Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Recordar IVONE SILVA

TEATRO DE REVISTA

Foi em Paris pelos finais do séc. XVIII que começou a fazer furor um novo género de espectáculo chamado "revue de fin d’année", um conjunto de quadros desligados em que se misturava o canto, a dança e a declamação com a finalidade de passar "em revista" e criticar os acontecimentos mais marcantes de cada ano que findava.

A Portugal, a revista chegou a meio do séc. XIX, foi em Lisboa em 1850 a apresentação da primeira revista à portuguesa, e o público português logo a consagrou como o mais popular dos géneros teatrais, habituando-se pelos anos fora a rir ás gargalhadas, com os trocadilhos e a piscadela de olho dos seus cómicos, a admirar a alegre desenvoltura das suas vedetas, a trautear as cantigas lançadas dos seus palcos, e onde obviamente o Fado teve os seus momentos de glória.

Ao evocarmos Ivone Silva, que faz este ano 20 anos que nos deixou, fazemo-lo por mérito seu, mas homenageamos em simultâneo todos os que contribuíram para os sucessos do Teatro de Revista em Portugal

 

O Fado lembra Ivone Silva

 

                                             Foi empregada e patroa

                                             Foi p’rós copos com o Camilo

                                             Vocês lembram-se daquilo

                                             Vestia um vestido preto

                                              E eu acho que comprometo

                                              O fado o povo e os artistas

                                              Ao recordar  as revistas

                                              Em que a revista foi sua

                                              Em que a arte foi ciclone

                                              A graça foi mais brejeira

                                              À maneira da maneira

                                              Da nossa querida Ivone

por: Carlos  Escobar

 

 

 IVONE SILVA

Maria Ivone Silva Nunes, nasceu em 1935 em Paio Mendes, perto de Ferreira do Zêzere, faleceu em Lisboa em 1987.

Estreou-se no ABC, em 1963 na “Revista Vamos à Festa” contratado pelo empresário José Miguel, o espectáculo agradou e, em Setembro, a mesma equipa produziu a “Revista Chapéu Al­to”, já então Ivone aparecia como cabeça de cartaz.

O público, com o seu julgamento implacável, elevou Ivone Silva, passou a reinar sobre o Parque Mayer, deslocando-se apenas do ABC pa­ra o Maria Vitória e do Maria Vitória para o ABC, como quem reconhece os seus domínios, sem temer confronto. A sua carreira é segura, sem solavancos, sendo rara a revista em que não consegue uma boa actuação. E nunca fez menos de duas revistas por ano.

Com o seu sorriso aberto, os olhos saltitantes, mal Ivone entra em cena o públi­co sabe logo que vai chegar o melhor momento. E ela, ou ri alegremente ou barafus­ta, gesticula, atravessa o palco de uma ponta a outra, falando com incrível rapidez. Tão bem caricatura a elegância afectada da Senhora de bem-fazer em (Lábios pintados, 1964), como a burguesa dona de casa, nas suas aflições diárias, em números do fôle­go de (Diário de Uma Louca), (Sete Colinas, 1967) ou (Angústia para o jantar), (O Bom­bo da Festa, 1976).

Os pequenos cantores de Viana do Castelo em (Mini-saias, 1966) ficou como o ti­po de rábula em que Ivone Silva consegue grande brilho. Talvez por isso os autores lhe escrevem, às vezes, textos demasiado pretensiosos, como A operário da fábrica das lâmpadas em (Pronto a despir, 1972) ou A Guerra Santa em (P´ra trás mija a burra, 1975), que em nada a beneficiam. Porque o que dá mesmo gozo é vê-la imitar Amá­lia Rodrigues, recém-chegada da Rússia e só a pensar "no dela" (Ena, já fala, 1969), ou a “fellineana" Corista de outros tempos, cole ante e com uma patética re­forma  em (O Zé aperta o cinto, 1971).

No pós 25 de Abril, Ivone compôs, com imen­sa graça, a chique Madame Salreta, socialista de recente data em (O Bomba da Festa, 1976) e a inquieta alívio-alívio, empregada-patroa, posta ante o dilema terrível de se sanear a si própria em (P´ra trás mija a burra, 1975).

In Revista à Portuguesa de Vítor Pavão dos Santos

 

                                      

IVONE SILVA EM QUEM TEM CUBO...TEM MEDO
Viva Lisboa: Grande Comediante
música: Sátira: Quem tem Cubo tem Medo
publicado por Vítor Marceneiro às 00:47
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2 comentários:
De Mariotimão a 20 de Junho de 2007 às 12:22
Meu caro Victor, mandei-lhe um mail - quero, por outro lado realçar o valioso contributo que presta á cultura Alfacinha.

O nick, Mariotimão, que eu uso com orgulho era a alcunha pela qual o meu avô era conhecido em tudo o que era taberna, nas cegadas e nas valentes pancadarias no Samarra, o valentão na altura..claro, o Ti Alfredo era o pai nosso do fado, ainda hoje,,,arranjei uns fado que coloquei na net, mas ja foram apagados...lembrar a esta miudadgem quem foram os grande da nossa terra...Que posso dizer mais?...força Victor, ate que os seus dedos lhe doam.

Como Viveu na Madragoa que é o meu bairro, conheço muito bem a Rua do Cura, rua que deu um grande guitarrista, agora na berra, que é meu primo..pois arremato--Madragoa é Linda
De MLeiria a 20 de Junho de 2007 às 23:01
Um texto inspirado, dito com o imenso talento e graça da saudosa Ivone Silva.
Recordar é viver!
Presentemente, não sei se nos faltam escritores inspirados que assim escrevam tão bem, se nos falta assunto ou se nos falta quem entenda já este tipo de humor... ou, enfim, se nos falta tudo!

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