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Comemora-se os 50 Anos de Televisão pública em Portugal, a inauguração foi na antiga Feira Popular (1) Luna Parque) a Palhavã, que era para nós miúdos uma coisa do outro mundo, ficava no (2) Parque onde está a Fundação Calouste Gulbenkian, tive a felicidade de l á estar e nunca mais me esqueci daquela caixinha mágica, acabei de vir a ser profissional de Cinema e Televisão... o sonho concretizou-se.
Relembro este acontecimento porque para mim est á relacionado com Fado, pois naqueles anos quase todos os fadistas profissionais e amadores que sobressaiam , eram convidados a cantar para à RTP. Depois de abrirem os outros dois canais tudo piorou, e até a RTP deixou de dar pr á ticamente Fado, agora são sempre os mesmos que vão aos mesmos canais, e a RTP vai-nos dando as "Memórias".
Passa a alguém pela cabeça que O Fado venha a ser considerado património da Humanidade, embora seja uma forma musical única no mundo? È no próprio país que reivindica a designação, os nossos ministros dão entrevistas a dizer que não gostam de Fado. A Televisão Pública não tem programas de Fado. (Excepto se for alguém premiado lá fora),.!!!
Mas meus amigos vem aí a solução.
Ficcão... ou Talvez não!
H á um Realizador de Cinema (Documentários) o Sr. Saura , que é quem sabe da poda, foi -lhe pedida ajuda de uns entendidos (conselheiros), que até arranjaram um mecenas (o er á rio público), pedindo-lhe para fazer um filme histórico e isento, porque os realizadores portugueses são uns intelectuais e não de debruçam sobre estes temas menores, consta-se que o Sr. Saura ter á nbsp; logo ter dito: — Fado só com portugueses é uma chatice , assim vai se for como eu quiser , vai haver fado em flamengo, em brasileiro, em mornas etc.
O Sr. Saura estudou muito sobre Fado , e vai acabar, com conhecimento de causa por explicar de uma vez por todas aos portugueses, que o Fado não é nada nosso, foi roubado, nós fomos foi grande navegadores, e como aos marinheiro era h á bito ter uma mulher em cada porto, os marinheiros portugueses não fugiam á regra, ou não fossem latino machistas , assim em cada terra por onde passavam, aprendiam um pouco do que por l á se cantava nos bordeis, aprenderam uma notas com os escravos africanos, mais umas notas com os índios brasileiros, na Índia também tirámos notas, na China , no Japão, etc. , repovo á mos ainda Cabo Verde com v á rias raças, o que obviamente deu mais umas misturas de musicais diferentes.
Finalmente previdentes como somos, e para não sermos acusados de pl á gio, e hoje teríamos a pagar indemnizações a esses povos , juntámos tudo num molho e deu esta mistura de canção que chamamos Fado, e é por isso que só nós é que o cantamos em todo o Mundo. Mas é porque os outros não quiseram aproveitar esta "modinha"?, é porque é pobre musicalmente, é tocado num instrumento que tem cordas a mais, só tem 1º e 2º andamento e que é tocado de ouvido, os tocadores não vem do conservatório. Uma chatice .......
Ninguém tem dúvida que o Filme vai ser um êxito (ler a História do Rei Vai Nu), pois ele só ser á entendido por gente inteligente, e se não gostarem e protestarem o Sr. Saura até sabe daquela história do Manuel de Oliveira que no filme "Francisca" ninguém viu o filme até ao fim, a versão de televisão ninguém gostou, ali á s mudavam para o 2º canal, ou apagavam os televisores. Manuel de Oliveira em entrevista na TV confrontado com estes factos retorquiu : — O Filme é bom, o povo português é que é inculto, vejam como eu lá fora sou apreciado (Nota - felizmente é apreciado tem uma obra fant á stica, eu como inculto que sou, tenho direito a só ter gostado do Anikita Bóbó ).
Portanto seja o filme o que for, não tenham dúvidas que vamos ter muitos intelectuais e conhecedores a dizerem que nós é que não percebemos nada disto, um homem com o percurso profissional do Sr. Saura ter á sempre razão, quero dizer, ter á sempre alguém que lhe dar á razão!!
De
MLeiria a 15 de Abril de 2007 às 08:50
Nesta questão, que respeita a realização, por um estrangeiro, de um filme sobre o Fado, é necessário que se diga, em abono da verdade, que Carlos Saura, se bem que alienígena, está a ser assessorado/orientado pelo português Carlos do Carmo, nado e criado no meio fadista, ele próprio canta o fado e é homem instruído... Assim, o que resultar é também, e muito, da responsabilidade desse cavalheiro. Mas, nestas questões de responsabilidade, é bom que ninguém ponha o rabinho de fora... a responsabilidade não deixa de ser igualmente de todos os que nada dizem nem fazem para contrariar o que acham que está mal; a responsabilidade é também de todos os realizadores portugueses (parece que nenhum teve a ideia ou interesse nesse projecto) e de todas as estruturas, oficiais ou não, relacionadas com a Canção Nacional- antes de mais, o Museu do Fado, do qual Carlos do Carmo é conselheiro e que, segundo consta, apoia o projecto e cujo OK para a participação financeira camarária terá sido colhido por proposta que dali partiu ; também a APAF, que define como Objectivo primeiro a "Defesa e divulgação do Fado" é responsável por não se manifestar, embora um ou outro associado, em nome individual o tenha feito; responsáveis são todos os fadistas e amantes de fado, nos quais me incluo, por não sabermos ou não querermos construir e defender um outro projecto e, como sempre acontece, deixamos andar a ver no que dá...
Vamos, então, esperar e, já agora, sentados, para ver como é.
Eu quero ainda acreditar na integridade moral e intelectual de todos os que, de algum modo, estão ligados ao projecto: a responsável pelo Museu do Fado e seus conselheiros, Carlos do Carmo e os fadistas que aceitaram participar.
Aguardemos . Não vale a pena a revolta se nada fizermos para reverter as situações. Enquanto esperamos, porque não pensamos em fazer o NOSSO projecto de um filme sobre o Fado? Tenho a certeza de que há realizadores portugueses à altura, guionistas, fadistas e, quanto ao capital, parece-me que não haveria razão para quem subsidiou o filme do Saura não subsidiar depois um realizador português...
O combate tem que ser no mesmo terreno! O desafio está feito!
De Inês Martins a 16 de Abril de 2007 às 12:52
Muito bem dito. As mulheres é que sabem, mas cara amiga saiba que não é só APAF é também a Academia da Guitarra e outros tantos como o St. Daniel Gouveia, o Sr. Vicente da Câmara - que consta do filme -! Os fadistas nunca se uniram não será agora! Mas o fado não é só dos que dele fazem arte - que são poucos - ou que ganham dinheiro, o fado é nosso!
De Maria de Jesus a 16 de Abril de 2007 às 14:28
Cara Inês Martins.
Estou de acordo com o seu comentário, mas permita-me um desabafo; naãp tenho dúvidas que o Sr. Daniel Gouveia é um amante de Fado, até canta, mas qual é o papel deste Sr. que é tão falado e que nada vejo construído por ele acerca do Fado, já estive numa palestra que ele deu, e fala do que os outros já disseram... tem é geito para ensinar a cantar, a dividir, mas depois canta.!!!
Encontrei algumas capas de CD assinadas por ele, mas a dizer o que já está dito.
Qunto a mim á compositor de obra feita, e é, não sei em que qualidade e escolhido por quem, Dignº Conselheiro do Museu do Fado, aliás como outros, conhecidos pelos púpilos do Carlos do Carmo, esse sim tem obra feita, livros, entrevistas, e conhecido em todo o Mundo, de tal forma que agora até dá umas ajudas à Mariza nas suas digressões.
E não esqueçamos é o mentor do "Filme Fado "de Carlos Saura.
Cumprimentos
MJ
A MLeiria, concordo com a sua análise, mas olhe que irá ter uma desilusão quanto à integridade intelectual do Sr. Carlos do Carmo, dizem poa aí as "más linguas" que ele com este projecto, seria de tal forma homenagedo teria lugar assegurado ao lado da sua "amiga!!" no Panteão Nacional.
Cumprimentos´
MJ
De Anónimo a 17 de Abril de 2007 às 17:21
Este ano, se fosse vivo, comemoraria cem anos de vida um grande amigo de Alfredo Marceneiro, chamado Carlos Ramos, mas que se saiba nada vai ser feito.
E também foi um dos fadistas da primeira hora.
Malhas que o Império tece.
Eduardo Ramos de Morais
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