Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

CARLOS CONDE- Grande PoetaPopular

Esta página foi escrita e publicada neste blogue a 26 de Maio de 2007, e não teve qualquer constetação!?

A 14 de Novembro de 2001 foi dada a uma rua de Lisboa no bairro de Campolide.

Aqui está a foto da placa e um artigo de Appio SottoMayor publicado no Jornal "A Capital", em que refere a "particularidade do epíteto Poeta Popular"

 

 

País de poetas é expessão já cansada do uso para definir Portugal. E, no entanto, continua verdadeira como no dia da sua invenção. Parece, porém, que na Poesia como em tudo o mais na vida, se formam classes: há uns tantos servidores das musas já tidos como académicos; há alguns (raríssimos) cujas novas produções são garantia de rápido desaparecimento dos escaparates; há uma multidão que vai esgotando sentimentos em edições de autor...

E há depois aqueles que, aparentemente sem escola e não se arrogando de angústias universais, vão compondo alo longo da vida com a facilidade de quem respira, encontrando rimas, ritmos e imagens como se tal faculdade lhes viesse de graça logo no berço. Chamam-lhes Poetas Populares. Metem a dor, a alegria, a raiva, o ciúme, o desejo, a bondade e a morte em meia dúzia de versos e passam a mensagem como se fosse dever natural. Todo um tratado de filosofia do comportamento pode, para eles, caber em poucas palavras.


Trabalho é letra vencida

Que o suor já pagou bem.

Quem trabalha toda a vida

Não deve nada a ninguém.


Carlos Conde, autor da quadra transcrita, escreveu versos em grande parte da sua vida e tornou-se conhecido porque as suas letras foram musicadas e depois cantadas por gente grande do fado. De Amália a Marceneiro, de Hermínia a Fernanda Maria, quantos fadistas interpretaram as palavras deste homem que sabia transmitir emoções.

Lisboa e o Fado têm tido a sorte de encontrar quem os sirva desta forma, eivada de simplicidade mas eminentemente artística. E, querendo ter boa memória, a cidade hoenageia o poeta, em vésperas do seu centenário, com um gesto singelo: dá hoje o seu nome a uma rua.


 

 

 

 Carlos Conde, nascido em 1901 no Concelho da Murtosa em Aveiro e filho de pescadores, muito cedo teve de procurar melhor sorte e partiu para a então cidade dos sonhos, Lisboa!

Chegado à capital, o seu fascínio pelo Fado e o acolhimento no meio fadista, deverão ter despertado o talento nato do poeta, para a concretização da maravilhosa obra que nos legou e que hoje recordamos com saudade e emoção!

É um facto, que a grande paixão de Carlos Conde foi o Fado, mas não nos podemos esquecer das lindas cegadas, um género de teatro de rua, que faziam as delícias de multidões por alturas do Carnaval.

Não devemos apagar da memória, os célebres motes e quatro décimas com que o poeta descreveu os típicos Bairros de Lisboa, onde ainda hoje, podemos apreciar muitos detalhes que têm resistido aos malefícios do tempo e à desenfreada evolução.

Carlos Conde, foi dos melhores poetas, senão mesmo o melhor, a descrever com tal exactidão, pormenor e sentimento, os hábitos e costumes das gentes desses lindos bairros, que ao lermos a sua obra, somos, quase que por magia, transportados para a época e para os locais descritos.

Isto, para não falarmos nas deliciosas quadras, que correram Portugal inteiro, vencendo concursos de Norte a Sul e espalhando o talento do poeta, pelas almas sedentas, de palavras harmoniosas e verdadeiras.

Mas, como já afirmei, foi de facto no Fado que Carlos Conde se notabilizou, autor de centenas de letras:

( A mulher que já foi tua, Sótão da Amendoeira, Marquês de Linda-a-Velha, Feira da Ladra, Bairros de Lisboa, Revista de Fados, Não passes com ela à minha rua, Trem desmantelado, etc, etc.)

 e para sempre imortalizadas nas vozes de: Amália, Argentina Santos, Maria da Fé, Carlos do Carmo, Fernando Maurício, Fernanda Maria, os Marceneiros (Pai, filho e neto), Lucília do Carmo, Ercília Costa, Ada de Castro, Rodrigo, João Ferreira Rosa, Gabino Ferreira, Raul Pereira, Adelina Ramos, Maria Amélia Proença e tantos outros.

Carlos Conde deixou de escrever para nós dia 12 de Julho de 1981, levando consigo as mais douradas décadas de fado.

Apesar da saudade latente, de um homem humilde e sincero, gravada para sempre em nossos corações, o que mais nos deve angustiar, é o facto de só após todos estes anos, compreendermos a dimensão do vazio deixado pelo homem que mais escreveu para o fado e só por isso a sua chama será eterna.

O reconhecimento por parte da Câmara Municipal de Lisboa, ao atribuir o seu nome a uma das artérias da cidade, vem repor justiça, à memória de um homem que tanto amou Lisboa.

 

Obrigado Carlos Conde!

 http://carlosconde.com.sapo.pt/

 Paulo Conde, 25 de Maio de 2007


     Vitor Duarte e Paulo Conde

 

Paulo Conde é bisneto de Carlos Conde, é o autor da sua monobiografia “FADO – Vida e Obra do Poeta Carlos Conde”.  Escreve o autor  na contracapa do seu livro:

Quando decidi eternizar em livro a vida e obra do poeta Carlos Conde, moveu-me para além do sangue e impulsos de descendência, uma vontade expressa de tributar o Fado.

Nutro pelo Paulo uma amizade e carinho, que nasceu no momento em que nos conhecemos, honra-me saber que o sentimento é recíproco, a nossa troca de “cartões” como se pode verificar na foto abaixo, foi a troca das nossas obras de que muito nos orgulhamos.

Obrigado Paulo Conde  pelo documento que deixaste para a história do Fado e desse grande poeta entre os poetas,  Carlos Conde teu bisavô.

Vitor Duarte Marceneiro 26-05-2007

 

Alma fadista

Conheço o Vítor Duarte destas andanças de homenagear o fado, é algo que nos está no sangue e como temos amizades cruzadas por consagrados ascendentes do meio fadista, não degenerámos. Prova disso é o notável trabalho (e se não conhecesse o Vítor pessoalmente, diria que era um génio) de colocar Lisboa no Guiness. Lisboa a cidade mais cantada do mundo, vai concerteza encher de orgulho o povo lusitano, porque nisto de reconhecimentos fora de portas há que deixar regionalismos de parte.

 

Deixo aqui um abraço de carinho e admiração ao Vítor, para quem o fado é uma forma de vida, sem aprumos de circunstância nem vaidades mascaradas, mas simplesmente um acto natural e reflexo como o pulsar do coração.

 

Paulo Conde - Bisneto 25-05-07

 


 

  Carlos Conde é um dos poetas com mais poemas sobre Lisboa:

                                   FLORES DE LISBOA

Letra de Carlos Conde  

Música de: Túlio Pereira

 

                                 Sempre a rir, sempre a cantar

                                 Esta Lisboa bonita

                                 Beija quem a sabe amar

                                 E abraça quem a visita

 

                                 Lisboa não se afadiga

                                 De cantar a vida inteira

                                 Tem p´ra tudo uma cantiga

                                 A Cidade Cantadeira

 

                                 A quem visita

                                 Esta Lisboa

                                 Terra que o mundo prende em fortes laços

                                 Os nossos beijos

                                 Com os desejos

                                 A que voltam de novo a nossos braços

                                 O meu país

                                 P´ra ver feliz

                                 Quem nos rende amizade fraternal,

                                 Concede flores

                                 De vivas cores

                                 Colhidas nos jardins de  Portugal!

 

                                 Lisboa deita-se tarde

                                 E tão bem o fado entoa

                                 Que nunca falta quem guarde

                                 Uma nesga de Lisboa!

 

                                 Canta e sente um bem profundo

                                 Pois é feliz e contente

                                 A cantar p´ra todo o mundo

                                 E a sorrir para toda a gente

 

 

Vítor Duarte Marceneiro canta: Bairros de Lisboa



 Carlos Conde também era um poeta de esperança, de fé  no futuro.

 


           

      Carlos Conde (Trineto de Carlos Conde

 

Beatriz Duarte e Alfredo Duarte (Bisnetos Marceneiro)

                                          



“È TÃO BOM SER PEQUENINO”
Letra de: Carlos Conde
Música: Corrido ou Mouraria
 
                                      É tão bom ser pequenino
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
                                     Ter esperança no destino
                                     E ter quem goste de nós
 
                                     A velhice traz revés
                                     Mas depois da meninice
                                     Há quem adore a velhice
                                     Para ser menino outra vez
                                     Ser menino que altivez
                                     De optimismo e desatino
                                     Ver tudo bom e divino
                                     Tudo esperança, tudo fé
                                     Enquanto a vida assim é
                                     È tão bom ser pequenino
 
                                     Ver tudo com alegria
                                     Sem delongas sem demoras
                                     Viver a vida numa hora
                                     Eternidade num dia
                                     Ter na mente a fantasia
                                     Dum bem que ninguém supôs
                                     Ter crença sonhar a sós
                                     Com a grandeza deste mundo
                                     E para bem mais profundo
                                     Ter pai, ter mãe, ter avós
 
                                     Ter muito enlevo a sonhar
                                     Acordar e ter carinho
                                     Ter este Mundo inteirinho
                                     No brilho do nosso olhar
                                     Viver alheio ao penar
                                     Deste orbe torpe ferino
                                     Julgar-se eterno menino
                                     Supor-se eterna criança
                                     E num destino sem esperança
                                     Ter esperança no destino

 

                                     Oh! Desventura, Oh! Saudade

                                     Causas da minha inconstância

                                     Dai-me pedaços de infância

                                     Retalhos de mocidade

                                     Dai-me a doce claridade

                                     Roubando-a ao tempo atroz

                                     Eu queria ter a minha voz

                                     Para cantar o meu passado

                                     E é tão bom cantar o fado

                                     E ter quem goste de nós


 

Alfredo Marceneiro canta

È Tão bom Ser Pequenino


 

Carlos Conde tinha uma visão muito profunda das injustiças sociais, foi dos poetas de fado com mais poemas censurados.

 

Alfredo Marceneiro fala de Carlos Conde 

 

  

"JANELA DA VIDA" 

Letra de: Carlos Conde

Música: Alfredo Marceneiro

  

                                           Para ver quanta fé perdida

                                           E quanta miséria sem par

                                           Há neste orbe, atroz ruim

                                           Pus-me à janela da vida

                                           E alonguei o meu olhar

                                           P´lo vasto Mundo sem fim.

 

                                           Pus todo o meu sentimento

                                           Na mágoa que não se aparta

                                           Do que mais nos desconsola;

                                           E assim a cada momento

                                           Vi buçais comendo à farta

                                           E génios pedindo esmola!

 

                                           Vi muitas vezes a razão

                                           Por muitos posta de rastos

                                           E a mentira em viva chama;

                                           Até por triste irrisão

                                           Vi nulidades nos astros

                                           E vi ciências na lama!...

 

 

                                           Vi dar aos ladrões valores

                                           E sentimentos perdidos

                                           Nas que passam por honradas

                                           Vi cinismos vencedores

                                           Muitos heróis esquecidos

                                           E vaidades medalhadas

 

 

                                           Vi no torpor mais imundo

                                           Profundas crenças caindo

                                           E maldições ascendendo

                                           Tudo vi neste Mundo

                                           Vi miseráveis subindo

                                           Homens honrados descendem

 

                                           Por isso afirmo com siso

                                           Que p´ra na vida ter sorte

                                           Não basta a fé decidida

                                           P´ra ser feliz é preciso

                                           Ser canalha até à morte

                                           Ou não pensar mais na vida.


 Vítor duarte Marceneiro 

Diz o poema Janela da Vida


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Viva Lisboa: Grande Homem,, Grande Poeta
música: Várias
publicado por Vítor Marceneiro às 19:00
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