Terça-feira, 19 de Julho de 2016

MARIA PEREIRA

 

Maria Pereira é uma minhota que nasceu em Vila Nova de Cerveira, a 4 de Fevereiro de 1914, Muito cedo veio para Lisboa, e logo se enamo­rou da cantiga de Lisboa, começou  a cantar   o Fado, o público ouviu, gostou e aplaudiu-a entusiasticamente, e assim apareceu uma nova cantadeira de Fados.

Aos vinte anos já cantado  em várias casas de Fados.

Bem perto de Lisboa, o Ribatejo com as suas esperas de toiros, o gado, as lezírias, os campinos e as suas fainas fazem vibrar a sua sensibilidade, é notória tal paixão, esta manifesta-se nas muitas das letras  que canta sobre o Ribatejo, tendo sido na sua época, a  artista que mais fados dedicou aquela região.

Fez parte do elenco inicial do programa "Companheiros da Alegria de Igrejas Caeiro", a partir de 11 de Agosto de 1951, onde um dos grandes objetivos,  era acompanhar a Volta a Portugal em Bicicleta.

Maria Pereira  cantou em todo o  Portugal e nas antigas colónias. Em Moçambique- Lourenço Marques havia muitos turistas sul-africanos, que falam a língua inglesa, Maria Pereira mandou traduzir as letras do seu vasto repertório, para que os mesmo percebessem os temas cantados.

Teve um contrato em exclusivo  com a ROBBIALLAC, para umas dezenas de espectáculos, dedicados aos  funcionários e aos clientes da marca, tendo até gravado um disco para a referida marca de tintas:

 

Por Deus pintada

A cor é vida

….

Pinta, pinta, pinta  com a tinta Robbiallac

Que é a tinta que mais pinta, que mais dura

Quem não pinta com a tinta Robbiallac

Pinta, pinta para borrar sempre a pintura

….

 

Maria Pereira era conhecida pelas suas actuações prolongadas. Em cada espectáculo nunca cantava menos de 30 ou 40 números, houve um,  que se pensa foi o seu record, pois cantou cerca de 70 números seguidos.

(Ao tempo, costumava-se dizer quando alguém cantava mais de que 3 a 4 Fados: — É pá, estás armado em Maria Pereira?

Mais tarde abriu o Restaurante Típico Painel do Fado, ao Bairro Alto, onde cantava todas as noites e também  outros artistas por ela contratados.

Maria Perira , gravou para quase  todas as editoras de discos portugueas, duarnte toda a sua carreira gravou mais de cem temas.

 Maria Pereira, faleceu em Lisboa a 9 de Janeiro de 2003.

 Nota: Esta biografia foi postada pela primeira vez neste blogue em 2007

 

 

 

 

 

BAIRRO ALTO

 

Letra de Silva Bastos

 

Para veres que fui sincera

A tudo que prometi

Vem à Travessa da Espera

Que eu estou à espera de ti.

 

Na hora em que o Sol desmaia

Desejando ser mais tua

Hás-de ver-me de atalaia

Rezando o nome da Rua.

 

O Destino era o mais forte

Na luta em que fui vencida;

Estava na Rua do Norte

O norte da minha vida.

 

Antes de tanta desdita

Era tão linda e formosa

Como a Rosa mais bonita

De toda a Rua da Rosa.

 

Mas se há Ruas verdadeiras

E horas de fome e fartura

Na Rua das Salgadeiras

Provei o sal da amargura.

 

E hoje que tudo passou

Já não me resta mais nada

Sou a cinza que ficou

Da Travessa da Queimada

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa:
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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10 comentários:
De Ai Flores de Verde Pino a 15 de Setembro de 2007 às 17:32
Tardava esta referência/homenagem à Maria Pereira que se ouvia até ela querer e haver tinta Robialac, como se dizia na época. O distinto investigador Vítor Marceneiro não pára de nos surpreender com estas excelentes recuperações do passado fadista.
De Elisabete a 11 de Outubro de 2009 às 14:02
Obrigada Vitor Marceneiro. Sou a neta da Maria Pereira e gostei muito desta homenagem. É sempre bom recordar a pessoa fantástica e a grande profissional que a minha avó era.

Um grande beijinho e muito obrigada!
Elisabete Damasceno Santos
De NelsonCM a 11 de Setembro de 2012 às 11:48
Cara Elisabete:
Aproveito para convidá-la a melhorar o artigo dedicado à sua avó na Wikipedia "Maria Pereira (fadista), especialmente no que toca a fontes.
Grato pela atenção,
NCM
De Vítor Marceneiro a 11 de Setembro de 2012 às 22:26
Senhor NelsonCM

Estive para deixar passar, mas a sua forma de expor o assunto à neta de Maria Pereira Elisabete, é deveras deselegante para ela e para mim, sabe porquê? Até sabe... Mas veja que quando eu escrevi esta página não havia nada publicado sobre Maria Pereira ( veja as datas) mas mesmo que houvesse, acha que o que eu escrevi sobre ela e de outras figuras está mal? Se quiser mando-lhe uma relação de páginas (muitas) do Wikipédia que são clonagens das minhas investigações. Tem alguma coisa contra mim, porque bastaria ( penso eu) e seria normal, escrever _ OLHE ELIZABETE PARA ALÉM DO QUE TEM AQUI SOBRE A SUA AVÓ TAMBÉM TEM MAIS Informações em... etc. E deixava-me também o recado, porque eu ficaria muito grato.
Este trabalho teve cerca de 26.128 consultas.
Passe bem.
Saudações culturais
De Daniela Singh a 23 de Janeiro de 2015 às 17:28
Olá Elisabete,

Chamo-me Daniela, sou meia-irmã da Zezinha, gostava que entrasse em contato comigo por email.

daniela.singh3@gmail.com

Obrigada. Um beijinho.
De Elisabete Santos a 14 de Setembro de 2012 às 13:29
Caro Vitor Merceneiro,

Eu gostava de fazer uma homenagem à minha avó editando um album com os seus êxitos. O que acha desta ideia? Poderia dar-me uma ajuda?

Beijinhos, Elisabete
De Vítor Marceneiro a 18 de Setembro de 2012 às 20:21
Cara amiga
O meu email: marceneiro@sapo.pt, mande-me uma mensagem para eu lhe responder, este assunto é melhor ser tratado por esse meio.
Cumprimentos
Vítor Marceneiro
De Joaquim a 18 de Abril de 2014 às 12:21
Muito obrigado, antes de mais, ao senhor que escreveu este artigo, que é uma preciosidade. Eu tenho ligações familiares, muito remotas, à fadista Maria Pereira e gostaria de trocar algumas impressões que outras pessoas, mais chegadas, que me ajudassem a perceber certas ligações.
Obrigado pela oportunidade.
Felicidades.
De Vítor Marceneiro a 18 de Abril de 2014 às 12:56
Caro Joaquim. Eu pouco mais sei sobre Maria Pereira, há uma neta que contactou comigo, como poderá ver nos comentários, eu respondi mas nunca recebi nenhuma resposta. Cumprimentos
De Joaquim Gonçalves a 18 de Abril de 2014 às 13:25
Obrigado pela sua pronta resposta.
Sabe muito, muito mais do que eu próprio sabia!
Agradeço-lhe imenso o «pouco» muito que me deu a conhecer.
Tenho a esperança de que algum familiar mais chegado ( que poderá ser a sua neta Elisabete Damasceno Santos ou outro) possa complementar, se possível, as suas suas preciosas informações.
Cumprimentos, desde Vilar de Mouros.

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