Segunda-feira, 31 de Março de 2014

MALHOA... Mestre José Malhoa (1855-1933)


 

José Victal Branco Malhoa, nasceu nas Caldas da Rainha.

Veio para Lisboa onde fez toda a sua educação artística. Foi no início um pintor de assuntos de ar-livre. Passa por várias fases do desenrolar da sua criatividade. É assim que pinta a festa de S. Martinho e «O Fado», onde as figu­ras saem fora da vida para se impre­gnarem duma transfiguração impar. São os bêbados e os párias, vinho, e a meia-luz das vielas sombrias.

«O Fado», sobretudo, é uma alegoria pungente; um par amoroso numa atitude aviltante, num interior de lupanar onde não falta o olhar comise­rado duma estampa do Senhor dos Passos, com a túnica roxa e a cruz às costas.

Mas o povo de Lisboa tem-lhe prestado o culto da admiração, glosando o seu motivo com pretextos da glorificação, e ama este quadro como jóia preciosa. O Fado de Malhoa!          

Cantou-o a voz de Amália Rodrigues e tantas outras. Tem sido motivo de inspiração de cantigas e bailados nos teatros musicados; foi argumento de filmes, legenda de calendário, polémica de estudos, glosa de versos populares… e anda decorado na pupila dos lisboetas como estampa que é bem sua.

«A Voz de Portugal» na sua edição de 15 do Outubro de 1955 transcreve a história desta obra de arte ligada à cantiga popular portuguesa, como homenagem ao pintor que foi enaltecido em bronze numa praça da sua terra natal, num texto de António Montez.

Amigo de Lisboa e português dos melhores, entendeu o artista dever mostrar ao mundo a pintura que tanto o prendeu.

A França, a Espanha, a Inglaterra e a Argentina apreciaram o trabalho, deram-lhe altas recompensas, o que, por si só, justifica a sua aquisição pela Câmara Municipal de Lisboa, que não quis, perder a oportunidade de guardar no «Museu da Cidade» um quadro de realismo impressionante, sem dúvida a pintura mais lisboeta na obra do Mestre.

Mas para Malhoa não foi tarefa fácil a escolha dos modelos para o quadro!

Ao tempo, havia na Mouraria um fadista que dava que falar, conhecido pela alcunha de «Pintor».

As visitas diárias de Malhoa, à viela sombria da Rua do Capelão, começaram a chamar a aten­ção das desgraçadas do bairro castiço, que, para evitar confusões, passaram a chamar a Malhoa «O Pintor Fino». Aliás foi uma delas que lhe indicou o rufião Amâncio – tocador de guitarra que manejava a navalha como poucos –, para modelo do qua­dro que havia de imortalizar Malhoa.

O primeiro encontro do pintor com o fadista, em plena Mouraria, consti­tuiu um acontecimento sensacional, pois deu lugar à apresentação da Adelaide, também chamada «Adelaide da Facada», por virtude dum traço largo e profundo que tinha do lado esquerdo do rosto, razão que levou o Mestre a mudar a posição que tinha esboçado inicialmente para os retratos.

Malhoa disse o que queria, pôs con­dições, e como a oferta de seis vinténs por sessão, foi considerada bastante compensadora, o Amâncio garantiu que Adelaide não faltaria nunca!

Foi sol de pouca dura, pois Amân­cio, ruído de ciúmes, agredia a compa­nheira logo que o pintor voltava costas, acabava por vir a polícia, e lá iam os dois para o Governo Civil, a insultarem-se mutuamente, mas o mestre Malhoa, com a sua influência pessoal, lá conseguia li­bertar os turbulentos modelos.

A certa altura, Malhoa fez descer a alça da camisa da infeliz. O Amâncio, cada vez mais ciumento, não gostou da graça, azedou-se, e de mão no bolso e ar ameaçador, disse ao Mestre que não era para brincadeiras. Não se sabe o que se passou, mas a verdade é que a alça subiu para o seu lugar, da mesma forma que a saia branca gomada foi substituída pelo saiote de baeta vermelha.

 

 

 Quadro do Mestre José Malhoa " o Fado"

 

 FADO MALHOA

Criação de Amália Rodrigues

Letra de: José Galhardo 

Música de: Frederico Valério


 

 

A publicidade que aparece no video é da responsabilidade do Youtube

 

 

FADO MALHOA

Alguém que Deus já lá tem

Pintor consagrado,
Que foi bem grande
E nos fez já ser do passado,
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida.

                                               Subiu a um quarto que viu
                                               A luz do petróleo
                                               E fez o mais português
                                               Dos quadros a óleo
                                               Um Zé de Samarra
                                               Com a amante a seu lado
                                               Com os dedos agarra
                                               Percorre a guitarra
                                               E ali vê-se o fado.

Faz rir a ideia de ouvir

Com os olhos senhor
Fará mas não para quem já

Ouviu mas em cor

Há vozes de Alfama

Naquela Pintura

E a banza derrama

Canções de amargura

 

                                                 Dali vos digo que ouvi
                                                 A voz que se esmera
                                                 Dançando o Faia banal
                                                 Cantando a Severa
                                                 Aquilo é bairrista
                                                 Aquilo é Lisboa
                                                 Aquilo é fadista
                                                 Aquilo é de artista
                                                 E aquilo é Malhoa

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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1 comentário:
De Matias Guevara Vieira a 28 de Abril de 2012 às 11:43
Es una historia fantástica. Muito obrigado por darla a conocer.
Un abrazo desde la Patagonia.

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