Domingo, 20 de Março de 2016

Vítor Duarte Marceneiro... Diz Janela da Vida de Carlos Conde

Vítor Duarte Marceneiro, diz o poema "Janela da Vida" da autoria de Carlos Conde, com fundo musical da Fado Viela de Alfredo Marceneiro. Foi gravado em 1994 no 1º aniversário da SIC.

Este poema foi feiro para o repertório de Alfredo Marceneiro em 1926, mas foi proibido pela censura.

 

"JANELA DA VIDA"

Letra de: Carlos Conde
Música: Marcha de Alfredo Marceneiro

 

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Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Carlos Conde - Poeta Popular

 

 

 FADO DE ESPERAÇA E FÉ, Carlos Conde também era um poeta de esperança, virado para o futuro.

 

Carlos Conde (Trineto de Carlos Conde      Beatriz Duarte e Alfredo Duarte (Bisnetos Marceneiro)               

                                          

“È TÃO BOM SER PEQUENINO”
Letra de: Carlos Conde
Música: Corrido ou Mouraria
 
                            É tão bom ser pequenino
                            Ter pai, ter mãe, ter avós
                                     Ter esperança no destino
                                     E ter quem goste de nós
 
                                     A velhice traz revés
                                     Mas depois da meninice
                                     Há quem adore a velhice
                                     Para ser menino outra vez
                                     Ser menino que altivez
                                     De optimismo e desatino
                                     Ver tudo bom e divino
                                     Tudo esperança, tudo fé
                                     Enquanto a vida assim é
                                     È tão bom ser pequenino
 
                                     Ver tudo com alegria
                                     Sem delongas sem demoras
                                     Viver a vida numa hora
                                     Eternidade num dia
                                     Ter na mente a fantasia
                                     Dum bem que ninguém supôs
                                     Ter crença sonhar a sós
                                     Com a grandeza deste mundo
                                     E para bem mais profundo
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
 
                                     Ter muito enlevo a sonhar
                                     Acordar e ter carinho
                                     Ter este Mundo inteirinho
                                     No brilho do nosso olhar
                                     Viver alheio ao penar
                                     Deste orbe torpe ferino
                                     Julgar-se eterno menino
                                     Supor-se eterna criança
                                     E num destino sem esperança
                                     Ter esperança no destino

 

 

                                    

                                     Oh! Desventura, Oh! Saudade

                                     Causas da minha inconstância

                                     Dai-me pedaços de infância

                                     Retalhos de mocidade

                                     Dai-me a doce claridade

                                     Roubando-a ao tempo atroz

                                     Eu queria ter a minha voz

                                     Para cantar o meu passado

                                     E é tão bom cantar o fado

                                     E ter quem goste de nós

 

                       

 

 Alfredo Marceneiro canta

É TÃO BOM SER PEQUENINO

Letra de Carlos Conde

Música Popular

 

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Viva Lisboa: Grande Poeta Popular
música: É tão bom ser pequenino
publicado por Vítor Marceneiro às 09:00
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Sábado, 7 de Dezembro de 2013

Lisboa tão linda és...Falar e cantar Lisboa

Vítor Duarte Marceneiro

Canta: Bairros de Lisboa

Letra de Carlos Conde

Música: Fado Pajem de Alfredo Marceneiro


 

 

Desde há muitos, muitos anos  os fadistas faziam  palestras,  tendo por motivo de inspiração, a nossa querida  Lisboa, 

Eram homens de carácter, com um só desejo, amar Lisboa, sem problemas de competitividade entre si,  era como se todos fossem um só... Lisboa uma só...com os seus amantes unidos num só objectivo...amá-la e adulá-la escrevendo sobre ela.

Cada vez se recolhe mais provas, que Lisboa é bem a cidade mais cantada do mundo, já está para breve o que eu e muitos dos amantes de Lisboa, do Fado e da poesia em geral, ansiamos, colocar Lisboa no Guiness Book de Records.

 

Um "Fala-só" de Lisboa:  
Uma palestra da série "Lisboa, tão linda és..." falando desse grande poeta que é Carlos Conde
por: Francisco Radamanto
 Carlos Conde
De entre os milhentos amantes que Lisboa tem, os mais enamorados e fieis, os que a adoram com paixão quase física e quase sensual são aqueles "Fala-só"que   a gente vislumbra,   em jeito   de   prece,   debruçados   em   mirantes   e miradouros, a contemplá-la em êxtase, na hora bruxa do arrebol vespertino.
Ao longe, o sol declina, lentamente, deixando após si um rastro de oiro e vermelho, de anil e púrpura, que vai encher de revérberos de cor e de luz as mil janelas dos sete presépios que são as sete colinas... Desfolham-se as sardinheiras nas trapeiras e as rosas-de-toucar fecham-se, pudicamente, por varandas e sacadas.
 
Esta é a hora dos "Fala-Sós'”... Lá estão eles no Monte e em Santa Luzia, em S. Pedro de Alcântara e no Alto de Santa Catarina... Olhos fixos, magníficos e famintos, lábios que se sentem mexer numa irreprimível confissão de amor, ensimesmados e indiferentes a tudo que não seja o deslumbramento de alma que a presença, viva e infimamente sentida, da sua amada Lisboa, lhes faz viver, num frémito de emoção e de puro prazer.
Todos os "Fa!a-sós" são poetas - mesmo os que não sabem fazer versos, mesmo aqueles cujos poemas vivem e vibram de dentro para dentro. Estes usam as vozes do silêncio, recolhidas e crentes, mas não menos apaixonadas do que as dos outros, - dos que cantam, dos que exprimem de dentro para fora. Uma das mais puras vozes cantantes dos "Fata-sós" da cidade ê o de Carlos Conde, - poeta pela graça de Deus, trovador por amor da Lisboa que vive, em sortilégio da graça, nas suas rimas ricas de sabor e verdade.
O poeta percorre as ruas da cidade ribeirinha, sobe escadinhas, entra nos pátios,   calcorreia   as   calçadas,   enternece-se com   os arcos   e alpendres, deslumbra-se nos mirantes e miradouros...
Ali vai um cego a tocar guitarra; uma costureirinha romântica assoma à janela a trautear uma trova; uma varina atira ao ar a nota cantada dum pregão vibrante; um marujo passa, bamboleante e pimpão; uma rapariga, de lenço e avental, leva nos olhos a marca de um amor de perdição; um ardina saltitante e irreverente grita "à última hora"!...
Todo este mundo pitoresco e estranho, que é luz e noite, que é riso e lágrimas, que é manjerico e cardo, pertence ao poeta.
Todo ele pulsa, vibra e vive nos versos de Carlos Conde.
Sobe o cantor a Santa Luzia, para nos dizer:
 
“Alfama faz-me lembrar
Na pureza muito sua,
Uma velhinha a fiar
Sentada à porta da rua!!...”
 
“E logo define o bairro como:
 
"Canção em que o povo crê.
Cantiga que o povo reza,,,
- És um sonho de princesa
Alfama da velha Sé!..."
 
Do lactário sai uma rapariga que leva, aconchegado no xaile, quase escondido, o seu menino, aquele menino que o amor lhe pôs nos braços... E, Carlos Conde, comenta;
 
"Meu Deus! Meu Deus: - Vê lá bem
Que, por caminhos sem luz.
Anda um menino Jesus
Ao colo de cada mãe!..."
 
Tomando como sua a cruz de outra, a que passou chorosa, desiludida e descrente, o poeta afirma:
 
"Meus olhos que por alguém
Deram lágrimas sem fim,
Não choram por mais ninguém,
Basta que chorem por mim!..."
 
Passa à Mouraria para nos dizer:
 
"Venham ver a Mouraria
Pelas frestas do passado!..
 
Aqui na Rua dos Canos,
Dançam faias e rameiras,
Entre dois velhos pianos
Dum café de camareiras!..."
 
Foi à Graça e contou-nos a história do namorico da Maria, a ta! costureirinha romântica e cantadeira:
 
"Na Graça, quando ela passa.
Toda a gente lhe quer bem:
- Não há graça com mais graça
Do que a graça que ela tem!...
 
Causa gosto ver aquele
Varandim com muitas flores,
A esquina de Sapadores
Muito perto do quartel
 
 
Cá em baixo, um furriel
Com quem a Maria engraça
Diz-lhe um dito, uma chalaça,
Fia afira-lhe uma flor…”
 
É assim mesmo, não é?...
O poeta chega, agora, ao Castelo e diz-nos:
 
"Estamos no velho Castelo
Desta Lisboa garrida.
Que é o caixilho mais belo
De uma aguarela com vida!...”
 
Desce à Baixa e, lisboeta retinto, exclama:
 
Ali vai a Tradição
Almoçar ao "Garrafinhas",
Depois de estar nas "ginginhas"
Do Rossio e Santo Antão!..."
 
Vai-se ao "Cabeça de Touro",
Ao "Friagem" e ao "Claudino"
E nunca se perde o fino...
Esta Baixa é um tesouro!..."
 
Desde o exterior castiço e pitoresco ao interior, - quantas vezes de revolta e drama -, todos os tipos populares, a própria voz do povo dos bairros típicos de Lisboa que cheira a alfazema e a cravo-de-papel, estão despidos e ficam bem assim na verdade da nudez dos versos de Carlos Conde. São como são. E Lisboa é como é.
Aí, Lisboa!... Que Carlos Conde, um dos teus apaixonados "Fala-sós", te continue a
sentir para dentro e a cantar para foral... Lisboa, tão finda és!...
 
Francisco Radamanto
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nota: As fotos utilizadas são retiradas da internet , agradeço aos seus autores as terem publicado, para que possam ser usadas, sem fins lucrativos, como é o meu caso, se alguém se considerar lesado, agradeço me informe, e a foto será de imediato retirada.
 
Descrição as Fotos a partir do topo do post:
     1ª foto - Lisboa vista do céu
     2ª foto - O poeta Carlos Conde

     3ª foto - lado esquerdo Miradouro Senhora do Monte

     4ª foto - lado direito Alto de Santa Catarina

     5ª foto - lado esquerdo Miradouro de Santa Luzia

     6ª foto - lado direito Sé de Lisboa

     7ª foto - lado esquerdo Menino ao colo

     8ª foto - lado direito Lisboa vista do Castelo

     9ª foto - lado direito Miradouro da Graça

   10ª foto - lado direito Castelo de S. Jorge (vistas de parte da cidade)

   11ª foto - lado direito o Castelo de S. Jorge

   12ª foto - lado esquerdo Elevador de Santa Justa

   13ª foto - lado direito Terreiro do Paço

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Viva Lisboa: Lisboa tão linda És
música: Bairros de Lisboa de Carlos Conde
publicado por Vítor Marceneiro às 19:00
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Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

CARLOS CONDE- Grande PoetaPopular

Esta página foi escrita e publicada neste blogue a 26 de Maio de 2007, e não teve qualquer constetação!?

A 14 de Novembro de 2001 foi dada a uma rua de Lisboa no bairro de Campolide.

Aqui está a foto da placa e um artigo de Appio SottoMayor publicado no Jornal "A Capital", em que refere a "particularidade do epíteto Poeta Popular"

 

 

País de poetas é expessão já cansada do uso para definir Portugal. E, no entanto, continua verdadeira como no dia da sua invenção. Parece, porém, que na Poesia como em tudo o mais na vida, se formam classes: há uns tantos servidores das musas já tidos como académicos; há alguns (raríssimos) cujas novas produções são garantia de rápido desaparecimento dos escaparates; há uma multidão que vai esgotando sentimentos em edições de autor...

E há depois aqueles que, aparentemente sem escola e não se arrogando de angústias universais, vão compondo alo longo da vida com a facilidade de quem respira, encontrando rimas, ritmos e imagens como se tal faculdade lhes viesse de graça logo no berço. Chamam-lhes Poetas Populares. Metem a dor, a alegria, a raiva, o ciúme, o desejo, a bondade e a morte em meia dúzia de versos e passam a mensagem como se fosse dever natural. Todo um tratado de filosofia do comportamento pode, para eles, caber em poucas palavras.


Trabalho é letra vencida

Que o suor já pagou bem.

Quem trabalha toda a vida

Não deve nada a ninguém.


Carlos Conde, autor da quadra transcrita, escreveu versos em grande parte da sua vida e tornou-se conhecido porque as suas letras foram musicadas e depois cantadas por gente grande do fado. De Amália a Marceneiro, de Hermínia a Fernanda Maria, quantos fadistas interpretaram as palavras deste homem que sabia transmitir emoções.

Lisboa e o Fado têm tido a sorte de encontrar quem os sirva desta forma, eivada de simplicidade mas eminentemente artística. E, querendo ter boa memória, a cidade hoenageia o poeta, em vésperas do seu centenário, com um gesto singelo: dá hoje o seu nome a uma rua.


 

 

 

 Carlos Conde, nascido em 1901 no Concelho da Murtosa em Aveiro e filho de pescadores, muito cedo teve de procurar melhor sorte e partiu para a então cidade dos sonhos, Lisboa!

Chegado à capital, o seu fascínio pelo Fado e o acolhimento no meio fadista, deverão ter despertado o talento nato do poeta, para a concretização da maravilhosa obra que nos legou e que hoje recordamos com saudade e emoção!

É um facto, que a grande paixão de Carlos Conde foi o Fado, mas não nos podemos esquecer das lindas cegadas, um género de teatro de rua, que faziam as delícias de multidões por alturas do Carnaval.

Não devemos apagar da memória, os célebres motes e quatro décimas com que o poeta descreveu os típicos Bairros de Lisboa, onde ainda hoje, podemos apreciar muitos detalhes que têm resistido aos malefícios do tempo e à desenfreada evolução.

Carlos Conde, foi dos melhores poetas, senão mesmo o melhor, a descrever com tal exactidão, pormenor e sentimento, os hábitos e costumes das gentes desses lindos bairros, que ao lermos a sua obra, somos, quase que por magia, transportados para a época e para os locais descritos.

Isto, para não falarmos nas deliciosas quadras, que correram Portugal inteiro, vencendo concursos de Norte a Sul e espalhando o talento do poeta, pelas almas sedentas, de palavras harmoniosas e verdadeiras.

Mas, como já afirmei, foi de facto no Fado que Carlos Conde se notabilizou, autor de centenas de letras:

( A mulher que já foi tua, Sótão da Amendoeira, Marquês de Linda-a-Velha, Feira da Ladra, Bairros de Lisboa, Revista de Fados, Não passes com ela à minha rua, Trem desmantelado, etc, etc.)

 e para sempre imortalizadas nas vozes de: Amália, Argentina Santos, Maria da Fé, Carlos do Carmo, Fernando Maurício, Fernanda Maria, os Marceneiros (Pai, filho e neto), Lucília do Carmo, Ercília Costa, Ada de Castro, Rodrigo, João Ferreira Rosa, Gabino Ferreira, Raul Pereira, Adelina Ramos, Maria Amélia Proença e tantos outros.

Carlos Conde deixou de escrever para nós dia 12 de Julho de 1981, levando consigo as mais douradas décadas de fado.

Apesar da saudade latente, de um homem humilde e sincero, gravada para sempre em nossos corações, o que mais nos deve angustiar, é o facto de só após todos estes anos, compreendermos a dimensão do vazio deixado pelo homem que mais escreveu para o fado e só por isso a sua chama será eterna.

O reconhecimento por parte da Câmara Municipal de Lisboa, ao atribuir o seu nome a uma das artérias da cidade, vem repor justiça, à memória de um homem que tanto amou Lisboa.

 

Obrigado Carlos Conde!

 http://carlosconde.com.sapo.pt/

 Paulo Conde, 25 de Maio de 2007


     Vitor Duarte e Paulo Conde

 

Paulo Conde é bisneto de Carlos Conde, é o autor da sua monobiografia “FADO – Vida e Obra do Poeta Carlos Conde”.  Escreve o autor  na contracapa do seu livro:

Quando decidi eternizar em livro a vida e obra do poeta Carlos Conde, moveu-me para além do sangue e impulsos de descendência, uma vontade expressa de tributar o Fado.

Nutro pelo Paulo uma amizade e carinho, que nasceu no momento em que nos conhecemos, honra-me saber que o sentimento é recíproco, a nossa troca de “cartões” como se pode verificar na foto abaixo, foi a troca das nossas obras de que muito nos orgulhamos.

Obrigado Paulo Conde  pelo documento que deixaste para a história do Fado e desse grande poeta entre os poetas,  Carlos Conde teu bisavô.

Vitor Duarte Marceneiro 26-05-2007

 

Alma fadista

Conheço o Vítor Duarte destas andanças de homenagear o fado, é algo que nos está no sangue e como temos amizades cruzadas por consagrados ascendentes do meio fadista, não degenerámos. Prova disso é o notável trabalho (e se não conhecesse o Vítor pessoalmente, diria que era um génio) de colocar Lisboa no Guiness. Lisboa a cidade mais cantada do mundo, vai concerteza encher de orgulho o povo lusitano, porque nisto de reconhecimentos fora de portas há que deixar regionalismos de parte.

 

Deixo aqui um abraço de carinho e admiração ao Vítor, para quem o fado é uma forma de vida, sem aprumos de circunstância nem vaidades mascaradas, mas simplesmente um acto natural e reflexo como o pulsar do coração.

 

Paulo Conde - Bisneto 25-05-07

 


 

  Carlos Conde é um dos poetas com mais poemas sobre Lisboa:

                                   FLORES DE LISBOA

Letra de Carlos Conde  

Música de: Túlio Pereira

 

                                 Sempre a rir, sempre a cantar

                                 Esta Lisboa bonita

                                 Beija quem a sabe amar

                                 E abraça quem a visita

 

                                 Lisboa não se afadiga

                                 De cantar a vida inteira

                                 Tem p´ra tudo uma cantiga

                                 A Cidade Cantadeira

 

                                 A quem visita

                                 Esta Lisboa

                                 Terra que o mundo prende em fortes laços

                                 Os nossos beijos

                                 Com os desejos

                                 A que voltam de novo a nossos braços

                                 O meu país

                                 P´ra ver feliz

                                 Quem nos rende amizade fraternal,

                                 Concede flores

                                 De vivas cores

                                 Colhidas nos jardins de  Portugal!

 

                                 Lisboa deita-se tarde

                                 E tão bem o fado entoa

                                 Que nunca falta quem guarde

                                 Uma nesga de Lisboa!

 

                                 Canta e sente um bem profundo

                                 Pois é feliz e contente

                                 A cantar p´ra todo o mundo

                                 E a sorrir para toda a gente

 

 

Vítor Duarte Marceneiro canta: Bairros de Lisboa



 Carlos Conde também era um poeta de esperança, de fé  no futuro.

 


           

      Carlos Conde (Trineto de Carlos Conde

 

Beatriz Duarte e Alfredo Duarte (Bisnetos Marceneiro)

                                          



“È TÃO BOM SER PEQUENINO”
Letra de: Carlos Conde
Música: Corrido ou Mouraria
 
                                      É tão bom ser pequenino
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
                                     Ter esperança no destino
                                     E ter quem goste de nós
 
                                     A velhice traz revés
                                     Mas depois da meninice
                                     Há quem adore a velhice
                                     Para ser menino outra vez
                                     Ser menino que altivez
                                     De optimismo e desatino
                                     Ver tudo bom e divino
                                     Tudo esperança, tudo fé
                                     Enquanto a vida assim é
                                     È tão bom ser pequenino
 
                                     Ver tudo com alegria
                                     Sem delongas sem demoras
                                     Viver a vida numa hora
                                     Eternidade num dia
                                     Ter na mente a fantasia
                                     Dum bem que ninguém supôs
                                     Ter crença sonhar a sós
                                     Com a grandeza deste mundo
                                     E para bem mais profundo
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
 
                                     Ter muito enlevo a sonhar
                                     Acordar e ter carinho
                                     Ter este Mundo inteirinho
                                     No brilho do nosso olhar
                                     Viver alheio ao penar
                                     Deste orbe torpe ferino
                                     Julgar-se eterno menino
                                     Supor-se eterna criança
                                     E num destino sem esperança
                                     Ter esperança no destino

 

                                     Oh! Desventura, Oh! Saudade

                                     Causas da minha inconstância

                                     Dai-me pedaços de infância

                                     Retalhos de mocidade

                                     Dai-me a doce claridade

                                     Roubando-a ao tempo atroz

                                     Eu queria ter a minha voz

                                     Para cantar o meu passado

                                     E é tão bom cantar o fado

                                     E ter quem goste de nós


 

Alfredo Marceneiro canta

È Tão bom Ser Pequenino


 

Carlos Conde tinha uma visão muito profunda das injustiças sociais, foi dos poetas de fado com mais poemas censurados.

 

Alfredo Marceneiro fala de Carlos Conde 

 

  

"JANELA DA VIDA" 

Letra de: Carlos Conde

Música: Alfredo Marceneiro

  

                                           Para ver quanta fé perdida

                                           E quanta miséria sem par

                                           Há neste orbe, atroz ruim

                                           Pus-me à janela da vida

                                           E alonguei o meu olhar

                                           P´lo vasto Mundo sem fim.

 

                                           Pus todo o meu sentimento

                                           Na mágoa que não se aparta

                                           Do que mais nos desconsola;

                                           E assim a cada momento

                                           Vi buçais comendo à farta

                                           E génios pedindo esmola!

 

                                           Vi muitas vezes a razão

                                           Por muitos posta de rastos

                                           E a mentira em viva chama;

                                           Até por triste irrisão

                                           Vi nulidades nos astros

                                           E vi ciências na lama!...

 

 

                                           Vi dar aos ladrões valores

                                           E sentimentos perdidos

                                           Nas que passam por honradas

                                           Vi cinismos vencedores

                                           Muitos heróis esquecidos

                                           E vaidades medalhadas

 

 

                                           Vi no torpor mais imundo

                                           Profundas crenças caindo

                                           E maldições ascendendo

                                           Tudo vi neste Mundo

                                           Vi miseráveis subindo

                                           Homens honrados descendem

 

                                           Por isso afirmo com siso

                                           Que p´ra na vida ter sorte

                                           Não basta a fé decidida

                                           P´ra ser feliz é preciso

                                           Ser canalha até à morte

                                           Ou não pensar mais na vida.


 Vítor duarte Marceneiro 

Diz o poema Janela da Vida


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Viva Lisboa: Grande Homem,, Grande Poeta
música: Várias
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Sábado, 19 de Maio de 2012

JANELA DA VIDA de Carlos Conde

FOI ESCRITO NOS ANOS TRINTA DO SÉCULO XX,  SE AFIRMÁSSE-MOS QUE TINHA SIDO ESCRITO AGORA...

DIRIA-MOS DECERTO... BEM OBSERVADO 

 

  

 

 

 

"JANELA DA VIDA"

 

Letra de:Carlos Conde

Música: Marcha de Alfredo Marceneiro

 

Para ver quanta fé perdida

E quanta miséria sem par

Há neste orbe, atroz ruim

Pus-me à janela da vida

E alonguei o meu olhar

P´lo vasto Mundo sem fim.

 

Pus todo o meu sentimento

Na mágoa que não se aparta

Do que mais nos desconsola;

E assim a cada momento

Vi buçais comendo à farta

E génios pedindo esmola!

 

Vi muitas vezes a razão

Por muitos posta de rastos

E a mentira em viva chama;

Até por triste irrisão

Vi nulidades nos astros

E vi ciências na lama!...

 

Vi dar aos ladrões valores

E sentimentos perdidos

Nas que passam por honradas

Vi cinismos vencedores

Muitos heróis esquecidos

E vaidades medalhadas

 

Vi no torpor mais imundo

Profundas crenças caindo

E maldições ascendendo

Tudo vi neste Mundo

Vi miseráveis subindo

Homens  honrados descendo

 

Esse é rico, e não tem filhos

Que os filhos não dão prazer

A certa gente de bem

Aquele tem duros trilhos

Mas é capaz de morrer

P´los filhinhos que tem

 

Esta é rica em frases ledas

Diz-se a mais casta donzela

Mas a honra onde ela vai

Aquela não veste sedas

Mas os garotitos dela

São filhos do mesmo pai

 

Por isso afirmo com ciso

Que p´ra na vida ter sorte

Não basta a fé decidida

P´ra ser feliz é preciso

Ser canalha até à morte

Ou não pensar mais na vida.

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Viva Lisboa: PUNHO ERGUIDO (mão dtª)
música: Janela da Vida
publicado por Vítor Marceneiro às 22:52
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Sábado, 11 de Dezembro de 2010

CARLOS CONDE - Poeta com visão social

Poema  Janela da Vida de Carlos Conde

Escrito nos anos 20 do século passado... quem diria! até hoje é actual

 

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Viva Lisboa: Fado do "Reviralho"
música: Janela da Vida
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Domingo, 24 de Junho de 2007

Entrevista ao Poeta Carlos Conde

O FADO ESTÁ DOENTE

Repertório de Gabino Ferreira

 

Letra de Carlos Conde

Música de: Gabino Ferreira

 

                                   O fado está doente, adoeceu o fado!

                                   Quando hoje o visitei quedei-me em sobressalto

                                   Ao vê-lo triste e só, com a guitarra ao lado

                                   Numa casa qualquer ali do Bairro Alto!

 

É triste a sua dor, profundo o seu abalo,

Saudoso do seu tempo alegre de conquistas!

O fado está doente, é preciso salvá-lo

Com o gosto do povo e a alma dos fadistas!

 

                                  Está muito abatido. Eu nem o conhecia!

                                  Ele, o Imperador ali da Madragoa,

                                  O Príncipe de Alfama, o Rei da Mouraria

                                  E acima de tudo o Senhor de Lisboa!

 

Fadistagem de garra, altiva e bem unida:

Se o fado é muito nosso, é grande, é imortal,

Nós temos o dever de lutar pela vida

Da mais bela canção que existe em Portugal!

 

 


De uma entrevista que o Poeta deu em 20 de Abril de 1967.

Como poderão verificar, e não querendo de forma alguma desvalorizar ninguém, mas acho que se isto fosse dito hoje 40 anos passados, nem uma vírgula seria necessário acrescentar.

 

 


 Há hoje  alguns novos interpretes de Fado, que ascenderam com rapidez fulgurante ao cume da popularidade... Porque será?

Carlos Conde: — A popularidade deve surgir naturalmente, por mérito próprio, e não por habilidades que todos nós conhecemos. A aura de verdadeiro artista deve conquistar-se pelo seu valor, pela sua arte, pelo seu talento e não por outros meios a que não é estranha uma certa forma de conluios (1)  e propagandas fáceis que, por vezes à força da insistência, chegam a comprometer e até a enganar os que julgam que a subida ( 2 )não custa.

 

(1) Hoje são "lobbies"

(2) A séria e honesta sem sofismas, custa e muito.

 

 

O Fado é devedor a alguém da sua popularidade?

Carlos Conde:—O Fado não deve nada a ninguém; todos os autores e compositores; todos os tocadores e cantadores; todos os empresários e aficcionados é que devem ao  Fado, o Fado é credor.

 

 

Como define o Fado de hoje?

Carlos Conde: — O Fado alcançou um lugar de dignidade,. Mudar-lhe o ritmo é deturpar-lhe o sentido. O Fado não pode sair do seu ambiente ainda que, por vezes, rodeado de cenários discutíveis e caricaturas exageradas.

O que é preciso acima de tudo, é que o Fado seja realmente Fado.

 

 

E os repertórios?

 

Carlos Conde — Antigamente cada artista tinha o seu repertório, nós os poetas a maioria das vezes já calculavamos para quem eram os poemas que faziamos. Hoje há bons poetas, mas pouco cantados, toda a gente canta a measma coisa que já tenha obtido êxito fosse por quem fosse.

 

 

E a música?

Carlos Conde — Tal com diz o Marceneiro, hoje toca-se muito bem, mas acompanha-se muito mal, há mais música, menos fado.

 Já tenho perguntado a mim próprio,  se  depois de Marceneiro alguém mais criou algum fado tradicional/clássico, daqueles apanhados pelos guitarristas ao estilo que o fadista dava ao cantar,  e que tenha vindo a ser um clássico, como são todos os dele... parece-me que não, e mesmo esses querem modernizá-los!

 

 

Acha que o fado está doente?

 

Carlos CondeOs grandes admiradores estudiosos do Fado são unânimes em afirmar que o fado (o genuíno)  está doente, que morre aos poucos.

Os modernos «fadistas» elevados à  «alta categoria » de cançonetistas famosos, empertigados no seu «alto prestígio» de vedetas de nomeada, afirmam  que eles é salvarão o Fado,  que é a eles que se deve a sua projeccção internacional! A ver vamos no futuro.

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 21:30
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