Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017

Vítor Marceneiro - Os Fados da minha vida "O Fado de Cada Um" de Amália

 Vítor Marceneiro aos 6 anos

A primeira vez que entrei numa sala de cinema, foi para ver o filme, História de uma Cantadeira interpretado por Amália Rodrigues, o filme estava em exibição no Cinema Paris, à Estrela ( o edificio ainda lá está, embora em ruinas), quem me levou foi  minha tia Aida. Naquele tempo,  os miúdos desde que acompanhados por um adulto, não pagavam bilhete, mas teriam que ficar sentados ao colo do adulto, se a lotação estivesse esgotada.

Tinha cerca de 6 anos e recordo que  fartei-me de chorar, é que  minha mãe tinha falecido há relativamente pouco tempo, e aquela "linda senhora do filme", fez-me recordá-la,  vendo a foto de minha mãe, poder-se-à entender como para uma criança haviam tais parecenças, minha mãe tinha faleceu com  25 anos de idade,   razão porque fui viver com os meus avós Alfredo e Judite.

  

Mariete Duarte mãe de Vítor Marceneiro

Passado que foram alguns meses, venho a conhecer a tal "linda senhora!", e pasme-se,  ela era uma grande amiga do meu avô,  foi numa manhã em que ela após uma das muitas noites  de Fado que estiveram juntos,  lhe dava boleia  para casa  e onde acabava  também por ficar a comer uma sopa da "Ti Judite, pois é,  a tal senhora era a saudosa Amália Rodrigues. 

 

Apontamento retirado do filme

História de uma Cantadeira

Amália canta "O Fado de Cada Um"

 

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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

Portugal o Mar e o Fado

O Fado nasceu no mar

Ao balanço de ondas mil

Por berço teve um navio

Por cobertura um céu de anil

Numa barquinha vogando

Batida pelo luar

Ouvi um nauta cantando

 

                                                              “O FADO NASCEU NO MAR”

                                                               E mal a gente põe os pés

                                                               Nos sobrados do convés,

                                                               Levamos da terra a imagem

                                                               e. a cantar, toda a viagem

                                                               O Fado, de lés-a-lés!

In Ao sabor das ondas – Linhares Barbosa


Fado.... a alma de um povo.

As viagens encetados pelos portugueses no século XVI, é um paradigma do destino de um povo que partiu durante séculos à procura do desconhecido, que nos criou um modo colectivo de ser e estar no mundo. É um gene da identidade portuguesa.

Naquelas horas da partida para a imensidão gigantesca dos mares, fizeram brotar lágrimas de todas as mães, de todos os pais, de todos os filhos, de todas as esposas, as noivas, os parentes e amigos, que ao dizerem adeus com soluços nos corações, na praia de Belém, que foi apelidada por isso mesmo de “Praia das Lágrimas” confrontavam-se com a descoberta da amargura da ausência.

Foi uma vivência que moldou as almas, era um povo aflito que via partir as naus com as suas gentes, sabe-se lá para onde iam, para o outro mundo ?

 

                   Ó Mar salgado, quanto do teu sal

                    são lágrimas de Portugal !

                    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

                    Quantos filhos, em vão, choraram!

                    Quantas noivas ficaram por casar,

                    Para que fosses nosso, ó Mar!

                    Valeu a pena? Tudo vale a pena

                    Se a alma não é pequena.

                    Quem quer passar além do Bojador

                    Tem de passar além da dor.

                     Deu ao Mar o perigo e o abismo deu,

                     Mas nele é que espelhou o Céu

 

Poema de: Fernando Pessoa

 

É vida , é destino, é Fado, é a alma do nosso povo.

Em tão longo caminho e duvidoso,

Por perdidos as gentes nos julgavam,

As mulheres com choro piadoso ,

Os homens com suspiros que arrancavam;

Mães, esposas, irmãs, que o temerosos

Amor mais desconfia, acrescentavam.

A desesperação e frio medo

De já não nos tornar a ver tão cedo

 

Camões, Os Lusíadas, canto IV, 89)

VASCO DA GAMA

Esta mentalidade, criada de uma vivência bivalente, amargurada por um lado, alegre por outro, isto porque o ritual da partida o medo a tristeza, o espectro da morte, se misturaram com a esperança, o sonho e quanto era maravilhoso estar vivo no regresso,  tais sentimentos moldaram a consciência que se cristalizou na música e no canto, com uma tonalidade própria, inconfundível e original como é a sua matriz..

O Fado é português, é toda uma mentalidade, é toda uma História, se o povo português é o único que canta o Fado, é porque também foi protagonista de uma vivência que mais nenhum povo teve.

Notas: In Fado, A alma de um povo M.L.Guerra

           In Fado, Mascarenhas Barreto

AMÁLIA RODRIGUES canta:

Fado do Marujo Português

Letra de Linhares Barbosa e música de Artur Ribeiro

 

                                       

O FADO É PORTUGUÊS

 

O Fado é tão português, que, de arnês,

bateu-se em Fez;

esteve em Alcácer-Quibir;

arrostou o mar profundo

e ao Mundo

deu novo Mundo,

na senda de Descobrir!

Esteve em Malaca e Ormuz

e, à luz

do signo da Cruz,

construiu impérios novos;

da Guiné até Timor,

com ardor,

foi defensor

do Destino doutros povos!

Fê-lo Deus aventureiro:

foi guerreiro

e marinheiro;

missionário, ou de má-rês

e — vá ele p' ra' onde for —

­cante a dor,

ou cante o amor,

o que canta é Português!

Poema de: Mascarenhas Barreto

 

 

AMÁLIA  RODRIGUES canta:

Fado Português

Letra de José Régio e música Alain Oulmain

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música: Fado Marujo Português, Fado Português
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Segunda-feira, 31 de Março de 2014

MALHOA... Mestre José Malhoa (1855-1933)


 

José Victal Branco Malhoa, nasceu nas Caldas da Rainha.

Veio para Lisboa onde fez toda a sua educação artística. Foi no início um pintor de assuntos de ar-livre. Passa por várias fases do desenrolar da sua criatividade. É assim que pinta a festa de S. Martinho e «O Fado», onde as figu­ras saem fora da vida para se impre­gnarem duma transfiguração impar. São os bêbados e os párias, vinho, e a meia-luz das vielas sombrias.

«O Fado», sobretudo, é uma alegoria pungente; um par amoroso numa atitude aviltante, num interior de lupanar onde não falta o olhar comise­rado duma estampa do Senhor dos Passos, com a túnica roxa e a cruz às costas.

Mas o povo de Lisboa tem-lhe prestado o culto da admiração, glosando o seu motivo com pretextos da glorificação, e ama este quadro como jóia preciosa. O Fado de Malhoa!          

Cantou-o a voz de Amália Rodrigues e tantas outras. Tem sido motivo de inspiração de cantigas e bailados nos teatros musicados; foi argumento de filmes, legenda de calendário, polémica de estudos, glosa de versos populares… e anda decorado na pupila dos lisboetas como estampa que é bem sua.

«A Voz de Portugal» na sua edição de 15 do Outubro de 1955 transcreve a história desta obra de arte ligada à cantiga popular portuguesa, como homenagem ao pintor que foi enaltecido em bronze numa praça da sua terra natal, num texto de António Montez.

Amigo de Lisboa e português dos melhores, entendeu o artista dever mostrar ao mundo a pintura que tanto o prendeu.

A França, a Espanha, a Inglaterra e a Argentina apreciaram o trabalho, deram-lhe altas recompensas, o que, por si só, justifica a sua aquisição pela Câmara Municipal de Lisboa, que não quis, perder a oportunidade de guardar no «Museu da Cidade» um quadro de realismo impressionante, sem dúvida a pintura mais lisboeta na obra do Mestre.

Mas para Malhoa não foi tarefa fácil a escolha dos modelos para o quadro!

Ao tempo, havia na Mouraria um fadista que dava que falar, conhecido pela alcunha de «Pintor».

As visitas diárias de Malhoa, à viela sombria da Rua do Capelão, começaram a chamar a aten­ção das desgraçadas do bairro castiço, que, para evitar confusões, passaram a chamar a Malhoa «O Pintor Fino». Aliás foi uma delas que lhe indicou o rufião Amâncio – tocador de guitarra que manejava a navalha como poucos –, para modelo do qua­dro que havia de imortalizar Malhoa.

O primeiro encontro do pintor com o fadista, em plena Mouraria, consti­tuiu um acontecimento sensacional, pois deu lugar à apresentação da Adelaide, também chamada «Adelaide da Facada», por virtude dum traço largo e profundo que tinha do lado esquerdo do rosto, razão que levou o Mestre a mudar a posição que tinha esboçado inicialmente para os retratos.

Malhoa disse o que queria, pôs con­dições, e como a oferta de seis vinténs por sessão, foi considerada bastante compensadora, o Amâncio garantiu que Adelaide não faltaria nunca!

Foi sol de pouca dura, pois Amân­cio, ruído de ciúmes, agredia a compa­nheira logo que o pintor voltava costas, acabava por vir a polícia, e lá iam os dois para o Governo Civil, a insultarem-se mutuamente, mas o mestre Malhoa, com a sua influência pessoal, lá conseguia li­bertar os turbulentos modelos.

A certa altura, Malhoa fez descer a alça da camisa da infeliz. O Amâncio, cada vez mais ciumento, não gostou da graça, azedou-se, e de mão no bolso e ar ameaçador, disse ao Mestre que não era para brincadeiras. Não se sabe o que se passou, mas a verdade é que a alça subiu para o seu lugar, da mesma forma que a saia branca gomada foi substituída pelo saiote de baeta vermelha.

 

 

 Quadro do Mestre José Malhoa " o Fado"

 

 FADO MALHOA

Criação de Amália Rodrigues

Letra de: José Galhardo 

Música de: Frederico Valério


 

 

A publicidade que aparece no video é da responsabilidade do Youtube

 

 

FADO MALHOA

Alguém que Deus já lá tem

Pintor consagrado,
Que foi bem grande
E nos fez já ser do passado,
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida.

                                               Subiu a um quarto que viu
                                               A luz do petróleo
                                               E fez o mais português
                                               Dos quadros a óleo
                                               Um Zé de Samarra
                                               Com a amante a seu lado
                                               Com os dedos agarra
                                               Percorre a guitarra
                                               E ali vê-se o fado.

Faz rir a ideia de ouvir

Com os olhos senhor
Fará mas não para quem já

Ouviu mas em cor

Há vozes de Alfama

Naquela Pintura

E a banza derrama

Canções de amargura

 

                                                 Dali vos digo que ouvi
                                                 A voz que se esmera
                                                 Dançando o Faia banal
                                                 Cantando a Severa
                                                 Aquilo é bairrista
                                                 Aquilo é Lisboa
                                                 Aquilo é fadista
                                                 Aquilo é de artista
                                                 E aquilo é Malhoa

 

 

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Domingo, 6 de Outubro de 2013

AMÁLIA RODRIGUES - A DIVA

Faz hoje 14 anos que

AMÁLIA RODRIGUES

A 6 de Outubro de 1999 que se ausentou, em corpo, porque a sua imagem e o seu espírito, estará sempre nos nossos pensamentos

 


 Foto montagem de Vítor Marceneiro

 

Amália está sepultada no Panteão Nacional.

A grande senhora do fado, a mulher do povo, a voz de Portugal está desde o dia 8 de Julho de 2001, na sua última morada. 

Os seus restos mortais foram depositados na Sala de Língua Portuguesa, junto a figuras célebres da nossa cultura como Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco e João de Deus.

As opiniões sobre a trasladação dos restos mortais de Amália do cemitério dos Prazeres foram contraditórias, há quem advogue, que como "Amália é do povo, devia estar junto do povo", outros que "Amália deve ir para o Panteão por ser um símbolo de Portugal".

O que é certo é que mais uma vez não foi o povo que decidiu!


É SEMPRE TRISTONHA E INGRATA
QUE SE TORNA A DESPEDIDA

DE QUEM TEMOS AMIZADE
MAS SE A SAUDADE NOS MATA
EU QUERO TER MUITA VIDA
PARA MORRER DE SAUDADES

 

 

Obrigado Amália por tudo o que nos deste

Geração de Marceneiro

 

A NOSSA AMÁLIA E O POVO

 

A nossa Amália morreu

Nosso Povo estremeceu

Com tanto calor e frio

No céu entrou uma Fada

E uma canção magoada

Povo que Lavas no rio.

 

                                                     As avenidas e estradas

                                                     E as pedras das calçadas

                                                     Ficaram todas unidas

                                                     Os rapazinhos choraram

                                                     As andorinhas voltaram

                                                     Sempre de luto vestidas.

 

Os carpinteiros a correr

Foram todos para fazer

As tábuas do seu caixão

Os Anjinhos se juntaram

Os Santinhos se prostraram

Até Deus pediu perdão.

 

                                                      Desde a Rua de São Bento

                                                      Povo Unido, num lamento

                                                      Choravam lágrimas e prantos

                                                      Peregrinos de sandálias

                                                      Consagraram nossa Amália

                                                      E os Poetas eram tantos.

 

A Cidade de Lisboa

Desde Alfama à Madragoa

Desde a Estrela ao Rossio

Varinas de sete saias

Vê lá meu Povo não caias

Povo que Lavas no rio.

 

Poema de: Manuel Luis Caeiro de Pavia


A Tua Voz Amália           

A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como travo de ciúme após o amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...
Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...
Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, — bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !
 Francisco Radamanto
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Viva Lisboa: Amália ... A DIVA
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

Amália que Saudades... as cópias não substituem!

 

Foto montagem Amália no Panteão

© Vítor Duarte Marceneiro

 

Amália está sepultada no Panteão Nacional.

A grande senhora do fado, a mulher do povo, a voz de Portugal está desde o dia 8 de Julho de 2001, na sua última morada.

Os seus restos mortais foram depositados na Sala de Língua Portuguesa, junto a figuras célebres da nossa cultura como Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco e João de Deus.

As opiniões sobre a trasladação dos restos mortais de Amália do cemitério dos Prazeres foram contraditórias, há quem advogue, que como "Amália é do povo, devia estar junto do povo", outros que "Amália deve ir para o Panteão por ser um símbolo de Portugal".

O que é certo é que mais uma vez não foi o povo que decidiu!


Video postado no Youtube por Casa do Fado



 

AMÁLIA

 

Poema: José Galhardo

Música: Frederico Valério

 

                                             Amália

                                             Quis Deus que fosse o meu nome

                                             Amália

                                             Acho-lhe um jeito engraçado

                                             Bem nosso e popular

                                             Quando oiço alguém gritar

                                             Amália

                                             Canta-me o fado

 

                                            Amália esta palavra ensinou-me

                                            Amália

                                            Tu tens na vida que amar

                                            São ordens do Senhor

                                            Amália sem amor

                                            Não liga, tens de gostar

                                            E como até morrer

                                            Amar é padecer

                                           Amália chora a cantar!

 

                                           Amália

                                           Disse-me alguém com ternura

                                           Amália

                                           Da mais bonita maneira

                                           E eu toda coração

                                           Julguei ouvir então

                                           Amália p´la vez primeira

 

                                           Amália

                                           Andas agora à procura

                                           Amália

                                           Daquele amor mas sem fé

                                           Alguém já mo tirou

                                           Alguém o encontrou

                                           Na rua com a outra ao pé

                                           E a quem lhe fala em mim

                                           Já só responde assim

                                           Amália? Não sei quem é!

 

 

 

 

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Viva Lisboa: A Diva
música: Amália
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Sábado, 6 de Outubro de 2012

AMÁLIA RODRIGUES - A Diva do Fado

Já foi há 13  anos que

AMÁLIA RODRIGUES

se ausentou, em corpo, porque a sua imagem e o seu espirito, está nos nossos pensamentos

 

 

É SEMPRE TRISTONHA E INGRATA
QUE SE TORNA A DESPEDIDA
DE QUEM TEMOS AMIZADE
MAS SE A SAUDADE NOS MATA
EU QUERO TER MUITA VIDA
PARA MORRER DE SAUDADES

 

 

Flores que Amália tanto adorava

 

 

 E Cerejas

 

 

 

 

Obrigado Amália por tudo o que nos deste

Geração de Marceneiro

 

A NOSSA AMALIA E O POVO

 

A nossa Amália morreu

Nosso Povo estremeceu

Com tanto calor e frio

No céu entrou uma Fada

E uma canção magoada

Povo que Lavas no rio.

 

                                                     As avenidas e estradas

                                                     E as pedras das calçadas

                                                     Ficaram todas unidas

                                                     Os rapazinhos choraram

                                                     As andorinhas voltaram

                                                     Sempre de luto vestidas.

 

Os carpinteiros a correr

Foram todos para fazer

As tábuas do seu caixão

Os Anjinhos se juntaram

Os Santinhos se prostraram

Até Deus pediu perdão.

 

                                                      Desde a Rua de São Bento

                                                      Povo Unido, num lamento

                                                      Choravam lágrimas e prantos

                                                      Peregrinos de sandálias

                                                      Consagraram nossa Amália

                                                      E os Poetas eram tantos.

 

A Cidade de Lisboa

Desde Alfama à Madragoa

Desde a Estrela ao Rossio

Varinas de sete saias

Vê lá meu Povo não caias

Povo que Lavas no rio.

 

Poema de: Manuel Luis Caeiro de Pavia

 

 

 

A Tua Voz Amália           
 
A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como travo de ciúme após o amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...
Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...
Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, — bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !
 
Francisco Radamanto

 

 

Foto montagem Amália no Panteão

© Vítor Duarte Marceneiro

 

AMÁLIA

Poema: José Galhardo

Música: Frederico Valério

 

Amália está sepultada no Panteão Nacional.

A grande senhora do fado, a mulher do povo, a voz de Portugal está desde o dia 8 de Julho de 2001, na sua última morada.

Os seus restos mortais foram depositados na Sala de Língua Portuguesa, junto a figuras célebres da nossa cultura como Guerra Junqueiro, Camilo Castelo Branco e João de Deus.

As opiniões sobre a trasladação dos restos mortais de Amália do cemitério dos Prazeres foram contraditórias, há quem advogue, que como "Amália é do povo, devia estar junto do povo", outros que "Amália deve ir para o Panteão por ser um símbolo de Portugal".

O que é certo é que mais uma vez não foi o povo que decidiu!

 

 

 

 Amália partiu em 6 de Outubro de 1999

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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

BARCO NEGRO & MÃE PRETA

Foi em 1954, que  os brasileiros, Piratini (Antônio Amábile) e Caco Velho (Matheus Nunes) criaram uma notável canção, a que deram o título  "Mãe preta", que foi um grande êxito em no Brasil, e que óbviamnete não passou despercebido em Portugal.

O disco,  e consequentemente o poema,  foram proibidos em Portugal.

David Mourão-Ferreira, aproveitando a melodia,  escreveu para Amália,  outro excepcional poema,  “Barco Negro”, também muito bom,  mas que nada tinha que ver com o poema original, pois seu poema, a  tragédia do pescador substitui  a tragédia da exploração/escravatura e do racismo.

Amália Rodrigues tornou a música mundialmente famosa ao cantá-lo no filme francês os “Amantes do Tejo”

Com o advento do 25 de Abril Amália grava o poema original "Mãe preta", em 1978

 

 

       

MÃE PRETA

 

(Piratini e Caco Velho)

   

velha encarquilhada

carapinha branca

gandola de renda

caindo na anca

embalando o berço

do filho do sinhô

que há pouco tempo

a sinhá ganhou

era assim que mãe preta fazia

criava todo branco

com muita alegria

enquanto na senzala

seu bem apanhava

mãe preta mais uma lágrima enxugava

mãe preta, mãe preta,

mãe preta, mãe preta

enquanto a chibata

batia em seu amor

mãe preta embalava

o filho branco do sinhô

          

Barco Negro

    

(David Mourão-Ferreira)

          

De manhã, que medo, que me achasses feia!

Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,

E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

 

Vi depois, numa rocha, uma cruz,

E o teu barco negro dançava na luz

Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

Dizem as velhas da praia, que não voltas:

 

São loucas! São loucas!

 

Eu sei, meu amor,

Que nem chegaste a partir,

Pois tudo, em meu redor,

Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

 

No vento que lança areia nos vidros;

Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;

Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

 

Amália canta: Barco Negro

 

 

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Sábado, 19 de Novembro de 2011

Amália Rodrigues

Amália com o guitarrista José Nunes

A Tua Voz Amália           
 
A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como travo de ciúme após o amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...
Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...
Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, — bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !
 
Francisco Radamanto
 

 

 

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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

FUNDAÇÃO AMÁLIA RODRIGUES - Casa da Amália Rodrigues

Em 26 de Outubro de 2007, publiquei  neste blogue o seguinte:

 

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho  23913 de 2007

 

A Fundação Amália Rodrigues, pessoa colectiva no 504772260, com sede em Lisboa, foi constituída por testamento de Amália da Piedade Rodrigues, com a finalidade de auxiliar de uma maneira geral as pessoas mais desfavorecidas no âmbito patrimonial, designadamente os órfãos, indigentes, sem abrigo, de criar e de auxiliar instituições de beneficência e de solidariedade social.

No sentido de honrar a figura de grande impacte nacional e face ao interesse geral em perpetuar e prestigiar o nome de Amália Rodrigues,

contribuindo para satisfazer a sua vontade, claramente expressa no testamento público que elaborou, declaro, com efeitos retroactivos desde a data do pedido, a Fundação Amália Rodrigues pessoa colectiva de utilidade pública, nos termos do Decreto-Lei nº 460/77, de 7 de Novembro, sem prejuízo de, para além dos deveres fixados por este diploma, impor, nos termos do seu artigo 6.o, o cumprimento das seguintes condições:

a) Comprovar a regular constituição dos órgãos sociais, a inexistência de dívidas fiscais e à segurança social e entregar a documentação legalmente exigível;

b) Apresentar anualmente, até Março, o plano de actividades do ano em curso e o relatório pormenorizado e quantificado das actividades efectivamente desenvolvidas para cumprimento dos fins estatutários identificados no artigo 4.o e no n.o 2 do artigo 5.o dos respectivos estatutos.

Findo o prazo de três anos a contar da presente declaração, será reapreciado o cumprimento dos requisitos gerais e especiais que ora lhe são impostos, para efeitos de dar continuidade à presente declaração ou fazê-la cessar.

28 de Setembro de 2007.

O Primeiro-Ministro,

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

 

 

 

 

 

Passaram já os três anos, faltam poucos dias para o quarto ano,  que Despacho Ministerial exigia, para as regularizações necessárias ao bom funcionamento da Fundação Amália Rodrigues, a Fundação está bem, e recomenda-se, é já um local de visita "obrigatória" dos estrangeiros que nos visitam, e como se verifica, todos os anos tem havido a cerimónia da entrega dos prémios Amália, também têm sido feitas doações a instituições de solidariedade  social, e  a casa da Amália no Brejo, que tanta polémica deu, provou-se que as insinuações eram  infundadas, pois a casa lá está, com obras em curso muito dispendiosas, e talvez seja de criticar é mantê-la, mas os administradores é que sabem o que devem fazer para cumprir o que Amália deixou em testamento.

 

E hoje posso dizer que o evento  "Noites de São Bento" , com  Fados nas varandas da Casa da Amália, foi um êxito, e orgulho-me de ter feito parte da equipa que o concebeu e concretizou.

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Sábado, 28 de Agosto de 2010

Recordar Amália Rodrigues por Fernando Boaventura

Conjuntamente com os dados que Fernando Boaventura me enviou sobre o pai, Armando Boaventura, (ver páginas abaixo publicadas) mandou-me também esta mensagem acompanhada com uma foto com Amália, que tenho todo o gosto em compartilhar com os visitantes deste blogue.

 

 

   

Caro Vítor

Na fragata F474 N.R.P. “ALMIRANTE MAGALHÃES CORRÊA”
Finalmente encontrei a tal fotografia da nossa Amália embarcada numa fragata da Marinha de Guerra.
A história aconteceu em 1977 em New Bedford – América - durante as comemorações do dia de Portugal.
Sabendo nós que a Amália ia cantar para os emigrantes, alguém a bordo pensou em convidá-la para vir comer, após o espectácula,  um caldinho verde com chouriço. Como é que ela podia recusar?
E assim aconteceu.
Comeu a sopa toda e ainda provou o chouriço assado.
Não cantou mas foi prendada com os “artista” de Bordo.
Coisas do destino. Eu que uma ou duas vezes estive ao colo dela numa casa de fados tive o privilégio de acompanhar um camarada a cantar o fado Povo que Lavas no Rio.
Correu tudo bem e ela gostou muito.
Ficou na memória.
Como sempre pode usar a foto como desejar. Nenhum dos presentes na foto se importará.

Um abraço,

Fernando Boaventura

 

 

E DIGAM LÁ SE ISTO NÃO É FADO....

 

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Sábado, 10 de Outubro de 2009

ROSÁRIO, Terço de rezar, Amália ... Foi Deus

Da poetisa Maria José  Praça, recebi nos comentários deste post,  um poema que acho que deve ter o devido destaque.

 

CONTAS DE TERÇOS MAIS LATOS...


       Em aguarelas de fado

       Eu não dedilho calvários
       Nem rezo contas a eito
       Desfaço o meu sangue em ondas
       E planando bailo rotas
       D'outros rosários do peito
 
                         Eram olhos de chorar
                         Sal d'água do meu cantar
                         Ventos d'aragem do peito
                         Reclusos sem ver paisagem
                         Ateados rente à margem
                         Do meu rezar imperfeito
 
       Minha cantiga é de mares
       Vai à vela de luares
       Ora calvários sem ristes
       Reza rosários mais largos
       Contas de terços mais latos
       Fumega fados a Cristo
 
                        Madalena-dos-Pecados
                        Atirem pedras e brados
                        Que eu sou assim e serei
                        Gota d'orvalho das flores
                        Que a rezar fados d'amores
                        Ora rosários sem lei     
maria josé praça (N.126080 da SPA) 

 

 

No Fado usa-se em muitos  poemas,  referências a Deus, ao Rosário, ao Terço etc. Aqui fica a história do Rosário ou Terço de Rezar.

O Rosário é uma oração católica em honra da Santíssima Virgem Maria formado tradicionalmente por três terços. Recentemente houve o acréscimo de mais um terço pelo Papa João Paulo II. Cada terço compreende cinco mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora. Os mistérios são formados básicamente por um Pai-Nosso e dez Ave-Marias. Cada mistério recorda uma passagem importante da história da salvação, segundo a doutrina católica, e cada terço é constituído por cinco mistérios.

 A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como "Saltério" dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai-Nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

Segundo uma tradição a Igreja católica recebeu o Rosário em sua forma atual em 1206 quando a Virgem teria aparecido a Santo Domingo e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. É uma antiga devoção católica que a Virgem Maria revelou que cada vez que se reza uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário de todas as devoções é, portanto, tido como sendo a mais importante.

in: wikipédia

 

 Amália era uma mulher crente e cantou muitos Fados com referêcias ao "Divino"

 

Amália canta música e letra de Alberto Janes

FOI DEUS QUE ME PÔS NO PEITO

UM ROSÁRIO DE PENAS

QUE EU VOU DESFOLHANDO

E CHORO A CANTAR

 

 

 

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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Amália... 9 anos de saudade

Amália Rodrigues canta

com letra de Feijó Teixeira e música de Sapateirinho da Bica

FADO FINAL

 

 

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música: Fado Final
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Sábado, 11 de Agosto de 2007

MALHOA

 

 Quadro "O Fado" de José Malhoa

 

MESTRE JOSÉ MALHOA  (1855 - 1933)

José Victal Branco Malhoa, nasceu nas Caldas da Rainha.

Veio para Lisboa onde fez toda a sua educação artística. Foi no início um pintor de assuntos de ar-livre. Passa por várias fases do desenrolar da sua criatividade. É assim que pinta a festa de S. Martinho e «O Fado», onde as figu­ras saem fora da vida para se impre­gnarem duma transfiguração impar. São os bêbados e os párias, vinho, e a meia-luz das vielas sombrias.

«O Fado», sobretudo, é uma alegoria pungente; um par amoroso numa atitude aviltante, num interior de lupanar onde não falta o olhar comise­rado duma estampa do Senhor dos Passos, com a túnica roxa e a cruz às costas.

Mas o povo de Lisboa tem-lhe prestado o culto da admiração, glosando o seu motivo com pretextos da glorificação, e ama este quadro como jóia preciosa. O Fado de Malhoa!          

Cantou-o a voz de Amália Rodrigues e tantas outras. Tem sido motivo de inspiração de cantigas e bailados nos teatros musicados; foi argumento de filmes, legenda de calendário, polémica de estudos, glosa de versos populares… e anda decorado na pupila dos lisboetas como estampa que é bem sua.

«A Voz de Portugal» na sua edição de 15 do Outubro de 1955 transcreve a história desta obra de arte ligada à cantiga popular portuguesa, como homenagem ao pintor que foi enaltecido em bronze numa praça da sua terra natal, num texto de António Montez.

Amigo de Lisboa e português dos melhores, entendeu o artista dever mostrar ao mundo a pintura que tanto o prendeu.

A França, a Espanha, a Inglaterra e a Argentina apreciaram o trabalho, deram-lhe altas recompensas, o que, por si só, justifica a sua aquisição pela Câmara Municipal de Lisboa, que não quis, perder a oportunidade de guardar no «Museu da Cidade» um quadro de realismo impressionante, sem dúvida a pintura mais lisboeta na obra do Mestre.

Mas para Malhoa não foi tarefa fácil a escolha dos modelos para o quadro!

Ao tempo, havia na Mouraria um fadista que dava que falar, conhecido pela alcunha de «Pintor».

As visitas diárias de Malhoa, à viela sombria da Rua do Capelão, começaram a chamar a aten­ção das desgraçadas do bairro castiço, que, para evitar confusões, passaram a chamar a Malhoa «O Pintor Fino». Aliás foi uma delas que lhe indicou o rufião Amâncio – tocador de guitarra que manejava a navalha como poucos –, para modelo do qua­dro que havia de imortalizar Malhoa.

O primeiro encontro do pintor com o fadista, em plena Mouraria, consti­tuiu um acontecimento sensacional, pois deu lugar à apresentação da Adelaide, também chamada «Adelaide da Facada», por virtude dum traço largo e profundo que tinha do lado esquerdo do rosto, razão que levou o Mestre a mudar a posição que tinha esboçado inicialmente para os retratos.

Malhoa disse o que queria, pôs con­dições, e como a oferta de seis vinténs por sessão, foi considerada bastante compensadora, o Amâncio garantiu que Adelaide não faltaria nunca!

Foi sol de pouca dura, pois Amân­cio, ruído de ciúmes, agredia a compa­nheira logo que o pintor voltava costas, acabava por vir a polícia, e lá iam os dois para o Governo Civil, a insultarem-se mutuamente, mas o mestre Malhoa, com a sua influência pessoal, lá conseguia li­bertar os turbulentos modelos.

A certa altura, Malhoa fez descer a alça da camisa da infeliz. O Amâncio, cada vez mais ciumento, não gostou da graça, azedou-se, e de mão no bolso e ar ameaçador, disse ao Mestre que não era para brincadeiras. Não se sabe o que se passou, mas a verdade é que a alça subiu para o seu lugar, da mesma forma que a saia branca gomada foi substituída pelo saiote de baeta vermelha.

 

 

 

 

 

Foto do Mestre José Malhoa no seu Atelier

 

FADO MALHOA
Criação de Amália Rodrigues

Letra de: José Galhardo 

Música de: Frederico Valério

Alguém que Deus já lá tem
Pintor consagrado,
Que foi bem grande
E nos fez já ser do passado,
Pintou numa tela
Com arte e com vida
A trova mais bela
Da terra mais querida.

                                               Subiu a um quarto que viu
                                               A luz do petróleo
                                               E fez o mais português
                                               Dos quadros a óleo
                                               Um Zé de Samarra
                                               Com a amante a seu lado
                                               Com os dedos agarra
                                               Percorre a guitarra
                                               E ali vê-se o fado.

Faz rir a ideia de ouvir

Com os olhos senhor
Fará mas não para quem já

Ouviu mas em cor

Há vozes de Alfama

Naquela Pintura

E a banza derrama

Canções de amargura

 

                                                 Dali vos digo que ouvi
                                                 A voz que se esmera
                                                 Dançando o Faia banal
                                                 Cantando a Severa
                                                 Aquilo é bairrista
                                                 Aquilo é Lisboa
                                                 Aquilo é fadista
                                                 Aquilo é de artista
                                                 E aquilo é Malhoa

 

 

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Viva Lisboa: Amaliano
música: Fado Malhoa
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Amália Rodrigues

23 de JULHO  há 87 anos

Nascia

AMÁLIA RODRIGUES

 

É SEMPRE TRISTONHA E INGRATA
QUE SE TORNA A DESPEDIDA
DE QUEM TEMOS AMIZADE
MAS SE A SAUDADE NOS MATA
EU QUERO TER MUITA VIDA
PARA MORRER DE SAUDADES

 

 

As flores que tanto adorava

 

 

 

Obrigado Amália por tudo o que nos deste

Geração de Marceneiro

 

A NOSSA AMALIA E O POVO

 

A nossa Amália morreu

Nosso Povo estremeceu

Com tanto calor e frio

No céu entrou uma Fada

E uma canção magoada

Povo que Lavas no rio.

 

                                                     As avenidas e estradas

                                                     E as pedras das calçadas

                                                     Ficaram todas unidas

                                                     Os rapazinhos choraram

                                                     As andorinhas voltaram

                                                     Sempre de luto vestidas.

 

Os carpinteiros a correr

Foram todos para fazer

As tábuas do seu caixão

Os Anjinhos se juntaram

Os Santinhos se prostraram

Até Deus pediu perdão.

 

                                                      Desde a Rua de São Bento

                                                      Povo Unido, num lamento

                                                      Choravam lágrimas e prantos

                                                      Peregrinos de sandálias

                                                      Consagraram nossa Amália

                                                      E os Poetas eram tantos.

 

A Cidade de Lisboa

Desde Alfama à Madragoa

Desde a Estrela ao Rossio

Varinas de sete saias

Vê lá meu Povo não caias

Povo que Lavas no rio.

 

Poema de: Manuel Luis Caeiro de Pavia

 

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