Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

Alfredo Marceneiro - Família

Entretanto, os seus irmãos casam e organizam as suas vidas. Alfredo leva consigo sua mãe Gertrudes e aluga uma casa num típico pátio sito no Nº 49 da Rua da Páscoa, em Campo de Ourique — Freguesia de Santa Isabel —, casa onde viveu até ao último sopro da sua vida.

Por altura dos seus 22 anos, duma paixão pela jovem Aurora, filha de um mestre de ofício de marceneiro, nasce o seu primeiro filho. Em memória de seu saudoso pai, dá ao primogénito o nome de Rodrigo. Nunca cantou o Fado. Abriu na Calçada de Carriche um retiro com o nome de "Solar do Marceneiro", a sua profissão era mecânico de motos e bicicletas, tendo uma oficina sua em Campolide onde é hoje o restaurante Número Um.

De outra paixão, pouco duradoura, é novamente pai de um rapaz a quem dão o nome de Esmeraldo. Tinha a profissão de tipógrafo e chegou a cantar como amador em festas particulares.

Os filhos

Rodrigo Duarte

e

Esmeraldo Duarte

Numa festa a que vai cantar, na Fonte Santa, Alfredo conhece uma linda jovem chamada Judite. É então que decide constituir lar e desta união com Judite de Sousa Figueiredo, sua companheira até ao fim dos seus dias (tratava-a carinhosamente por "A minha querida "Ti Judite"), nascem os seus filhos Carlos, Alfredo e Aida.

Judite de Sousa Figueiredo Duarte"Ti Judite"

O Carlos cantou como amador e o Alfredo veio a ser profissional de Fado, tal como o pai, a Aida foi modista.

Carlos Duarte Aida Duarte Alfredo Duarte Jr.

O seu irmão Júlio Duarte, que também cantava o fado e era seu companheiro nas andanças fadistas, casou com uma jovem de seu nome Leonor Duarte, também fadista, a qual chegou a cantar num disco com o seu cunhado Alfredo. Os seus irmãos, quer a Júlia quer o Álvaro, nunca cantaram.

Álvaro Duarte Júlia Duarte

JULIO DUARTE

Como seu irmão Alfredo, Julio Duarte pertenceu a um núcleo de fadistas que sabiam ser fadistas, que cantava o Fado amando-o, merecendo o apreço do público e dos seus colegas.

Nasceu em Lisboa, na Freguesia de Santa Isabel, e é manufactor de calçado. Até casar viveu sempre com a mãe e os seus irmãos, tendo pelo irmão mais velho, o Alfredo, uma admiração muito especial, pois considerava-o como um pai.

Tinha apenas 14 anos quando começou a cantar o Fado, estreando-se no Centro Republicano Miguel Bombarda, sendo muito solicitado para actuar em academias de recreio, festas de caridade e actuou em quase todos os retiros da época, como no antigo Teatro Étoile, da calçada da Estrela, fazendo números de variedades com a pequenina actriz Hortense de Castro.

Torna-se profissional em 1928. Cantou-o então, nas cervejarias Boémia, Cervejaria Jansen, Rosa Branca, Chagas, Vitória, Cafés Portugal, Sul-América, Anjos, Julio das Farturas, Solar da Alegria (quando da gerência. de Alberto Costa), Salão Artístico de Fados, teatros Capitólio e Joaquim d'Almeida, nos clubes Tauromáquico, Olímpia, Montanha, Patos, Alhambra, e nos. Cinemas Europa, Jardim-Cinema, Cine Paris e Royal. Percorreu as províncias, cantando nos te­atros de Évora, Barreiro, Seixal, Montijo. Setúbal, Torres Vedras, Malveira, Quinta do Anjo, Torres Novas, Caldas da Rainha, Mafra, Cadaval, Figueira da Foz, Abrigada, Cascais, Estoril, Moita, Parede, Paço d' Arcos, Alenquer, Feliteira, Merceana e Benavente.

Cantou nas casas fidalgas do Conde da Torre e Conde de Sabrosa, nas herdades do opulento lavrador Palha Blanco.

Tal como o seu irmão Alfredo, foi autor de várias músicas para Fados, “Combatentes”, “Crença”, “Fado da Paz”, “Fado da Aldeia” (gravado por Ercília Costa), “Fado Marcha”, “Lágrimas”, (gravado por Maria do Carmo), e ”Fado Luso”.

Da sua carreira de cantador, há uma tarde que Júlio Duarte gravou na memória, por assinalar um dos seus maiores êxitos. Foi em Vila Franca de Xira, no Retiro Botão de Rosa, onde cantou ao lado de Júlio Proença, Estanislau Cardoso e João Maria dos Anjos, com o acompanhamento do guitarrista e cantador Carlos Ramos e do violista Armando Machado. Houve uma cena que ficou famosa nessa noite: encontravam-se presentes dois detractores do Fado, comba­tendo-o grosseiramente. Com toda a gente enervada, começaram, ele os colegas, a cantar, sendo aplaudidos pela assistência que enchia o salão, de tal forma que a barulhenta parelha foi obrigada a retirar-se, com os dois basbaques vexados e ven­cidos. Foi uma tarde de triunfal.

Finalmente,, Julio Duarte actuou no Retiro da Severa, Solar da Alegria, Cafés Gimnasio, Luso e Mondego, Foi também muito solicitado para actuar na rádio, Emissora Nacional, Rádio Luso, Rádio Graça e Rádio Peninsular.

Cantou muitas vezes com o irmão, que só se profissionalizou mais tarde, embora tendo a fama que se sabe, mas já não assistiu a esse acontecimento, pois faleceu prematuramente.

Julio Duarte foi casado com uma fadista de renome nesses tempos, Leonor Duarte, de quem teve duas filhas, Júlia e a Aida.

LEONOR DUARTE

Natural de Lisboa, foi esposa do cantador Júlio Duarte e cunhada de Alfredo Duarte “Marceneiro”

Dotada duma excelente voz e com uma excepcional dicção, dava tal senti­mento aos versos que cantava, aliada a uma excepcional dicção, que em bem pouco tempo impôs o seu nome do can­tadeira de Fado. Estreou-se a cantar no posto emissor de Abílio Nunes dos Santos e agradou de pronto e de tal modo, que foi imediatamente contratada para gra­var em disco os seguintes fados: «Os pequeninos», «A Pastora», «Fado Aida», «0 teu olhar», «Desgarrada de Amor» (com o cunhado Alfredo Duarte “Marceneiro” e «A morte da Pastora».

Foi autora da música do Fado Os Pequeninos, que teve um grande sucesso. Cantou várias vezes, por es­pecial deferência, no Solar da Alegria com o marido Júlio Duarte, (aquando da gerên­cia de Alberto Costa), em festas de beneficência, tendo tomado parte também em diversos espectáculos, quase sempre na companhia do marido ou do cunhado.

Da sua curta mas brilhante carreira como cantadeira de Fados, a noite que mais a emocionou foi a da sua despedida, em 20 de Agosto de 1932, que coincidiu com a festa artística de seu marido, no Café dos Anjos, em que o pú­blico lhe tributou uma calorosa e prolongada ovação que muito a sensibilizou.

Leonor Duarte abandonou a sua carreira para se dedicar exclusivamente á educação de suas filhas, Júlia e Aida.

© Vítor Duarte Marceneiro in “Recordar Alfredo Marceneiro”

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 00:05
link do post | comentar | favorito
Clique aqui para se inscrever na
Associação Cultural de Fado

"O Patriarca do Fado"
Clique na Foto para ver o meu perfil!

arquivos

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Site Portugues
Aguarelas gentilmente cedidas por MESTRE REAL BORDALO. Proibida a sua reprodução

tags

10 anos de saudade

2008

50 anos de televisão

ada de castro

adega machado

adelina ramos

alberto ribeiro

alcindo de carvalho

alcino frazão

aldina duarte

alfredo correeiro

alfredo duarte jr

alfredo duarte jr.

alfredo duarte júnior

alfredo marcemeiro

alfredo marceneiro

alice maria

amália

amália no luso

amália rodrigues

américo pereira

amigos

ana rosmaninho

angra do heroísmo

anita guerreiro

antónio dos santos

antónio melo correia

antónio parreira

argentina santos

armanda ferreira

armandinho

armando boaventura

armando machado

arménio de melo - guitarrista

artur ribeiro

árvore de natal

ary dos santos

aurélio da paz dos reis

avelino de sousa

bairros de lisboa

beatriz costa

beatriz da conceição

berta cardoso

carlos conde

carlos escobar

carlos zel

dia da mãe

dia do trabalhador

euclides cavaco

fadista

fado

fado bailado

fados da minha vida

fados de lisboa

fernando farinha

fernando maurício

fernando pessoa

florência

gabino ferreira

guitarra portuguesa

guitarrista

helena sarmento

hermínia silva

herminia silva

joão braga

josé afonso

júlia florista

linhares barbosa

lisboa

lisboa no guiness

lucília do carmo

magusto

manuel fernandes

marchas populares

maria da fé

maria josé praça

maria teresa de noronha

max

mercado da ribeira

miguel ramos

noites de s. bento

oficios de rua

óleos real bordalo

paquito

porta de s. vicente ou da mouraria

pregões de lisboa

raul nery

real bordalo

santo antónio de lisboa

santos populares

são martinho

teresa silva carvalho

tereza tarouca

tristão da silva

vasco rafael

vítor duarte marceneiro

vitor duarte marceneiro

vítor marceneiro

vitor marceneiro

zeca afonso

todas as tags