Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

LISBOA, meu berço que eu amo.

Oh! Lisboa, minha querida Lisboa,  

teres sido a minha cidade  berço

foi uma ventura divina.

Cescer e viver em ti,  foi uma benção.

Amar-te é um dever, é profissão de fé.

Cantar-te são declarações de amor.

Mas através de ti, receber poemas que são para ti,

incluindo afagos para mim.... é um honra, é um orgulho.

Amo-te Lisboa

Assina Vítor Duarte (Marceneiro)

                            NOSSA SENHORA DO FADO

 

Lisboa é terço rezado

Nos passos de cada passo

Madrigal,cantar,jardim

Lisboa é uma aguarela

Que desanda n'um bailado

Em olhos d'olhares sem fim

 

Nossa Senhora do Monte

Desce em veleiro da Graça

Sangra a colina a descer

E segue a seguir p'ró Tejo

P'ró meu terreiro sem paço

Dos meus passos a doer

 

                            Lisboa é fado de luz,

                            Nossa Senhora da Luz

                            Desata-me o corpo ao céu

                            Dá-me o farol do teu mar

                            E desagua o luar

                            No cantar do fado meu

 

                            Lisboa é luar ao vento,

                            Três almas de Marceneiro

                            Que a levam de braço dado

                            Ai, meu amor cantadeiro

                            Não te percas d'esse jeito,

                            Nossa Senhora do Fado! 

    

Para o Vítor com um xi-coração.

m.josépraça.

 

                       

 

 

                       TENS NO OLHAR SETE COLINAS

 

                              Tens n' olhar sete colinas 

                               Tens cantigas e marés 

                                Tens quadras de Santo António

                                  Brumas de Fado a teus pés

 

És terra à beira do rio

És fado a rasgar o tempo

Tens nas mãos-das-tuas-mãos

Asas que voam no vento 

 

                              És peregrino de Lisboa

                               Solidão de mar de nardos

                                Guardas terraços nos olhos

                                 Rasgados em mil pedaços

 

És estio de namoro santo

Porque quem poisar em ti

Vai p'ró céu de sete céus,

Sete colinas de ti ... ...  

 

Beijinhos de mim para ti.

Eu.

 

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música: Nossa Senhora do Fado - Tens no Olhar Sete Colinas
publicado por Vítor Marceneiro às 14:01
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

FLORBELA ESPANCA

Passados que são 105 anos do seu nascimento, 79 anos da sua partida, aqui fica a minha  sincera homenagem a esta grande poetisa, que o Fado também enaltece,  cantado-a.

 

Florbela de Alma da Conceição, nasceu em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, e faleceu em Matosinhos a 7 de Dezembro de 1930.

Aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte.

Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário no Liceu de Évora, facto não muito bem aceito por professores e a sociedade da época.

Em 1916, Florbela reúne uma colectânea de 88 poemas de sua autoria e três contos, com o título “Trocando Olhares.

Em 1917, completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras e logo ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Em 1927 Florbela perde seu irmão Apeles num trágico acidente, facto que muito a abalou psicologicamente, publicando o livro de contos “Às Máscaras do Destino” em sua memória.

Em dois de Dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de Dezembro, dia do seu aniversário, Florbela Espanca suicida-se, em Matosinhos.

Algumas décadas maia tarde como era seu desejo, os seus restos mortais são transportados para a sua terra natal, Vila Viçosa.

  

 

Teresa Silva Carvalho

canta com música de sua autoria

Amar! de Florbela Espanca

 

 

 

FLORBELA ESPANCA

    Filha de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo,    Florbela escreveu-se em Sangue d'Alma !

     Foi Hino em Grito de Além...

     Foi Candeia em busca de mais Luz...

     Foi Lareira em busca de  Achas para mais Lume...

     Foi Labareda de Onda com todas as tonalidades do Arco-Íris...

     Nasceu em 1894 em Vila Viçosa , no dia de Nossa Senhora da Conceição. (Ó Mãe ! Ó minha Mãe, pira que nasceste? / Entre agonias e em dores tamanhas / P´ra que foi, dize lá que me trouxeste // Dentro de ti?... P´ra que eu tivesse sido / Somente o fruto amargo das entranhas / Dum lírio que em má hora foi nascido!... (in Vol. II, pág.259) (ver nota de correcção nos comentários

     Aí viveu com o Pai, a Madrinha (Esposa legítima de João M. Espanca) e com o irmão mais novo, Apeles.  A casa situava-se no actual n. 59 da Rua Florbela Espanca.

     Correu campos, charnecas, bebeu luares e sombras de paisagens...

     Amava Livros e Sonhos ... Aos oito anos já escrevia a Alma ...

     Em Évora, no Liceu André Gouveia, respirou felicidade (" Hoje mando-lhe o edifício do Liceu. Aqui passei os melhores anos da minha vida..." in Vol. V, Carta n. 50 “)

     Em 8 de Dezembro de 1913, casou com Alberto Moutinho. ( "Eu casei e casei por amor..." in Vol. V, Carta n.45)

     Ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa e segue em Asas em busca de mais Vida... (" O meu coração anda à solta, tão grande, tão ambicioso, tem sempre frio, está sempre só... Ninguém sabe andar com ele! " in Vol. V, Carta n.64 )

     Separa-se de Alberto Moutinho ( "Adeus, Alberto. Sê meu amigo sempre como é tua amiga a Florbela" in Vol. V, Carta n. 78 )

       Apaixonada por António Guimarães, oficial do Exército, segue com ele para Matosinhos.

      Casam a 29 de Junho de 1921. Mas António Guimarães não soube ver Florbela...  ("Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada / Pavorosa ! Não sei onde era dantes. / Meu solar, meus palácios, meus mirantes ! ...  in Vol. II, pág.258)

      Novo divórcio e nova paixão por Mário Lage com quem casa  a 29 de Outubro de 1925, na Igreja do Senhor Bom Jesus, em Matosinhos .

       Doente desta busca permanente, Florbela cansa o Pulso mais e mais... Ama infinitamente e sofre além, para lá da fronteira da pele...

        Tenta repousos  e tratamentos  sucessivos e em 7 de Dezembro de 1930 VOOU ALÉM, definitivamente, P'RA LÁ DA SUA TÃO QUERIDA CHARNECA ALENTEJANA... - Repousa, desde 1964, no Cemitério de Vila Viçosa... -

             -- FLOR BELA LOBO, conforme sua Certidão de Baptismo, FOI SENSIBILIDADE DESMEDIDA, ÁGUA CORRENTE D'ALMA EM FADO SEM TAMANHO ... --

               ( ... E O FADO DEU-LHE COLO DILVUGANDO, AO SOM DO TRINAR DAS GUITARRAS E DE BOAS VOZES, ALGUNS SONETOS DA SUA VASTA OBRA... )  

Maria José Praça 

 

 

 

             CELEIRO D'ALMA A FLORBELA ESPANCA 
 
Flor, ______tempo
Bela , ______lonjura no vento
Seara rubra em rebento
Espiga do peito em além
Perdidamente,
Em planura d'olhar longe
Ceifada voava em asas
De sonetos d'alma enchente
Em lua quase a 'pagar-se...
 
Torrente
D'água brilhante corrente...
Tremente
Voz de papoila gemente
Escorrendo fogo do peito, luzente...
 
Candeia
De passos soltos e alados d'além
D'além, além, tão além
Perdidamente,
Celeiro d'hinos frementes...


Maria José Praça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota:Estou convicto que Florbela Espanca se tornou mais conhecida do povo menos letrado através do seu poema “ Amar”, que muitos artistas cantaram, que aqui destaco mais uma vez na voz de Teresa Silva Carvalho, com música de sua autoria.

 

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Viva Lisboa: Amar... amar perdidadmente
música: Amar!
publicado por Vítor Marceneiro às 14:48
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

AMÁLIA, REFLEXÃO ESCRITA

 

       D'Amália sinto as metamorfoses do seu andamento no Poema/Fado que talhou sob O FLUIR-de-SI-PRÓPRIA ! 
     Não sou conhecedora da terminologia adequada nem da Ciência que a experimentação d'O CRIADO-FADO elaborou ! -( CIÊNCIA EMPÍRICA ,O FADO ?) -
  Falo,simplesmente, escrevendo o peito e ,as minhas "sensações /sentimentos" valerão para se pesar a necessidade de  ABRIR CAMINHO PAUTADO E DELINEADO PARA O ENSINO-da-HISTÓRIA EXPLICADA-do FADO  a nós,PORTUGUESES QUE O OUVIMOS,CANTAMOS E SENTIMOS... - 
    Uma Pátria é o Sangue dos seus Feitos, cronológicamente situados... As Causas produzem Consequências e a vida, sem esse conhecimento, dispersa a Alma e as Marcas...
       AMÁLIA !!!
  ...  Sobre a sua morte, ...DEZ ANOS !    Sobre a sua Voz,... ATÉ HOJE , desde o primeiro grito-nascimento-dor de enfrentar o mundo a solo.
     Lembro-me de em Milão andar à solta,a calcorrear caminhos... (Gosto de beber as pedras na minha descodificação própria...) Teria vinte e poucos anos...A neve enfeitava o chão e o frio gelava mesmo!
    Depois da Catedral, as Galerias (só para ver ! ) - Entrei "de olhar posto",devagarinho, continuando...
    Como se esperassem por mim, ouviram-se GUITARRAS e AMÁLIA SOOU EM ASAS, no meu Peito (ali). - As lágrimas tombaram-me e senti-me ,agradecidamente, embalada...
     Em "procissão "pelas memórias de miúda ( nasci em 1950), lembro OS LIMÕES d'A ROSINHA, O SÃO JOSÉ d'AZULEJOS, ESTA LISBOA d'OUTRAS ERAS,  AS PEDRINHAS DA CALÇADA LÁ DA RUA e por aí fora, andando... 
      AMÁLIA,pregão de Lisboa!
      AMÁLIA , marcha de Sto,António,com manjericos e cravos!
      AMÁLIA, menina rasada em voo pelos cantos do mundo, traçando a saudade e o mito da  nossa portugalidade!
       AMÁLIA,palco ela própria de luas cheias de fado!
       AMÁLIA, Capas Negras, Negra Mãe!
       AMÁLIA,Canção do Mar rebentado!
       AMÁLIA, Barco Negro,tão de negro!
       AMÁLIA, Asas Fechadas,voadas!
       AMÁLIA, Povo que Lavas no Rio,
       Correndo em leitos de mágoas... maria josé praça ( Setembro-2009)
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publicado por Vítor Marceneiro às 09:28
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

GERAÇÃO MARCENEIRO - Fado d´Alma

 

Da minha amiga, a poetisa Maria José Praça, recebi estes versos, que muito agradeço. Neste trabalho por vezes angustiante, cai sempre bem um "miminho"

 

 

No sangue que Deus me deu
Há pós de fado enrolados
Que cantam pregões ao vento
Desta Lisboa dos fados
 
Dos fados que vão correntes
Em vozes d'inibriar
À lareira das guitarras
Em ondas soltas de mar
 
A tradição rezou jura
De pai p´ra filho , p'ra neto
Marceneiro , é fado-d'alma
Asa d'um fado que freme...  

 

 

 

Para o Vítor com um beijinho - Maria José Praça

 

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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Latim de Lisboa

 LATIM DE LISBOA  

Poema de: Maria José Praça
 
Com manjericos,fogueiras e alcachofras
Canto este fado em latim de Lisboa
E ao vento do luar das quatro luas
Ajeito-me ao seu xaile com canoas
 
                                           E em romaria de fragata ao Tejo
                                           Em de mansinho canto que me afunda
                                          Teço-me em passos nas pedras da calçada
                                           E em verbo d'ir andando
                                           Sigo a bruma
 
À beira Tejo vislumbro madrugadas
E em rimas de memória ao Sol de pôr-se
Desenho-me em saudades nos recantos
Que vão p'ra lá da Índia
À vela, soltas
 
                                            E em sopros contrários
                                            Sigo o canto
                                            D'um campo rubro de cravos e papoilas
                                            Onde se cruza um bem-me-quer-ao-peito
                                            Que dá voz ao coração de Lisboa !

 

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publicado por Vítor Marceneiro às 00:15
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