Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

FLORBELA ESPANCA - Poetisa

 Florbela de Alma da Conceição, nasceu em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, e faleceu em Matosinhos a 7 de Dezembro de 1930.

Aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte.  

Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário no Liceu de Évora, facto não muito bem aceito por professores e a sociedade da época.  

Em 1916, Florbela reúne uma colectânea de 88 poemas de sua autoria e três contos, com o título “Trocando Olhares. 

Em 1917, completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras e logo ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.  

Em 1927 Florbela perde seu irmão Apeles num trágico acidente, facto que muito a abalou psicologicamente, publicando o livro de contos “Às Máscaras do Destino” em sua memória. 

Em dois de Dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de Dezembro, dia do seu aniversário, Florbela Espanca suicida-se, em Matosinhos.   

Algumas décadas maia tarde como era seu desejo, os seus restos mortais são transportados para a sua terra natal, Vila Viçosa.

 

Poema AMAR

Canta e é autora da música 

Teresa Silva Carvalho

 

 

 

 

 

 

 

 Carta de Florbela Espanca a uma amiga

 

 

 

                                              Vila Viçosa, Setembro 1916

    

JÚLIA

 

Agora, quero contar-te uma coisa que me enterneceu deveras, uma noite destas.  

O luar caía límpido e claro como água, jorrando duma fonte perdida no infinito ...  

Eram 24 horas ... eu sonhava! ... Nisto, uma voz ergueu-se, uma voz acariciadora, pungente na toada pun­gentíssima do fado tão querido à alma portuguesa, sabes o quê, minha Júlia? Essas minhas despretensiosas quadras que o Suplemento publicou, tão" pobres, tão ingénuas, tão sentidas, que o povo humilde as acolheu e as canta! como diz o nosso suave Augusto Gil. Até hoje nem um único elo­gio me comoveu assim.

Tenho-os ouvido vibrantes e enternecidos, lisonjeiros sempre, mas quase sempre amigos, e nunca, nunca como este tiveram o dom de me arrasar os olhos de águas.

Ficaram, desde esta noite profunda de luar) as   minhas pobres quadras) sagradas para mim. Cantou-as a boca do povo, beijou-as a boca do povo, e é como se toda a alma rústica e humilde do meu Portugal beijasse com infinito amor a minha, nesses humildes versos, tão pobres… tão in­génuos ... tão sentidos!

 

Beija-te a tua

 

Florbela Espanca.

  

 

O FADO de Florbela Espanca

 

Corre a noite de manso, num murmúrio,

Abre a rosa bendita do luar,

Soluçam ais estranhos de guitarra,  

Um gemido de amor anda no ar.

  

Há um repouso imenso em toda a terra,  

Parece a própria noite a escutar  

E o canto continua mais profundo

Que página sentida de Mozart!

 

E' o fado. A canção das violetas

Que foram almas tristes de poetas

P'ra quem a vida foi uma desgraça!

   

Minha doce canção dos deserdados,  

Meu fado que alivias desgraçados

Bendita sejas tu, cheia de graça.

 

Viva Lisboa: Grande Poetisa, Grande Fadista
música: Amar
publicado por Vítor Marceneiro às 00:00
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

FLORBELA ESPANCA

Passados que são 105 anos do seu nascimento, 79 anos da sua partida, aqui fica a minha  sincera homenagem a esta grande poetisa, que o Fado também enaltece,  cantado-a.

 

Florbela de Alma da Conceição, nasceu em Vila Viçosa a 8 de Dezembro de 1894, e faleceu em Matosinhos a 7 de Dezembro de 1930.

Aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte.

Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário no Liceu de Évora, facto não muito bem aceito por professores e a sociedade da época.

Em 1916, Florbela reúne uma colectânea de 88 poemas de sua autoria e três contos, com o título “Trocando Olhares.

Em 1917, completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras e logo ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Em 1927 Florbela perde seu irmão Apeles num trágico acidente, facto que muito a abalou psicologicamente, publicando o livro de contos “Às Máscaras do Destino” em sua memória.

Em dois de Dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de Dezembro, dia do seu aniversário, Florbela Espanca suicida-se, em Matosinhos.

Algumas décadas maia tarde como era seu desejo, os seus restos mortais são transportados para a sua terra natal, Vila Viçosa.

  

 

Teresa Silva Carvalho

canta com música de sua autoria

Amar! de Florbela Espanca

 

 

 

FLORBELA ESPANCA

    Filha de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo,    Florbela escreveu-se em Sangue d'Alma !

     Foi Hino em Grito de Além...

     Foi Candeia em busca de mais Luz...

     Foi Lareira em busca de  Achas para mais Lume...

     Foi Labareda de Onda com todas as tonalidades do Arco-Íris...

     Nasceu em 1894 em Vila Viçosa , no dia de Nossa Senhora da Conceição. (Ó Mãe ! Ó minha Mãe, pira que nasceste? / Entre agonias e em dores tamanhas / P´ra que foi, dize lá que me trouxeste // Dentro de ti?... P´ra que eu tivesse sido / Somente o fruto amargo das entranhas / Dum lírio que em má hora foi nascido!... (in Vol. II, pág.259) (ver nota de correcção nos comentários

     Aí viveu com o Pai, a Madrinha (Esposa legítima de João M. Espanca) e com o irmão mais novo, Apeles.  A casa situava-se no actual n. 59 da Rua Florbela Espanca.

     Correu campos, charnecas, bebeu luares e sombras de paisagens...

     Amava Livros e Sonhos ... Aos oito anos já escrevia a Alma ...

     Em Évora, no Liceu André Gouveia, respirou felicidade (" Hoje mando-lhe o edifício do Liceu. Aqui passei os melhores anos da minha vida..." in Vol. V, Carta n. 50 “)

     Em 8 de Dezembro de 1913, casou com Alberto Moutinho. ( "Eu casei e casei por amor..." in Vol. V, Carta n.45)

     Ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa e segue em Asas em busca de mais Vida... (" O meu coração anda à solta, tão grande, tão ambicioso, tem sempre frio, está sempre só... Ninguém sabe andar com ele! " in Vol. V, Carta n.64 )

     Separa-se de Alberto Moutinho ( "Adeus, Alberto. Sê meu amigo sempre como é tua amiga a Florbela" in Vol. V, Carta n. 78 )

       Apaixonada por António Guimarães, oficial do Exército, segue com ele para Matosinhos.

      Casam a 29 de Junho de 1921. Mas António Guimarães não soube ver Florbela...  ("Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada / Pavorosa ! Não sei onde era dantes. / Meu solar, meus palácios, meus mirantes ! ...  in Vol. II, pág.258)

      Novo divórcio e nova paixão por Mário Lage com quem casa  a 29 de Outubro de 1925, na Igreja do Senhor Bom Jesus, em Matosinhos .

       Doente desta busca permanente, Florbela cansa o Pulso mais e mais... Ama infinitamente e sofre além, para lá da fronteira da pele...

        Tenta repousos  e tratamentos  sucessivos e em 7 de Dezembro de 1930 VOOU ALÉM, definitivamente, P'RA LÁ DA SUA TÃO QUERIDA CHARNECA ALENTEJANA... - Repousa, desde 1964, no Cemitério de Vila Viçosa... -

             -- FLOR BELA LOBO, conforme sua Certidão de Baptismo, FOI SENSIBILIDADE DESMEDIDA, ÁGUA CORRENTE D'ALMA EM FADO SEM TAMANHO ... --

               ( ... E O FADO DEU-LHE COLO DILVUGANDO, AO SOM DO TRINAR DAS GUITARRAS E DE BOAS VOZES, ALGUNS SONETOS DA SUA VASTA OBRA... )  

Maria José Praça 

 

 

 

             CELEIRO D'ALMA A FLORBELA ESPANCA 
 
Flor, ______tempo
Bela , ______lonjura no vento
Seara rubra em rebento
Espiga do peito em além
Perdidamente,
Em planura d'olhar longe
Ceifada voava em asas
De sonetos d'alma enchente
Em lua quase a 'pagar-se...
 
Torrente
D'água brilhante corrente...
Tremente
Voz de papoila gemente
Escorrendo fogo do peito, luzente...
 
Candeia
De passos soltos e alados d'além
D'além, além, tão além
Perdidamente,
Celeiro d'hinos frementes...


Maria José Praça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota:Estou convicto que Florbela Espanca se tornou mais conhecida do povo menos letrado através do seu poema “ Amar”, que muitos artistas cantaram, que aqui destaco mais uma vez na voz de Teresa Silva Carvalho, com música de sua autoria.

 

música: Amar!
Viva Lisboa: Amar... amar perdidadmente
publicado por Vítor Marceneiro às 14:48
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