Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

SEVERA

A SEVERA

Imagem da Severa

(Desenho da època)


As relações amorosas ilícitas, entre o Conde de Vimioso e a canta­deira de Fado Maria Severa, constituíram motivo de inspiração para representações de arte plástica, de teatro, cinema, televisão, sendo decerto o livro de Júlio Dantas que mais se destacou, mais tarde Júlio Dantas com base no livro escreve uma peça (em quatro actos) represen­tada pela primeira vez no Teatro D. Amélia (actual S. Luís) em 25 de Janeiro de 1901, e tal como já  acontecera com o romance, obteve grande sucesso.
Em 1909 é mais um êxito como “Opereta” adaptada por André Brun e musicada pelo maestro Filipe Duarte
Em 1931 foi ainda usado como guião para o realizador Leitão de Barros rodar o filme “A Severa”, o primeiro filme sonoro gravado em Portugal.
Em 1955 a Severa foi reposta em cena no Teatro Monumental, com Amália Rodrigues no papel da protagonista e a participação, entre outros, de Madalena Sotto, Assis Pacheco, Santos Carvalho, Paulo Renato, Rui de Carvalho e Mário Pereira, ainda o público encontrou nela motivos de agrado.
Em Fevereiro de 1990 o empresário Sérgio de Azevedo leva à cena um musical no Teatro Maria Matos, “ A SEVERA” tendo o papel da Severa , a actriz Lena Coelho e Carlos Quintas no papel do Vimioso, Carlos Zel também fez parte do elenco.
Maria Severa Onofriana, filha de Severo Manuel de Sousa e de Ana Gertrudes Severa (alcunha adaptada do nome próprio do marido), nasceu em 1820 em Lisboa aos Anjos numas barracas nos montes,
Seu pai era de etnia cigana, e a mãe uma portuguesa de Ovar que, com outros pescadores da região, emigrara para Lisboa . Atri­bui-se a essa ascendência cigana a sua beleza exótica e o seu cantar expressivo, que conquistou os boémios da capital.
Sua mãe, Ana Gertrudes Severa, era uma célebre prostituta da Mouraria conhecida pelo sobrenome de "Barbuda", e Maria Severa terá ingressado muito cedo na mesma profissão, depressa se distinguindo nesse meio, não só - e muito em particular, como seria de esperar em semelhante contexto - pela beleza trigueira, como ainda pelos dotes invulgares de cantadeira de Fado.
Em 1831 morava na Rua Direita da Graça, terá ainda morado no Pátio do Carrasco, ao Limoeiro por alturas de 1844-45, viveu no Bairro Alto à Travessa do Poço da Cidade, antes de se fixar definitivamente na Mouraria, na Travessa do Poço da Cidade nº 35-A, ao tempo chamada de Rua Suja, era frequentada pela marujada portuguesa e inglesa.
De Severa à muitos estudiosos, contam-se muitas histórias dela e/ou com ela, umas talvez verdadeiras, outras talvez não tanto.
Conta-se que percorria os bairros populares de Lisboa, e a sua voz animou as noites de muitas tertúlias bairristas, tabernas ficaram famosa só pela sua presença.
Naquela época os “bastidores” da Mouraria, eram de má fama. Botequins, batota, ladrões, prostitutas e rufias, que lhe dava um estranho encanto, era esta a Lisboa popular e a Mouraria oitocentista — “chinela no pé, cigarro lambido, peúgo riscado, chapéu às três pancadas, navalha no bolso tendo como banda sonora a guitarra. Esperas e Touradas, hortas aos Domingos, pancadaria de vez em quando. Os nobres demandavam tabernas e as meretrizes eram recebidas nos salões” — escândalos cujas crónicas deixaram registo.

                        

 Inicio da  Rua do Capelão na época                   Largo da Severa na Mouraria, onde a Severa viveu.
A Severa cantava e batia o Fado na taberna da Rosária dos óculos, situada ao cimo da Rua do Capelão na chamada casa de pedra.
A sua mocidade cheia de beleza, despertou paixões e ocasionou desvarios, fez perder a serenidade, e a compostura a fidalgos, burgueses, artistas e políticos.
Dizem escritos da época — Era linda, era alta um pouco delgada, seio e flancos esplêndidos, cabelos muito pretos, lábios muito vermelhos e nos olhos uma expressão indiscritível.
Diz-se que terão sido os seus olhos que terão atraído o Conde de Vimioso aliado ao seu doce canto e a paixão deste pelo som da guitarra.
O Conde era um homem garboso e de boa figura, foi o primeiro Cavaleiro Tauromáquico da sua época, arte que foi durante muitos anos ídolo dos espectadores das toiradas no Campo de Sant' Ana, o que não foi indiferente à Severa, o seu entusiasmo pelas corridas de touros, e sobretudo pelo toureio equestre, que a aproximou daquele, cuja popularidade exaltou cantando-o em letras de fados, de um dos quais chegou até nós esta quadra:
 
p'ra mim, o supremo gozo
É bater o fado liró
E ver combater c'um boi só
 
O contraste entre a condição social destes amores, foram por si só tema de conversa e de boatos e de muitos fados.
Má sina, na verdade, a da pobre Severa, que teve a intuição de que após a sua morte ainda havia de andar muito nas bocas do mundo, como resulta destas sextilhas da sua autoria:
 
                                    Quando a morte me levar
                                    Não há decerto faltar
                                    Quem diga mal da Severa!
                                    Pois neste mundo falaz
                                    De tudo se é capaz
                                    E só o mal se tolera...
 
                                    Lá na fria sepultura,
                                    Nessa cova tão escura
                                    Irei enfim descansar?
                                    Pressinto que em expiação
                                    E novamente ao baldão
                                   Aqui terei de voltar...
 
Leviano e mulherengo o Conde acaba por deixar a Severa e apaixona-se por uma cigana, o que a deixa desvairada, mas começa a não ter forças e a vivacidade para lutar pelo seu amante.
Por volta de 1845 já se manifestavam os sintomas da doença que a haveria de matar. (A sua morte terá sido devido a tuberculose pul­monar, de acordo com o estudo do Dr. Amaro de Almeida)
Severa morre pobre e abandonada num miserável bordel da Rua do Capelão, corria o ano de 1846, consta que as sus últimas palavras terão sido — “Morro, sem nunca ter vivido” — tinha 26 anos.
Foi sepultada em vala comum, sem caixão, que as amigas exigiram para fazer cumprir o que considerava seu desejo quando cantava versos dela:
 
                                     Tenho vida amargura
                                     Ai que destino infeliz!
                                     Mas se sou tão desgraçada
                                     Não fui eu que assim o quis.
 
                                     Quando eu morrer, raparigas,
                                     Não tenham pesar algum
                                     E ao som das vossas cantigas
                                     Lancem-me na vala comum.
 
Certidão de óbito da Severa
Assento de óbito, exarado pelo pároco da freguesia do Socorro, Padre Félix do Coração de Jesus,
"No dia trinta do mez de Novembro de mil oito centos e quarenta e seis annos na Rua do Capellaõ N° 35 A, falecêo apopletica sem Sacramentos, Maria Severa Honofriana, natural de Lisboa, idade de vinte e seis annos, solteira, filha de Severo Manoel de Souza e de Anna Gertrudes Sevéra. Foi a sepultar ao Cemiterio do Alto de Saõ Joaõ, de q fiz este assento”.
 
Registo do enterramento
 
1º cemitério de Lisboa
(Oriental – Alto de S. João)
Lº. Nº 3 a fls. 117
Nome: – Maria Severa Honofriana
Idade: - 26 anos
Estado: – Solteira
                Meretriz
Onde faleceu: - Rua do Capelão nº 35- A – Loja
Freguesia: - Socorro
Quando faleceu: - às 21 horas de 30 de Novembro de 1846
Entrou no cemitério: - às 16 horas e trinta de 1 de Dezembro de 1846
Quando sepultada: - às 7 horas do dia 2 de Dezembro de 1846
Onde: - Vala comum
Faleceu de: - Congestão cerebral
 
Mas foi após a sua morte que ela se tornou, de facto, um símbolo do fado. Na ver­dade, desde então jamais os autores de letras de fados deixaram de a celebrar, suges­tionados pela lenda dessa mulher de baixa condição que, todavia, logrou transpor os umbrais da fama. E, de entre as muitas composições que falam dela, uma alcançou teve grande êxito, com letra de José Galhardo e música de Raul Ferrão:
 
                                           Num beco da Mouraria
                                           Onde a alegria
                                           Do Sol não vem,
                                           Morreu Maria Severa.
                                           Sabem quem era?
                                           Talvez ninguém!
 
Consultas:
“Severa” de Júlio de Sousa e Costa
“História do Fado” Pinto de Carvalho (Tinop)
 
Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 20:53
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26 comentários:
De Nuno Lopes a 10 de Abril de 2007 às 20:40
N. Lopes disse sobre A SEVERA
na Segunda-feira, 9 de Abril de 2007 às 15:08:
Comentário:
Parabéns por recordar esta figura da cidade de Lisboa, ícone da boémia e figura maior da fadistagem! Todavia, na minha modesta qualidade de estudioso, dei por mim a topar com várias referências aqui e ali sobre esta figura tratada mais no plano mítico que real. A actriz Palmira Bastos que chegou a encarnar o papel de Severa no teatro referia-se a ela como sendo “a dama das camélias da Mouraria”. Terá sido de facto o seu relacionamento com Conde que mais chamou a atenção, mas já antes deste relacionamento já fadista e meretriz era conhecida na Mouraria e na Lisboa da época a ponto de vários intelectuais da praça não lhe terem sido indiferentes. E são esses relatos que hoje servem de base a muita especulação. Júlio de Sousa e Costa que a conheceu deu-se ao trabalho de coligir alguns testemunhos sobre a flor da Mouraria, num livro editado em 1936, que conheceu duas outras edições, a mais recente em 1995. Todavia refira-se que não são seguras as origens ciganas de Severa. A pele sabe-se que era muito clara que contrastava, segundo relatos de contemporâneos com o cabelo negro de azeviche, e lábios carnudos e muito vermelhos. A mãe – a muito temida na altura Maria Barbuda - estabeleceu-se na Madragoa com uma taberna, já casada e já Severa era nascida. Alguns autores apontam esta taberna na Rua Vicente Borga como o início de uma vida de prostituição de Maria Severa, pois o bairro era frequentado por vários marinheiros. Mais tarde Severa irá percorrer vários locais sempre com a mãe, mas já sem o pai. Nunca morou no Beco do Carrasco. Quem aí morou foi a sua mãe, depois da morte de Severa. Urge refazer a biografia da Severa que de amores não terá morrido pois, numa entrevista ao escritor Júlio de Sousa e Costa. o senhor Oliveira, serralheiro de profissão, afirmou tê-la visto "certa manhã no Poço do Borratém, muito pálida, magríssima, tossindo muito, mas sempre alegre". Maria Severa morreria sim, mas não de "tédio" ou de um "guisado de borrachos" como afirma o historiador do Fado Tinop. Aos 26 anos, Severa terá sucumbido ao mal da sua época, a tísica, por outras palavras a tuberculose. Quando conheceu o conde, D. Francisco de Paula de Portugal e Castro, 13ºe último Conde de Vimioso já este “muito se degradara" na opinião de Miguel Queirol que os conheceu. Refira-se que conde ainda lhe deu casa na Mouraria, mas a Severa fugiria dessa "prisão amantíssima" saltando para cima de uma carroça de trouxas de roupa que ia lavar a Caneças. Para Manuel Botas seria difícil o prosseguir deste romance. A Severa não se baixava à condição do aristocrata, o Conde luzia noutros salões para além das tabernas da Mouraria que também frequentava, e na sua opinião apenas viu na Severa "um acepipe de taberna". Ela terá gostado da sua galhardia na praça de toiros ao Campo de Santana. Severa – e há que o sublinhar -, para além de cantar o fado acompanhava-se a si própria numa guitarra de cravelhas, e até escrevia os poemas que cantava. Um companheiro seu, Manuel Botas, descreve deste modo a sua peculiar forma de cantar: "Às vezes guardava-se melancólica, nesses momentos cantava com tal sentimento que nos causava funda impressão. Ouvia-a numa ocasião, no Café do Bola, à Guia. Era um fado dolente, cantando a vida duras das que não têm lar nem alegria, sentia bem o que cantava porque tinha os olhos maranhados de lágrimas". A terminar este já longo comentário deixo esta citação do escritor Bulhão Pato, que a conheceu. “A pobre rapariga foi uma fadista interessantíssima como nunca a Mouraria tornará a ter. Não será fácil aparecer outra Severa, altiva, impetuosa, tão generosa como pronta a partir a cara a qualquer um que lhe fizesse uma tratantada! Valente, cheia de afectos para os que estimava, assim como era rude para com os inimigos. Não era mulher vulgar, pode ter a certeza!".
De Pedro Fonseca a 11 de Abril de 2007 às 15:01
Muito apropriado o coemntário e bem documentado. Ficamos com uma ideia muito diferente da imagem anedótica e bairrista da Severa. Supresa o facto de escrever poemas, sabe se há alguns que tenham chegado até nós? E quanto a retratos há algum fiável?
De N. Lopes a 12 de Abril de 2007 às 14:17
Obrigado pelas simpáticas palavras. Que se conheça e de fonte segura não chegaram a nós quaisquer poemas escritos por Maria Severa Onofriana. Circularam umas quadras atribuídas a si, nomeadamente uma quadra em que a flor da Mouraria pedia às companheiras cantassem e lançassem o seu corpo à vala comum, como aliás aconteceu. Nada se comprova como ser de sua autoria. Quanto ao retrato, o pintor Francisco Metrass (1825-1861) esboçou a carvão um projecto de retrato. Desse esboço nota-se o nariz arrebitado, o cabelo puxado para traz, e advinha-se o peito generoso. Todas as composições de" Severas" foram feitas através da imaginação de cada um, e tendo em conta as descrições feitas de contemporâneos seus, além dos já citados, refira-se também Luís Palmeirim. Além, claro está, do que historicamente conhecemos da indumentária da época.
Aproveito para informar que o Dr. Luís de Castro fará uma palestra sobre esta figura histórica, em Outubro na Sociedade Portuguesa de Autores, no âmbito das palestras da Associação de Amizade Portugal-Portugal.
De Vítor Barbosa a 6 de Janeiro de 2008 às 16:54
Boa tarde N Lopes:

No seu post refere:

"...Quanto ao retrato, o pintor Francisco Metrass (1825-1861) esboçou a carvão um projecto de retrato. Desse esboço nota-se o nariz arrebitado, o cabelo puxado para traz, e advinha-se o peito generoso."

Sabe onde é que é possível visualizar esse retrato?

Obrigado.



De André Vidigueira a 13 de Abril de 2007 às 20:37
Parabéns pelo texto. Não fazia a ideia desta Severa, pensei que era nó o nobre que a tinha conhecido, pelos vistos até a intelectualidade. A expressão flor da Mouraria é sua, ou de algum autor?
De Vítor Marceneiro a 13 de Abril de 2007 às 21:18
Amigo André Vidigueira.
Obrigado pela sua visita ao blog e pelo comentário.
A Expressão não é minha, o trabalho foi feito com base na pesquisa dos livros existentes, que indico no fim do artigo, mas também poderá ficar mais esclarecido lendo o comentário sobre este mesmo tema de Nuno Lopes.
Um Abraço
Vitor Marceneiro
De Amadeu Antunes a 11 de Abril de 2007 às 19:55
Parabéns pelo interesse numa das figuras mais esquiecidas da cidade e que foi uma Grande Lisboeta!
De Flores de Verde Pino a 11 de Abril de 2007 às 20:51
Depois de tres livros e esta briulhante iniciativa do blog e de colocar Lisboa no Guiness como a cidade mais cantada, com este bem trabalhado texto sobre a Severa e o bem docuemntado e argumentado comentário do Sr. N. Lopes, será que está na forja mais um livro do Marceneiro? Até em parceria!
De Teresa Lima a 11 de Abril de 2007 às 20:57
Alguém devia escrever uma biografia actualizada sobre a Severa. Essa edição que o Senhor N. Lopes faz referência onde se encontra?
De N. Lopes a 12 de Abril de 2007 às 14:21
As duas 1ªas edições, certamente já esgotadas, são da Bertrand. Como refiro no meu comentário, a edição é da Editorial Acontecimento, se não estiver disponível no mercado, pode sempre consultar na Biblioteca Nacional, em Lisboa, em qualquer biblioteca municipal do país, ou ainda na capital, na Fonoteca Municipal.
De Paulo Alves a 16 de Abril de 2007 às 12:47
Exmo. Sr. N. Lopes
Será que poderá facultar mais fontes de pesquisa sobre a Severa? Gostei do comentário e parabéns ao Vítor Duarte por nos recordar uma figura emblemática do fado!
Já agora quando é a tal palestra na SPA?
De N. Lopes a 16 de Abril de 2007 às 20:45
As fontes deste parco conhecimento encontram-se nos livros e em docuemntos, julgo até que alguns estarão por "espiolhar". Entre os arquivos e bibliotecas recordo as biblioteca Nacional e a Municipla Central de Lisboa, o Arquivo da Torre do Tombo e o Municipal de Lisboa, Gabinete de Estudos Olissiponenses. No caso da Biblioteca Nacional grande parte do seu espólio está disponível via internet.
De Inês Martins a 16 de Abril de 2007 às 12:49
Parabéns nem sabia que a Severa tinha certidão de nascimento ou de óbito! Mais esclarecida fiquei com o seu texto e o do Sr. N. Lopes.
De paulorsvaladares@terra.com.br a 31 de Agosto de 2007 às 16:06
Li o perfil da Severa.
bem escrito, profundo e como não poderia deixar de ser, triste.
Procuro informações sobre o guitarrista Josué dos Santos, que acompanhava a Luzia "a Cigana".
Cumprimento e agradeço,
Paulo Valadares, Campinas, Brasil.
De Vítor Marceneiro a 31 de Agosto de 2007 às 23:17
Meu caro amigo mandei para o seu mail o que arranjei, mas vei devolvido.pAsso a enviar por aqui, espero que cá volte e veja.
Caro amigo aqui lhe envio as referências que encontrei sobre o Guitarrista Josué dos Santos
Século XIX inícios do Século XX

…"O fado tem duas espécies de dança: bater o fado e a dança propriamente dita.
Bater o fado é uma dança ou meneio particular, em que entram duas pessoas ou três: uma que apara (ou duas, às vezes) e que deve estar quieta e o mais firme possível, e outra que bate, dando regularmente as pancadas com a parte inferior das coxas nas coxas das pernas do que apara, e meneando-se com requebros obscenos".
Citamos, alguns célebres batedores do fado, como o Conde de Vimioso, José Crisóstomo Veloso
Horta, Mercadet, o padre Mateus, o guitarrista Josué dos Santos, o Augusto da EmI1ia dos Caniços, o José da Bolacheira, a Borboleta, a Ana do Porto, a Ana de Setúbal, a Emíliaia Midões, a Amélia do Paixão e a Lucinda do Bairro Alto.
Clarificando: o fado batido não passava de uma função em que os intervenientes batiam, cadenciadamente, com o ventre contra ventre ou, melhor, em que um batia e outros aparavam o choque, efectuado o batedor os tais "requebros obscenos".

…Bateu o fado o velho fadista Manuel Botas (que fora companheiro do Conde de Vimioso) e cantaram Manuel Serrano, José Emídio Maior, Fortunato José da Cunha, Carlos Harrington e Jaime Soares, bem como a Júlia Florista e a Amélia das Laranjas, acompanhados pelos guitarristas Tomás Ribeiro, Carmo Dias, Reinaldo Varela, António Cândido Miranda, o Vizinho, Josué dos Santos e pelo violista Sales.
A Júlia Florista, famosa cantadeira da época, cantou o seguinte fado, uma letra do Dr. Raul Ribeiro Abranches:


…Ficaram célebres os concertos realizados por João Maria dos Anjos em 1873 no Casino Lisbonense (que existiu no antigo Largo da Abegoaria, actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro), em que também participaram os guitarristas António Maria Cândido de Miranda (o Vizinho), Josué dos Santos, João da Silva Tomás (o Bairro Alto), José Gualdino e um dos Casacas, concertos que se repetiriam no Teatro Ginásio, no Palácio de Cristal do Porto e no Café Chinês da Póvoa de Varzim.

Não encontro mais referências sobre esta personagem.

Sobre a Luzia “Cigana”
Este pequeno apontamento

…Mas o mais completo guitarrista do século XIX foi JOÃO MARIA DOS ANJOS, que não se limitou a tocar o fado, pois preocupou-se em recuperar a guitarra para a execução de trechos clássicos, revelando-se um instrumentista invulgar. Conta Pinto de Carvalho (6) que João Maria "tivera esmerada educação musical, tocava música à primeira vista e em todos os instrumentos" e que numa comédia escrita de propósito para ele por Aristides Abranches "ia pedindo, sucessivamente, os instrumentos aos instrumentistas da orquesta e executando diversos trechos musicais".
Ficaram célebres os concertos realizados por João Maria dos Anjos em 1873 no Casino Lisbonense (que existiu no antigo Largo da Abegoaria, actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro), em que também participaram os guitarristas António Maria Cândido de Miranda (o Vizinho), Josué dos Santos, João da Silva Tomás (o Bairro Alto), José Gualdino e um dos Casacas, concertos que se repetiriam no Teatro Ginásio, no Palácio de Cristal do Porto e no Café Chinês da Póvoa de Varzim
De Vítor Barbosa a 6 de Janeiro de 2008 às 00:15
Boa noite.

Li com muito interesse este post.
Gostaria que me tirassem uma dúvida: a representação da Severa que aparece no início do post é o retrato da autoria de Francisco Metrasse?

Obrigado
De Vítor Marceneiro a 6 de Janeiro de 2008 às 13:00
Caro amigo,
Tal como eu indico é um desenho da época, que nas minhas buscas encontrei, sem no entanto eatar assinado nem com qualquer indicação de que foi o autor, porque obviamente estivesse estaria o nome do autor.
Não sou um estudioso profundo sobre a Severa, mas desconheço que haja um retrato de Francisco Metrass, se por acaso tem alguns dados e os quizer partilhar conosco, será bem vindo.
Cumprimentos
Vítor Duarte Marceneiro
De Vítor Barbosa a 6 de Janeiro de 2008 às 16:49
Boa tarde:

Obrigado pela resposta.
Referia-me ao retrato apontado no post:

De N. Lopes a 12 de Abril de 2007 às 14:17

"...Quanto ao retrato, o pintor Francisco Metrass (1825-1861) esboçou a carvão um projecto de retrato."

Infelizmente não tenho dados para partilhar .


Cumprimentos.
De Vítor Marceneiro a 6 de Janeiro de 2008 às 20:42
Caro Amigo,
Como não vi o retrato já não me lembrava dessa afirmação de Nuno Lopes, voi-lhe telefonar a pedir que nos dê mais detalhes.
Obrigado pela sua observação.
Um abraço
Vítor Duarte Marceneiro
De Vítor Marceneiro a 6 de Janeiro de 2008 às 13:00
Caro amigo,
Tal como eu indico é um desenho da época, que nas minhas buscas encontrei, sem no entanto eatar assinado nem com qualquer indicação de que foi o autor, porque obviamente estivesse estaria o nome do autor.
Não sou um estudioso profundo sobre a Severa, mas desconheço que haja um retrato de Francisco Metrass, se por acaso tem alguns dados e os quizer partilhar conosco, será bem vindo.
Cumprimentos
Vítor Duarte Marceneiro
De Rui Gonçalves a 26 de Janeiro de 2008 às 03:09
Parabéns pelo texto Sr. Vítor Marceneiro.

Gostava de saber se tem dados sobre alguma fotografia ou documento da guitarra da Severa, sem ser aquela que aparece do museu Calouste Gulbenkian.
E onde se encontra essa guitarra?
Sei que apareceu na revista Plateia, faz muitos anos.
Esteve Presente numa exposição no museu de etnologia.
Lembro que gerou polémica com a guitarra do museu Calouste Gulbenkian, na altura programa do Carlos Cruz, antigo (concurso um, dois, três), e saiu nos dias seguintes, nos jornais, entre eles a primeira página do jornal correio da manha.
“ um grande mistério não é ?”
Agradeço a vossa ajuda!

De Vítor Marceneiro a 26 de Janeiro de 2008 às 11:40
Caro Amigo Rui
Muito obrigado pelo seu contacto, neste momento não tenho dados para o ajudar, mas está em preparação por um amigo, pessoa que tem investigado a figura da "SEVERA", uma página que irá complementar algumas lacunas existentes neste meu apontamento, baseado nas fontes que indiquei.
Agradeço a sua atenção para a página que brevemente será editada.
Um abraço fadista
Vítor Marceneiro
De pedro peralta a 29 de Fevereiro de 2008 às 02:06
gostei muito de ler o seu texto. tem informação preciosa.
estou a elaborar um trabalho sobre a maria severa para universidade. sera que me aconselha mais algum livro sobre ela?
existem algumas historias relatadas dela?

obrigado
De Vítor Marceneiro a 29 de Fevereiro de 2008 às 09:29
Caro Amigo
Na realidade, como encontrei nas fontes que referi, o que achei importante, não fiz mais investigações. Mas a Biblioteca Nacional, tem decerto muitos maia livros sobre esta figura.
Bom trabalho, se quiser publicar algo que nos ajude a saber mais sobre a Severa, tem este espaço à sua disposição.
Um abraço
Vítor Duarte
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 12:12
Só uma pequena correcção. Na versão de "A Severa" realizada no Maria Matos em 1990, quem fazia de Conde de Vimioso (Marialva na peça) era Carlos Quintas e não Carlos Zel como refere.
:)
De Vítor Marceneiro a 1 de Maio de 2008 às 18:39
Caro amigo
Obrigado pela correcção.
Um abraço fadista
Vítor Marceneiro

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