Maximiano de Sousa ficou conhecido do grande público, pelo diminutivo “Max”, nasceu no Funchal a 20 de Janeiro e 1918, mas só foi registado a 2 de Feveriro do mesmo ano. Aprende o ofício de alfaiate, e mesmo depois de ser artista ainda durante muito tempo manteve essa profissão. Em 1936 começou a actuar à noite num bar de um hotel do Funchal, em 1942 foi um dos fundadores do conjunto Toni Amaral, onde actuava como cantor e baterista. Em 1946 integrando esse mesmo conjunto rumam a Lisboa e são contratados para actuar no famoso cabaré “Nina”. Começou a cantar fado em 1948, e o primeiro sucesso chamou-se “ Não digas mal dela” com música de Armandinho e letra de Linhares Barbosa, o êxito deste fado foi tão grande que iniciou a carreira a solo, que rapidamente se transformou num sucesso. Em 1949 gravou o seu primeiro disco para a “Valentim de Carvalho”, com duas canções que se tornaram no seu definitivo trampolim para o estrelato “Noites da Madeira” e “Bailinho da Madeira”. Foi o primeiro de muitos êxitos como :“ A mula da cooperativa” “Porto Santo” “ 31” “ Sinal da Cruz” e muitos mais. Em 1952 iniciou uma brilhante carreira de actor, a convite de Eugénio Salvador participa na revista “Saias Curtas” , o desempenho agradou e entrou numa longa série de revistas. Em 1957 partiu para os E.U.A onde se manteve dois anos, inicia outra digressão por Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil e Argentina. Depois do enorme êxito desta digressão e regressado a Portugal, lançou um novo fado que igual sucesso “Pomba Branca”. Além de cantor Max destacou-se como compositor, muitos dos êxitos que interpretou foram composições suas, mas é de salientar a sua parceria com Artur Ribeiro, “Vielas de Alfama”, “Noite” , “Rosinha dos Limões” etc.. Este grande cantor, compositor, autor e músico deixou-nos no ano de 1980. Embora nascido na Madeira, foi em Lisboa que Max se formou como artista, e foi nesta também sua cidade que alcançou os grandes sucessos da sua carreira, Max foi um fadista de alma e coração, para além da sua querida Ilha da Madeira, amava profundamente Lisboa.
Video Clipe com Max a cantar "Sinal da Cruz"
Os figurantes, são os meu filhos Alfredo e Beatriz
Quando minha mãe faleceu tinha eu de 5 para 6 anos, e fui morar com os meus avós paternos, a avó Judite e o avô Alfredo. O meu avô acompanhou a minha mãe na fase da doença e tinha um carinho muito especial por ela, era como uma filha para ele e para a minha avó. Como é de calcular no início da mudança, eu era uma criança com momentos de muita tristeza e melancolia, mas meu avô acarinhava-me muito, e acima de tudo fazia diálogos comigo, o que se prolongou até à minha saída de casa, foram estes diálogos e o meu espirito de curiosidade, que contribuiram para que eu possa nestas páginas, contar com fidelidade o que me ensinou e relatou sobre a vida, e a sua experiência no Fado. Num certo dia eu estava taciturno e lembro-me do meu avô logo que se apercebeu, começou por me dizer:
— Oh! Vitó, nas estejas com esse olhar mortiço, tens os olhos da tua mãe, que eram muito bonitos. Nunca mais me esqueci, pois logo de seguida disse-me estes versos:
Tua mãe quando nasceste Viu cair duas estrelas Foi apanhá-las, e fez-te Teus lindos olhos com com elas
Há uns anos atrás, contei com emoção este episódio ao poeta Carlos Escobar, que glosou a quadra, que eu nunca soube se foi inspiração do meu avô, ou era alguma quadra de um autor que ele tinha em mente.
AS ESTRELAS DO MEU MENINO
TUA MÃE QUANDO NASCESTE
VIU CAIR DUAS ESTRELAS
FOI APANHÁ-LAS, E FEZ-TE
TEUS LINDOS OLHOS COM ELAS
QUEM O DISSE JÁ PARTIU
DISSE-O COM AR MENINEIRO
E QUANDO O DISSE ELEGEU
DESCENDÊNCIA... MARCENEIRO
INDA MUITO PEQUENINO
O PETIZ NÃO PERCEBEU
MAS SOUBE LOGO MENINO
QUE HAVIA ESTRELAS NO CÉU
REPAROU NUMA, BRILHANDO
E O AVÔ TAMBÉM OLHOU
E DE MÃOS DADAS ANDANDO
SORRIU, PENSOU E CALOU
E NÃO DISSE AO SEU MENINO
QUE NAS ESTRELAS ALÉM
NUM PONTINHO PEQUENINO
ESTAVAM OS OLHOS D' MÃE
Autoria de Carlos Escobar para o Vitor Duarte
Foto de minha mãe Mariete Duarte Vitor Duarte aos 18 meses
Obrigado a todos os amigos que me têm apoiado, fazer um trabalho destes, embora que modesto, é mais graticante quando recebemos uma palavra de retorno, mesmo de crítica,saber que somos lidos só por si é um estímulo.
Bem Hajam
A gente não faz amigos, reconhece-os
AMIGOS
Se alguma coisa me consome e me entristece é que a roda furiosa da vida, não me permite ter sempre ao meu lado,
Morando comigo
Andando comigo
Falando comigo
Vivendo comigo
Todos os meus amigos
·Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
·Tenho amigos que não percebem o amor que lhes devoto.
·Tenho amigos que não imaginam a necessidade que tenho deles.
·A alguns dos meus amigos não os procuro, basta-me saber que eles existem.
·Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles... eles não iriam acreditar.
·Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
·Se um dos meus amigos morrer, eu ficarei torto para um lado.
·Se todos os meus amigos morrerem, eu desabo!
·Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
Muitos dos meus amigos irão ler esta crónica e não sabem, não fazem ideia que. estão incluídos
...na sagrada relação de meus amigos.
Nota:Poema amigos - Excertos de Vinicios de Morais