Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

CESÁRIA - MARIA CESÁRIA - CESÁRIA DE ALCANTARA

Mulher fadista século XIX

 

MARIA CESÁRIA

Figura mítica do Fado oitocentista, ignora-se a data de nascimento e morte da cantadeira, e mesmo o seu nome de baptismo completo, apenas se sabendo que seria efectivamente Maria.

Residente no bairro de Alcântara ali trabalha­va numa fábrica como engomadeira. Inicialmente companheira de um fadista local, terá acabado por" o trocar por José Cesário Sales, canteiro, ho­mem de algumas psses e talento na sua profissão, filho de Francisco Sales, proprietário de uma im­portante oficina de cantaria em Lisboa. Desta li­gação terá resultado o Maria do Cesário e daí Ma­ria Cesária. Ficando igualmente conhecida como Mulher de Alcântara.

Cantava para toureiros, boleeiros, operários, prostitutas, rufiões, fidalgos e burgueses, à custa do neo-romantismo instituído. Constituíam aqueles uma massa amorfa, que à luz mortiça do petróleo, ou mais tarde à luz branca do gás, escorreram seus deleites nas tabernas dos bairros pobres e castiços de Lisboa, gemendo e batendo o Fado.

Fado Corrido, de 1870, foi cantado na presença da Cesária ou por ela própria:

Os teus braços são cadeiras

Mais duras que o próprio aço:

Já me tens presa, cativa

Só te falta dar o laço!

  

                                     Não sei qual pena é maior,

                                     Qual é mais de lastimar,

                                     Se ver um homem morrer,

                                     Se ver um homem chorar!

Tão famosa quanto Maria Severa, proferia as palavras com receio e trajava de modo simples,  re­cusando ousadias e vestes originais. Era normal­mente acompanhada pelo guitarrista Carreira.

Se­gundo as crónicas, a qualidade da sua voz era equiparável à qualidade da sua memória, dando Tinop notícia de inúmeros desafios em que terá participado, nomeadamente com uma rival sua, Luzia a Cigana, alguns dos quais durariam dois e três dias de Fados e comezainas.

Terá sido bastante famosa nas décadas de 60 e 70 do século XIX, tendo o guitarrista Ambró­sio Fernandes Maia composto um Fado que lhe dedicou, o Fado da Cesária ou Fado de Alcântara.

Cesária foi a figura central da opereta com o mesmo nome, escrita por Lino Ferreira, Silva Ta­vares e Lapa Lauer e musicada por Filipe Duarte, que subiu à cena no Teatro Apolo em 1926.

 

 © Vítor Duarte Marceneiro

 

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 15:00
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1 comentário:
De M. L. Castanheira a 19 de Outubro de 2007 às 00:54
Esta mulher foi uma heroína e contribuiu também para a libertação das mulheres, tal como a Maria Vitória ou a Severa.

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