Quinta-feira, 27 de Março de 2014

LÍDIA RIBEIRO

 

Este blogue, para além do prazer que me deu, em falar de Fado, e recordar Lisboa, deu-me também a oportunidade de voltar a encontrar, e conviver de perto, com gente ilustre da vida artística portuguesa. Desta vez, para além do prazer, tive a honra de conviver, com a ilustre senhora que é Lídia Ribeiro, a quem quero desde já agradecer, a maneira simpática e amável, como me recebeu. Por isso e por tudo, deixo-lhe o meu muito obrigado.

Lídia Ribeiro, nasceu em Lisboa, em 21 de Setembro de 1934, sendo a mais velha de sete irmãos.
Desde muito jovem, que se sentiu atraída pelo canto e pela musica, tendo mesmo estudado piano, embora durante pouco tempo Para cantar decorava os versos, que os cegos, e não só, cantavam nas ruas de Lisboa, acompanhados de guitarras e acordeões, e também tudo o que ouvia na telefonia, que ela depois cantava nas festas de bairro, e na escola primária, durante os intervalos.
O seu sonho era ser cançonetista, sonho que se transformou em realidade, para satisfação de todos nós, que assim tivemos oportunidade, de ouvir canções e fados, na sua bonita voz, e apreciar a sua bonita imagem.
Em 1951, com 17 anos, no famoso programa de Igrejas Caeiro, " Os Companheiros da Alegria", que tinha lugar no Jardim Cinema, inscreveu-se para prestar provas, que consistiam em cantar durante cinco minutos à capela, tendo como júri o público, que distinguia os seus eleitos, através do tempo que duravam os aplausos. O prémio para o vencedor era de 500 escudos, quantia algo significativa naquele tempo, e o tema que ela escolheu foi o fado " Foi Deus ", que lhe deu a vitória nesse dia.
A sua já bonita figura, e a sua voz, impressionaram, Igrejas Caeiro, que logo a convidou para se inscrever num concurso que ele preparava, com o nome de "À Procura de uma Estrela", embora, a tivesse convencido, para que pudesse ter mais êxito, a cantar Fado e não canção, o que ela aceitou, mas, ainda hoje afirma, sempre se tenha sentido mais cançonetista, do que fadista. Efectuado o concurso, que decorreu ao longo de cerca de um ano, Lídia Ribeiro foi eliminando as concorrentes de outros bairros, até que chegou à final, interpretando também " Foi Deus ", "vencendo" a concorrente da Voz do Operário, que era, a hoje conhecida e famosa Anita Guerreiro, que foi eliminada na pré-final. Ainda hoje, na sua simplicidade, e humildade, Lídia Ribeiro diz que desconhece, como foi possível "vencer" Anita Guerreiro! Como prémio, Lídia, passou a integrar o elenco dos " Companheiros da Alegria ", e recebeu a carteira profissional. Entretanto, também se candidatou a um concurso da extinta Emissora Nacional, dirigido pelo poeta Jerónimo Bragança, cujo vencedor foi D. Vicente da Câmara, tendo recebido uma menção honrosa, que lhe daria direito a integrar os quadros da E.N., hipótese que recusou, não só porque o cachet era inferior ao que auferia nos "Companheiros da Alegria", como também, e sobretudo, pelo reconhecimento e gratidão para com Igrejas Caeiro, que ela reconhece ter sido o seu padrinho artístico.
Todavia, por circunstâncias politicas, que são do domínio público, os "Companheiros da Alegria", tiveram curta duração, pelo que, Lídia, acabou por ingressar na Emissora Nacional. No entanto, foi durante o contrato que manteve com a Companhia, de Igrejas Caeiro, que conheceu um jovem cançonetista, o conhecido Luis Guilherme, com quem casou em 1954, tendo nascido no ano seguinte, a sua filha, a hoje conhecida e reconhecida profissional de televisão, Teresa Guilherme.

Com Luis Guilherme, e com a sua filha, (foto do lado)partem para o Brasil, em 1955, onde obtiveram grandes êxitos, tendo sido contratados para a TV Record, percorrendo depois o Brasil com um show musical, intercalando as canções de Luis Guilherme com os fados de Lídia Ribeiro, que gravou o seu primeiro disco no Brasil, que incluía o fado "Foi Deus", disco esse que enviou a Alberto Janes, que, por tanto o ter apreciado, escreveu para ela o poema " Á Janela do meu Peito", que acabou também por gravar no Brasil, e que foi o seu maior êxito, tendo sido mais tarde, cantado também por Amália Rodrigues.
Regressada a família a Portugal, em 1961, motivada pela idade escolar de sua filha, e perante o grande êxito que tinha sido o "A Janela do meu Peito", tornou-se artista da Casa Valentim de Carvalho.
Prosseguiu a sua carreira, tendo sido contratada para o Restaurante Folclore, (propriedade de Manuel Vinhas/Portugália) onde se manteve durante treze anos, participando num espectáculo vocacionado para o turismo, que proporcionava grandes digressões pelo estrangeiro, para divulgação do nosso folclore, e que contava com nomes muito prestigiados do nosso meio artístico, como, Arminda Vidal, Ada de Castro, os acordeonistas Fernando e Fernanda Guerra, o guitarrista António Chainho, o violista José Maria Nóbrega etc. Entretanto, durante a vigência do contrato com o Restaurante Folclore, foi sempre contratada, durante dois meses por ano, para actuar no Casino Estoril, então, palco apenas, para alguns eleitos.   Em 1962, com Luis Guilherme, partem para uma tournée, pelo continente africano, tendo percorrido durante ano e meio, Angola, Moçambique, África do Sul, Ex-Rodésia etc.
Em 1973, o Restaurante Folclore, fecha definitivamente, e Lídia Ribeiro é contratada, para actuar em rotação, em todos os casinos portugueses.

 

Lídia Ribeiro com a filha Teresa Guilherme, e Tony de Matos


Em 1979, une-se sentimentalmente a Tony de Matos, efectuando espectáculos em várias partes do mundo, até que, em 1985, aceitam o desafio de Marcelino de Brito, ao tempo, proprietário da casa de fados, O Fado Menor, para integrarem o elenco, juntamente com Carlos Zel e Filipe Duarte, projecto este que durou apenas dois anos.
Em 1989 Tony de Matos, deixou-nos,  partiu para o Céu, mas Lídia continuou a cantar Fado, nas Arcadas do Faia, e, por muita insistência de Maria Jó-Jó, na Taverna del Rei, onde se manteve até se retirar definitivamente em 1999.
Todavia, Lídia Ribeiro, como grande artista que é, deixou de cantar, e começou a pintar, tem quadros lindos, que eu tive o privilégio de apreciar, considera-se uma mulher feliz, continua muito bonita, (de que cor são os seus olhos, Lídia?), e é também, uma mulher e mãe privilegiada, porque tem o amor e o carinho da sua filha, agora também, apreciadora e critica dos trabalhos de pintura da sua mãe.

Além do prazer e da honra que tenho  de  ter esta foto no meu álbum de recordações, publico-a principalmente para chamar à atenção do quadro a óleo que se vê por cima do sofá, que é um dos belos quadros pintados por Lídia Ribeiro 

 

Contacto com o autor: clicando aqui
Viva Lisboa: Fadistas do Passado
música: Á Janela do meu peito
publicado por Vítor Marceneiro às 21:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Clique aqui para se inscrever na
Associação Cultural de Fado

"O Patriarca do Fado"
Clique na Foto para ver o meu perfil!

arquivos

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Novembro 2018

Outubro 2018

Agosto 2018

Dezembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Aguarelas gentilmente cedidas por MESTRE REAL BORDALO. Proibida a sua reprodução

tags

10 anos de saudade

2008

50 anos de televisão

a severa

ada de castro

adega machado

adelina ramos

alberto ribeiro

alcindo de carvalho

alcino frazão

aldina duarte

alfredo correeiro

alfredo duarte jr

alfredo duarte jr.

alfredo duarte júnior

alfredo marcemeiro

alfredo marceneiro

alice maria

amália

amália no luso

amália rodrigues

américo pereira

amigos

ana rosmaninho

angra do heroísmo

anita guerreiro

antónio dos santos

antónio melo correia

antónio parreira

argentina santos

armanda ferreira

armandinho

armando boaventura

armando machado

arménio de melo - guitarrista

artur ribeiro

beatriz costa

beatriz da conceição

berta cardoso

carlos conde

carlos escobar

carlos zel

dia da mãe

dia do trabalhador

euclides cavaco

fadista

fadista bailarino

fado

fado bailado

fados da minha vida

fados de lisboa

feira da ladra

fernando farinha

fernando maurício

fernando pinto ribeiro

florência

gabino ferreira

guitarra portuguesa

guitarrista

helena sarmento

hermínia silva

herminia silva

joão braga

josé afonso

júlia florista

linhares barbosa

lisboa

lisboa no guiness

lucília do carmo

magusto

manuel fernandes

marchas populares

maria da fé

maria josé praça

maria teresa de noronha

max

mercado da ribeira

miguel ramos

noites de s. bento

oficios de rua

óleos real bordalo

paquito

patriarca do fado

poeta e escritor

porta de s. vicente ou da mouraria

pregões de lisboa

raul nery

real bordalo

santo antónio de lisboa

santos populares

são martinho

teresa silva carvalho

tereza tarouca

tristão da silva

vasco rafael

vítor duarte marceneiro

vitor duarte marceneiro

vítor marceneiro

vitor marceneiro

zeca afonso

todas as tags