Sábado, 10 de Dezembro de 2011

A ÁRVORE DE NATAL - ORIGENS E TRADIÇÕES- LEMBRANÇAS

Foi postado nesta página um comentário,  que abaixo transcrevo, enviada pelo meu amigo Acácio Monteiro.

É uma descrição/memória,  deveras enternecedora, pelo que lhe dou maior destaque, porque se poderia perder a sua visualização por estar nos comentários, que têm menos visibilidade.

Espero que gostem como eu gostei, e gostei porque me identifico também com esta narrativa.

As novas tecnologias (a árvore de plástico, etc...), também trazem algumas vantagens, no caso da árvore de natal, diminuiu substancialmente o abate indiscriminado do pinheiro.

Volto a colocar aqui o videoclip que realizei sobre este tema, que por coincidência tem um poema dito pelo meu amigo, Acácio Monteiro.

 

 

Mensagem: De Acácio Monteiro a 15 de Dezembro de 2011 às 11:56

 

A minha árvore de Natal é de Plástico e é a mesma á 10 anos. Reciclada e decorada todos os anos com as mesmas peças e luzes. Lembro-me em criança esperar o natal ansiosamente, pois era a época que alguns dos meus sonhos materiais se concretizavam. A madrinha que só a via uma vez por ano e dava-me 500 escudos, o que em 1950 era muito dinheiro, e um brinquedo. Como éramos pobres remediados o dinheiro ajudava também a compor o Natal. Só mais tarde me apercebi disso. Lembro-me de um natal,  quando tinha 8 anos, de receber uma bola de borracha,  que nos primeiros 15 dias, até  dormia com ela na cama. Guardava-a ciosamente e não a compartilhava com ninguém. Os companheiros de rua que jogavam com bolas de trapo bem me queriam convencer a jogar com eles com a bola de borracha... Eu argumentava que era para poupar e não estragar.  Cerca três meses depois,  a minha mãe perguntou-me pela bola que deu a madrinha. Fiquei aflito pois já a tinha esquecido. Corri a casa á procura dela. Finalmente encontrei-a. Jazia abandonada debaixo da minha cama. Compreendi com o tempo, que na vida, todas as ambições e ganâncias, são supérfluas, venais e banais. Ainda bem que guardo a àrvore de plástico,  que monto no Natal. Alegra a casa, pois ela merece, ilumina os corações, e recorda-nos que o Natal é das crianças, e como foi bom termos sido meninos uma vez por ano.
Saúde, sorte e dinheiro para gastos são os meus votos de bom Natal.
Acácio Monteiro

 

 

Alfredo Duarte Júnior

Canta: Aí Vem o Natal

Letra de Carlos Conde com música de Alfredo Marceneiro

 

El Rei D. Dinis, foi um dos mais marcantes vultos do Portugal medieval. Protector da agricultura, mandou plantar  o pinhal de Leiria e povoou o litoral. Criou a Universidade e abriu horizontes culturais à Nação. O rei “Trovador”, famoso pelas suas românticas cantigas de amigo, foi uma espécie de inventor da elegância. Destacou-se a escrever e tornou o português na língua oficial do País. Rei poeta, cortejou as artes.  

Foi casado com Isabel D´Aragão, que veio a ser canonizada como, Rainha Santa Isabel. 

Acontece pela época natalícia, que muita gente inconscientes,  e outros  conscientes, que abatem o primeiro pinheiro pequeno que lhes agrada para montarem a sua árvore de natal, e quantas vezes para vender,  é um crime contra a natureza.  

Há nesta época árvores suficientes para servir esta tradição, mas é feita por técnicos ou agricultores entendidos no repovoamenteoda mata. Resumindo, passados uns anos após o semear do pinhal, seja ele programado ou por via natural, há que fazer um desbaste de forma a que a árvore que vai ficar, tenha um espaço à sua volta que lhe permita desenvolver-se de forma mais rápida e com qualidade.

Nunca é demais lembrar, temos os flagelos dos incêndios no verão, e nesta época o flagelo do abate indiscriminado do pinheiro.

 

      

 

A Árvore de Natal é um pinheiro ou abeto, enfeitado e iluminado, especialmente nas casas particulares, na noite de Natal.

 A tradição da Árvore de Natal tem raízes muito mais longínquas do que o próprio Natal.

 Os romanos enfeitavam árvores em honra de Saturno, deus da agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a Árvore de Natal. Os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casa no dia mais curto do ano (que é em Dezembro), como símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.

 Segundo a tradição, S. Bonifácio, no século VII, pregava na Turíngia (uma região da Alemanha) e usava o perfil triangular dos abetos com símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o carvalho, até então considerado como símbolo divino, foi substituído pelo triangular abeto.

 Na Europa Central, no século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.

 

Árvore de Natal como hoje a conhecemos

 

A primeira referência a uma “Árvore de Natal” surgiu no século XVI e foi nesta altura que ela se vulgarizou na Europa Central, há notícias de árvores de Natal na Lituânia em 1510.

 

Diz-se que foi Lutero (1483-1546), autor da reforma protestante, que após um passeio, pela floresta no Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes trouxe essa imagem à família sob a forma de Árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, isto porque para ele o céu devia ter estado assim no dia do nascimento do Menino Jesus.

 O costume começou a enraizar-se. Na Alemanha, as famílias, ricas e pobres, decoravam as suas árvores com frutos, doces e flores de papel (as flores vermelhas representavam o conhecimento e as brancas representavam a inocência). Isto permitiu que surgisse uma indústria de decorações de Natal, em que a Turíngia se especializou.

 No início do século XVII, a Grã-Bretanha começou a importar da Alemanha a tradição da Árvore de Natal pelas mãos dos monarcas de Hannover. Contudo a tradição só se consolidou nas Ilhas Britânicas após a publicação pela “Illustrated London News”, de uma imagem da Rainha Vitória e Alberto com os seus filhos, junto à Árvore de Natal no castelo de Windsor, no Natal de 1846.

 Esta tradição espalhou-se por toda a Europa e chegou aos EUA aquando da guerra da independência pelas mãos dos soldados alemães. A tradição não se consolidou uniformemente dada a divergência de povos e culturas. Contudo, em 1856, a Casa Branca foi enfeitada com uma árvore de Natal e a tradição mantém-se desde 1923.

 

 

 

 Árvore de Natal em Portugal

 Como o uso da árvore de Natal tem origem pagã, este predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico. Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios.

 Contudo, em Portugal, a aceitação da Árvore de Natal é recente quando comparada com os restantes países. Assim, entre nós, o presépio foi durante muito tempo a única decoração de Natal.

 Até aos anos 50, a Árvore de Natal era até algo mal visto nas cidades e nos campos era pura e simplesmente ignorada. Contudo, hoje em dia, a Árvore de Natal já faz parte da tradição natalícia portuguesa e já todos se renderam aos Pinheirinhos de Natal!

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
música: Poema da Árvore
publicado por Vítor Marceneiro às 11:26
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3 comentários:
De Carlos Caria a 14 de Dezembro de 2011 às 12:33
Caro amigo,
Bonito texto para esta quadra.
Os meu votos sinceros de umas Boas Festas.
Abraço amizade
Carlos Caria
De Vítor Marceneiro a 14 de Dezembro de 2011 às 13:15
Obrigado, tudo de bom para si e para os seus.Um abraço. Vítor Duarte
De Acácio Monteiro a 15 de Dezembro de 2011 às 11:56
A minha árvore de Natal é de Plástico e é a mesma á 10 anos. Reciclada e decorada todos os anos com as mesmas peças e luzes. Lembro-me em criança esperar o natal ansiosamente, pois era a época que alguns dos meus sonhos materiais se concretizavam. A madrinha que só a via uma vez por ano e dava-me 500 escudos, o que em 1950 era muito dinheiro, e um brinquedo. Como éramos pobres remediados o dinheiro ajudava também a compor o Natal. Só mais tarde me apercebi disso. Lembro-me de um natal receber, penso quando tinha 8 anos, de receber uma bola de borracha e que nos primeiros 15 dias dormia com ela na cama. Guardava-a ciosamente e não a compartilhava com ninguém. Os companheiros de rua que jogavam com bolas de trapo bem me queriam convencer a jogar com eles com a bola de borracha. Eu argumentava que era para poupar para a não estragar. Três meses depois a minha mãe
perguntou-me pela bola que deu a madrinha. Fiquei aflito pois já a tinha esquecido. Corri a casa á procura dela. Finalmente encontrei-a. Jazia abandonada debaixo da minha cama. Compreendi, com o tempo, que na vida, todas as ambições e ganâncias, são supérfluas, venais e banais. Ainda bem que guardo a arvore de plástico que monto no Natal. Alegra a casa, pois ela merece, ilumina os corações, e recorda-nos que o Natal é das crianças, e como foi bom termos sido meninos uma vez por ano.
Saúde, sorte e dinheiro para gastos são os meus votos de bom Natal.
Acácio Monteiro

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