Sábado, 19 de Novembro de 2011

Amália Rodrigues

Amália com o guitarrista José Nunes

A Tua Voz Amália           
 
A tua voz, Amália, é quente como um raio de sol em dia de inverno e fresca como talhada de melancia em tarde de canícula... É doce como um beijo de amor antes da posse e amarga como travo de ciúme após o amor... É macia como pétalas de rosa-chá ao bater Trindades e áspera como espinhos a fazer sangrar...
Nos teus olhos, Amália, negros e profundos como poços sem fundo, brilhantes e deslumbrantes como gemas preciosas, retracta-se a tua alma onde cabe a vida com todos os seus desesperos e crenças, com todas as suas revoltas e amores. Tudo quanto a vida tem de mau e de bom, as teus olhas o exprimem como nenhuns outros... Eles são a fonte onde vais beber a tua voz impar — essa voz que nos prende e nos domina, essa voz bruxa que nas encanta e faz sonhar...
Amália — encarnação da Severa e da Maria Vitória numa alma só — Amália sonhadora e boémia, Amália fadista e perdulária. Amália Mulher, pela magia da lua voz, para tudo quanto ela nos dá de vida palpitante e viva, — bendita sejas tu, Amália ! Bendita seja a tua voz !
 
Francisco Radamanto
 

 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
publicado por Vítor Marceneiro às 22:00
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48 comentários:
De Amadeu Antunes a 17 de Fevereiro de 2007 às 11:46
Francisco Radamanto é hoje um poeta esquecido mas gozou de enorme popularidade, Amália chegou a gravar poemas seus, no começo. Aliás todos gravavam Radamanto, ele era um dos mais requisitados no meio do século XX pelos fadistas. Mas deste poeta hoje pouco se canta e menos se fala, faça-se excepção ao Museu do Fado que apresentou, creio que há dois anos, uma palestra sobre o autor de "Tia Anica", uma criação de Anita Guerreiro para quem aliás escreveu vários fados.
De Anónimo a 17 de Fevereiro de 2007 às 15:20
Comentário apagado.
De Pedro Pimenta a 17 de Fevereiro de 2007 às 15:47
São opiniões. Ana Maria Mendes foi também parceira do Vítor Duarte Marceneiro numa homenagem ao Manuel de Almeida. Quanto à Amália é merecido o destaque e mostra que afinal Vítor Duarte não é só Marceneiros e que a Hermínia não foi um desvaneio. Temos daqui a pouco o Panetão Fadista no blog e com o patrocínio da APAF.
De APAF a 18 de Fevereiro de 2007 às 12:07
Esclareça-se que a APAF não patrocina nenhum evento! Pode apoiar iniciativas da forma que melhor entender, ou realizar outras como o tem feito, tendo sempre em conta a divulgação e melhor conhecimento do Fado. O ciclo "Sentir a alma dos poetas - conversas e fado" procurou resgatar do esquecimento alguns dos autores fundamentais do fado, entretanto desaparecidos. Vilar da Costa entre outros, foi o autor do "Chico do Cachené" cantado por Amália, Armando Neves entre outros êxitos é o autor de "Cruz de guerra" de Berta Cardoso, Francisco Radamanto com grande produção, assina "Tia Anica" de Anita Guerreiro e João da Mata é autor de "Duas glórias".
De Vítor Marceneiro a 18 de Fevereiro de 2007 às 13:54
Sinceramente não percebo a que título a APAF dá a este senhor esta explicação. e o que é que isto tem a ver com Lisboa no Guiness.
De Pedro Pimenta a 18 de Fevereiro de 2007 às 14:14
Tudo tem a ver com Lisboa que é a capital. Mas interessante este seu reparo à APAF que quer colocar os nomes nos termos. Mas sempre é o "o fado qu'induca"!
De Ai Deus e ue a 1 de Março de 2007 às 00:22
Permita-me que afirme aqui a excelente palestra, no mesmo ciclo onde foi recordado Armando Neves pela locutora Arlete Pereira.
a investigadora foi muito clara na apresentação e explicitação do raciocínio, Além de se ter cantado, leram-se também poemas de sua autoria.
De Vítor Marceneiro a 18 de Fevereiro de 2007 às 14:08
Sobre este assunto recebi uma informação
anónima, que repete exactamente aquilo que eu afirmei, mas acrescentando mais informação completamente fora do contexto.
O contexto era só o poeta e a informação adicional, é mais que suficiente.
De Paula Russo a 18 de Fevereiro de 2007 às 18:21
Estive presente e foi surpreendente para mim o que aprendi e fiquei a saber sobre o poeta. A senhora era para mim uma desconhecida, mas esteve absolutamente bem, tendo feito referencias aquela "menina Lisboa" da época do poeta que aliás conhecia.
De Ana Pereira a 17 de Fevereiro de 2007 às 11:58
Como Amália não houve nem haverá outra! Amália foi e continua a ser a autêntica lisboeta popular e refinada, alegre e dolente! Tal como Lisboa, Amália evidenciou sempre um requinte e luminosidade unicos! Já tardava neste magnífico blog uma referência à grande portuguesa que é AMÁLIA!
De Ai Deus e ue a 1 de Março de 2007 às 00:28
AMÁLIA conseguiu ser todos nós.
Ousada! Consciente do que fazia. Sem falsos alardes. Hoje as meninas tinham tudo a aprender com ela e nada a imitá-la pois é inimitável!
De Rui Vasconcellos a 17 de Fevereiro de 2007 às 12:03
Não posso deixar de felicitar o autor do blog por esta referência à grande Amália. Sempre que em algum lado vejo referências à grande artista que em vida nunca foi chamada de diva por nós portugueses, não deixo de comentar, ir ver, marcar presença. Pois acho que é o tributo mínimo que nós, portugueses, podemos fazer aquela que tanto nos mostrou - e sempre da melhor maneira - ao mundo. Para quem anda no estrangeiro antes e depois de todos estes "novos fadistas" andarem a cantar em festivais, sabe bem o quanto a "nossa Amália" foi e é apreciada e há sempre novas gerações a aderirem e a descobrir coisas novas nos seus discos. É UMA GRANDE PORTUGUESA!
De Pedro Vieira a 17 de Fevereiro de 2007 às 12:06
Sorte de Portugal ter uma voz como a da Amália, a nós brasileiros Amália tocou-nos sempre muito, coisa que nenhuma outra das actuais o consegue. Assisti a um espectáculo de Amália já na década de 1980 em São Paulo e foi vibrante, a maior força e energia. Uma catarse. Universal. Única. Extraordinária. valeu!
De Vítor Marceneiro a 17 de Fevereiro de 2007 às 15:01
Amália tinha um carinho muito especial pelo povo brasileiro , aliás foi vossa hospede durante cerca de 6 anos, lá fez muitos amigos e foi lá que casou.
O seu comentário vem confirmar como o Brasil lhe retribui.
Cumprimentos
De Rui Vaz a 17 de Fevereiro de 2007 às 13:35
Falou-se tanto de uma estátua a Amália que seria de autoria do Lagoa Henriques, no Alto do Parque Eduardo VII, mais de cinco anos passados sobre a morte da notável portuguesa e nem da estátua se fala! É boa altura de retomar esta ideia!
De Vítor Marceneiro a 17 de Fevereiro de 2007 às 14:30
Amigo Rui Vaz

Como explicitei quando neste blog falei sobre os nomes de ruas que são atribuídas ao artistas , é por movimentação do povo, temos que fazer sempre pressão para que respeitem as nossas justas e merecidas reivindicações.
Vamos pressionar.
De Vítor Marceneiro a 17 de Fevereiro de 2007 às 18:27
Amigo Rui Vaz.

Com centenas de fotos de Amália a que tenho acesso, acho que fui bem esclarecedor na intenção ao colaocar esta com o nosso saudoso José Nunes.
Um abraço
Vitro Marceneiro
De Sofia Sousa Pereira a 17 de Fevereiro de 2007 às 13:42
Só para felicitar por esta bonita homenagem à nossa Amália. Bem haja!
De Pedro Faria a 17 de Fevereiro de 2007 às 17:00
"Todos nós temos Amália na voz!"
De Isabel Mendes a 17 de Fevereiro de 2007 às 17:11
O destaque dado a Amália é justo! Foi ela a nossa grande voz e de uma forma simples sem dar alardes - como tanto se vê agora - motivou os grandes poetas para o fado e guindou o fado a patamares nunca antes visto e que ninguém jamais baterá por muitos prémios ou teatros a que vão!
Estive a ler o blog e se não referir a palavra Lisboa mas falar dos seus bairros, das suas gentes, monumentos, também conta para o Guiness?
De Vítor Marceneiro a 17 de Fevereiro de 2007 às 19:33
Amiga Isabel Mendes
Como já tive oportunidade de explicar, nesta fase e para que não haja dúvidas, e como é uma rúbrica que nunca foi prposta ao Guiness Book of Records, só utilizarei os fados que tenha a palavra Lisboa, na base de dados, penso vir a ter condições de colocar todos os que sejam sobre ela sem a referirem em nome.
Cumprimentos
De Manuela Cardal a 17 de Fevereiro de 2007 às 17:31
Este texto de Francisco Radamanto para mim até agora um desconhecido é absolutamente pungente e faz-me pensar o quanto não haverá ainda por descobrir sobre Amália, o que haverá para passar às novas gerações do exemplo que foi esta artista singular de extraordinária genialidade. O documentário do Leonel Almeida ou a biografia do Pavão dos Santos sabem a pouco, muito pouco. Ao ler e reler este texto voltei a colocar um e mais outro CD de Amália e fiquei com uma vontade enorme de querer saber mais desta grande fadista e também poetisa.
De Vítor Marceneiro a 17 de Fevereiro de 2007 às 19:26
Amiga Manuela Cardal
Concordo consigo, há muita coisa escrita e dita sobre Amália que ainda não está divulgado, principalmente naquela fase de “Cantadeira de Fados”.
Há cerca de um ano a Planeta DeAgostini, editou um livro sobre Amália integrado numa séria intitulada GRANDES PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL, porque é uma venda restrita pouca gente conhece a obra que tem como autor Nuno de Almeida Coelho, se conseguir arranjar um exemplar vale a pena, é mais elementos.
Eu acho quando alguém escreve uma autobiografia, deve ter capacidade para a comentar e confirmar, isto porque está provado que “quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto”
Tenho conhecimento que um amigo meu a quem já ofereci os meus préstimos o Manuel de Azevedo, está para a fazer um trabalho que irá deliciar os Amalistas.
De Ai Deus e ue a 1 de Março de 2007 às 00:31
Sobre este livro paira um mistério: quem realmente o escreveu. O certo é que esfumou e só se conseguiu via internet. Certo também é que realmente está bem feito, principalmente tem sentimento fadista, sem ser "fadistinho" nem épico. Fala de Amália, mas fala também de outros fadistas, letristas, etc..
De Pedro Andrade a 26 de Abril de 2007 às 18:58
Onde se pode encontrar este livro? Tenho ouvido muitas críticas favoráveis.
De Miguel Pinto a 17 de Fevereiro de 2007 às 17:49
Tenho 32 anos sou do Norte de Portugal. Vi apenas esta senhora, numa área de serviço, foi tal a sua simplicidade na maneira de estar e natural simpatia que aumentou ainda mais o quanto a admirava. Estive muitas vezes para ir cumprimentá-la a sua casa mas nunca aconteceu, porém aquele momento foi único. Ver ali a grande vedeta mundial que tinha o mesmo BI que eu!
De Paula Russo a 18 de Fevereiro de 2007 às 18:22
De uma forma simples conseguiu tocar-me o seu coemntário, era assim a nossa Amália. Bem haja!

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