Sábado, 30 de Maio de 2009

ALFREDO MARCENEIRO.... FADO "O REMORSO"

 

 

Fado "O Remorso"

 

Com letra de Linhares Barbosa e música da sua marcha, Marceneiro canta-nos este poema, que lhe valeu a Medalha de Ouro, num concurso de Fado, destacando-se a forma de dividir o verso, como ele nos explica no inicio do Fado.

  

"O REMORSO"
Letra de: João Linhares Barbosa
 
Batem-me à porta, quem é?
Ninguém responde... que medo...
que eu tenho de abrir a porta.
Deu meia-noite na Sé.
Quem virá tanto em segredo
Acordar-me a hora morta?
 
                                  Batem de novo, meu Deus!
                                  Quem é, tem pressa de entrar,
                                  E eu sem luz, nada se vê
                                  A Lua fugiu dos Céus
                                  Nem uma estrela a brilhar
                                  Batem-me à porta, quem é?...
 
Quem é?... quem é?... que pretende?...
Não abro a porta a ninguém...
Não abro a porta ainda é cedo...
Talvez seja algum doente
ou um fantasma, porém
ninguém responde... que medo.
 
                                 Será o fantasma dela
                                 da que matei. Não o creio!...
                                 A vida, a morte que importa.
                                 Se espreitasse pela janela,
                                 Jesus! Jesus! que receio
                                 que eu tenho de abrir a porta.
 
Feia Noite de Natal.
A esta hora o Deus Menino
Já nasceu na Nazaré.
Não há perdão para meu mal
Calou-se o Galo. E o sino
Deu meia-noite na Sé.
 
                                 Continuam a bater
                                 Decerto que é a Justiça
                                 P´ra conduzir-me ao degredo
                                 Matei, tenho de morrer
                                 Oh! minha alma assustadiça
                                 Quem virá tanto em segredo?
 
 
Seja quem for, é um esforço
Vou-me entregar que tormento
Que me vence e desconforta.
— Ninguém bateu! Oh! remorso
Não é ninguém! É o vento
Acordar-me a hora morta.

 


Recebi estes versos de homenagem a Alfredo Marceneiro,  que se baseiam neste tema, ao seu autor, o meu muito obrigado.

 

HOMENAGEM A ALFREDO MARCENEIRIO
 
Versos de Abílio Duarte (1960)
 
 
BATEM-ME Á PORTA QUEM É
NINGUÉM RESPONDE QUE MEDO
QUE EU TENHO DE ABRIR A PORTA
DEU MEIA-NOITE NA SÉ
QUEM VIRÁ TANTO EM SEGREDO
ACORDAR-ME A HORA MORTA
           
                                    ESTA SEXTILHA FAMOSA
                                    CANTADA POR UM FADISTA
                                    QUE DOS MELHORES FOI O PRIMEIRO
                                    TEVE UMA CARREIRA HONROSA
                                     POIS FOI NO FADO UM ARTISTA
                                     ESSE ALFREDO MARCENEIRO
           
CANTAR COMO ELE CANTOU
JAMAIS ALGUÉM CANTARÁ
DESSO TENHO EU A CERTEZA
É SAUDADE QUE FICOU
DECERTO PERDURARÁ
NA GERAÇÂO PORTUGUESA
           
                                    SOU NOVO ISSO QUE IMPORTA
                                     P'RA LEMBRAR O PIONEIRO
                                     QUE FELIZMENTE OUVI
                                     BATEM-ME Á PORTA QUEM É ?
                                     DEU MEIA-NOITE NA SÈ
                                     VERSOS QUE EU NUNCA ESQUECI
           
ESTES VERSOS BEM MODESTOS
PODEM CRER QUE SÂO HONESTOS
REPRESENTAM FADISTAGEM
SEM TER MOTIVO INTERESSEIRO
DEDICO-OS AO MARCENEIRO
PRESTAM-LHE A MINHA HOMENAGEM.

 

Contacto com o autor: clicando aqui
música: O Remorso
publicado por Vítor Marceneiro às 20:46
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