António Rocha canta:
ANTÓNIO ROCHA é não só um reconhecido talentoso fadista, estilista notável, como um poeta de mérito. Começou a cantar aos 8 anos, e aos 13 conquistou o 1º lugar do concurso do jornal Ecos de Portugal (1951). Canta no restaurante Ribamar, na Cova da Piedade e no Pancão em Almada, mas só em 1956 obtém a carteira profissional, estreando-se no Retiro Andaluz. Rocha inicia então uma fulgurante carreira actuando nas mais diversas casas típicas e palcos nacionais. Em 1959 no Café Luso é eleito “Rei do Fado Menor”, voltará a ser “coroado”oito anos mais tarde como “Rei do Fado”, resultante de um concurso da revista Plateia, paralelo ao dos Reis da Rádio.
No final da década de 1960 na companhia de Ema Pedrosa e Armando Marques Ferreira, assina uma rubrica semanal no Clube Radiofónico de Portugal intitulada “Pergunte o que quiser sobre fado. António Rocha responde”. Esta terá sido a primeira experiência de divulgação do modus faciente do fado junto do grande público. Aliás este mesmo entusiasmo levá-lo-á a integrar, em 1994, o núcleo fundador da Associação Portuguesa dos Amigos do Fado, de que é sócio honorário.
Entretanto continua a editar discos, onde inclui letras suas, de António José, Artur Ribeiro, Domingos Gonçalves Costa, Hermano de Sobral e de vários outros poetas. Foi o primeiro fadista a gravar “Vou dar de beber à dor” (Alberto Janes ), depois da sua criadora, Amália Rodrigues.
Actualmente integra o Gabinete de Ensaios do Museu do Fado e além das várias actuações no estrangeiro, canta nas Arcadas do Faia, ao Bairro Alto.
Além fronteiras, refira-se a sua participação no Festival de Música de Nantes, no de Música da Flandres em Gent ou no de Músicas do Mundo em Barcelona, nos Encontros da Música em Tenerife e no XXIII Festival Sabandeño , em 2001, também em Tenerife.
Entre a sua vasta discografia, saliente-se o álbum Tears of Lisbon ” gravado com Beatriz da Conceição, sob a direcção do maestro Paul van Nevel , ou “Silêncio, ternura e Fado” (Ovação) onde canta poemas de sua autoria, entre eles, “Um hino à vida”, “Procura vã” ou “Olhos esquivos”.
Em 2006 é-lhe atribuído o “PRÉMIO AMÁLIA RODRIGUES CARREIRA MASCULINA”
Nuno Lopes
O fadista António Rocha. Trata-se de uma grande figura do Fado dos nossos dias, que preserva uma tradição de bem estilar hoje cada vez mais rara, mostrando bem de que maneira mesmo no repertório fadista mais clássico é possível a um grande artista deixar uma marca individual inconfundível . Ouvi-lo é sempre uma lição de inteligência musical e de uma força expressiva que nos afecta profundamente. É por coisas como estas, é por fadistas desta fibra que o Fado é tão importante para todos nós e que o queremos defender na sua essência, sem negarmos a sua capacidade evidente de evoluir mas salvaguardando sempre a sua ligação às raízes em que nos reconhecemos.
Rui Vieira Nery
Ao fadista ANTÓNIO ROCHA
Poema de: Euclides Cavac
Para ti
Fadista e sonhador,
Eu canto neste poema
Os teus dotes sublimes
Por teres dado a cada tema
Da forma como te exprimes
Ao fado maior valor !...
Para ti
Nobre talento de alma inteira
Para quem a música e as palavras
São brinquedos
Fizeste da guitarra companheira
Em eternas noites de folguedos...
Para ti
Ilustre fadista...
Parabéns aqui te dou
Por deleitares tanta gente
Com teu carisma de artista
E tua voz sapiente
Que o nosso fado honrou...
Para ti
Nesta leve cortesia
De sabor a nostalgia
Que te presto hoje aqui
Recordo os fados solenes
Como pétalas perenes
Que são pedaços de ti !...
Para ti
fiz este poema
Inspirado e confiante
Que sempre irás dizer sim...
À carreira triunfante
Que fez do fado um jardim!...
Para ti
Egrégio amigo
Nesta modesta mensagem
A mais merecida homenagem
Deixo hoje aqui contigo !...
VELHOS PREGÕES
Já se não ouvem agora
Pregões como antigamente
Vozes que ao romper da aurora
Vinham acordar a gente
A vozearia aumentava
Tal com a manhã crescia
E a cidade se inundava
De luz cor e alegria
Rica amora que é da horta
Figos quem quer merendar
Erre e erre mexilhão
Olha os marmelos assados
Petrolino e o carvão
E tantos mais já passados
Onde estão os pregoeiros
Que hoje recordo com mágoa
Acabaram os aguadeiros
E anda tudo a meter água
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