Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

JÚLIO VIEITAS -Fadista da Velha Guarda

JÚLIO VIEITAS (1915 – 1990) nasceu nas Caldas da Rainha, cidade onde muito jovem, começou a cantar o fado entusiasmado com as interpretações de fadistas de Lisboa que lá iam participar em espectáculos.

Com 15 anos, decidiu vir trabalhar para a capital, mas a sua ideia era desenvolver as suas qualidades de cantador.

Aos 17 anos cantou no retiro da Bazalisa, em Campolide, onde o velho fadista Júlio Janota, (pessoa de muito mau feitio), despeitado com a sua interpretação castiça e a sua bela voz, lhe disse que pensasse noutro futuro pois a cantar não se «safava» (para tentar desmoralizar o rapaz), mas não conseguiu desanimá-lo, pois continuou a cantar como amador durante alguns anos em sociedades de recreio e verbenas.

Estreia como profissional em 1937 no Café Mondego, tendo cantado, sucessivamente, no Solar da Alegria, Café Vera Cruz e Café Latino. Actuou também nas casas típicas: Café Luso (da Travessa da Queimada), Sala Júlia Mendes, Café Monumental e Cervejaria Artística.

Em 1943, fez uma tournée pelo Centro e Norte do País com Ercília Costa como empresária, actuando durante algum tempo no Cinema Olímpia, do Porto, mais tarde voltaria ao Porto várias vezes ao longo da sua carreira, actuando na Taverna de S. Jorge, no Hotel D. Henrique, na Cozinha Real do Fado, na Casa da Mariquinhas e n'O Rabelo (Vila Nova de Gaia). Em Coimbra cantou no Retiro do Hilário

Em 1954 cantou num programa de fados da Emissora Nacional, e mais tarde, em 1960, tambem participou no Rádio Clube Português e nos Emis­sores Associados de Lisboa.

Em 1955 gravou discos para a etiqueta “Estoril”, com as composições Bairro Eterno, Campinos, A Cigana, Vem Comigo e Aquela Luz.

Em 1957 foi um dos primeiros artistas do fado a cantar nos programas experimentais da RTP.

Foi contratado no retiro do Caliça, na Parreirinha do Rato, no Ritz Clube, na Adega da Lucília, na Adega Mesquita, n'O Faia, na Nau Catrineta, no Paraíso das Guitarras e na Parreirinha de Alfama.

Em 1970 é o director artístico no Arabita, em Alfama.

Em 1973 para a etiqueta “A Roda”, grava: Juventude, Aguarela Portuguesa, A Varina dos Olhos Verdes e Doce Visão

Em 1977 grava: Embriaguez do Amor, O Regresso do Soldado, O Fado... Apenas Isto e Um Artista.

Em 1979 gravou para a etiqueta “Riso e Ritmo” um LP com o título (Fado da Velha Guarda), com Gabino Ferreira, Júlio Peres, Manuel Calixto, José Coelho e Frutuoso França, em que canta Ser Fadista e Não te Quero Perder

Júlio Vieitas, foi um conceituado intérprete do Fado de Lisboa, distinguiu-se também como poeta popular, autor de conhecidas letras de fados, algumas delas com música sua, das quais destacamos: Princesa do Tejo (fado-canção gravado por Fernanda Maria, Ana Hortense e Francisco Martinho e orquestrado por Shegundo Galarza), A Cigana e Varina dos Olhos Verdes.

Júlio Vieitas foi um dos últimos representantes de uma escola fadista, que persistiu em manter a tradição do fado autêntico, embora cultivando também o fado-canção.

 © Vítor Duarte Marceneiro

JUVENTUDE

Letra de: Júlio Vieitas

Música: Fado Carlos da Maia)

 

Quando se tem juventude

Com floridas ilusões

A vida é rumo sem norte.

Brincamos com a saúde

Vibramos com as paixões,

Vive-se à mercê da sorte.

 

                                                    II

 

                                                    Ilusões, quem as não tem?

                                                    Por mim passaram também

                                                    Aventuras desmedidas.

                                                    Quantos caminhos cruzados!...

                                                    Bons momentos, maus bocados,

                                                    Coisas que não são esquecidas.

 

III

 

Dos momentos mais risonhos

Há recordações eleitas...

Lembranças que são saudades,

Pois até nos próprios sonhos

Vemos ilusões desfeitas

Que foram realidades.

 

                                                     IV

 

                                                     Meu Deus, o que o tempo faz!

                                                     Dilacera o coração

                                                     No peito a chama não arde

                                                     Mas quando olhamos para trás

                                                     Até pedimos perdão

                                                     Com pena de ser tão tarde

 

 

 Júlio Vieitas Canta:

Não Te Quero Perder

                                                                

 

Contacto com o autor: clicando aqui
música: Não Te Quero Perder - canta Júlio Vieitas
publicado por Vítor Marceneiro às 21:19
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15 comentários:
De António Santos a 30 de Outubro de 2007 às 09:13
Foi um grande Fadista e poeta, cantava com um estilo inconfundivel, obrigado por me lembrar Júlio Vieitas de quem fui amigo.
De Flores de Verde Pino a 30 de Outubro de 2007 às 10:13
PARABÉNS ao Vítor está agora sim completa a ideia que havia dos fadistas que integravam o "Fado da Velha Guarda", graças ao LP editado em finais da década de 1980, segundo lemos neste blog. Na realidade essse LP recuperou um expressão tão antiga como a do "Fado Novo" que tanto se usa agora. Ou seja os mais antigos foram sempre "a velha guarda" e os mais recentes "o novo fado".
De M. L. Castanheira a 30 de Outubro de 2007 às 22:34
Ora aí está outra belissíma voz. Que encanto tinha o fado de antigamente. Parabéns! O amigo Vítor é imbatível nas suas pesquisas!
De José Santos a 31 de Outubro de 2007 às 12:15
Eu ainda ouvi este senhor cantar em Mafra! Tinha um postura que o destacava além da maneira como interpreatva, cantou vários fados, um em dui com outro fadista da sua idade e sei que houve uma rádio que gravou.
De Manuel Tavira a 1 de Novembro de 2007 às 02:31
Conhecia o nome mas não calculaba que cantasse, só conhecia das letras. Um abraço.
De Ricardo Santos a 6 de Novembro de 2007 às 20:37
Grande velha guarda! É só fadista da velha guarda! Ora uns, ora oitros, não há malta nova a cantar e a fazer pelo fado?
De Vítor Marceneiro a 6 de Novembro de 2007 às 21:37
Obrigado por esta sequência de idiotices que nos primou, que denotam bem de onde vêm,
já reparou que aqui não há censura e portanto, não há identificação obrigatória, é assim permitido todo o tipo de comentários , mesmo que cretinos como os seus, mas nunca reparou na mensagem que está por debaixo da caixa onde escreve os comentários, e vou repetir para si.
"O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts. "
Não deve ter capacidade intelectual para perceber o que lhe estou a dizer... mas faça por entender, e olhe que começo a estar farto de engolir (não digo sapos) porque o Portal não merece, digo
Quando eles não valem nada
Não se ganga em discutir
Não se deve servir de escada
Para qualquer asno subir.

Ou como o meu avô dizia,
Os cães ladram e a caravana passa..
De José Ribeiro a 6 de Junho de 2010 às 02:07
Sr. Vitor
Gostaria de fazer uma pequena correcção à letra do fado Conselho/Conceito da autoria de Carlos Conde ao qual faz referência, cantado pelo seu ilustre avô:
Quando eles não valem nada
Não se ganha em discutir
Não é bom servir de escada
P'ra qualquer asno subir.
De Vítor Marceneiro a 6 de Junho de 2010 às 18:18
Meu caro José Ribeiro
Muito obrigado pelo reparo, tem toda a razão, foi a troca de uma letra ao "teclar" carreguei em G em vez do H, que é mesmo ao lado, mas não conferi e obviamente não pode ser “ganga”.
Quem me dera que mais pessoas fizessem reparos, pois por vezes faço erros por escrever rápido e esqueço-me de verificar.
Bem Haja
Um abraço Fadista
Vítor Marceneiro
De JOAO a 8 de Setembro de 2008 às 16:04
este senhor foi sem duvida alguma um dos grandes nomes do nosso fado .só é pena a mocidade nem sequer o conhece. Julio Vietas ,julio peres,manuel calisto, joaquim silveirinha,frutouso frança, gabino ferreira,joaquim campos ,julio proença, e outros mais que mais parece nao ter fim sao nomes que infelizmente parece que estao esquecidos .menos na associação cultural o fado (acof) onde tem uma parede de artistas imortais .venham visitala em marvila
De Vítor Marceneiro a 8 de Setembro de 2008 às 20:10
Pelos vistos não viu o blog todo, pois penso que se fala de todos os artistas que referiu, e quando não se conhecem detalhes é bastante trabalhoso e muitas das vezes oneroso encontrá-los.
Quanto à A.C.O.F , ainda bem que existe, mas têm feito alguma coisa para a divulgar? Têm uma parede com as fotos, e basta ?
Olhe eu fiquei na mesma, ou seja onde é, como se pode visitar, e olhe que tinha toda a oportunidade para aqui falar e dizer onde fica
e obviamente ainda tem.
Quanto ao afirmar que só essa organização é que se lembra dessa velha guarda, não está a ser justo.
Cumprimentos
De vieitas paula a 2 de Março de 2009 às 11:52
bonjour, je ne sais pas écrir portuguais (honte a moi) bref julio Vieitas étais le tonton de mon papa d'ailleur il on le meme nom et prénom je l'ai entendu son fado vraiment super et l'homme étais merveilleux aujourd'huit il on disparu tout les deux peut etre que là haut il sontous réunis et il leur chante son fado enfin bref je suis en france et je tiens a vous dire que le blog est vraiment bien félicitation a travers vos blog les artiste ne meurs jamais on pense toujours a eu merci encor
De Vítor Marceneiro a 2 de Março de 2009 às 13:53
Je vous remercier d'etre une visiteuse de mon blogue et je pense aussi que votre tonton et votre papa seront là haut réunis a chanter le fado. Merci.
Vítor Duarte Marceneiro
De João Morgado a 17 de Junho de 2009 às 23:25
Parabéns e bem haja pelo seu esforço em manter vivos os artistas em causa. Partilho da opinião da minha prima Paula Vieitas, que não a vejo desde os dois ou três anos de idade. Lamento que em Caldas da Rainha a Câmara Municipal nunca se tenha lembrado de lhe atribuir uma rua com uma placa toponímica, lembrando o fadista Júlio Vieitas. Será que não merece? Ainda estamos a tempo. Cumprimentos.
De paula vieitas a 29 de Agosto de 2009 às 22:50
pour répondre a mon cousin voici mon e-mail
sophie26_1999@yahoo.fr

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