Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

JOAQUIM CAMPOS

 

JOAQUIM CAMPOS, nasceu em Lisboa, na Fonte Santa, em 1911, passando, porém, a viver em Alfama, onde se iniciou a cantar o fado ainda criança. Foi no entanto em Setúbal que se apresentou em público pela primeira vez, em 1923, com 12 anos de idade, cantando uma letra que adquirira num quiosque do Rossio onde se vendiam folhetos com cantigas de poetas populares.

Aos 16 anos empregou-se na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses como escriturário, lugar em que permaneceu até à reforma, sem todavia deixar de cantar o fado, que foi a grande paixão da sua vida.

Foi considerado por muitos, o maior cantador da sua geração.

Dotado de uma voz suave e límpida, e primando por uma dicção impecável, Joaquim Campos atingiu, na verdade, alto nível como cantador, considerado por alguns como o "Bruxo do fado", devido ao estilo das suas interpretações e à  forte personalidade artís­tica que o caracterizou.

Fundador, com Alberto Costa, do Grémio Artístico Amigos do Fado, responsável pela organização de variadíssimas festas de beneficência, Joaquim Campos foi também um homem bom, que cultivou a amizade e a solidariedade, nunca se escusando a dar o seu contributo para minorar situações difíceis.

Ainda jovem, foi grande admirador de Luís Carlos da Silva (Petrolino), que na companhia do guitarrista Norberto ia frequentemente escutar ao café da Rua do Jardim do Regedor, ao tempo em que aquele ali actuava, o que contribuiu para o apuramento da sensibilidade musical de que deu provas na composição dos seus fados: Estações da Vida, Pobrezinhos, Amadores, A Boneca, Fado Puxavante, Voz do Mar, Fado Castanheira, Fado Alexandrino, Fado Vitória, Fado Rosita, Nosso Fado, O Cavador, Fado Simples, Fado Lisboa, Fado Estela, Fado Tango, Fado Aurora, O Meu Filho e Fado Sem Pernas.

Gravou em disco, além de alguns desses fados, uma Desgarrada com o Dr. António Menano e com Ercília Costa, um Dueto Sobre o Fado e Romance com Júlio Proença, e Fado da Mouraria com Ercília Costa, tendo-se exibido por todo o País. Mas foi sobre­tudo em Lisboa que obteve os seus grandes sucessos, cantando no Retiro da Severa, no Café Luso e Café Mondego e no Solar da Alegria, bem como no Coliseu dos Recreios, Eden- Teatro, Teatro Maria Vitória e Teatro Apolo.

Joaquim Campos (que esteve ligado, sentimentalmente, à cantadeira Rosa Maria até à morte prematura desta) foi um intérprete particularmente cuidadoso na escolha do seu reportório, preferindo letras dos poetas populares Fernando Teles, Manuel Soares, Linhares Barbosa e Gabriel de Oliveira.

Ao chegar a hora de se retirar da actividade artística, Joaquim Campos teve uma grandiosa festa de consagração em 1945, no Teatro Capitólio, onde os seus inu­meráveis amigos e admiradores lhe testemunharam de forma calorosa o apreço em .que tinham as suas qualidades humanas e de insuperável cantador.

© Vítor Duarte Marceneiro

 

 

INSPIRAÇÃO

 

Letra de: Gabriel de Oliveira

 

O fadista quando canta,

Se tiver no pensamento

Um sorriso de mulher,

Vibra-lhe a voz na garganta,

Canta com mais sentimento

Faz da garganta o que quer.

 

                                                  A mulher tem o condão

                                                  Que nos encanta e domina

                                                  De ameigar a nossa voz...

                                                  E uma estranha sensação

                                                  Da sua graça divina

                                                  Palpita dentro de nós.

 

Será por isso que a gente,

Cantando um fado qualquer,

Canta melhor, sendo amado:

- Há-de haver eternamente

Uma sombra de mulher

No sentimento dum fado

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Fadistas de antigamente
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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