Sábado, 8 de Outubro de 2011

Carlos Escobar - Poeta - Divagações sobre o Fado

Tudo evolui na vida, mas há mitos e tradições milenares que ainda hoje se mantêm com as suas raízes originais,  na realidade não se  mexe,  (ou não devia), no que está bem, pode tentar-se, o que acontece em muitos casos, mas há modificações e adaptações que mais não são, que oportunismos  de cariz comercial, hoje mais que nunca o capital comanda a criatividade.

Iremos colher vários depoimentos, baseado no tema "toda a gente hoje gosta de Fado, canta-se mais Fado, grava-se mais Fado, etc...

Mas estará o Fado em decadência? Esta pergunta é um pouco/bastante maliciosa, de que Fado estou eu a falar?

 

O meu primeiro trabalho em vídeo é um depoimento livre  ( digo livre porque foi espontâneo) do meu amigo, o poeta Carlos Escobar:

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa:
publicado por Vítor Marceneiro às 10:42
link do post | comentar | favorito
5 comentários:
De Acacio Monteiro a 9 de Outubro de 2011 às 01:03
Tenho tentado toda a vida educar o ouvido para aprender a ouvir música, mas desanimo porque ainda não sei o mínimo para ultrapassar a mediocridade como trivial adepto dos belos sons que me rodeiam.
Felizmente ouço e dou graças por ainda não ser surdo, apesar de haverem grandes músicos que continuaram a ouvir para alem da surdez com que o destino os afrontou.
A música, bem como qualquer manifestação artística, não é uma figura estática, limitada por padrões ou estilos, mas uma entidade viva em permanente evolução. Há génios musicais que afirmam que ela chegou ao seu limite, e tem poucas probabilidades de dar mais do que se conseguiu até hoje. Limito-me a ler o que dizem, pois nem sequer tenho a preparação necessária, para tentar comentar a opinião, e como aluno que ainda sou, só por falso protagonismo, tentaria interromper a erudição dos grandes maestros.
Tenho uma preparação musical muito abaixo de qualquer músico, que lê e executa uma pauta num instrumento com uma leitura ao correr da vista, como se lê um livro, entrosando o significado das frases como factos imagináveis.
O cabotinismo com que algumas pessoas abordam a arte, reduzindo o ecletismo, a uma abusiva intrusão a um purismo exarcebado, revela pouca formação, com tendências fundamentalistas de falsa cultura, que podem castrar a evolução da arte, na procura de novas formas de expressão.
Será que António dos Santos, tão apreciado pelo Ti’Alfredo, estilava? O “Fado do ladrão enamorado”, e o “Porto Sentido” de Rui Veloso e Carlos Tê, são obras a desprezar, pois não se enquadram no fado tradicional? Os “Amália Hoje” foi uma incursão a esquecer á obra de Alexandre O’Neil e Alain Oulman? A fama mundial da interpretações de Dulce Pontes não valem nada quando comparadas com Amália?
Ana Moura, Aldina Duarte, Marco Rodrigues, Cristina Branco, Cristina Nóbrega, Mafalda Arnaut, Gonçalo Salgueiro, Mariza, Mísia , Camané, Carminho, Pedro Moutinho, Hélder Moutinho, Jorge Fernando, Raquel Tavares e outros, para os quais vão as minhas desculpas por os esquecer de citar, pois a lista é enorme e contribuem para a divulgação do fado, são relegados para 2º plano, como se nunca existissem?

Tomara eu perceber Fernando Lopes Graça, pois já me dava como privilegiado na escuta musical. Não misturemos musica ligeira com o “Belo Canto”, que para saber ouvir requer um conhecimento aprofundado.
“Rodriguinhos” de voz, pianinhos, e outras coisas a que se quer chamar de “estilar” o fado, não foram necessários para aumentar a celebridade de quem nasceu com aptidões naturais para ser fadista.
Vou, portanto, continuar a aprender a ouvir o fado e outras músicas com a humildade de um ignorante que sou.
A polifonia ocorre quando existe um dialogo harmónico entre diversos instrumentos, e quando se canta, um dos instrumentos é a voz.
Num dialogo a 4 instrumentos, guitarra, voz , viola e baixo, só enriquece a actuação se estiverem preparados. A voz, que também é um instrumento, não se harmoniza, é que não treinou o suficiente para se enquadrar. Como numa orquestra em exibição não há desculpas quando há fífias.

Acácio Monteiro
De Vítor Marceneiro a 9 de Outubro de 2011 às 13:54
O meu amigo Acácio Monteiro, com a sua generosidade que lhe é peculiar, quando comenta algo que eu digo ou escrevo sobre FADO, o que na maior parte das vezes acontece em conversas "bem acesas" como aliás estas devem ser quando de amigos se trata, mas também já tem comentado por escrito, mas usando pseudónimos, o que não aconteceu desta vez, e esse facto estou feliz e agradecido, obrigado Acácio.
Devo confessar que não sei onde pretendes chegar com este comentário…É critica? É elogio?... parece-me que não é uma coisa nem outra, quanto a mim não entendeste bem o que eu quero aprofundar… e para mim é estranho porque na última semana até falámos de dois cd´s, que me foram enviados pelos seus executantes, que te pedi para ouvires e analisares, e log percebeste bem os factos “logros” que eu próprio sentia, e que concordaste comigo, que eram “degradantes” quer pelos (actos) dos músicos, quer dos poemas, quer inclusive da forma como se andam a enganar os direitos de autor, mas por aqui não adianto mais, porque quero fazer uma investigação mais aprofundada, que me parece que a SPA, não vê, ou não quer ver.
Portanto meu caro amigo, estou farto de te dizer que ser “FADISTA”, não é só cantar o Fado… é um estado de alma.
Não és “Fadista”, mas isso não inibe que não seja teu amigo e que não respeite as tuas opiniões… as atitudes e afirmações, são da responsabilidade de quem as faz.

Volto a repetir ao que me propus, e se verificares bem, nada afirmo, quero é saber o pensa a “comunidade fadista” e os apreciadores do Fado.

Iremos colher vários depoimentos, baseado no tema "toda a gente hoje gosta de Fado, canta-se mais Fado, grava-se mais Fado, etc...
Mas estará o Fado em decadência? Esta pergunta é um pouco/bastante maliciosa, de que Fado estou eu a falar?

Pois é Monteiro, tu não sabes de que “FADO” eu estou a falar… conhecemo-nos há cerca de 40 anos… e se Deus quiser ainda irmos viver e conviver mais alguns, mas de uma coisa estou certa… Tu não sabes, nem nunca saberás de que “FADO” eu me estou a referir!

Nota: Em tantos nomes que falaste acho de uma falta de lisura da tua parte não falares de Carlos do Carmo.

Um abraço
Vítor Duarte –Só - Já que agora, também já contestam quando uso “MARCENEI
De José António Saraiva a 9 de Outubro de 2011 às 23:08
Permita que lhe diga o seguinte.
Eu conheço algo da história do fado, sou dos tais que não me considero fadista, mas senhor A. Monteiro, falar num assunto destes e invocar António Lopes Graça, é decerto um "contrasenso", eu explico, não está em cauasa o valor do referido maestro, digníssimo militante do PCP, mas sim o que ele pensava e afirmou sobre o fado, e cito : ... è uma expressão mediocre e reaccionária, sem o mínimo valor poético/musical ., uma canção de vencidos... e muito mais, que nem vale a pena dizer. Talvez por isso hoje seja tão esquecidoe muito pouco lembrado pelo povo simples, a ma atento.
Explique-se melhor, se quiser, porque creia que não entendi onde queria chegar com toda a sua "prosa"... ou então não percebe mesmo nada de fado, se é amigo do senhor Vítor como ele diz, conhece o trabalho dele, então. tem por onde aprender, ou não!?
Cumprimentos.
A.J. Saraiva
De carlosescobar a 10 de Outubro de 2011 às 17:40
Não conheço o Sr: Acácio Monteiro, mas pelas divagações vejo que é uma pessoa interessada na música, mas Sr: Monteiro estamos a falar de "fado" e fado tem a ver com sentimento, coração, Lisboa, alma, saudade, etc: cantar fado é entregar a voz a um sentimento e a um estado de alma, fica portanto a léguas dos chavões por exemplo do Fernando Lopes Graça que dizia o fado um estilo menor(possivelmente porque não tinha sentimento suficiente para chegar ao fado). Estamos a falar de fado, não estamos a falar de Cristina Branco, Gonçalo Salgueiro, Mariza, Mísia e mais outros que cantam fado mas não são nem nunca poderão ser fadistas. Se quiser falar de experimentações de fado.....falemos, pois todos os processos evolutivos são bem vindos, se é seu desejo que o fado "ganhe"outras formas, está no seu direito,mas então não diga os nomes de Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Fernanda Maria, Fernando Maurício, Lucília do Carmo,etc,etc, etc,diga por exemplo que não gosta de fado.
Carlos Escobar
De Acácio Monteiro a 11 de Outubro de 2011 às 00:25
"mas então não diga os nomes de Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Fernanda Maria, Fernando Maurício, Lucília do Carmo,etc,etc, etc,diga por exemplo que não gosta de fado"
Será que o Sr Carlos Escobar, leu com atenção o meu texto?`´E que eu não citei nenhum dos nomes referenciados no seu texto.
Será que o Sr.Saraiva leu com atenção o meu texto? Eu nem sequer sabia que o maestro Fernando Lopes Graça era militante do PCP e António Lopes Graça não sei quem é. Os meninos estão desatentos, e abordam o que eu escrevi de uma maneira superficial, pouca abonatória em defesa do interesse e respeito que o fado merece. Eu tenho a lição mais bem aprendida. Acho que devem ler com mais atenção o texto , e comentar com os fundamentos de erudição de quem está preparado para atingir com coerencia aquilo que vos parece distorcido á vossa visão. Se não têm capacidade, para interpretar o que escrevi só tenho que vos apresentar as minhas humildes desculpas.
"Onit soit qui mal y pense", se não sabem o que isto significa podem consultar a Internet pois ela explica tudo, e ensina aos ignorantes como eu, o que é o fado, o flamengo, o tango, a MPB, a musica sertaneja, a bossa nova, o pagode ,o forró , o vira, a musica Celta, Jazz, Blues, Etc. E fazem o favor de não por ou escrever palavras ou ideias que não foram referidas por mim.
Sr. Vitor Duarte não conheço O Sr. Carlos do Carmo mas admiro a voz com que canta o fado, e a obra que nos vai apresentando ao longo da sua existência. Se é boa ou má, não me acho com direito de a comentar, mas de facto é um merito criativo que ao longos dos anos nos comtempla com o seu trabalho. "Onit soit qui mal y pense". Para ele vai o meu cumprimento pois tem o merito de nos ir apresentando alguma coisa que vai perpetuar a sua memória. Também recomendo que releias o texto que escrevi com a atenção que ele merece, e não tentes distorcê-lo, tendo em vista os teus interesses.
Ao Sr. Saraiva e ao Sr. Escobar recomendo mais atenção, pois até na escrita se revela o caracter e a preparação das pessoas para enfrentarem como lobos, o cordeiro que bebe calmamente a agua e que o acusam de conspurcar o regato. O meu nome é Acácio Significado Acácio : inocente, sem maldade.
http://www.osignificadodonome.com/significado-do-nome-acacio-216.html

Comentar post

Clique aqui para se inscrever na
Associação Cultural de Fado

"O Patriarca do Fado"
Clique na Foto para ver o meu perfil!

arquivos

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Site Portugues
Aguarelas gentilmente cedidas por MESTRE REAL BORDALO. Proibida a sua reprodução

tags

10 anos de saudade

2008

50 anos de televisão

ada de castro

adega machado

adelina ramos

alberto ribeiro

alcindo de carvalho

alcino frazão

aldina duarte

alfredo correeiro

alfredo duarte jr

alfredo duarte jr.

alfredo duarte júnior

alfredo marcemeiro

alfredo marceneiro

alice maria

amália

amália no luso

amália rodrigues

américo pereira

amigos

ana rosmaninho

angra do heroísmo

anita guerreiro

antónio dos santos

antónio melo correia

antónio parreira

argentina santos

armanda ferreira

armandinho

armando boaventura

armando machado

arménio de melo - guitarrista

artur ribeiro

árvore de natal

ary dos santos

aurélio da paz dos reis

avelino de sousa

bairros de lisboa

beatriz costa

beatriz da conceição

berta cardoso

carlos conde

carlos escobar

carlos zel

dia da mãe

dia do trabalhador

euclides cavaco

fadista

fado

fado bailado

fados da minha vida

fados de lisboa

fernando farinha

fernando maurício

fernando pessoa

florência

gabino ferreira

guitarra portuguesa

guitarrista

helena sarmento

hermínia silva

herminia silva

joão braga

josé afonso

júlia florista

linhares barbosa

lisboa

lisboa no guiness

lucília do carmo

magusto

manuel fernandes

marchas populares

maria da fé

maria josé praça

maria teresa de noronha

max

mercado da ribeira

miguel ramos

noites de s. bento

oficios de rua

óleos real bordalo

paquito

porta de s. vicente ou da mouraria

pregões de lisboa

raul nery

real bordalo

santo antónio de lisboa

santos populares

são martinho

teresa silva carvalho

tereza tarouca

tristão da silva

vasco rafael

vítor duarte marceneiro

vitor duarte marceneiro

vítor marceneiro

vitor marceneiro

zeca afonso

todas as tags