Digo: "Lisboa" Quando atravesso - vinda do sul - o rio E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas - Vejo-a melhor porque a digo Tudo se mostra melhor porque digo Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência Porque digo Lisboa com seu nome de ser e de não-ser Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro Seu conivente sorrir de intriga e máscara Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata Lisboa oscilando como uma grande barca Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência Digo o nome da cidade - Digo para ver
De Pedro Penedo a 22 de Fevereiro de 2007 às 23:38
Amigo Vítor . Confesso que cheguei a pensar que o meu amigo pudesse ser demasiado "sectário" nesta pesquisa, mas agora vejo que estou completamente enganado, para além do Fado que venera demonstra bem que é um um homem de horizontes largos, e se no caso de Lisboa mantém esta imparcialidade, dando a conhecer outras manifestações para além do Fado, poderá estar a dar uma lição a algumas elites intelectuais que acham que as gentes do Fado são ignorantes. Espero ansioso pelas continuas surpresas que nos vai dando neste seu trabalho . Um Abraço Pedro Penedo