Sexta-feira, 28 de Junho de 2019

SÃO PEDRO - Santos Populares

 

São Pedro como Santo Popular, tem a sua origem nas festividades religiosas em honra sua, que foram promovidas pela confraria dos pescadores de Aldeia Galega, fundada há Século XVI.

Durante os festejos assistia-se à procissão bênção, de um rio e dos barcos ali acostados, comia-se o tradicional bodo de sardinha assada, que era oferecido aos visitantes.

O ponto alto era a queima de um batel,  na realidade trata-se de um ritual pagão muito antigo, mas era um espectáculo muito interessante, que atraía as multidões.

Em muitas  festas populares, que têm São Pedro por padroeiro, são organizadas largadas de touros, touradas,  festivais de folclore e concursos de jogos florais.

É de notar que são as comunidades ligadas à faina piscatória que mais venera São Pedro, pois também ele foi pescador. 

A comunidade de Roma foi fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo e é considerada a única comunidade cristã do mundo fundada por mais de um apóstolo e a única do Ocidente instituída por um deles. Por esta razão desde a antiguidade a comunidade de Roma (chamada actualmente de Santa Sé pelos católicos) teve o primado sobre todas as outras comunidades locais (dioceses); nessa visão o ministério de Pedro continua sendo exercido até hoje pelo Bispo de Roma (segundo o catolicismo romano), assim como o ministério dos outros apóstolos é cumprido pelos outros Bispos unidos a ele, que é a cabeça do colégio apostólico, do colégio episcopal. A sucessão papal (de Pedro) começou com São Lino.

È comum a imagem de São Pedro, tendo na mão as chaves do céu.

 

Comemora-se a 29 de Junho 

 

Benção dos barcos

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Viva Lisboa:
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Quarta-feira, 26 de Junho de 2019

ALFREDO MARCENE$IRO - Deixou-nos há 37 anos

 E DEUS LHE DEU A GRAÇA E A ALEGRIA,  DE TER MORRIDO NA SUA FREGUESIA, COMO UM SOLDADO MORRE NO SEU POSTO

Alfredo Marceneiro faleceu na sua casa  pelas sete horas da manhã do dia 26 de Junho de 1982, contava 91 anos. (*)
O seu corpo esteve em câmara ardente, na Igreja de Santa Isabel, sendo apostas na urna a Bandeira Nacional e a bandeira da cidade de Lisboa por iniciativa do, então, Presidente da edilidade Engº Krus Abecassis e ainda uma guarda de honra permanente prestada pelos Soldados da Paz do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa.
 O Padre designado para fazer as exéquias do funeral de Alfredo Marceneiro desconhecia de todo a sua obra, mas impressionado com os milhares de pessoas presentes no velório, quis esclarecer-se sobre a sua figura. Levou a noite a escutar o José Pracana e este tão eloquentemente lhe falou do seu querido amigo "Ti Alfredo", que no dia do funeral,  o Padre ao dizer a Missa de Corpo Presente, ele próprio com as lágrimas nos olhos enalteceu a sua imagem de lisboeta e fadista, amante da sua cidade e da sua freguesia E a todos surpreendeu, quando recitou os versos que Marceneiro tantas vezes cantou:

 

Alfredo Marceneiro canta:

A Minha Freguesia

Se os cantadores todos, hoje em dia
Ruas e bairros cantam, de nomeada
Eu cantarei á minha freguesia
A de Santa Isabel tão afamada

 

Freguesia gentil que não tem par
É talvez de Lisboa, a mais dilecta
De D. Diniz, a rua faz lembrar
O esposo de Isabel o Rei poeta

 

Lembra a Rainha Santa, quando vinha
Transformar o pâo em rosas, com fé tanta
Ela que Santa foi, menos Rainha
Mas foi entre as Rainhas, a mais Santa

 

Poetas e literários, foram seu
Ilustres moradores, geniais
Como Almeida Garrett, João de Deus
Teófilo, Junqueiro e outros mais

 

Freguesia onde enfim, moro também
Onde sempre pisei honrados trilhos
Nela casou a minha querida mãe
E nela é que nasceram os meus filhos

 

Que Deus me dê a graça, a alegria
Na vida tão cheínha, de desgostos
A vir morrer na minha freguesia
Como um soldado morre no seu posto

 Assim, até na sua morte o Fado acontecia. Cumpriu-se o desejo que Alfredo Marceneiro cantava nos versos escritos pelo poeta Armando Neves.
É de realçar, que não havendo espaço no talhão dos artistas no Cemitério dos Prazeres, a Câmara Municipal de Lisboa, disponibilizou um gavetão perpétuo para repouso dos seus restos mortais.
 Milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre que apesar de ser proibido se efectuou a pé, numa sentida manifestação de pesar desde Santa Isabel até ao Cemitério dos Prazeres.   Guitarristas dedilharam os seus instrumentos, durante todo o percurso, " a sua Marcha" em tom dolente e magoado, que mais parecia um choro de guitarras.
O Povo de Campo d´Ourique estendeu colchas nas janelas, numa homenagem singela ao homem simples do seu bairro.

Todos os orgãos de informação se referiram á efeméride, com títulos de destaque.

 (*) 91 anos em termos de registo de nascimento, mas na realidade tinha 94 anos

Chorai Fadistas, chorai...
A morte de Alfredo Marceneiro
— A GRANDE LENDA DO FADO
in Diário de Notícias

 « Ti Alfredo » deixou-nos

Morreu O REI do FADO.

Morreu aquele a quem apelidaram de
—PATRIARCA do FADO

Marceneiro morreu, o fado de luto

Morreu Alfredo Marceneiro
— O MONSTRO do FADO

 Guitarras choraram por Alfredo Marceneiro
in Correio da Manhã

 Morreu Alfredo Marceneiro...
 O Fado lisboeta está de luto.
in O Dia

 

De todos os jornais diários que se referiram á efeméride  destaco o artigo assinado pelo jornalista e poeta Fernando Peres que foi seu grande amigo e admirador:

 

GUITARRAS CHORAM NO FUNERAL DE MARCENEIRO
in A Capital


"Não sabemos de quem teria sido a ideia mas não é difícil adivinhá-lo: José Pracana tem alma de poeta e uniu-o sempre ao ti Alfredo uma amizade filial. Talvez pela primeira vez, desde a saída do corpo até ao cemitério dos Prazeres, guitarras e violas choraram o que deixa insubstituível um lugar e foi um intérprete ímpar de várias gerações. Apenas melodias suas foram escutadas por gente que se espalhava pelas janelas para assistir ao cortejo enorme e ouvir um coro imenso de vozes de que Alfredo Duarte (o Marceneiro para toda a gente) era autor e andam na boca de toda a gente.
Esta é uma verdade indesmentível. Se reflectirmos, podemos concluir que a vida e a morte constituem os círculos viciosos do tempo.
A hora que se viveu é uma hora morta. Aquilo que hoje é emoção violenta, constitui amanhã, uma sensação esquecida.
Devemos insistir: esta é uma verdade indesmentível pois existe dentro de cada homem uma tragédia que ele ignora e uma comédia que ele vive. Algumas vezes, a tragédia é caricata ridícula, dá vontade de rir. Mas nunca ninguém riu da tragédia que consigo arrasta. É que a dor é um sinal da vida. Na realidade, só vive quem sabe sofrer...
Por isso ti Alfredo não sofre sózinho. Consigo leva um bocadinho do coração de todos nós. Os ídolos do fado são ídolos do povo. E um desses foi esse extraordinário Alfredo Marceneiro, decano dos intérpretes portugueses e, talvez, mundiais. Quase todos choraram quando foi o «momento da despedida». Mas homens como o ti Alfredo não morrem, nunca. Faltou a madrugada, substituída por um Sol radioso. Mas tudo teve expressão e significado. Valeu pela intenção valiosa e espectacular (houve quem  estivesse de muletas). Se era preciso, foi a consagração de um grande fadista. Quantos o acompanharam, e entre eles o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Leonor Beleza, constituíram um público, sem distinção de classes ali acorrendo a acenar o seu adeus ao maior intérprete da canção, nascida não se sabe onde ecoou em vozes doridas e viciosas nas betesgas das ruelas de Lisboa. Depois, ganhou raça em gargantas aristocráticas e hoje corre mundo na névoa das «boites».
De facto, passam tristezas a desfazer-se e o vento arrasta-se, lentamente, com vagares de cansaço. Já se feriram alegrias em vibrantes risos. Uma lágrima indiscreta espreita um sorriso.
Não o disse? «Felizes os que sabem, colhendo beleza e poesia, refugiar-se em recordações purificadas da mesquinhez do mundo. Felizes os que  são sabem, colhendo inspirados pelo amor, para quem o poente é sempre uma rosa e o azul tem transparências». Teve a sua companheira — a tia Judite — ao seu lado até ao último momento. Mãe dos seus filhos teve até ao final um gesto de amor. «Felizes os que sabem andar feliz o coração no espaço infinito, entre orações, bençãos e perdão. Felizes os que sabem demorar o perfume que o amor deixou».
Lá estiveram os seu amigos. O infalível Júlio Amaro (como podia ele faltar?). E sabe uma coisa? Foi uma manifestação de ternura, neste mundo de egoísmos, cada vez mais fracas.
 Ti Alfredo, até qualquer dia..."

 

Na Revita "MAIS"  de 2 de Julho de 1982, destaca-se aqui o seu editorial e dois artigos da autoria de grandes jornalistas.

 

UM SILÊNCIO NO FADO

"Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito, no último fim-de-semana.
Morrera Alfredo Marceneiro ou, se preferirem ele mudara de "poiso" para parte incerta onde, afinal, todos acabaremos por beber do mesmo copo — como ele continua, certamente a fazer.
Um silêncio no Fado, eis o que se fez, súbito no último fim-de-semana.
Um silêncio de guitarras e violas, um silêncio de gargantas vazias, um silêncio cúmplice de cantos impossíveis.
Alfredo Marceneiro "diz" agora ali mesmo, ao virar desta esquina, todos o sabemos. Por isso aqui estamos prontos a escutá-lo naqueles que o testemunharam, naqueles que o viveram e conviveram.
Prontos, não a consagrá-lo (que é lá isso?) mas a guardá-lo, nosso."

"MARCENEIRO" — exemplo do fado autêntico

"Sim, é uma verdade indesmentível: os ídolos do Fado são os ídolos do povo. E Alfredo Marceneiro, o «maior» do Fado tinha em si qualquer coisa de indefinível, de boémia atrevida e palpitante a confundir-se com uma ingenuidade quase infantil. Como era ele, afinal?
Igual a si próprio: rezingão e pitoresco, com a sua madeixa preta, a testa enrugada, mantendo ao pescoço o lenço de seda com um nó mal-humorado. Como cantava? Como ninguém: com voz saturada de sensibilidade, uma voz popular e instintiva intérprete como nenhuma outra, da pobreza feliz da cidade e a poesia do seu povo. No Fado, soube sempre poetizar Lisboa. E, por isso, talvez, já não pertence apenas ao Fado e aos que o admiram — é património de Lisboa.
A cidade vai perdendo as suas figuras típicas. Mas ainda tinha em Alfredo Marceneiro um exemplo do Fado autêntico, nascido não se sabe onde mas que vivia na sua alma. Ele possuía a reforma do ofício que foi durante anos um apelido. Chamava-se Alfredo Rodrigo Duarte, o «Marceneiro» para quase todos, «Ti Alfredo» para os fadistas e para os amigos. Andou a roçar os noventa e era ainda uma figura da noite lisboeta. Raros o viram de dia e sempre por ocasiões graves. De resto era a noite que o trazia, envolvendo-o nas suas sombras de mistério. E, parecia conservar nos lábios uma saudade e um beijo quando chegava e dizia: «boa-noite». Sim, era a noite quem o trazia pois é de noite que ele vivia no mundo onde ganhou fama e glória. A sua ronda diária pelas casas típicas (a terminar sempre madrugada alta) era já talvez, uma necessidade de se sentir estimado, acarinhado, vivo para os que lhe queriam bem. O Fado, a sua segunda vida foi,  afinal, a sua vida inteira."

Assina: Fernando Peres

 

E ainda na Revista Mais um artigo de Miguel Esteves Cardoso

 

Ao fadista, Alfredo Marceneiro,

bem ido e bem vindo,

por,ocasião do fim da sua primeira vida (1891 - 1982)

 

"Se, como escreveu D.H. Lawrence, a morte é a única pura e bela conclusão de uma grande paixão, então a morte do fadista Alfredo Marceneiro é, também ela, um acto de paixão.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morreram os outros homens.
A morte não o surpreende nem o leva — é ele que a chama e a ela se entrega. Porque ser fadista é atiçar, cortejar, pedir a morte desde o primeiro momento em que o Fado lhe nasce na voz. Um fadista, ao morrer, vê a sua arte a atingir o ponto máximo de perfeição.
E é um Fado.
E é uma morte.
Mas um fadista não morre como morrem os outros homens.
Ele trata a morte por tu. Conhece-le os jeitos e as manhas e só pode ter por ela o respeito que se tem por aquilo que conhecemos de gingeira: é gingão com ela, mas tem-lhe amor. Ou não fosse todo o Fado um fingimento da morte e todo o fadista um fingimento da vida
E é um Fado.
E é uma morte
E é uma saudade, e um destino. Ou não fosse a saudade, como memória do bem que jamais regressará, no qual que nunca desaparecerá, uma espécie de morte. O mesmo, em vida que ver morrer. Ou não fosse o destino, como pressentimento sem recuo nem apelo, uma espécie de preparação para a morte. O mesmo, em vida, que ver-mo-nos morrer.
E é um Fado
E é uma morte.
Pela saudade, o fadista pôde saborear a morte que lhe sobe do peito pela garganta, até à boca. É talvez um amargo e doce paladar — terá concretiza algo a ver com amêndoas cruas, caroços de cereja, vinho acre.
Pelo destino, o fadista faz no peito a cama á morte e o aroma desses lençóis  sobe pela garganta até à boca e tem o cheiro de uma mortalha lavada nas lixívias pungentes da vida.
E é só um Fado.
É afinal apenas uma Morte.
Mas que sentido teria celebrá-la e senti-la senão com sua própria língua, a do Fado e da Morte ? A morte de um fadista, a morte de Marceneiro, só pode ser celebrada e sentida na voz de outro fadista. Não pode ser escrita, não consente ser lida.
Porque o Fado precisa dos seus fadistas mortos, das suas lendas e lugares. No Fado, o luto continua. Deste modo sempre. Ou há alguém que disputa a lenda e o lugar da Severa ? Ou há alguém que duvide que, como morto. Marceneiro servirá o Fado como o não pôde servir nos últimos anos da sua vida ?
E é outro Fado.
E é nenhuma Morte.
Ao morrer, Marceneiro inicia uma outra carreira no Fado. Tão bela e importante como aquela que findou. Será furiosamente lembrado, mistificado, transformado em voz. Porque é uma das bonitas qualidades do Fado: o Fado nunca esquece. Agora é que Marceneiro começará a viver, porque já está morto, reconciliado com o seu destino de homem, preparado para a sua missão de reminiscência e saudade.
E é este o verdadeiro Fado.
E é esta a verdadeira Morte.
Porque os fadistas não morrem como os outros homens.
Melhor: nem sequer morrem. Toda a vida anseiam morrer. De amor e paixão, de cio e da saudade. Sem respeitar a vida, que é coisa que vem e que passa, senão daquilo que a vida tem de transportadora. Transportadora da imagem e do desejo das coisas que se amaram, e que nela se guardam, tão brancos como no dia que nasceram,os vícios da alma, os vícios do corpo.
E é assim um bonito Fado.
E não é assim uma feia Morte.
Ou não haja alguém que ponha em causa que um fadista não é um homem que, ora em ora, canta o Fado. Não existe esse bicho: o fadista em tempo parcial. Cantar o Fado é apenas um momento na vida de um fadista, tão natural como abrir as janelas de manhã, tão normal como as tarefas do dia-a-dia. E as tarefas do noite-a-noite, as rondas, as batalhas, os amores, os vinhos, os amigos, os trabalhos, misturam-se com o canto e — nos grandes fadistas, como o Marceneiro — entram pelo canto adentro e tudo encharcam para que a voz depois dê vazâo à paixão, dê cor à dor, dê despejo ao desejo.
È isto o dito Fado.
Bendito Fado, para além da Morte.
Alfredo Marceneiro foi esse fadista em que o Fado, como mero canto, era indissociável do Fado, como mera vida. Mas se dantes não havia realidade que podia com o arroubo de lembrar — o Fado é uma perpétua reconstrução do passado, sabendo sempre que nunca o poderá reconstruir a tempo de evitar o futuro — se dantes não havia Marceneiro—homem que podia com o esplendor de Marceneiro—mito; agora, agora e durante os muitos anos que só o Fado guarda contristadamente faz enternecer, Marceneiro pertence todo ao Fado como nem ele em vida, conseguiu pertencer.
E é Fado
E deixa de ser Morte
Digamos só: Olá Alfredo Marceneiro, é bom tê-lo outra vez entre nós.

Assina: Miguel Esteves Cardoso

 

Imagem do Cortejo que acompanhou a pé, em marcha lenta, ao som das guitarras, Marceneiro até à sua sepultura

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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019

SÃO JOÃO - Santo Popular

 

O São João no Porto,  comemora-se de 23 para 24 de Junho.  Esta data foi consagrada a São João Baptista por ser a data do seu nascimento , na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja, mas na realidade o Santo Padroeiro do Porto é Nossa Senhora de Vandome.

É vivido nas ruas,  permite todos os excessos, Leva-se na mão um alho-porro e dá-se com ele na cabeça do vizinho em tom de brincadeira. Para além dos bailaricos, o fogo-de-artifício no Rio Douro é o ponto alto da noite. No meio de imensa folia, não falta a ementa tradicional da festa, o  Caldo Verde, a Sardinha Assada, o pão e vinho tinto.

O dia 24 de Junho foi consagrado a São João Baptista por ser a data do seu nascimento terras, na noite de São João, a cidade do Porto é a que mais festeja! .

Tudo começa na Ribeira, mas depois do Fogo de Artifício, a partir da  meia-noite em ponto, a festa espalha-se pelos quatro cantos da cidade e só termina ao nascer do sol.

As rusgas de São João espalham-se de bairro em bairro, de freguesia em freguesia.

Nas principais artérias da cidade, até ao nascer do sol, é ver as  enchentes de povo, compra-se as ervas santas e plantas aromáticas com evidente predominância do manjerico, a planta símbolo por excelência desta festa; o alho-porro, os cravos e a erva-cidreira.

A festa tem como ponto de honra as Cascatas S. Joaninas (colocar a imagem do Santo num altar com o seu inseparável carneirinho e um sem fim de elementos que simbolizam o arraial) e que servem de disputa entre freguesias e bairros num concursos de beleza e homenagem

Manda a tradição que a festa culmine com um banho de mar na Foz!

E no dia do padroeiro o manjar tradicional é o anho ou cabrito assado com batatas assadas e arroz de forno.

A festa de São João dá inicio às festas do Verão, daí as fogueiras e todas as "loucuras" da noite deste santo popular.

Segundo os registos do Cancioneiro Português, dos três santos: Santo António, S. João e S. Pedro, São João é o santo menos confiável, por causa da sua  fama de sedutor.

 

"São João fora bom santo

 se não fora tão gaiato

levava as moças para a fonte       

iam três e vinham quatro."

 

"Até os mouros na Mourama

festejam o São João.

Quando os mouros o festejam            

que fará quem é cristão."

 

Meu querido São João                                                

És um Santo popular

Traz teu arco e teu balão

Vem com o povo dançar!

 

Aproveitem bem esta noite...  

Fica fresco quem se afoita

E regala o coração

Quem se banhe à meia-noite

Da noite de São João.

 

Delicados pés pisaram

Rosmaninhos pelo chão

Muitos corações amaram

Na noite de São João.

 

Foto de Noite de São João no Porto

sao-joao-ribeira-porto.jpg

 

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Viva Lisboa: A Tradição nunca finda
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Domingo, 16 de Junho de 2019

Fados da minha vida - A Escola

Há cerca  67 anos estava eu em vésperas  ir para a escola,   as aulas começavam nessa época a 7 de Outubro, corria o ano  de 1952.

A escola que fui frequentar foram as Oficinas de S. José, dos Padres Salesianos, situada nos Prazeres, no bairro de Campo d´Ourique, escola que ainda hoje existe.

Recordo o livro, o caderno de duas linhas, um lápis, uma borracha de apagar, uma ardósia, uma pena para poder escrever na ardósia, uma caixa de lata  pequena, com um pedaço de pano molhado, que servia para limpar a ardósia, e a mala que a tia Aida me deu, uma cesta de verga para levar o almoço, 2 carcaças com ovo mexido e uma laranja, preparado pela avó Judite.

Estava entusiasmado, porque também era o dia que eu iria estrear umas calças compridas, um "pull-over" grená sem mangas, que me deu a avó Maria, e mais que tudo as botas de cano alto (á cow-boy) que o meu pai me comprou na feira da ladra, (ver relato em: (http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/281578.html) recordo também que nessa altura  ainda usava um fumo preto  no braço direito, por luto de minha mãe.

A mesa de estudo conhecida como: Carteira Escolare, era igual a esta, que vos mostro nesta fotos.

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 Fotos de recordação: Em cima eu com 7 anos, em baixo a foto do livro da 1ª classe até á 4ª classe,  e a foto da minha primeira comunhão junto á estátua de S. Domingos Sávio no dia 31 de Janeiro de 1953, no Colégio dos Salesianos.

                                                                                            

 

                                        Livros Escolares anos 60.jpg

Curiosidades: Ao escrever este texto e relembrar todas stas passagens da vida, nomeadamente o material do trabalho escolar de então, não posso deixar de expor aqui o que  tive de adquirir estes anos  para os meus filhos,  a Beatriz e o Alfredo, desde o 1º anos escolar que ambos têm livros diferentes e é raro o ano que os livros não mudam, GRANDE NEGÓCIO COM O ENSINO,  porque estes ficam obsoletos, inclusive, se de  dos meninos não passar de ano (chumbar) o que é uma ideia remota!!! sabem por quê?... Sabem, sabem. os mesmos livros não vão servir, , terão de ser novos!! E Porquê? , pergunto eu?  

Porque somos um dos países evoluídos do mundo, e todos os anos repomos todas as novas descobertas sobre, a nossa historia, sobre a história universal, a matemática, a física, etc..  Ah! esquecia-me do PORTUGUÊS, também já mudou, cada vez me sinto mais analfabeto... até já ouvi dizer que a Lei de Ohm, está errada, o principio de Lavoisier... é tanga... a lei da gravidade.... etc, etc,

 E digam lá se isto não é um Fado...

©Vitor Duarte Marceneiro

 

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Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

HERMÍNIA SILVA - 26 Anos de Saudade

 LEMBRAR A GRANDE HERMINIA SILVA

Faz 26 anos que Hermínia Silva nos deixou. Faleceu  no dia 13 de Junho de 1993, dia de Santo António. Estará sempre nos nossos corações, e de certeza no futuro, as novas gerações ainda falarão muito desta grande mulher, que está na história do Fado e do Teatro de Revista por mérito próprio. 

A  página neste blogue,  é baseado no livro biográfico da autoria de Vítor Duarte Marceneiro  e está protegido por "Copywrite" estando devidamente registado na S.P.A. e no I.G.A.C, só são permitos excertos do mesmos, que visem a divulgação da biografada e seja referida a fonte.

 

A RAZÃO DUMA PAIXÃO 

 Só de há alguns anos para cá me apercebi que o Fado é um estado de alma, é paixão. Desde muito novo que o adoro e cultivo, mas à medida que vou amadurecendo, dou por mim a venerá­‑lo cada vez mais. Lembro coisas do «fado» e de Fado, que durante muito tempo parecia que nada me diziam, estavam adormecidas, mas que agora me vêm à memória, em catapulta desenfreada, e penso... Tanto tempo que eu perdi.

Reuni neste livro, a que dei o título de Recordar Hermínia Silva, tudo o que sobre ela consegui recolher, com o in­tuito de fazer história sobre essa mulher, que era povo, foi amada e ovacionada, mas manteve­‑se sempre simples e despreten­siosa. Era dotada de um dom especial, que só muito poucos têm, de cantar e representar muito bem, era um representar que não se estuda no «Conservatório», com a sua voz bem castiça dava um cunho muito pessoal às suas interpretações que deliciavam a quem a escutava, quer no fado tradicional, quer no fado revisteiro, mas na revista para além de cantar interpretou figuras e «meteu buchas» que fizeram o delírio de milhares de espectadores.

Obrigado Hermínia Silva por tudo que deu ao Fado, ao Teatro de Revista, ao Povo Português.

©Vitor Duarte Marceneiro 2003

 BIOGRAFIA DE HERMÍNIA SILVA

 Hermínia Silva nasceu às 18 horas do dia 23 de Outubro de 1907, no Hospital de São José, freguesia do Socorro, era filha de Josefina Augusta, que morava à data do parto na Rua do Benformoso, 153, no 1.º andar, freguesia dos Anjos, em Lisboa. (1)
 
(1) Conforme Acento de Nascimento n.º 704, do ano de 1907, na 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa.
Sua mãe, chamava-se Josefina Augusta, era natural de Samora Correia. Teve uma irmã mais velha que tinha o nome de Emília e um irmão que se chamou Artur Moreira.
 
É com palavras da própria Hermínia, com a sua simplicidade, a sua graça no jeito tão pitoresco que ela tinha a exprimir­‑se, que aqui se transcreve parte da sua biografia:
Julgo que nasci numa casa ali para os lados do Campo de Santana (2), numa travessa, cujo nome não recordo, e não recordo porque saí de lá apenas com oito meses. A verdade é que não tenho quaisquer recordações do tempo que mediou entre o meu nascimento e a idade escolar, mas creio que fui uma criança absolutamente normal, com todas as gracinhas, «perrices» e evoluções que são comuns a todas as crianças normais.
No entanto, recordo que me con­taram que quando tinha oito meses caí da varanda à rua. Mas eu explico como isso foi e como é possível eu ainda aqui estar a falar sobre a minha infância.
Ora, na casa onde nasci, havia uma va­randa, na qual eu brincava habitualmente, que, por segurança, estava protegida por uma rede. Porém, um dia, por qualquer razão, que ignoro, alguém tirou a rede e eu, na minha «gatinhice», enfiei pelas grades e fiz um «voo pi­cado» até à rua… bom, até à rua não, porque tive a sorte de cair na giga de uma mulher que vendia hortaliça e que, providencial­mente, passava nessa al­tura debaixo da varanda.
Logo um senhor, que passava por ali na ocasião, agarrou em mim e levou­‑me para o Hospital. Cheguei lá e... pasmem, verificaram que não tinha nem uma beliscadura. E eu, muito sossegadinha, não chorava nem nada.
Deram­‑me, depois, lá no Hospital, uma colher de cerveja preta e trouxeram­‑me finalmente de volta a casa, onde todos se encontravam mui­to aflitos,... Mas cair de um segundo andar à rua, apenas com oito meses, e nada sofrer, hem?! Ao menino e ao borracho…
Este é, segundo julgo, o único episódio fora do vulgar da minha infância, já que não tenho ideia ouvir falar em mais nada.
Como consequência dessa queda da janela à rua, veio uma mudança de resi­dência. Minha mãe, impressionada com o acidente, não quis continuar naquela casa e, assim, mudámo­‑nos para o Castelo.
 
(2) Hermínia faz esta afirmação sobre o seu nascimento em entrevista ao jornal Trovas de Portugal, de 30 Julho de 1933, onde, na página seis, Hermínia escreve pela pena do jornalista: — Sou de Lisboa, freguesia do Socorro, e criei­‑me no Castelo de S. Jorge!
No Álbum da Canção, datado de 1965, fala do local do seu nascimento, mas sem muita clareza: — nasci numa travessa da qual não me lembro o nome, ali ao “Campo de Santana”.
Em 1980, quando da festa da entrega da Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, Hermínia Silva é entrevistada para a RTP e diz que nasceu na «Rua das Flores» que ficava junto à Travessa Conde de Avintes, e que era perto do local onde morava o Armandinho. Ora este local situa­‑se na freguesia de S. Vicente de Fora e há lá uma Travessa das Flores e não Rua das Flores.
 
Desde que me entendo que gostei de cantar. E o fado, cantava­‑o a todo o mo­mento, e por toda a parte: na rua, em casa, na escola, desde que aos seis anos comecei a frequentar a escola, que ficava ali na Rua da Madalena, mesmo em frente da igreja.
Ora lá na escola, por vezes, havia umas festas nas quais tomavam parte algumas meninas que sabiam cantar. Eu deixava­‑me ficar muito caladinha quanto aos meus «méritos», pois tinha vergonha de os reve­lar. Até que um dia, quando se preparava uma dessas festas, uma das minhas colegas dirigiu-se à mestra e, apontando-me, revelou:
— Minha Senhora, esta menina canta muito bem!
Claro está que a professora quis, imediatamente, avaliar as minhas possibilidades e mandou-me cantar uma música que eu soubesse bem. E eu «desatei» logo a cantar um fado, daqueles bem fadistas.
A professora ao ouvir-me cantar o fado levou as mãos à cabeça e, fazendo um gesto negativo, declarou:
—  Ai. Esta menina! Não… Fado não!
Depois, talvez por ver a decepção estampada na minha cara, incitou-me a cantar outra «moda» que eu soubesse. Cantei, ou melhor, comecei a cantar uma canção que sabia também, mas o pior é que mesmo a canção, na forma como eu cantava e na minha voz, soava como fado. E, de novo, a senhora me interrompeu, repetindo, um tanto ou quanto escandalizada:
—  Não, fado não… Esta menina não pode cantar na festa! As meninas não cantam fado!
Escusado será dizer que fiquei com uma grande «pinha», pois cantar já era para mim uma paixão.
E começava também já a despontar em mim o desejo de representar. E chorei que me fartei.
Mas a vida continuou e eu sempre cada vez mais possuída por aquela verdadeira paixão que era para mim o cantar. E sempre que podia lá estava eu de «boca aberta» quer fosse em casa, quer fosse nas casas de pessoas amigas que me convidavam, de vez em quando, a cantar um «fadinho», quer fosse em festas particulares, onde me chamavam de propósito para eu «botar» cantiga, porque achavam que eu tinha «jeitinho».E eu ia sempre cantando e sempre a pensar no Teatro, pois nesse tempo não havia casas típicas e eu para as tabernas não ia… claro que não ia.
Até que um dia…
Estava eu em casa da minha irmã Emília (3), que morava ali em Entre Muros do Mirante, quando casualmente passou o Armandi­nho, que morava para aqueles lados e me ouviu cantar. Ou melhor, ouviu uma voz, vinda da­quele prédio. Então, subiu as escadas, bateu a porta e perguntou à minha imã, que foi quem abriu:
—  Não é aqui que está uma pequena a cantar?
—  É, é. É a minha irmã — re­plicou.
—  Que idade tem ela?
—  Olhe, tem doze anos.
—  Chame­‑a lá, faz favor — vol­veu Armandinho, cada vez mais interessado.
A minha irmã, que sabia o quanto eu era acanhada, volveu:
—  Ai, ela não vem.
—  Chame­‑a lá — insistiu o grande Armandinho. — Olhe que ela tem uma bonita voz. Uma voz muito engraçada. Ora cha­me­‑a lá. Que eu arranjo já um contrato para ela ir gravar um disco ao «Valentim de Carvalho».
A minha irmã sorriu, pouco convencida, e explicou a Armandinho:
—  Ai, ela não vai. A minha mãe não deixa.
Porém, o famoso guitarrista não se deixou con­vencer com aquela primeira negativa da minha irmã.
 
(3) Hermínia refere que a irmã vivia ali «Entre Muros do Mirante», à Graça, e provavelmente passava por este local quando ia para casa da irmã. Quanto à sua alusão a Rua das Flores, e como já acima referi, será lógico ser Travessa das Flores, que fica na freguesia de S. Vicente de Fora.
 
Gostara, sinceramente, da minha voz, da ma­neira como eu interpretava o fado e não estava disposto a desistir assim às primeiras. E então pediu licença para entrar, para falar directamente comigo.
Escusado será dizer que eu, que estivera a ou­vir toda a conversa, apareci nesse instante e, então, Armandinho dirigiu­‑se­‑me:
—  Então, não quer vir cantar?
Eu claro que queria cantar, já que cantar era, pode dizer­‑se, a mi­nha vida.
Mas a verdade é que fi­quei muda e o malogrado artista prosseguiu:
—  Ora vá, venha gravar um disco. Olhe, nós agora até vamos a Berlim, com o Menano e a Ercília Costa, e a menina também podia ir.
Talvez por julgar que me encon­trava a sonhar, a verdade é que per­maneci muda como um penedo, enquanto o meu interlocutor, certamente para me entusiasmar, ia pros­seguindo, tentador:
—  Vá, venha que faz um «vistaço». Venha lá gravar um disco. Então não quer ir connosco cantar? Então não quer ir para o Teatro?
É claro que, se eu tinha imensa vontade de ir para o Tea­tro, naquela altura, ainda fiquei com mais. Mas não fui. Não fui com o Armandinho. Sim, não ia assim para Berlim. De maneira nenhuma...
Mas as coisas da vida nem sempre cor­rem à medida dos nossos desejos, e o mundo dá muitas voltas.
Chegou a altura em que tive necessidade de ir aprender um ofício e empreguei­‑me como aprendiza de modista. No en­tanto, o meu pensamento estava sem­pre no Teatro e no Fado. E continuei a cantar, quer pelos bailaricos, quer em festas particulares, para as quais estava sempre a ser chamada. E eu ia sempre, pois o que eu queria era cantar…
  
EU, QUE NÃO SOU NADA DRAMÁ­TICA,
FUI AMADORA DRAMÁTICA…
 
Em 1925, sempre norteada pelo grande amor que dedicava ao Teatro, inscrevi­‑me como ama­dora dramática no «Grupo dos Leais Amigos», ali ao pé da igreja de S. Vicente. O que eu queria era representar e tanto assim que representei coi­sas dramáticas, eu que não sou nada dramática... Mas tal era a fúria de ser artista... que tudo me servia.
Em 1926, representei e cantei no antigo Teatro Gil Vicente, à Graça. Foi ali que, certo dia, apareceu um senhor que era escritor, Artur Vítor Machado de seu nome. Esse senhor levou­‑me à presença do pai, o maestro A. Júlio Machado, que era empresário, e foi logo assim, que ainda nesse ano me levou numa tournée à província.
Era tal a minha gana de vencer, que me comportei de tal modo que, no início desse giro artís­tico, o meu nome figurava nos cartazes em último lugar e quando regressámos eu era já a primeira figura.
Terminada essa tournée que foi, pode dizer­­‑se, o início da minha carreira como profissional, fui trabalhar para um cinema, ali à Esperança, o «Malacaio». O contrato por oito dias que me fizeram era para cantar fados no final da exibição dos filmes.
Mas a verdade é que o público me dispensou tantas gentilezas, me acolheu e adoptou com tanta e tão grande simpatia, que esses oito dias se transfor­maram, quase sem que déssemos por isso, em dois anos.
É verdade: durante dois anos consecutivos actuei no «Malacaio» em final de festa. E sempre com o pleno agrado do público frequentador da­quele cinema que não me regateou o seu apoio e os seus aplausos. Ainda hoje conservo no coração a simpatia daquele pú­blico. Foi Rui Metelo, um empresário muito co­nhecido na época, que me proporcionou esse contrato.
 
O PARQUE MAYER
 
Quando finalmente deixei de cantar no «Malacaio», fui para o Parque Mayer. Ali os estabelecimentos de far­turas tinham, ao tempo, grande clientela, estavam em voga. Ali se cantava o fado. Pode dizer­‑se que essas casas foram as percursoras das casas típicas que hoje conhecemos.
Ora, quando fui para o Parque Mayer, era contratada pelo «Valente das Farturas». Este contrato, tal como acontecera com o cinema da Esperança, era por oito dias. Mas tal como aconteceu no «Malacaio», esses oito dias prolongaram­‑se por mais dois anos.
Nessa altura, eram frequentadores assíduos no «Valente das Farturas» a grande maioria dos artistas de então, que trabalhavam nos Teatros do Parque Mayer. Muitos deles já iam lá especialmente para me ouvirem, pois gostavam da minha maneira de cantar. O meu salário então já era de cinquenta e cinco escudos diários, o que para o tempo era um grande cachet, mesmo tendo em consideração que chegava a ter seis sessões diárias.
Entre os muitos artistas que fre­quentavam assidua­mente o «Valente das Farturas», que se tornara o palco onde eu dava livre curso ao meu íntimo desejo de cantar, contavam­‑se dois artistas de grande cartel na época, que trabalhavam no Teatro Maria Vitória, que eram o Alberto Ghira e a Hortense Luz, e certo dia vieram falaram comigo, convidando­‑me a ir para o teatro. Mas eu ganhava ali muito bem, embora o teatro fosse a minha grande paixão, eu não ia trocar o certo pelo duvidoso. Foi, pois, embora contrariada, que lhes disse que não acei­tava.
O Alberto Ghira ainda voltou a insistir, mas continuei a recusar, com o mesmo fundamento de que me sentia ali bem e ganhava uma pequena fortuna, mas disse logo que no dia em que deixar de trabalhar aqui irei para o Teatro, se ainda me quiserem lá.
E, assim, se gorou a primeira grande oportuni­dade­ para eu entrar para o Teatro de Revista e dele fazer o centro da minha actividade artística.
Como já tive oportunidade de frisar, também no «Valente das Farturas», tal como acontecera, ante­riormente, no Cinema em que actuei em fim de festa, mantive­‑me dois anos consecutivos, merecendo sempre, devo reconhecê­‑lo, o carinho do público, que aliás eu fazia por manter, dando tudo quanto tinha dentro de mim, sempre que cantava, o que acontecia, como também já disse, muitas vezes em cada dia.
 
Mas certo dia tive mesmo que parar de cantar, porque tive uma grande constipação nas cordas vocais que me pôs bastante «à rasca», durante mais de um ano. Foi com imensa tristeza, pois como já sabem, o cantar era o maior gosto da minha vida, e além disso tinha passado a ser a minha fonte de subsistência (4).
  (4) Estava­‑se em finais de 1926 e Hermínia estava grá­vida; seu filho Mário Silva vem a nascer em 9 de Abril de 1927.
 
   POR FIM O TEATRO DE REVISTA
 
Quando, finalmente, recuperei da doença, roidinha de sau­dades de cantar e do contacto com o meu querido público, que sempre me acarinhara, fui trabalhar para uma Sociedade de Recreio que, se não estou em erro, era o «Comando-Geral». Foi aí que, certo dia, o co­nhecido empresário Ma­cedo e Brito me abor­dou, dizendo­‑me que, conhecendo o meu valor achava que eu devia voltar era a cantar. Prometeu­‑me que me ia arranjar uma entrevista com o empresário de teatro António de Macedo.
Passados poucos dias confirmou­‑me a marcação da entrevista; fiquei entusiasmada, não podia perder esta nova oportunidade de ingressar no Teatro, que era o sonho doirado da minha vida, e logo fui falar com o António Macedo, que me contratou imediatamente, para actuar em fim de festa, cantando fados — claro está — na opereta «Fonte Santa» (1932).
O público voltou a corresponder inteiramente, aplaudindo­‑me com simpatia, e foi graças a esse mesmo público que, logo de seguida, fui contratada para fazer uma revista, que se intitulava Feijão­‑Frade (1933), que era um original de Xavier de Magalhães, Almeida Amaral e Fernando Santos. E esta foi a primeira revista em que eu entrei.
Foram assim na realidade os meus primeiros passos a sério com o teatro de revista, e a verdade é que, sem vai­dade, fiz um autêntico brilharete.
De então para cá tomei parte em inúmeras revistas, assim como numas quantas operetas, e até em peças declamadas.
A minha carreira continuou, felizmente, com grandes êxitos, que, certamente, eu não merecia, mas o público me quis oferecer.
Também actuei nos estúdios da RTP, a última vez foi num dos episódios da série Os Três Saloios, protagonizada por Raul Solnado, Humberto Madeira e Emílio Correia, três valores do nosso teatro ligeiro.
E devo confessar que gostei.
Tive, ao longo da minha carreira, como é natural, muitas e variadas pro­postas para ir ao estrangeiro, mas como sou multo «pegada» a isto.
Tenho muita relutân­cia em sair de Portugal, eu ainda nem sequer visitei as províncias ultramarinas, apesar dos muitos convites que para o efeito me têm endere­çado e do grande desejo que te­nho de as conhecer.
—  Fui ao Brasil, onde me demorei o menos tempo possível, aos Açores e à Madeira, onde fiz uma curta série de espectáculos.

 

Herminia Silva desde a sua estreia em 1932, participou em 13 operetas, 37 revistas, 2 peças declamadas e ainda em 5 filme e vários programas de televisão.

 Conclusão do autor:

Hermínia Silva, sem sombra de dúvidas, nasceu a 23 de Outubro de 1907, no Hospital de S. José, freguesia do Socorro, em Lisboa.
O episódio que contou sobre ter caído da janela à rua refere­‑se decerto à rua onde sua mãe morava quando do seu nascimento, Rua do Benformoso, 53, 1.º, freguesia dos Anjos, em Lisboa.
Tudo leva a crer que sua irmã morava na Travessa das Flores, freguesia de S. Vicente de Fora, em Lisboa, enqua­drando­‑se assim com toda a lógica o episódio em que conta como o guitarrista Armandinho a ouviu cantar.
 
 
 Hermínia Silva com Alfredo Marceneiro
 

Herminia Silva canta: Fado da Sina do Filme "O Ribatejo"

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música: Fados da Sina
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA

 

Fernando Martins de Bulhões, (Santo António de Lisboa), filho de D. Teresa Tavera e de Martin (ou Martinho) de Bulhões, nasceu em Lisboa ao que julga a 15 de Agosto de 1195, numa casa próxima da actual  Sé de Lisboa, onde se ergueu a igreja em sua invocação.

Fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando por volta de 1210, como noviço, na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, guiado pela mão do então prior D. Estêvão.

Permaneceu em São Vicente de Fora por três anos, com cerca de 18 anos ingressou no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, um importante centro de cultura medieval e eclesiástica da Europa, onde realizou os estudos em Direito Canónico, Filosofia e Teologia.

O mundo católico horrorizado com o martírio por decapitação de cinco franciscanos, em Marrocos, em 1220,  altura em que os restos mortais destes mártires são transladados para Coimbra,  levaram Fernando a abraçar a missão de evangelizador, pelo que a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se no Eremitério dos Olivais de Coimbra e mudando então o nome para António.

Em Portugal, Santo António é muito venerado na cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal.

As festas em honra de Santo António começam logo na noite do dia 12. Todos os anos a cidade organiza as marchas populares, grande desfile alegórico que desce a Avenida da Liberdade (principal artéria da cidade), no qual competem os diferentes bairros.

Um grande fogo de artifício costuma encerrar o desfile. Os rapazes compram um manjerico, num pequeno vaso, para oferecer às namoradas, as quais trazem bandeirinhas com uma quadra popular, por vezes brejeira ou jocosa. A festa dura toda a noite e, por toda a cidade há arraiais populares engalanados, onde se comem sardinhas assadas na brasa, febras de porco, caldo verde  e bebe vinho tinto. Ouve-se música e dança-se até de madrugada,  no típico bairro de Alfama, é costume organizar na Sé Patriarcal, o casamento de jovens noivos de origem modesta, são os noivos de Santo António, recebem ofertas do município e também de diversas empresas.

A Igreja e Museu Antoniano em Lisboa, situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa são o centro da devoção ao Santo, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.

O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.

 

 

 

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Terça-feira, 11 de Junho de 2019

João Baptista-Lopes - FADISTA E POETA

 João Baptista-Lopes, nasceu em Ourém no distrito de Santarém em 23 Julho de 1945, mas ainda muito jovem veio morar para Lisboa.

 Cedo se sentiu atraído pelo Fado, o que o levou a frequentar, as casas típicas,  os retiros fadistas e  os encontros de amadores, etc...

Certa noite, nos anos sessenta, no   Restaurante Típico da Márcia Condessa que ficava na Praça da Alegria, local que frequentava  com frequência,  foi  incentivado pelos amigos  e pela proprietária a cantar, cantou e agradou, tomou-lhe o jeito, e a partir  desse dia, nunca mais parou.

Cantou no Galito no Estoril,  em Cascais, no Picadeiro no Arreda e no Kopus-Bar, em Lisboa no Senhor Vinho, no Ardinita, Pátio das Cantigas, Tia Ló, Embuçado, etc, assim como no Porto,  onde passou pela Candeia e no Mal-Cozinhado,assim como um pouco por todo o país e até no estrangeiro, estas andanças no meio fadista levou-o,  a conviver e a cantar ao lado de figuras como  Manuel de Almeida, Rodrigo, Carlos Zel, Vasco Rafael, António Melo Correia, Natália dos Anjos, Ada de Castro, Alfredo Marceneiro, etc.,  aliás, é na sua convivência com meu avô, que começámos a conviver, e logo ficámos amigos até aos dias de hoje, já estive a seu convite a cantar na Suíça na cidade onde reside, Neuchatel.

Estive no seu casamento em Ourém corria o ano de 2004, com a Marylene, onde fiz um filme e fotos de recordação que lhe ofereci como recordação.

Em 1967, estávamos ambos a cumprir o serviço militar anos ,   éramos  jovens e com sangue na guelra, na Rinchoa - numa casa de Fados, o Vira do Minho, numa noite de Fados, em que ia com o meu avô, estavam por lá uns cretinos muito bêbados, em que acabámos por nos envolvermos numa grande cena de "porrada"  para proteger o meu avô, cena que nunca mais esqueço,  e ele também, um dia irei aqui contar com mais pormenores.

Cumpriu o serviço militar na Guiné, tendo sempre colaborado nos eventos musicais ali organizados para os seu camaradas.

Em 1973, o empresário Carlos Lacerda, locutor no Rádio Clube Português e também produtor na etiqueta Alvorada,  convida-o a  gravar  um EP, no qual cantou cantou  poemas dos escritores Mário Cláudio e João Barge.

João Baptista-Lopes, escreve poemas para Fado,  alguns deles já gravado por si e por outros fadistas.

Editou um livro com o título "Ourém a preto e branco - Anos 50 em Sextilhas", trata-se de um livro em que relata as suas memórias na terra que o viu nascer,em que o mesmo é escrito  em sextilhas, e tudo leva a crer, que não fica por aqui, já está outro livro em projecto.

Radicou-se na Suíça, onde ainda vive há mais de 30 anos,  onde sempre que pode canta e enaltece o Fado, organizando também,  espectáculos de Fado em que convida fadistas e músicos de Portugal.

Recentemente gravou um CD  a que deu o título "40 Anos de Fado", com 14 poemas inéditos de sua autoria para músicas de fados tradicionais.

Poema de João Baptista-Lopes  a homenagear Alfredo Marceneiro:

Simplesmente  « VERSÍCULO »

Há frases que nos ficam na memória,

mesmo que cem anos nós vivamos !

Delas fazemos, às vezes, nossa história,

com elas, revivemos, recordamos !

 

Cada poesia tem sempre o seu segredo,

para que os versos não sejam todos maus…

Como me disse um dia o Ti Alfredo:

- Fazer versos, não é fritar carapaus !

 

 Ele, que dos “reis”, foi Rei, foi Ás,

o  “trono” partilhou humildemente,

sem nada nem ninguém, deixar p’ra trás,

ensinou o seu fado a toda à gente !

 

 Recordar o seu discurso, é um regalo !

É prolongar esses serões pela vida além…

- O poeta escreveu : “calou-se o galo”

e a gente, rico filho, cala-se também

 

 Contigo,Ti Alfredo, eu aprendi,

(Mesmo se por minha culpa pouco sei…)

Mas sei que é meu este “versículo” que escrevi,

P’ro TEU “VERSICULO” qu’em minha alma cantarei !

©João Baptista-Lopes

 

 

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Domingo, 2 de Junho de 2019

Norberto de Araújo - Insigne filho de Lisboa

Jornalista e escritor português, Norberto Moreira de Araújo nasceu a 21 de Março de 1889, em Lisboa. Cedo mostrou apetência para as Letras. Em 1904, entrou como aprendiz na Imprensa Nacional, frequentando, posteriormente, o Curso Superior de Letras e, em 1916, veio a ingressar na redacção de O Mundo , mudando-se, passado um ano, para o jornal A Manhã , de que chegou a ser co-proprietário.
A sua intensa actividade jornalística levou-o a ser jornalista do Diário de Notícias , do Século da Noite e do Diário de Lisboa em que se manteve até morrer, a 25 de Novembro de 1952, como redactor principal. Aqui, através de um estilo de escrita incisivo e vibrátil, iniciou toda uma etapa de renovação nos processos jornalísticos. A sua grande originalidade reside na facilidade com que disserta sobre qualquer matéria. Não tem um estilo invariável, um estilo diferente para cada assunto. Ficou célebre a sua rubrica no Diário de Lisboa , "Páginas de Quinta-feira", onde deambulava pelas mais diversas áreas - quer fossem sínteses de arte, política, casos de rua, comédia burguesa, cultura, etc.
Versátil e laborioso, Norberto de Araújo fez reportagens de notável projecção como, por exemplo, duas viagens presidenciais, uma com António José de Almeida ao Brasil, e a outra com o general Carmona a Espanha. Em 1925, ano de ouro da comemoração de Santa Teresinha, desloca-se a Roma. Assiste ao julgamento do Angola e Metrópole - o caso Alves dos Reis, à visita da rainha D. Amélia ao Panteão de S. Vicente e mais tarde, iniciou uma série documental, intitulada "Como se trabalha em Lisboa?".
A par da actividade como jornalista, Norberto de Araújo manteve, intermitentemente, a sua actividade literária - 31 volumes publicados - que se repartiram pelos mais diversos campos, desde os livros puramente técnicos sobre artes gráficas, tal como Da Iluminura à Tricomia publicado em 1915, até ao teatro e à poesia. Foram levadas à cena as suas obras teatrais Dentro do Castigo (1924), em que o pendor melodramático com certa ousadia é atenuado por um discreto intimismo, e Duas Mulheres (1928) - peça representada nos 50 anos de teatro de Adelina Abranches. Na poesia, escreve odes românticas que comoviam principalmente as senhoras e que passaram à literatura com o nome de Miniaturas (1920) e Vinha Vindimada (1924).
A par da relevante carreira jornalística e da ampla obra literária, Norberto de Araújo é conhecido hoje especialmente como um olisipógrafo erudito, tendo-lhe concedido o munícipio de Lisboa a medalha de ouro da cidade. Autor do Inventário de Lisboa , 1944/1955 (concluído por D. Pires de Lima), das "Legendas de Lisboa" e das "Peregrinações de Lisboa", esta obra é a mais compulsada. É de assinalar o extenso e profundo conhecimento que Norberto de Sousa tinha das fontes e dos estudos esclarecedores do passado de Lisboa, que o dá ensejo a descrições extensas das ruas, palácios e monumentos, templos, instituições e dos mais diversos episódios da vida citadina lisboeta.
Norberto Moreira de Araújo morreu a 25 de Novembro de 1952, em Lisboa.

 In: Infopedia

Amália canta Marcha do Centenário - Lisboa Nasceu

da autoria de Norberto de Araújo

 

Estas são algumas das letras que consegui arranjar da autoria de Norberto de Araújo, e segue-se um video em que meu avô lê o que Norberto de Araújo escreveu dobre ele.

 

GRANDE MARCHA1935 (Lá vai Lisboa)

Norberto de Araújo

Bailarico de Benfica 1940

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1940 (Olha O Mangerico)

Norberto de Araújo

Marcha do Centenário 1947

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1950 (Noite se Stº António)

Norberto de Araújo

GRANDE MARCHA 1952 (Alcachofra Brava)

Norberto de Araújo

Alcachofra Brava 1952

Norberto de Araújo

Marcha de S. Vicente 1955

Norberto de Araújo

Cidade Maravilhosa 1955

Norberto de Araújo

Noite de Santo António

Norberto de Araújo

 

Marceneiro lê palavras de Norberto de Araújo

 

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música: Marcha do Centenário
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