanto é atribuída a sua autoria ao Casimiro Ramos como ao Miguel Ramos, com há quem pelo estilo que é muito “Marceneiro” por vezes também lhe atribuam a autoria. Esta discrepância já acontecia com eles em vida e nunca deu problema nem discussão, os direitos são pagos a quem está registado com o seu autor na SPA, Miguel Ramos.

 

 

Video-Clipe em que José Pracana toca

NOTURNO de Casimiro Ramos 

 

 

 


 

Miguel Ramos, é o irmão mais novo de Casmiro Ramos, como acima se disse optou pela  viola de fado, também foi (como o seu irmão) compositor de fados como Fado Alberto, Fado Margaridas (*), Veio a saudade, Fado Helena (Chico do cachené), Amor de mãe, Fado da Freira, etc.

Fado Alberto foi e ainda é um fado que muito inspira a criatividade dos poetas, por isso é ainda muito gravado existindo várias dezenas de  gravações  deste tema musical de  fado.

Muitos dos seus fados foram compostos em parceria com o seu irmão, e vice-versa, levando a que  a autoria de alguns desses fados, seja atribuída por vezes a um ou outro dos irmãos Pinóia, como aliás já referi sobre o Fado Margaridas.

Miguel Ramos tal como o irmão,  era muito  admirado e considerado, quer pelos fadistas, quer por  violistas e guitarristas.

Ao longo da sua carreira, acompanhou grandes vozes do fado, tanto em casas de fado, como em espectáculos ou em  gravação de discos.

 (*) Lamento imenso mas não consegui mais dados sobre Miguel Ramos, pode ser que algum amigo ou familiar, queira compartilhar mais alguns dados, o que muito agradeço.

 

 

Fernanda Maria canta

no "Fado Alberto" o poema

"Não passes à minha rua" de Carlos Conde

 

 

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música: Noturno e Fado Alberto
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

FRANCISCO CARVALHINHO - Guitarrista

Francisco José Gonçalves de Carvalho,  nas­ceu em Lisboa em 1918 e morreu em 1990.

Aprendeu o ofício de relojoeiro. Aos 12 anos para além de guitarra, aprendeu a tocar outros ins­trumentos, nomeadamente banjo e bandolim.

Co­nhecido apenas por Carvalhinho devido à sua pequena estatura, apelido que adoptou no nome artístico.

Actuou no Retiro da Severa, acompanhado à viola por Santos Moreira, mais tarde no Café Mondego e no Café Latino.

Em 1941 apresentou-se no Café Monumental e durante um ano na Sala Júlia Mendes do Parque Mayer com Martinho d' Assunção.Em 1950 integra o conjunto de guitarras de Martinho d' Assunção, juntamente com Jaime Santos e Alberto Correia.

Em 1951 participa nos espectáculos dos “Companheiros da Alegria” de Igre­jas Caeiro.

Em 1953 realizou uma longa tournée por An­gola, Moçambique e África do Sul com Maria Pe­reira e Martinho d' Assunção.

Tocou nos Restaurantes Típicos de Fado:  Adega Machado, Adega da Lucília (mais tarde O Faia), no Vara Lar­ga, no Pinóia e no Salvaterra, mas foi no “Restaurante Típico a Severa” que esteve como guitarrista

privativo  durante vários anos seguidos

.

 

 

Gravou para vários artistas, nomeadamente para Alfredo Marceneiro, por quem nutria uma grande amizade e admiração.

A partir dos anos 80 dedicou-se à reparação de instrumentos de corda.

Francisco Carva­lhinho gravou vários discos com variações à guitarra, acom­panhado por Martinho d' Assunção, grande parte com composi­ções suas, Improviso em Ré e outros.

Autor de numerosos Fados, destacando-se:  Eu Sou do Fado; Fado Brigão; Dias Contados; Duas Palavras; Rua Sem Sol.

Deixou geração fadista, o seu filho Carvalhinho Jr., (que adoptou o nome artístico do pai) toca viola de acompanhamento sendo um músico de qualidade e muito solicitado.

 

 

Carvalhinho fala de Alfredo Marceneiro

 

Conheci Francisco Carvalhinho,desde muito miúdo, tocava com um estilo muito próprio, era uma pessoa muito sociável, admirado pelos colegas quer como músico, quer como pessoa, além de me tratar sempre com elevada consideração, era um grande amigo e  admirador do meu avô, que por vezes lhe dava (alguns olhares de desagrado nalguma nota que lhe saía da guitarra, e que ele não gostava) mas Carvalhinho nunca teve uma má resposta ou amuo com o seu amigo Alfredo Marceneiro.

Obrigado Francisco Carvalhinho, esteja onde estiver, "Quem meus filhos beija minha boca adoça", ensinou-me o meu avô, fica neste modesto e simples trabalho a homenagem da Geração Marceneiro.

Mas em 2007 quando pela primeira vez editei esta página neste blogue, tive a alegria de receber uma mensagem que muito me sensibilizou,  da sua neta Sónia Carvalhinho:

 

 

Caro Amigo,

 

Permita que o trate assim porque da mesma forma que o seu avô lhe ensinou que quem trata bem os nossos nos toca por dentro (agora por palavras minhas, mas a mensagem é a mesma) o meu avô também me passou muitas mensagens dessas, de reconhecimento ao próximo, de partilha, amizade e amor. E por isso mesmo depois do que li, agradeço de coração esta homenagem que para si lhe parece simples, a mim encheu-me o coração.
As saudades são muitas, mas pessoas como o Vítor fazem tudo ficar um bocadinho mais "próximo" de nós. Antes todos tivéssemos o mesmo contributo e ninguém ficaria no esquecimento e perdido num rasto do antigamente! Obrigada por ser assim, continuação de uma vida feliz.
Neta do Francisco Carvalhinho
Sónia Carvalho

 

 

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

ESTEVÃO AMARANTE

ESTEVÃO DA SILVA AMARANTE (1889-1951)

 

Tudo começou em 1900, com apenas doze anos, Amarante fez a sua estreia, no “Avenida” na peça “A viagem de Suzette” que iria conhecer as noites de maior glória.

No ano seguinte, na Avenida da Liberdade, nascia o Teatro do Infante, onde uma companhia infantil fazia o gáudio da petizada com “A história da Carochinha”. Durante três anos, o pe­queno Amarante é notado, por entre a miudagem, pela fantasia e graça das suas in­terpretações.

O menino-actor era muito pobre e órfão de pai. Por isso, se de tarde fazia rir os da sua idade, à noite, divertia os adultos, para ajudar ao sustento da casa. O público, ruidosamente popular, que enchia os teatros abarracados das feiras de Alcântara e Algés, começou a delirar com a brejeirice e o à-vontade do rapazola e não se cansava de cantar com ele o “Toma lá cerejas”. Amarante tinha, aos catorze anos, a primeira das suas inúmeras canções de sucesso.

Quando o caso constou nos teatros da Avenida, o empresário Luís Galhardo,  logo o contratou para  repetir a cançoneta para uma plateia mais vasta mas igualmente deliciada, na revista “P'rá frente” (1906), ao lado de Júlia Mendes.

A voz agradável e a bela figura do jovem Amarante tornaram-no rapidamente admirado pelo grande público, a sus vivacidade e mocidade iam bem com a revista profundamente crítica e irreverente que  brotara da liberdade conseguida em 5 de Outubro. Sempre em ascensão, medindo-se com os grandes talentos dessa época , a sua notoriedade não pára.

Quando as manchetes dos jornais só falavam da guerra que destroçava o "velho mundo" e Portugal se preparava para entrar no conflito, nesse "Verão quente de 1916, sobe à cena, no Eden, uma revista bem recheada significativamente chamada “O novo mundo”.

Porém, a suprema sensação, a interpretação que ia marcar uma época era “Ganga” por Estêvão Amarante.

A sua observação do carroceiro tinha ido tão longe em tudo copiando com minúcia os modelos longamente estudados na rua, fazendo o público Amarante repetir “O Fado do Ganga” dezenas de vezes em cada noite.

Estava fixada a imagem e a popularidade alcançada era vitalícia.

 

Em 1925 de colaboração com Henrique Rol­dão, adaptação dum"vaudeville" francês (Tir au flanc) - a história do rapaz mi­mado que, na tropa, aprende a ser homem. Fica em cena oito meses a fio e Amarante atinge um dos seus momentos máximos, quando canta um fado paradigmático: "Sol­dado que vais para a guerra / ao deixares a tua terra / e o cantinho do teu lar / quan­tas mágoas te consomem / não choras porque és um homem / e é feio um homem chorar"

No Verão de 1927, a companhia resolve levar uma revista e nasce a histórica “Água-pé” com o grande triunfo pessoal de Amarante em nesta revista, fe­chava-se um período dos mais brilhantes que a carreira de qualquer actor português já conheceu.

Ou­tra revista, na esteira de Água-pé, “Tremoço saloio” (1929), teve pouco sucesso mas deu a Amarante um novo êxito, o Cauteleiro, cantado, na música do Fado da loucu­ra, um tema popular.

Depois de passar rapidamente no filme Lisboa (Leitão de Barros, 1930). Vai a  Paris filmar, para a Paramount, a versão portuguesa de “A minha noite de núpcias” (1931), ao lado de Bea­triz Costa.

Corta relações com Luísa Santanela com algum falatório, que lhe é adverso, por isso decide-se por um longo afastamento, que é quebrado com uma comédia, ao lado de Ilda Stichini (Uma para três, 1933). Depois, numa revista (Nobre povo, 1934), o seu trabalho fica muito abaixo do antigo prestígio. Falava-se abertamente, nas tertúlias teatrais da decadência de Amarante, e a sua separação de Luísa Satanela deixa um gosto amargo no público.

No início da década de 40, Amarante firma-se, mais uma vez, como um grande nome da revista, voltando ao Avenida para colher novos triunfos. O Fado do marial­va (De fora dos eixos, 1943) demonstrava que, aos 54 anos, ele era ainda o único galã dos palcos revisteiros. Ao lado da jovem Laura Alves, na opereta O Zé do Te­lhado (1944), canta a sua última grande cantiga: "A sorte só favorece / quem / na vida uma boa estrela tem”.

Embora mantendo uma grande reputação, as duas revistas que faz, no Apolo, ao lado de Hermínia Silva, a sensação do momento (A canção nacional, 1944; O fado da Mouraria, 1945), apresentam já sintomas de que o crepúsculo se avizinha., com rábulas sem interesse, (1948) marcam o final da sua actua­ção nos palcos revisteiros de Lisboa, e decide dedicar-se primordialmente ao teatro dito declamado, ingressando inclusive na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro instalada no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 18 de Abril de 1950, comemoraram-se festivamente, no S. Luiz, os 50 anos de Teatro de Estêvão Amarante.

 

in Revista à Portuguesa de Vitor Pavão dos Santos

 


Desenho de Amarelhe 1943 - Criação do Fado Marialva

 

FADO DO MARINHEIRO

 

Criação de: Estêvão Amarante

 

                                                     O marujo criou fama.

                                                     Desde um tal Vasco da Gama

                                                     Que no mar foi o primeiro;

                                                     E o Pedro Álvares Cabral

                                                     Só foi grande em Portugal

                                                      Por ter sido marinheiro.

 

A lutar como um soldado,

Peito ao léu, rosto queimado,

Ao sol da terra africana,

Com a farda em desalinho,

(Foi às ordens de Mouzinho

Que deu caça ao Gungunhana !

 

                                                     Quando o mar era um segredo,

                                                     Os antigos tinham medo

                                                     De perder-se ou ir a pique;

                                                     Só zombavam das porcelas

                                                     As primeiras caravelas

                                                     Do Infante Dom Henrique!

 

Fartos já de andar nos mares,

Também vamos pelos ares

Sem temor, abrir caminho;

Pois bem sabe toda a gente

Que o marujo mais valente

É o avô Gago Coutinho!

 

                                                     Nessa Alcântara afamada,

                                                     O marujo anda à pancada

                                                     E arma sempre espalhafato;

                                                     É que guarda na memória

                                                     O banzé que houve na história

                                                     Do António Prior do Crato.

 

Quando vai p'rá Fonte Santa

E dá largas à garganta,

P'la guitarra acompanhado.

Até chora o mundo inteiro,

Porque a voz do marinheiro

É a voz do próprio Fado!...

 

  

 

Caravela Portuguesa dos Descobrimentos

 

FADO DAS CARAVELAS

 

­­Criação de Estêvão Amarante

 

Quando foi das descobertas e conquistas,

Os fadistas,

Guitarristas

De mais fama,

Lá no fundo do porão,

Deram alma e coração

Às descobertas do Gama.

 

                                                      No alto mar

                                                      Ia o barco a naufragar,

                                                      O vento rijo a soprar,

                                                      Que até os mastros levou.

                                                      Foi ao sentir,

                                                      Uma guitarra a carpir,

                                                      Que o Neptuno querendo ouvir,

                                                      A tempestade abrandou.

 

E nas horas d'incerteza, à marinhagem

Deu coragem

Na miragem

Da vitória.

Cabe ao fado o seu quinhão,

De todo e qualquer padrão,

Dos que fala a nossa História.

 

                                                      No alto mar

                                                      Quando em noites de luar,

                                                      O pensamento a pairar,

                                                      Na nossa aldeia natal.

                                                      Ai, era ver,

                                                      Quanta lágrima a correr,

­                                                      Na guitarra a descrever,

                                                      Saudades de Portugal.

 

 

 

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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

ALBERTO COSTA

Alberto Simões da Costa nasceu em Coimbra na freguesia Torres do Mondego no dia 8 de Junho de 1898.

Era muito pequenito quando seus pais vieram morar para o bairro de Alfama, em Lisboa Não admira que vivendo num bairro com tradições fadistas, desde muito cedo começou a ouvi-lo e a admirá-lo, na escola primária cantava para professores e colegas.

Tem a sua estreia em público no ano de 1914, e passou com frequência a ser solicitado  para actuações,  em colectividades, sociedades recreativas e festas de beneficência, o que lhe granjeou muitos admiradores.

Actuou e fez amizade com grandes figuras já consagradas na época, como Berta Cardoso, Ercília Costa, Joaquim Campos e Alfredo Marceneiro, etc.

Alberto Costa foi gerente artístico no Ferro de Engomar e no Solar da Alegria, tendo actuado em retiros como, Retiro da Severa e  Café Mondego, Parreirinha de Alma, entre outros, até se retirar.

Alberto Costa foi um dos primeiros artistas portugueses com edições discográficas.

Em 1926 grava para a Valentim de Carvalho o seu primeiro disco.

Em 1930, conjuntamente com Alfredo Marceneiro, Ercília Costa, Rosa Costa e os músicos João Fernandes e Santos Moreira, formam  a “Troupe Guitarra de Portugal”, tendo efectuado muitas actuações por todo o país, este agrupamento teve um êxito estrondoso para a época.

A 9 de Junho de 1932 tem lugar na Academia Recreativa de Lisboa, na freguesia do Socorro, a sua primeira festa de consagração,  patrocinada pelo jornal “Guitarra de Portugal”.

A 14 de Abril de 1936, numa festa artística no Cinema Odeon, com  um espectáculo dirigido pelo “Britinho” é homenageado em  simultaneamente com os seus colegas fadistas,  Alberto Costa e Júlio Proença.

Em 1939, Alberto Costa abandona a vida artística  e vai viver para Silves, onde abriu o Café “A Pernambucana e/ou Havaneza”.

Embora já afastado da  vida artística, vem a Lisboa para actuar na festa de homenagem ao seu amigo Alfredo Marceneiro, no Teatro São Luís a 25 de Maio de 1963.

Alberto Costa faleceu em Silves em Outubro de 1987.

 

Alberto Costa

canta: Boneca de Loiça

Poema de Alberto Rodrigues

Música: Fado Popular

 

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