Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

CARLOS ESCOBAR - Poeta

O Fado estará doente?  Há quem ache que sim, estas polémicas são quanto mim, se assim for, terapias e um alinhavar de ideias, mesmo que divergentes

Carlos Escobar escreveu na sua página, acerca desta  página que eu lhe dediquei, e também cloquei no Facebool,  o seguinte:

Ontem o Victor Marceneiro,voltou a publicar na sua maravilhosa página "Lisboa no Guiness" a minha biografia, o que eu muito agradeço (sabe sempre bem lembrarem-se de nós),mas........reparei no titulo: Carlos Escobar e no sub titulo "Poeta Popular", eu poderia pregar uma rasteira ao meu amigo Vctor e perguntar-lhe o que é um poeta popular, mas não o vou fazer. Este é um tema que eu já abordei varadissimas vezes em programas de Rádio e sempre normalmente a propósito do grande Poeta António Aleixo. Poeta popular ...não existe, ou é poeta ou não é poeta e ainda pode ser um mau poeta e nesse caso chama-se Poetaço ou Poetastro. Acho que o termo "Poeta popular" foi inventado por um Poetaço ou Poetastro que não tendo nenhuma vocação para a função, começou a escrever com palavras "dificeis" que ninguém entendia e auto denominou-se poeta intelectual. Meus amigos , se eu quizer escrever dfícil, vou ao dicionário,procuro sinónimos e depois procuro palavras e rimas que fiquem a colar bem. Meu caro Victor seria o mesmo que eu te chamar "historiador popular" por escreveres as histórias de fadistas.........um abraço.

 

Eu respondo: Caro Carlos meu amigo e Poeta Popular, eu vou tentar explicar...

 

Não tens dúvidas que estou no Fado há mais anos do que tu, digamos assim, que a partir dos meus cinco anos, ao ir viver com meu avô, guardei inconscientemente informações/conversas/ditos, etc., que tenho vindo a relembrar e a partilhar com quem tem vontade de ler o que escrevo... e às vezes com tantos erros, mas de escrita porque de informação tenho a honra de ser considerado quer pelos admiradores quer pelos delatores, fonte segura, mas não sou um letrado e daí nada me incomoda ser escritor popular o até popularucho. Quando eu era muito miúdos, conheci e tive oportunidade de falar com muitos poetas de então, e ouvir meu avô falar deles, e com eles, assisti a debates, discussões etc... E nessa altura havia no Fado em relação a muitos poetas, estes serem apelidados com termo " Grande Poeta Popular", como, Carlos Conde, Linhares Barbosa, Henrique Rêgo, e outros.... era uma afirmação de mérito e admiração , também e com muita "profundidade", e essa eu entendi muito cedo, como tu sabes, tinha a ver com a --- CONSCIÊNCIA DE CLASSE----- e por isso era o máximo que se podia chamar a um grande poeta do povo, alguns deles pouco letrados mas homens de uma sensibilidade, que criaram letras que deram Fados Clássicos, que ainda hoje são os grandes êxitos, e que muita "dor de corno" deu na altura a alguns intelectuais, que nunca estiveram com o Fado e sempre o tentaram rebaixar, (basta ler as crónicas do final do século dezanove até cerca dos anos vinte do século vinte, não esquecendo" Fado Canção dos Vencidos"), chamavam-lhes depreciativamente "letristas", e já que falas em dicionários, que eram raros na época, nas mãos da populaça, mas havia exemplares nas tipografias, daí talvez a razão de o tipógrafo ser considerado uma classe operária mais informada e até mais politizada. Já agora lembro, que o maior epíteto que se podia dar a uma mulher fadista era "Cantadeira de Fados"... e lá diziam os entendidos, que não há o verbo "cantadar". Na realidade quando criei esta página sobre ti, no meu blogue em Junho de 2007, em que te pedi que fosse pela tua pena, dei-lhe somente o título Carlos Escobar - O Poeta, ao publicá-la novamente, mudei para "Poeta Popular" convicto que assim, era, como "preito" de orgulho e admiração, e fui até partilhá-lo na tua página, se me enganei.... só me resta pedir-te desculpa.

 

Como não fizeste o comentário na minha página, tomo a liberdade de o fazer, porque se fui cretino, não o escondo de ninguém, e já emendei o sub título

 

Um abraço

 

Vitó o teu amigo

 

Vítor Duarte Marceneiro o (Escritor Popular)

  

Carlos Fernando de Jesus Escobar nasceu em vendas novas, em 1947.

Com um ano de idade veio com seus pai viver para Lisboa na freguesia da Ajuda.

A sua vocação para escrever revelou-se quando tinha sete anos de idade ao redigir uma redacção para o exame da primeira classe, que foi premiada como a melhor do grupo de escolas “ A Voz do Operário “.

Por influência de familiares, entrou no mundo do teatro, escrevendo peças de teatro, rábulas para a revista à portuguesa, e teatro infantil.

Em 1984 em sociedade com o malogrado fadista Carlos Zel, abriu uma casa de fados na Madragoa, “ O Ardinita” (onde se iniciou o Senhor Vinho), com este contacto diário com guitarristas e fadistas, aliou a paixão que tinha pelo Fado e começou a escrever letras para fado.

Cantam e gravam poemas seus Dulce Guimarães, Lúcio Bamond, Vera Mónica, Beatriz da Conceição, Chico Madureira, Carlos Zel, Rodrigo, entre outros.

Os seus poemas mereceram a composição de música própria fazendo parcerias com músicos como o maestro Resende Dias que musicou o poema “ Lisboa Azul” para o repertório de Dulce Guimarães, seguiram-se outros compositores, Carlos Barra, Alcino Frazão e Mário Pacheco, António Sala, Carlos Alberto Vidal, José Luís Nobre Costa, maestro Armindo Velez, António Parreira, Nuno Nazareth Fernandes, Rui Garrido, Rogério Trindade, Vital d´Assunção e outros.

Vê o seu trabalho compensado com alguns poemas que tiveram enorme êxito “O Loirito” “ Cabeça Oca”, “ Silêncios” e “ Verde e Oiro”.

Sem ser para fado escreve, “ A Roda”, Falsas Promessas e “Quem torto Nasce”.

Nos anos oitenta na Grande Noite do Fado do Porto e alcançou o primeiro lugar na categoria juvenil, com um fado de sua autoria “O Fado Mindo” com música de Alexandre Santos.

Leva a efeito em Elvas uma exposição de poesia ilustrada, de parceria com o pintor João Tenreiro, na Casa da Cultura da Câmara Municipal de Elvas, dessa exposição é editado um livro “Poesia Ilustrada”

Recentemente o fadista Chico Madureira, gravou um trabalho “ Regresso” que inclui dois poemas seus, com músicas do grande Alfredo Marceneiro “ Mulher Vida” e “ Se Eu Morresse de Saudade”.

A viver presentemente no Algarve, tem na Rádio Clube de Alcoutim o seu programa de “ a poesia no fado”, onde continua a lutar pela poesia e pelo fado genuíno, contra o que considera aberrações ao fado.

A sua crónica em verso “ a remar com a rima” é editada semanalmente no jornal “ Postal do Algarve”.

Prepara o lançamento de um livro com o título “ D’além ao Fado” em que está a concentrar todos os seus poemas.

Carlos Roda, professor universitário, fez sobre a poesia de Carlos Escobar a seguinte análise: Carlos Escobar é um poeta fácil de definir, fala-nos com palavras concretas dos amores da sua vida: o Alentejo, Lisboa, o mar, a gentes da sua terra e os seus amores. É um poeta apaixonado e duro nos temas que mais o tocam, entra dentro de nós e torna-nos cúmplices das suas palavras. Sempre alerta para as injustiças e para os problemas sociais do nosso país, não hesita em escrever, às vezes de maneira sarcástica, outras, chocando para nos despertar.

(Biografia resumida pelo próprio)

 


 

BAIRROS SEM NOME

 

Letra Carlos Escobar

Musica: Carlos Barra

 

Vem cá minha cidade cantiga

Não estejas triste, pois eu estou aqui

Olá minha Lisboa velha amiga

Ainda há gente com amor por ti

 

Tens mar que chega a ti e fica manso                     

Tens rio que chega aqui p’ra namorar

E eu d’olhar p’ra ti nunca me canso

És minha, és namorada p’ra casar          

 

Cor do sangue que a gente te dá

São os vasos que cheiram tão bem

És vadia, és senhora, eu sei lá

És fadista com xaile de mãe

 

Sete seios com  leite  brotar

Vai p’ró Tejo o teu sal quando choras

Não te deixes Lisboa enfeitar

De amoreiras que não dão amoras

 

 

 

                          refrão

 

Tens tasquinhas em bairros fadistas

 

 

Tens no alto um bairro sem ruas

Tens a fama de altar para artistas

E com graça dizes graças das tuas

 

Tens as docas p’ró menino e p’rá menina

E ajuda como a tua ninguém tem

 

 

Madre boa mãe de goa pequenina

Torre azul barco sem remos, velha mãe

 

 

 

 

                                                                                                                                                     A Ver o Tejo - Óleo do Mestre Real Bordalo

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publicado por Vítor Marceneiro às 20:00
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