Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

SÃO JOÃO - Santo Popular

 

O São João no Porto,  comemora-se de 23 para 24 de Junho.  Esta data foi consagrada a São João Baptista por ser a data do seu nascimento , na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja, mas na realidade o Santo Padroeiro do Porto é Nossa Senhora de Vandome.

É vivido nas ruas,  permite todos os excessos, Leva-se na mão um alho-porro e dá-se com ele na cabeça do vizinho em tom de brincadeira. Para além dos bailaricos, o fogo-de-artifício no Rio Douro é o ponto alto da noite. No meio de imensa folia, não falta a ementa tradicional da festa, o  Caldo Verde, a Sardinha Assada, o pão e vinho tinto.

O dia 24 de Junho foi consagrado a São João Baptista por ser a data do seu nascimento terras, na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja! .

Tudo começa na Ribeira, mas depois do Fogo de Artifício, a partir da  meia-noite em ponto, a festa espalha-se pelos quatro cantos da cidade e só termina ao nascer do sol.

As rusgas de São João espalham-se de bairro em bairro, de freguesia em freguesia.

Nas principais artérias da cidade, até ao nascer do sol, é ver as  enchentes de povo, compra-se as ervas santas e plantas aromáticas com evidente predominância do manjerico, a planta símbolo por excelência desta festa; o alho-porro, os cravos e a erva-cidreira.

A festa tem como ponto de honra as Cascatas S. Joaninas (colocar a imagem do Santo num altar com o seu inseparável carneirinho e um sem fim de elementos que simbolizam o arraial) e que servem de disputa entre freguesias e bairros num concursos de beleza e homenagem

Manda a tradição que a festa culmine com um banho de mar na Foz!

E no dia do padroeiro o manjar tradicional é o anho ou cabrito assado com batatas assadas e arroz de forno.

A festa de São João dá inicio às festas do Verão, daí as fogueiras e todas as "loucuras" da noite deste santo popular.

Segundo os registos do Cancioneiro Português, dos três santos: Santo António, S. João e S. Pedro, São João é o santo menos confiável, por causa da sua  fama de sedutor.

 

"São João fora bom santo

 se não fora tão gaiato

levava as moças para a fonte       

iam três e vinham quatro."

 

"Até os mouros na Mourama

festejam o São João.

Quando os mouros o festejam            

que fará quem é cristão."

 

Meu querido São João                                                

És um Santo popular

Traz teu arco e teu balão

Vem com o povo dançar!

 

Aproveitem bem esta noite...  

Fica fresco quem se afoita

E regala o coração

Quem se banhe à meia-noite

Da noite de São João.

 

Delicados pés pisaram

Rosmaninhos pelo chão

Muitos corações amaram

Na noite de São João.

 

Foto de Noite de São João no Porto

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Domingo, 16 de Junho de 2019

Fados da minha vida - A Escola

Há cerca  67 anos estava eu em vésperas  ir para a escola,   as aulas começavam nessa época a 7 de Outubro, corria o ano  de 1952.

A escola que fui frequentar foram as Oficinas de S. José, dos Padres Salesianos, situada nos Prazeres, no bairro de Campo d´Ourique, escola que ainda hoje existe.

Recordo o livro, o caderno de duas linhas, um lápis, uma borracha de apagar, uma ardósia, uma pena para poder escrever na ardósia, uma caixa de lata  pequena, com um pedaço de pano molhado, que servia para limpar a ardósia, e a mala que a tia Aida me deu, uma cesta de verga para levar o almoço, 2 carcaças com ovo mexido e uma laranja, preparado pela avó Judite.

Estava entusiasmado, porque também era o dia que eu iria estrear umas calças compridas, um "pull-over" grená sem mangas, que me deu a avó Maria, e mais que tudo as botas de cano alto (á cow-boy) que o meu pai me comprou na feira da ladra, (ver relato em: (http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/281578.html) recordo também que nessa altura  ainda usava um fumo preto  no braço direito, por luto de minha mãe.

A mesa de estudo conhecida como: Carteira Escolare, era igual a esta, que vos mostro nesta fotos.

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 Fotos de recordação: Em cima eu com 7 anos, em baixo a foto do livro da 1ª classe até á 4ª classe,  e a foto da minha primeira comunhão junto á estátua de S. Domingos Sávio no dia 31 de Janeiro de 1953, no Colégio dos Salesianos.

                                                                                            

 

                                        Livros Escolares anos 60.jpg

Curiosidades: Ao escrever este texto e relembrar todas stas passagens da vida, nomeadamente o material do trabalho escolar de então, não posso deixar de expor aqui o que  tive de adquirir estes anos  para os meus filhos,  a Beatriz e o Alfredo, desde o 1º anos escolar que ambos têm livros diferentes e é raro o ano que os livros não mudam, GRANDE NEGÓCIO COM O ENSINO,  porque estes ficam obsoletos, inclusive, se de  dos meninos não passar de ano (chumbar) o que é uma ideia remota!!! sabem por quê?... Sabem, sabem. os mesmos livros não vão servir, , terão de ser novos!! E Porquê? , pergunto eu?  

Porque somos um dos países evoluídos do mundo, e todos os anos repomos todas as novas descobertas sobre, a nossa historia, sobre a história universal, a matemática, a física, etc..  Ah! esquecia-me do PORTUGUÊS, também já mudou, cada vez me sinto mais analfabeto... até já ouvi dizer que a Lei de Ohm, está errada, o principio de Lavoisier... é tanga... a lei da gravidade.... etc, etc,

 E digam lá se isto não é um Fado...

©Vitor Duarte Marceneiro

 

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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

 

Fernando Martins de Bulhões, (Santo António de Lisboa), filho de D. Teresa Tavera e de Martin (ou Martinho) de Bulhões, nasceu em Lisboa ao que julga a 15 de Agosto de 1195, numa casa próxima da actual  Sé de Lisboa, onde se ergueu a igreja em sua invocação.

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando por volta de 1210, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, guiado pela mão do então prior D. Estêvão.

Permaneceu em São Vicente de Fora por três anos, com cerca de 18 anos ingressou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.

O mundo católico horrorizado com o martírio por decapitação de cinco franciscanos, em Marrocos, em 1220,  altura em que os restos mortais destes mártires são transladados para Coimbra,  levaram Fernando a abraçar a missão de evangelizador, pelo que a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António.

Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.

As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.

Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico, num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, por toda a cidade há arraiais populares engalanados, onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco, caldo verde  e bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada,  no típico bairro de Alfama, é costume organizar na Sé Patriarcal, o casamento de jovens noivos de origem modesta, são os noivos de Santo António, recebem ofertas do município e também de diversas empresas.

A Igreja e Museu Antoniano em Lisboa, situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa são o centro da devoção ao Santo, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.

O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.

 

 

 

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Terça-feira, 11 de Junho de 2019

João Baptista-Lopes - FADISTA E POETA

 João Baptista-Lopes, nasceu em Ourém no distrito de Santarém em 23 Julho de 1945, mas ainda muito jovem veio morar para Lisboa.

 Cedo se sentiu atraído pelo Fado, o que o levou a frequentar, as casas típicas,  os retiros fadistas e  os encontros de amadores, etc...

Certa noite, nos anos sessenta, no   Restaurante Típico da Márcia Condessa que ficava na Praça da Alegria, local que frequentava  com frequência,  foi  incentivado pelos amigos  e pela proprietária a cantar, cantou e agradou, tomou-lhe o jeito, e a partir  desse dia, nunca mais parou.

Cantou no Galito no Estoril,  em Cascais, no Picadeiro no Arreda e no Kopus-Bar, em Lisboa no Senhor Vinho, no Ardinita, Pátio das Cantigas, Tia Ló, Embuçado, etc, assim como no Porto,  onde passou pela Candeia e no Mal-Cozinhado,assim como um pouco por todo o país e até no estrangeiro, estas andanças no meio fadista levou-o,  a conviver e a cantar ao lado de figuras como  Manuel de Almeida, Rodrigo, Carlos Zel, Vasco Rafael, António Melo Correia, Natália dos Anjos, Ada de Castro, Alfredo Marceneiro, etc.,  aliás, é na sua convivência com meu avô, que começámos a conviver, e logo ficámos amigos até aos dias de hoje, já estive a seu convite a cantar na Suíça na cidade onde reside, Neuchatel.

Estive no seu casamento em Ourém corria o ano de 2004, com a Marylene, onde fiz um filme e fotos de recordação que lhe ofereci como recordação.

Em 1967, estávamos ambos a cumprir o serviço militar anos ,   éramos  jovens e com sangue na guelra, na Rinchoa - numa casa de Fados, o Vira do Minho, numa noite de Fados, em que ia com o meu avô, estavam por lá uns cretinos muito bêbados, em que acabámos por nos envolvermos numa grande cena de "porrada"  para proteger o meu avô, cena que nunca mais esqueço,  e ele também, um dia irei aqui contar com mais pormenores.

Cumpriu o serviço militar na Guiné, tendo sempre colaborado nos eventos musicais ali organizados para os seu camaradas.

Em 1973, o empresário Carlos Lacerda, locutor no Rádio Clube Português e também produtor na etiqueta Alvorada,  convida-o a  gravar  um EP, no qual cantou cantou  poemas dos escritores Mário Cláudio e João Barge.

João Baptista-Lopes, escreve poemas para Fado,  alguns deles já gravado por si e por outros fadistas.

Editou um livro com o título "Ourém a preto e branco - Anos 50 em Sextilhas", trata-se de um livro em que relata as suas memórias na terra que o viu nascer,em que o mesmo é escrito  em sextilhas, e tudo leva a crer, que não fica por aqui, já está outro livro em projecto.

Radicou-se na Suíça, onde ainda vive há mais de 30 anos,  onde sempre que pode canta e enaltece o Fado, organizando também,  espectáculos de Fado em que convida fadistas e músicos de Portugal.

Recentemente gravou um CD  a que deu o título "40 Anos de Fado", com 14 poemas inéditos de sua autoria para músicas de fados tradicionais.

Poema de João Baptista-Lopes  a homenagear Alfredo Marceneiro:

Simplesmente  « VERSÍCULO »

Há frases que nos ficam na memória,

mesmo que cem anos nós vivamos !

Delas fazemos, às vezes, nossa história,

com elas, revivemos, recordamos !

 

Cada poesia tem sempre o seu segredo,

para que os versos não sejam todos maus…

Como me disse um dia o Ti Alfredo:

- Fazer versos, não é fritar carapaus !

 

 Ele, que dos “reis”, foi Rei, foi Ás,

o  “trono” partilhou humildemente,

sem nada nem ninguém, deixar p’ra trás,

ensinou o seu fado a toda à gente !

 

 Recordar o seu discurso, é um regalo !

É prolongar esses serões pela vida além…

- O poeta escreveu : “calou-se o galo”

e a gente, rico filho, cala-se também

 

 Contigo,Ti Alfredo, eu aprendi,

(Mesmo se por minha culpa pouco sei…)

Mas sei que é meu este “versículo” que escrevi,

P’ro TEU “VERSICULO” qu’em minha alma cantarei !

©João Baptista-Lopes

 

 

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Viva Lisboa: Bom amigo, Grande Fadista
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Domingo, 2 de Junho de 2019

Norberto de Araújo - Insigne filho de Lisboa

Jornalista e escritor português, Norberto Moreira de Araújo nasceu a 21 de Março de 1889, em Lisboa. Cedo mostrou apetência para as Letras. Em 1904, entrou como aprendiz na Imprensa Nacional, frequentando, posteriormente, o Curso Superior de Letras e, em 1916, veio a ingressar na redacção de O Mundo , mudando-se, passado um ano, para o jornal A Manhã , de que chegou a ser co-proprietário.
A sua intensa actividade jornalística levou-o a ser jornalista do Diário de Notícias , do Século da Noite e do Diário de Lisboa em que se manteve até morrer, a 25 de Novembro de 1952, como redactor principal. Aqui, através de um estilo de escrita incisivo e vibrátil, iniciou toda uma etapa de renovação nos processos jornalísticos. A sua grande originalidade reside na facilidade com que disserta sobre qualquer matéria. Não tem um estilo invariável, um estilo diferente para cada assunto. Ficou célebre a sua rubrica no Diário de Lisboa , "Páginas de Quinta-feira", onde deambulava pelas mais diversas áreas - quer fossem sínteses de arte, política, casos de rua, comédia burguesa, cultura, etc.
Versátil e laborioso, Norberto de Araújo fez reportagens de notável projecção como, por exemplo, duas viagens presidenciais, uma com António José de Almeida ao Brasil, e a outra com o general Carmona a Espanha. Em 1925, ano de ouro da comemoração de Santa Teresinha, desloca-se a Roma. Assiste ao julgamento do Angola e Metrópole - o caso Alves dos Reis, à visita da rainha D. Amélia ao Panteão de S. Vicente e mais tarde, iniciou uma série documental, intitulada "Como se trabalha em Lisboa?".
A par da actividade como jornalista, Norberto de Araújo manteve, intermitentemente, a sua actividade literária - 31 volumes publicados - que se repartiram pelos mais diversos campos, desde os livros puramente técnicos sobre artes gráficas, tal como Da Iluminura à Tricomia publicado em 1915, até ao teatro e à poesia. Foram levadas à cena as suas obras teatrais Dentro do Castigo (1924), em que o pendor melodramático com certa ousadia é atenuado por um discreto intimismo, e Duas Mulheres (1928) - peça representada nos 50 anos de teatro de Adelina Abranches. Na poesia, escreve odes românticas que comoviam principalmente as senhoras e que passaram à literatura com o nome de Miniaturas (1920) e Vinha Vindimada (1924).
A par da relevante carreira jornalística e da ampla obra literária, Norberto de Araújo é conhecido hoje especialmente como um olisipógrafo erudito, tendo-lhe concedido o munícipio de Lisboa a medalha de ouro da cidade. Autor do Inventário de Lisboa , 1944/1955 (concluído por D. Pires de Lima), das "Legendas de Lisboa" e das "Peregrinações de Lisboa", esta obra é a mais compulsada. É de assinalar o extenso e profundo conhecimento que Norberto de Sousa tinha das fontes e dos estudos esclarecedores do passado de Lisboa, que o dá ensejo a descrições extensas das ruas, palácios e monumentos, templos, instituições e dos mais diversos episódios da vida citadina lisboeta.
Norberto Moreira de Araújo morreu a 25 de Novembro de 1952, em Lisboa.

 In: Infopedia

Amália canta Marcha do Centenário - Lisboa Nasceu

da autoria de Norberto de Araújo

 

Estas são algumas das letras que consegui arranjar da autoria de Norberto de Araújo, e segue-se um video em que meu avô lê o que Norberto de Araújo escreveu dobre ele.

 

GRANDE MARCHA1935 (Lá vai Lisboa)

Norberto de Araújo

Bailarico de Benfica 1940

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1940 (Olha O Mangerico)

Norberto de Araújo

Marcha do Centenário 1947

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1950 (Noite se Stº António)

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1952 (Alcachofra Brava)

Norberto de Araújo

Alcachofra Brava 1952

Norberto de Araújo

Marcha de S. Vicente 1955

Norberto de Araújo

Cidade Maravilhosa 1955

Norberto de Araújo

Noite de Santo António

Norberto de Araújo

 

Marceneiro lê palavras de Norberto de Araújo

 

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música: Marcha do Centenário
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

José Viana - Actor, Desenhador, Escritor e Cantor - Zé Cacilheiro


José Maria Viana Dionísio nasceu em Lisboa, a 6 de Dezembro 1922.

Após a instrução primária, frequentou a Escola Industrial Machado de Castro mas não chegou a acabar nenhum curso.

Desde muito jovem que demonstrou aptidão e jeito para desenhar ,  aos 13 anos, já desenhava para o «Jornal O Senhor Doutor», o suplemento de «O Século», «Pim Pam Pum» e a fazer capas para o «O Papagaio».

O primeiro emprego foi como  retocador de gravura, na Casa Bertrand & Irmãos.

Também desde muito cedo se sente atraído pela música do swing e do jazz, passa também a cantar integrado em  conjuntos musicais que animam nas colectividades populares de cultura e recreio, posteriormente canta em recintos nocturnos, mas como segunda ocupação.

Continua a sua profissão de desenhador, até que é convidado como  publicista de cinema, para a Sonoro Filmes.

De espírito criativo e ávido de inovações, passa a frequentar a  Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, colaborando na pintura de cenários, na época em que por lá estavam   o Jacinto Ramos, Varela Silva, Raúl Solnado,  etc.

Estreia-se como actor amador, em obras de Gil Vicente, Alves Redol, e outros.

Estreia-se na RTP com o programa  «Riscos e Gatafunhos» e depois «Melodias de Sempre», programas que lhe dão grande notoriedade.

Esteve  no Teatro de Gerifalto,  e também  Teatro ABC (Vinho Novo),  pela mão do empresário José Miguel .

Estreia-se como autor, ao lado de Nelson Barros em 1959 na revista «Mulheres à Vista», e destaca-se na rábula «Inimigo de Lisboa». Em 1963, encena pela primeira vez uma revista, «Elas São o Espectáculo», seguindo-se outro sucesso com «Embaixador do Fado».

Nas andanças do teatro de revista, conhece uma actriz brasileira Jújú Batista, que lhe dá uma filha, a Maria.

Passados alguns anos José Viana conhece Dora Leal,  com quem contracena  e passa a ser sua companheira de que resultam duas filhas (a Maria Raquel e a Madalena Leal).

Em meados da década de 60, José Viana atinge o auge da sua carreira, na Empresa de Guiseppe Bastos e Vasco Morgado, então no Maria Vitória.

O «Zé Cacilheiro» surge em 1966, em «Zero, Zero, Zero - Ordem para Matar» que teve um êxito estrondoso, o tema foi gravado em disco e muito solicitado nas rádios de então. 

Outras rábulas merecem destaque como «Carlos dos Jornais» e «Catedrático do Fado em Grande Poeta é o Zé», 1968; «O Zé Povinho vai ao Médico»; em «Mãos à Obra», 1969; «Sinaleiro de Liberdade», em «Esperteza Saloia»; 1969; «Chefe de Cozinha do Hotel Portugal», em «Pimenta na Língua», 1970; «O Zé Povinho no Frente a Frente da TV em Cala-te Boca!», em 1971 ou «Miss Chalada,» em «Ora Bolas para o Pagode», em 1972.

 José Viana e Dora Leal após os acontecimento pós-25 de Abril de 1974, (José Viana referenciado com o PCP),  voltam ao Parque Mayer, em Festa no Parque,  corria o ano de 1987, mas sem grande aceitação popular.

No cinema, José Viana teve algumas participações,  em pequenos papéis como em O «Cerro dos Enforcados», de Fernando Garcia (1953) e «Perdeu-se um Marido», de Henrique Campos (1956) mas foi em «O Recado» (1972), de José Fonseca e Costa, a «A Fuga» (1976), de Luís Filipe Rocha, «A Ilha» (1990), de Joaquim Leitão, e «O Fim do Mundo» (1992), de João Mário Grilo, que o seu talento é mais reconhecido.

Faleceu em Lisboa no dia 8 de Janeiro de 2003 

 ©Vitor Duarte Marceneiro

José Viana canta: Zé Cacilheiro

 

 

ZÉ CACILHEIRO

 

Autores: César de Oliveira

Paulo da Fonseca/Carlos Dias           

 

Quando eu era rapazote

Levei comigo no bote

Uma varina atrevida

Manobrei e gostei dela

E lá me atraquei a ela

P’ró resto da minha vida

Às vezes uma pessoa

A saudade não perdoa

Faz bater o coração

Mas tenho grande vaidade

Em viver a mocidade

Dentro desta geração

 

                                Refrão

 

                              Sou marinheiro

                              Deste velho cacilheiro

                              Dedicado companheiro

                              Pequeno berço do povo

                              E navegando

                              A idade foi chegando

                              O cabelo branqueando

                              Mas o Tejo é sempre novo

 

Todos moram numa rua

A que chamam sempre sua

Mas eu cá não os invejo

O meu bairro é sobre as águas

Que cantam as sua mágoas

E a minha rua é o Tejo

Certa noite de luar

Vinha eu a navegar

E de pé, junto da proa

Eu vi, ou então sonhei

Que os braços do Cristo-Rei

Estavam a abraçar Lisboa

 

Refrão

 

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música: Zé Cacilheiro
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019

CARLOS RAMOS - Fadista e Guitarrista

 

Nasceu no bairro de Alcântara   a 10 de Outubro de 1907, e faleceu  em Novembro de 1969.

Desde muito novo corria os locais onde houvesse Fado sempre acompanhado pela sua guitarra, para alinhar na fadistice .

Torna-se profissional em 1944 pela mão de Filipe Pinto e estreia no Café Luso com uma letra do repertório de Alfredo Marceneiro, "Senhora do Monte" com  música deste, e letra de Gabriel de Oliveira, foi decerto este fado que logo no inicio  mais contribui para a sua popularidade, e lhe deu mais nome, o próprio criador do tema, Alfredo Marceneiro o aplaudiu nessa exibição sem qualquer rivalidades, eram dois bons amigos.

Carlos Ramos, não prescindindo dos acompanhadores habituais acompanhava-se sempre tocando a sua guitarra.

Foi como guitarrista muito solicitado no Teatro de Revista. Trabalhou na Tipóia e na Tágide.

Carlos Ramos, era um homem afável, de espírito aberto e gentil, teve e tem grandes admiradores, criou um estilo muito próprio que fez escola, tem muitos seguidores do seu vasto repertório e do seu estilo, tinha uma voz doce, atraente  e sedutora, exprimindo ao cantar tal sentimento,  que tudo aquilo que dizia era  Fado.

Foi proprietário de um restaurante típico no Bairro Alto a que deu o nome de: A TOCA DE CARLOS RAMOS., que foi frequentada por toda as gentes do Fado quer artistas, quer clientes, destaca-se dos seus contratados, Alfredo Marceneiro, de quem era grande amigo,  Maria do Espírito Santo e muitos outros fadistas de nomeada.

Relembremos alguns dos seus êxitos: Não Venhas Tarde. Aquela Feia, Café de Camareiras, Chinelas da Mouraria, O amor é louco, Lisboa é Sempre Lisboa, Biografia do Fado, Anda o Fado noutra Bocas, Tempos Antigos, etc .

Compôs uma música para um fado a que deu o título "Fado Olga"

Tem bem um lugar na História do Fado de dos fadistas.

Vítima de uma trombose ocorrida nos meados dos anos sessenta, terminando assim a sua carreira artística, nessa altura vivia só,  esteve a viver em casa de meu pai e da sua companheira de então,  que o trataram e acarinharam  como se de um familiar se tratasse. 

Carlos Ramos faleu em Lisboa em 1969.

©Vitor Duarte Marceneiro

 Carlos Ramos com Fernanda Maria e Mariana Silva                                                                                        Com Alfredo Marceneiro

 

 

Carlos Ramos

Canta: Biografia do Fado

Letra e música de Frederico de Brito

 

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Viva Lisboa: imitado... mas não igualado
música: Biografia do Fado
publicado por Vítor Marceneiro às 19:00
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Terça-feira, 14 de Maio de 2019

FERNANDO FARINHA - O Miúdo da Bica

Fernando Farinha (Vulgo Miúdo da Bica)

2-Fernando Farinha.jpg

Fernando Tavares Farinha, nasceu no Barreiro no dia 20 de Dezembro de 1928, mas só foi registado a 5 de Maio de 1929.

Em 1933 seus pais vêm par Lisboa e fixam-se no Bairro da Bica, tinha  então 4 anos.

Sendo o Bairro da Bica essencialmente bairrista e fadista decerto o fado logo o marcou e fez vir ao cimo todos os seu dotes de artista.

Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de “Miúdo da Bica”, por esta altura foi convidado para mascote da Marcha da Bica (1935).

Aos catorze anos actua no Café Luso, Café Latino, Retiro da Severa, Café Mondego, e Solar da Alegria.

1940 Grava o seu primeiro disco EP com quatro temas: Descrença, Meu Destino, Tem Juízo Rapaz e Sempre Linda,. Acabaria por gravar durante a sua vida quase 50 discos, ainda neste ano  foi presença assídua nos serões para trabalhadores organizados pela FNAT.

1942 - Estreia como atracção no Teatro na revista “Boa Vai Ela”, em que também entrava Hermínia Silva, mais tarde nos anos sessenta ainda é atracção na revista “Sal e Pimenta”

1951 - Tem a sua primeira deslocação ao estrangeiro indo ao Brasil onde teve grande aceitação.

Ainda em 1951 é contratado pela Adega Mesquita onde se mantém durante dez anos.

È por esta altura  que sente a vocação para escrever, e começa a cantar letras feitas por si:

  • Belos Tempos, Mãe há só Uma, Ciumenta, Menina do Rés-do-Chão, Quero-te mais do que à vida, Eu ontem e hoje, Um Fado a Marceneiro, Um Fado à Juventude e Um Copo mais um Copo, Estações de Amor, Rosa Peixeira, Dias Contados, Grande Verdade, Ti´Ana da Fava Rica, Deus queira, Cinco Bairros, Sou do Povo, Beijo Emprestado.

Dos seus poemas decerto o que mais êxito teve foi “ Belos Tempos” na música do fado “Loucura” de Júlio de Sousa, mas Fernando Farinha tem muitos êxitos de outros autores dos quais destaco:

  • Fado das Trincheiras letra de João Bastos e Félix Bermudes e Música de António Melo
  • Guitarra Triste letra e música de Álvaro Duarte Simões
  • Eterna Amizade letra de João Linhares Barbosa e música de Joaquim Campos

Mais tarde sempre inspirado começa também a compor, e a sua arte não fica por aqui começa, também a caricaturar as figuras com quem convive.

1955 - Comemora as suas “Bodas de Prata” de carreira artística no Coliseu dos Recreios em Lisboa e é premiado com a Guitarra de Prata.

1957 - A Rádio Peninsular atribui-lhe o galardão de a “Voz mais portuguesa de Portugal”

  • - É coroado Rei da Rádio Portuguesa numa gala organizada no Eden-Teatro, e ainda neste ano recebe o “Microfone de Ouro do RCP. Ainda neste ano no festival do Casino do Estoril recebe o “Disco de Ouro”.
  • - Foi-lhe atribuído o “Òscar da Imprensa” no Festival no Pavilhão dos Desportos

Protagoniza dois filmes “ O Miúdo da Bica” e “ A Última Pega”

 Ente finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A..

Depois de 1974 faz parte do projecto “Cantar Abril”. A sua frontalidade ao assumir-se como um homem politicamente de esquerda, criou-lhe algumas inimizades, mas uma coisa é certa, Fernando Farinha tem um lugar na História do nosso Fado.

Em 1982, Manuel DaGraça,  seu amigo e empresário e proprietário da "Graça Records Company", produz um LP " Fernando Farinha - hoje e aqui - grande como sempre - UM FADINHO Á JUVENTUDE", o qual foi o seu último trabalho em disco,  tendo gravado doze temas. Apraz-me destacar o poema dedicado a Alfredo Marceneiro, logo após a sua morte,   em que se sente nas palavras que escreve, um grito de saudade/tristeza/revolta, de admiração e amizade, que ele nutria por aquele que foi o "Patriarca do Fado", e seu amigo.

Com Fernando Farinha.jpg

Um Fado a Marceneiro

Letra de Fernando Farinha

 À solta e desvairada, a morte certo dia

Entrou no velho pátio e ali quase em segredo

Num golpe traiçoeiro de raiva e cobardia

Maldosa nos levou p'ra sempre o Tio Alfredo

 

Ao chorar das guitarras, como se fosse um hino

Juntou-se a voz do povo, de Portugal inteiro

Tinha morrido o rei, fadista genuíno

O mais de todos nós, o grande Marceneiro

 

Sua garganta rouca, tinha o condão o bem

De nos dar fado a sério, sem ais, sem fantasia

Se o fado p'ra ser fado, algum segredo tem

Então esse segredo só ele o conhecia

 

Sempre que a noite chega, eu julgo ainda vê-lo

Fazendo a sua ronda p'los retiros do fado

De boné, ou mostrando o seu farto cabelo

E o seu lenço varino ao pescoço ajustado

 

Recordo as suas birras, e em grande cavaqueira

Seus gritos graciosos, se bem disposto estava

Oiço até o seu riso no Cacau da Ribeira

Onde, já madrugada, sua ronda findava

 

De Alfredo Marceneiro eu guardo um disco antigo

E um retrato dos dois sobre um fundo bairrista

Um fado ao desafio que ele cantou comigo

E uma eterna saudade desse enorme fadista

 

Fernando Farinha deixou-nos em 12 de Fevereiro de 1988.

Além da Rua que edilidade lhe atribuiu há pouco tempo, e de uma placa que o povo da Bica tem afixada numa parede do bairro, desconheço que lhe tenham sido prestadas mais homenagens (politiquices!?)

 
 
 
©Vitor Duarte Marceneiro - Biógrafo de Fernando Farinha - 2014 Edição Tradisom
A Guitarra que se vê  na foto foi construida pelo Guitarrista Manuel Mendes e neste momento está em exposição na Associação Cultural de Fado "O Patriarca do Fado" Alfredo Marceneiro
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

SINOS DE LISBOA

  
 
 SINOS DE LISBOA

 Por: Silva Tavares

 

Sinos de Lisboa!

Vozes de piedade!...

Como todos nós, nesta transitória vida

que, mal soa se apaga - em verdade,

cada um de vós tem a sua história.

 

São Domingos, Madre Deus, São Lourenço

— todos, rua em rua!...

Vibrai!... Que vos dá do cão que vos ladre,

com a falta de senso com que ladra à lua?..

Vibrai... Deixai lá!

 

Nos sinos de São Vicente de Fora,

a glória prevista por Afonso - ecoa.!

— Voz da Fundação, atesta e memora

a dura conquista da nobre Lisboa.

 

Nos sinos plangentes da Conceição Velha,

sente-se o registo que em bronze proclama,

de entre cinzas quentes, a extinta centelha

dos freires de Cristo e os fastos de Alfama!

 

E os sinos da Sé? Que forte rebate!...

Bem surdos sereis se os não distinguis,

divulgando a Fé, chamando ao combate,

proclamando reis — sonoros, febris!

 

Longe, vagamente, dou p 'los de Belém,

como quando as velas demandavam Goa!

Como quando a gente de prole e de bem,

ficava por elas rezando, em Lisboa!

 

E oiço os de São Roque, na eterna velada

de um áureo passado!

Oiço-os e pressinto seu alegre toque,

saudando a chegada do coche doirado de Dom João V.

 

Mais triste de ouvir é o vosso dobrar,

sinos da Memória! Soa a vendaval!...

Teima em repetir, com voz de assustar,

a trágica história Távoras-Pombal!...

 

 Os sinos da Graça

— que evocam o vulto de Albuquerque

— dão lampejos escassos do fervor da Raça,

no seu velho culto pela procissão do Senhor dos Passos.

 

E ali nos da ermida da Saúde, à -Guia,

passa — cm voz quente de sinceridade­

não sei que outra vida de outra Mouraria,

da qual inda há gente que sente saudade!

 

Mas hoje — mal fora

só estar memorando! ­não são menos belas

as vozes dos sinos de Nossa Senhora de Fátima,

quando pairam sobre as velas votivas e os hinos!

 

Se não envelhece dos outros a voz,

na destes, tão nova, por que não havia

de ir a viva prece, que é de todos nós,

numa clara prova da Fé de hoje em dia ?

 

Porque não havia de ir, no sobressalto

trémulo de um sino, pousar, sem labéu,

aos pés de Maria?  E vai ! Vai, tão alto,

que o nosso destino se grava no Céu!

 

 

 

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Sábado, 11 de Maio de 2019

Florbela Espanca - 1894-1930

 Florbela de Alma da Conceição, nasceu em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, e faleceu em Matosinhos a 7 de Dezembro de 1930.
Aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte.  Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário no Liceu de Évora, facto não muito bem aceito por professores e a sociedade da época.  
Em 1916, Florbela reúne uma colectânea de 88 poemas de sua autoria e três contos, com o título “Trocando Olhares. Em 1917, completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras e logo ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.  
Em 1927 Florbela perde seu irmão Apeles num trágico acidente, facto que muito a abalou psicologicamente, publicando o livro de contos “Às Máscaras do Destino” em sua memória. 
Em dois de Dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de Dezembro, dia do seu aniversário, Florbela Espanca suicida-se, em Matosinhos.   

Algumas décadas maia tarde como era seu desejo, os seus restos mortais são transportados para a sua terra natal, Vila Viçosa.

 

Poema AMAR

Canta e é autora da música 

Teresa Silva Carvalho

 

 

 

 

 

 

 Carta de Florbela Espanca a uma amiga

 

 

 

                                              Vila Viçosa, Setembro 1916

    

JÚLIA

 

Agora, quero contar-te uma coisa que me enterneceu deveras, uma noite destas.  

O luar caía límpido e claro como água, jorrando duma fonte perdida no infinito ...  

Eram 24 horas ... eu sonhava! ... Nisto, uma voz ergueu-se, uma voz acariciadora, pungente na toada pun­gentíssima do fado tão querido à alma portuguesa, sabes o quê, minha Júlia? Essas minhas despretensiosas quadras que o Suplemento publicou, tão" pobres, tão ingénuas, tão sentidas, que o povo humilde as acolheu e as canta! como diz o nosso suave Augusto Gil. Até hoje nem um único elo­gio me comoveu assim.

Tenho-os ouvido vibrantes e enternecidos, lisonjeiros sempre, mas quase sempre amigos, e nunca, nunca como este tiveram o dom de me arrasar os olhos de águas.

Ficaram, desde esta noite profunda de luar) as   minhas pobres quadras) sagradas para mim. Cantou-as a boca do povo, beijou-as a boca do povo, e é como se toda a alma rústica e humilde do meu Portugal beijasse com infinito amor a minha, nesses humildes versos, tão pobres… tão in­génuos ... tão sentidos!

 

Beija-te a tua

 

Florbela Espanca.

  

 

O FADO de Florbela Espanca

 

Corre a noite de manso, num murmúrio,

Abre a rosa bendita do luar,

Soluçam ais estranhos de guitarra,  

Um gemido de amor anda no ar.

  

Há um repouso imenso em toda a terra,  

Parece a própria noite a escutar  

E o canto continua mais profundo

Que página sentida de Mozart!

 

E' o fado. A canção das violetas

Que foram almas tristes de poetas

P'ra quem a vida foi uma desgraça!

   

Minha doce canção dos deserdados,  

Meu fado que alivias desgraçados

Bendita sejas tu, cheia de graça.

 

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Terça-feira, 7 de Maio de 2019

Dom Vicente da Câmara - 1928 - 2016

Vicente Camara.jpg

Dom Vicente Maria do Carmo de Noronha da Câmara, conhecido artisticamente por Vicente da Câmara, nasceu  a 7 de Maio de 1928, em Lisboa na freguesia de Santa Catarina. Faleceu em Lisboa aos 88 anos no dia 28 de Maio de 2016.

É Bisneto do dramaturgo, poeta e jornalista D. João da Câmara, que se distinguiu desde novo pelo seu estilo pessoal (Fado das Caldas), que ninguém conseguiu até hoje imitar.

Vicente da Câmara estreou-se em público em 1948, com 20 anos na Emissora Nacional.

Acompanhando-se à guitarra, Vicente da Câmara mantém a tradição do fidalgo fadista, fiel ao fado castiço, não dispensando os outros acompanhadores.

Gravou vários discos com um repertório muito próprio para o seu estilo de cantar.

Vicente da Câmara cantou em festas e espectáculos por todo o País (incluindo Açores e Madeira), em Angola, Moçambique, África do Sul, França, Alemanha.

Actuou no S. Luís na Festa de Homenagem a Alfredo Marceneiro em 1963.

Em 1983/1984, em Hong-Kong, China Continental e Macau, território aonde voltaria outras vezes, a última delas em 1990.

Tem um filho que lhe segue as pisadas no Fado, o  José da Câmara e outros seus descendentes também cantam.

Teve um enorme êxito com o Fado das Caldas, mas dos seus fados mais conhecidos, com letra da sua autoria é decerto:

 

A MODA DAS TRANÇAS PRETAS

 

Como era linda com seu ar namoradeiro,

Até  lhe chamavam menina das tranças pretas.

Pelo Chiado caminhava o dia inteiro

Apregoando raminhos de violetas.

 

E as raparigas de alta-roda que passavam

Ficavam tristes a pensar no seu cabelo.

Quando ela olhava, com vergonha disfarçavam,

E pouco a pouco todas deixaram crescê-lo.

 

Passaram dias e as meninas do Chiado

Usavam tranças enfeitadas com violetas.

Todas gostavam do seu novo penteado

E assim nasceu a moda das tranças pretas.

 

Da violeteira já ninguém hoje tem esperanças.

Deixou saudades, foi-se embora, e à tardinha

Está o Chiado carregado de mil tranças,

Mas tranças pretas, ninguém tem como ela tinha.

 

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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

Artur Ribeiro - Poeta e Fadista 1923-1988

Artur Ribeiro.jpg

Artur Ribeiro nasceu no Porto em 1923, mas cedo vem para Lisboa e aqui fica radicado, onde se envolveu no meio-fadista, não só pela sua qualidade de poeta, mas também as suas qualidades de convivência com os seus pares
Foi quanto a mim o poeta que fez um dos poemas mais lindos sobre Lisboa:
-  Canção de Lisboa - A Grande Marcha de Lisboa 1965 – Só Lisboa - Lisboa à meia-noite - Adeus Mouraria e muitas mais.
O seu reportório registado na Sociedade Portuguesa de Autores desde 1949, com mais de mil poemas, que para além do Fado Tradicional, tem temas para o Fado-Canção, folclore, marchinhas, bailinho, etc… Cachopa do Minho, A Rosinha dos Limões, A Fonte das Sete Bicas, Sete Saias, Nem às Paredes Confesso, Pauliteiros do Douro, Eu nasci Amanhã, O Meu Coração Parou, Adeus Mouraria, Lisboa à meia-noite, Fiz Leilão de Mim, Anda o fado Noutras Bocas,
É Urgente que Venhas, Vielas de Alfama, O Meu Coração Parou, etc.

Fez várias parcerias com Fernando Farinha  com Max, que foram êxitos ainda hoje recordados,  raro foi o artista que não tenha cantado poemas  da sua autoria.
Conheci o Artur Ribeiro e convivi com ele desde muito jovem, meu pai e meu avô eram seus grandes amigos, era uma pessoa muito
afável e de uma clarividência intelectual notável, aprendi muita coisa em ouvilo, ficou-me a honra de ter gravado um poema seu, que escreveu de propósito para mim,  a que deu o título “Ser Mais Um Entre Tantos”  ao receber o poema, e  ao lê-lo,  logo me apercebi que aqueles versos, tinha a ver comigo,  pois constatei que aquele grande “Senhor e Poeta” durante aqueles anos em  que falava com o rapazinho que eu era,  como ele me levava a sério, nas conversa que tinha comigo,   e eu naquela altura,  já homem, ia  fazer  28 anos, ao saber que eu ia gravar, escreve num poema para Fado,  tudo aquilo que viu em mim desde miúdo,  analisando a minha maneira de ser e de estar na vida que colocou em verso. (ver poema mais abaixo)
Ser Mais Um Entre Tantos

Letra de: Artur Ribeiro   
Música de: Alfredo Marceneiro

Ser mais um entre tantos
Não é Mundo que baste
Seguir religiões
Das quais não sou devoto
Obedecer a quantos
Me dizem que me afaste
Ouvir lamentações
A fingir que me importo

Ser vela deste mar
Onde não sopram ventos
Ser grito de rua
Que ninguém entendeu
Um sonho de cantar
Onde só há lamentos
Essa verdade nua
Que ninguém entendeu


Ser deste Mundo incrível
De gente introvertida
Que deixa pregar Santos
Onde tudo é vendido
P´ra ficar impassível
De cabeça caída
P´ra ser mais um entre tantos
Antes não ter nascido

ESTE POEMA, A MINHA GRAVAÇÃO EM DISCO E A CENSURA

Até finais dos anos cinquenta os artista tinham que ter um “Dossier” com o seu repertório aprovado pela censura, funcionava da seguinte forma, esse dossier estava sempre na posse do artista quando cantava em casa de fado ou noutros espectáculos públicos.

Algumas censuras eram tão estúpidas que veja que até que a Casa da Mariquinhas foi censurada.

Com já afirmei tive  o privilégio de conhecer e ser admirador desde muito miúdo de Artur Ribeiro, na altura em que a minha formação de cidadão consciente da sociedade em que vive começa a "querer respostas",tive muitas conversa com Artur Ribeiro, sei que de letras dele que nem sequer chegou a registar, pois sabia que não passavam na censura.

No inicio dos anos setenta deixa de haver a censura prévia, mas continua haver a repressão após a Gravação (ou seja,  já depois de editado e muitas vezes já à venda ao público), podia haver um senhor (da DGS ou mesmo da EN) que por alguma razão achava que o que estava a ouvir era contra os valores instituídos, e a DGS mandava retirar todo o material do mercado.

Artur Ribeiro em 1973 faz-me um poema que afirmou ser a forma como me via pelas conversas e discussões que tinha com ele, e gravei esse número para Valentim de Carvalho, tinha o título: "Ser mais um entre tantos" , acontece, que passado pouco tempo do seu lançamento fui gentilmente convidado pelo Sr. Inspector Dr. Rosa Casaco (1), para ter uma conversa comigo sobre esse tema ( que considerava  ser contrário á ordem vigente).

No caso do poema do Artur Ribeiro. o que incomodava os Censores  era esta frase, "Seguir religiões das quais não sou devoto..." e  "Ser deste Mundo incrível, que deixa pregar Santos", enfim como podem verificar estes versos estavam dentro do contexto de todo o poema. Com algum charme e persuasão consegui demo-vê-los da retirada do disco., mas acabou por ser proibido de ser passado na Rádio Renascença e na Emissora Nacional.

(1): Rosa Casaco, (Amador de fotografia e conhecedor da poda) era cliente assíduo da Foto-Cine, no Chiado junto ao elevador de Stª Justa,  onde eu pela minha paixão pela fotografia  lá estava assiduamente pois o Amadeu Ferrari, os filhos Vítor  Ferrari e Nuno Ferrari eram amigos do meu avô e eu era considerado como de família, lá fui apresentado como neto de Alfredo Marceneiro ao PIDE Dr. Rosa Casaco, que me confidenciou que era admirador de meu avô, mas que não gostava de alguns dos Fados que ele cantava, e sempre que me encontrava me cumprimentava com cerimónia  ) facto porque esta chamada de atenção foi mais em termos de aviso … Cuidado não se exceda) aliás mais tarde também fui chamado quando gravei com meu avô em dueto “ O Camponês e o Pescador” ver  em:

 https://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/victor-duarte-discos-e-censura-330996

 https://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/recordar-o-passado-para-viver-o-futuro-102684

©Vitor Duarte Marceneiro



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Sábado, 4 de Maio de 2019

DIA DA MÃE - 2019

dadi&Filhos6.jpg

Saúdo e dou Graças a Deus pela mãe dos meus filhos
O 1º Domingo do mês de Maio, foi convencionado passar a  ser o dia da mãe, saúdo as mães de todo o Mundo, com especial carinho para aquelas que acabam por passar os seus últimos dias de vida, ou sozinhas nas suas casas ou em lares, e tantas vezes esquecidas e desamparadas.

SE PARA SER HOMEM, JESUS,

PRECISOU QUE UMA MULHER

O DESSE Á LUZ NESTE MUNDO

O AMOR DE MÃE É A LUZ

QUE TORNA O NOSSO VIVER

NUM HINO DE AMOR PROFUNDO

 

Maria das Dores ( a avó Maria)  e Vítor Duarte

Minha mãe partiu com 25 anos, tinha eu cinco anos, mas quando eu já sabia escrever, era à minha saudosa avò Maria,  que eu escrevia uma mensagem de amor de filho,  como se da minha mãe se tratasse,  porque ela na realidade foi um "grande mãe" a ela lhe devo tudo o que sou,  era no dai 8 de Dezembro que durante muitos anos era celebrado o DIA DA MÃE.

 

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Viva Lisboa: QUE SAUDADES AVÓ MARIA
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

BERTA CARDOSO

 

 

 

Berta dos Santos Cardoso, nasceu na Rua da Condessa, freguesia do Sacramento em Lisboa, no 21 de Outubro de 1911.
Ficou órfã de pai muito cedo e devido a dificuldades económicas de sua mãe, esteve internada numa instituição oficial,  onde fez os seus estudos, saiu aos 16 anos e foi novamente viver com a mãe e os irmãos.
Berta Cardoso, que não era filha única, teve um irmão de seu nome Américo dos Santos, que andava no Fado  como amador e tocava viola, e assim a influenciou a para cantar o Fado.
Berta Cardoso foi mãe de dois filhos.
Corria o ano de 1927, com 16 anos de idade, estreia-se no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer, que era gerido pelo Armandinho, foi tal  êxito da sua actuação que de imediato ficou contratada, tendo adoptado o nome artístico de Berta Cardoso.
Sendo o Salão Artístico no Parque Mayer, local, onde como se sabe apareceram os Teatros de Revista. Berta Cardoso não passou despercebida e logo em 1929 é a cantadeira contratada para a Revista Ricócó, levada à cena no Teatro Maria Vitória, segue-se “Viva O Jazz” e a “Nau Catrineta”.
Nos intervalos das suas actuações na revista, é das cantadeiras mais solicitada nos recintos de Fado, Solar da Alegria, Salão Jansen, Café Luso, Retiro da Severa, etc.
Integrada num elenco artístico  com a Beatriz Costa,  parte numa digressão ao Brasil onde obteve grandes êxitos.
Infelizmente não havia os meios de comunicação de hoje, pois é indiscutível que Berta Cardoso foi uma das primeiras cantadeiras de Fado a internacionalizar o Fado, assim com a grande Ercília Costa. (1)
Estas actuações internacionais tem mais expressão no Brasil e em todo o continente Africano, em particular nas Colónias Portuguesas. O que levou a que, em 1933 os diversos interveniente no espectáculo Fado, decidiram criar o “Grupo Artístico de Fados”, com Madalena de Melo e a Berta Cardoso, na guitarra o Armandinho e nas violas,  Martinho d’ Assunção Jr. e João da Mata.
Este conjunto de intérpretes de renome,  parte a bordo do navio Niassa para um percurso de espectáculos na África Ocidental e Oriental e também nas ilhas portuguesas. Concretiza-se como a primeira viagem que o Fado faz a África, tornando-se numa digressão muito noticiada pelos jornais, uma vez que os espectáculos se desenrolam ao longo de quase um ano, passando por diversos locais, destacando Angola, Moçambique e Rodésia.
No inicio dos anos trinta grava para a editora Odeon, e mais tarde passa a gravar de para a editora Valentim de Carvalho.
LP - Tia Macheta.jpg
EP-Cruz de Guerra.jpg
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Berta Cardoso fica muito ligada ao Teatro de Revista, onde se apresenta com uma regularidade de cerca de várias peças por ano.
Em 1936 no  Retiro da Severa, ao lado de outros  grandes fadistas da época, Maria Emília Ferreira, Maria do Carmo Torres, Alfredo Duarte Marceneiro, Júlio Proença e José Porfírio, são considerados e apresentados como a "Embaixada do Fado do Retiro da Severa",  actuaram em muitos locais,  com relevância as idas  ao Porto, Teatro Sá da Bandeira e no Teatro Variedades, com lotações sempre esgotadas,   a imprensa e a rádio destaca as actuações de Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro.
Em 1939 é contratada novamente por Beatriz Costa, para uma série de espectáculos em  todo o Brasil, com as revistas "Eh, Real", "Oh, meu rico São João", "Dança da Luta" e "Pega-me ao Colo", novamente estes espectáculos tiveram grandes êxitos. Mas,  antes da sua partida, é homenageada pelos seus colegas no Retiro da Severa.

Cartão de Visita.jpg

Foi também neste ano,  que  grava e filma com Alfredo Marceneiro, no Teatro Variedades e no Retiro do Colete Encarnado,  actuações estas   para o filme "O Feitiço do Império", de António Lopes Ribeiro, que  estreou em 1940.

Feitiço do Império1.jpg
Após o regresso do Brasil, em 1940, é convidada para a "Embaixada do Fado do Solar da Alegria", que no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, obtém grandes elogios e lotações esgotadas, também faziam parte deste elenco, Maria Carmen, Júlio Proença e Amália Rodrigues.
Berta Cardoso continua a cantar nos retiros de Fado e no teatro, até cerca de 1960, ano em que decide manter-se só a gravar, e cantar Fado em casas típicas, primeiro n´O Faia, segue-se a Viela e por último o Poeta, em Alfama, onde anteriormente tinha havido uma  casa de fados bem pitoresca,  que se chamava “A Nau Catrineta”.
Em 1943 conclui na Faculdade de Medicina o curso de enfermagem, com a especialização em obstetrícia, mas nunca chegou a exercer.
Desde muito miúdo que convivi com Berta Cardoso na Viela, do Sérgio onde eu para além de ter um pretexto  para estar no Fado, arranjava “uns trocos para alimentar a moto”, era lá fotógrafo, nessa estudava à noite e já trabalhava na GM, meu avô, grande amigo da Berta,  todos os dias aparecia para me lembrar que tinha que ir para casa a partir da meia-noite. Tenho da Berta Cardoso, gratas recordações, as estórias que me contava do meu avô e do meu pai, e lembro ainda,  com saudade, quando ela tinha que cantar várias vezes o Fado “O Homem da Berta”, pois iam chegando mais clientes e admiradores,  e como muitas das vezes ela já tinha cantado o tema, era tal a insistência, que tinha que o voltar a cantar.
Há registos seus na RTP, no ZIP-ZIP, e no programa com o título “As  bodas de ouro de uma Fadista”.
Berta Cardoso foi internada num lar da Santa Casa da Misericórdia, em 1996, local onde veio a falecer a 12 de Julho de 1997.
Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e lançou um livro sobre a sua figura
Também em  2006 no Restaurante Nini, fazendo eu  parte da APAF, fiz uma pequena palestra sobre a Berta Cardoso,  com um diaporama de minha autoria, que merecu o agrado dos presentes, foi uma sincera homenagem da minha parte.
Reconhecendo Berta Cardoso como uma figura emblemática do Fado tradicional, com uma larga carreira sempre associada a esta canção urbana e representante de um período muito característico da História do Fado, em 2006, o Museu do Fado organizou uma exposição temporária centrada nesta fadista e a edição de um livro evocativo.

(Nota)    Meu avô Alfredo Marceneiro, poderia ter tido também uma carreira internacional, mas teve sempre o cuidado de não acreditar no profissionalismo no Fado, razão porque sempre se manteve na sua profissão de marceneiro, e como já escrevi só ficou a viver do Fado, a partir de 1946, na sequência das greves no Arsenal do Alfeite, tinha 54 anos pelo registo de nascimento e 57 na realidade. 

©Vitor Duarte Marceneiro

Linhares Barbosa - Berta Cardoso - Alfredo Marceneiro


TEMPOS DE OUTRORA

Repertório de: Berta Cardoso
Letra de: Fernando Teles
Música: Fado Tradicional

Dos Belos tempos de outrora
São Relíquias do passado
Dois impagáveis tesoiros
A guitarra mais o Fado

Era na Lisboa, antiga
Quinta- Feira de Ascensão
Dia da consagração
Porque era dia de espiga

Com farnéis e sem fadiga
Assim que raiava a aurora
Toda a gente campos fora
Procurando a sombra amena

Ai que saudades que pena
Dos belos tempos de outrora
As noites tradicionais
De todos os nossos santos

Eram motivos de tantos
Ranchos, bailes e festivais
Os sírios e arrais
Rabicha, senhor roubado

Atalaia sol doirado
Como tudo isto era lindo
Estas coisas tempo findo
São relíquias do passado

E nas vésperas das toiradas
Nos retiros que alegria
Até a nobreza se via
Pelas mesas abancada

Cantava-se ás desgarrada
Até à vinda dos toiros
Cobriam-se assim de loiros
Entre a fadistagem vária

A Severa e a Cesária

Dois empagáveis tesouros
Fidalgos boémios e artistas
E toureiros elegantes
Tinham por suas amantes
As cantadeiras bairristas
Nesses tempos de fadistas

E do saiote encarnado
Só nos resta por sagrado
Penhor bem tradicional
Dois filhos de Portugal
A guitarra mais o Fado

 Berta Cardoso canta um dos seus grandes êxitos
"TIA MACHETA"
Letra de Linhares Barbosa e Música de Manuel Soares

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Terça-feira, 16 de Abril de 2019

ARMÉNIO DE MELO - Músico executante de Guitarra Portuguesa

Arménio de Melo nasceu em Santa Maria de Lamas, Feira, em 1953.

Aos 13 anos de idade iniciou a aprendizagem da Guitarra Portuguesa com o Guitarrista Manuel dos Santos, profissionalizando-se por altura de 1968. Em 1978 já integra o consagrado conjunto do Prof. Martinho d'Assunção.

Estudou no Instituto Gregoriano de Lisboa e possui o curso complementar de música pela Academia de Amadores de Música e a Licenciatura em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa. Foi professor na Academia de Amadores de Música, Escola Profissional e Conservatório Regional de Almada, Conservatório Regional de Loures, Conservatório Regional de Palmela. Actualmente lecciona Guitarra Portuguesa, no Musicentro (Salesianos, Oficinas de S. José, Lisboa) onde dirige cursos de Guitarra Portuguesa, de Viola de Fado e de Canto de Fado.

Em 1975 dá-se a sua primeira apresentação no estrangeiro, onde para além de acompanhador de fado, apresenta verdadeiros recitais de Guitarra Portuguesa, bastante apreciados pelo público.

Já actuou em todos os países da Europa Ocidental, na ex União Soviética, Canadá, E.U.A, Brasil, Venezuela, México, Angola, África do Sul, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal, Moçambique, Japão, Hong-Kong, Macau e Índia.

De todas estas tournées, muitas delas já repetidas, salientam-se as seguintes apresentações:

Suécia: Lulea - para as Nações Unidas; Estocolmo - com a presença do então primeiro ministro Olof Palme; Malmo - para o Congresso Social Democrata.

França: vários festivais com «Visages de Ia Guitarre» (1985-86); Festival de Albi (1989); «Rendez- vous de Ia Guitarre» (1994), Expo Lingue Paris (1999 e 2004). Espanha: Festival Internacional de Folclore do Mediterrâneo (1989); aniversário da TV Galiza (1990); Festival de Jazz de Sevilha (1994), Festival de Segóvia (1994), Casa da Cultura de Madrid (1995), Rádio Nacional de Espanha (1996). Suiça: Festival de Genève.

Brasil: Canecão, Rio de Janeiro (1992-93); Memorial da América Latina, S.Paulo,

Venezuela: Centro Português de Caracas com a Orquestra Sinfónica Venezuela; um CD com a mesma; Teatro Teresa Carreño " As Cordas que nos Unem" (1996), Festival de Música El Hatillo (1997).

Alemanha: grande quantidade dos quais se destacam a Alte Opera Franquefurt (1992), Universidades de Estugarda (1989), Mainz e Mainheimm (1999) e ZDF (Televisão) vários.

Japão: “Feira Internacional de Tokio” (2003).

México: 4ª Semana Académica da Universidade de Guanajuato (2003).

Portugal: inúmeros recitais, Lisboa Capital da Cultura, Teatro S. Luís, (1996), Expo 98 Palco Promenade e Teatro Camões, Encontros Lusófonos Praça da Ribeira (produtor e executante), Cimeira Ibero-Americana Porto (produtor e executante) (1998) e Amália, Musical de Filipe La Féria desde 2000. Um sem fim de registos discográficos na área do fado bem como outros géneros musicais e até ao momento, 11 CDs a solo.

Em 2008 compõe a música vencedora para a  Grande Marcha de Lisboa 2008, com poema de José Luis Gordo.

 

©Vitor Duarte Marceneiro 

 

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música: Grande Marcha de Lisboa 2008
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Quinta-feira, 28 de Março de 2019

Carlos Cardoso Luis - Poeta

Cara CCL.jpg

Carlos Cardoso Luís nasceu em Lisboa no dia 28 de Março de 1946.
Viveu até aos 13 anos no Telheiro de São Vicente, bairro que faz fronteira com Alfama, Graça, Santa Marinha e Campo de Santa Clara (uma das entradas para a Feira da Ladra).
Fez a instrução primária na Voz do Operário, tirou  o curso comercial na Veiga Beirão e frequentou até ao  2.º ano no Instituto Comercial de Lisboa. 
Entre 1965 e 2005  exerceu a actividade de Agente de Viagens,  foi  Director Coordenador de um dos maiores grupos Portugueses na Indústria do Turismo (Top Atlântico) até à sua  reforma.
Desde muito jovem se sentiu atraído pela poesia mas é a partir dos  13 anos de idade que começa a escrever com mais afinco e sempre almejando  o aperfeiçoamento.
É um dos autores do livro de crónicas 25 Olhares de Abril, publicado em Abril de 2008 com uma crónica de sua autoria “Porque hoje é Quinta”.
Tem Poemas seus em diversas  antologias  e participa frequentemente em Tertúlias de Poesia.
Desde muito jovem que é atento ouvinte de Fados e como não podia deixar de ser, tem alguns poemas com métrica para fado, o que o levou a decidir produzir um  álbum-cd de Fados, com 11 letras inéditas de sua autoria, a que deu o título de  “Marinheiro do Fado”  e que foi cantado  pelo fadista Rolando Silva.
É frequentemente solicitado para fazer prefácios e pósfácios nos livros dos seu amigos também poetas, a que sempre acede com dedicação.
Ganhou muitos prémios e menções honrosas (ver blogues:  http://carloscardosoluis.blogs.sapo.pt  e  http://carloscardosoluis.weebly.com
De 2015 a 2018 foi Presidente da "Associação Portuguesa de Poetas", onde granjeou carinho e admiração pelo seu empenho na condução e divulgação da mesma.
É Vice-Presidente da Associação Cultural do Fado “O Patriarca da Fado”, onde colabora ativamente nos nossos eventos, dizendo poesia e nunca se recusa a cantar um fadinho.
Desde 2009 dedica-se também á pintura Naïf, tendo exposto na Junta de Freguesia de São Sebastião, na Junta de Freguesia de São Vicente de Fora, na Junta de Freguesia de Santa Isabel,Sede da Associação Portugesa de Poetas , na Reitoria da Universidade de Lisboa  na Biblioteca Piteira Santos na Amadora na Casa de Angola e na Galeria de Exposições da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos.
Tem na forja outros trabalhos nos quais ocupa grande parte do seu tempo.
Conheço Carlos Cardoso Luis há tempo, mas desde  há  de cerca de 10 anos  atrás que mantemos uma relação mais próxima  quer pessoal quer famíliar.
O Carlos Cardoso Luis, é bem  "UM LISBOETA/ALFACINHA  DE GEMA”, 

Pintura "Naif" de Lisboa - de Carlos Cardosos Luis

Quadro Naiffe.jpg

Nota: Esta página foi carregada na data em que Carlos Cardoso Luis completa 73 anos de idade 28 de Março de 2019

©Vitor Duarte Marceneiro

 

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Terça-feira, 19 de Março de 2019

DIA DO PAI 2019 -FADOS DA MINHA VIDA - Tive um filho, DEUS levou-mo...

FADO é sorte, desde o berço até à morte
ninguém foge por mais sorte
ao destino que Deus quis.....

(Silva Tavares)

Alfredo Rodrigo e Eu.jpg

Eu com o meu falecido Filho Alfredo Rodrigo Duarte II (1971-1995)

Saúdo todos os pais do mundo, hoje é um dia de alegria, mas  para muitos  pais, o  coração chora e sorri, chora quem tem a dor de ter perdido um filho, e sorri, quem têm a bênção de ter outros,  que neste dia lhe darão uma  lembrança, que por mais simples que seja,  nos enche de felicidade  e orgulho. 

Tive um filho
Deus levou-mo
Fez-me guerra
Pôs uma estrela no céu
E uma saudade na terra
(Carlos Conde)

Este é um dia em que recordo com saudade, e lágrimas nos olhos, o meu pai, o pai do meu pai, e o meu filho, que Deus me levou... Três Alfredos da minha vida... do meu Fado...

Mas Deus que tudo destina... tirou-me com uma mão... mas deu-me com a outra.... deu-me outro Alfredo e uma Beatriz... mas no meu coração está sempre  um lugar guardado, com a recordação daquele, que em vez de me ver partir...partiu.Mas mais logo,  terei a alegria dos meus dois filhinhos, o Alfredo e a Beatriz,  me trazerem a sua prendinha, será decerto aquele cartãozinho com pinturas que as suas infantis fantasias idealizam, mas que têm sempre escrita,  a frase sentida e sincera, como só as crianças  sentem... És o melhor pai do mundo!!, tal como no passado tive, e que guardo com muito amor.

 

 Vito&Filhos.JPG

Os meus filhos Alfredo e Beatriz

 

Os meus saudosos e chorados Alfredo´s

Alfredo Figueiredo Duarte  (1924 - 1999)

Alfredo Rodrigo Duare I (1891 - 1982

Alfredo Rodigo Duarte II (1971- 1995)

 

               MANUEL DIAS canta uma criação de Maria Emília Ferreira

AMOR DE PAI
Letra de: Armando Neves e Música de: Franklim Godinho

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Domingo, 17 de Março de 2019

JOSÉ PRACANA - Músico e Fadista

JOSÉ PRACANA, ( O KANA para os amigos) nasceu a 18 de Março de 1946 em Ponta Delgada, S. Miguel, Açores. Em 1956 veio residir para Lisboa com os pais e os irmãos

Iniciou a sua carreira artística em 1964 como fadista-amador, estatuto que sempre manteve, cantando e imitando em festas de estudantes. Frequentou várias casas de Fado-Amador que existiram no Estoril e em Cascais, onde aos fins de semana se juntava a José Carlos da Maia, Carlos Rocha, que em 1965 lhe proporciona as primeiras lições de guitarra portuguesa, João Ferreira-Rosa, António Mello Corrêa, Francisco Stoffel, João Braga, Teresa Tarouca, Carlos Guedes de Amorim, Francisco Pessoa e outros.

Em 1968 actuou pela primeira vez na RTP, num programa das Forças Armadas. Em 1969 foi ao Zip-Zip.

Em Dezembro de 1969, com Luís Vasconcellos Franco, seu conterrâneo, inaugurou o Bar de Fados Arredo, em Cascais, que dirigiu até 1972, ano em que abandonou a actividade empresarial para trabalhar na TAP  onde exerceu as funções de Comissário de Bordo e de funcionário da Direcção de Relações Públicas/Relações Externas e Protocolo da TAP/Air Portugal.

Na RTP participou no Curto-Circuito em 1970, programa de Artur Agostinho e João Soares Louro. A convite da RTP produziu o programa Vamos aos Fados, em 1976, uma série de cinco programas da sua autoria. Em 1985 entrou no programa televisivo de Carlos Cruz, "Um, Dois, Três". João Maria Tudela convidou-o para a RTP em 1987, actuando em Noites de Gala. No ano seguinte Simone de Oliveira teve a mesma iniciativa no Piano Bar. Em 1991 Júlio Isidro levou-o a Regresso ao Passado. A convite da RTP-Açores fez uma série de cinco programas com o título Silêncio Que Se Vai Cantar O Fado, em 1993. No ano seguinte Herman José convidou-o para Parabéns. Em 1995, Carlos Cruz fê-lo entrar em Zona Mais. etc.

Grande admirador de José Nunes e seu seguidor no estilo em que toca guitarra, e também de Alfredo Marceneiro.

Nos últimos anos regressou aos Açores onde vive actualmente.

José Pracana nos últimos tempos tem lutado contra uma doença que tem debilitado, mas estou crente que não o irá derrotar.... E Graças a Deus não derrotou.

Felicidades “Kana”

Infelizmente no dia 26 de Dezembro de 2016,  tive a triste de notícia que o KANA, já não está entre nós.

©Vitor Duarte Marceneiro

 
 

 

 

 

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Domingo, 3 de Março de 2019

FERNANDO FARINHA - O Miúdo da Bica

FERNANDO TAVARES FARINHA, nasceu no Barreiro no dia 20 de Dezembro de 1928, mas só foi registado a 5 de Maio de 1929.

Em 1933 seus pais vêm par Lisboa e fixam-se no Bairro da Bica, tinha  então 4 anos.

Sendo o Bairro da Bica essencialmente bairrista e fadista decerto o fado logo o marcou e fez vir ao cimo todos os seu dotes de artista.

Aos 7 anos já cantava e entrou em vários concursos infantis, teve tanto êxito que passou a ser chamado de “Miúdo da Bica”, por esta altura foi convidado para mascote da Marcha da Bica (1935).

Aos catorze anos actua no Café Luso, Café Latino, Retiro da Severa, Café Mondego, e Solar da Alegria.

1940 Grava o seu primeiro disco EP com quatro temas: Descrença, Meu Destino, Tem Juízo Rapaz e Sempre Linda,. Acabaria por gravar durante a sua vida quase 50 discos, ainda neste ano  foi presença assídua nos serões para trabalhadores organizados pela FNAT.

1942  estreia como atracção no Teatro na revista “Boa Vai Ela”, em que também entrava Hermínia Silva, mais tarde nos anos sessenta ainda é atracção na revista “Sal e Pimenta”

1951 tem a sua primeira deslocação ao estrangeiro indo ao Brasil onde teve grande aceitação.

Ainda em 1951 é contratado pela Adega Mesquita onde se mantém durante dez anos.

É por esta altura  que sente a vocação para escrever, e começa a cantar letras feitas por si:

    Belos Tempos, Mãe há só Uma, Ciumenta, Menina do Rés-do-Chão, Quero-te mais do que à vida, Eu ontem e hoje, Um Fado a Marceneiro, Um Fado à Juventude e Um Copo mais um Copo, Estações de Amor, Rosa Peixeira, Dias Contados, Grande Verdade, Ti´Ana da Fava Rica, Deus queira, Cinco Bairros, Sou do Povo, Beijo Emprestado.

Dos seus poemas decerto o que mais êxito teve foi “ Belos Tempos” na música do fado “Loucura” de Júlio de Sousa, mas Fernando Farinha tem muitos êxitos de outros autores dos quais destaco:

    Fado das Trincheiras letra de João Bastos e Félix Bermudes e Música de António Melo

    Guitarra Triste letra e música de Álvaro Duarte Simões

    Eterna Amizade letra de João Linhares Barbosa e música de Joaquim Campos

Mais tarde sempre inspirado começa também a compor, e a sua arte não fica por aqui começa, também a caricaturar as figuras com quem convive.

1955 comemora as suas “Bodas de Prata” de carreira artística no Coliseu dos Recreios em Lisboa e é premiado com a Guitarra de Prata.

1957  a Rádio Peninsular atribui-lhe o galardão de a “Voz mais portuguesa de Portugal”

1962    é coroado Rei da Rádio Portuguesa numa gala organizada no Eden-Teatro, e ainda neste ano recebe o “Microfone de Ouro do RCP. Ainda neste ano no festival do Casino do Estoril recebe o “Disco de Ouro”.

1963    foi-lhe atribuído o “Oscar da Imprensa” no Festival no  Pavilhão dos Desportos

Protagoniza dois filmes “ O Miúdo da Bica” e “ A Última Pega”

Ente finais dos anos 60 em diante faz digressões artísticas por todo o mundos, Bélgica, França, Inglaterra, Alemanha, África do Sul, Argentina e E.U.A..

Depois de 1974 faz parte do projecto “Cantar Abril”

Fernando Farinha deixou-nos em 12 de Fevereiro de 1988.

Além da Rua que edilidade lhe atribuiu há pouco tempo, e de uma placa que o povo da Bica tem afixada numa parede do bairro, desconheço que lhe tenham prestado mais homenagens (politiquices!?)

Em 2015  escrevi a biografia de Fernando Farinha- O Miúdo da Bica, que foi editado pela TRDISOM - em livro com cd

 

©  Vítor Duarte Marceneiro

Registado na SPA 125820

Fernando Farinha & Alfredo Marceneiro

Cantam a dueto - Antes e Depois

                             

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Sábado, 2 de Março de 2019

Fados da minha Vida - A Escola e a Religião

Há 67 anos estava eu em vésperas  ir para a escola,   as aulas começavam nessa época a 7 de Outubro, nesse ano 1951, como dia 7 foi a um Domingo, as aulas começaram no dia  8.  
A escola que fui frequentar foram as Oficinas de S. José, dos Padres Salesianos, situada nos Prazeres, no bairro de Campo d´Ourique, escola que ainda hoje existe.
Recordo o livro, o caderno de duas linhas, um lápis, uma borracha de apagar, uma ardósia, uma pena para poder escrever na ardósia, uma caixa de lata  pequena, com um pedaço de pano molhado, que servia para limpar a ardósia, e a mala que a tia Aida me deu, uma cesta de verga para levar o almoço, 2 carcaças com ovo mexido e uma laranja, preparado pela avó Judite.
Estava entusiasmado, porque também era o dia que eu iria estrear umas calças compridas, um "pull-over" grená sem mangas, que me deu a avó Maria, e mais que tudo as botas de cano alto (á cow-boy) que o meu pai me comprou na feira da ladra, recordo também que nessa altura  ainda usava um fumo preto no braço direito, por luto de minha mãe.

Livro 1ª Classe.jpg

Livros Escolares anos 60.jpg

Fotos de recordação: Os  livro da Instruçaõ Primária e a foto da minha primeira comunhão junto á estátua de S. Domingos Sávio no dia 31 de Janeiro de 1952, no Colégio dos Salesianos em Campo d´Ourique.


 

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