Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

Cabo da Esperança - O Gigante Adamastor

 

 

 O GIGANTE ADAMASTOR

Cinco dias depois da paragem na Baía de Santa Helena, chega Vasco da Gama ao Cabo das Tormentas e é surpreendido por uma nuvem negra “tão temerosa e carregada” que pôs nos corações dos portugueses um grande “medo” e leva Vasco da Gama a evocar o próprio Deus todo poderoso.
Foi o aparecimento do Gigante Adamastor, uma figura mitológica criada por Camões para significar todos os perigos, as tempestades, os naufrágios e “perdições de toda sorte” que os portugueses tiveram de enfrentar e transpor nas suas viagens.
Esta aparição do Gigante é caracterizada directa e fisicamente com uma adjectivação abundante e é conotada a imponência da figura e o terror e estupefacção de Vasco da Gama, e seus companheiros, que o leva a interrogar o Gigante quanto à sua figura, perguntando-lhe simplesmente “Quem és tu?”.
Mas mesmo os gigantes têm os seus pontos fracos. Este que o Gama enfrenta é também uma vítima do amor não correspondido, e a questão de Gama leva o gigante a contar a sua história sobre o amor não correspondido.
Apaixona-se pela bela Tétis que o rejeita pela “grandeza feia do seu gesto”. Decide então, “tomá-la por armas” e revela o seu segredo a Dóris, mãe de Tétis, que serve de intermediária. A resposta de Tétis é ambígua, mas ele acredita na sua boa fé.
Acaba por ser enganado. Quando na noite prometida julgava apertar o seu lindo corpo e beijar os seus “olhos belos, as faces e os cabelos”, acha-se abraçado “cum duro monte de áspero mato e de espessura brava, junto de um penedo, outro penedo”.
Foi rodeado pela sua amada Tétis, o mar, sem lhe poder tocar.
O discurso do Gigante, que se divide em duas partes de acordo com a intervenção de Vasco da Gama, compreende, na primeira, um carácter profético e ameaçador num tom de voz “horrendo e grosso” anunciando os castigos e os danos por si reservados para aquela “gente ousada” que invadira os seus “vedados términos nunca arados de estranho ou próprio lenho”.
A segunda parte do discurso do Adamastor representa já um carácter autobiográfico, pois assistimos à evocação do passado amoroso e infeliz do próprio Camões.
O Gigante Adamastor diz ainda que as naus portuguesas terão sempre “inimigo a esta paragem” através de “naufrágios, perdições de toda a sorte, que o menor mal de todos seja a morte”, a fazer lembrar as palavras proféticas do Velho do Restelo.
Após o seu desabafo junto dos lusitanos, a nuvem negra “tão temerosa e carregada” desaparece e Vasco da Gama pede a Deus que remova “os duros casos que Adamastor contou futuros”.
 Luís Vaz de Camões

 

Rodrigo canta: 

 

 

  VELHO MARINHEIRIO

Letra de: Mário Rainho

Música de Fontes Rocha

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o mundo inteiro

 

                       Chegou primeiro às Índias, ao Oriente

                       Uniu por mares, continentes

                       Que nos deixou por herança

                       Nas caravelas, num mar de águas turbulentas

                       Dobrou o Cabo das Tormentas

                       Que é hoje da Boa Esperança

 

Qual é o país, vaidoso e feliz

No mar pioneiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Que levou a cruz, de Cristo Jesus

P´lo Mundo inteiro

E que é marinheiro

E que é marinheiro

 

Nasceu à beira do mar

E assim se fez marinheiro

Fez-se ao mar a navegar

E correu o Mundo inteiro

 

                      Chegou primeiro a outras praias distantes

                      Por esses mares nunca dantes

                      Navegados por alguém

                      Tem um padrão à coragem e aos tormentos

                      Pelos seus descobrimentos

                      Junto à Torre de Belém

 

 

  

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Viva Lisboa: Grande Povo, o português
música: Velho Marinheiro
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
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2 comentários:
De Luis Salgado a 27 de Janeiro de 2009 às 16:40
Parabéns amigo Vítor Duarte
Já tinha visto, mas fez bem em repetir. SOMOS UM PAÍS DE MARINHEIROS
Diga qualquer coisa do que se passa com o projecto de Lisboa no Guiness , pelo que conheço de si, calculo que se dependesse de si já estava lá, basta ver o trabalho que tem feito.
Calculo que será mais uma sacanice que lhe estão a fazer, diga-nos o que se passa, mais dia menos dia os frutos podres caem das árvores.
O que fizeram com o Fado do seu avô, com a imagem da Amália, o que fizeram ao Fado com o vergonhoso filme do Saura , terá que ser denunciado, sempre e sempre, pois o Fado é muito nosso.
Não desista.
Desabafe, denuncie se houver algo para denunciar, pois mais dia menos dia alguém o ouvirá, perdoe-me mas não acha que a maioria dos fadistas, nada fazem, nada dizem!
Um abraço solidário.
Luís Salgado
De Filipah13 a 4 de Novembro de 2009 às 14:57
http://lutarpeloplaneta.blogs.sapo.pt/
Parabéns pelo blog!

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